VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Versos lá de nós - Memória Varzealegrense

PERDÃO  DIVINO - MUNDIM DO VALE

Na cultura popular
Deus do céu já perdoou,
Vate que não estudou
Mas que gosta de rimar.
Porém há de castigar
Com uma dura disciplina
Aquele que erra a rima
Ou quebra o pé do verso.
Pela lei do universo
O castigo vem de cima.

Tem poeta no sertão
Que nunca foi na escola,
Mas tem na sua caixola
As coisas do seu torrão.
Não precisou de lição
Pra rimar como sabia
Os fatos do dia a dia,
Do poeta sem estudo.
Mas tem muito conteúdo
Sua boa poesia.

Sou poeta do sertão
Mas sou semi-analfabeto
Não nego o meu dialeto
Nem meu grau de instrução.
Minha primeira lição
Foi com a dona Toinha
Naquele tempo eu tinha
Quatro anos de idade.
Mas já havia  a vontade
De rimar uma quadrinha.

O estudo no passado
Tinha certa restrição,
Quem morava no sertão
Ficava prejudicado.
A escola era o roçado,
A merenda era o café
E o povo não tinha fé
De uma vida segura.
Mas formou-se na cultura
Patativa do Assaré.

Mundim do Vale.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Nossas histórias - Memória Varzealegrense

879 - OS MENINOS DO PARQUE MAIA (homenagem a Festa de Agosto)

Durante os dez últimos dias do mês de agosto, em Várzea Alegre, vive-se o animado período da festa do padroeiro São Raimundo Nonato. Enquanto os adultos participam dos eventos religiosos e circulam pelas barracas do arraial, as crianças acompanham a movimentação do parque de diversões que se instala na cidade cearense. O sonho da meninada dura até o dia 31, quando começa a rápida, triste e angustiante desmontagem da pesada estrutura.

No final da década de 1970, os meninos Júlio Bastos Leandro, Geraldo Leandro Filho e Fernando de Zé de Zacarias moravam na antiga Getúlio Vargas, uma das ruas onde o tradicional Parque Maia* era montado. Sem dinheiro, passavam os dias e as noites de festa circulando pelo “carrossel”, buscando uma forma alternativa de “rodar” nos brinquedos.

Uma vez, cedo da manhã, os garotos cataram do chão os bilhetes usados e rasgados na noite anterior e colaram com  grude de goma. Mas os atentos funcionários do parque descobriram facilmente a grosseira montagem.

No mesmo ano, em uma noite movimentada, encostados à grade, os meninos da Getúlio Vargas conseguiram abrir um pouco as barras de ferro e acessar o brinquedo conhecido como Cavalinho pela alargada brecha do gradil. O primeiro a entrar clandestinamente, Geraldo Filho, montava alegremente em um dos animais de madeira, quando Fernando alertou:

- Geraldo, bora voltá, seu irmão Julin ficou com cocão inganchado na grade...

* Parque de diversões que, junto com o Parque Lima, por várias décadas, montou seus brinquedos em Várzea Alegre.

Colaboração: Júlio Bastos Leandro

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Lembrando desfile MIS - Memória Varzealegrense


MUNDIM  NA  ALA  DOS  POETAS.

A nossa ala foi nomeada de ala dos poetas. Melhor teria sido ala dos Souzas, porque tinha quarenta por cento de Sousas poetas; Nonato Souza, Cláudio Souza e Souza Sobrinho.

Eu fiquei ao lado da poetisa Claude Bloc, fazendo assim mais um contraste da nossa cidade. Eu até falei para a poetisa que aquela situação causava uma desarmonia para a nossa ala, mas ela muito brincalhona disse que estava alí para me oferecer segurança. Eu ainda questionei o desequilíbrio da altura e ela me disse que eu fosse pegar as pernas de paus do palhaço para equilibrar.

Para piorar a situação, uma prima minha invadiu a avenida gritando:
- Ei Mundim! Tí Pedo sabe qui tu tá pinotando carnaval no mei do povo grande?
Na parte da frente onde estavam os Souzas, eu verifiquei que Nonato avançava e Souza Sobrinho recuava, causando uma distorção. Abordei Sousa dizendo:
- Sousa vocês estão acabando com a escola, você tá desfilando na divangoê e Nonato na divangoá.
Souza reagiu me perguntando:
- E o que é divangoê e divangoá?
- Vá perguntar a Claude Bloc ou a Fafá Bitu, que eu não sei não.
Na chegada da lagoa o poeta Sávio botou a viola no saco e foi embora. Em seguida Cláudio, Nonato e Souza fizeram a mesma coisa. Depois foi a vez da poetisa.

Só eu foi que não botei a viola no saco, fiquei com a escola até o dia seguinte, quando fomos levar os carros alegóricos da lagoa até o barracão dançando samba.
No próximo carnaval eu não quero desfilar mais não. Só assim eu vou poder ver a minha escola na sua total beleza.

