VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Em breve! - Memória varzealegrense

lançamento de livro Linda Lemos;



C O N V I T E

Lançamento: Dia 24 de agosto de 2013, no Hotel Municipal, Várzea-Alegre-CE.
Aguardo você e amigos.





Outros Lançamentos em Breve abaixo:


DOMINGO - 25 DE AGOSTO - 20h30
NO BARRACÃO CULTURAL
VÁRZEA ALEGRE CEARÁ
LANÇAMENTO DE LIVROS DE SÁVIO PINHEIRO
CAPA: BABINSKI
PREFÁCIOS: RONALDO SALGADO E ARIEVALDO VIANA

Lançamentos de livros Dr. Sávio Pinheiro em breve: "Estrela Dalva"

Lançamento de Livros Dr. Sávio Pinheiro em breve: "Marco do Miolo do Pinheiro"


Curtinhas! - Memória Varzealegrense

CURTINHAS - Por Mundim do vale

Nosso saudoso conterrâneo Bogim, certa vez estava vendendo uma cela, quando chegou Raimundo Mouco perguntando o preço:
- Quanto é a cela Bogim?
- É três contos.
Raimundo que era surdo entendeu seis e fez uma contra proposta:
- Eu dou quatro.
- Pode levar.
Raimundo levou a cela para o Chico e no dia que precisou, saiu cobras e lacráias de dentro da cela.
Raimundo foi atrás de Borginho para desmanchar o negócio dizendo:
- Bogim vamos desmanchar o negócio, porque a cela tava cheia de bicho dento.
Borginho para manter o negócio disse:
- E porque voçê não comeu? Lá em casa quando aparece goiaba cum bicho, meus menino come.


O pastor Diassis Militão morava na Av. Figueredo Correia, vizinho ao vereador Joaquim Alexandrino.
Uma vez Diassis foi pedir um facão emprestado a Joaquim, para cortar umas galhas de castanholas que estavam manchando a faixada da casa dele.
Joaquim com muita gentileza trouxe o facão, mas quando Diassis passou a mão falou:
- Mas Joaquim esse facão tá cego.
Joaquim respondeu:
- E você quer o facão é pra cortar as gáia ou é pra ler a bíblia?


028 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

O  FINADO  ERA  MAIOR.


