VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino.
Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome.
Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país.
Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos.
Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca.
Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais.
Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal.
Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe!
Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza!
E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

NOSSA RUA INEQUECÍVEL PASSEANDO NO MEMÓRIA - Por João Bitu.

NOSSA RUA INESQUECÍVEL

A Rua Major Joaquim Alves em Várzea-Alegre, tinha início junto à Usina Primo na entrada da estrada que leva ao curso do Machado, conduzindo aos Grossos através de um longo e estreito corredor alagado durante o período chuvoso, ladeado por cercas de arame farpado. À esquerda fica a Praça Santo Antônio e ao lado direito a Bethânia, por cujo bairro acessa a cidade toda aquela gente procedente das Carnaúbas e de tantos outros sítios ao leste do Município.
A rua ali começava e numa ligeira subida até a bodega famosa de ZEBITU, tinha pela frente um monte não muito grande chamado Alto dos Silvas, pequeno trecho de rua onde foi construída a Capelinha de São Francisco, habitado em sua maior parte pela família Frutuoso, gente bastante estimada na localidade.
A Major Joaquim Alves tendo de em lado a Usina Diniz e do outro a renomada Mercearia de Zebitu, prosseguia rumo ao Centro, em perfeito alinhamento, abrigando famílias ilustres e bem relacionadas. A majestosa Igreja de São Raimundo Nonato, tinha em frente uma pracinha simples, cuja beleza natural era ofuscada pelo esplendor da Igreja Matriz. A casa Paroquial era situada na esquina da praça que por uma estreita rua ia findar na Lagôa de São Raimundo Nonato, próxima ao bairro Vazante de sudosa recordação.
Reiniciava-se o trajeto e sempre portando belas residências ia parar junto à Praça Velha, cortada pelo Beco de Gobira ( hoje ZÉ Clementino merecidamente), tendo em frente um antigo prédio onde funcionaram os estúdios da Amplificadora “A VOZ DE VÁRZEA ALEGRE”, órgão de reconhecida utilidade pública, notadamente, para a nossa juventude. Este lado da Rua prosseguia até a loja de Natanael Moreno e, consequentemente, a Praça Nova, hoje conhecida por Praça dos Motoristas. No lado oposto havia em grande escala a existência de Lojas de Tecidos. Desde Zé Rolim até Vicente Moreno e Casa ABC e depois a Farmácia de Hamilton Correia. Aí findava nossa rua. Começavam a Rua do Juazeiro e a Duque de Caxias, também com outras denominações atualmente.
A praça Nova era o ponto de encontro da Juventude, que passeava à noitinha ao som das mais lindas músicas e onde tiveram início grandes romances. Pode-se dizer que aquele local poderia ser chamado o coração da doce terra!
Enfim, ao término da citada rua. estavam as residências do industrial Joaquim Diniz e a do Famacêutico Hamilton Correia, que foi por várias vezes Prefeito da cidade.
Salve Várzea-Alegre, salve nossas pracinhas, salve o lugar que foi o berço de nossas existências. Muita coisa poderá ser mudada, mas não mudará jamais o nosso amor por aquelas plagas abençoadas, donde ausentes estamos por força do destino, mas apenas fisicamente, porquanto, os nossos corações alí permanecem para sempre fincados.
DEUS assim nos conservará!
João Bitu

sábado, 19 de julho de 2014

2014 - CENTENÁRIO DO POETA “BIDIM” - Liduína Sousa

2014 - CENTENÁRIO DO POETA “BIDIM”

LIDUINA DE SOUSA (Academia Varzealegrense de Letras)
PRESTA UMA HOMENAGEM AO PATRONO DA CADEIRA - Nº 03 

Ao meu patrono, eu dedico
Com carinho, honra e tudo
Pois escolhi, entre muitos
Para fazer meu estudo
Lendo a obra, já gostei
E por isso a organizei
Em forma de um escudo

Apresentarei uns versos
Bagunçando gestos meus
Fazendo a literatura
Com ilustres traços seus
Quem dera ser comparados
Uns versos tão mal rimados
Quando se trata dos meus.