Parabéns para a diretoria e os integrantes da M.I.S.

domingo, 14 de setembro de 2014

Nossa Gente - Memória Varzealegrense

Varzealegrense aprovada em seleção vai estudar em Portugal



Ex-aluna da EEFM José Correia Lima e atual aluna do terceiro semestre do curso bacharelado em Sistemas de Informação pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - Campus Crato, natural de Várzea Alegre, local de onde se desloca diariamente de ônibus para campus universitário, filha do casal  de agricultores , Jair Silva e Vanuza Morais, Jayne de Morais Silva tem 18 anos, reside no sítio Jatobá, Distrito de Canindezinho da nossa cidade e embarcará em setembro para estudar durante o período setembro/2014 à fevereiro/2015 no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), em Bragança, Portugal, através do programa de bolsas IFCE Internacional!

Jayne consegui esse feito através do IFCE – Internacional;  O Programa de Bolsas Internacional que visa consolidar a internacionalização do IFCE, propiciando a interiorização destas ações, bem como oportunizar a participação de alunos de diferentes níveis de ensino, oportunizando a participação de discentes do ensino técnico cuja oferta para mobilidade internacional é quase inexistente.

A fim de intensificar as atividades já desenvolvidas com instituições de ensino estrangeiras parceiras do IFCE, os discentes selecionados pelos editais serão enviados para cursar um semestre acadêmico nessas instituições.

Jayne concorrendo para apenas duas vagas fora aprovada em segundo lugar com nota 6,15 ela preencheu todos os requisitos necessários para ingresso na seleção e apresentando a  documentação necessária para o referido fim.

                             CAMPUS CRATO – PORTUGAL (2 VAGAS)

ORDEM   CANDIDATO                                        PF1    IDIOMA       STATUS
1°      MOISÉS JORDAN SARAIVA DE SOUZA   6,88   Português   APROVADO

2°      JAYNE DE MORAIS SILVA                        6,15   Português   APROVADA

Fonte: Várzea Alegre - Coisa Nossa

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Versos Lá de Nós - Memória Varzealegrense

GALOPANDO  COM  O SÁVIO.

Galopando na glosa do Sávio Pinheiro
Vou viajar  na metade desse velho mundo,
Vou na festa do meu Santo São Raimundo
Pagar a promessa no pé do cruzeiro.
Vou levar João Bitu como parceiro
Ele sendo o mestre e eu  aprendiz,
Milton Bezerra será o juiz
E não tem ninguém que o conteste.
DAS  CIDADES  DO  MEU  SECO NORDESTE
VÁRZEA  ALEGRE  TEM  O  POVO  MAIS  FELIZ.

Se alguém duvidar do que eu digo
Vá na Várzea conhecer a nossa gente,
É um povo gentil e bem contente
Trata bem o visitante e o amigo.
Cada casa da cidade é um abrigo
Onde até o contraste se contradiz,
Pois a nossa fé é mantida na raiz
Com a santa divina proteção celeste.
DAS  CIDADES  DO  MEU  SECO  NORDESTE
VÁRZEA  ALEGRE  TEM  O  POVO  MAIS  FELIZ.

Zé Felipe dizia no passado
Que o sobrado ficava no oitão
Que houve guerra mas não morreu cristão
Que o nosso vigário era casado.
Que as águas do Riacho do Machado
Eram bentas pelo padre da matriz,
Mas na hora de chegar no chafariz
A danada da água não passou no teste.
DAS  CIDADES  DO  MEU  SECO  NORDESTE
VÁRZEA  ALEGRE  TEM  O  POVO  MAIS  FELIZ.

Mundim do Vale.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Datas importantes - Memória Varzealegrense

DATAS QUE FIZERAM HISTORIA - Por Antonio Morais


1.718 
Chega em Várzea-Alegre o alferes Bernardo Duarte Pinheiro. Aquilo tudo, por ali, era mata virgem, um entranhado de sabiá, jurema, catingueira, mofumbo, juazeiro e outros pés de pau. Iniciava-se o que depois veio a ser povoado, vila e cidade.

1.788
Casaram-se Raimundo Duarte Bezerra, papai Raimundo e Teresa Maria de Jesus. Desse casal descende grande parte da população do município.

1.823.
Morre Maria Teresa de Jesus, mulher de fé  fervorosa e devota de São Raimundo. Tombou morta ao receber a noticia do nascimento de seu primeiro netinho, pegá-lo nos braços e dar um retumbante viva a São Raimundo.

09 de Fevereiro de 1.832.
Várzea Alegre pertencia a Lavras da Mangabeira, houve rigoroso inverno e, as tropas de Pinto Madeira e do padre "Benze Cacetes" se encontram com as tropas legalistas do Governo do Estado José Mariano de Albuquerque Cavalcanti, na região do sítio Periperi, deixando mais de 200 mortos e muitos presos, inclusive Pinto Madeira.

1.852.
Se ordena o Padre José Pontes Pereira, filho de família do Assaré. Radicando-se em Várzea-Alegre sendo o primeiro capelão do povoado.

02 de fevereiro de 1856.
É inaugurada a primeira capela de Várzea-Alegre pelo Padre Manuel Caetano.