Nosso conterrâneo Vicente Nogueira, tinha uma certa simpatia por políticos, nunca foi candidato a nada mas sempre procurava estar perto das autoridades políticas.
Num ano de boa safra de arroz em Várzea Alegre-Ceará, a prefeitura municipal preparava a festa do arroz. O convidado especial era o deputado Joaquim de Figueredo Correia, que trazia outras autoridades estaduais.
Vicente Nogueira comprou um corte de riscado na loja de Edvard Moreno e levou até a alfaiataria de Mestre Vicente Salviano para fazer um paletó. Tirou as medidas e ficou de voltar depois para a prova final.
Faltando seis dias para o evento, foi a alfaiataria para fazer a prova. Vestiu o paletó ainda alinhavado e já queria levar.
Mestre Vicente perguntou se ele queria fazer alguma modificação e ele respondeu:
- Não. Vicente. Aqui já tá no jeito. Eu só quero qui você mintregue un dia antes da festa, pruque esse palitó eu vu vistir no dia da festa do arroz qui é prumode eu cunversar cum meu amigo Juaquim Correia.
Vicente Salviano notando a ingenuidade de Vicente falou:
- Mas Vicente. é uma extravagância, você fazer uma despeza desta. Figueredo vai vir acompanhado de várias autoridades e não vai poder lhe dar atenção.
- Ele vai. Qui foi eu qui insinei a ele andar de cavalo, quando ele era minino lá no Oi Dágua. E teve uma vez qui ele foi lá im casa cum Vicente Onoro e tumou café mais eu.
- Mas Vicente. Agora é diferente, você não vai conseguir chegar nem perto e ele nem vai mais lhe conhecer.
- Ora num vai. Eu vou le amostrar cuma ele vai.
Na véspera da festa Vicente pegou o paletó e no outro dia veio com a esposa.
Quando o casal chegou na rua Major Joaquim Alves, já encontrou a rua enfeitada de faixas e bandeirolas. Figueredo estava no interior da casa de Zezim Costa e na rua tinha mais de seis mil pessoas. Na grade da casa tinha três soldados, para que só entrassem os convidados.
O casal ficou na calçada da casa de Valdeliz, que foi o local que o casal achou pra ficar mais perto.
Uma hora lá Figueredo veio até a área para entregar um envelope a uma pessoa e Vicente ficou na ponta dos pés, balançando os dois braços e gritando:
- Juaquim! Juaquim! Juaquim!
Figueredo retornou para o interior da casa e não voltou mais. Depois de mais de uma hora, a mulher de Vicente já bastante cansada falou:
- Vicente. Ramo simbora qui esse ome num vem falar cum tu não.
Vicente já bastante convencido disse:
- Vem mermo não. Ele tá muito acupado.
- Apois ramo.
- Ramo.
Dizendo aquilo, Vicente pegou a rua na direção da praça dos motoristas.
A mulher extranhando falou:
- Ôxente. Vicente! Pra donde tu vai ome? Nóis num ramo né pru São Corme?
- É. Mais é pruque antes de nóis ir eu priciso falar cum meste Vicente.
- E tu num pagou o palitó não?
- Paguei. Mais é pruque eu quero me vingar duma praga qui ele jogou im neu.
Chegou na alfaiataria com o paletó ensopado de suor e ficou se abanando, quando Mestre Vicente perguntou:
- Como foi lá Vicente? Falou com Figueredo?
- Falei. Mais foi Cuma você dixe. Tinha mei mundo de gente na calçada e tinha tombém três sodado na grade, pra num deixar ninguém entrar. Mais Juaquim saiu na aria e quando me viu mandou o motorista me chamar. Aí eu entrei e miassentei junto cum ele e os camarada dele. Mais teve uma coisa lá qui eu num gostei.
- E o que foi?
-  Foi pruque Palo de Dudu dixe uma pilera cum eu.
E o que foi que ele disse?
-Ele pensava qui eu num tava iscutando, aí dixe a Dr.  Daro: - Mais minino, esse palitó de Vicente Nogueira tá muito mal feito. O FINADO  ERA  MAIOR.                                                                           

001 - Causo do Cine Odeon - Memória Varzealegrense

Rua com paralelepípedos

Causo do Cine Odeon 

Valdefrance, filho de Jesus e Valdeliz Correia era meu braço direito no Cine Odeon, uma espécie de faz tudo. Na época ele estudava no Ginásio São Raimundo, Dr. Airton, promotor público, professor de Português, pediu para ele fazer como dever de casa, uma redação intitulada “A rua onde eu moro”. 

Assim ele fez. Morava na rua principal da cidade, toda calçada com paralelepípedos, onde também se situava a prefeitura municipal, a casa de Zezim Costa, Seu Dirceu Pimpim etc.

Chegou pra mim e disse: “Edmilson, você podia dar uma olhada na minha redação?

Respondi: Claro, li e disse: Estou estranhando uma coisa aqui, Você disse que a rua é calçada com paralelepípedos?

Ele: Claro!

Eu: Mas como? Você está no Ceará, Você deve dizer é cearalelepipedos.

Ele saiu. No outro dia chegou bufando de raiva, “Você me fez perder pontos na minha redação!”

Peguei a redação, olhei, estava lá o termo grifado com a observação. 
Que diabo é CEARALELEPÍPEDOS?

Colaboração de Edmilson Martins

terça-feira, 30 de julho de 2013

Documentos escritos - Memória Varzealegrense


Documento de restrito de 1887


Relata o nascimento de Maria Glória de Oliveira. 

Esta escrito mais ou menos assim:

Maria Glória de Oliveira, Nasceu a 26 de Julho de 1887 num dia de terça-feira, foi batizada na matriz de Várzea Alegre pelo vigário ....(Não consegui ler esse trecho)...
Foram meus padrinhos Manoel Nunes de Almei.... e Leonarda Bezerra do Vale .... Casei-me com idade de 20 anos..


Cinco Gerações - Memória Varzealegrense

Foto enviada por Terezinha Costa Cavalcante para uso do Memória - Cinco gerações - Memória Varzealegrense


Fotos de 5 gerações... Feita em 1980

Rosa Gonçalves Carvalho (Dosa), Maria Amélia Gonçalves Costa, João Gonçalves Costa, Maria Amélia Costa e Clébia Carvalho.

