VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Nossas histórias - Memória varzealegrense

PALAVRAS VOCÊ TEM - ANTÔNIO MORAIS

Em uma  postagem anterior, falei do grande orador e homem intelectual que foi o Dr. Dario Batista Moreno. Ex-prefeito de nossa cidade, pessoa de fina lhaneza no trato com as pessoas, porem não gostava de lengalenga, de bajulação.

Havia em Várzea-Alegre, a época, um vereador que por nada estava usando a palavra e fazendo aquele belo e memorável discurso. Bastava reunir três ou quatro pessoas numa roda que o orador pedia a palavra e mandava o verbo.

Dr. Dario não gostava nada daqueles vexames, ou seja, do vocabulário do nobre Ruim Barbosa. Durante o seu governo, por ocasião da inauguração de uma escola no distrito de Naraniú, com a presença do vice-governador do Estado Joaquim de Figueiredo Correia, nosso conterrâneo, o Dr. Dario prevendo o discurso do vereador foi à casa do ilustre edil e falou que como era uma reunião simples, o vereador podia convidar os amigos, “mas não havia necessidade de fazer nenhum discurso”.

Na hora marcada, ao chegar com o Vice-governador no local, o vereador subiu num tamborete e começou um solene discurso nos termos que se segue: “Incelentismo cumpadre Figueiredo Correia, reverendísimo prefeito Dr. Dario Moreno, demais oturidades que aqui tão... – Eu num tem palavras”.... Dr. Dario se aproximou, aberturou o vereador como dizem por lá, e falou: palavras você tem, o que você não tem é vergonha!

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domingo, 30 de setembro de 2012

JOAQUIM VIEIRA DO CHICO - JOAQUIM DE LIBERCIA


Joaquim Vieira do Chico estava com um filho a ter febre alta há quase cinco dias. Chegando ao hospital o medico constatou beirando os 45 graus. Diante do quadro Joaquim foi aconselhado internar o filho Vicente e deixa-lo no hospital por uns dias em observação.

Diante daquela situação aflita o Joaquim foi a Radio Cultura colocar um aviso para os familiares no sitio Chico. Ao se dirigir a recepção foi redijido o presente aviso – Atenção familiares de Vicente de Joaquim Vieira no sitio Chico: O mesmo avisa que diante das recomendações médicas Vicente vai ficar internado por alguns dias até o médico concluir os procedimentos necessarios. Sem mais para o momento.
Joaquim Vieira.

Pagou a importância cobrada pela funcionaria e perguntou : a que horas sairá o aviso? Quatro horas da tarde – respondeu solicita a atendente.

Joaquim rumou num galope para o Chico e saiu de casa em casa avisando: As quatro horas ligue radio que o aviso vai sair. Dizem que a primeira casa a ser avisada foi a do meu tio Compadre.

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sábado, 29 de setembro de 2012

EXTRAVIO DOS LANCHES


Nas decadas de 1970 e 1980 era muito grande o movimento de passageiros entre o nordeste e São Paulo, especialmente as cidades de Varzea-Alegre e São Bernardo do Campo.

Na agencia da varzealegrense trabalhavam alguns conterraneos, entre os quais dois primos e muito conhecidos nosso - Joaquim Leandro Bitu e Benedito de Antonio Leandro. Nesta epoca estavam em São Bernardo dois filhos de João de Pedrinho, o Vicente e o Chagas. Então Ana, mãe dos dois meninos resolveu enviar para os mesmo uns lanches. Colocou numa caixa um queijo de manteiga, um tijolo de leite e uns pães de ló e uma carta com algumas recomendações. Amarrou bem a caixa e despachou na agencia de Varzea-Alegre. Quando a encomenda chegou em São Bernardo deu um farnecinho em Benedito e ele terminou por abrir a caixa e comeu os paes de ló. Pensando melhor, observou que se entregasse a caixa podia ser denunciada a malinação. Então comeu tambem o tijolo de leite e por fim o queijo de manteiga.

Então resolveu lê a carta para ter noticias do seu lugar, do Sanharol. Eis o conteudo da missiva - Meninos, tenham cuidado, tudo que acontece por ai, no outro dia todo mundo está sabendo aqui, e, quem espalha as noticias é Carmelita minha irmã! Carmelita é a mãe do Benedito, que depois de lê a carta ficou bem mais aliviado.

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terça-feira, 11 de setembro de 2012

DR. JOSE CORREIA FERREIRA


Dr. Jose Correia Ferreira - Foi o segundo filho de Varzea-Alegre a se formar em medicina, 1936. O primeiro foi Dr. Leandro Correia 1915.

E teve o caso da paciente recomendada da minha tia Ester Correia. Entra com o marido, um sujeito afogueado, torado no grosso, olhos de espanto, chapeu de couro, toco de cigarro de palha no canto da boca, jeito de quem está vendo alma, por todos os lados. A mulherzinha parecia a alma que se procurava: pequena, magra, amarela, cabelos zangados com a diciplina, uns tics no canto direito da boca, pra completar, a coisa mais encabulada do mundo. Sentindo seu jeitão e a dificuldade que teria em lhe ouvir as queixas, procurei deixá-la a vontade, falando-lhe palavras afaveis, animadoras, tentando um bom relacionamento, como se diz. Depois de lhe perguntar, umas tres ou quatro vezes, de que se queixava, o que sentia, sem que ela desse uma palavra, perguntei ao marido: sua mulher não fala? É surda-muda? Foi então, que ela, rompendo o mutismo, falou: Minha doença quem sabe é Zé.

Aí o homem pegou pressão, assim como quem está foleando formigas e foi falando num ritmo irregular: ora, soprando para fora, ora, aspirando para dentro. E tome verbo: Seu doutor, esta muié tá se acabando viva. Voimincê credite que ela num drome, ela num come, ela num tem sustança pra nada e tem uma dor de cabeça afitiva, qui quando dá nela, lá nos tapumes da testa, a pobrezinha so farta correr doida. Enche os oios dagua, pega minhas mão, bota na cabeça dela e fica dizendo: Incaica Zé.

A muito custo, conseguir tomar a pressão, examinar-lhe os olhos, sentir-lhe o pulso, auscutar, percutir. Ela todo tempo se esquivando, se afastando, no mais inocente e desnecessario recato.

Decorridos umas tres semanas, em outro dia de feira, volta o Zé. E de melhor aspecto. Ao me ver, foi logo dizendo: vin só lhe dizer, meu doutor,qui a muié tá muito amiorada. Quaje boa, mesmo. Deus te proteja.

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domingo, 9 de setembro de 2012

A SAGA DE ANTONIO DANTAS SOBRINHO

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, 
Mas nele é que espelhou o céu.  
(Fernando. Pessoa)


Nasci no sítio Baixio, Várzea Alegre, Ceará, 1938. Filho de Lourenço Ferreira Lima e Luisa Dantas de Souza. Faço parte da décima geração descendente de Agostinho Duarte Pinheiro, donatário de uma sesmaria no Riacho da Fortuna onde fundou o sitio Monte Alegre. Um dos filhos de Agostinho, mudou o nome para José Ferreira Lima, com o intuito de obter mais uma sesmaria na região. Até hoje a família é conhecida como os Ferreira Lima de Monte Alegre. Por parte de meu pai, também sou descendente dos Alencar do Crato. Minha avo paterna era Ana Pereira de Moraes, irmã de Carlos de Alencar e outros. Por parte da minha Mãe, sou Neto de Manoel Dantas do Baixio. Meu nome é uma homenagem a um irmão do meu avô.

Eis a trajetória de minha vida.

No início de 1945 passei 2 meses aprendendo a ler numa escola de um vizinho. Em 1946, passei mais 2 meses completando que se chamava o primeiro ano de leitura, e em 1948, passei três meses com um amigo de meus pais cursando o primeiro ano primário em Juazeiro do Norte. Em 1949, por intolerância religiosa, minha mãe havia se convertido ao protestantismo, tivemos que sair do Baixio. Fomos morar numa localidade chamada Santa Luzia, perto da Mata do Nascimento, atual cidade de Dom Pedro, no estado do Maranhão.