Faço valer minha história
Consagrada em homenagem
Que tento fazer agora
Com as letras da imagem
Desenhadas no papel
De antologia e pincel
Com ousadia e coragem

É ousadia e coragem
Eu querer rimar assim
Fazendo uma poesia
Pro meu patrono Bidim
Que tão bem deixou a rima
Metrificada em cima
De cada verso “certim”

Quando se explora a cultura
Eu vejo que é infinita
Pois Bidim tratou a rima
De forma bem erudita
E fez verso em perfeição
Tendo escolarização
Apenas na forma escrita.

Nascido no sitio Chico
E trabalhando na roça
Bidim se fez consagrar
De forma tão clamorosa
Que sua literatura
Não se tornou imatura
Ficando até bem famosa

Um tributo a Bidinho
Faço-o com muito apreço
Embora não tenha tido
Convívio, só endereço
Mas ao ouvir falar
Dele eu me fiz gostar
E por isso, eu agradeço

Vindo de família humilde
Começa a biografia
Postulado em sua fama
Crescendo dia após dia
Filho de agricultor
Fez-se gênio e doutor
No alvo da poesia

Agradeço a ocasião
Que tive para escrever
Sobre a biografia
De um ícone, a dizer
Nas páginas dessa cultura
Que se fez na criatura
De Bidim, até morrer

Até morrer, foi notável
E continua assim
Um simples vocabulário
Identifica Bidim
Consagrado na história
E registrado em memória
Um patrono para mim

É patrono para mim
Em amiúde e alegria
Pois com gesto, jeito e rima
Conquistou-me em simpatia
E agora com emoção
Vejo que minha atenção
É desmonte em poesia.

No cerne da poesia
Consagrou-se a perfeição
Ele fez versos rimados
Com a metrificação
Dando lição a poeta
Numa linguagem inquieta
É alvo de atenção.

Foi mestre dessa ação
Com pura simplicidade
Seu período de estudo
Não teve longevidade
Mas o pouco que estudou
A escrita o consagrou
E lhe deu posteridade

Embora sendo humilde
Muito fez a relutar
Com seu gesto de amor
Insistiu em trabalhar
E sua dignidade
Foi a maior vaidade
Que se ergueu no seu lar

Quão tamanha é minha honra
Em levantar a bandeira
Do meu ilustre poeta
Que fez versos de primeira
E deixou para a família
O posto na Academia
Por ser dono da Cadeira

sábado, 12 de julho de 2014

Versos Lá de Nós - Memória Varzealegrense

CONVERSANDO  NA  VAZANTE - MUNDIM DO VALE

Vazante bairro padrão
Referência da cidade,
Eu vim matar a saudade
Do Riacho do Feijão.
Vazante de Damião,
Zé Raimundo e dona Ana,
Do mel da italiana
Colhido nas capoeiras.
Vazante das brincadeiras
No tronco da cajarana.

Vazante que pastorei
Passarinho no Roçado,
Vazante que preaquei
No Riacho do Machado.
Vazante que fez reizado,
Fez queimada de caieira,
Batizado de fogueira
E terço de penitente.
Vazante que a sua gente
É católica verdadeira.

Vazante. Eu estou aqui
No lugar que me criei,
No teu riacho eu pesquei
Peixe espada e cangati.
Aqui na rua Iracy
Foi meu cantinho legal
E o lugar especial
Foi a calçada da fama,
Onde eu avistava a grama
Da Arena Juremal.

