VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Cardume da Vazante



CARDUME  DA  VAZANTE

Ficamos eu, tu e Rita
Da safra de 46
Maria já foi à frente
Despediu-se de nós três
Somos todos setentinhas
Peixes de água rasante
Saídos ao mar da vida
Levando em nós a Vazante.
Levando em nós a Vazante,
E o banho do "bebedor"
O canto do sabiá
E uma grande carga de amor.
Levando em nós a Vazante
E as noites de luar
O seu cheiro de inverno
E o jeito de rimar.
Levando em nós a Vazante
Também a pedra e o espinho
Levando de lá o barro
Pra construir nosso ninho.
Levando em nós a Vazante
Dentro de nós congelada
Imutável, invencível
Raiz forte e adubada.
Levando em nós a Vazante
Que de nós não se retira
Tem cheiro sabor e cor
Com ela, ninguém conspira.

Para Raimundim Piau.
Socorro Martins.
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domingo, 10 de janeiro de 2016

MEU PÉ DE JENIPAPO

MEU PÉ DE JENIPAPO - (Claudio Morais, do Sítio Panelas, Várzea Alegre/CE).

O que passo a vos contar não é UM CAUSO, mas, sim UM CASO (pois é uma História verídica).

Comemorando o aniversário em cima de UM PÉ DE JENIPAPO, a saborear aquelas gostosas frutas. Na década de 1940, GABRIEL MENDES FEITOZA (Bilezinho), o filho caçula de GABRIEL REGO DE MORAIS (Bile, do Sítio Panelas) e ISABEL PEREIRA DE MORAIS (Biluca), morava no Sítio de nome: Boa Vista (em companhia de sua esposa MARIA DE NAZARETH FEITOZA – Nazinha – e dos três filhos mais velhos. Eram eles: Francisca Claudete Feitoza, Claudia; Francisca Cleonete Feitoza, Cleia; e, Antonio Claudoneto Feitoza, Claudio. Lembro-me como se fosse hoje. No dia em que a segunda filha, CLEONETE, completou 10 anos (para ser mais preciso: era UM DEZ DE OUTUBRO), logo cedinho cometeu uma travessura (daquelas bem cabeludas) e nossa MÃE lhe aplicou uma tremenda SURRA. A menina, como sempre, não era de chorar e simplesmente sumiu de casa. Naquele dia foram deixados esquecidos quaisquer preparativos para festejar o aniversário da garota. A parentela e os amigos, que moravam mais próximo, passaram todo o dia à procura da aniversariante (percorreram todas as casas da vizinhança, numa busca infrutífera).

Na entrada do Sítio Boa Vista havia UM GRANDE PÉ DE JENIPAPO, e este foi o local escolhido para se reunirem após cada busca. Foram muitas as idas e vindas sem nenhum resultado. As buscas duraram até o início da noite, já cansados decidiram parar (as buscas) e continuar no dia seguinte. Quando, de repente, cai uma casca de jenipapo na cabeça de um dos participantes da busca.

Ao olharem para cima viram a pequenina, montada na forquilha de um dos galhos da árvore. Constatou-se, mais tarde, que a menina havia passado o dia todo em cima da FRONDOSA ÁRVORE (e ali comemorou seu DÉCIMO ANIVERSÁRIO, saboreando jenipapos e mais jenipapos). Cada vez que os grupos se reunião para comentar os resultados ELA a tudo assistia, silenciosamente.

Esta não se trata da única AVENTURA de Nossa heroína. Depois disto ELA aprontou outras tantas. Brincou, estudou muito, cresceu, trabalhou bastante, e colou Grau: em Enfermagem Superior; e em Assistência Social. Hoje já aposentada fica a apreciar as travessuras dos netos e a recordar as próprias.

Juiz de Fora, Minas Gerais, 29 de setembro de 2015.

QUEM FOI O PADRE JOSÉ DE PONTES PEREIRA?

Da linha do tempo de: Tiburcio Bezerra De Morais Neto

QUEM FOI O PADRE JOSÉ DE PONTES PEREIRA?

O ano de 1852 aproximava-se do seu final, mas, antes que acabasse, aconteceu um episódio que merece registro. Em viagem pelo Assaré, o major Joaquim Alves Bezerra depara-se com um jovem padre secular, recém ordenado e que, ali, aguardava as ordens do bispado, naquela época com sede em Recife, para iniciar sua missão sacerdotal. Tratava-se do padre José de Pontes Pereira, filho daquela localidade.

Por estar temporariamente desocupado, o jovem presbítero acordou com o major sua vinda a Várzea Alegre, para uma curta temporada de quinze dias Na ocasião celebraria as santas missas do Natal, Ano Novo e Santos Reis. Aqui não existia sequer uma capela. Havia um espaço, intitulado de Quarto de Orações, onde o povo reunia-se para os cultos religiosos.
Várzea Alegre não passava de um simples povoado, ainda em fase embrionária.

Apesar de todas as dificuldades, chegou o padre, próximo ao Natal de 1852. Em poucos dias, demonstrando humildade e fervor, conquistou a simpatia de todos. Permaneceu até o Dia de Reis, ou seja, 6 de janeiro de 1853. Cumprida a primeira tarefa, retornaria à casa dos pais em Assaré. Em sua despedida, prometeu ao povo que voltaria a Várzea Alegre, desde que fosse construída uma capela e uma residência para o capelão.

Era tudo o que o povo queria. Nasceu aí um compromisso que todos levaram a sério. Depois de conseguirem permissão do bispado, três filhos e um genro de Papai Raimundo doaram um terreno de 200 braças em quadro, que seria o patrimônio de São Raimundo Nonato, já venerado no Quarto de Orações, por vontade de dona Tereza Maria de Jesus, primeira esposa do patriarca. Sem perda de tempo, iniciaram a construção da capela. No dia 2 de fevereiro de 1855, com a presença do padre Manoel Caetano, coadjutor da paróquia de Icó, e, cumprindo o ritual de praxe, a nova capela foi consagrada e nela entronizada a imagem de São Raimundo Nonato.

