VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Nossas Memórias - Memória Varzealegrense

Nossas Memórias - Airton Correia


Hoje, passando as postagens do Memória Varzealegrense, surpreendi-me com muitas fotos de pessoas que há muito não via, assim como, histórias muito interessantes. Parabenizo-o pelo trabalho sério e, acima de tudo, comprometido com a história da nossa terra e do nosso povo. 

Diante disso, sinto-me obrigado a divulgar um pouco da minha própria história. Sendo assim, envio-lhe cópia do meu título de nomeação para exercer o cargo de Juiz de Direito, envelhecido e destruído pelo cupim, mas vale. 

Aos poucos vou divulgando outras atividades do meu "curriculum", para que os amigos vejam que, com toda dificuldade da época, com determinação e muito sacrifício, pude alcançar alguns objetivos. Digo isso, porquanto não parei,ainda.


Acrescento a relação dos aprovados no referido concurso. Muitos deles, são Desembargadores, na ativa ou aposentados.



Nossas Histórias - Memória Varzealegrense

Nossas Histórias - Antônio Morais

Os dois grandes amigos: Dr. Humberto e Mundim do Sapo

Em 1969, quando cheguei em Crato, tio Mundim do Sapo residia à Rua Monsenhor Esmeraldo depois da linha férrea. Neste época a Fábrica da Coca-cola ficava bem próximo.

Raimundo, seu filho, voltava da aula e de passagem pela referida fábrica atirou uma pedra na Placa Luminosa de Propaganda, bateu de um lado e saiu do outro. O vigia observou Raimundo entrando em casa, ligou para o gerente da fábrica que foi a casa do tio Mundim com a muzenga, de pauta com o diabo.

Enquanto o homem falava o circo ia se formando, a vizinhada toda assistindo o afoito e deselegante gerente ser grosseiro.
Mundim do Sapo calado o tempo todo, não tinha razão e nem tinha o dinheiro disponível no momento para pagar o prejuízo.
Por fim o homem baixou a sentença : amanha, 08 horas, no meu escritório com o dinheiro da placa, do contrário vai ter cadeia.
Seis da manha, do outro dia, tio Mundim do Sapo estava na casa do Dr. Humberto Macário que além de ser primo e grande amigo era o prefeito do Crato à época.
O que foi Raimundão que você não me deixou dormir hoje? Disse Dr. Humberto.

Tio Mundim contou a história.
Dr. Humberto ligou para o gerente da coca-cola e disse: aqui é Dr. Humberto Macário. O homem se derreteu todo, diga Dr. Humberto, mande as ordens, o que o senhor desejo?
Eu quero que você levante o prejuízo que o filho de um amigo meu provocou com a destruição de uma placa da sua empresa, e, mande receber comigo. Não vá mais na casa dele, porque ele não pode pagar, vai se encabular e aborrecer você.

Nada Dr. Humberto, foi nada não, foi só um trincão de fácil recuperação. Aqui o senhor manda!...
De qualquer forma se houver despesas é comigo, e desligou.
Pronto Raimundão, está resolvido. Pode ir pra casa tranquilo. Disse Dr. Humberto.

Quando tio Mundim chegou em casa, o vizinho que assistiu o circo do dia anterior perguntou:
Como foi, seu Mundim, o homem amansou?
Tio Mundim do Sapo parou um pouco, pensou e respondeu: Eu ESTUMEI Dr. Humberto nele.

Antônio Morais

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Contos varzealegrenss - Memória Varzealegrense

CONTOS DE VARZEA-ALEGRE - POR PROFESSOR ANTONIO DANTAS

Meu Avô

Eu adorava meu avô paterno, Rafael Ferreira Lima porque, quando eu precisava de um peão, ele fabricava um com uma perfeição incrível. Ele ficou viúvo quando meu pai tinha 3 anos de idade. O luto demorou muito e ele não se conteve até que arranjou outra mulher. Nesse meio tempo, meu pai não teve chance, ficou vagando a mercê das irmãs mais velhas que já eram casadas. Meu avô, tinha começado a beber para controlar as saudades de Ana, minha avó. O problema é que ele bebia pra esquecer, mas o álcool jamais esqueceu dele. Mesmo depois que se casou, com Rosena, continuou bebendo até o fim da vida. 

Meu avo, reconhecia o perigo da bebida. Ela provocava descontrole físico e emocional. Lembro-me de que quando ele não tinha dinheiro e passava la pela bodega do meu pai pra tomar uma de graça, e dizia pra mim –  menino não pode tomar não que fica mole. Para evitar a vergonha da queda, assim que sentia o efeito do álcool, caía numa rede e só se levantava quando sóbrio. O que ele nunca imaginou foi que a queda dos sóbrios também podem ser fatal, especialmente numa idade avançada. Mas ele não parava de andar enquanto podia. Fisicamente, parecia frágil, mas enquanto bebia e nunca teve uma doença se quer e nunca caiu. 

Faleceu aos 88 anos de idade por causa de uma infecção que contraiu de uma queda quando estava sóbrio. Ele era controlado, assim que sentia o efeito do álcool deitava numa rede dormia até ficar sóbrio. A sobriedade, depois de um porre, reativava a mente. Aqueles eram os melhores momentos da vida; ele ficava de bom humor, altivo e brincalhão. 

Ainda durante a II guerra mundial, os missionários americanos começaram a visitar o baixio, com as pregações protestantes. Trouxeram um alto falante para badalar em voz alta as palavras de salvação pelos vales e serrotes do Baixio. Todos tinham que ouvir “a palavra de Deus” de qualquer jeito. Lembro-me de um dia quando a pregação fora sobre a bondade divina para aqueles que contribuíam para espalhar o evangelho.

Numa pregação animada, o pastor, para provar que Deus era bondoso, deu exemplo. Explicou que João Rockfeller contribuiu tanto para igreja que ficou rico e deixou uma fortuna para os filhos distribuírem para os pobres. A benção foi tão grande que a fortuna continuou aumentando sem parar. Meu avô, que tinha acordado do porre costumeiro, não titubeou e disse – isso é porque eles nunca passaram lá em casa!