11 de Maio de 1859.
Morre Padre José Pontes Pereira de cólera, doença até então incurável.

30 de Novembro de 1863.
Criação da Paroquia de São Raimundo Nonato, pela lei 1076 emanada de Dom Antônio dos Santos primeiro bispo do Ceara. Padre Benedito de Sousa rego foi o primeiro padre.

10 de Outubro de 1870.
A lei provincial cria o município de Várzea-Alegre desmembrado-o  de Lavras da Mangabeira.

14 De Junho de 1910.
Nasceu no Sítio Lagoa dos Órfãos, no Sopé da Serra dos Cavalos Padre Antônio Batista Vieira, uma de nossas maiores inteligências. 

24 de Outubro de 1911 
O coronel Antônio Correia prefeito do município representa Várzea-Alegre na reunião denominada Pacto de Juazeiro. Movimento  liderado por Padre Cicero para fortalecer a região.

21 de Novembro de 1912.
Nascia em Várzea-Alegre o Jornalista Joaquim Correia Ferreira.

1915.
Se forma  em medicina, pela universidade da Bahia o primeiro filho de Várzea-Alegre Dr. Leandro Correia.,

05 de Novembro de 1922.
Padre José Alves de Lima casa Maria Firmino e Bil além de mais 21 casais.

11  de Março de 1926.
Maria  Firmino é assassinada pelo marido.

10 de novembro de 1926.
Conflito armado entre os aliados de Antônio Correia  e grupos políticos de oposição, que durou cerca de quatro horas, fato conhecido como "A Guerra de 26". O prefeito era Coronel José Correia Lima, eleito pelo  voto popular.

1928.
Padre José Ferreira Lobo inicia os trabalhos de demolição da igreja edificada em 1904 e inicia a construção do atual templo.

20 de maio de 1931.
O então Governo Provisório Manuel Fernandes Távora assina o decreto 193 extinguindo o Município de Várzea Alegre e anexando-o ao município de Cedro, tal medida seria para humilhar os "Correias".

04 de Dezembro de 1933.
O município é restaurado pelo decreto 1.156 de 1933.

08 de Dezembro de 1936.
Se forma em medicina o segundo filho de Várzea-Alegre  Dr. José Correia Ferreira.

20 de Janeiro de 1957.
É construída por José Alves de Oliveira, Zé Pretinho, uma capela  onde Maria Firmino foi assassinada por Bil.

04 de Outubro de l971.
Falece o Jornalista Joaquim Correia Ferreira.

15 de abril de 1977.
Numa noite de chuva, a torre da matriz de São Raimundo desabou, causando comoção aos devotos e católicos de nossa cidade, tornando-se um dos fatos mais marcantes na memória do nosso povo.

02 de dezembro de 1997.
Várzea Alegre foi surpreendida com o primeiro assalto a banco em nossa cidade, deixando a cidade em pânico e assustada. O episódio teve um final desastroso, na fuga os bandidos mataram o gerente do Banco do Brasil Manoel Daniel da Silva, a mando do bandido José Adauto Lima de Souza, conhecido como Zé Roberto, 37, já assassinado no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS , junto com o irmão Cairo Lima de Sousa em julho de 2006 ).

19 de abril de 2003.
Morre aos 93 anos de idade o Padre  Antônio Batista Vieira.

16 de Fevereiro de 2004.
Várzea Alegre amanhece isolada do restante do pais. Todas as vias interrompidas pelo desabamento de duas pontes na BR-230 Cachoeira Dantas e São Cosme, portanto antes e depois da sede do município, e a Ponte dos Grosso na estrada do Algodão). 

A cidade amanheceu sem energia, telefone, celular, internet, e a população em pavorosa com medo do Açude Olho D'água viesse a romper a parede, que chegou a faltar poucos centímetros para transbordar.

O açude sangrou pela primeira e única  vez, causando a maior enchente do Riacho do Machado nos últimos 100 anos.

Fonte: Blog do Sanharol

Nossas Histórias - Memória Varzealegrense

873 - ELEGÂNCIA DA CAPITAL (Republicado em homenagem aos 100 anos de nascimento de minha avó Maria Amélia)

No início do século passado, como em todas as pequenas cidades, Várzea Alegre vivia em completo isolamento. Os velhos e tradicionais hábitos só sofriam abalo quando alguns raros visitantes traziam novidades da moda ou do comportamento.

Na década de vinte, minha avó Maria Amélia e suas amigas se impressionaram com uma jovem que chegara de Fortaleza. Além de usar belas roupas e calçados modernos, a moça andava de uma forma nunca vista pelo interior cearense.

Não tardou para que minha vó e todas as amigas copiassem a original maneira de caminhar da visitante. Rosa Gonçalves, conhecida como “Dosa”, ao ver sua filha com uns passos estranhos, perguntou:

- Maria Amélia, por que você tá andando assim?
- Mamãe, agora na capital as moças andam desse jeito. A senhora não viu a menina que veio de Fortaleza?
- Minha filha, aquela moça levou uma queda da rede e ficou manca. Cachinga desde pequena.