Para alegria dos fiéis, ali já estava, cumprindo o que havia prometido, o padre José de Pontes Pereira,
agora com a função de capelão, devidamente credenciado pelo bispado e instalado na casa que lhe foi reservada. Iniciou com bastante entusiasmo a sua missão presbiteral. Seu trabalho de pastor dedicado cativou tanto, que ninguém mais imaginava Várzea Alegre sem o padre Pontes, como passou a ser carinhosamente tratado.. Já era uma relação de tanta admiração e confiança mútuas, que a capelania prosperou e sua fama logo cresceu na região.

A vida porém é cheia de percalços. Chegou no Brasil o "colera morbus", isto em 1862, epidemia devastadora que fazia vítimas fatais aos milhares. O terrível mal atingiu Várzea Alegre e aqui não foi diferente. O padre demonstrava angústia diante daquele quadro. Os óbitos sucediam-se sem controle. Os mais antigos contavam e o fato nunca foi contradito. Padre Pontes, num dos seus arroubos de piedade, clamou a Deus para morrer, em lugar dos varzealegrenses. Por incrível que pareça, Deus atendeu ao seu apelo. Foi exatamente ele a última vítima fatal do "cólera-morbus" em Várzea Alegre. Morreu no dia 11 de maio de 1862.

Seu túmulo, ainda lembro-me, por muito tempo permaneceu de pé. Muito próximo à capela de Santo Antônio, foi destruído para dar passagem à rodovia CE-55. Por mais de 100 anos resistiu, enegrecido pela ação do tempo, abandonado e esquecido. Como esquecidos, também, permanecem muitos personagens que fizeram a nossa história.

O seu trabalho foi decisivo para o crescimento do povoado e para o surgimento do termo paroquial, criado pela Resolução Provincial nº 1.076, de 30 de novembro de 1863, um ano e meio após sua morte. Podemos considerá-lo pioneiro de movimentos que, depois, perpetuaram-se, como os festejos em homenagem ao padroeiro da cidade. A partir do padre Pontes, Várzea Alegre tanto desenvolveu-se, que logo conquistou o status de vila e conquistou a sua emancipação política, em 10 de outubro de 1870. 

Não é possível escrever a história de Várzea Alegre sem dedicar um capítulo ao PADRE JOSÉ DE PONTES PEREIRA.

Beatriz Jucá - Memoria Varzealegrense

TRANSFORMAÇÃO  EM  CORDEL Por Mundim do Vale e Beatriz Jucá.


É fácil consumir versos em cordel com uma rápida busca na internet, ao esforço de um clique
É bendizer da natureza do cordel adaptar-se. A literatura com versos metrificados e rimados é identificada, ao longo de sua história, nas manifestações orais, nos cadernos costurados à mão, nos folhetos impressos em máquinas a laser, nos meios de comunicação de massa. Acostumado a se apropriar dos assuntos do momento e das novidades comunicacionais, o cordel tem encontrado, nos últimos anos, uma importante vazão de conteúdos na internet.

Gênero atualizado

O olhar feminino da tradição

Seja nas despretensiosas redes sociais ou em blogs e portais específicos, são muitos os autores que têm ganhado visibilidade. Na rede, há espaço para todo mundo - do cordelista já consagrado pelos títulos impressos em folhetos àqueles que ainda estão iniciando na literatura de cordel. É consenso entre eles: a internet vem sendo uma importante aliada para divulgar tanto os autores quanto a própria literatura de cordel, que parece vir conquistando outros públicos com as novas ferramentas.

O novo suporte para publicação dos versos em cordel, no entanto, traz com ele especificidades da produção virtual. Há mudanças, por exemplo, em relação aos temas, tamanhos e ilustrações dos chamados "cibercordéis" - aqueles que são publicados apenas nas plataformas virtuais.
Essas transformações - de suporte e produção - ainda são passíveis de uma série de questionamentos no meio literário. Afinal, os novos meios virtuais atualizam ou descaracterizam a literatura de cordel? O que as novas plataformas oferecem para a tradição? De que forma os cordelistas vêm se adaptando aos novos formatos de publicação? É sob essas questões que o Caderno 3 se debruça na edição deste domingo.

Mudanças

O acesso à literatura de cordel não está necessariamente ligado ao ato de manusear o folheto, passando uma a uma suas páginas, sempre em múltiplo de quatro. Nem mesmo ao ato de observar com certa atenção a ilustração ou xilogravura da capa. Hoje, é fácil consumir versos em cordel com uma rápida busca na internet, ao esforço de um clique.
Tem se proliferado com certa rapidez o número de blogs, sites ou páginas de cordelistas nas redes sociais. Lá, eles publicam versos que poderiam ser editados sem problemas em folhetos, salvo algumas transformações estimuladas pela web. Os cibercordéis revelam liberdade maior.

Embora mantenham a rima e a métrica que caracterizam a poesia nos folhetos, a quantidade de versos ganha maleabilidade maior, tendo em vista que não mais é preciso preencher o espaço correspondente a um número específico de páginas. Os temas escolhidos para a web também se renovam. Para além de assuntos ligados ao sertão, os cibercordéis se ancoram em temas atuais e na própria internet.

"Para os versos na internet, a gente vai conforme as evidências. Entra o verso falando do governo, do carnaval, de uma coisa que esteja atual. No folheto em cordel, é mais a memória, o sertão", diz o cordelista Mudim do Vale. Autor de títulos em folheto como "João Grilo reencarnou", "A cara do sertão" e "A teima do Padre Vieira com o Poeta Zé Limeira", ele tem utilizado com frequência as redes sociais e um blog que mantém para dar vazão a versos menores em cordel.
"A internet é um espaço amplo. O cordelista passa a não depender de gráfica nem nada. Você fica à vontade ali. No meu caso, tenho mais de 800 amigos no Facebook que estende os comentários sobre a minha literatura. Minha obra ganhou o mundo. É uma vaidade que tenho já ter recebido até comentários internacionais", afirma Mundim do Vale.

