VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

domingo, 12 de outubro de 2014

Lembrando J. Ferreira - Memória Varzealegrense

Dos homens, era o meu irmão mais velho, o que vale dizer o meu velho amigo. Nascido aos 21 de novembro de 1912, em Várzea Alegre (Ceará), quase metade de sua existência foi vivida em Londres (29 anos), onde, de par com outras atividades, exerceu as funções de comentarista da British Broadcasting Corporation (B.B.C), desde os incertos e inquietos dias da segunda grande guerra mundial. 

Foi sua primeira professora a simpática Dona Adelaide – que ele sempre lembrou com carinho, - e, por muitos anos, residiu em Juazeiro do Norte. Aos onze anos incompletos, entrou para o Instituto São Luiz, em Fortaleza, cuja direção era exercida pelo nosso cunhado, grande amigo e mecenas, o Dr. Francisco de Menezes Pimentel Junior.

Foi no São Luiz, no “Grêmio Literário Padre Tabosa”, que se revelaram seus acentuados pendores para a imprensa e oratória. Orador certo de todas as sessões, sua colaboração não faltava a cada numero de “O Estímulo”, o jornalzinho do Grêmio. Fizemos, lado a lado, primário e seriado, terminando este ultimo, em 1930, no Liceu do Ceará. A revolução de 30 deu-lhe, acidentalmente, o primeiro episódio “meio-cômico” de orador político. À turba que passava pela, da janela do 1º andar do velho Café Poty (um pardieiro de estudantes pobre!), dirigiu uma saudação inflamada, simplesmente enrolado em um lençol! Magro e assim vestido, era a figura de Gandhi! A Fernandes Távora, um dos chefes da revolução, muito impressionou o ardor do “tribuno”, chegando a lhe oferecer posição de relevo na revolução triunfante. Ele, porém, confessava, depois: - “que foi divertido, foi!” e nada queria com quem “estava de cima”.

 Tinha, então, 18 anos em ebulição, inteligência e memória maravilhosas, devorando de um só fôlego quantos livros lhe caíssem às mãos. Vargas Vila era a sua bíblia e, de cambulhada, entravam quanto outros surgissem, de Virgilio a Schopenhauer. Publicou com um colega tão “atirado” quanto ele, dois números de um jornal feito a mãos (“O PASQUIM”), suspenso, logo no terceiro número, com a simpática interferência da policia... Sem um jornal próprio, passou a colaborar em dois matutinos de tendências antagônicas (“O NORDESTE” e “O CEARÁ”), mantendo com ele mesmo e nomes diferentes, terrível polemica. Era, dizia, o melhor meio de se fazer jornalista: - contestar as próprias palavras.

 Cearense de legitima estirpe e filho de português, não poderia deixar de emigrar e, em 1932, foi para o Rio, em busca de horizontes mais vastos. Já matara, no nascedouro, a pretensão ser farmacêutico, levando, todavia, uma transferência de seus de seus começados estudos de direitos, que... De tortos, nunca foram concluídos. Seus caminhos ideais eram os da hoje chamada comunicação e o jornal já lhe deixara visgo na alma, a que não podia fugir. Com a ajuda de um amigo – o Dr. Campos – entrou para “A BATALHA”. Foi, porém, no “O GLOBO”, onde o introduziu um modesto alfaiate (Pedro Souza), a quem sempre soube ser grato, que se sentiu em casa. Contratado para tirar as férias de um funcionário, por uma quinzena, lá ficou – quase, o restante dos seus dias – terminando por se aposentar, em janeiro de 1971.

 Em 1942, como redator de “O GLOBO”, em cujas colunas mantinha seus comentários sobre o desenrolar da guerra, recebeu da Embaixada Britânica um convite formulado pelo Press Club, de Londres, para uma visita aos países aliados vendo-lhes o esforço. Após uma entrevista relâmpago, na BBC, recebeu proposta para um contrato comentarista, o que sem pensar segunda vez, aceitou. Voltou ao Brasil para acertar seus negócios, prometendo regressar a Londres, na primeira oportunidade. E esta, muito cedo, lhe surgiu, embarcando em um navio inglês altamente cobiçado pelos torpedos nazistas. Foi uma viagem de 45 dias temerosos. Era, porém, já um motivo bem forte para uma boa reportagem.

 Assim, naqueles dias de incerteza, começou o Brasil inteiro a tomar conhecimento real da marcha dos acontecimentos que se desenrolavam. Ao lado de Bento Fabião, na hora exata, mesmo sob a ação de incursões ou bombardeios, as clássicas badaladas do BIG BEN anunciavam o “Comentário de Joaquim Ferreira”. Era um estilo bem seu de narrar os fatos, com sobriedade e austeridade incontestes, despertando em nossos corações a confiança na vitoria das armas aliadas, sem negar, no entanto, que ela custaria “sangue, suor e lágrima”, na honesta expressão de Churchill. Por esta época (Rio – 1943) enfeixou em livro (“Eles esperaram Hitler”) uma série de crônicas em que retratou a fibra heróica da raça inglesa, no aceso da “Batalha de Londres” e em outros episódios de invulgar bravura.