Mundim do Vale.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Estranha receita - Memória varzealegrense

Fonte: Diario do nordeste / caderno 3 - Batista de Lima
Estranha receita

Dr. Lemos se formara em Medicina na Bahia. No Ceará, não formavam ainda médicos. Só criaram o curso na década de 1950. Persistente, no entanto, o velho Tomaz de Lemos, seu pai, botou na cabeça que tinha que formar um filho na ciência de Hipócrates. E lá vai o rebento se largar da vilazinha, ruída pelo esquecimento, distrito de Lavras, em busca de estudos em Salvador. E se foi, e se formou. Voltou à sua São José que depois virou Mangabeira, com um anel no dedo e montado em sonhos de salvar vidas. Foi o primeiro médico do lugar. Coisa de deixar muitos de queixo caído.
Todos os fazendeiros da região queriam ver uma filha casada com aquele bom partido. Ele, no entanto, foi se engraçar de moça da cidade vizinha, Várzea Alegre. Moça bonita, prendada, logo, logo, São Raimundo, padroeiro, estava purificando o enlace. Foi assim que o novo médico, guiado pelo amor, viajou com malas e cuias os 20 quilômetros que separam as duas comunas e botou consultório na vizinha cidade. Por lá, ficou a vida toda em salvação de doentes e construindo exemplar família.
Clínico geral, Dr. Lemos curava de espinhela caída a constipação, de ferida braba a úlcera estomacal, sem contar centenas e centenas de partos assistidos e alguns cesarianos quando outro jeito não havia. Ficou quase tão famoso quanto o santo padroeiro, a tal ponto de ser assediado pelo olho grande da política, coisa que rejeitou em nome da salvação dos corpos e lenitivo das almas. Era médico para todas as situações e o povo passou a ter São Raimundo na matriz e Dr. Lemos na receita.
Gostava de fazer seus passeios pela manhã, a pé, em nome da saúde e da saudade, a observar aqueles baixios de arroz que circundavam a cidadezinha. Também apreciava o canto dos passarinhos, que de tão forte, deu nome à cidade, Várzea, dos arrozais; Alegre, dos passarinhos. Nessas andanças matutinas, dava conselhos de saúde, aconselhava dietas e até recomendava visitas a seu consultório quando o caso era grave. O povo do lugar tinha certa veneração pelo seu trabalho.
Numa certa manhã, ao passar frente à casa de pequeno agricultor, foi interpelado pelo morador cuja mulher padecia de moléstia que as meizinhas não tinham resolvido. Antes de ver a doente que estava ainda se compondo no quarto do casal, foi presenteado com um jerimum vingado no quintal e uma xícara de precioso moca pilado na rapadura e acrescido de algumas sementes de manjerioba nascida no terreiro. Aquele café pretíssimo, forte e fumegante foi ingerido pelo médico muito mais por educação.
Finalmente liberada a alcova para ingresso e vistoria da doente, verificou-se que o caso era de gravidade. Não adiantava mais chá de quebra-pedra, casca de aroeira, nem gemada de ovo de galinha do terreiro. Era caso urgente de medicamento de farmácia. Era caso que ainda tinha jeito. Difícil, no entanto, era levantar aquela senhora de sua cama e levá-la ao pequeno posto de saúde do lugar. Tinha que salvá-la ali mesmo, com medicamentos fortes.
Dr. Lemos como andava desprevenido de papel e lápis, pediu ao marido da doente que lhe fornecesse material para que fosse lavrada a receita. Pediu o papel, mas não havia papel naquela casa. Também não havia lápis nem caneta. Difícil estava de escrever uma receita para que o marido fosse comprar o remédio na farmácia. Diante de tão constrangedora situação, já com o dono da casa devidamente encabulado, o nosso médico teve inusitada ideia.
Havia uma janela encostada à parede, pronta para ser posta no seu lugar, coisa que estava sendo feita pelo dono da casa na chegada do médico. Dr. Lemos vendo aquela janela nova e plana, pediu ao seu anfitrião um pedaço de carvão do seu fogão a lenha, o que foi providenciado com rapidez. O médico inclinou-se, e ali mesmo, na frente da família, escreveu, nas tábuas, sua receita, para ser levada ao farmacêutico. Daí a pouco o dono da casa sai em busca do centro da cidade com a janela na cabeça à procura do milagroso remédio.
Na farmácia, mesmo assombrado, o balconista só aceitou aquela extravagante receita, porque reconheceu a assinatura do médico. O remédio foi vendido, a janela foi devolvida ao proprietário, e pregada na sua casa, e a mulher escapou da doença. Consta ainda hoje nas memórias da região que aquele foi o único caso de uma receita escrita nas tábuas de uma janela.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

ARRIBA BRASIL! - Por Mundim do Vale.