Tal qual no Ceará, não havia escola naquele lugarejo, mas ainda tive a oportunidade de passar uns três meses numa escola de uma amiga de meus pais numa localidade vizinha. Em 1954, fui morar e aprender alfaiataria com um amigo numa vila mais distante chamada, Centro do Paciência, atual cidade de Governador Archer, onde meus pais moram atualmente.

Em 1956, por indicação de minha mãe, comecei a estudar no Instituto Batista do Cariri enquanto trabalhava numa alfaiataria em Juazeiro. Quando fiquei ali, tive muitas oportunidades de matar as saudades de Várzea Alegre e do Baixio, visitando e passando férias com meu avo, Manoel Dantas e outros parentes. 

Em 1958 fui expulso do Colégio Batista. Não tinha vocação religiosa! Mudei para Fortaleza onde passei um ano e meio trabalhando numa alfaiataria. Fiz um plano de sair de Fortaleza sabendo inglês, e pus-me a estudar sozinho. Todos os dias, durante um ano, aprendia dez palavras novas. Apenas aprendia a ler e escrever, mas foi muto importante porque meu primeiro emprego em São Paulo foi de tradutor de peças mecânicas, numa firma de pesquisa de petróleo filiada a Petrobrás. Ali havia muitos americanos e aproveitei para melhorar a pronuncia do inglês. Por influência deles, abri uma conta bancária nos Estados Unidos para onde enviava minha poupança para protegê-la da inflação e me preparar para uma eventual oportunidade de estudar no exterior.

Em 1963, comecei a namorar uma americana, e por influência do meu futuro sogro, pedi um visto de emigrante no consulado americano. Emigrei para os Estados Unidos no fim daquele ano. Logo em seguida, fui aceito na Universidade de Wisconsin, em Stevens Point, via um exame de admissão, pois não tinha educação formal. Como não tinha recursos para custear os estudos, a universidade me concedeu uma bolsa de estudos do legislativo estadual.

Em 1966, casei com Marilyn, que fora minha namorada em são Paulo e havia retornado aos Estados Unidos antes do meu visto de imigração. Foi ela quem me deu apoio moral e cuida muito bem de mim até hoje. Em 1968, ganhei uma bolsa de estudos para o mestrado na mesma universidade no campus principal, em Madison. Ali encontrei muitos brasileiros dedicados e preocupados com o destino do nosso país. Eles me influenciaram para que voltasse para o Brasil.

Em 1970, fui convidado, por indicação de um professor, para lecionar na Universidade de Brasília. Quando cheguei ao departamento de economia, acanhado e tímido academicamente, fiquei surpreso em saber que era o primeiro com mestrado lecionando naquele departamento. Logo, com 31 anos de idade, assumi interinamente a chefia do departamento onde promovemos uma reforma acadêmica que deu bons resultados até hoje.

Em 1972, voltei para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos da Fundação Ford e apoio da Universidade de Brasília para me preparar para o Ph.D. na universidade de Cornell, estado de Nova York. Ali, tive a oportunidade estudar com ilustres brasileiros, com José Serra, Luciano Coutinho, Yoshiaki Nakono, Sérgio Mindlin, Lívio Reis de Carvalho e outros brilhantes colegas. Senti muito orgulho daqueles amigos. Tínhamos uma intensa vida intelectual e de preocupações com o destino da pátria. Estes se dedicaram a vida acadêmica e política. Eu fiquei sempre ligado a vida acadêmica.

No primeiro dia de aula em Cornell, agosto de 1972, nasceu meu filho Lourenço e na semana que conclui os exames para o Ph.D. nasceu minha filha, Tania. Em 1975, passei 3 meses em São Paulo, levantando dados para minha tese de doutorado. No início de 1976, defendi uma tese comparando o desempenho econômico entre firmas brasileiras e estrangeiras operando em São Paulo.

Em 1978, participei de um programa do MEC, lecionando para professores da Universidade do Piauí dentro do programa PICD. Em 1979, fui convidado pra lecionar no Colorado College, uma pequena universidade na cidade de Colorado Spring nos Estados Unidos. Passei um  ano de licença naquela cidade. E em 1981 voltei brevemente pra passar mais uma temporada lecionando ali.

Em 1985, havia acabado de sair da direção do Instituo de Ciências Sociais da UnB quando recebi um honroso convite do Governo do Canada para visitar o país e participar de um seminário dirigido a administradores. Em 1986, voltei para os Estados Unidos e passei 6 meses na Universidade de Harvard com uma bolsa da Fundação Fulbright. Tive a oportunidade de me especializar na área de investimentos e administração de projetos. 

Em 1988, participei durante 45 dias de um programa das Nações Unidas e Banco Mundial, preparando técnicos do Banco Central de Moçambique, na capital Maputo, antiga Lourenço Marques.
Em 1990, voltei para os Estados Unidos acompanhando meu filho que ia estudar engenharia no Instituo Politécnico de Worcester, estado Massachusettes. Nesse  período, 1990-93, lecionei no Framingham State College, perto de Worcester. Neste último ano, minha filha também entra para universidade, na cidade de Oshkosh, Wisconsin.

1993 - 2001, todos os anos, passamos as férias nos Estados Unidos, acompanhando os os filhos, Tania fazendo graduação e Lourenço, a partir de 1994, fazendo o mestrado na universidade da California, em Davis. 

Aposentei-me da universidade de Brasília em 2001 e passei a lecionar, administração pública e planejamento estratégico na Escola Nacional de Administração Publica, ENAP em Brasília.
Em 2005, voltamos definitivamente para Wisconsin e inverti o percurso, agora passamos mais tempo nos Estados Unidos e menos em Brasília, onde ainda me considero residente. 

Atualmente, desenvolvo trabalhos práticos, analisando os mercados financeiros e operando com ações e moedas. Quase todas semanas escrevo uma pequena resenha sobre esses temas e que são publicadas em alguns sites na Internet. A coleção completa pode ser lida neste site, www.investmax.com.br Todos os trabalhos na Internet são do pseudônimo, Professor Metafix.

Nota final.

Por trás dessa saga existe uma mensagem que aproveito para dirigir especialmente aos jovens de Várzea Alegre e aos leitores desse Blog. Apesar de não possuir a escolaridade de praxe, pois juntando todos os dias que passei nas escolas rurais e em Juazeiro, não chega a ser um ciclo completo do primário, nunca deixei de estudar sozinho até chegar a universidade. Sempre trabalhei pra me sustentar, mas as noites eram minhas e as dedicava aos estudos. 

Considero o sucesso como dependente de dois ingredientes; aquele que vem de dentro, a vontade; o outro, o que vem do ambiente. A inspiração vem do fora pois só podemos ver longe quando pisamos ombros de gigantes. Os professores são importantes e indispensáveis. Não realizamos muito sem que aja algum incentivo ou estimulo externo.

Felizmente, para manter a disciplina, trabalhei com um PMA – plano, metas e ação. Para minha surpresa isso foi fundamental na minha formação. Por exemplo, quando decidi aprender inglês, o plano era chegar em São Paulo com um conhecimento literário que me desse apoio para o trabalho e para os estudos. A meta era aprender, pelo menos, dez palavras por dia. A ação era escrever repetidas vezes as palavras nas duas línguas, traçando uma imagem mental do significado. 

Assim, como fiz com o inglês, todas as outras etapas foram planejadas. E como disse Shakespeare – a consciência nos transforma em covardes –  eu tinha medo de falhar.

Observo que as pessoas trabalham com um plano estratégico. Entretanto,  a maioria não executa, e fica apenas nas intenções. Neste caso, é necessário examinar as forças internas e externas, e trabalhar com metas num ambiente apropriado. 