Colaboração: Terezinha Costa Cavalcante

Memorial Joaquim Sátiro - Memória Varzealegrense

Família inaugurará Memorial Joaquim de Sátiro, na Boa Vista, sábado, dia 09 de Agosto



Várzea Alegre ganhará no próximo dia 09 de agosto o Memorial Joaquim de Sátiro, um projeto idealizado e concretizado neste ano pelos descendentes do homenageado. No próximo sábado, convidados, amigos e familiares da família Sátiro, participarão de uma missa que será realizada no próprio local, no alto da serra da Boa Vista, na Sede Rural, a cerca de 5km de Várzea Alegre, às 16h30min, pelo padre José Mota Mendes, na intenção da alma de todos os familiares que já não estão mais entre nós, além de celebrar, em Ação de Graças, os 80 anos de Nicolau Sátiro, tendo logo após, a bênção do Memorial Joaquim de Sátiro.


O projeto nasce da mobilização do médico Carlyle Aquino, e traz à luz da história de Várzea Alegre um de seus nomes mais importantes. Para medir sua importância para a nossa gente, basta dizer que Joaquim de Sátiro, nascido no ano de 1900, foi o pai de Dr Pedro Sátiro, por quem este tem deveras veneração, em razão do caráter e dos princípios que lhe foram repassados por aquele, ainda quando criança, mas que se fazem presentes até hoje em suas atitudes diante da vida. Imagino que Dr Pedro Sátiro esteja realizando um grande sonho, e talvez para ele, o mais importante, que é o de perpetuar o nome de seu pai, suas raízes, seu passado, rico em histórias e contribuições concretas para a nossa cidade.

O acervo do Memorial Joaquim de Sátiro

Várzea Alegre passa a ter, a partir da inauguração deste memorial, um pedaço da sua história transformada em realidade. O projeto pioneiro na área cultural, servirá como ponto de visita para alunos, estudiosos, escritores e mesmo para leigos que queiram saber mais sobre a história de Várzea Alegre, já que Joaquim de Sátiro foi um daqueles desbravadores do sertão, que deram muito das suas vidas para transformar esta cidade no que ela é hoje. Os cômodos da casa foram divididos entres os familiares, para que cada membro possa contar a sua própria história, ressaltando os relevantes serviços prestados por eles à sociedade, sempre tendo como ponto de referência o patriarca Joaquim de Sátiro, cuja história ficará na parte central da casa, bem na sala de visitas.

Dr Carlile Aquino, hoje um dos médicos mais ilustres da família, fez questão de preservar todos os traços originais da casa onde morou seu avô e que foi totalmente reformada. Para ser fiel ao projeto original, o médico contou com o apoio de toda a família, inclusive, graças a este auxílio, foi possível reaver peças do mobiliário do seu avô, que estavam espalhadas entre as diversas residências da família, desde à época da sua morte. Também é importante lembrar que a casa, agora memorial, está situada próximo ao marco zero do grande açude de Várzea Alegre, obra iniciada no de 1919, pelo governo federal, e que foi abandonada no ano seguinte. Portanto, o lugar tem uma forte ligação com a própria história de Várzea Alegre.

Dr Carlyle espera que o gesto da família Sátiro possa ser imitado por outras famílias tradicionais de Várzea Alegre, no sentido de recuperar e divulgar a história de seus antepassados, valorizando as suas origens. Ele acrescenta que acha inviável esperar que o poder público tome iniciativas como esta, uma vez que a burocracia e as dificuldades para conceber e manter um projeto dessa natureza são enormes.

História de Joaquim de Sátiro


Joaquim Alves de Oliveira (Joaquim de Sátiro) nasceu em 01 de julho de 1900, no Sítio Boa Vista, Várzea Alegre, Ceará, filho de João Alves de Oliveira (João de Sátiro) e de Ana Gonçalves de Morais.  Cresceu acostumado aos trabalhos da agricultura e pecuária sertanejas.

Casou-se com Maria Bezerra de Morais, em 05 de novembro de 1922, na Matriz de São Raimundo Nonato. Em 1925, decidiu construir esta casa de morada, e assim o fez, no alto de uma serra de difícil acesso, mas de belíssima vista. Aqui tiveram seis filhos: Luiza, João, Pedro, Elizeu, Nicolau e Estevam. Também adotaram outros três: Rita, José e Raimundo.

Com seu trabalho, Joaquim prosperou e comprou terras e gados. Fez patrimônio, sem esquecer o mais importante: conquistou respeito, fez inúmeros amigos, teve centenas de compadres e afilhados, além de fazer de sua casa ponto de rancho para muitos que viajavam por estas bandas.

Em 1949, tomou uma decisão que repercute até hoje para o bem da cidade de Várzea Alegre. Encaminhou um de seus filhos, Pedro Sátiro, já aos 19 anos, para estudar fora. Sonhava que ele voltasse a nossa terra e servisse a sua família e ao nosso povo, como médico.