Segundo ele, a internet é importante para divulgar a literatura de cordel, mas, nela, se perdem elementos importantes à tradição, como a capa ilustrada. "Não sei se posso chamar o que publico na internet de 'cordel', mas é literatura de cordel porque traz a métrica. Se for considerar só o que está escrito, é o cordel. Tem gente hoje que reproduz lá cordéis antigos, mas não a mesma coisa de pegar o folheto, é diferente. Essa sua pergunta me deixou embaraçado", diz Mundim.

Estranhamento

Para o cordelista e pesquisador Marco Haurélio, a internet mudou tudo o que se concebia acerca da arte, e com o cordel não foi diferente. "O maior estranhamento talvez resida na imagem antiquada que se tem do cordel e de seus criadores, quase uma ficção. Os temas são mais amplos, pois a própria internet tornou-se assunto corriqueiro dos poetas", considera o cordelista.
Marco Haurélio pontua que sites de relacionamento na internet, como o Facebook, trazem incentivos benéficos à literatura de cordel à medida que possibilitam que poetas travem pelejas, glosem motes ou construam um cordel coletivo com uma rapidez antes impensável. "O conceito de cordel também precisou passar por uma revisão, já que, na rede, não há a obrigatoriedade de seguir os tamanhos dos cordéis impressos em folhetos", assevera.

O cordelista Klévisson Viana concorda. Ele diz que, logo que a internet começou a se popularizar, na década de 1990, já surgiram as primeiras pelejas virtuais entre os cordelistas, que, ao longo da história, sempre estiveram antenados com os avanços tecnológicos. No auge do rádio ou mesmo do cinema, por exemplo, os cordelistas incluíram em suas produções novas características.

"A tecnologia está a serviço da tradição, é mais uma ferramenta. A internet é algo próximo da gente (cordelistas), e o cordel tem ganhado muito com ela. Isso é muito bom, porque a internet abriu muitas portas aos poetas. Eles hoje se apresentam no Brasil inteiro e viajam até mesmo ao exterior para divulgar sua obra", lembra Klévisson.

O autor destaca, também, a interatividade com o publico e o reconhecimento que recebem pela internet. "Recebo comentários do mundo todo, até daquele escritor Valter Hugo Mãe, esse 'caba que é ovacionado pela crítica literária, achou minha obra interessante. Botou no Instagram e tudo. Então acho que é um caminho interessante pra divulgar o cordel", diz.
Onde Encontrar

Mundo cordel
O cordelista fortalezense Marcos Mairton publica cordéis de sua lavra e de outros autores, produzidos especialmente para as plataformas digitais. Também digitaliza cordéis publicados originalmente em folhetos.

Cordel de saia
Blog voltado à literatura de folhetos, com atenção especial ao universo feminino

Maarco Haurélio
O cordelista mantém blog no qual publica cordéis e ensaios a respeito do tema. Também publica versos em cordel nas redes sociais

Klévisson Viana
Publica alguns cordéis digitalizados e o catálogo de livretos disponíveis na sua editora, a Tupynamquim:

Mudim do Vale
Publica versos em cordel por meio de blog (junto com fotografias e causos sertanejos) e das redes sociais

Transcrito do Diário do Nordeste da página 3. Arte da jornalista Beatriz Jucá.

Fonte: Diário do Nordeste

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Recordações - Memória Varzealegrense

Foto 109 - Foto de varzealegrenses, nela estão: em pé: Caldeman Querino, Vitorino de Fatico, Serrinha, Zé Haroldo de Fatico, Joaquim Bitú. Sentadas: Maria Onelma, Roseni Pajé, Margarida Bilé, Isa Teixeira, Socorro de Dr. Derli, Maria Oliveite.



Luiza Lixandre - Memória Varzealegrense

Luiza Lixandre 

Luiza Lixandre

Luiza de Lixandre, uma criatura, que, inofensivamente, conviveu com várias famílias, andou por vários sítios, às vezes, prestando serviços caseiros, deixando lembranças, recordações, ensinamentos de uma pessoa DIVINA. 

Razão pela qual, é considerada por alguns como ente querido da família. Seus gestos, as suas gargalhadas engraçadas.
Sua espinhosa caminhada na terra, com certeza, conduziu-a à SANTIDADE.

Comentário:
"Luiza Lixandre, quem a conheceu ou conhece sua historia sabe: foi uma escolhida de Deus para mostrar que o fim de todo orgulho, riqueza e poder é um só:  Em baixo de uma pedra fria com as indefectíveis palavras: Aqui Jaz." 


Foto: arquivo particular de Maria Menezes
(am)

domingo, 20 de dezembro de 2015

Real Caririense - Memória varzealegrense

Ônibus da Expresso Real Caririense que fazia a linha Crato São Paulo. 

Motorista Antônio Alves (Tontonho). Década de 1970.
Foto enviada por Homero Fiuza



Tenho muitas lembranças dessa época, apesar de ser o período da minha primeira infância. Aprendemos a estimar e respeitar a família caririense, na pessoa do Sr. Zezito através do meu pai.

Papai desempenhou seu ofício com muito amor, dedicação e responsabilidade. Para nós, ficou esse exemplo, as lembranças e recordações, além da grande saudade.

Agradeço ao Memória Varzealegrense por resgatar esta memória.
Um grande abraço em meu nome e dos meus irmãos:
Mirella, Jefferson e Homero.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Cine Odeon - memória Varzealegrense

Página inicial do caderno onde mostra o dia da inauguração e o primeiro filme exibido no Cine Odeon - 12 de Outubro de 1959 com o filme brasileiro "TIRA A MÃO DAÍ" - Muito ruim por sinal!


Edmilson Martins

Escola José Correia Lima comemora seus 68 anos

Várzea Alegre: Escola José Correia Lima comemora seus 68 anos de fundação


A Escola de ensino médio José Correia Lima, completa nesse dia 30 de novembro de 2015, 68 anos de fundação. Hoje a Instituição educacional tem à frente como diretor, o professor Carlos André, onde há 05 anos ocupa o cargo administrativo.

Para comemorar essa data tão simbólica, a direção da referida escola prepara uma semana de programação que terá início nessa segunda-feira (30).