Nosso cérebro funciona melhor dentro de um quadro de referência. Reconhecia minhas fraquezas e minhas forças e tentei eliminar as primeiras e fortificar as outras. Esse é o primeiro quadro. O segundo é ter uma meta e cumprir todos os dias uma parcela dela. O terceiro quadro, é o meio ambiente. Os estímulos e as forças externas vem do ambiente, se ele não for  propício, não atingimos nosso potencial. 

Na falta de escolas, tentei me colocar em ambientes que me dessem força. Coloquei-me sempre ao lado dos interessados no saber. Fugi dos pretendentes que não tinham a inteligência emocional para entender que a ignorância sai bem mais cara do que o saber. Reconheci o ditado que diz  – mostra-me com quem andas que saberei quem tu és.

Fácil? Não! Simples? Sim! O importante é o desafio; subimos montanhas não porque seja fácil, mas porque elas são lindas.  Não se faz aquilo que é bom porque seja útil, mas porque engrandece a alma. – Tudo vale a pena se alma não for pequena. Navegar é preciso – como disse Fernando Pessoa. Acima de tudo, procurava a felicidade e continuo cultivando-a até hoje. Não tenho riquezas porque sempre fiz tudo para dignificar o espirito.  Não mudei e ainda mantenho meu jeito alegre e brincalhão característico dos várzea-alegrenses.

Agradeço a Antonio de Morais, administrador deste Blog(Blog do Sanharol) e ao Dr. Rolim pela atenção dispensada e a todos várzea-alegrenses que se dedicam a construir um lugar descente par se viver. 

Estes são meus heróis. – Merrill, Wisconsin, EUA, 2 de setembro de 2012.
Abraços, 
Antonio Dantas
(am)


sábado, 1 de setembro de 2012

Hino de Várzea Alegre


LUIZA LIXANDRE


Orgulho, vaidade e prepotência juntos. Outro dia me encontrei com uma varzealegrense que reside em Crato e ela me disse sem que eu lhe perguntasse: Não ando mais em Várzea-Alegre, nunca se viu povo tão vaidoso, orgulhoso e tolo.Vendo alguns deles parece mais alguem de  Tóquio ou Paris. Não me foi dada outra alternativa, a não ser ouví-la.  A grande maioria, especialmente os mais idosos se enquadram direitinho na minha avaliação. Disseminam, por onde passam, que são descendentes de papai Raimundo. Meia duzia de famílias se consideram "uma marca", se acham superiores. E daí? Por que essa exclusividade? Francisco Duarte Pinheiro, o pai do Papai Raimundo teve outros dez filhos, porque  imaginar que só papai Raimundo procriou? E os outros? Onde andam seus descendentes? Quem sabe informar? 

Papai Raimundo teve 16 filhos. Porque imaginar que só o Major Ildefonso pai dos Augustos das Lavras e Major Joaquim Alves de quem descende os Correias de Várzea-Alegre, os mandonistas do seculo passado, só eles contribuíram com o nosso povoamento? E os demais? Onde estão os seus descendentes? Que importância tem este fato hoje?

Quem pode informar a origem do conglomerado popular que compõe a população de Várzea-Alegre atualmente?  O Riachinho, a Varjota, os Grossos, as favelas que proliferam pelo Sanharol? Qual a genealogia dessa gente?

O Blog do Sanharol tem procurado mostrar as personalidade prestimosas que contribuíram, do seu modo, com nossa historia desde as mais humildes criaturas aos mais poderosos lideres. Em troca, tem sofrido campanhas no sentido do não acesso com os fins de diminuí-lo. 

Outro dia, fiquei orgulhosa de ver a foto de Luiza Lixandre na pagina do Blog do Sanharol. Sabemos que ela não é descendente de Papai Raimundo, não tem sangue azul, no máximo deva ser descendente de um escravo dele. Mas, Luiza Lixandre, quem a conheceu ou conhece sua historia sabe: foi uma escolhida de Deus para mostrar que o fim de todo orgulho, riqueza e poder é um só:  Em baixo de uma pedra fria com as indefectiveis palavras: Aqui Jaz. 

Ela desabafou. Eu fiquei só ouvindo.

(am)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

JOSÉ DE SOUSA LIMA - PÉ VEIO


Do Pé Veio temos muitas. O difícil é escolher a melhor. Mas certa vez, por voltas das nove horas da noite, estavam na calçada da casa do Buenos Aires - Fatico, Pé Veio e mais alguns amigos proseando. De repente surgem umas pessoas procedentes da cidade de Juazeiro do Norte, a pé, que seguiam para Canindé, com a finalidade de pagar promessa. Se aproximaram, deram boa noite e pediram para pernoitar, visto que não conheciam a região e estavam cansados.

Fatico com sua generosidade e hospitalidade concedeu abrigo afirmando lamentar que sua esposa estivesse ausente e não ter quem fizesse, pelo menos um lanche para eles. Então, Pé Veio perguntou: vocês gostam de coalhada? Os romeiros ficaram alegres como pinto em chinica e responderam todos a uma só voz: sim, gostamos.

Pé Veio passou uma mão na outra, lambei os beiços e lascou: taí Fatico, se tivesse eles achavam era bom!


(am)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

JOAQUIM JOSE VIEIRA - JOAQUIM PIAU.


Nosso padroeiro, por ter encontrado dificuldade para vi a luz, é invocado como patrono e protetor das parturientes e das parteiras. São Raimundo Nonato nasceu na Espanha em 1.200, numa nobre família. Desde Jovem, Raimundo Nonato percebeu sua inclinação a vida religiosa. Seu pai buscou, sem êxito, impedi-lo de co-responder ao chamado vocacional. Ao entrar para ordem de Nossa Senhora das Mercês, pôde receber do fundador: São Pedro Nolasco, o habito. Assim, tornou-se exemplo e ardor ao resgatar das mãos dos mouros, os cristãos feito escravos.

A primeira imagem que chegou a Várzea-Alegre, 40 anos depois se descobriu que era de São Braz e não de São Raimundo. Feita a substituição e correção a historia fez o registro somando este contraste aos demais já existentes.

Um dia, Joaquim Piau estava em Fortaleza e um padre perguntou: o senhor é de onde? Sou de Várzea-Alegre respondeu Joaquim com a mais admiravel elegancia e educação. O padre lhe respondeu: terra de gente e povo bestas, passaram 40 anos venerando a imagem de um santo, diante da imagem de outro. Joaquim Piau com toda calma que lhe era peculiar respondeu: E os mais bestas eram os padres que tiravam as rezas

(am)

domingo, 24 de junho de 2012

JOSÉ SOBRINHO


Considerado o vigário de todos os tempos, Padre Otávio foi um grande bem feitor de nossa terra. Uma de suas principais virtudes foi nunca se envolver com a politica, não permitindo que a Igreja fosse usada indevidamente, em proveito de tendências, partidos ou lideranças. Nunca se colocou a serviço desses ou daqueles, em tempo algum.

José Freire da Silva Sobrinho, o conhecido José Sobrinho, morava na rua São Vicente, em Várzea-Alegre. Casado, pai de uma grande família, católico praticante e muito solidário. Não perdia um enterro. Comparecia a todos. Fazia parte da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus, e da Conferencia de São Vicente, vivia praticamente para as atividades ligadas a igreja. Um dia, José Sobrinho ficou perturbado e resolveu consultar o padre quanto a algumas insinuações ou afirmativas feitas pelas pessoas que o abordavam na rua.

Padre, disse José Sobrinho: como o Senhor sabe eu acompanho tudo que é de enterro. No inicio eu ficava atraz do caixão, então começaram a dizer que eu estava andando atraz da morte. Passei a andar do lado do caixão, disseram que eu estava andando do lado da morte. Comecei a andar na frente do caixão, disseram que eu estava andando na frente da morte. Eu queria saber o que isso tem de real, de verdadeiro. - O Padre Otávio olhou de cima pra baixo e disse: José Sobrinho, dê um jeitinho de nunca ficar dentro do caixão, que não lhe acontecerá nada de anormal.