Eu e o Muchacho Diogo, torcendo pela seleção brasileira, na copa mundial do ano de 1986.
O sombrero foi presente de um torcedor do México, que já estava fora da copa.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Curiosidades: São Raimundo Nonato, padroeiro das mulheres grávidas

A Espanha é o país que mais venera São Raimundo Nonato, lá chamado San Ramón Nonato. As mulheres grávidas são as que mais recorrem a ele. Abaixo, uma das orações mais populares da Espanha, pedindo a proteção de São Raimundo:

Oração para um parto feliz

Oh! santo padroeiro, San Ramon Nonato, modelo de caridade aos pobres e necessitados, aqui estou eu, deitada a vossos pés para, humildemente, implorar a sua ajuda nesta minha necessidade. Como sua maior alegria foi ajudar aos pobres e necessitados da terra, ajude-me, peço-vos, ó glorioso San Ramon, nesta minha aflição. A vós, oh glorioso protetor, vim para que abençoe a criança que carrego em meu ventre. Proteja-me a mim e ao filho do meu coração agora e na hora do nascimento que se aproxima. Em troca, prometo educar meu filho de acordo com as leis e mandamentos de Deus. Escuta a minha oração, meu protetor amoroso, San Ramon, e me faça a feliz mãe desta criança que, espero, possa dar à luz através da sua poderosa intercessão. Amém.

(Tradução e postagem: Armando Lopes Rafael)
Blog do Sanharol

segunda-feira, 16 de junho de 2014

LEMBRANDO LUIS VIEIRA - Por Mundim do Vale.

LEMBRANDO  LUIS  VIEIRA.     

Nós varzealegrenses, lembramos com saudades de Luis Vieira ( Dirrim ) Meu primo Legítimo e irmão adotivo, morou na nossa casa até quando casou com Louzinha.
No ano de 1955, Dirrim e o meu pai plantaram duas tarefas de arroz no baixío da Vazante. Eu ainda com nove anos ajudei na atividade de espantar os pássaros e tirar o mato dos pés de arroz, para assim poupar as colunas do meu pai e de Dirrim.
No ano de 1961, meu irmão Luis Sérgio adoeceu e Luis Vieira aproximou-se da rede onde ele estava.
 A mInha mãe querendo testar a consciência do filho, perguntou:
- Sérgio. quem é esse homem?
Sérgio mais que consciente respondeu:
- Esse daí não é um homem, esse daí é Dirrim.
Depois do casamento de Luis Vieira eu disse uma brincadeira com os dois:
- Quando Dirrim morrer, Louzinha vai chorar dizendo assim:
Oh meu Deus! Morreu Dirrim!
Aconteceu o contrário, Deus levou Louzinha antes de Luis e assim Luis ficou sendo pai e mãe dos seus filhos, que foram muito bem criados.
São boas as lembranças de Luis Vieira.Quem não lembra daquela boa linguiça caseira feita por ele, para servir de merenda nos finais de festas do Recreio Social?

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

VENTO  GENEROSO.

Citar nesse causo, Zé Bitu da Bodega, é para mim motivo de muita alegria, mas ao mesmo tempo um tanto difícil, por não ter como separar a sensatez e o equilíbrio daquele cidadão, das respostas justas paras as perguntas tendenciosas que alguém lhe fizesse.
Pois bem;
As Quatro Bocas é uma localidade na cidade de Várzea Alegre – Ce, onde ficava a usina Diniz e a bodega do meu homenageado. Por ter nas Quatro Bocas como o nome já diz, quatro aberturas, a ventania lá era maior do que em outros lugares.
Os funcionários da Usina Diniz, costumavam ficar a espera das alunas do Colégio São Raimundo, porque naquela passagem o vento levantava as saias das garotas.
Teve um dia que o vento estava mais generoso com os funcionários  e foi aquela festa.
Logo depois da passagem das meninas, Raimundo de Madalena foi comprar cigarros na bodega de Zé Bitu e comentou com o proprietário:
- Ou ventim bom. Né não Seu Zé Bitu?
O Senhor José Bitu com a presença de espírito de que era possuidor respondeu:
- Melhor ainda é pra sacudir arroz.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Recordações - Memória Varzealegrense