Em 1962, Dr. Pedro retornou e, até hoje, vem servindo a esta cidade como médico, além de ter conquistado, junto ao povo varzealegrense, três mandatos de prefeito, num total de 14 anos dirigindo os destinos da nossa terra. No mesmo ano de 1962, Joaquim de Sátiro trouxe do Sítio Bravas – Cariús, para morar em sua casa, um sobrinho seu, Raimundo Sátiro, de 17 anos, para iniciar seus estudos. Este acabou sendo adotado por Dr. Pedro, seguiu seus passos e também serve a esta terra como médico.

Em 02 de abril de 1964, Joaquim de Sátiro perdeu Dona Maria e ficou viúvo. Casou-se novamente, em 16 de maio de 1965, com Dona Raimunda Gonçalves da Costa e teve com ela mais quatro filhos: Ana, Maria Luiza, Regina e Elano.

Em 1972, descobriu a doença que o consumiu rapidamente, após muito sofrimento. Perto de morrer, chamou seu filho Pedro, e lhe fez dois pedidos: que ele e seus irmãos pagassem um empréstimo feito em seu nome, para que este jamais fosse protestado em cartório; e que mesmo depois de sua morte, Padro jamais abandonasse seus irmãos, especialmente os mais novos, que ficariam sem pai, ainda muito pequenos.

Joaquim de Sátiro morreu em 05 de agosto de 1972 e foi sepultado em Várzea Alegre, no Cemitério da Saudade, mas deixou sua marca viva na memória de seus descendentes e amigos: o exemplo de honestidade, disciplina, perseverança, amor ao trabalho e devoção à família.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

AQUI  MORA  À  ALEGRIA.

Várzea Alegre, Terra minha
De cultura e diversão,
Que se vê no Barracão
Dança de Toka e Tokinha.
Antigamente não tinha
A boa secretaria,
Nem Cláudio Souza fazia
O que está fazendo agora,
Na cidade que adora
ONDE  MORA  À  ALEGRIA.

Estou na minha cidade
Onde me sinto contente,
Pra rever a nossa gente
E matar minha saudade.
Me sinto muito à vontade
De vê esta sinfonia,
Da salva do meio dia
No lugar onde morei.
Não sei porque me mudei
DE  ONDE  MORA  À  ALEGRIA.

Alegre pela Grandeza
Da sua gente animada,
Na salva da madrugada
A gente vê a beleza.
Várzea Alegre é natureza
Um ébrio sempre dizia,
Todo dia que bebia
No boteco de André:
- Eu afirmo e bato o pé
AQUI  MORA  À  ALEGRIA.

Vem gente do Juazeiro,
De Icó, de Iracema,
De Canindé, Madalena,
Jaguaribe e Limoeiro.
A festa do padroeiro
É um local de magia,
Já virou minha mania
Em Várzea Alegre passar,
Porque esse é o lugar
ONDE  MORA  À  ALEGRIA.

Eu já tirei um retrato
No batente do Cruzeiro,
Dei esmola em dinheiro
A São Raimundo Nonato.
Com Cláudio já fiz um trato
De ler essa poesia
Da minha própria autoria
Para esse povo meu,
Que nasceu e que viveu
ONDE  MORA  À  ALEGRIA.

Mundim do Vale.
V. Alegre-Ceará.

Nosso Futebol - Memória Varzealegrense

01 - Time da Boa Vista 1962

Joaquim Inácio (Técnico) André Bitu, Estevão, Paulinho Bitu, Antão de Raimundo Teté, Antão de Manezinho. Ana de Vicente Bitu (rainha). Agachados: Chico Rocha, Nicolau Sátiro, Bilé, Chandoca, Zé de Celso Mandu e Zé de Manelzinho.

domingo, 3 de agosto de 2014

PIRATA DO RIACHO DO MACHADO - Por MUndim do Vale.


                                                          O Papagaio é do primo Luis Lisboa.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

O BARRACÃO É NOSSO.

Barracão “ Souza Sobrinho “
Homenagem merecida
Para quem deu sua vida
A cultura com carinho.
Souza fez o seu caminho
Com microfone na mão
Nas quadrilhas de São João
E onde houvesse um festival.
É UM DESCASO CULTURAL
EXTINGUIR  O  BARRACÃO.

Falou uma criatura
Não sei se por brincadeira,
Mas disse que é uma feira
O Barracão da Cultura.
Eu sei que a essa altura
Tem muita especulação,
Mas quem resolve a questão
É a gestão municipal.
É UM DESCASO CULTURAL
EXTINGUIR  O  BARRACÃO.

Queria que fosse engano
Essa absurda proposta,
Acho que Giovani Costa
Tá errado no seu plano.
O Barracão todo ano
Faz aquela animação,
Numa determinação
E o povo dar o aval.
É UM DESCASO CULTURAL
EXTINGUIR  O  BARRACÃO.