(am)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Joaquim Alves Bezerra - Major Joaquim Alves

Foi um dos primeiros filhos de papai Raimundo. Era na sua época um autentico líder. Ele e o seu irmão Jose Raimundo Duarte, Jose Raimundo do Sanharol, eram os dois principais mentores da localidade, a ponto de todos terem de pedir o seu apoio ou orientação para quaisquer medidas que desejassem adotar no sentido de solucionar possíveis problemas familiares ou de qualquer outra natureza. Ganhou a patente de Major tendo dado o nome a principal artéria de Várzea-Alegre, que conservou até os politicos, no uso de suas conveniências pessoais, passarem o rodo na historia.
Foi casado com Antonia Correia Lima, filha de Antonio Correia Lima do Bairro Batateiras, município do Crato. Do casal nasceram 12 filhos:

Antonio Raimundo Bezerra.
Pedro Alves Bezerra
Candido Alves Bezerra
Marcos Alves Bezerra
João Alves Bezerra
Jose Alves Bezerra
Gloria Alves Bezerra
Barbara Alves Bezerra
Joaquim Alves Bezerra
Manuel de Sousa Lima
Tereza Maria de Jesus
Clara Alves Bezerra.

A história mostra que poucas pessoas de Várzea-Alegre foram tão influentes quanto Major Joaquim Alves. Tanto na formação religiosa, quanto política do município.

(am)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Nossas Histórias - Memória Varzealegrense

TRAVESSURAS DE LAMPIÃO

Pedro Alves de Morais, o conhecido Pedrinho do Sanharol, teve quatro filhos de seus dois casamentos. Tres do primeiro com Maria Leandro Bezerra, filha de Manuel Leandro Bezerra, e hum do segundo casamento com Maria Alves Bezerra, filha de Mariana de Morais Rego. As duas esposas eram portanto suas sobrinhas legitimas. Isso na decada de 30 do seculo passado. Nesta mesma epoca, vivia a espalhar o terror pelos sertões nordestinos o famigerado Lampião e seu bando.
Certa noite, ouviu-se um baticum de zabumba para os lados da residencia de um morador do velho Pedrinho. Pum...Pum...Pum...Anunciava-se um relabucho, um tarrabufado. Pedrinho falou para o filho mais velho: Manoel vá furar aquele zabumba! Manoel não mediu distancia, foi num pé e voltou noutro, e, o zabumba continuou pum...pum...pum. Assim sucedeu com os outros tres filhos do velho Pedro, e, o danado do zabumba continuava pum...pum...pum...
Pedrinho se aluiu da rede, pôs o palitó, a garruncha na cintura e disse para a esposa: deixa eu ir furar aquele zabumba que esses nossos filhos não são homens não! Foi e voltou e o zabumba continuou - pum...pum...pum...Então a esposa perguntou: Pedrinho e voce não furou o zabumba não? A resposta não tardou: Maria e voce acha que era justo eu atrapalhar a brincadeira que Lampião estava fazendo com os amigos na casa de compadre Jose Joaquim?

(am)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

JOSE CLEMENTINO DO NASCIMENTO.

A morte do compositor José Clementino consternou o Cariri. Ao lado de Luiz Gonzaga, Padre Antônio Vieira e Patativa do Assaré, Zé Clementino fez parte da “Trilogia do Ciclo do Jumento”, um movimento idealizado em Crato, em defesa do jegue. A iniciativa tomou dimensão nacional através da música e da poesia dos quatro defensores do jumento. A campanha ganhou mais intensidade na década de 80, quando os quatro se encontraram na Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), sob a presidência de Henrique Costa. Padre Vieira chegou ao palanque, onde se encontravam Luiz Gonzaga, Patativa e Zé Clementino, montado num jumento. Ao lembrar este fato, destacacamos que Zé Clementino foi um dos mais vigorosos músicos do Ceará. É o autor de autênticos clássicos da música nordestina, tendo sido interpretado por alguns dos grandes nomes da MPB, dentre os quais o “Rei do Baião” — Luiz Gonzaga. Funcionário público aposentado, Zé Clementino, que já morou em Crato, quando trabalhava no INSS, integrou-se à vida boêmia da Princesa do Cariri, fazendo parcerias com outros artistas. Com o “velho Lua”, o talento de Zé Clementino ganharia destaque nacional, ao passo que, por outro lado, a inventiva produção artística do compositor varzealegrense proporcionaria vitalidade e renovação à obra musical de Luiz Gonzaga. O “batismo” fonográfico da parceria Luiz Gonzaga-Zé Clementino procedeu-se, de certa forma, quando o “Rei do Baião” atravessava um longo período de ostracismo e mesmo de indefinição quanto à continuidade da carreira artística. No seu trabalho anterior, o ilustre “sanfoneiro de Exu” mostrava-se desestimulado e cético quanto aos possíveis rumos de sua até então vitoriosa trajetória musical. Numa de suas canções mais emblemáticas da época, Luiz Gonzaga lamentava: “Pra onde tu vai, Baião? / Eu vou sair por aí / Mas por que, Baião? / Ninguém me quer mais aqui...”. De fato, o Baião, assim como outros ritmos nordestinos, havia perdido o forte apelo comercial que gozara no passado, particularmente em virtude do surgimento de novos movimentos musicais — a Bossa Nova e a Jovem Guarda. Nesse panorama, foi lançado o álbum “Luiz Gonzaga – Óia Eu Aqui de Novo”, o qual continha três canções compostas por Zé Clementino. Uma delas, o “Xote dos Cabeludos”, uma bem humorada crítica à estética ‘hippie’ que conquistava a juventude de todo o mundo, tornou-se uma das músicas mais executadas do país no verão de 68, trazendo o ‘Rei do Baião’ de volta à mídia e despertando o interesse das novas gerações pelo riquíssimo acervo musical do artista. Naquele mesmo ano, Zé Clementino confere uma legítima e emotiva dádiva à sua cidade natal, quando compõe a letra do Hino Oficial de Várzea Alegre. No seu álbum seguinte, Luiz Gonzaga grava “O jumento é nosso irmão”, uma homenagem à luta, encampada pelo Padre Vieira, em prol da preservação da espécie asinina. Em 1976, fazendo proveito do mesmo tema, o Rei do Baião gravaria “Apologia ao jumento”, uma espécie de discurso inflamado em que, com muito bom humor, exalta as benesses do “pobre e castigado” animal. Registra ainda o xote “Capim Novo”, outra canção do compositor varzealegrense, cuja letra sugere uma “discutível” alternativa terapêutica e afrodisíaca para os homens que enfrentam os “percalços” da terceira idade. Em 1978, o Trio Nordestino, na época o campeão em vendagem de discos no segmento de música regional, grava “Chinelo de Rosinha”, uma parceria de Zé Clementino e Paulo César Clementino. Em 1983, o Brasil vê-se tocado pela sensibilidade musical do prodigioso varzealegrense Serginho Piau, que executa a comovente canção “Simplesmente Zé”, de autoria de Zé Clementino, em alguns programas televisivos. Por fim, os anos 90 marcaram o processo de revitalização estética e musical do forró, e o cearense Sirano, um dos mais bem sucedidos artistas do Ceará. Entre as suas músicas estão: “Aí não deixo não”, “Xote dos cabeludos” , “O jumento é nosso irmão”, “Apologia ao jumento”, “Contrastes de Várzea Alegre”, “Capim novo”, “Sou do banco", "Xeêm”, “Chinelo de Rosinha”, “Jeito bom”, “Hino Oficial de Várzea Alegre”, e “Simplesmente Zé”. Ele faleceu vítima de enfarte no Hospital de Várzea Alegre, aos 69 anos de idade. 