 Terminada a refrega, outros tipos de palestras surgiram. Foram “Livros e autores” – uma análise do que, na Inglaterra, se fazia na literatura e nas artes; “Comentários da Grã-Bretanha” – uma apreciação cuidadosa e carinhosamente feita da vida inglesa, desde os feitos políticos às manifestações do humor britânico; e, por ultimo, “VOCÊ SABIA?” – um programa de pergunta intrincadas e curiosas, em que, ao lado do portentoso William Tate, formando uma dupla de enciclopédias, vencia qualquer equipe adversa, ganhando-lhe nos pontos.
  Em Londres, sempre como correspondente de “O GLOBO”, teve a seu cargo a publicação de um boletim do Brazilian Trade Bureau (“Brazil-Land and People”), sem exagero, um dos mais eficientes meios de difusão do nosso país já feita, oficialmente. Por ultimo, dirigia a publicação de uma revista de turismo, órgão de uma entidade especializada inglesa e a que dedicava o seu melhor carinho.

 Perdeu várias grandes oportunidades para não perder a cidadania brasileira, de que muito se orgulhava. Por igual, nem o clima, nem outro fator qualquer lhe roubou o sotaque nordestino, de autêntico cearense. Ouvindo-o, qualquer um diria que ele nunca saíra de Várzea Alegre. De par com a lealdade que punha em seus atos, era esta a mais clara expressão de sua alta personalidade.

Em abril de 1948, uniu-se, em Londres, com a Srta. Leda Pitanga Callado, irmã do romancista e escritor Antonio C. Callado. Motivos de saúde obrigaram Leda e, desde que engravidou, a vir para o Brasil, tendo seu filho – Guilherme Antonio – nascido na maternidade de Maranguape, em 18 de janeiro de 1949. É, hoje, economista e reside no Rio, em companhia de sua dedicada genitora. Em tudo, o retrato fiel do pai!

 Esteve em férias, no Brasil, de dezembro de 1970 até abril de 1971. Ao voltar à Inglaterra, pouco tempo depois teve que ser internado – e gravemente – em um hospital londrino. Malgrado a dedicação e competência dos seus médicos, num crescendo incontido, sua enfermidade evoluía e se tornava mais grave. Manifestou o desejo de voltar ao amado Brasil, ao convívio de seus familiares, dos seus velhos amigos, fui buscá-lo em Londres, numa viagem onde grande era a responsabilidade e maiores os riscos a enfrentar. Trouxe-o, felizmente, sem o menor incidente. Cercado da família e do seu mais vivo carinho e alimentando sonhos para um futuro que jamais viria, ainda resistiu por 34 dias, vindo a falecer, dia 4 de outubro de 1971, em nossa casa, em Olinda. Era a data consagrada a S. Francisco de Assis, aquele que compôs a “oração do amor”, que vence sete séculos e, assim, termina: - “morrendo, é que nascemos para a vida eterna”.

José Ferreira
*Do seu Livro “Várzea Alegre, Minha Terra e Minha Gente” Pag. 67 a 70 Ed. Henriqueta Galeno 1985
Fonte: Israel Batista

sábado, 11 de outubro de 2014

Cavalhada no Inharé - Memória Varzealegrense


Na década de 60, Marta Bitu  organizou uma cavalhada nos prados do Sanharol com esta turma de meninos. 

O cenário da foto é a centenária calçada do chalé de Seu Zé Bitu e Dona Biluca.

A foto não foi identificada.

Fonte: Giovane Costa

Lembrando Papai André - Memória Varzealegrense

Família de Papai André e Mãe Dondon

Da esquerda para a direita: Sentados - Tia Vicência, Papai André, Mãe Dondon, Tia Soledade e Tia Mundinha. Em pé - a menina é Balbina de Tia Vicência, Tia Dondon, Tio Chiquinho com Jocel, Tio José de Freitas com Joaquim, Tio Andrezinho, Clara Costa - filha de Tia Marininha, Tio Quinco, Tio Joãozinho e Tia Arlinda.

Esta é a memorável foto feita no Sítio Mocotó, pelos anos de 1922, ao lado da casa velha. O cenário do fotógrafo não conseguiu esconder a parede rústica de taipa. Acredita-se que foi tirada por um japonês que andava em Várzea Alegre e fez vários retratos das famílias. No detalhe do calçado de Papai André fica evidente o traço da família com os pés para dentro e, na figura de Mãe Dondon, uma mulher de personalidade.

Os homens de ternos, e as dama estavam todas com um galho de flores de cajarana na mão e muito bem-vestidas, de meias finas e jóias.

Do livro: Balbina Menezes Diniz: 80 anos de Histórias Bem - Vividas (Resprodução autorizada no livro).
Foto enviada por Artur Moreno
Fonte: Giovane Costa

Lembrando Antônia Alves - Memória Varzealegrense

Dona Tônia com a sua filha Bárbara. Foto do arquivo particular de Glória Maria Bezerra.
Antônia Alves Feitosa era casada com Antônio Alexandre de Menezes. 

Do casal nasceram os seguintes filhos:
1- Ana Alexandre de Menezes, esposa de Antônio Alves de Menezes (Antônio do Sapo).

2- Bárbara Feitosa Menezes (Barbinha), casada com o sindicalista José Leandro Bezerra da Costa;

3- Raimunda Alexandre de Menezes, era casada com Vicente Alves Bitu do Serrote;

4- Pedro Alexandre Feitosa, casado com Isabel Vilar de Oliveira (ou Feitosa);

5-José Alexandre Feitosa, casado com Benedita Feitosa Bezerra;

6- Lázaro Alexandre Feitosa, faleceu solteiro em São Paulo. Sabe-se que tinha pelo menos uma filha.

Fonte: Giovane Costa

Lembrando João do Ronca - Memória Varzealegrense

João do Ronca (de Chapéu de palha) Dr. Pedro Sátiro e Beto

O sobrinho de João Carneiro de Lima, popularmente conhecido por João do Ronca, Diego Lima, nos forneceu esta foto. 