Carta de minha Vó - Cândido Rolim

Descontadas as nuanças particulares, lugares, mimos e recomendações hoje talvez inalcançáveis e que envolvem a correspondência de 1952 enviada por Antônia (minha avó) a Glorinha (minha mãe), chama a atenção e ainda me cativa a grandiosidade desse imperativo da derradeira linha – “Sê feliz!”.


“Várzea-Alegre, 21 de junho de 1952
Bôa filha Glorinha,
Deus te abençôe
Recebi tua cartinha que estou respondendo.
Fiquei ciente dos teus dizeres e estou ansiosa pela tua próxima chegada.
Quanto aos dizeres da carta de teu pai com relação ao teu estudo, não te preocupes que bem sabes que são asneiras “daqueles momentos de fraqueza”.
Hôje estou me arrumando para ir para a “Furquilha” e lá esperar-lhe-ei. Deverás descer no “Mocotó” em casa de André.
Se a falta de transporte não puderes vir antes do dia 28, me aguarde pela companhia da Mª de Lourdes que nessa referida data achar-se-á aí afim de fazer uma visita a N. S. de Fátima.
Recebe abraços dos teus manos.
Teu pai te abençôa enviando saudades.
Sê feliz
Tua mamãe – Tonha.”

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Memória e História - Memória Varzealegrense

NOSSA  HISTÓRIA  PASSOU  POR  ESSE  LOCAL - Fátima Bitu

Sinto saudades da calçada da Major Joaquim Alves, as crianças brincando tranquilas na rua, a passagem de Dr. Osvaldo (dentista), Dr. Lemos (médico), as enfermeiras Dona Geni, Dona Ceci e Dona Dulce (ah como eu temia a famosa vacina no posto da praça Santo Antônio!!). 

O educandário Santa Inês, Dona Eliza Correia, o período da Quaresma, a Via Sacra, a matraca, ninguém ouvia o sino tocar, era Semana Santa. 

Meus pais José Bitu e Vicentina recebiam seus afilhados e também levavam a gente para visitar nossos padrinhos. A passagem de Dona Santana do alfinim, o carteiro (hoje não se escreve mais assim), a chegada do ônibus lá em Sr. Zé de Ginu, Sr. José Belo com a revista Cruzeiro, a gente devorava aquela revista, os folhetins com nossas músicas prediletas, nada de televisão, pc, mp3, celular. 

O cine Odeon começava a programação ás 16 horas, então ouvia-se música de qualidade, o locutor anunciava o filme da noite. Os flertes na pracinha, os namorados no cinema, a fogueira de São João, os leilões,a chegada do famoso PARQUE LIMA, a novena, a procissão, a salva, as quermesses, o palhaço da perna de pau anunciando o circo que chegara. 

Não havia shopping, "drive tru", a gente comprava na bodega e anotava na caderneta e todo mundo pagava. Nada de cartão de crédito, Mac Donald. Havia os cafés, os doces, as tertúlias (nada de mp3) era tudo na radiolinha. 

E as serenatas? Até lembro do chiado da agulha no velho long-play de Tim Maia que a gente curtia tanto! A gente tinha bem menos e era bem mais feliz.

Deixo claro aos que não vivenciaram a época que é uma saudade bem minha, ninguém tira e que tenho orgulho da Várzea Alegre moderna. Ninguém me tira essa saudade.