(am)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dr. Aluísio Máximo de Menezes


Uma das maiores glorias da nossa terra. Um extremado defensor da vida humana, medico, conselheiro e amigo, Dr. Aluisio, filho ilustre do Sanharol, já não está entre nós. A pesada e fria mão da morte pesou sobre o seu coração e a sua alma pura e emanada da divindade, voou ao seio do Eterno e lá foi gozar o premio de suas eximias virtudes.

Quem era este majestoso que desapareceu dentre nós? Quem era este cidadão prestimoso, cuja campa regamos com as lagrimas da gratidão e da saudade? Preciso fôra, que conhecêssemos como conhecemos, para podermos avaliar a tamanha perda.

E deste amigo sem igual, deste coração magnânimo, destas mãos benfazejas, que sempre derramaram o bem, desta cabeça onde germinaram os mais elevados pensamentos em prol do povo de nossa terra, deste todo que formava o grande homem, o amigo verdadeiro, temos apenas sua memória, a grata memória, que jamais morrerá para aqueles que tiveram a ventura de conhecê-lo. Memória que honrosa passará para a posteridade, quando a historia lhe fizer a devida justiça.

Quem é aquele por quem vertemos amoroso pranto? Por cuja perda a população lamenta? Que elevou a tantos e a tantos deu brilhantes exemplos? Aquele com quem morreram tantas esperanças? Amigo extremoso e verdadeiro.

Temo não proferir o seu nome, o seu venerando nome, com todo o respeito que é devido. Temo pronuncia-lo, e não exprimir a dor, a profunda dor que nos invade. Deixa que a face de Deus e dos homens se confessem o que a ti devemos. Deixa que descreva tuas virtudes, virtudes não de tumulo, mas verdadeiras, para atestar as quais aí estão milhares de testemunhas.

Aluisio, vulto prestimoso, que honrou nossa terra como jamais teve outro, nasceu no Sanharol, no Sanharol dos seus avós João Alves de Menezes e Dona Soledade, no Sanharol dos seus pais Raimundo Batista de Menezes e Risomar.

(am)

segunda-feira, 26 de março de 2012

METILDE CORREIA FERREIRA


PUBLICADO EM JANEIRO DE 1.966, QUANDO DA SUA MORTE.

Agora, que partes, velhinha e trêmula e santamente triste, arrastando contigo o pesado e doce encargo que te confiou a vida. Agora, que se extingue, mansa e suavemente, a chama que, 82 anos e meses, te animou os olhos pequeninos e cheios de doçura e amor. 
Agora que Deus te chama à sua Gloria, na colheita que, faz das Suas flores mais ditosas. Agora que nos deixa orfãos da tua figura humana, porém, mais vitalizados da tua presença carinhosa. Nós, os teus filhos, rebentos felizes do teu corpo e da tua propria alma, nos ajoelhamos a teus pés, silentes e saudosos e, diante do altar da tua memoria nos sentimos simples criancinhas, ainda e sempre, do teu cuidado e desvelo. Aqui estamos, para reverenciar a santa mãe que tu és! Não sabemos se mãe tornada santa, ou santa em mãe transfigurada. Aliás, maravilhosamente e pela graça divina, estes dois encantadores dons.
De ninguem tua boca diz mal, a ninguem teus olhos fitam sem ternura, jamais, ao odio, dás guarida o teu coração. Que os ceus acolham tua alma generosa e boa e que em perfumadas flores se transformem tuas cinzas. Que a tua lembrança, cada vez mais viva e palpitante, cintile, para sempre no altar que te edificamos em nossos corações, onde esculpiremos teu nome, sombra de Deus, que paira mansamente sobre nós. 

(am)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

PADRE ANTONIO BATISTA VIEIRA.


Padre Antonio Vieira, irreverente, irrequieto e culto. Nascido na pequenina Varzea-Alegre, minusculo ponto perdido na carta geografica do ceará. Este não necessitou de estalo - já nasceu estalado, a moda pipoca! Nem tão cedo os baixios do Machado produzirão valor igual, pois, como disse um poeta numa evocação gloriosa, "procriar genios cansa a natureza".

Escritor de estilo fluente e de assombrosa erudiçãodo mais brilhante expoente da intelectualidade varzealegrense, quiçá, do Ceará e do Brasil. Padre Antonio Vieira, "bicho-bom-da-peste", Um varzealegrense que nos deixa uma duvida: a ele. o que erguer? Nossa homenagem é muito modesta: Um lugar para os seus livros, entre Camões, Dante, Milton e outros antropofagos! Tará bom, assim?

(am)

sábado, 21 de janeiro de 2012

A TROCA DO SANTO

Prezado amigo. Estou vendendo esta historia pelo mesmo preço que recebi de um filho de Pedro Frutuoso do sitio Guaribas em Várzea-Alegre. Trata-se de um contraste conhecido e falado até na musica do saudoso José Clementino que diz: São Braz lá é São Raimundo. Pois bem, quando se espalhou essa historia o padre da época teve a iniciativa de mandar fazer varias imagens de São Raimundo para disseminar entre os paroquianos a correção do erro.

Em cada casa deixava uma imagem, e, sempre recebia alguma doação. Na casa de Pedro Frutuoso, nas Guaribas, quando o padre entregou a imagem a mulher disse: menino, pega uma galinha pru padre levar! Menino como diabo, correu um prum lado, outro pra outro e quando retornaram três deles traziam uma galinha carijó presa debaixo do braço. A mulher encabulado mandou o padre levar as três galinhas. Pedro Frutuoso não falou nada, mas reconheceu ter levado uma tremenda taboca no negocio.

Dias depois a mulher, se aprontou toda, botou vestido novo, óleo de côco no cabelo, se penteou, enrolou a imagem numa toalha e disse para o marido: Pedro, eu vou pra missa no Riacho Verde, vou mandar o padre benzer meu santinho. E Pedro aconselhou: "Muier pede pru padre ensinar ele a pô” que está com um mês que nós perdemos três ovos todo dia.

(am)

sábado, 31 de dezembro de 2011

JOSE DE ADALIO, ZÉ GATINHA

Zé Gatinha, cujo nome José Adálio, uma figura admirada e ao mesmo tempo odiada pelas travessuras que praticara em Várzea-Alegre,no pouco tempo que conviveu com a nossa gente. Na década de 60 com a explosão da Jovem Guarda, os rádios e amplificadoras tocavam as músicas dos ìdolos Roberto Carlos e sua turma que apaixonaram muitos jovens naquela época. Em Varzea-Alegre naquele tempo tinha como costumes, o encontro dos brotos na praça central todas as noites. Passeavam em torno da praça os homens e as mulheres em sentido contrários. Ali os brotos flertavam ouvindo as músicas apaixonadas do iê...iê...iê. Paixões incendiavam muitos corações. Noites acordadas sofreram muitos apaixonados. Quando ia se aproximando o final das férias estudantis, a saudade batia com mais força e dor nos corações daqueles jovens. Prenúncio de que alguém ia partir deixando a sua paixão naquele torrão amado. Aí entra a estória de Zé Gatinha. O seu pai Manoel Totô, possuia um ônibus que fazia a linha Varzea-Alegre ao Crato, e a figura Zé Gatinha era ajudante do ônibus. Todas as segundas-feiras o ônibus saía de V.Alegre de uma agência localizada em frente a prefeitura municipal. Era uma multidão de pessoas querendo mandar encomendas pra familiares em Crato. Mas o que chamava mais a atenção era a quantidade de jovens entregando cartas ao Zé Gatinha para serem entregues aos amores que estavam distantes. O ônibus partia com inúmeras cartas nas mãos do Zé Adálio, nisso quando chegava na Serra de São Pedro em que o transporte começava a subir a ladeira vagarosamente, o ajudante subia ao bagageiro e começava a ler as cartas dos apaixonados e logo após as rasgava. Certo dia, ao se encontrar com um dos apaixonados, foi chamado à atençao que não tivera recebido a resposta da carta de sua amada, de imediato, ele disse que ela tinha sabido que ele tinha arranjado outra garota e que o namoro estava terminado

(am)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Emidio da Charneca


Quem conhece a parte territorial do município de Várzea-Alegre deve estranhar porque aquela ribeira iniciada no sitio Gamelas, passando pelo Capão, Amaro, Charneca, Unha de Gato e parte do Riacho do Meio, apenas a Charneca, a parte ao centro não pertence ao nosso município e sim a Carius. Fontes serias asseguram que nas décadas de 40 e 50 um cidadão conhecido por Emidio, agricultor e analfabeto, de uma hora para outra virou doutor. Em breve os caminhos e as veredas que levavam ao lugar estavam cheias de pessoas achegando-se ao local para se receitar. Por conhecimento ou adivinhando filas eram atendidas, Emidio fez fama e clientes é o que não lhe faltava. Pessoas das mais distantes localidades e de outros municípios acorriam em seu socorro e o homem receitava remédios que eram encontrados em quaisquer farmácias e de efeito positivo.