Haverá de princípio um momento solene com alunos e professores, seguido de atividades temáticas de oficinas nas salas de aula.No dia 02 de dezembro, terça-feira, a escola prepara uma atividade intitulada como Gincana Solidária, com o objetivo de oferecer melhorias na sua estrutura física.

Para a direção, a escola contendo um melhoramento na sua estrutura física, melhora as condições de trabalho e consequentemente as condições de ensino e principalmente de aprendizagem.

Então essa atividade denominada também de superação, é uma ação ampliada de caráter global, envolvendo alunos, professores, funcionários, pais e a comunidade em geral. Nesse dia serão realizados reparos na escola, como consertos elétricos e hidráulicos nos móveis, pinturas e restaurações de paredes. Para isso a escola necessita da ajuda voluntária de pais de alunos, pessoas da comunidade que tem tal habilidade.

A justificativa para o desenvolvimento do trabalho, segundo Carlos André, resulta da seguinte maneira, se a escola está aniversariando, o ideal é que ela receba o presente, ou seja, essa atividade visa em presentear a Instituição educacional. A escola estará à disposição o dia todo para a comunidade.

Na grade festiva, os jogos interclasses  serão realizados no Centro Social Urbano (CSU), tendo início a partir da manhã de quarta-feira (02). A noite será idealizada a III corrida de rua, apresentando mudanças, a começar pelo horário, já que as demais edições eram realizadas no período da manhã. Dentro desse evento, a escola traz como novidade a I corrida na modalidade cross country, incluindo um percurso, perímetro rural e urbano.

A largada se dará a partir das 19:00h na Academia da Saúde, localizada no Parque Cívico São Raimundo Nonato (Praça da lagoa), seguindo um percurso que pega a estrada que dar acesso o bairro Varzante, faz uma volta nas proximidades do bairro Juremal, passando na ciclovia que ao realizar todo esse percurso volta para o local que foi tomado como ponto de largada, na academia da saúde.

Outra novidade é que a corrida está aberta para quem quiser participar, ou seja, além de alunos e funcionários da escola, os pais e toda a comunidade tem a oportunidade de fazer uso da prática esportiva, haverá uma premiação distinta para cada categoria.

As inscrições serão feitas por uma comissão de alunos organizada pelos professores da disciplina de Educação Física, os interessados devem procura-los na referida escola e efetuar a sua inscrição que é gratuita. Para aqueles que desejam somente caminhar no percurso, tem toda a liberdade.

Na quinta-feira (03), a escola estará dando continuidade às ações de melhoria de infraestrutura da escola. Desta vez será sucedida uma ação de limpeza de todos os ambientes, contando com a parceria das mesmas pessoas que participaram na primeira ação.

Na sexta-feira (04), para encerrar a semana festiva de aniversário, haverá uma culminância da gincana, entrega da premiação e apresentações artísticas e culturais.

Ao longo de 68 anos, a escola já obteve de 12 diretores:

Maria Ivone Alencar Lacerda Moreno (1948 - 1950)

Maria Afonsina Diniz Macêdo (1950 - 1953)

Waldira Correia Alcântara (1953 - 1955)

Maria Dolores Menezes de Carvalho (1955 - 1981)

Leonarda Bezerra do Vale (1981)

Ana Ferreira Rolim (1982 - 1986)

Maria Aurinete de Freitas (1987 - 1989)

Antônia Félix da Silva (1990 – 2000)

Francisco Bastos Gomes (2001 - 2004)

Tereza Régia de Carvalho (2004 - 2008)

Raimundo Alves Cândido (2008 - 2010)

Carlos André Bezerra Marques (2010) e permanece até hoje no cargo.

Fonte:Ivan Silva

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Nossas Memórias - Memória Varzealegrense

Nossas Memórias - Airton Correia


Hoje, passando as postagens do Memória Varzealegrense, surpreendi-me com muitas fotos de pessoas que há muito não via, assim como, histórias muito interessantes. Parabenizo-o pelo trabalho sério e, acima de tudo, comprometido com a história da nossa terra e do nosso povo. 

Diante disso, sinto-me obrigado a divulgar um pouco da minha própria história. Sendo assim, envio-lhe cópia do meu título de nomeação para exercer o cargo de Juiz de Direito, envelhecido e destruído pelo cupim, mas vale. 

Aos poucos vou divulgando outras atividades do meu "curriculum", para que os amigos vejam que, com toda dificuldade da época, com determinação e muito sacrifício, pude alcançar alguns objetivos. Digo isso, porquanto não parei,ainda.


Acrescento a relação dos aprovados no referido concurso. Muitos deles, são Desembargadores, na ativa ou aposentados.



Nossas Histórias - Memória Varzealegrense

Nossas Histórias - Antônio Morais

Os dois grandes amigos: Dr. Humberto e Mundim do Sapo

Em 1969, quando cheguei em Crato, tio Mundim do Sapo residia à Rua Monsenhor Esmeraldo depois da linha férrea. Neste época a Fábrica da Coca-cola ficava bem próximo.

Raimundo, seu filho, voltava da aula e de passagem pela referida fábrica atirou uma pedra na Placa Luminosa de Propaganda, bateu de um lado e saiu do outro. O vigia observou Raimundo entrando em casa, ligou para o gerente da fábrica que foi a casa do tio Mundim com a muzenga, de pauta com o diabo.

Enquanto o homem falava o circo ia se formando, a vizinhada toda assistindo o afoito e deselegante gerente ser grosseiro.
Mundim do Sapo calado o tempo todo, não tinha razão e nem tinha o dinheiro disponível no momento para pagar o prejuízo.
Por fim o homem baixou a sentença : amanha, 08 horas, no meu escritório com o dinheiro da placa, do contrário vai ter cadeia.
Seis da manha, do outro dia, tio Mundim do Sapo estava na casa do Dr. Humberto Macário que além de ser primo e grande amigo era o prefeito do Crato à época.
O que foi Raimundão que você não me deixou dormir hoje? Disse Dr. Humberto.