Fátima Bitu

                                      

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Nossas Histórias - Memória Varzealegrense

DOIDOS PITORESCOS DE VARZEA-ALEGRE - Antonio Gonçalo de Sousa

Às vezes fico pensando que no meu tempo de criança as cidades conviviam melhor com os seus doidos (dizem que de louco, todos temos um pouco), já que eles integravam e participavam do dia-a-dia das pessoas. Penso até que o tipo de terapia adotado hoje em dia seja o ideal, e não a reclusão, o internamento, o isolamento da família e da sociedade, como era adotado à época. Contudo, apesar de trágico, a ausência daqueles personagens nas ruas parece deixar uma certa nostalgia. Ou é o sentido masoquista do ser humano que fala mais alto? O certo é que quase não os vemos mais nas ruas; a não ser nós mesmos, os loucos do cotidiano urbano.

Fiquei aqui pensando nos “Doidos” que Marcaram a minha infância e toda aquela nossa geração. Interessante! Foram muitos. Eita! Será que tô no meio deles? Quem sabe! Então comecei a recordar de alguns deles: Afonso Carro, Véio do Jibão, Antônio do Vige (essa era a pronúncia mesmo) Luiza Alexandre, Barba Azul, Anchieta, Antônio André, (esse passou muitos anos confinado, depois recuperou-se. (Ficou bom).   
Afora outros tantos, que passaram por crises, mas ficaram anônimos pelo auxílio imprescindível dos familiares. Inclusive, alguns meus parentes próximos e amigos, que as famílias  chegaram a manter acorrentados em casa mesmo.
  
Do “Antonio do Vige”, apesar de quase nunca tê-lo visto, eu e todo menino, tinha medo. Era, pelo que me lembro, o que nossas mães do Sanharol mais se utilizavam para apaziguar os ânimos exaltados dos meninos sapecas.  As mães mantinham esses personagens como que arquivados na memória, para dispersar a atenção de algum  filho  que fizesse uma traquinagem ou mesmo um pedido “indesejável  e impossível de ser atendido.
“Lá se vem  Antônio do Vige.... Se você não pegar no sono agora mesmo, ele vem lhe pegar”. Era o suficiente para o cabra se safar e fechar logo os olhos com medo do doido aparecer de repente........    
“Chica do Rato”, gritavam os meninos ou até mesmo grandalhões interessados em ver o tempo mudar. “Chica do Rato tá debaixo da saia da tua M...... F. D. P.” respondia ela imediatamente. Saía descendo e subindo calçadas, como que oxigenada pela fúria daquele destempero  que haviam lhe imposto. Mas, também deixava transparecer que se apoderava do apelido para despachar sua insanidade e falta de compreensão do mundo.
“Véio do Jibão”, era descendente da família tradicional que todos conhecemos. Pelo que se sabe, fora acometido por  uma doença na infância (sarampo) e, a partir daí ficou trôpego, falando arrastado e com a visão distorcida (um pouco caraolho). “Fou pekar fossê”. Essa era uma frase emblemática que ele utilizava quando fitava os olhos de qualquer menino que deixasse transparecer que estava com medo dele. Eu, que era more prá xuxu, saia me “pelando”.

O “Barba Azul” era conhecido por sua imensa riqueza. Passava o dia desfilando pelas calçadas de Várzea Alegre, contando as suas dezenas, centenas, milhares  de casas, prédios, terrenos...... Voltava conferindo. da Betânia ao Frejo Velho, do Alto da Prefeitura à Praça Santo Antonio, da Rua do Capim aos Grossos, tudo era dele. Esse, apesar de sua aparência extravagante: cabelos e barba pretos e compridos, roupas supostas umas nas outras e olhar fixo no infinito, não era importunado. Não havia nem alguém para contestar sua riqueza.
  