Professor Antonio Dantas

Pacto de Juazeiro - Memória Varzealegrense

Cel. Antonio Correia Lima - Padre Cicero - Pacto de Juazeiro -24 de outubro de 1911


Um documento histórico, a Ata da reunião realizada em Juazeiro do Norte, no Ceara, em 24 de outubro de 1911, sob o patrocínio do Padre Cícero é um registro revelador de como se fazia política e se exercia o poder naqueles tempos. Os Coronéis que comandavam os municípios da região firmaram um acordo de paz, com o objetivo de impedir disputas entre eles e garanti a estabilidade do poder local. O entendimento era “um por todos e todos por um” Ele deixa claro que, a partir daquela data, nenhum chefe político tentaria derrubar um colega de outro município ou daria guarida a cangaceiros. Eventuais disputas entre os signatários passariam a ser arbitrado pelo Governo do Estado, sob a benção do Padre Cícero, é claro. Compareceram a essa reunião à uma hora da tarde, nesta vila do Juazeiro do Padre Cícero, municípios do mesmo nome, estado do Ceara, no paço da câmara municipal. O Excelentíssimo Senhor Antonio Pinto Nogueira Acioli propunha que para desaparecer por completo qualquer hostilidade pessoal, se estabelecer definitivamente uma solidariedade política entre todos, a bem da organização do partido, os adversários se reconciliassem e ao mesmo tempo lavrassem todos um pacto de harmonia política. Disse mais que, que ficasse gravado este grande feito na consciência de todos e de cada um de per si, apresentava e submetia a discussão e aprovação subseqüente os seguintes artigos de fé política:

Art primeiro – Nenhum chefe protegerá criminoso do seu município nem dará guarida aos dos municípios visinhos, devendo pelo contrario, ajudar na captura destes, de acordo com a moral e o direito.

Art segundo – Nenhum chefe procurará depor outro chefe, seja qual for à hipótese.

Art terceiro -Havendo em qualquer dos municípios reações, ou, mesmo, tentativa contra o chefe oficialmente conduzido com o fim de depô-lo, ou de desprestigiá-lo, nenhum, dos chefes dos municípios vizinhos, interferirá nem consentirá que os seus municípios intervenham ajudando direta ou indiretamente os autores da reação.

Art Quarto –Em casos tais, só poderá intervi por ordem do governador para manter o chefe e nunca para depor.

Art Quinto –Toda e qualquer contrariedade ou desinteligência entre os chefes presentes será ressalvada amigavelmente por um acordo, mas nunca por um acordo de tal ordem, cujo resultado seja a deposição, a perda de autoridade ou de autonomia de um chefe.

Art Sexto-Em nenhuma hipótese, quando não puderem resolver pelo fato, de igualdade de votos de duas opiniões, ouvir-se-á o Governo, cujas ordens e decisão serão respeitadas e estritamente obedecidas.

Art Sétimo-Cada chefe, a bem da ordem e da moral política, terminará por completo a proteção a cangaceiros não podendo protegê-los e nem consenti que os seus municípios sejam sob que pretexto for, os protejam dando-lhes guarida e amparo.

Art oitavo-Manterão todos os chefes aqui presentes, inquebrantável solidariedade não só pessoal como política, de modo que haja harmonia de vistos entre todos, sendo em qualquer, emergência “um por todos e todos por hum”. Salvo em caso de desvio de disciplina partidária, de algum dos chefes do partido, ao Excelentíssimo Doutor Antonio Pinto Nogueira Acioli. Nessa ultima hipótese, ouvirão e cumprirão as ordens do Governo e secundarão nos seus esforços para manter intacta a disciplina partidária.

Art Nono – Manterão todos os chefes, incondicional solidariedade com o Excelentíssimo Doutor Antonio Pinto Nogueira Acioli, nosso honrado chefe, e como políticos disciplinados obedecerão incondicionalmente suas ordens e determinações.

Submetidas a votos, foram todos os referidos artigos aprovados, propondo unanimente todas que ficaram logo em vigor desde essa ocasião. Depois de aprovados, o Padre Cícero declarou que, sendo de alto alcance o pacto estabelecido, propondo que fosse lavrado no livro de atas desta municipalidade e assinado pelos presentes:

Missão Velha - Cel Antonio Joaquim de Santana.
Crato -Cel Antonio Luis Alves Pequeno.
Juazeiro do Norte-Padre Cícero Romão Batista.
Araripe-Cel Pedro Silvino de Alencar.
Jardim-Cel Romão Pereira Filgueira Sampaio
Santana do Cariri-Cel Roque Pereira de Alencar
Assare –Cel Antonio Mendes Bezerra.
Várzea-Alegre-Cel Antonio Correia Lima
Campos Sales – Cel Raimundo Bento de Souza Baleco
Caririaçu-Padre Augusto Barbosa de Menezes
Aurora – Cel Candido Ribeiro campos
Milagres – Cel Domingos Leite Furtado
Lavras - Cel Gustavo Augusto Lima
Potengi - Cel Raimundo Cardoso dos Santos
Barbalha – Cel João Raimundo de Macedo
Quixará - Cel Joaquim Fernandes de Oliveira
Brejo Santo – Cel Manuel Inácio de Lucena

Fonte: Blog A.Morais

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Família de Padres - Memória Varzealegrense

Família de padres - Por Antonio Morais

Entre os filhos de Antônio de Souza Rego e Nazária, da Fazenda Várzea do Boi existiam três padres. Padre Benedito de Souza Rego, nascido em 08.08.1832, ordenado em 21 Março de 1863. Foi vigário de Várzea-Alegre de 1864 a 1875, retornando a freguesia de Tauá. 

Estando ele no comando de um adjunto para levantar a  parede de lagoa de São Raimundo, depois de  haver tomado  muito vinho disse para  os presentes : O menino que fulaninha está esperando é meu filho. No outro dia José Raimundo do Sanharol  lhe visitou  e passou  essa informação : Padre, ontem você falou isso, isso e isso. E, ele  respondeu : se foi assim eu não posso mais ficar  em Várzea-Alegre.