João era esportista, gostava de futebol e tinha muitos amigos. Tornou-se um personagem bastante popular, tipo folclórico em nossa cidade; Também bebia; Um dia foi encontrado morto na calçada do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Várzea Alegre.

Fonte: Giovane Costa

Lembrando João de Pedim - Memória Varzealegrense

JOÃO ALVES DE MORAIS - (JOÃO DE PEDIM)


João Alves de Morais (João de Pedim), era filho único do segundo casamento  de Pedro Alves de Morais  e Maria Bezerra de Menezes.

Era bisneto de Papai Raimundo.
Casou-se no ano de 1934 com Ana Alves de Morais, filha de Benedito Alves de Morais e Raimunda Gonçalves da Costa.

O casal teve os seguintes filhos:
Pedro, Antônio, Raimunda(Mundinha), Maria Alves da Costa, Francisco Paulo(Titica), José (Dedé), Isabel (Bebé), Vicente de Paulo  e Francisco das Chagas.

João Alves de Morais faleceu no ano de 1989 com 73 anos.

Fonte: Giovani Costa

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Jovens para Futuro - Memória Varzealegrense

Jovens para Futuro - Padre Robério Felipe (Natural de Várzea Alegre)


Desde da infância  o jovem necessita de  orientação para discernir o caminho a seguir. Mesmo tendo tantos caminhos a escolher, e não desvalorizando nenhum desses caminhos, os jovens deveriam seguir aquele que apontam para os dons que já nasceu que agilizam mais a sua mente a construir suas aptidões.

A maior tristeza que eu sinto, é quando vejo tantos jovens se destruindo pelas paixões da vida, estes jovens, lustrosos, fortes e talentosos se deixam guiar pelas drogas, como temos conhecimentos de grandes artistas que fizeram parte da nossa vida.

Vida essa, quando se iludem pela velocidade do automotor, como tem-se presenciado milhares de jovens arrebatados, desperdiçados e dilacerando-se suas vidas.

Outros se levam pelo fim, guiados pelo os caminhos do lucro apressado, no campo das drogas, comércio ilegal, pensando que vão  adquirir  grandes lucros e na realidade os levam aos porões das prisões e seus caminhos são interrompidos para sempre.

Parafraseando Raul Seixas “O hoje é um furo no futuro, por onde o passado começa a jorrar... vi o fim chamando o principio pra poder se encontrar”.

Quando muitos esquecem as fileiras dos colégios e das universidades, que são as luzes da nossa trajetória, esquecendo seu brilhante caminho na sua velhice, e tantas pessoas que deixam de serem servidas pelo trabalho humano, pela a inteligência e sabedoria destes jovens, que podiam servir há tantos que esperam por eles, e tudo ver-se acabado em um momento.

Atualmente ver-se em todas as cidades, universidades, escolas profissionalizantes de portas abertas, oferecendo aos menos privilegiados a tornarem-se bons profissionais em sua vida.

Hoje, como se pode vê, os governantes oferecem bolsa escola, alimentos, fardamentos, transportes para conduzi-los da residência ao estabelecimento de ensino, poucos aproveitam tantas oportunidades oferecidas e entram no mundo da perdição.

Diferenciando do tempo passado, os que tinham pequenas oportunidades de estudos, grandes impedimentos aconteciam em suas vidas, à distância de sua residência para o estabelecimento de ensino mantido apenas pelas entidades religiosas, que muitas vezes, quando mais próxima, podiam se medir mais de 100km de distância, o transporte era feito a costa de burro ou caminhões pau -de- arara, e as universidades existiam apenas nas grandes capitais.

Como eu intercedo a Deus, como gostaria de estar presente a todos esses jovens, e que eles me ouvissem, para que aproveitassem essas grandes oportunidades que o mundo oferece. Por que a sociedade é formada por homens “pensantes”, conforme o filosofo Descartes “Eu duvido, logo penso, logo existo", o mundo não só oferece perdição, o mundo oferece também salvação.

Creio em Deus, que essa visão será vista por todos os jovens, que será o futuro, e que eles não vejam apenas as coisas materiais, mas as espirituais, para que possam ter e participar de um futuro brilhante, que honre o verde e amarelo da bandeira, que oscila no céu, dando oportunidades a todos verem escrito no seu losango “Ordem e Progresso”, que serão o símbolo do nosso futuro.

Padre Robério Filipe
Juazeiro do Norte(CE) 07 de Setembro de 2014.
Fonte: Padre Robério Filipe

10 de Outubro - Aniversário de Várzea Alegre


Várzea Alegre - Sinésio Cabral(Poeta Varzealegrense

Com certeza, na VÁRZEA, ALEGRE és e serás
O rincão abençoado. É assim que Deus te quer.
Bem sei que suspeito e não falo por trás
Dos bastidores, mesmo estando onde estiver

És, ó terra do arroz, nas letras e, em qualquer
Parte do mundo, a estrela e, assim, tu brilharás
Com o cérebro de teus filhos, se Deus quiser,
Sob as bênçãos de São Raimundo e de São Brás,

Cuja imagem, no altar, em vez do padroeiro,
Sem contrastes e sem ser ato pecaminoso,
Por muitos anos, entre um povo sempre ordeiro.

Várzea Alegre, onde estou, bem me lembro de ti.
Com meus pais, desde criança, eu saí do roteiro
De meu torrão natal, mas nunca te esqueci.

Contos de Várzea Alegre - Memória Varzealegrense

CONTOS DE VARZEA-ALEGRE - POR ANTONIO DANTAS

PEDRO TENENTE.

A história de Várzea Alegre é pontilhada de fatos curiosos. Lembro-me muito bem do Pedro Tenente e do Souza. O primeiro era um historiador que não sabia escrever. O segundo, era uma analfabeto que sabia ler.