“Anchieta”, era o louco intelectual. Pelo que se sabe, fora acometido da doença quando estudava no Rio de Janeiro. A inteligência era tanta que, provavelmente tenha se confrontado com a falta de recursos financeiros da família. O seu pai era pobre. Tinha uma pequena oficina de ferreiro bem atrás da Usina de Algodão de Josué Diniz. 
O Anchieta passava horas e horas vagando pelas ruas da cidade. De paletó e gravata, lenço em contraste no bolço, sempre pitando um cigarro. Não falava com ninguém, a não ser com ele mesmo, seu interior, quem sabe, inteiramente confuso. Terminou encarcerado em um pequeno quarto, próximo à oficina do pai. 
Hoje, conheço poucos dessas personagens nas ruas ou nos arredores de Várzea Alegre. Um deles, conhecido por “Suíssa”, tem familiares na Rua Dr. Leandro, mas sua descendência é do Sanharol, mesmo bairro onde eu também nasci e me criei. Inclusive, ainda é meu parente e foi um dos maiores amigos de infância. Ele é magro, cor branca, conversa o que ninguém entende. Aparentemente, deixa transparecer não importunar ninguém. Contudo, uma das estripulias mais utilizadas pelo “Suíssa” é sair às ruas sem roupa. Isso mesmo: totalmente pelado. Dizem que ultimamente também tem se tornado um exímio “paquerador” das mulheres e já chegou até mesmo a importuná-las até na igreja, deixando o padre em apuros.

Antonio GONÇALO de Souza
Sítio Sanharol – Várzea Alegre – CE.

Fonte: Blog do Sanharol

domingo, 1 de junho de 2014

Nosso Vale do Machado - Memória Varzealegrense.

VALE  DO  MACHADO - MUNDIM DO VALE

Nosso verso é uma alusão
No mês dos aniversários,
Aos poetas centenários
Que estão noutra dimensão.
Mas aqui faço questão
De olhar pra outro lado
E deixar bem registrado,
Os poetas que estão vivos
Com seus versos criativos
SOBRE  O  VALE  DO  MACHADO.

Vale que faz alegria
Olhando no calendário
O ano do centenário
De poetas de valia.
Bidim que cantou um dia
Um Martelo Galopado,
Falando do agregado
Que vive sem condição,
Sofrendo pelo sertão
DO  SEU  VALE  DO  MACHADO.

Miguel Ildefonso Lima
Poeta conhecedor,
Que descobriu o valor
Dos astros, na sua rima.
Seu verso foi obra prima
De um poeta estudado,
Que deixou o seu recado
Na cultura popular.
Mas foi preciso deixar
O  SEU  VALE  DO  MACHADO.

Mas pra falar do valor
Não precisa fazer cem,
No Vale teve também
Poeta compositor.
Clementino foi autor
De um hino abençoado
E hoje tá lado a lado
De Deus na eternidade.
Mas sei que ele tem saudade
DO  SEU  VALE  DO  MACHADO.

Lembrar nossos glosadores
É renovar a cultura,
Trazendo a literatura
De poeta de valores.
Mas existem outros fatores
Que precisa ser lembrado,
O fardo é muito pesado
Pra quem tá vivo levar.
Mas um dia eu vou deixar
NOSSO  VALE  DO  MACHADO.

O Dr. Sávio Pinheiro
Tem um propósito de vida,
Sua cidade querida
Tá sempre no seu roteiro.
Devoto do padroeiro
Seu Santo mais venerado,
É um poeta arrojado
E tem o prestígio seu,
Padre Otávio lhe benzeu
COM  AS  ÁGUAS  DO  MACHADO.

Do Vale eu estou ausente
Mas tenho muita lembrança,
Do meu tempo de criança
Brincando muito contente.
Lembro bem daquela enchente
Do rio muito agitado
Que eu tenho sempre  guardado
E vivo sempre a cobrar.
Quero deitar e rolar
NAS  AREIAS  DO  MACHADO.

Mundim do Vale.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Causos lá de nós - Memória Varzealegrense

CARTA  BOA - MUNDIM DO VALE

No tempo em que não tinha agências bancárias em Várzea Alegre, os nossos conterrâneos que trabalhavam em São Bernardo do Campo, enviavam dinheiro para os seus pais, no mesmo envelope que mandavam  e pediam notícias. Quando vinha  um deles de férias, trazia as cartas com o dinheiro.