Várzea-Alegre sempre foi uma cidade adiante das demais circunvizinhas, e, nesta época já tinha medico, e, dizem, não sei se verdade, que este vivia na cola de um erro qualquer do Emídio para denunciá-lo e proibi-lo da pratica que já era um habito. Para fugir destas perseguições e das autoridades locais, Emidio se valeu do então Deputado Mário da Silva Leal que por meio de um decreto desmembrou aquela área do município para fugir as possíveis penalidades impostas ao Emidio. Assim a Charneca deixou de pertencer a Várzea-Alegre e se integrou ao município de Carius. Há quem diga que Várzea-Alegre não perdeu nada.

(am)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Agora vá enredar ao Padre Mota


Silvio Piau foi escalado para botar as vacas no curral naquela tarde. Logo em Agosto, festa de São Raimundo. Silvio foi achando ruim como diabo, mas foi. Juntou as vacas no curral, contou e sentiu falta de uma, a mais leiteira de todas. Voltou à procura. Em vão, nada de encontrar. De duas uma, ou procurava a vaca e perdia o horário da novena ou ia pra novena e no outro dia o leite não dava para atender a freguesia. Optou por ficar e procurar a vaca. Finalmente, já ao anoitecer localizou a fujona e botou no curral. Pra se vingar apanhou uma corda no armazém, laçou a vaca e estorvou no mourão. Apanhou uma vara na cerca e só deixou de bater quando já estava saindo sangue pelos chifres, olhos, orelhas e nariz. Em seguida soltou a vaca, deu marcha na direção da porteira, olhou pra trás e disse: Agora vá enredar ao padre Mota.

(am)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PEDRO ALVES DE MORAIS, PEDRO PIAU.


Nascido em Várzea-Alegre, no dia 12 de julho de 1918, filho de José Joaquim Vieira e Maria Alves de Morais, Pedro Alves de Morais, Pedro Piau foi notavel na habilidade de fazer amizades e pela capacidade de conservá-las. Pedro Piau era uma memória viva de nossa terra. Entre suas principais obras está “Sete Gerações de Papai Raimundo”, em parceria com Acelino Leandro, onde descreveu as descendências de Raimundo Duarte Bezerra, Papai Raimundo. 
Destacou-se também pelos serviços prestados ao Segundo Cartório que tinha como titular Ana Ferreira. Pedro Piau se notabilizou pela valorização que fazia dos laços de família, qualidade esta que transferiu para os seus filhos. Assim foi o Pedro para os seus amigos.

Pedro casou em primeiras núpcias em 1944 com dona Iracy Bezerra de Morais. De Dona Iracy, a grande maioria dos varzealegrenses é eterna devedores de seus ensinamentos e encaminhamentos para a vida por meio da educação. Desse casamento nasceram os filhos: Raimundo, João, Rita Maria, Geralda, Ozanan, Joaquim, Paulo, Paula, Marco Antonio e Ricardo César.
Em 1974, faleceu dona Iracy e, 14 anos depois, em 1988 Pedro se casou novamente com Maria do Socorro Lima.  Faleceu no dia 26 de Março de 2012, em Fortaleza.Seus restos mortais foram transladados para Varzea-Alegre onde foram sepultados  no masoleo da famila - no Cemiterio da Saudade.

(am)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Reedificação da Igreja de São Raimundo Nonato


A célebre "Campanha do Algodão" (1977), traduziu-se numa grande mobilização popular, por meio da qual agricultores doavam arrobas de algodão com o propósito de se angariar fundos para a reconstrução da Igreja Matriz de São Raimundo Nonato, que naquele ano fora parcialmente destruída em razão das chuvas torrenciais registradas em Várzea Alegre

(am)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

JOSÉ BIZERRA DE BRITO - PROFESSOR ZUZA BIZERRA.

No dia 25.11.1869, Vicente Alves Bezerra, filho de José Raimundo Duarte e Maria Anacleta de Menezes, do sitio Sanharol em Várzea-Alegre se casou com Isabel Pereira de Menezes, filha do Major Eufrasio Alves de Brito do sitio Malhada em Crato. 

O casamento se deu na residência do Major Eufrasio Alves de Brito, na Malhada, e foi oficiado pelo pároco Manuel Joaquim Aires do Nascimento - Livro 7 folhas 39. Vicente e Isabel foram os pais de José Bizerra de Brito, professor Zuza Bizerra, uma das maiores glorias de nossa terra.

Um extremado defensor da educação, conselheiro de alma pura e emanada da divindade, cidadão prestimoso cuja campa regamos com as lágrimas da gratidão e da saudade. Ninguém da nossa família jamais tomou decisão qualquer sem antes ouvi-lo. Zuza Bizerra é nome do Colégio da Ponta da Serra distrito de Crato.

(am)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

OS DOIS FRANCISCOS.


Casaca de couro é uma ave que encontra no arroz com casca o seu alimento predileto. Esta historia só poderia acontecer em Varzea-Alegre. Os personagens foram dois grandes amigos e, por essa razão faço o relato da ocorrência. Francisco Siebra Lima, Chico de Amadeu, afamado acordeonista, arrendou uma parte de terra no sitio São Cosme de propriedade de Francisco das Chagas Bezerra, Chico Piau com a finalidade de fazer uma lavoura de arroz. O inverno foi muito ruim e o resultado insatisfatório. De tal modo, que o Chico de Amadeu não pagou a renda combinada. O Chico Piau, muito cordato e amigo, não fez a menor questão, porém, o Chico de Amadeu ficou encabulado e sempre que podia, evitava se encontrar com o amigo, desviava o caminho sempre que podia. Um belo dia, Chico de Amadeu tocava uma festa no Creva-Clube Recreativo de Várzea-Alegre e o Chico Piau se aproximou. Jeitão manhoso, calmo, paciente com um copo de bebida na mão mexendo os cubos de gelo com os dedos. 