Em 1878, estava ele, em Tauá, diante de sua estante, lendo ou escrevendo, quando foi alvejado por um tiro de arma de fogo. A bala passou acima da cabeça meio palmo, e acertou um dorso de um livro na estante, a qual, para prova, ele apresentou na povoação de Itans, Ribeira do Rio Choró, dizendo que não ficaria no Ceará e viajou para Bahia onde morreu em 1899. Como registro apenas os cartões de natal que enviava  anualmente para sua afilhada Isabel de Morais Rego, Bebé de Sanharol.

Os outros irmãos, Padre José da Costa Leitão, morreu na Fazenda São Bento, quatro léguas depois de Tauá, picado por uma cobra, e, o Padre Antônio de Souza Rego faleceu jovem vitima do rompimento de um aneurisma.

Antonio Morais

terça-feira, 21 de julho de 2015

Nossas histórias - Memória Varzealegrense

A Rural vai atolar - Mundim do Vale
A  RURAL  VAI  ATOLAR - MUNDIM DO VALE

É Carnaval, em Várzea Alegre Carnaval em Várzea Alegre foi sempre muito bom. 
Primeiro porque não se tinha tantas opções de lazer. 
Segundo porque é realmente uma festa em que reúne muitos estudantes que aproveitam o feriado para rever os familiares. 

Num desses carnavais, lá pela década de setenta, um grupo de primos, amigos e suas respectivas namoradas resolveu visitar os parentes. José Gonçalves, filho de Seu João Mandu, decide que vamos todos fazer um tour pelo São Vicente na Rural do pai. 

Vejam os jovens: Derão e Cecília, Gonçalves e Maria Leandro, Bezerra e eu. Cedo saímos para nosso passeio. Foi um domingo maravilhoso. Carnaval perfeito. Chão bem molhado. Saímos pela manhã para retornarmos à tardinha. Passamos de casa em casa. Era o hábito deles quando vinham de Fortaleza. 

Tirando reisado, como se dizia na época e na região. Visitando avô de um, avô de outro, avós de outros, e por aí afora ou adentro. Do Atoleiro ao São Vicente não sobrou um parente sem ser visitado. Quanta alegria, quanta emoção. É Carnaval. Somos jovens e enamorados. A felicidade tinha nomes! E estava ali. O tempo corre normalmente. O dia vai chegando ao seu final. Uma alegria só. Hora de retornarmos à cidade. Ah! Hora de retornar... 

A Rural vai atolar! Que nada. A Rural não atolou simplesmente, nos atolou numa tremenda enrascada. Era um passo para frente e dois para trás. Entra, anda, sai, empurra! Entra, anda, sai, empurra! Era isso mesmo. Mais empurrando que andando. Como chegamos à Várzea Alegre, minha memória não tem conseguido resgatar tudo. 

Sei que chegamos. Se, desafiamos as leis da Física e subimos a ladeira de Herculano com a Rural na cabeça, não sei. Sei que chegamos com tempo de ir para o CREVA, afinal de contas era carnaval. Não podíamos perder a esportiva por causa de uma Rural! Trinta anos depois... Um casal nem se casou, um casou e separou e o outro casou e continua até hoje.

Artemísia

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Nossas histórias - Memória Varzealegrense

Nossas historias - Memória Varzealegrense




Em Várzea-Alegre, na década de 70 do século passado era comum os amigos se reunirem para jogar buraco. 

A casa do João Beca tinha predileção, talvez porque havia um lanche de pão de arroz com amendoim e café entre uma partida e outra.

Pedrila de Santana um dos adeptos da diversão, numa noite de chuvas resolveu pernoitar na casa dos Becas, Luiz Vieira e Nilo Piau seguiram para suas casas.

A Chuva engrossou, a latrina ficava no fundo do quintal, e, após o Pedrila se acomodar lhe bateu uma tremenda necessidade de fazer xixi.
No compartimento da casa em que se encontrava, um menino dormia bem tranquilo numa rede.
Pedrila teve uma ideia digna de qualquer varzealegrense : Tirar o menino da reda, colocar na sua, deitar-se na rede do menino e aliviar a bexiga.
Assim se deu. Depois, quando foi trazer o menino de voltar o danado tinha cagado na outra rede.
Pedrila arribou de madrugada, sem se despedir. Perdeu o pão de arroz do café da manhã.

Fonte: A. Morais
Fonte foto: Google

quarta-feira, 1 de julho de 2015

PEDRA HISTÓRICA -Memoria Varzealegrense

PEDRA  HISTÓRICA - EDMILSON MARTINS


Pedra de Amolar histórica: esta pedra de amolar foi coloca no tronco deste pé de cajarana no ano de 1943 por José Ildefonso de Lima (Tio Zezinho do Baixio). 

Ainda hoje e utilizada normalmente, parte dela já foi engolida pela raiz da cajaraneira, poderá ser vista atrás da casa de Azarias Martins no Baixio do Exu. 

Eu a considero como uma relíquia pois muitas vezes, na minha infância, amolei nesta pedra a minha faquinha quando eu ia caçar de baladeira lá no baixio, isto, enquanto o baião de dois com "toicim torrado" de Tia Mundinha não saia.

domingo, 28 de junho de 2015

Perigos do Sertão - Memoria Varzealegrens

PERIGO NO SERTÃO - EDMILSON MARTINS

Depois dos filmes eu e um grupo de discípulos, íamos para a praça para ouvir os capítulos do seriado que inventávamos. O elenco era formado pelos seguintes atores:

Estrelados pelos grandes astros: Ed Martin, Ozzy Mund, Walder France, Joseph Borgin, Rita Mary, Mary Help, John P. Auw e seu irmão Ray Mond P Auw, e os galâs Joe N. Milton e o famoso Francis Waldon.


Veja esses cartazes que encontrei do Seriado,"Perigo nas Selvas".


1 - Ed Martim, Joseph of Borjin e Ozzy Mundo, planeja o ataque.
2 - Ed Martim indica ao grupo o caminho a seguir.
3 - O Chefe ordena o ataque!
4 - O Ed Martim em luta com o vilão, enquanto Walder France tenta separar...
5 - Ed Martim nocauteia o vilão com um violento soco de direita, enquanto Ozzy Mund assiste passivamente
6 - O grupo comenta o desaparecimento do herói
7 - O grupo planeja o resgate do herói que acontece logo em seguida.