Neste dia Dona Dosa disse a frase: Meu neto dê cá sua neta...

Momento registrado pelo fotógrafo Luiz Fernando Costa Cavalcante, no Bairro Jardim América, em Fortaleza.

Colaboração de Terezinha Costa Cavalcante

domingo, 28 de julho de 2013

Isso Também é Memória - Memória Varzealegrense

Foto enviada por Terezinha Costa Cavalcante PARA USO DO MEMÓRIA VARZEALEGRENSE 


Os concludentes do Grupo Escolar de Várzea Alegre de 1956. A cerimônia aconteceu no Clube Vale do Machado, que funcionava no local onde hoje funciona o mercado de abastecimento Josue Alves Diniz.

Concludentes: Maria Rosenir Cassundé, Maria das Dores Bastos, José Edimar Costa, Francisca das Chagas Bitu, Walmira Lima, Osmundo G. Fiúza, Maria Socorro Pereira, Luisa Sabino Silva, Luisa Socorro Brito, Terezinha Cavalcante, Maria Dulce Correia(oradora), Maria Raucides Dias

Foto de uma delas:
Maria das dores Bastos, Dorinha, que na época contava com 17 anos. Todos os formandos fizeram uma foto como essa. O fotografo veio do Cedo especialmente para o evento.


Colaboração de Terezinha Costa Cavalcante

sábado, 27 de julho de 2013

Em Destaque - Memória Varzealegrense

Hilário Francelino

O varzealegrense Hilário Francelino já passou um ano em Harvard, em um intercâmbio educacional, e estuda na FMUSP – Faculdade de Medicina da USP.

Seu último feito foi ficar em terceiro lugar no Concurso Internacional de Contos, promovido neste mês, pela Prefeitura Municipal de Araçatuba, em São Paulo.

O concurso contou com cerca de 800 pessoas inscritas na categoria nacional. Ele recebeu de prêmio R$ 500,00. O trabalho de Hilário será publicado em uma antologia.

Resultado do Concurso

FAIXA NACIONAL

1.º lugar: R$ 2.000,00 (dois mil reais)
2.º lugar: R$ 1.500,00 (mil reais)
3.º lugar: R$ 500,00 (quinhentos reais)

Até cinco menções honrosas

Os contos desta relação serão publicados numa antologia

1.º lugar: A borboleta azul – Andreia Fernandes Soares Leite – Rio de Janeiro – RJ
2.º lugar: O salto – André Silva Pomponet – Salvador- Bahia
3.º lugar: À terceira desconexão – Hilário de Souza Francelino – São Paulo – SP

Fonte: Várzea Alegre.com
Foto: Várzea Alegre.com

Isso Também é Memória - Memória Varzealegrense

Josefa Alves de Morais

Madrinha Zefa, minha avó paterna, era neta e bisneta de Jose Raimundo Duarte ao mesmo tempo.

Como pode? 

Vejamos: No dia da Morte de Jose Raimundo, no velório, sua esposa Antonia de Morais Rego falou para os familiares: Retirem o corpo de Jose para casa de Joaquim Alves que eu vou ter menino! Nasceu então a filha caçula Isabel de Morais Rego.

Isabel se casou, aos 14 anos de idade, com Francisco Alves de Morais, seu sobrinho e 23 anos mais velho do que ela, filho de sua irmã Teresa, portanto neto de Jose Raimundo. 

Deste casal nasceu Josefa Alves de Morais, neta pelo lado materno e bisneta pelo lado paterno. 

Esta foto é da década de 30. 

Madrinha Zefa do Sanharol era a expressão exata do afeto, carinho, brandura e paciência. 

Uma catequizadora, religiosa praticante, devota fervorosa de São Raimundo Nonato. 

Antônio Morais

Debulha de Feijão - Memória Varzealegrense

Debulhas de feijão versão Mundim do Vale

Mundim do Vale, Pedro Piau....




Mundim do Vale

Dra. Dalany Menezes - Memória Varzealegrense

Dra. Dalany Menezes

Obrigada a Deus, e a todos que contribuíram para eu chegar até aqui, a caminhada foi árdua, mas o apoio da minha família, amigos e professores tornou-a mais branda. 

Enfim foi encerrado um ciclo, e o ponta pé inicial de outros. 

Agora Dra. Feliz!

Obrigada as contribuições dos membros da banca.