Não consigo acreditar
Na falta daquele espaço
E o apelo que faço
É manter e conservar.
O Barracão é  o lugar
De mostrar o artesão,
O artista da região
No setor artesanal.
È UM DESCASO CULTURAL
EXTINGUIR  O  BARRACÃO.

Na festa do padroeiro
O Barracão tá presente
Com a turma de penitente
E dupla de violeiro.
Festival de sanfoneiro
Na disputa do baião
É o motivo e a razão
Para ser fundamental.
É UM DESCASO CULTURAL
EXTINGUIR  O  BARRACÃO.

A dupla que toma conta
É Cláudio e Carlos Maurício,
Eles fazem um sacrifício
Para a festa ficar pronta.
Eu acho até uma afronta
De quem fala em extinção,
Ou que faz comparação
Com o recreio Social.
É UM DESCASO CULTURAL
EXTINGUIR   O  BARRACÃO.

Mundim do Vale.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Raimundo Lucas - Ana Camila (neta)

Raimundo Lucas - Ana Camila (neta)

Só tenho a agradecer por ter tido a oportunidade de conviver com alguém que apesar do pouco estudo era dotado de um inteligência absurda e escrevia de uma forma da qual jamais conseguirei me igualar. Foi trabalhador rural, sindicalista, poeta, violeiro, pai, amigo, MEU AVÔ, um ser humano que mesmo com todos e tudo contra nunca deixou de lutar em favor dos ruralistas. Homem íntegro que se hoje vivo fosse estaria completando 100 anos de idade.
Contemplo-vos com uma das muitas poesias escritas por ele:

Percorri alguns Estados
Municípios e Distritos
Vi muitos velhos aflitos
Do povão desamparados
Além de faltar calçados
Faltava roupa e comida
Cabelo e barba crescida
Cheios de constragimentos,
Foi um dos meus sentimentos
Nas voltas da minha vida

Com outros a mim iguais
Pensei nos santos princípios
De criar nos municípios
Os sindicatos rurais.
Eu aqui sofri demais 
não sei nem como escapei
Na vida me perturbei
Em diversos sacrifícios,
Pra defender meus patrícios
Muito trabalho encontrei

Já hoje eu vejo o velhinho
Com o seu dia marcado
Pra receber seu trocado 
Embora seja pouquinho
Mas para o velho sozinho
Sobra da roupa e comida
Eu nada ganhei na vida
Por tudo aquilo que fiz
Mas irei morrer feliz,
Agradeço a Deus a lida

Na dimensão fundiária
Quem tinha um palmo de terra
Contra mim fazia guerra
Devido a reforma agrária
Nesta tese doutrinária
Escrevi e propaguei 
E aos sem terra cheguei
Na última etapa da vida
Agradeço a Deus a lida
Pois a lida é minha lei.

Raimundo Lucas Bidinho 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

NOSSA RUA INESQUECÍVEL PASSEANDO NO MEMÓRIA - Por João Bitu.


NOSSA RUA INESQUECÍVEL


A Rua Major Joaquim Alves em Várzea-Alegre, tinha início junto à Usina Primo na entrada da estrada que leva ao curso do Machado, conduzindo aos Grossos através de um longo e estreito corredor alagado durante o período chuvoso, ladeado por cercas de arame farpado. À esquerda fica a Praça Santo Antônio e ao lado direito a Bethânia, por cujo bairro acessa a cidade toda aquela gente procedente das Carnaúbas e de tantos outros sítios ao leste do Município.
A rua ali começava e numa ligeira subida até a bodega famosa de ZEBITU, tinha pela frente um monte não muito grande chamado Alto dos Silvas, pequeno trecho de rua onde foi construída a Capelinha de São Francisco, habitado em sua maior parte pela família Frutuoso, gente bastante estimada na localidade.

A Major Joaquim Alves tendo de em lado a Usina Diniz e do outro a renomada Mercearia de Zebitu, prosseguia rumo ao Centro, em perfeito alinhamento, abrigando famílias ilustres e bem relacionadas. A majestosa Igreja de São Raimundo Nonato, tinha em frente uma pracinha simples, cuja beleza natural era ofuscada pelo esplendor da Igreja Matriz. A casa Paroquial era situada na esquina da praça que por uma estreita rua ia findar na Lagôa de São Raimundo Nonato, próxima ao bairro Vazante de saudosa recordação.

Reiniciava-se o trajeto e sempre portando belas residências ia parar junto à Praça Velha, cortada pelo Beco de Gobira ( hoje ZÉ Clementino merecidamente), tendo em frente um antigo prédio onde funcionaram os estúdios da Amplificadora “A VOZ DE VÁRZEA ALEGRE”, órgão de reconhecida utilidade pública, notadamente, para a nossa juventude. Este lado da Rua prosseguia até a loja de Natanael Moreno e, consequentemente, a Praça Nova, hoje conhecida por Praça dos Motoristas. No lado oposto havia em grande escala a existência de Lojas de Tecidos. Desde Zé Rolim até Vicente Moreno e Casa ABC e depois a Farmácia de Hamilton Correia. Aí findava nossa rua. Começavam a Rua do Juazeiro e a Duque de Caxias, também com outras denominações atualmente.