Pedro Tenente, tinha esse apelido porque o pai dele fora tenente da polícia militar do Ceará e viajava pelo estado todo. Pedro o acompanhava e procurava saber quem era quem nas localidades onde passavam. Ele não sabia escrever, mas ditava as histórias das famílias do Ceará para o tabelião de Várzea Alegre que escrevia pra ele. O tabelião publicava uns livretos, eram simples e fáceis de ler. Meu pai comprava esses livretos na feira e eu lia em voz alta para o pessoal que trabalhava no engenho do meu avo. Eu adorava ouvi o pessoal dizendo – esse menino é inteligente!

Curiosamente, anos depois, lendo a história da família Feitosa, escrito por Chandler, um historiador americano que escreveu também o livro – Lampião, o Rei do Cangaço – pude conferir como Pedro tinha uma memória invejável. As pesquisas do Chandler batiam com a historia dele.

Dizem que certa vez, o finado José Correia pediu a Pedro pra escrever a historia da família dele, e Pedro respondeu – Coronel, esse negócio de família pode dá na cozinha ou no mato!

Professor  Antonio Dantas.
Fonte: Blog do Antonio Morais

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Causos da Eleição - Por Mundim do Vale

PERGUNTAS VAZIAS, RESPOSTAS SEGURAS.

Domingo, dia 05 passado, eu fui até a minha seção para exercer o meu dever cívico de votar. Quando fui chegando  avistei uma repórter de joelhos em frente ao birô da presidente para uma entrevista.
Concluída a reportagem a garota foi passando por mim, quando eu perguntei:
- Você estava rezando?
A moça muita simpática respondeu:
- Estava sim. Hoje eu estou precisando de orações.
Em seguida ela me deu um tchau, mas quando caminhou 06 metros voltou e me perguntou:
- Podemos conversar?
- Claro! Por onde começamos?
- Vamos até o jardim, para não ficarmos tão próximo da seção.
- Onde você quiser, eu não tenho nada para esconder.
Chegamos no jardim o cinegrafista preparou a câmera, ela pegou o microfone e foi logo me perguntando:
- Em quem você vai votar para governador do Ceará?
- Eu só vou decidir quando estiver na cabine.
- Qual dos candidatos você acha que vai ser o governador do Ceará?
- É aquele que tiver o melhor programa de governo para os cearenses.
Naquele momento a repórter olhou para o cinegrafista e gritou:
- CORTA  LUIZ! Hoje não é o nosso dia.
Em seguida olhou pra mim sem ser mais com aquele comportamento simpático do início e disse:
- Você acha que eu vou colocar uma matéria dessa no ar?
- E você acha que eu vou perder alguma coisa com isso?

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

MOTE - Por Mundim do Vale

MOTE: DEUS CRIOU  NOSSA  CIDADE/PRA SÃO  RAIMUNDO  OCUPAR - Por Mundim do Vale.

DEUS  CRIOU  NOSSA  CIDADE

Várzea Alegre terra amada
A mais feliz do Brasil,
Seu povo é muito gentil
Lá não tem porta fechada.
São Raimundo fez morada
E resolveu demorar,
Para assim confirmar
Que existe felicidade.
DEUS  CRIOU  NOSSA  CIDADE
PRA SÃO RAIMUNDO OCUPAR.

São Brás quis fazer questão
Porque chegou lá primeiro,
Mas não ficou padroeiro
Porque havia questão.
A nossa população
Tratou de questionar
Pra São Raimundo ficar
A bem da comunidade.
DEUS  CRIOU  NOSSA  CIDADE
PRA SÃO RAIMUNDO OCUPAR.

São Raimundo padroeiro
Não é de andar na rua,
Costuma ficar na sua
Lá na frente do cruzeiro.
Raimundim aventureiro
Aprecia passear
Andando de lar em lar
Levando serenidade.
DEUS  CRIOU  NOSSA  CIDADE
PRA SÃO RAIMUNDO OCUPAR.

São Raimundim foi doado
Por Zefa de Pedro André,
A mensageira da fé
Que deixou o seu legado.
O povo lá do machado
Quando estão a orar
Não esquece de falar
Daquela celebridade.
DEUS  CRIOU  NOSSA  CIDADE
PRA SÃO RAIMUNDO OCUPAR.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Versos lá de nós - Memória Varzealegrense

PERDÃO  DIVINO - MUNDIM DO VALE

Na cultura popular
Deus do céu já perdoou,
Vate que não estudou
Mas que gosta de rimar.
Porém há de castigar
Com uma dura disciplina
Aquele que erra a rima
Ou quebra o pé do verso.
Pela lei do universo
O castigo vem de cima.

Tem poeta no sertão
Que nunca foi na escola,
Mas tem na sua caixola
As coisas do seu torrão.
Não precisou de lição
Pra rimar como sabia
Os fatos do dia a dia,
Do poeta sem estudo.
Mas tem muito conteúdo
Sua boa poesia.

Sou poeta do sertão
Mas sou semi-analfabeto
Não nego o meu dialeto
Nem meu grau de instrução.
Minha primeira lição
Foi com a dona Toinha
Naquele tempo eu tinha
Quatro anos de idade.
Mas já havia  a vontade
De rimar uma quadrinha.

O estudo no passado
Tinha certa restrição,
Quem morava no sertão
Ficava prejudicado.
A escola era o roçado,
A merenda era o café
E o povo não tinha fé
De uma vida segura.
Mas formou-se na cultura
Patativa do Assaré.