Fonte: Edmilson Martins

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Lembrando J. Ferreira - Memória Varzealegrense

Dos homens, era o meu irmão mais velho, o que vale dizer o meu velho amigo. Nascido aos 21 de novembro de 1912, em Várzea Alegre (Ceará), quase metade de sua existência foi vivida em Londres (29 anos), onde, de par com outras atividades, exerceu as funções de comentarista da British Broadcasting Corporation (B.B.C), desde os incertos e inquietos dias da segunda grande guerra mundial. 

Foi sua primeira professora a simpática Dona Adelaide – que ele sempre lembrou com carinho, - e, por muitos anos, residiu em Juazeiro do Norte. Aos onze anos incompletos, entrou para o Instituto São Luiz, em Fortaleza, cuja direção era exercida pelo nosso cunhado, grande amigo e mecenas, o Dr. Francisco de Menezes Pimentel Junior.

Foi no São Luiz, no “Grêmio Literário Padre Tabosa”, que se revelaram seus acentuados pendores para a imprensa e oratória. Orador certo de todas as sessões, sua colaboração não faltava a cada numero de “O Estímulo”, o jornalzinho do Grêmio. Fizemos, lado a lado, primário e seriado, terminando este ultimo, em 1930, no Liceu do Ceará. A revolução de 30 deu-lhe, acidentalmente, o primeiro episódio “meio-cômico” de orador político. À turba que passava pela, da janela do 1º andar do velho Café Poty (um pardieiro de estudantes pobre!), dirigiu uma saudação inflamada, simplesmente enrolado em um lençol! Magro e assim vestido, era a figura de Gandhi! A Fernandes Távora, um dos chefes da revolução, muito impressionou o ardor do “tribuno”, chegando a lhe oferecer posição de relevo na revolução triunfante. Ele, porém, confessava, depois: - “que foi divertido, foi!” e nada queria com quem “estava de cima”.

 Tinha, então, 18 anos em ebulição, inteligência e memória maravilhosas, devorando de um só fôlego quantos livros lhe caíssem às mãos. Vargas Vila era a sua bíblia e, de cambulhada, entravam quanto outros surgissem, de Virgilio a Schopenhauer. Publicou com um colega tão “atirado” quanto ele, dois números de um jornal feito a mãos (“O PASQUIM”), suspenso, logo no terceiro número, com a simpática interferência da policia... Sem um jornal próprio, passou a colaborar em dois matutinos de tendências antagônicas (“O NORDESTE” e “O CEARÁ”), mantendo com ele mesmo e nomes diferentes, terrível polemica. Era, dizia, o melhor meio de se fazer jornalista: - contestar as próprias palavras.

 Cearense de legitima estirpe e filho de português, não poderia deixar de emigrar e, em 1932, foi para o Rio, em busca de horizontes mais vastos. Já matara, no nascedouro, a pretensão ser farmacêutico, levando, todavia, uma transferência de seus de seus começados estudos de direitos, que... De tortos, nunca foram concluídos. Seus caminhos ideais eram os da hoje chamada comunicação e o jornal já lhe deixara visgo na alma, a que não podia fugir. Com a ajuda de um amigo – o Dr. Campos – entrou para “A BATALHA”. Foi, porém, no “O GLOBO”, onde o introduziu um modesto alfaiate (Pedro Souza), a quem sempre soube ser grato, que se sentiu em casa. Contratado para tirar as férias de um funcionário, por uma quinzena, lá ficou – quase, o restante dos seus dias – terminando por se aposentar, em janeiro de 1971.

 Em 1942, como redator de “O GLOBO”, em cujas colunas mantinha seus comentários sobre o desenrolar da guerra, recebeu da Embaixada Britânica um convite formulado pelo Press Club, de Londres, para uma visita aos países aliados vendo-lhes o esforço. Após uma entrevista relâmpago, na BBC, recebeu proposta para um contrato comentarista, o que sem pensar segunda vez, aceitou. Voltou ao Brasil para acertar seus negócios, prometendo regressar a Londres, na primeira oportunidade. E esta, muito cedo, lhe surgiu, embarcando em um navio inglês altamente cobiçado pelos torpedos nazistas. Foi uma viagem de 45 dias temerosos. Era, porém, já um motivo bem forte para uma boa reportagem.

 Assim, naqueles dias de incerteza, começou o Brasil inteiro a tomar conhecimento real da marcha dos acontecimentos que se desenrolavam. Ao lado de Bento Fabião, na hora exata, mesmo sob a ação de incursões ou bombardeios, as clássicas badaladas do BIG BEN anunciavam o “Comentário de Joaquim Ferreira”. Era um estilo bem seu de narrar os fatos, com sobriedade e austeridade incontestes, despertando em nossos corações a confiança na vitoria das armas aliadas, sem negar, no entanto, que ela custaria “sangue, suor e lágrima”, na honesta expressão de Churchill. Por esta época (Rio – 1943) enfeixou em livro (“Eles esperaram Hitler”) uma série de crônicas em que retratou a fibra heróica da raça inglesa, no aceso da “Batalha de Londres” e em outros episódios de invulgar bravura.

 Terminada a refrega, outros tipos de palestras surgiram. Foram “Livros e autores” – uma análise do que, na Inglaterra, se fazia na literatura e nas artes; “Comentários da Grã-Bretanha” – uma apreciação cuidadosa e carinhosamente feita da vida inglesa, desde os feitos políticos às manifestações do humor britânico; e, por ultimo, “VOCÊ SABIA?” – um programa de pergunta intrincadas e curiosas, em que, ao lado do portentoso William Tate, formando uma dupla de enciclopédias, vencia qualquer equipe adversa, ganhando-lhe nos pontos.
  Em Londres, sempre como correspondente de “O GLOBO”, teve a seu cargo a publicação de um boletim do Brazilian Trade Bureau (“Brazil-Land and People”), sem exagero, um dos mais eficientes meios de difusão do nosso país já feita, oficialmente. Por ultimo, dirigia a publicação de uma revista de turismo, órgão de uma entidade especializada inglesa e a que dedicava o seu melhor carinho.