Tio Mundim contou a história.
Dr. Humberto ligou para o gerente da coca-cola e disse: aqui é Dr. Humberto Macário. O homem se derreteu todo, diga Dr. Humberto, mande as ordens, o que o senhor desejo?
Eu quero que você levante o prejuízo que o filho de um amigo meu provocou com a destruição de uma placa da sua empresa, e, mande receber comigo. Não vá mais na casa dele, porque ele não pode pagar, vai se encabular e aborrecer você.

Nada Dr. Humberto, foi nada não, foi só um trincão de fácil recuperação. Aqui o senhor manda!...
De qualquer forma se houver despesas é comigo, e desligou.
Pronto Raimundão, está resolvido. Pode ir pra casa tranquilo. Disse Dr. Humberto.

Quando tio Mundim chegou em casa, o vizinho que assistiu o circo do dia anterior perguntou:
Como foi, seu Mundim, o homem amansou?
Tio Mundim do Sapo parou um pouco, pensou e respondeu: Eu ESTUMEI Dr. Humberto nele.

Antônio Morais

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Contos varzealegrenss - Memória Varzealegrense

CONTOS DE VARZEA-ALEGRE - POR PROFESSOR ANTONIO DANTAS

Meu Avô

Eu adorava meu avô paterno, Rafael Ferreira Lima porque, quando eu precisava de um peão, ele fabricava um com uma perfeição incrível. Ele ficou viúvo quando meu pai tinha 3 anos de idade. O luto demorou muito e ele não se conteve até que arranjou outra mulher. Nesse meio tempo, meu pai não teve chance, ficou vagando a mercê das irmãs mais velhas que já eram casadas. Meu avô, tinha começado a beber para controlar as saudades de Ana, minha avó. O problema é que ele bebia pra esquecer, mas o álcool jamais esqueceu dele. Mesmo depois que se casou, com Rosena, continuou bebendo até o fim da vida. 

Meu avo, reconhecia o perigo da bebida. Ela provocava descontrole físico e emocional. Lembro-me de que quando ele não tinha dinheiro e passava la pela bodega do meu pai pra tomar uma de graça, e dizia pra mim –  menino não pode tomar não que fica mole. Para evitar a vergonha da queda, assim que sentia o efeito do álcool, caía numa rede e só se levantava quando sóbrio. O que ele nunca imaginou foi que a queda dos sóbrios também podem ser fatal, especialmente numa idade avançada. Mas ele não parava de andar enquanto podia. Fisicamente, parecia frágil, mas enquanto bebia e nunca teve uma doença se quer e nunca caiu. 

Faleceu aos 88 anos de idade por causa de uma infecção que contraiu de uma queda quando estava sóbrio. Ele era controlado, assim que sentia o efeito do álcool deitava numa rede dormia até ficar sóbrio. A sobriedade, depois de um porre, reativava a mente. Aqueles eram os melhores momentos da vida; ele ficava de bom humor, altivo e brincalhão. 

Ainda durante a II guerra mundial, os missionários americanos começaram a visitar o baixio, com as pregações protestantes. Trouxeram um alto falante para badalar em voz alta as palavras de salvação pelos vales e serrotes do Baixio. Todos tinham que ouvir “a palavra de Deus” de qualquer jeito. Lembro-me de um dia quando a pregação fora sobre a bondade divina para aqueles que contribuíam para espalhar o evangelho.

Numa pregação animada, o pastor, para provar que Deus era bondoso, deu exemplo. Explicou que João Rockfeller contribuiu tanto para igreja que ficou rico e deixou uma fortuna para os filhos distribuírem para os pobres. A benção foi tão grande que a fortuna continuou aumentando sem parar. Meu avô, que tinha acordado do porre costumeiro, não titubeou e disse – isso é porque eles nunca passaram lá em casa!

Professor Antonio Dantas

Pacto de Juazeiro - Memória Varzealegrense

Cel. Antonio Correia Lima - Padre Cicero - Pacto de Juazeiro -24 de outubro de 1911


Um documento histórico, a Ata da reunião realizada em Juazeiro do Norte, no Ceara, em 24 de outubro de 1911, sob o patrocínio do Padre Cícero é um registro revelador de como se fazia política e se exercia o poder naqueles tempos. Os Coronéis que comandavam os municípios da região firmaram um acordo de paz, com o objetivo de impedir disputas entre eles e garanti a estabilidade do poder local. O entendimento era “um por todos e todos por um” Ele deixa claro que, a partir daquela data, nenhum chefe político tentaria derrubar um colega de outro município ou daria guarida a cangaceiros. Eventuais disputas entre os signatários passariam a ser arbitrado pelo Governo do Estado, sob a benção do Padre Cícero, é claro. Compareceram a essa reunião à uma hora da tarde, nesta vila do Juazeiro do Padre Cícero, municípios do mesmo nome, estado do Ceara, no paço da câmara municipal. O Excelentíssimo Senhor Antonio Pinto Nogueira Acioli propunha que para desaparecer por completo qualquer hostilidade pessoal, se estabelecer definitivamente uma solidariedade política entre todos, a bem da organização do partido, os adversários se reconciliassem e ao mesmo tempo lavrassem todos um pacto de harmonia política. Disse mais que, que ficasse gravado este grande feito na consciência de todos e de cada um de per si, apresentava e submetia a discussão e aprovação subseqüente os seguintes artigos de fé política:

Art primeiro – Nenhum chefe protegerá criminoso do seu município nem dará guarida aos dos municípios visinhos, devendo pelo contrario, ajudar na captura destes, de acordo com a moral e o direito.

Art segundo – Nenhum chefe procurará depor outro chefe, seja qual for à hipótese.

Art terceiro -Havendo em qualquer dos municípios reações, ou, mesmo, tentativa contra o chefe oficialmente conduzido com o fim de depô-lo, ou de desprestigiá-lo, nenhum, dos chefes dos municípios vizinhos, interferirá nem consentirá que os seus municípios intervenham ajudando direta ou indiretamente os autores da reação.

Art Quarto –Em casos tais, só poderá intervi por ordem do governador para manter o chefe e nunca para depor.