Mundim do Vale.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Nossas histórias - Memória Varzealegrense

879 - OS MENINOS DO PARQUE MAIA (homenagem a Festa de Agosto)

Durante os dez últimos dias do mês de agosto, em Várzea Alegre, vive-se o animado período da festa do padroeiro São Raimundo Nonato. Enquanto os adultos participam dos eventos religiosos e circulam pelas barracas do arraial, as crianças acompanham a movimentação do parque de diversões que se instala na cidade cearense. O sonho da meninada dura até o dia 31, quando começa a rápida, triste e angustiante desmontagem da pesada estrutura.

No final da década de 1970, os meninos Júlio Bastos Leandro, Geraldo Leandro Filho e Fernando de Zé de Zacarias moravam na antiga Getúlio Vargas, uma das ruas onde o tradicional Parque Maia* era montado. Sem dinheiro, passavam os dias e as noites de festa circulando pelo “carrossel”, buscando uma forma alternativa de “rodar” nos brinquedos.

Uma vez, cedo da manhã, os garotos cataram do chão os bilhetes usados e rasgados na noite anterior e colaram com  grude de goma. Mas os atentos funcionários do parque descobriram facilmente a grosseira montagem.

No mesmo ano, em uma noite movimentada, encostados à grade, os meninos da Getúlio Vargas conseguiram abrir um pouco as barras de ferro e acessar o brinquedo conhecido como Cavalinho pela alargada brecha do gradil. O primeiro a entrar clandestinamente, Geraldo Filho, montava alegremente em um dos animais de madeira, quando Fernando alertou:

- Geraldo, bora voltá, seu irmão Julin ficou com cocão inganchado na grade...

* Parque de diversões que, junto com o Parque Lima, por várias décadas, montou seus brinquedos em Várzea Alegre.

Colaboração: Júlio Bastos Leandro

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Lembrando desfile MIS - Memória Varzealegrense


MUNDIM  NA  ALA  DOS  POETAS.

A nossa ala foi nomeada de ala dos poetas. Melhor teria sido ala dos Souzas, porque tinha quarenta por cento de Sousas poetas; Nonato Souza, Cláudio Souza e Souza Sobrinho.

Eu fiquei ao lado da poetisa Claude Bloc, fazendo assim mais um contraste da nossa cidade. Eu até falei para a poetisa que aquela situação causava uma desarmonia para a nossa ala, mas ela muito brincalhona disse que estava alí para me oferecer segurança. Eu ainda questionei o desequilíbrio da altura e ela me disse que eu fosse pegar as pernas de paus do palhaço para equilibrar.

Para piorar a situação, uma prima minha invadiu a avenida gritando:
- Ei Mundim! Tí Pedo sabe qui tu tá pinotando carnaval no mei do povo grande?
Na parte da frente onde estavam os Souzas, eu verifiquei que Nonato avançava e Souza Sobrinho recuava, causando uma distorção. Abordei Sousa dizendo:
- Sousa vocês estão acabando com a escola, você tá desfilando na divangoê e Nonato na divangoá.
Souza reagiu me perguntando:
- E o que é divangoê e divangoá?
- Vá perguntar a Claude Bloc ou a Fafá Bitu, que eu não sei não.
Na chegada da lagoa o poeta Sávio botou a viola no saco e foi embora. Em seguida Cláudio, Nonato e Souza fizeram a mesma coisa. Depois foi a vez da poetisa.

Só eu foi que não botei a viola no saco, fiquei com a escola até o dia seguinte, quando fomos levar os carros alegóricos da lagoa até o barracão dançando samba.
No próximo carnaval eu não quero desfilar mais não. Só assim eu vou poder ver a minha escola na sua total beleza.

Parabéns para a diretoria e os integrantes da M.I.S.

domingo, 14 de setembro de 2014

Nossa Gente - Memória Varzealegrense

Varzealegrense aprovada em seleção vai estudar em Portugal



Ex-aluna da EEFM José Correia Lima e atual aluna do terceiro semestre do curso bacharelado em Sistemas de Informação pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - Campus Crato, natural de Várzea Alegre, local de onde se desloca diariamente de ônibus para campus universitário, filha do casal  de agricultores , Jair Silva e Vanuza Morais, Jayne de Morais Silva tem 18 anos, reside no sítio Jatobá, Distrito de Canindezinho da nossa cidade e embarcará em setembro para estudar durante o período setembro/2014 à fevereiro/2015 no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), em Bragança, Portugal, através do programa de bolsas IFCE Internacional!

Jayne consegui esse feito através do IFCE – Internacional;  O Programa de Bolsas Internacional que visa consolidar a internacionalização do IFCE, propiciando a interiorização destas ações, bem como oportunizar a participação de alunos de diferentes níveis de ensino, oportunizando a participação de discentes do ensino técnico cuja oferta para mobilidade internacional é quase inexistente.

A fim de intensificar as atividades já desenvolvidas com instituições de ensino estrangeiras parceiras do IFCE, os discentes selecionados pelos editais serão enviados para cursar um semestre acadêmico nessas instituições.

Jayne concorrendo para apenas duas vagas fora aprovada em segundo lugar com nota 6,15 ela preencheu todos os requisitos necessários para ingresso na seleção e apresentando a  documentação necessária para o referido fim.

                             CAMPUS CRATO – PORTUGAL (2 VAGAS)

ORDEM   CANDIDATO                                        PF1    IDIOMA       STATUS
1°      MOISÉS JORDAN SARAIVA DE SOUZA   6,88   Português   APROVADO

2°      JAYNE DE MORAIS SILVA                        6,15   Português   APROVADA

Fonte: Várzea Alegre - Coisa Nossa

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Versos Lá de Nós - Memória Varzealegrense

GALOPANDO  COM  O SÁVIO.