 Perdeu várias grandes oportunidades para não perder a cidadania brasileira, de que muito se orgulhava. Por igual, nem o clima, nem outro fator qualquer lhe roubou o sotaque nordestino, de autêntico cearense. Ouvindo-o, qualquer um diria que ele nunca saíra de Várzea Alegre. De par com a lealdade que punha em seus atos, era esta a mais clara expressão de sua alta personalidade.

Em abril de 1948, uniu-se, em Londres, com a Srta. Leda Pitanga Callado, irmã do romancista e escritor Antonio C. Callado. Motivos de saúde obrigaram Leda e, desde que engravidou, a vir para o Brasil, tendo seu filho – Guilherme Antonio – nascido na maternidade de Maranguape, em 18 de janeiro de 1949. É, hoje, economista e reside no Rio, em companhia de sua dedicada genitora. Em tudo, o retrato fiel do pai!

 Esteve em férias, no Brasil, de dezembro de 1970 até abril de 1971. Ao voltar à Inglaterra, pouco tempo depois teve que ser internado – e gravemente – em um hospital londrino. Malgrado a dedicação e competência dos seus médicos, num crescendo incontido, sua enfermidade evoluía e se tornava mais grave. Manifestou o desejo de voltar ao amado Brasil, ao convívio de seus familiares, dos seus velhos amigos, fui buscá-lo em Londres, numa viagem onde grande era a responsabilidade e maiores os riscos a enfrentar. Trouxe-o, felizmente, sem o menor incidente. Cercado da família e do seu mais vivo carinho e alimentando sonhos para um futuro que jamais viria, ainda resistiu por 34 dias, vindo a falecer, dia 4 de outubro de 1971, em nossa casa, em Olinda. Era a data consagrada a S. Francisco de Assis, aquele que compôs a “oração do amor”, que vence sete séculos e, assim, termina: - “morrendo, é que nascemos para a vida eterna”.

José Ferreira
*Do seu Livro “Várzea Alegre, Minha Terra e Minha Gente” Pag. 67 a 70 Ed. Henriqueta Galeno 1985
Fonte: Israel Batista

Antônio Batista Vieira - Memória Varzealegrense

Padre Antônio Batista Vieira

Padre Antônio Batista Vieira, nasceu no município de Várzea Alegre, Ceará, em 14 de junho de 1910, no sítio Lagoa dos Órfãos, no sopé da Serra dos Cavalos, filho de Vicente Vieira da Costa e Senhorinha Batista de Freitas.

Foi ordenado sacerdote em 27 de dezembro de 1942, no Crato, Ceará. 

Em 1964 cursa com destaque, na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, a graduação em Economic and Social Research Planning. Entre 1970 e 1974 cursa Direito na Universidade do Rio de Janeiro. 

Licenciou-se em Filosofia, Ciências e Letras.
Foi fundador do Clube Mundial do Jumento e sócio da Associação Cearense de Imprensa.

Padre Vieira foi Deputado Federal eleito para o período legislativo de 1967 a 1970.

Autor das seguintes obras:
- 100 Cortes sem Recortes (1963).
- A família (evolução histórica, sociológica e antropológica) (1987).
- A Igreja, o Estado e a questão social (1986).
- Bom dia, irmão leitor (1984).
- Crônicas Afiadas (2003).
- Eu e os outros (1987).
- Eu sou Mãe do Belo Amor (1988).
- Fatos Interessantes e Pitorescos (2001).
- Filosofia Política e Problemas Jurídicos (1989).
- Gramática do absurdo (1985).
- Mensagem de Fé para quem não tem Fé (1981).
- O Jumento, nosso irmão (1964).
- O verbo amar e suas complicações (1965).
- Pai-nosso (1983).
- Penso, logo desisto (1982).
- Porque fui cassado (1985).
- Roteiro lírico e místico sobre Juazeiro do Norte (1988).
- Senhor, aumentai a minha Fé (1989).
- Sertão brabo (1965).
- The Donkey our Brother (1998).

Fonte: Prefeitura de Várzea Alegre

Vovó Biluca - Por Dr. José Bitu Moreno.

Da esquerda para direita: Ilka Bitu, Maria Bitu, Julio Bitu, Dr. Luis Bitu, Assis Bitu e a matriarca Dona Biluca na comemoração dos seus 92 anos.
Cronica do Dr. Jose Bitu Moreno.

Numa bela manhã de primavera, sento-me para sonhar. Abril se aproxima rápido, trazendo na sacola, mais um aniversário. Ah, esse tempo poderia ser mais lento!! Como na infância, em que as horas se espreguiçam na divertida vida, e assim demoram a passar. Talvez também seja assim na velhice, tal qual a idosa senhora que mora sozinha no andar de cima, que impossibilitada de vencer as escadas, escolheu a cozinha para passar os dias, e sua janela como o relógio da vida.

Mas nessa manhã, quero escolher as doces lembranças como um travesseiro, onde vou me afundar e sonhar de novo, como se a vida que já foi, pudesse novamente vir a ser. A vida que foi boa, posso contar pelas manhãs. As manhãs da infância com Vovó Biluca na sua casa branca. Após as noites de chuva, as manhãs claras e límpidas de Várzea-Alegre, com suas ruas de pedras, que o sol ajudava a polir. As manhãs de domingo em Fortaleza, onde a praia do Futuro nos preenchia de sol e mar, alimentando a alma de energia e beleza. A manhã em que cheguei em Marília, a cidade que do alto do espigão ainda se enrolava na névoa, espreguiçando-se...Bela Marília, linda menina, formosa senhora. Por suas ruas silenciosas, puxando as cortinas das tantas manhãs, eu e Natha nos dirigíamos para a FAMEMA, ouvindo no rádio os lamentos apaixonados das músicas de raízes. O Hospital de Clínicas aparecia muitas vezes como se assentado em nuvens, da névoa que subia dos vales, embranquecendo a cidade em clima de sonho.