Art Quinto –Toda e qualquer contrariedade ou desinteligência entre os chefes presentes será ressalvada amigavelmente por um acordo, mas nunca por um acordo de tal ordem, cujo resultado seja a deposição, a perda de autoridade ou de autonomia de um chefe.

Art Sexto-Em nenhuma hipótese, quando não puderem resolver pelo fato, de igualdade de votos de duas opiniões, ouvir-se-á o Governo, cujas ordens e decisão serão respeitadas e estritamente obedecidas.

Art Sétimo-Cada chefe, a bem da ordem e da moral política, terminará por completo a proteção a cangaceiros não podendo protegê-los e nem consenti que os seus municípios sejam sob que pretexto for, os protejam dando-lhes guarida e amparo.

Art oitavo-Manterão todos os chefes aqui presentes, inquebrantável solidariedade não só pessoal como política, de modo que haja harmonia de vistos entre todos, sendo em qualquer, emergência “um por todos e todos por hum”. Salvo em caso de desvio de disciplina partidária, de algum dos chefes do partido, ao Excelentíssimo Doutor Antonio Pinto Nogueira Acioli. Nessa ultima hipótese, ouvirão e cumprirão as ordens do Governo e secundarão nos seus esforços para manter intacta a disciplina partidária.

Art Nono – Manterão todos os chefes, incondicional solidariedade com o Excelentíssimo Doutor Antonio Pinto Nogueira Acioli, nosso honrado chefe, e como políticos disciplinados obedecerão incondicionalmente suas ordens e determinações.

Submetidas a votos, foram todos os referidos artigos aprovados, propondo unanimente todas que ficaram logo em vigor desde essa ocasião. Depois de aprovados, o Padre Cícero declarou que, sendo de alto alcance o pacto estabelecido, propondo que fosse lavrado no livro de atas desta municipalidade e assinado pelos presentes:

Missão Velha - Cel Antonio Joaquim de Santana.
Crato -Cel Antonio Luis Alves Pequeno.
Juazeiro do Norte-Padre Cícero Romão Batista.
Araripe-Cel Pedro Silvino de Alencar.
Jardim-Cel Romão Pereira Filgueira Sampaio
Santana do Cariri-Cel Roque Pereira de Alencar
Assare –Cel Antonio Mendes Bezerra.
Várzea-Alegre-Cel Antonio Correia Lima
Campos Sales – Cel Raimundo Bento de Souza Baleco
Caririaçu-Padre Augusto Barbosa de Menezes
Aurora – Cel Candido Ribeiro campos
Milagres – Cel Domingos Leite Furtado
Lavras - Cel Gustavo Augusto Lima
Potengi - Cel Raimundo Cardoso dos Santos
Barbalha – Cel João Raimundo de Macedo
Quixará - Cel Joaquim Fernandes de Oliveira
Brejo Santo – Cel Manuel Inácio de Lucena

Fonte: Blog A.Morais

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Família de Padres - Memória Varzealegrense

Família de padres - Por Antonio Morais

Entre os filhos de Antônio de Souza Rego e Nazária, da Fazenda Várzea do Boi existiam três padres. Padre Benedito de Souza Rego, nascido em 08.08.1832, ordenado em 21 Março de 1863. Foi vigário de Várzea-Alegre de 1864 a 1875, retornando a freguesia de Tauá. 

Estando ele no comando de um adjunto para levantar a  parede de lagoa de São Raimundo, depois de  haver tomado  muito vinho disse para  os presentes : O menino que fulaninha está esperando é meu filho. No outro dia José Raimundo do Sanharol  lhe visitou  e passou  essa informação : Padre, ontem você falou isso, isso e isso. E, ele  respondeu : se foi assim eu não posso mais ficar  em Várzea-Alegre.

Em 1878, estava ele, em Tauá, diante de sua estante, lendo ou escrevendo, quando foi alvejado por um tiro de arma de fogo. A bala passou acima da cabeça meio palmo, e acertou um dorso de um livro na estante, a qual, para prova, ele apresentou na povoação de Itans, Ribeira do Rio Choró, dizendo que não ficaria no Ceará e viajou para Bahia onde morreu em 1899. Como registro apenas os cartões de natal que enviava  anualmente para sua afilhada Isabel de Morais Rego, Bebé de Sanharol.

Os outros irmãos, Padre José da Costa Leitão, morreu na Fazenda São Bento, quatro léguas depois de Tauá, picado por uma cobra, e, o Padre Antônio de Souza Rego faleceu jovem vitima do rompimento de um aneurisma.

Antonio Morais

terça-feira, 21 de julho de 2015

Nossas histórias - Memória Varzealegrense

A Rural vai atolar - Mundim do Vale
A  RURAL  VAI  ATOLAR - MUNDIM DO VALE

É Carnaval, em Várzea Alegre Carnaval em Várzea Alegre foi sempre muito bom. 
Primeiro porque não se tinha tantas opções de lazer. 
Segundo porque é realmente uma festa em que reúne muitos estudantes que aproveitam o feriado para rever os familiares. 

Num desses carnavais, lá pela década de setenta, um grupo de primos, amigos e suas respectivas namoradas resolveu visitar os parentes. José Gonçalves, filho de Seu João Mandu, decide que vamos todos fazer um tour pelo São Vicente na Rural do pai. 

Vejam os jovens: Derão e Cecília, Gonçalves e Maria Leandro, Bezerra e eu. Cedo saímos para nosso passeio. Foi um domingo maravilhoso. Carnaval perfeito. Chão bem molhado. Saímos pela manhã para retornarmos à tardinha. Passamos de casa em casa. Era o hábito deles quando vinham de Fortaleza. 

Tirando reisado, como se dizia na época e na região. Visitando avô de um, avô de outro, avós de outros, e por aí afora ou adentro. Do Atoleiro ao São Vicente não sobrou um parente sem ser visitado. Quanta alegria, quanta emoção. É Carnaval. Somos jovens e enamorados. A felicidade tinha nomes! E estava ali. O tempo corre normalmente. O dia vai chegando ao seu final. Uma alegria só. Hora de retornarmos à cidade. Ah! Hora de retornar... 