Senhor quero agradecer com toda a minha fé pelo conclusão dessa etapa, e quero dizer que já estou preparada para as próximas batalhas.

Amém!
Dra. Dalany Menezes

008 - Dalmir Freitas - Histórias de Varzealegrenses

O GATO DAMIÃO

Mais ou menos nos anos 1963, 1964 seu Nelim da farmácia tinha um gato de estimação, um animal que você não conseguia parar de olhar, pense como ele era lindo, todo mundo em Várzea Alegre conhecia este gato de nome DAMIÃO. 

Sem menos se esperar encontram Damião morto, seu Nelim, todos seus familiares e quem conhecia o gato ficou entristecido com sua morte.

Nonato Rolim tinha um morador não me lembro o nome, era muito meu amigo, fez uns versos pra Damião, eu anotei, perdi, mas nunca esqueci as duas primeiras estrofes, e era assim:

LEITORES EU QUERO AGORA
UMA LICENÇA CORRETA
PARA UM VELHO POETA
RIMAR UMA NOVA HISTÓRIA
QUE NÃO ME SAI DA MEMÓRIA 
ME FAZ TRISTE O CORAÇÃO
EU QUERO A VOSSA ATENÇÃO
DAQUELES QUE CONHECER
POIS AGORA VOU FALAR 
DA MORTE DE DAMIÃO

O DAMIÃO QUE EU DIGO
ERA UM GATO INTELIGENTE
SABIDO ASSIM COMO A GENTE
DO FARMACEUTICO ERA AMIGO
PRA PEGAR RATO ERA ANTIGO
NA PRATELEIRA OU NO CHÃO
ONDE ELE BOTASSE A MÃO
ERA UM FERRO BOM DE CORTE
MÁS A DANADA DA MORTE
VEI CARREGAR DAMIÃO

Quem é do meu tempo se lembra deste gato.
Dalmir

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Isso Também é Memória - Memória Varzealegrense

Pedro Piau e Iracy

Casamento de Pedro Piau e Iracy - Mundim do Vale


No dia trinta desse mês, completa 69 anos do casamento de Pedro Piau com Iracy. Casados que foram no dia 30 de julho do ano de 1944. 

Depois de casados ocuparam uma casa de Vicência de Cazusa na rua Major Joaquim Alves, logo depois mudaram  para uma casa pertencente a Doca de Dodô, que ficava em frente ao cacimbão do meio da rua e vizinha a casa do Sr. Pedro Orelha, avô do poeta escritor. 

As dificuldade do jovem casal eram tantas, que o milho para fazer o cuscuz era moído na casa do Sr. Pedro Orelha.

No início do inverno de 1945 mudaram para o sítio Lagoa do Arroz, onde moravam vizinhos ao casal de primos Pedro Batista e Maria Vieira. 

A menina Geralda Batista, filha de Pedro e Maria, com apenas dois anos de idade, gostava muito da casa de Pedro e Iracy, tanto era que quando seus pais queriam levar a garota pra casa, ela chorava e dizia que queria ficar.

Vendo aquele drama da menina, Iracy falava:
- Madrinha Maria. Deixe ela ficar. A menina gosta daqui de casa e não é bom contrariar uma criança nessa idade.

Era verdade. A garota gostava tanto dos recéns casados, que ficou na companhia deles até o ano de 1955, quando casou-se com Tomás Aquino. 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

007 - Dalmir Freitas - Histórias de Varzealegrenses

O RÁDIO DE BARROSO

Esta tem até titulo, más é porque se passou de maneira muito interessante.

Quanto eu morava em Várzea alegre, tinha uma amizade muito grande com os filhos de João Doca la na praça Santo Antonio, ou Praça dos Correias como preferirem. Dedé, Tom Ivo e principalmente com João Alverne que era mais ou menos na minha idade.

Muitas vezes eu passava o dia na casa deles, brincando com aquela turma da praça, que era uma grande meninada e fazia a festa. 

Daquele lado da lagoa tinha umas plantas que a gente chamava de bananeira, que com uma faquinha bem amolada a gente cortava a planta que ficava idêntico a um fuzil de guerra, e dai surgia os melhores filmes de guerra da região, sob nossa direção. O tempo passou, vim morar em Fortaleza.