Chico de Amadeu não teve como evitar o encontro e perguntou: Chico Piau o que você quer que eu toque? Chico Piau respondeu no ato: toque “xô casaca de couro”

(am)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Padre Jose Pontes Pereira - Primeiro Capelão de Varzea-Alegre


Em Novembro de 1788, casa-se Raimundo Duarte Bezerra (Papai Raimundo) com Tereza Maria de Jesus, vindo desse consórcio matrimonial a procriação dos filhos de Várzea Alegre. Tereza Maria de Jesus tinha uma inabalável fé e devoção a são Raimundo Nonato, cuja imagem em pequeno vulto possuía em sua casa num quarto de orações que mandara construir. Nas conversas que mantinha com os de sua família, manifestava sempre o desejo de construir uma capela dedicada a são Raimundo Nonato: “Tenho fé em Deus e em São Raimundo Nonato que ainda edifico nesta terra uma capela, mesmo que pequena, em sua honra”.
Tereza Maria de Jesus não teve a alegria de ver esse seu tão nobre e aspirado desejo realizado, uma vez que, em setembro de 1823, na ocasião em que nascia o seu primeiro netinho, ela, tomando em suas mãos a criança, erguia em tom de agradecimento um caloroso e entusiástico “Viva são Raimundo”, tombando sem vida logo depois. Tereza Maria de Jesus morre repentinamente sem ver o seu sonho concretizado. No entanto, sua família não esqueceria o desejo por ela ardentemente nutrido e confiante ficou a espera de um dia promissor.
Vinte e nove anos depois, em 1852, ordenava-se o Padre José de Pontes Pereira, da família Onofre e Pontes de Assaré, e natural daquele Lugar. Estando o Pe. Pontes desocupado, sem ter uma paróquia para curar e, portanto, para desempenhar o ministério sacerdotal do qual acabara de ser investido, aparecendo na cidade de Assaré o Major Joaquim Alves Bezerra, de Várzea Alegre, fez com ele um contrato para celebrar em Várzea Alegre as missas de Natal, Ano Novo e Reis, sendo que havia ali aquele quarto de orações que muito bem se prestaria a esse fim.
Decorrido esse período o Pe. Pontes, após celebrar a ultima missa do contrato, muito satisfeito e imensamente agradado do lugar e mais ainda do povo de comportamento exemplar e fé sincera, embora que sem cultivo, fez ver ao mesmo povo que se prometesse fazer para si uma casa de morada, e edificar também uma capela para são Raimundo Nonato, vinha ser o seu capelão.
De boa vontade o povo acolheu esse altruístico gesto do ilustre levita, uma vez que para ter mão desse fim, ao qual muito se aspirava, não havia sacrifícios a enfrentar, por mais intransponíveis que fossem.
Os Homens influentes da localidade mandaram logo ao Bispo Diocesano de Pernambuco a petição da licença para a construção da capela, visto que no Ceará ainda não existia bispado. O Sr. Bispo respondeu que a licença só seria dada caso o terreno onde a capela seria edificada fosse doado ao Santo. Três filhos de Raimundo Duarte Bezerra (papai Raimundo), e um genro deste, deram então por escritura pública, duzentas “braças” de terra, sendo que a medição desta se faria de duzentas braças de cada canto da capela.
Logo que concedida a licença, se fizeram iniciar os serviços (1854), sendo depois suspensos por causa dos oficiais da obra que não estavam se empenhando. Em 1855, porém, reiniciaram-se os trabalhos com muita intensidade e maior entusiasmo, ficando concluída a capela no ano seguinte, quando com cerimônia ao estilo foi abençoada. O ato solene de benção e inauguração da capela ocorreu no dia 2 de fevereiro de 1856, sendo a cerimônia oficiada pelo Pe.Manoel Caetano, então coadjutor do Icó.
Como prometera, o Pe. Pontes veio para Várzea Alegre e ali permaneceu, na qualidade de capelão, até 11 de maio de 1859, quando vítima do cólera morbus veio a falecer. Conta-se que naquela época todo o interior fora acometido por esse mal, e durante a santa missa, no momento da elevação, o Pe. Pontes oferece sua vida em Holocausto: “Fazei de mim, Senhor, a última vítima ,nesta terra, deste terrível mal e poupai esta humilde e sofrida gente”. Segundo o que é atestado, O Pe. Pontes foi praticamente a última vítima do cólera a morrer em Várzea Alegre, sendo que poucas horas depois dele, morreu apenas uma menina de nome Bárbara, que já se encontrava em fase terminal. Os restos mortais do Pe.Pontes jazem em Várzea Alegre no local onde encontra-se erigida a capela de Santo Antonio, à entrada da cidade.
Viveu pois plenamente o seu sacerdócio e pastoreio ,uma vez que a exemplo do Cristo que faz sua a vida da humanidade e por ela dá a sua , igualmente Padre pontes, configurado a cristo pelo sacerdócio, fez sua a vida daquela humilde gente desde o momento que mostrando-se não ávido de pretensões carreiristas, ofereceu as primícias do seu ministério sacerdotal aos trabalhos, não menos nobres, de uma capelania numa pequena vila no interior do Ceará. Isigne foi o coroamento do seu breve sacerdócio, onde une o sacrifício da sua vida ao sacrifício redentor de Cristo. A vida do Pe. Pontes encontra na ara o seu clímax. Vida e morte pelo povo e para Deus: Fidelitas Christi, fidelitas sacerdotis. Como colaborador fiel de Cristo, a ele se aplicam as palavras do evangelho de João: “Bonus Pastor animam suam dat pro ovibus suis”.
Sempre será oportuno lembrar que o Pe. Pontes durante aquele pequeno lapso de tempo que permaneceu em Várzea Alegre, fez tudo pelo seu progresso deixando aquela capelania em condições tão favoráveis e promissoras que, sem sacrifício algum, foi em 30 de novembro de 1863 criada a paróquia de Várzea Alegre, por decreto de sua Exa. Revma. Dom Luiz Antônio dos Santos, sob a invocação de São Raimundo Nonato e guarda pastoral do Pe. Benedito de Sousa Rêgo.


(am)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

JOÃO DO SAPO, O AUTENTICO SERTANEJO.


João Alves de Menezes, João do Sapo, um sertanejo autentico. Da roça e do gado. De mãos fortes e calejadas da labuta diária. João do Sapo foi o maior empreendedor de sua época, em Várzea-Alegre. Já nas décadas de 30 e 40 quando não existiam estradas nem transportes mandava apanhar um casal de bovinos puro sangue zebu na Bahia para melhorar a genética do seu rebanho. Jacobina, chamava-se a vaca em homenagem à cidade baiana de origem e o touro foi batizado de Capucho, por ser branquinho tal qual um capucho de algodão. Conta-se que com o dinheiro da venda do primeiro bezerro, João do Sapo comprou 21 garrotes dos da região para espanto dos criadores do lugar.
Nasceu no dia 15 de Julho de 1893 e faleceu no dia 12 de maio de 1977. O seu lado serio fazia dele um pai, avô, esposo e amigo muito respeitado. Tinha também uma grande doze de humor em tudo que fazia. Certa vez foi procurado por uns compradores de garrotes da Paraíba com boa oferta para a compra de seus animais. Rejeitou a principio e, os paraibanos insistiram com a negociação. Ele confessou que não podia vender porque o seu gado estava numa roça que tinha “tingui”, uma erva que mata o gado asfixiado quando esse é provocado a fazer qualquer movimento, a se alterar. Os paraibanos acrescentaram que tingui não era problema porque eles andavam com uma taboca, um bambu e que se a rês caísse colocavam no fundo da mesma e, o ar comprimido saía e, a rês ficava boa de imediato. 
João do Sapo disse: é meu amigo, por aqui é bem diferente: quando a rês cai, colocam a taboca é no fundo do dono! E não quis conversa, não arriscou ter prejuízo e não vendeu os garrotes.
A primeira parte da postagem foi pesquisada no Livro de Balbina Diniz, filha de João do Sapo, a segunda parte é de domínio publico, da convivência vivida pelos do Sanharol. Sem João Alves de Menezes e Dona Maria Soledade Batista de Menezes não haveria Sanharol. Foto do casal.

(am)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Pedro Gonçalves de Morais, Pedro Tenente


Trecho do livro de Pedro Tenente editado em 1933.

Antes de tudo o autor desse pequeno opusculo, sente a necessidade irresistivel de confessar seja:

”Chamam-no de Pedro Tenente, porém o seu verdadeiro nome com todos os ff e rr é Pedro Gonçalves de Morais contando atualmente 64 anos de idade, pois nascera aos 14 dias do mês de março de 1869, é casado, agricultor, e analfabeto, porém provém de uma linguagem boa e os seu pais foram ricaços, mas a seca de 1877 a 1879, levou de águas abaixo tudo de bens e haveres que possuiam”.