Hoje em dia eles depositam na Caixa Econômica de São Bernardo e os pais retiram na mesma hora na agência lotérica de Várzea Alegre.
Voltando ao assunto inicial. Certa vez, Chico Bode, Zé Cabeção, Paraíba e João Coco Seco, jogavam for e bata na casa de jogo de Chico Cego, quando João Coco Seco foi tirar uma carta e fez o seguinte ritual. Colocou a mão sobre a carta bem devagar e falou:
- Vou dar um choro.
Quando levantou a carta disse:
- Ou carta boa!
Chico bode respondeu curto e grosso como baga de charuto:
CARTA BOA É AQUELAS QUI VEM DE SUMPALO CUM DINHEIRO DENTO!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O que não foi Contraste em Várzea Alegre - Ceará

O QUE NÃO FOI CONTRASTES EM VÁRZEA ALEGRE – MUNDIM DO VALE

- Zé Branco casar com Branquinha.

- Raimundinho Piau nascer na Lagoa do Arroz.

- Guarda Roupa usar cinco camisas de uma vez só.

- Quinco furtado ter sua carteira roubada duas vezes na festa de São Raimundo Nonato.

- Tontõe Barroada ter sido atropelado.

- Zé Chato ter sido mau humorado.

- Raimundo nobre ser possuidor de nobreza.

- Joaquim vermelho ser corado.

- Punduru morar no Brejinho.

- O motorista Misquece ser distraído.

- Antônio Severo ser rigoroso com a educação dos filhos.

- O mudo Tonico ser irmão de Zé do Mudo.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Versos lá de nós - Memória varzealegrense

Edmundo e o Poeta Bidinho
CENTENÁRIO  DO  POETA  BIDINHO.

Bidinho foi bom poeta,
Foi também do funrural,
Foi classista social
Atuando em linha reta.
Desafiou um profeta
Que resolveu divulgar,
Que os rios iam secar
E não ficava nem lama.
MORRE O HOMEM, FICA A FAMA
DIZ  O  DITO  POPULAR.

Raimundo Lucas Bidinho
Poeta sindicalista,
Defensor dos ruralistas
Fez sua luta sozinho.
Não foi passado em moinho
Mas fez da terra o seu lar,
Local que chegou a fundar
O sindicato sem trama.
MORE O HOMEM, FICA A FAMA,
DIZ  O  DITO  POPULAR.

Era preta a sua cor
Mas claro seu coração,
Respeitava cada irmão
No seu mais puro esplendor.
Instruiu o agricultor
No momento de plantar,
E quando Deus mandou chamar
Não entendeu como drama.
MORRE O HOMEM, FICA A FAMA,
DIZ  O  DITO  POPULAR.

Bidinho fez alusão
Ao trabalhador da roça,
A morada na palhoça
E a batida do pilão.
Bom inverno no Sertão,
O roceiro a semear,
O gado todo a pastar,
Alegre ne verde rama.
MORRE O HOMEM, FICA A FAMA,
DIZ  O  DITO  POPULAR.

Mundim do Vale.

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

PESCADOR  CONTRARIADO.

A pedido do primo Moacir Morais.

Meu caro primo Renato
Não queira fazer intriga,
Nunca vi Bitu com briga
E nem fazendo maltrato.
Seja um pouco mais sensato
Que peixe não é de ouro
E poço não é tesouro
Para você contestar.
DEIXE  MOACIR PESCAR,
PIABA  NO  BEBEDOURO.

Nosso primo Moacir
É gente do Sanharol,
Ele quer pescar de anzol
E você quer proibir.
Não vá querer confundir
Vontade com desaforo,
Piaba e peixe de couro
Não dar nem pra merendar
DEIXE  MOACIR PESCAR,
PIABA  NO  BEBEDOURO.

Eu já fui seu convidado
E tive boa acolhida,
Mas essa sua investida
Me deixou preocupado.
Seu poço tá baldeado
E você faz esse estouro,
O que tem lá é besouro
E cobra para picar.
DEIXE  MOACIR PESCAR,
PIABA  NO  BEBEDOURO.

Mundim do Vale.