A Rural vai atolar! Que nada. A Rural não atolou simplesmente, nos atolou numa tremenda enrascada. Era um passo para frente e dois para trás. Entra, anda, sai, empurra! Entra, anda, sai, empurra! Era isso mesmo. Mais empurrando que andando. Como chegamos à Várzea Alegre, minha memória não tem conseguido resgatar tudo. 

Sei que chegamos. Se, desafiamos as leis da Física e subimos a ladeira de Herculano com a Rural na cabeça, não sei. Sei que chegamos com tempo de ir para o CREVA, afinal de contas era carnaval. Não podíamos perder a esportiva por causa de uma Rural! Trinta anos depois... Um casal nem se casou, um casou e separou e o outro casou e continua até hoje.

Artemísia

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Nossas histórias - Memória Varzealegrense

Nossas historias - Memória Varzealegrense




Em Várzea-Alegre, na década de 70 do século passado era comum os amigos se reunirem para jogar buraco. 

A casa do João Beca tinha predileção, talvez porque havia um lanche de pão de arroz com amendoim e café entre uma partida e outra.

Pedrila de Santana um dos adeptos da diversão, numa noite de chuvas resolveu pernoitar na casa dos Becas, Luiz Vieira e Nilo Piau seguiram para suas casas.

A Chuva engrossou, a latrina ficava no fundo do quintal, e, após o Pedrila se acomodar lhe bateu uma tremenda necessidade de fazer xixi.
No compartimento da casa em que se encontrava, um menino dormia bem tranquilo numa rede.
Pedrila teve uma ideia digna de qualquer varzealegrense : Tirar o menino da reda, colocar na sua, deitar-se na rede do menino e aliviar a bexiga.
Assim se deu. Depois, quando foi trazer o menino de voltar o danado tinha cagado na outra rede.
Pedrila arribou de madrugada, sem se despedir. Perdeu o pão de arroz do café da manhã.

Fonte: A. Morais
Fonte foto: Google

quarta-feira, 1 de julho de 2015

PEDRA HISTÓRICA -Memoria Varzealegrense

PEDRA  HISTÓRICA - EDMILSON MARTINS


Pedra de Amolar histórica: esta pedra de amolar foi coloca no tronco deste pé de cajarana no ano de 1943 por José Ildefonso de Lima (Tio Zezinho do Baixio). 

Ainda hoje e utilizada normalmente, parte dela já foi engolida pela raiz da cajaraneira, poderá ser vista atrás da casa de Azarias Martins no Baixio do Exu. 

Eu a considero como uma relíquia pois muitas vezes, na minha infância, amolei nesta pedra a minha faquinha quando eu ia caçar de baladeira lá no baixio, isto, enquanto o baião de dois com "toicim torrado" de Tia Mundinha não saia.

domingo, 28 de junho de 2015

Perigos do Sertão - Memoria Varzealegrens

PERIGO NO SERTÃO - EDMILSON MARTINS

Depois dos filmes eu e um grupo de discípulos, íamos para a praça para ouvir os capítulos do seriado que inventávamos. O elenco era formado pelos seguintes atores:

Estrelados pelos grandes astros: Ed Martin, Ozzy Mund, Walder France, Joseph Borgin, Rita Mary, Mary Help, John P. Auw e seu irmão Ray Mond P Auw, e os galâs Joe N. Milton e o famoso Francis Waldon.


Veja esses cartazes que encontrei do Seriado,"Perigo nas Selvas".


1 - Ed Martim, Joseph of Borjin e Ozzy Mundo, planeja o ataque.
2 - Ed Martim indica ao grupo o caminho a seguir.
3 - O Chefe ordena o ataque!
4 - O Ed Martim em luta com o vilão, enquanto Walder France tenta separar...
5 - Ed Martim nocauteia o vilão com um violento soco de direita, enquanto Ozzy Mund assiste passivamente
6 - O grupo comenta o desaparecimento do herói
7 - O grupo planeja o resgate do herói que acontece logo em seguida.

Fonte: Edmilson Martins

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Lembrando J. Ferreira - Memória Varzealegrense

Dos homens, era o meu irmão mais velho, o que vale dizer o meu velho amigo. Nascido aos 21 de novembro de 1912, em Várzea Alegre (Ceará), quase metade de sua existência foi vivida em Londres (29 anos), onde, de par com outras atividades, exerceu as funções de comentarista da British Broadcasting Corporation (B.B.C), desde os incertos e inquietos dias da segunda grande guerra mundial. 

Foi sua primeira professora a simpática Dona Adelaide – que ele sempre lembrou com carinho, - e, por muitos anos, residiu em Juazeiro do Norte. Aos onze anos incompletos, entrou para o Instituto São Luiz, em Fortaleza, cuja direção era exercida pelo nosso cunhado, grande amigo e mecenas, o Dr. Francisco de Menezes Pimentel Junior.

Foi no São Luiz, no “Grêmio Literário Padre Tabosa”, que se revelaram seus acentuados pendores para a imprensa e oratória. Orador certo de todas as sessões, sua colaboração não faltava a cada numero de “O Estímulo”, o jornalzinho do Grêmio. Fizemos, lado a lado, primário e seriado, terminando este ultimo, em 1930, no Liceu do Ceará. A revolução de 30 deu-lhe, acidentalmente, o primeiro episódio “meio-cômico” de orador político. À turba que passava pela, da janela do 1º andar do velho Café Poty (um pardieiro de estudantes pobre!), dirigiu uma saudação inflamada, simplesmente enrolado em um lençol! Magro e assim vestido, era a figura de Gandhi! A Fernandes Távora, um dos chefes da revolução, muito impressionou o ardor do “tribuno”, chegando a lhe oferecer posição de relevo na revolução triunfante. Ele, porém, confessava, depois: - “que foi divertido, foi!” e nada queria com quem “estava de cima”.