Galopando na glosa do Sávio Pinheiro
Vou viajar  na metade desse velho mundo,
Vou na festa do meu Santo São Raimundo
Pagar a promessa no pé do cruzeiro.
Vou levar João Bitu como parceiro
Ele sendo o mestre e eu  aprendiz,
Milton Bezerra será o juiz
E não tem ninguém que o conteste.
DAS  CIDADES  DO  MEU  SECO NORDESTE
VÁRZEA  ALEGRE  TEM  O  POVO  MAIS  FELIZ.

Se alguém duvidar do que eu digo
Vá na Várzea conhecer a nossa gente,
É um povo gentil e bem contente
Trata bem o visitante e o amigo.
Cada casa da cidade é um abrigo
Onde até o contraste se contradiz,
Pois a nossa fé é mantida na raiz
Com a santa divina proteção celeste.
DAS  CIDADES  DO  MEU  SECO  NORDESTE
VÁRZEA  ALEGRE  TEM  O  POVO  MAIS  FELIZ.

Zé Felipe dizia no passado
Que o sobrado ficava no oitão
Que houve guerra mas não morreu cristão
Que o nosso vigário era casado.
Que as águas do Riacho do Machado
Eram bentas pelo padre da matriz,
Mas na hora de chegar no chafariz
A danada da água não passou no teste.
DAS  CIDADES  DO  MEU  SECO  NORDESTE
VÁRZEA  ALEGRE  TEM  O  POVO  MAIS  FELIZ.

Mundim do Vale.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Datas importantes - Memória Varzealegrense

DATAS QUE FIZERAM HISTORIA - Por Antonio Morais


1.718 
Chega em Várzea-Alegre o alferes Bernardo Duarte Pinheiro. Aquilo tudo, por ali, era mata virgem, um entranhado de sabiá, jurema, catingueira, mofumbo, juazeiro e outros pés de pau. Iniciava-se o que depois veio a ser povoado, vila e cidade.

1.788
Casaram-se Raimundo Duarte Bezerra, papai Raimundo e Teresa Maria de Jesus. Desse casal descende grande parte da população do município.

1.823.
Morre Maria Teresa de Jesus, mulher de fé  fervorosa e devota de São Raimundo. Tombou morta ao receber a noticia do nascimento de seu primeiro netinho, pegá-lo nos braços e dar um retumbante viva a São Raimundo.

09 de Fevereiro de 1.832.
Várzea Alegre pertencia a Lavras da Mangabeira, houve rigoroso inverno e, as tropas de Pinto Madeira e do padre "Benze Cacetes" se encontram com as tropas legalistas do Governo do Estado José Mariano de Albuquerque Cavalcanti, na região do sítio Periperi, deixando mais de 200 mortos e muitos presos, inclusive Pinto Madeira.

1.852.
Se ordena o Padre José Pontes Pereira, filho de família do Assaré. Radicando-se em Várzea-Alegre sendo o primeiro capelão do povoado.

02 de fevereiro de 1856.
É inaugurada a primeira capela de Várzea-Alegre pelo Padre Manuel Caetano.

11 de Maio de 1859.
Morre Padre José Pontes Pereira de cólera, doença até então incurável.

30 de Novembro de 1863.
Criação da Paroquia de São Raimundo Nonato, pela lei 1076 emanada de Dom Antônio dos Santos primeiro bispo do Ceara. Padre Benedito de Sousa rego foi o primeiro padre.

10 de Outubro de 1870.
A lei provincial cria o município de Várzea-Alegre desmembrado-o  de Lavras da Mangabeira.

14 De Junho de 1910.
Nasceu no Sítio Lagoa dos Órfãos, no Sopé da Serra dos Cavalos Padre Antônio Batista Vieira, uma de nossas maiores inteligências. 

24 de Outubro de 1911 
O coronel Antônio Correia prefeito do município representa Várzea-Alegre na reunião denominada Pacto de Juazeiro. Movimento  liderado por Padre Cicero para fortalecer a região.

21 de Novembro de 1912.
Nascia em Várzea-Alegre o Jornalista Joaquim Correia Ferreira.

1915.
Se forma  em medicina, pela universidade da Bahia o primeiro filho de Várzea-Alegre Dr. Leandro Correia.,

05 de Novembro de 1922.
Padre José Alves de Lima casa Maria Firmino e Bil além de mais 21 casais.

11  de Março de 1926.
Maria  Firmino é assassinada pelo marido.

10 de novembro de 1926.
Conflito armado entre os aliados de Antônio Correia  e grupos políticos de oposição, que durou cerca de quatro horas, fato conhecido como "A Guerra de 26". O prefeito era Coronel José Correia Lima, eleito pelo  voto popular.

1928.
Padre José Ferreira Lobo inicia os trabalhos de demolição da igreja edificada em 1904 e inicia a construção do atual templo.

20 de maio de 1931.
O então Governo Provisório Manuel Fernandes Távora assina o decreto 193 extinguindo o Município de Várzea Alegre e anexando-o ao município de Cedro, tal medida seria para humilhar os "Correias".

04 de Dezembro de 1933.
O município é restaurado pelo decreto 1.156 de 1933.

08 de Dezembro de 1936.
Se forma em medicina o segundo filho de Várzea-Alegre  Dr. José Correia Ferreira.

20 de Janeiro de 1957.
É construída por José Alves de Oliveira, Zé Pretinho, uma capela  onde Maria Firmino foi assassinada por Bil.

04 de Outubro de l971.
Falece o Jornalista Joaquim Correia Ferreira.