”Voltando ao passado com o livro (Passado e Presente do autor Pedro Tenente) editado em 1933 editora Ramos e Pouchain - Fortaleza – Ceará”. Pedro Gonçalves de Morais, o Pedro Tenente, assim conhecido por ser filho do Tenente Antonio Gonçalves de Oliveira e Maria da Gloria de Morais, proprietários da fazenda onde hoje fica um dos bairros mais populosos de Várzea-Alegre – Alto do Tenente. Poucos conterrâneos sabem e conhecem a razão do nome Alto do Tenente. Pedro Tenente deve ter sido o primeiro autor varzealegrense a editar um livro sobre nossa cultura, nossa historia e nossa genealogia - datado de 1933. Portanto há quase 80 anos. Pena que não se tem noticias de alguem que possua este  valioso registro de nossa historia, o livro do Pedro Tenente.

(am)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Raimundo Alves de Menezes - Mundim do Sapo


Raimundo Alves de Menezes, Mundim do Sapo, foi uma personalidade prestimosa de nossa terra. Talvez ninguém de varzea-Alegre tenha sido tão solidário e humano. Mundim do Sapo era também o mais bem humorado dos Várzealegrenses. Apesar de possui muitos bens nunca se ligou à matéria. Numa determinada época residia em Crato e resolveu fazer uma visita ao filho José de Anchieta, em Fortaleza.
As filhas desaprovaram a idéia. Uninha dizia: papai o senhor não conhece Fortaleza e o taxista vai rodar o mundo e cobrar uma conta absurda. Clara repetia: o senhor deveria deixar para ir no inicio das aulas em Março quando eu for. Tudo girava em torno de uma possível exploração do taxista. Mundim do Sapo não quis conversa, foi à viagem. Chegou a Fortaleza, desceu do ônibus na Rodoviária procurou o táxi mais luxuoso, o mais bem cuidado, um opala de Luxo, que brilhava por fora qual um espelho e por dentro nem se fala. Entregou o endereço e rápido estava no destino. Pagou a conta e pediu recibo para comprovar a despesa.
De volta, as filhas perguntaram saber: quanto o senhor pagou do táxi? Sete reais, respondeu Mundim. Não pode, disse Clara, eu que conheço o trajeto paguei 20 reais na ultima viagem que fiz! Aqui está o recibo! Como foi possivel? Perguntou Clara: Minha filha, eu entreguei o endereço ao taxista e avisei: vá ligeiro que eu estou com uma diarréia lascada, se você demorar eu vou cagar o seu carro todo. Daí por diante ficou por conta dele, não respeitou sinal, contra mão, nada. Esta foto é de 1936, ano que se casou a primeira vez com Ana Brito Bitu de Menezes.

(am)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

JOAQUIM CORREIA FERREIRA, o jornalista maior


Nascido aos 21 de novembro de 1.912, em Várzea-Alegre, quase metade de sua existencia foi vivida em Londres, 29 anos, onde, de par com outras atividades, exerceu as funções de comentarista da British Broadeasting Corporation - B.B.C - desde os incertos e inquietos dias da Segunda Grande Guerra Mundial. 

Foi sua primeira professora a simpática Dona Adelaide - que ele sempre lembrou com carinho e, por muitos anos, residiu em Juazeiro do Norte. Aos onze anos incompletos, entrou para o Instituto São Luiz, em Fortaleza, cuja direção era exercida pelo seu cunhado, grande amigo e mecenas, o Dr. Francisco de Menezes Pimentel Junior.

Foi no São Luiz, no Gremio Literario Padre Tabosa, que se revelaram seus acentuados pendores para a imprensa e oratória. Orador certo de todas sessões, sua colaboração não faltava a cada número de "O Estimuno", o jornalzinho do Grêmio. Fez o primário e seriado, terminando este último em 1.930 no Liceu do ceará. A Revolução de 30 deu-lhe, acidentalmente, o primeiro episódio meio cômico de orador politico. A turba que passava pela rua, da janela do primeiro andar do velho Café Poty dirigiu uma saudação inflamada, simplesmente enrolado em um lençol. Magro e assim vestido, era a figura de Gandhi!

A Fernandes Tavora, um dos chefes da revolução, muito imprecionou o ardor do tribuno, chegando a lhe oferecer posição de relevo na revolução triunfante. 

Tinha, então, 18 anos em ebulição, inteligência e memória maravilhosa, devorando de um só fôlego quantos livros lhe caíssem as mãos.

Perdeu varias grandes oportunidades para não perder a cidadania brasileira, de que muito se orgulhava. Por igual, nem o clima, nem outro fator qualquer lhe roubou o sotaque  nordestino, de autentico cearense. Ouvindo-o, qualquer um diria que ele nunca saira de Varzea-Alegre. De par com a lealdade que punha nos seus atos, era essa a mais clara expressão de sua alta personalidade.

Em abirl de 1.948, uniu-se, em Londres, com a senhorita Leda Pitanga Callado, irmã do romancista e escritor Antônio Callado.

Faleceu no dia 04 de Outubro de 1971 em Olinda - Pe. Seus restos mortais foram transladados para Varzea-Alegre e estão sepultados no masoleo da familia no Cemiterio da Saudade. 

(am)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Terra dos Contrastes - Memória Varzealegrense


E por falar em contrastes, nossa terra não tem o que reclamar, se não bastassem os relacionados pelo imortal José Clementino do Nascimento, aqui e acolá, surgem aos montes. Eloi Teles de Morais, jornalista, radialista, e doutor em direito, nascido em Varzea-Alegre no sitio Baraúnas,quando estava concluindo o curso, precisou fazer um estagio em Júri Popular. Tomou conhecimento que em Várzea-Alegre estava acontecendo uma serie de jurados. Conseguiu agendar o ultimo deles. O Juiz titular da comarca era o meretissimo Dr. Mauricio de Abreu Tranca, conhecido popularmente pela alcunha de Doutor Tranca. Quando o Dr. Eloi chegou na terrinha tomou conhecimento do resultado dos 12 jures anteriores, todos os réus tinham sido absolvidos. Veio então a preocupação: será que o único a ser condenado vai ser o que vou fazer a defesa? Eloi foi feliz na argumentação e convenceu os jurados da inocência do réu. Terminada a reunião Eloi tomou uma folha de papel escreveu uma poesia e deixou na mesa do Juiz:

Várzea-Alegre, terra do contraste.
Na justiça também.
O Juiz é Doutor Tranca
Porém, não tranca ninguém




Contrastes de Várzea Alegre - Luíz Gonzaga

Mas diga moço de onde você é?
Eu sou da terra que de Mastruz se faz café

Meu amigo eu sou da terra
De Zé Felipe afamado,
Onde o bode era marchante
E Jesus foi intimado.
Sou da terra do arroz do sabido acabrunhado,
Do calango carcereiro.
Meu amigo eu sou da terra
Que o peru foi delegado.

Meu amigo eu sou da terra
Onde o sobrado é nos oitão
Houve três anos de guerra
Não morreu um só cristão
Onde o eleitor amigo pra votar não faz questão
Elegeram pra prefeito 
Numa só semana
Quatro nobres cidadãos

Meu amigo em minha terra
Já pegou fogo no gelo
Apagaram com carbureto
Foi o maior desmantelo
São Brás lá é São Raimundo
Se festeja com muito zelo
O prefeito completava idade
Era de quatro em quatro anos
E nunca penteou o cabelo

Meu amigo eu sou da terra
Que o padre era casado
Enviuvou duas vezes
E depois foi ordenado
Ainda hoje reza missa
Os filhos já estão criados
O juiz era uma mulher
Meu amigo eu sou da terra
Que o cruzeiro é isolado 

Mas diga moço de onde você é?
Eu sou da terra que de Mastruz se faz café

(AM)