Um amigo meu foi tratar de negócio em uma empresa aqui em Fortaleza e me chamou, quando nós chegamos la que entramos, eu me sentei, tinha um rádio antigo em cima da mesa, quando eu olhei eu pensei, EU JÁ VI ESSE RÁDIO, não sei onde, más eu tenho certeza que já vi, e não parava de olhar pro rádio.

Nisto chega o rapaz que o meu amigo foi tratar de negócios com ele, e começam a conversar, e eu de olho no rádio, e pensava, será que estou imaginando coisas, no diálogo o rapaz fala em Várzea Alegre, meu amigo diz, "Dalmir aqui também é de Várzea Alegre."

Ele me deu a mão,"muito prazer meu conterrâneo". "Você é filho de quem, etc,etc", e eu," e você é filho de quem". e ele, "eu sou filho de BARROSO"  e eu,comigo mesmo, puxa vida, matei a charada, era o rádio de Barroso. 

Eu e meu amigo João Alverne brincava com filhos de Barroso, e a gente frequentava muito sua casa, pois eram vizinhos.

Eu sei que não existia só o rádio de Barroso, naquele modelo, más foi uma questão de sei nem dizer.

Dalmir.

terça-feira, 23 de julho de 2013

MUNDIM DO VALE DESEJA SABER.

Qual o ano e o mês do falecimento de José Fiúza do Chico?

Nossas Lembranças - Memória Varzealegrense

Convite de formatura de 1956 enviado por Terezinha Costa Cavalcante


Os concludentes do Grupo Escolar de Várzea Alegre. A cerimônia aconteceu no Clube Vale do Machado, que funcionava no local onde hoje funciona o mercado de abastecimento Josue Alves Diniz.

Capa
Dentro

Homenageados
Paraninfo:  Luis Otacílio Correia
Patrona: Maria Dolores Menezes Carvalho
Padroeiro: São Raimundo Nonato
Honra ao Mérito: José Gonçalves Carvalho
Hom. de Honra: Prof. Luiza Correia Norões
Hom. de Gratidão:  Prof. Iraci Beserra de Morais

Juramento
"Prometo desempenhar com dedicação e patriotismo os deveres auxiliares de professor, visando a felicidade geral e a grandeza do brasil"

Concludentes
Maria Rosenir Cassundé
Maria das Dores bastos
José Edimar Costa
Francisca das Chagas Bitu
Walmira Lima
Osmundo G. Fiúza
Maria Socorro Pereira
Luisa Sabino Silva
Luisa Socorro Brito
Terezinha Cavalcante
maria Dulce Correia(oradora)
Maria Raucides Dias

027 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

FEIJÃO  PRETO.

Era uma prática costumeira dos agricultores de Várzea Alegre-Ceará, epalharem o feijão novo nas calçadas, para secar um pouco antes ser colocado nos tubos.
Certo dia chegou Raimundo Beca e seu filho Benedito com um saco de feijão para secar. Derramaram na calçada e espalharam.

Raimundo Beca chamou os filhos; Benedito, João e Francisco e recomendou:
Vocês três fiquem pastorando o feijão para os bichos não comer, que eu vou lá na rua e quando voltar nós ramo intubar. Mais num vão sair daí não.
Raimundo saiu e os três ficaram de guarda. Com pouco tempo chegou Damião dos Bonecos e Antônio seu sobrinho e foi logo fazendo o convite errado:
- Ei negada. Ramo brincar um boi alí no terreiro do véi Matia.
João respondeu em nome dos três:
- Dá certo não qui pai deixou nós butando sintido nesse feijão prus bicho num cumê.
- Qui bicho? Os bicho qui tem aqui na Vazante é os meu buneco.
- Mais tem as cabra de Zé Vicente.
- Mais uma hora dessa elas tão drumendo.
Os vigilantes ficaram convencidos e abondonaram o posto.
Mas foi só o que deu. Aquela era exatamente a hora que as cabras passavam para beberem água na lagoa de São Raimundo.
Sem contenção os animais fizeram a maior farra, comeram todo o feijão e foram dormir debaixo de um juazeiro que tinha perto. Da calçada até o juazeiro elas deixaram um rastro de bolinhas pretas que denunciava a bagunça.
Os meninos entusiasmados com o jogo de peão, deixaram o tempo passar, lá uma hora, João que era o mais experiente falou;
- Bora cambada, que pai já tá perto de voltar. De longe eles observaram que a calçada estava vazia. Quando João avistou as cabras falou:
- Foi as cabras de Zé Vicente. Ramo butar elas pra fora e quando pai chegar nós ramo dizer a ele que foi qui robaro quando nós fumo tumar água.