Veneza se me surgiu numa manhã clara, após uma cansativa noite de trem, como a súbita revelação de um paraíso terreno, como uma bela jovem saída de um quadro renascentista, mostrando sua virginal nudez, e eu parasse estupefado frente a tanta beleza. Na ilha de Capri sentado no alto de uma escarpa, mirando o azul profundo do mar, sentindo as fragâncias de limões nos pomares, senti pela primeira vez que minha mulher era aquela ilha, era o meu sonho do distante, do belo, do indefinido... A poesia de meus melhores dias. E para que as manhãs se fizessem, foram necessários os galos e os pássaros. No tempo da casa branca, no Inharé, os galos se esgoelavam festejando o dia e espalhando orvalho. Mas aqui, na Alemanha, têm sido os pássaros...Fui com Anna Carolina para a escola e no caminho lhe lembrei de silenciar os outros barulhos do dia, para que ouvisse a algazarra dos pássaros. Quando levei André lhe falei baixinho de um passarinho que entre os galhos de uma árvore se escondia, chamando-o pelo nome. Meus dois filhos são dois pequenos passarinhos que enfeitam e fazem todas as manhãs dos meu dias.

E se apenas uma foto houvesse que recordasse ou resumisse todas as manhãs que tive, as minhas manhãs, uma existe em que estamos reunidos no clube recreativo de Várzea-Alegre, minha família, papai de chapéu de feltro, mamãe em vestido estampado de seda, as irmãs de saias brancas plinçadas e blusas azul-marinho, e os filhos homens em roupa domingueira, mas de calças curtas, botas e meias até metade das canelas . Estamos felizes e paira certa ingenuidade no ar, razões porque se tornou muito antiga a foto, utópica, etérea, totalmente deslocada pelo tempo. Mirávamos um futuro que nos desmentiria. Sonhávamos uma vida que jamais existiria. Fomos naquele instante, o que jamais tornaríamos a ser. Aquela manhã, jamais se repetiria. Mas o instantâneo do retrato, ficou para sempre.
Grande abraço,

José Bitu

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Gente que faz - Memória Varzealegrense



O  POETA  QUE  ABRE  A  JANELA  DO  SERTÃO.

Sintonizando o programa Forrozão da Cultura, apresentado pelo poeta Cláudio Souza, na Rádio Cultura de Várzea Alegre- Ceará. Tive a oportunidade de ouvir alguns poemas da autoria do poeta Luis Gonçalves Pinho ( Luis de Elvesso ) Os seus versos populares identifica o autor como um sertanejo Autêntico. Seu trabalho vai de encontro com o que tem de melhor no sertão. Contrastando assim com alguns poetas que se dizem populares, quando o leitor para entender  a sua poesia tem que recorrer a um dicionário.

Como conhecedor do assunto, eu digo com toda segurança que entre os poetas populares da terra do arroz, o poeta Luis de Elvesso é o que mais se aproxima do grande mestre Patativa do Assaré.

Texto passivo de opiniões.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Causos lá de nós - Memória Varzealegrense

CAUSOS  LÁ  DE  NÓS - Transcrito do livro LEMBRANÇAS  E  SAUDADES da autoria de Antônio Morais.


ONDE  FICA  O  ASSARÉ?


Durante alguns anos Zé André residiu na fazenda Cacimbinha no município de Assaré. Foi um período de muito trabalho, pois a propriedade não tinha estruturas nem benfeitorias. Com a presença, o comando e o trabalho de Zé André a fazenda foi cercada, perfurou-se um poço profundo, construiu-se um açude com uma boa capacidade de armazenar água e foi construída uma casa sede e várias casas para moradores. Começamos do nada e com certeza depois de estruturada a fazenda, foi ali que Zé André viveu os seus melhores dias.
Foi um período de alegrias e paz, muita fartura e uma grande produção. Naquela época ele fez uma visita a Várzea Alegre e quando chegou na casa do seu irmão Luís André o seu afilhado Vicente perguntou:
- Tío Zé. Pra que lado fica o Assaré?
Zé André respondeu:
- Meu filho, olhe bem para o céu e no lugar que não tiver nenhuma nuvem o Assaré fica embaixo.


                                   

quinta-feira, 19 de março de 2015

Prefeitos de Várzea Alegre - Memória Varzealegrense

07º – De 1934 a 1936 – Américo Barreira


NOME: Américo Barreira, nasceu em  11 de Fevereiro de 1914 e faleceu em 19 de Novembro de 1993. Natural de Baturité-Ceará, filho de Arcelino Sula Barreira e Idalba Barreira
ESTADO CIVIL: casado com Laís Ayres Barreira
CURSO PRIMÁRIO: Grupo Escolar de Maranguape - 1921 a 1923
Colégio São José - Guaramiranga - 1924 a 1925
Colégio Nogueira - 1926
CURSO SECUNDÁRIO: Instituto São Luiz - Fortaleza - 1927
Colégio Castelo Branco - 1928 a 1929
Instituto São Luiz - 1930 a 1932
CURSO SUPERIOR: Faculdade de Direito do Ceará - 1933 a 1937
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO: Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas.