 Tinha, então, 18 anos em ebulição, inteligência e memória maravilhosas, devorando de um só fôlego quantos livros lhe caíssem às mãos. Vargas Vila era a sua bíblia e, de cambulhada, entravam quanto outros surgissem, de Virgilio a Schopenhauer. Publicou com um colega tão “atirado” quanto ele, dois números de um jornal feito a mãos (“O PASQUIM”), suspenso, logo no terceiro número, com a simpática interferência da policia... Sem um jornal próprio, passou a colaborar em dois matutinos de tendências antagônicas (“O NORDESTE” e “O CEARÁ”), mantendo com ele mesmo e nomes diferentes, terrível polemica. Era, dizia, o melhor meio de se fazer jornalista: - contestar as próprias palavras.

 Cearense de legitima estirpe e filho de português, não poderia deixar de emigrar e, em 1932, foi para o Rio, em busca de horizontes mais vastos. Já matara, no nascedouro, a pretensão ser farmacêutico, levando, todavia, uma transferência de seus de seus começados estudos de direitos, que... De tortos, nunca foram concluídos. Seus caminhos ideais eram os da hoje chamada comunicação e o jornal já lhe deixara visgo na alma, a que não podia fugir. Com a ajuda de um amigo – o Dr. Campos – entrou para “A BATALHA”. Foi, porém, no “O GLOBO”, onde o introduziu um modesto alfaiate (Pedro Souza), a quem sempre soube ser grato, que se sentiu em casa. Contratado para tirar as férias de um funcionário, por uma quinzena, lá ficou – quase, o restante dos seus dias – terminando por se aposentar, em janeiro de 1971.

 Em 1942, como redator de “O GLOBO”, em cujas colunas mantinha seus comentários sobre o desenrolar da guerra, recebeu da Embaixada Britânica um convite formulado pelo Press Club, de Londres, para uma visita aos países aliados vendo-lhes o esforço. Após uma entrevista relâmpago, na BBC, recebeu proposta para um contrato comentarista, o que sem pensar segunda vez, aceitou. Voltou ao Brasil para acertar seus negócios, prometendo regressar a Londres, na primeira oportunidade. E esta, muito cedo, lhe surgiu, embarcando em um navio inglês altamente cobiçado pelos torpedos nazistas. Foi uma viagem de 45 dias temerosos. Era, porém, já um motivo bem forte para uma boa reportagem.

 Assim, naqueles dias de incerteza, começou o Brasil inteiro a tomar conhecimento real da marcha dos acontecimentos que se desenrolavam. Ao lado de Bento Fabião, na hora exata, mesmo sob a ação de incursões ou bombardeios, as clássicas badaladas do BIG BEN anunciavam o “Comentário de Joaquim Ferreira”. Era um estilo bem seu de narrar os fatos, com sobriedade e austeridade incontestes, despertando em nossos corações a confiança na vitoria das armas aliadas, sem negar, no entanto, que ela custaria “sangue, suor e lágrima”, na honesta expressão de Churchill. Por esta época (Rio – 1943) enfeixou em livro (“Eles esperaram Hitler”) uma série de crônicas em que retratou a fibra heróica da raça inglesa, no aceso da “Batalha de Londres” e em outros episódios de invulgar bravura.

 Terminada a refrega, outros tipos de palestras surgiram. Foram “Livros e autores” – uma análise do que, na Inglaterra, se fazia na literatura e nas artes; “Comentários da Grã-Bretanha” – uma apreciação cuidadosa e carinhosamente feita da vida inglesa, desde os feitos políticos às manifestações do humor britânico; e, por ultimo, “VOCÊ SABIA?” – um programa de pergunta intrincadas e curiosas, em que, ao lado do portentoso William Tate, formando uma dupla de enciclopédias, vencia qualquer equipe adversa, ganhando-lhe nos pontos.
  Em Londres, sempre como correspondente de “O GLOBO”, teve a seu cargo a publicação de um boletim do Brazilian Trade Bureau (“Brazil-Land and People”), sem exagero, um dos mais eficientes meios de difusão do nosso país já feita, oficialmente. Por ultimo, dirigia a publicação de uma revista de turismo, órgão de uma entidade especializada inglesa e a que dedicava o seu melhor carinho.

 Perdeu várias grandes oportunidades para não perder a cidadania brasileira, de que muito se orgulhava. Por igual, nem o clima, nem outro fator qualquer lhe roubou o sotaque nordestino, de autêntico cearense. Ouvindo-o, qualquer um diria que ele nunca saíra de Várzea Alegre. De par com a lealdade que punha em seus atos, era esta a mais clara expressão de sua alta personalidade.

Em abril de 1948, uniu-se, em Londres, com a Srta. Leda Pitanga Callado, irmã do romancista e escritor Antonio C. Callado. Motivos de saúde obrigaram Leda e, desde que engravidou, a vir para o Brasil, tendo seu filho – Guilherme Antonio – nascido na maternidade de Maranguape, em 18 de janeiro de 1949. É, hoje, economista e reside no Rio, em companhia de sua dedicada genitora. Em tudo, o retrato fiel do pai!

 Esteve em férias, no Brasil, de dezembro de 1970 até abril de 1971. Ao voltar à Inglaterra, pouco tempo depois teve que ser internado – e gravemente – em um hospital londrino. Malgrado a dedicação e competência dos seus médicos, num crescendo incontido, sua enfermidade evoluía e se tornava mais grave. Manifestou o desejo de voltar ao amado Brasil, ao convívio de seus familiares, dos seus velhos amigos, fui buscá-lo em Londres, numa viagem onde grande era a responsabilidade e maiores os riscos a enfrentar. Trouxe-o, felizmente, sem o menor incidente. Cercado da família e do seu mais vivo carinho e alimentando sonhos para um futuro que jamais viria, ainda resistiu por 34 dias, vindo a falecer, dia 4 de outubro de 1971, em nossa casa, em Olinda. Era a data consagrada a S. Francisco de Assis, aquele que compôs a “oração do amor”, que vence sete séculos e, assim, termina: - “morrendo, é que nascemos para a vida eterna”.

José Ferreira
*Do seu Livro “Várzea Alegre, Minha Terra e Minha Gente” Pag. 67 a 70 Ed. Henriqueta Galeno 1985
Fonte: Israel Batista