VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino.
Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome.
Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país.
Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos.
Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca.
Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais.
Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal.
Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe!
Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza!
E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

ZÉ LIMEIRA EM VÁRZEA ALEGRE - Por Mundim do Vale.



  LIMEIRA  CANTANDO  EM  VÁRZEA  ALEGRE.

Andando pelo sertão
Em Várzea Alegre cheguei
E por lá eu encontrei
O bandido Lampião.
Ele veio num avião
Fabricado em Juazeiro,
Carregado de romeiro
Pra roubar Zé de Corina.
Quem evitou a chacina
Foi Expedito Pinheiro.

Encontrei Luís Justino
Na bodega de Alberto
Que foi o lugar mais certo
De encontrar Zé Clementino.
Ele cantava seu hino
E eu cantava quadrão,
Quando apareceu Brandão
Tocando num bandolim
E foi dizendo assim:
- Vocês dois cantem um mourão!

O  MOURÃO.

Limeira:
Dois Zé cantando mourão
Na cidade da alegria.

Clementino:
Eu canto na devoção
E você na baixaria.
  
Limeira:
Você canta só besteira
Aprenda com Zé Limeira
A cantar pilogamia.

Clementino;
Eu tou vendo que hoje em dia
Tem um poeta abestado.

Limeira:
Limão, lima e Limeira
O campeão do machado.

Clementino:
Limão que o bicho deu
Lima que apodreceu
E Limeira derrotado.

Limeira:
Viva o peixe desovado
Viva o arrancador de dente.

Clementino:
O cantador de Teixeira
Tá perdido em seu repente.

Limeira:
Viva o pé de cajarana
Viva a touceira de cana
Viva o alto do tenente.

Clementino:
Não vejo na minha frente
Um cantador de respeito.
  
Limeira:
Cantador que canta ruim
Acha nos outros defeito.

Clementino:
Não sou cantador gabola
Mas essa sua viola
Precisa de outro peito.


MOURÃO  PERGUNTADO
    Limeira x Clementino

L- Quem compôs pra Gonzagão?
C- Eu e Humberto Teixeira!
L- Quem foi Raimundo Teixeira?
C- Amigo do coração!
L- Quem manda no Calçadão?
C- É Alberto e São Raimundo!
L- Onde fica o fim do mundo?
C- Fica do meio pra diante!
L- Onde é que fica a Vazante?
C- Perto do Riacho Fundo!

C- Quem foi que lhe deu a vida?
L- Foi Chico de Amadeu!
C- E como o fato se deu?
L- Foi coisa da nossa vida!
C- Onde fica Aparecida?
L- Pra lá do sítio Inharé!
C- O que fez o rei Pelé?
L- Matou preá na ribeira!
C- Quem foi a mulher rendeira?
L- Namorada de Bié!




DESPEDIDA  DE  LIMEIRA

Várzea Alegre é muito boa
Mas eu não ganhei dinheiro,
Cantei com Sávio Pinheiro
Num espaço da lagoa.
A disputa foi à toa
Que a plateia tava lisa,
Chegou Carlos de Belisa
Botou um real no prato
Eu lhe respondi no ato:
- Fique que você precisa.

Violeiro também come
É um direito segurado,
Mas no Vale do Machado
Eu quase passava fome.
Várzea Alegre tem o nome
De cidade da alegria,
Mas na minha cantoria
Não tive nenhum prazer.
E eu só tenho a dizer
Adeus até outro dia.

Mundim do vale.



domingo, 20 de abril de 2014

PRIMO BIOLÓGICO - Por Mundim do Vale.



PRIMO  BIOLÓGICO.       

1970 em Várzea Alegre – Ce. Era um dia de sábado onde tinha a feira semanal.  Eu estava bebendo com o meu amigo Taveirinha, quando avistamos dentro do mercado velho, um senhor com um macaco fazendo graça para ganhar dinheiro.
 Quando eu passava perto com o meu amigo, eu apontei para o macaco e falei:
- Olhe Taveirinha. Esse ai é o nosso primo biológico.
- E é? Vixe Cuma tem gente da famia qui eu num cunheço.
Terminado o show, o cidadão saiu para dar umas voltas e deixou o macaco amarrado numa coluna por uma corrente.
Nós estávamos bebendo no bar de Alberto, quando Taveirinha levantou-se dizendo:
- Eu vou reparar o qui é qui meu primo tá fazendo.
Taveira começou a demorar e eu fui até lá pra ver o que estava acontecendo. Quando eu cheguei lá me deparei com Taveirinha agarrado nas orelhas do macaco, enquanto  ele gritava de desespero.
Eu apartei a briga dos dois e perguntei:
- Porque isso taveirinha?
- É pruque esse meu primo tava alevantando os vistido das moça e eu num quero gente da minha famia fazendo escandelo não.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

ENQUETE DO MEMÓRIA VARZEALEGRENSE - Por Mundim do Vale.