AMÉRICO BARREIRA - Municipalista, figura singular, que ocupa espaço da maior relevância na cena político -cultural nacional e com projeção internacional, desde sua juventude foi participante de primeira hora nas grandes ações políticas e sociais que sacudiram o País. Participou de atividades em Grêmio Estudantil (1931-1932), presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito - (1933), Presidente da União Democrática estudantil - (1934 a 1935), Prefeito Municipal( o mais jovem do País, com 19 anos) de Várzea Alegre- Cariri- Ceará-(1934) Presidente da Liga da Defesa Nacional - (1940 a 1945), a memoráveis campanhas nacionais, tais como: Campanha contra a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas que redundou na redemocratização do País - (1945),Campanha " O Petróleo é Nosso" que forçou a criação da Petrobrás -(1946).
Dentre outras atividades exercidas destacou-se como fundador e primeiro Presidente da União dos Vereadores de Fortaleza, Consultor Jurídico da Associação de Prefeitos do Estado do Ceará - APRECE - (1956 a 1991). Participou do processo de discussão e elaboração das Leis Orgânicas de vários Municípios do Ceará - (1990)
No exercício do Magistério conquistou o respeito, a estima e a admiração da juventude. Revolucionou os métodos do ensino de História do Brasil, fugindo do arcaico processo decorativo para o método analítico dos fatos e seus desdobramentos. Foi professor do segundo grau do Colégio São João e do Ginásio Farias Brito - (1941 a 1946). Titular de uma cadeira importante da Escola Normal Justiniano de Serpa, onde era o instigante inocultor de idéias novas forjando consciência crítica nas jovens que se preparavam para o magistério primário e secundário no Ceará. Professor, aprovado por concurso, do Instituto de Educação do Ceará - (1955).
Político, pelo conceito na sociedade cearense, elegeu-se Vereador à Câmara Municipal de Fortaleza - (1947), reelegendo-se em 1951, e essa era uma das missões que mais o apaixonavam, pois começou a compreender a importância do Poder Local, exatamente por ter clareza do que ela significava no processo revolucionário de incorporação das pessoas à gestão pública, por se tratar de relação estatal mais próxima até fisicamente com elas, e na qual elas aprendem a ser cidadãos, entendendo e praticando direitos e deveres. Nessa área se encontra a melhor elaboração do " Mestre", como carinhosamente é chamado.
Como Deputado Estadual, teve o mandato cassado pelo regime militar de 64. Na redemocratização, conquistou o cargo de Vice-Prefeito da Capital Cearense, na histórica vitória de Maria Luiza Fontenele, eleita pela legenda do PT. Homem oriundo da aristocracia rural, mas, Municipalista nato que, trazia na consciência plena o drama dos excluídos em nosso País, assumiu em sua longa e destacada carreira política uma posição de esquerda, sempre na linha de frente em favor das mais justas causas populares.
Conferencista e tribuno polêmico, sempre empolgou grandes auditórios fazendo as plateias saírem indagativas, interessadas em conhecer melhor o assunto que abordava, preocupadas em aprofundar e ampliar seus conhecimentos.
Jornalista militante, seus artigos eram e continuam sendo ainda hoje leitura obrigatória, para quem estuda os problemas locais, regionais e nacionais. Cidadão identificado com o seu tempo e sua gente. Marxista respeitado, jamais admitiu haver nas concepções do grande pensador e ativista alemão um conjunto de dogmas, mas uma simples referência a ser considerada, rigorosamente dentro da visão dialética de ser um simples guia para a reflexão e a ação.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Lembranças e Saudades - Memória Varzealegrense

LEMBRANÇAS  E  SAUDADES - Rita Maria Morais Azevedo

Meu caro primo Morais

Inicialmente devo-lhe desculpas. Só agora respondo sua carta datada de 05 de fevereiro, o que não se justifica numa época de tão fácil comunicação e, principalmente, pelo fato de que ela me trouxe coisas extremamente agradáveis como o resgate da comunicação com um primo e sua consideração em nos pedir opinião sobre um trabalho pessoal. Mas especial mesmo é o assunto tratado que tem tudo a ver com o que nós todos – Pedro Piau e filhos – valorizamos:
A sensibilidade  para as coisas relativas aos laços de família e amizade verdadeira. Sim, porque infelizmente não são muitas as pessoas que andam a procura desses elementos nos dias atuais.
Gostei do seu texto. Além da singeleza com que você trata o assunto, há um toque de carinho muito sincero e puro que nos enleva e também nos envaidece, e como não?  Mas sobretudo sua descrição: ela é tão real que nos remete rapidamente a uma época que foi maravilhosa apesar de tantas dificuldades que enfrentávamos, tanto nós como vocês. E nesse cenário duas coisas estão muito presentes em nossa memória: a antiga e inabalável amizade que sabíamos existir entre papai e Zé de Pedro André e o grande respeito que todos daquela casa do Sanharol sempre tiveram pela minha mãe. Saiba que a recíproca foi e continua sendo verdadeira. Encontrar seu pai era sempre motivo de alegria porque ele sempre falava alguma coisa que nos fazia rir. Jamais esquecerei da figurinha de madrinha Zefa, tão carinhosa com cada um de nós, chegando lá em casa. Quando ela punha o pé na porta já ia entoando algum bendito da igreja para que papai a acompanhasse na segunda voz, no que era prontamente atendida. ( Lembro bem de “ Jesus Cristo está realmente! De noite e de dia presente no altar! Esperando que cheguem as almas! Ferventes, ansiosas para visitar…) Lembro também de sua gratidão quando eu substituía mamãe, escrevendo alguma carta que ela precisava remeter a parentes distantes.
Mandei a carta para papai que me pediu seu número de telefone. Tem algo para lhe contar, além de desejar matar saudades. Ozanam também leu e gostou de tudo.
Parabéns pela ideia e pelo empreendimento. Um grande abraço de Rita Maria Morais.

BILHETE  DE  RAIMUNDINHO  PIAU:
Meu caro amigo Morais
Aqui é o Raimundinho,
Fui um tempo seu vizinho
Na terra dos arrozais.
Eu não esqueço jamais
Daquelas tardes de sol
Dos jogos de futebol
E do bom baião de dois.
Sou da Lagoa do Arroz
Vizinha do Sanharol.

terça-feira, 17 de março de 2015

MOTE PARA O MUSEU - Por Mundim do Vale.

MOTE PARA O MUSEU.

Uma história perdida no passado
É um crime que não tem contestação,
É uma gente vivendo sem noção
Dos valores do seu Vale do Machado.
O poeta Cláudio Souza tem guardado
O boneco que alegrava a meninada,
A seringa de Nelim foi conservada
Neto Aquino guardou e não perdeu.
VÁRZEA ALEGRE PRECISA DE UM MUSEU
PARA TER SUA HISTÓRIA PRESERVADA.