A praça Nova era o ponto de encontro da Juventude, que passeava à noitinha ao som das mais lindas músicas e onde tiveram início grandes romances. Pode-se dizer que aquele local poderia ser chamado o coração da doce terra!

Enfim, ao término da citada rua. estavam as residências do industrial Joaquim Diniz e a do Famacêutico Hamilton Correia, que foi por várias vezes Prefeito da cidade.
Salve Várzea-Alegre, salve nossas pracinhas, salve o lugar que foi o berço de nossas existências. Muita coisa poderá ser mudada, mas não mudará jamais o nosso amor por aquelas plagas abençoadas, donde ausentes estamos por força do destino, mas apenas fisicamente, porquanto, os nossos corações alí permanecem para sempre fincados.
DEUS assim nos conservará!

João Bitu

sábado, 19 de julho de 2014

2014 - CENTENÁRIO DO POETA “BIDIM” - Liduína Sousa

2014 - CENTENÁRIO DO POETA “BIDIM”

LIDUINA DE SOUSA (Academia Varzealegrense de Letras)
PRESTA UMA HOMENAGEM AO PATRONO DA CADEIRA - Nº 03 

Ao meu patrono, eu dedico
Com carinho, honra e tudo
Pois escolhi, entre muitos
Para fazer meu estudo
Lendo a obra, já gostei
E por isso a organizei
Em forma de um escudo

Apresentarei uns versos
Bagunçando gestos meus
Fazendo a literatura
Com ilustres traços seus
Quem dera ser comparados
Uns versos tão mal rimados
Quando se trata dos meus.

Faço valer minha história
Consagrada em homenagem
Que tento fazer agora
Com as letras da imagem
Desenhadas no papel
De antologia e pincel
Com ousadia e coragem

É ousadia e coragem
Eu querer rimar assim
Fazendo uma poesia
Pro meu patrono Bidim
Que tão bem deixou a rima
Metrificada em cima
De cada verso “certim”

Quando se explora a cultura
Eu vejo que é infinita
Pois Bidim tratou a rima
De forma bem erudita
E fez verso em perfeição
Tendo escolarização
Apenas na forma escrita.

Nascido no sitio Chico
E trabalhando na roça
Bidim se fez consagrar
De forma tão clamorosa
Que sua literatura
Não se tornou imatura
Ficando até bem famosa

Um tributo a Bidinho
Faço-o com muito apreço
Embora não tenha tido
Convívio, só endereço
Mas ao ouvir falar
Dele eu me fiz gostar
E por isso, eu agradeço

Vindo de família humilde
Começa a biografia
Postulado em sua fama
Crescendo dia após dia
Filho de agricultor
Fez-se gênio e doutor
No alvo da poesia

Agradeço a ocasião
Que tive para escrever
Sobre a biografia
De um ícone, a dizer
Nas páginas dessa cultura
Que se fez na criatura
De Bidim, até morrer

Até morrer, foi notável
E continua assim
Um simples vocabulário
Identifica Bidim
Consagrado na história
E registrado em memória
Um patrono para mim

É patrono para mim
Em amiúde e alegria
Pois com gesto, jeito e rima
Conquistou-me em simpatia
E agora com emoção
Vejo que minha atenção
É desmonte em poesia.

No cerne da poesia
Consagrou-se a perfeição
Ele fez versos rimados
Com a metrificação
Dando lição a poeta
Numa linguagem inquieta
É alvo de atenção.

Foi mestre dessa ação
Com pura simplicidade
Seu período de estudo
Não teve longevidade
Mas o pouco que estudou
A escrita o consagrou
E lhe deu posteridade

Embora sendo humilde
Muito fez a relutar
Com seu gesto de amor
Insistiu em trabalhar
E sua dignidade
Foi a maior vaidade
Que se ergueu no seu lar

Quão tamanha é minha honra
Em levantar a bandeira
Do meu ilustre poeta
Que fez versos de primeira
E deixou para a família
O posto na Academia
Por ser dono da Cadeira

sábado, 12 de julho de 2014

Versos Lá de Nós - Memória Varzealegrense

CONVERSANDO  NA  VAZANTE - MUNDIM DO VALE

Vazante bairro padrão
Referência da cidade,
Eu vim matar a saudade
Do Riacho do Feijão.
Vazante de Damião,
Zé Raimundo e dona Ana,
Do mel da italiana
Colhido nas capoeiras.
Vazante das brincadeiras
No tronco da cajarana.

Vazante que pastorei
Passarinho no Roçado,
Vazante que preaquei
No Riacho do Machado.
Vazante que fez reizado,
Fez queimada de caieira,
Batizado de fogueira
E terço de penitente.
Vazante que a sua gente
É católica verdadeira.

Vazante. Eu estou aqui
No lugar que me criei,
No teu riacho eu pesquei
Peixe espada e cangati.
Aqui na rua Iracy
Foi meu cantinho legal
E o lugar especial
Foi a calçada da fama,
Onde eu avistava a grama
Da Arena Juremal.