15 de abril de 1977.
Numa noite de chuva, a torre da matriz de São Raimundo desabou, causando comoção aos devotos e católicos de nossa cidade, tornando-se um dos fatos mais marcantes na memória do nosso povo.

02 de dezembro de 1997.
Várzea Alegre foi surpreendida com o primeiro assalto a banco em nossa cidade, deixando a cidade em pânico e assustada. O episódio teve um final desastroso, na fuga os bandidos mataram o gerente do Banco do Brasil Manoel Daniel da Silva, a mando do bandido José Adauto Lima de Souza, conhecido como Zé Roberto, 37, já assassinado no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS , junto com o irmão Cairo Lima de Sousa em julho de 2006 ).

19 de abril de 2003.
Morre aos 93 anos de idade o Padre  Antônio Batista Vieira.

16 de Fevereiro de 2004.
Várzea Alegre amanhece isolada do restante do pais. Todas as vias interrompidas pelo desabamento de duas pontes na BR-230 Cachoeira Dantas e São Cosme, portanto antes e depois da sede do município, e a Ponte dos Grosso na estrada do Algodão). 

A cidade amanheceu sem energia, telefone, celular, internet, e a população em pavorosa com medo do Açude Olho D'água viesse a romper a parede, que chegou a faltar poucos centímetros para transbordar.

O açude sangrou pela primeira e única  vez, causando a maior enchente do Riacho do Machado nos últimos 100 anos.

Fonte: Blog do Sanharol

Nossas Histórias - Memória Varzealegrense

873 - ELEGÂNCIA DA CAPITAL (Republicado em homenagem aos 100 anos de nascimento de minha avó Maria Amélia)

No início do século passado, como em todas as pequenas cidades, Várzea Alegre vivia em completo isolamento. Os velhos e tradicionais hábitos só sofriam abalo quando alguns raros visitantes traziam novidades da moda ou do comportamento.

Na década de vinte, minha avó Maria Amélia e suas amigas se impressionaram com uma jovem que chegara de Fortaleza. Além de usar belas roupas e calçados modernos, a moça andava de uma forma nunca vista pelo interior cearense.

Não tardou para que minha vó e todas as amigas copiassem a original maneira de caminhar da visitante. Rosa Gonçalves, conhecida como “Dosa”, ao ver sua filha com uns passos estranhos, perguntou:

- Maria Amélia, por que você tá andando assim?
- Mamãe, agora na capital as moças andam desse jeito. A senhora não viu a menina que veio de Fortaleza?
- Minha filha, aquela moça levou uma queda da rede e ficou manca. Cachinga desde pequena.

Colaboração: Terezinha Costa Cavalcante

Memorial Joaquim Sátiro - Memória Varzealegrense

Família inaugurará Memorial Joaquim de Sátiro, na Boa Vista, sábado, dia 09 de Agosto



Várzea Alegre ganhará no próximo dia 09 de agosto o Memorial Joaquim de Sátiro, um projeto idealizado e concretizado neste ano pelos descendentes do homenageado. No próximo sábado, convidados, amigos e familiares da família Sátiro, participarão de uma missa que será realizada no próprio local, no alto da serra da Boa Vista, na Sede Rural, a cerca de 5km de Várzea Alegre, às 16h30min, pelo padre José Mota Mendes, na intenção da alma de todos os familiares que já não estão mais entre nós, além de celebrar, em Ação de Graças, os 80 anos de Nicolau Sátiro, tendo logo após, a bênção do Memorial Joaquim de Sátiro.


O projeto nasce da mobilização do médico Carlyle Aquino, e traz à luz da história de Várzea Alegre um de seus nomes mais importantes. Para medir sua importância para a nossa gente, basta dizer que Joaquim de Sátiro, nascido no ano de 1900, foi o pai de Dr Pedro Sátiro, por quem este tem deveras veneração, em razão do caráter e dos princípios que lhe foram repassados por aquele, ainda quando criança, mas que se fazem presentes até hoje em suas atitudes diante da vida. Imagino que Dr Pedro Sátiro esteja realizando um grande sonho, e talvez para ele, o mais importante, que é o de perpetuar o nome de seu pai, suas raízes, seu passado, rico em histórias e contribuições concretas para a nossa cidade.

O acervo do Memorial Joaquim de Sátiro

Várzea Alegre passa a ter, a partir da inauguração deste memorial, um pedaço da sua história transformada em realidade. O projeto pioneiro na área cultural, servirá como ponto de visita para alunos, estudiosos, escritores e mesmo para leigos que queiram saber mais sobre a história de Várzea Alegre, já que Joaquim de Sátiro foi um daqueles desbravadores do sertão, que deram muito das suas vidas para transformar esta cidade no que ela é hoje. Os cômodos da casa foram divididos entres os familiares, para que cada membro possa contar a sua própria história, ressaltando os relevantes serviços prestados por eles à sociedade, sempre tendo como ponto de referência o patriarca Joaquim de Sátiro, cuja história ficará na parte central da casa, bem na sala de visitas.

Dr Carlile Aquino, hoje um dos médicos mais ilustres da família, fez questão de preservar todos os traços originais da casa onde morou seu avô e que foi totalmente reformada. Para ser fiel ao projeto original, o médico contou com o apoio de toda a família, inclusive, graças a este auxílio, foi possível reaver peças do mobiliário do seu avô, que estavam espalhadas entre as diversas residências da família, desde à época da sua morte. Também é importante lembrar que a casa, agora memorial, está situada próximo ao marco zero do grande açude de Várzea Alegre, obra iniciada no de 1919, pelo governo federal, e que foi abandonada no ano seguinte. Portanto, o lugar tem uma forte ligação com a própria história de Várzea Alegre.