Um museu com um acervo cultural
Que resgate de fato a nossa história,
Conservando objetos da memória
Como exemplo, a caneta de Dudal.
Só é preciso uma lei municipal
E depois ser na câmara homologada,
No cartório de imóveis registrada
E o povo dizendo o que aconteceu.
VÁRZEA ALEGRE PRECISA DE UM MUSEU
PARA TER SUA HISTÓRIA PRESERVADA.

terça-feira, 10 de março de 2015

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

VISITA  FRUSTRADA - Mundim do Vale

Na campanha eleitoral do ano de 2012, na cidade de Várzea Alegre – Ceará, um candidato a vereador foi fazer umas visitas no sítio Sanharol e chegou até a casa de Zé de Lula. Chegando lá encontrou o dono da casa numa janela tomando café num caneco feito de lata de ervilhas.
O candidato aproximou-se e falou:
- Bom dia Zé! O que é que tem aqui na sua casa pra nós?
Zé respondeu:
- Premêro diga o que é que você tem pra nós, daqui de casa?
- Bom. Eu tenho um santinho com a minha foto e número.
- Só isso? Eu pensei qui você truvesse uns terém qui nós tamo pricisando.
- Mas Zé essas coisas são proibidas.
- Apois pra você aqui num tem nada não. Só se for um gole de café cum tapioca.
Da janela mesmo ele gritou para a mulher:
- Muié! Traga um pouco de café e umas tapioca aqui pru candidato.
A mulher respondeu aborrecida:
- Ou Zé! Tu tá se fazendo de doido é? Tu num sabe qui aqui num tem tapioca.
- Apois traga uma xícara de café.
Também num tem xícara. Só se você lavar seu caneco pra dar a ele.

Provocando a Memória dos Conterrâneos

QUEM  LEMBRA  DE; - Mundim do Vale

Lauro Costa.
Rastão.
Zé Leonardo.
Leontina.
Aldagisa.
Soarim.
João Duro.
Artur Freira.
Zé Sobrinho.
Emília Gadelha.
Manoel Boca Torta.
Maria Belo.
Zé Chato.
Mistral.
Monte Alegre.
Assis do Carmo.
Zé de Dudal.
Leri.
Vicente Arame.
Genésio Faisca.
João do Leite.
Filó.
Zé Terto.
Chico Cego.
Bolandeira.
Miguel Augusto.
Manoel Cabeção.
Zé Ribeiro.
Clara Maria.
Jósio Araripe.
Pedro de Beliza.
Irmãos Pereira.
Manoel Tetê.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Marias Guerreiras - Por Mundim do Vale.

MARIAS  GUERREIRAS

Eu sempre ocupei esse espaço para escrever versos e causos. Mas hoje me dirijo ao teclado para prestar uma homenagem as mulheres determinadas da terra de São Raimundo.
Em nossa pequena cidade, quando mulheres impostas pelo destino ficavam viúvas com filhos pequenos, havia um costume de arranjarem um novo casamento para que tivessem o suporte na criação dos filhos.
Citarei como exemplo apenas duas dessas guerreiras que romperam o padrão, para que o texto não fique muito longo.

. MARIA  CLEIDE  BITU.
Ficou viúva muito jovem com quatro crianças. Na sua conformação e determinação descartou um segundo casamento e sozinha criou e educou os seus quatro filhos.

. MARIA  OTÍLIA  DINIZ.
Foi também marcada pelo desconforto. Não ficou viúva tão jovem, mas teve o seu esposo incapacitado para o trabalho, o que fez com que ficasse dividida entre os cuidados com o marido e a criação e educação dos seus quatro filhos.

Me despeço do teclado parabenizando as duas guerreiras e os seus ilustres filhos.

Raimundinho Piau.
Testemunha ocular dos grandes feitos da cidade alegre.

Título Eleitoral de Pedro Pinho Vieira


domingo, 1 de março de 2015

Causos lá de nós - Por Mundim do Vale.

QUEM  MADRUGA  DEUS  AJUDA.

O casal Raimundo Bitu e Cotinha moravam no sítio Sanharol em Várzea Alegre – Ceará. Todos os sábados Raimundo Saia as cinco horas da madrugada para comprar a carne da semana. Ele tinha que ir naquele horário porque se fosse mais tarde não encontraria mais a carne boa.
Um certo sábado o sono ou a preguiça pegou Raimundo. Já era cinco e meia quando Cotinha falou:
- Raimundo, tu não vai pegar a carne não? Já são cinco e meia e tu ainda tá deitado? Se alui homem de Deus,se não tu só vai trazer langãe.
Raimundo ainda com a voz de sono disse:
- Eu vou daqui a pouco.
Quando foi seis horas Cotinha estava varrendo o terreiro, quando vinha um senhor da Boa Vista com um peso de carne pendurada  numa palha de carnaúba. Cotinha passou para o outro lado da estrada e perguntou:
- O amigo arranjou carne boa?
O moço respondeu:
- Arranjei. E o melhor foi que quando eu vinha passando na lavanderia, achei cinquenta cruzeiros.
Cotinha largou a vassoura no chão e entrou quase correndo para falar com o marido:
- Acorda Raimundo! Tu vai passar o resto do dia dormindo? Olhe! Deus ajuda a quem madruga, o moço da Boa Vista acordou cedo, comprou carne boa e ainda achou cinquenta cruzeiros.
Raimundo com cara de sono respondeu:
- Cotinha. Muito mais cedo acordou o que perdeu.

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por MUndim do Vale.

CONTRASTES  DO  SÍTIO CHICO.

Os irmãos José e Joaquim Vieira, Residiam no sítio Chico em Várzea Alegre – Ceará. A esposa de José era tratada por Linda.
Certa vez José estava no curral tentando tirar leite de uma vaca que não estava colaborando com a ordenha. A vaca inquieta, chutava a cuia, Passava a rabo sujo na cara do seu dono e nada de deixar José segurar nas suas tetas.
Na hora daquela peleja chegava Joaquim Vieira no curral e escutou quando José dizia:
- Calma Mansinha! Calma mansinha!
Ouvindo aquilo Joaquim Vieira falou:
- José. Que contraste medonho é esse? Uma vaca tão brava e você chamando de Mansinha?
José Respondeu:
- É como aquele contraste lá da tua casa, a tua mulher mais feia do que um trem virado e o povo chama Linda.