Mundim do Vale.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Estranha receita - Memória varzealegrense

Fonte: Diario do nordeste / caderno 3 - Batista de Lima
Estranha receita

Dr. Lemos se formara em Medicina na Bahia. No Ceará, não formavam ainda médicos. Só criaram o curso na década de 1950. Persistente, no entanto, o velho Tomaz de Lemos, seu pai, botou na cabeça que tinha que formar um filho na ciência de Hipócrates. E lá vai o rebento se largar da vilazinha, ruída pelo esquecimento, distrito de Lavras, em busca de estudos em Salvador. E se foi, e se formou. Voltou à sua São José que depois virou Mangabeira, com um anel no dedo e montado em sonhos de salvar vidas. Foi o primeiro médico do lugar. Coisa de deixar muitos de queixo caído.
Todos os fazendeiros da região queriam ver uma filha casada com aquele bom partido. Ele, no entanto, foi se engraçar de moça da cidade vizinha, Várzea Alegre. Moça bonita, prendada, logo, logo, São Raimundo, padroeiro, estava purificando o enlace. Foi assim que o novo médico, guiado pelo amor, viajou com malas e cuias os 20 quilômetros que separam as duas comunas e botou consultório na vizinha cidade. Por lá, ficou a vida toda em salvação de doentes e construindo exemplar família.
Clínico geral, Dr. Lemos curava de espinhela caída a constipação, de ferida braba a úlcera estomacal, sem contar centenas e centenas de partos assistidos e alguns cesarianos quando outro jeito não havia. Ficou quase tão famoso quanto o santo padroeiro, a tal ponto de ser assediado pelo olho grande da política, coisa que rejeitou em nome da salvação dos corpos e lenitivo das almas. Era médico para todas as situações e o povo passou a ter São Raimundo na matriz e Dr. Lemos na receita.
Gostava de fazer seus passeios pela manhã, a pé, em nome da saúde e da saudade, a observar aqueles baixios de arroz que circundavam a cidadezinha. Também apreciava o canto dos passarinhos, que de tão forte, deu nome à cidade, Várzea, dos arrozais; Alegre, dos passarinhos. Nessas andanças matutinas, dava conselhos de saúde, aconselhava dietas e até recomendava visitas a seu consultório quando o caso era grave. O povo do lugar tinha certa veneração pelo seu trabalho.
Numa certa manhã, ao passar frente à casa de pequeno agricultor, foi interpelado pelo morador cuja mulher padecia de moléstia que as meizinhas não tinham resolvido. Antes de ver a doente que estava ainda se compondo no quarto do casal, foi presenteado com um jerimum vingado no quintal e uma xícara de precioso moca pilado na rapadura e acrescido de algumas sementes de manjerioba nascida no terreiro. Aquele café pretíssimo, forte e fumegante foi ingerido pelo médico muito mais por educação.
Finalmente liberada a alcova para ingresso e vistoria da doente, verificou-se que o caso era de gravidade. Não adiantava mais chá de quebra-pedra, casca de aroeira, nem gemada de ovo de galinha do terreiro. Era caso urgente de medicamento de farmácia. Era caso que ainda tinha jeito. Difícil, no entanto, era levantar aquela senhora de sua cama e levá-la ao pequeno posto de saúde do lugar. Tinha que salvá-la ali mesmo, com medicamentos fortes.
Dr. Lemos como andava desprevenido de papel e lápis, pediu ao marido da doente que lhe fornecesse material para que fosse lavrada a receita. Pediu o papel, mas não havia papel naquela casa. Também não havia lápis nem caneta. Difícil estava de escrever uma receita para que o marido fosse comprar o remédio na farmácia. Diante de tão constrangedora situação, já com o dono da casa devidamente encabulado, o nosso médico teve inusitada ideia.
Havia uma janela encostada à parede, pronta para ser posta no seu lugar, coisa que estava sendo feita pelo dono da casa na chegada do médico. Dr. Lemos vendo aquela janela nova e plana, pediu ao seu anfitrião um pedaço de carvão do seu fogão a lenha, o que foi providenciado com rapidez. O médico inclinou-se, e ali mesmo, na frente da família, escreveu, nas tábuas, sua receita, para ser levada ao farmacêutico. Daí a pouco o dono da casa sai em busca do centro da cidade com a janela na cabeça à procura do milagroso remédio.
Na farmácia, mesmo assombrado, o balconista só aceitou aquela extravagante receita, porque reconheceu a assinatura do médico. O remédio foi vendido, a janela foi devolvida ao proprietário, e pregada na sua casa, e a mulher escapou da doença. Consta ainda hoje nas memórias da região que aquele foi o único caso de uma receita escrita nas tábuas de uma janela.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

ARRIBA BRASIL! - Por Mundim do Vale.



Eu e o Muchacho Diogo, torcendo pela seleção brasileira, na copa mundial do ano de 1986.
O sombrero foi presente de um torcedor do México, que já estava fora da copa.