Um casal de Várzea Alegre registrou todos os seus filhos começando com a letra “J” Senso quatro homens e quatro mulheres.
Quem foi aquele saudoso casal?

quinta-feira, 17 de abril de 2014

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

TESTAMENTO DO JUDAS DO SANHAROL

Seu doutor tabelião
Eu quero nesse momento,
Pedir a sua atenção
Pra fazer meu testamento.

Pra meu sobrinho Morais
Que cuida bem de valor,
Eu deixo os trinta reais
Que vendi Nosso Senhor.

Para o primo Moacir
Deixo o anzol de estimação.
Pra ele se divertir
No Riacho do Feijão.

Para Cláudio eu vou deixar
Mil latas de leite ninho,
Que é pra ele alimentar
O  meu netinho Joãozinho.

Não nego nada a herdeiro
Minha herança tá exposta,
Vou deixar meu tabaqueiro
Nas mãos de Geovâni Costa.

A forca é o meu destino
É essa a realidade,
Mas contrato Neto Aquino
Para contabilidade.

O Augusto vai ficar
Com a casa do Inharé,
Um bom lugar pra morar
Sem dar trabalho a Mazé.

O que mais tenho cuidado
É com o maneiro pau,
Quero que fique guardado
Com o Ricardo Piau .

Pra Pinga vou deixar
Uma garrafa de cana,
Para ele não se queixar
Que foi fraca essa semana.

Meu livro de poesia
Que eu ganhei de Bidim,
Guardei até hoje em dia
Pra deixar com o Mundim.

Meu violão afinado
Pra mim é a melhor coisa,
Quero que fique guardado
Com Sheila e Fernando Souza.

A minha bíblia sagrada
Vai ficar com Manoel,
E o cachorro de caçada
Com Patrícia e Samoel.

Dakson Aquino não, quer não
Por ser ele boa gente,
Mas pra sua coleção
Deixo um tonel de aguardente.

Testamento é complicado
Mas eu faço mesmo assim,
Deixo o rifle carregado
Pros meninos de Padim.

O que mais levo saudade
É da vazante e a lagoa,
Mas vai ficar na verdade
Com o primo Luís Lisboa.

Meu cachimbo de fumar
É meu maior patrimônio,
Eu só confio deixar
Com meu neto Chico Antônio.

As coisas andam de Ré
Quem fala assim não é gago,
Vou deixar o Gravié
Pra Vicente Santiago.

João Pedro meu secretário
Vai ficar com a tarefa,
De conservar o rosário
Que foi de Madrinha Zefa.

Para Nicolau Sabino
Vou deixar de coração,
A calça boca de Sino
O anel e o medalhão.

Buzuga eu deixo de graça
A bodega que eu gostei,
Pra ele vender cachaça
A João Sem Braço e Micrey.

Vou deixar no Sanharol
A minha boa piscina,
Para nos dias de sol
Artur brincar com Marina.

A minha vaca malhada
Era a melhor que eu tinha,
Mas já ficou separada
Para o Doutor Feitosinha.

Ali perto de Iremar
Eu tenho um grande terreno,
Mas já mandei registrar
Para Zé Bitu Moreno.

Eu comprei por aventura
Uma casa na Taíba,
Mas passei a escritura
Pra Picoroto e Tuíba.

Toda herança traz intriga
Tem sempre um é, mais não é,
Meu velho galo de briga
Fica pra Raimundo André.

Magnólia vai herdar
Meu roçado de feijão,
Pra todo dia almoçar
Aquele feijão com pão.

Doutor Sávio é de outro lado
Perto do sítio Traíras,
Mas não fica deserdado
Ganha a sexta das mentiras.

Meu  Jesus peço perdão
Por meu erro cometido,
Pois eu estava perdido
No momento da traição.
Eu sei que botei a mão
Naqueles sujos dinheiros
E aqueles trinta cruzeiros
Foram a causa do pecado.
Mas eu peço ajoelhado,
Proteja esses meus herdeiros.

Mundim do Sanharol.