Dr Carlyle espera que o gesto da família Sátiro possa ser imitado por outras famílias tradicionais de Várzea Alegre, no sentido de recuperar e divulgar a história de seus antepassados, valorizando as suas origens. Ele acrescenta que acha inviável esperar que o poder público tome iniciativas como esta, uma vez que a burocracia e as dificuldades para conceber e manter um projeto dessa natureza são enormes.

História de Joaquim de Sátiro


Joaquim Alves de Oliveira (Joaquim de Sátiro) nasceu em 01 de julho de 1900, no Sítio Boa Vista, Várzea Alegre, Ceará, filho de João Alves de Oliveira (João de Sátiro) e de Ana Gonçalves de Morais.  Cresceu acostumado aos trabalhos da agricultura e pecuária sertanejas.

Casou-se com Maria Bezerra de Morais, em 05 de novembro de 1922, na Matriz de São Raimundo Nonato. Em 1925, decidiu construir esta casa de morada, e assim o fez, no alto de uma serra de difícil acesso, mas de belíssima vista. Aqui tiveram seis filhos: Luiza, João, Pedro, Elizeu, Nicolau e Estevam. Também adotaram outros três: Rita, José e Raimundo.

Com seu trabalho, Joaquim prosperou e comprou terras e gados. Fez patrimônio, sem esquecer o mais importante: conquistou respeito, fez inúmeros amigos, teve centenas de compadres e afilhados, além de fazer de sua casa ponto de rancho para muitos que viajavam por estas bandas.

Em 1949, tomou uma decisão que repercute até hoje para o bem da cidade de Várzea Alegre. Encaminhou um de seus filhos, Pedro Sátiro, já aos 19 anos, para estudar fora. Sonhava que ele voltasse a nossa terra e servisse a sua família e ao nosso povo, como médico.

Em 1962, Dr. Pedro retornou e, até hoje, vem servindo a esta cidade como médico, além de ter conquistado, junto ao povo varzealegrense, três mandatos de prefeito, num total de 14 anos dirigindo os destinos da nossa terra. No mesmo ano de 1962, Joaquim de Sátiro trouxe do Sítio Bravas – Cariús, para morar em sua casa, um sobrinho seu, Raimundo Sátiro, de 17 anos, para iniciar seus estudos. Este acabou sendo adotado por Dr. Pedro, seguiu seus passos e também serve a esta terra como médico.

Em 02 de abril de 1964, Joaquim de Sátiro perdeu Dona Maria e ficou viúvo. Casou-se novamente, em 16 de maio de 1965, com Dona Raimunda Gonçalves da Costa e teve com ela mais quatro filhos: Ana, Maria Luiza, Regina e Elano.

Em 1972, descobriu a doença que o consumiu rapidamente, após muito sofrimento. Perto de morrer, chamou seu filho Pedro, e lhe fez dois pedidos: que ele e seus irmãos pagassem um empréstimo feito em seu nome, para que este jamais fosse protestado em cartório; e que mesmo depois de sua morte, Padro jamais abandonasse seus irmãos, especialmente os mais novos, que ficariam sem pai, ainda muito pequenos.

Joaquim de Sátiro morreu em 05 de agosto de 1972 e foi sepultado em Várzea Alegre, no Cemitério da Saudade, mas deixou sua marca viva na memória de seus descendentes e amigos: o exemplo de honestidade, disciplina, perseverança, amor ao trabalho e devoção à família.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

AQUI  MORA  À  ALEGRIA.

Várzea Alegre, Terra minha
De cultura e diversão,
Que se vê no Barracão
Dança de Toka e Tokinha.
Antigamente não tinha
A boa secretaria,
Nem Cláudio Souza fazia
O que está fazendo agora,
Na cidade que adora
ONDE  MORA  À  ALEGRIA.

Estou na minha cidade
Onde me sinto contente,
Pra rever a nossa gente
E matar minha saudade.
Me sinto muito à vontade
De vê esta sinfonia,
Da salva do meio dia
No lugar onde morei.
Não sei porque me mudei
DE  ONDE  MORA  À  ALEGRIA.

Alegre pela Grandeza
Da sua gente animada,
Na salva da madrugada
A gente vê a beleza.
Várzea Alegre é natureza
Um ébrio sempre dizia,
Todo dia que bebia
No boteco de André:
- Eu afirmo e bato o pé
AQUI  MORA  À  ALEGRIA.

Vem gente do Juazeiro,
De Icó, de Iracema,
De Canindé, Madalena,
Jaguaribe e Limoeiro.
A festa do padroeiro
É um local de magia,
Já virou minha mania
Em Várzea Alegre passar,
Porque esse é o lugar
ONDE  MORA  À  ALEGRIA.

Eu já tirei um retrato
No batente do Cruzeiro,
Dei esmola em dinheiro
A São Raimundo Nonato.
Com Cláudio já fiz um trato
De ler essa poesia
Da minha própria autoria
Para esse povo meu,
Que nasceu e que viveu
ONDE  MORA  À  ALEGRIA.

Mundim do Vale.
V. Alegre-Ceará.

Nosso Futebol - Memória Varzealegrense

01 - Time da Boa Vista 1962

Joaquim Inácio (Técnico) André Bitu, Estevão, Paulinho Bitu, Antão de Raimundo Teté, Antão de Manezinho. Ana de Vicente Bitu (rainha). Agachados: Chico Rocha, Nicolau Sátiro, Bilé, Chandoca, Zé de Celso Mandu e Zé de Manelzinho.