Quando Raimundo chegou que notou a cara de preocupados dos   
três foi logo perguntando:
- Cadê o feijão? Bando de fi duma égua?
João falou pelos três:
- Eu acho qui robaro. Pai.
- Robaro Cuma? Eu nun deixei vocês pastorando?
- Eu acho qui foi na hora qui aquele couro caiu, porque foi preciso nós espichar ele de novo na parede do oitão, aí o ladrão aproveitou.
- Pois tá certo. Vocês fique aí qui eu vou tumar um bãe e vorto já pra nóis cunversar. Depois do banho Raimundo saiu com uma expriguiçadeira, armou na calçada e puxou a conversa:
- Quer dizer qui robaro o feijão?
João respondeu:
- Foi pai. O ladrão levou o nosso e deixou um bucado de feijão preto pra nós.
- Pois ramo fazer disso, pegue um cúia e vão catar o feijão preto, depois eu vou contar. Cada caroço vai ser uma chicotada no lombo de cada um.
Depois que deu a ordem simulou que estava dormindo e escutou quando João disse para os irmãos:
- Nóis ramo fazer assim; Nóis bota um bostinha dessas na cúia e interra três, que a peia vai ser mais pouca.
Quando terminaram foram com a cúia até o pai.
Raimundo que nunca tinha dormido disse:

- Muito Bem. Eu vou contar os feijão da cúia e como eu já disse cada caroço vai ser uma chicotada no lombo de cada um, depois eu vou atrás daqueles qui vocês interraram e cada um qui eu incontrar vai ser três chicotada pra cada.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Nota de gratidão - Memória Varzealegrense

Nós do Blog Memória Varzealegrense, desejamos de público agradecer e reconhecer os ilustres colaboradores, que ao longo desses vinte e três meses, participaram de forma relevante, com as suas postagens e comentários.

Nós cavamos o alicerce e vocês deram  sequência nessa edificação que já chega a cobertura, para eterinizar a nossa história.

Fazemos de forma coletiva, porque seria impossível nominar todos vocês.

Para finalizar vai o nosso abraço de gratidão do tamanho de Várzea Alegre.

Mundim do Vale

Quem souber me responda... - Por Mundim do Vale

O Sítio Sanharol, ganhou esse nome por conta da abelha Sanharol, que arranchou-se por lá.

O Sítio Roçado de Dentro, foi batizado quando um cidadão do Sanharol fez um roçado por lá, quando tudo era só mato.

Colocaram o nome no Sítio Vazante, porque tinha uma baixa sempre verde, mesmo sem ser em período de inverno.

O Sítio Lagoa do Arroz, tinha esse nome porque, tinha um pequeno lago no terreno do Sr. Cirilo e as terras vizinhas eram boas produtoras de arroz.

O Sítio Inharé, faz jus ao seu nome por conta do fruto que tem bastante por lá.

Para provocar Antônio Morais, Otoniel Fiúsa e a simpática Flor do Chico. Mundim do Vale Quer saber, porque o nome Chico e quem foi que batizou cada Sítio.

Respostas:

Otoniel Fiuza disse: Caro irmão Mundim do Vale, há muito tempo que pesquiso a orígem do nome "Sítio Chico" e não encontrei dados precisos...Em conversas com patriarcas das famílias nascidas e criadas no doce Chico, também em pesquisas com historiadores e curiosos nada foi encontrado o registro do batismo do Sítio Chico (...) Estou em busca disso incansavelmente irmão e tão logo encontre dados te enviarei. Abraços !

Giovane Costa disse: Essa é para quem tem "bom guardado".
O sítio Chico eu não sei a origem do nome, as propriedades todas pertencentes a descendentes de Zé Raimundo do Sanharol. (As de Antônio Gonçalo foram adquiridas de Benedito André e a outra de Luiz Batista, herdeiro de Bia, bisneta de Zé Raimundo.Só sei que era muito grande , se não fosse o maior sítio: começa da Vila Peri, extrema com a Lagoa das Panelas, vai até lagoa do Serrote, extrema com a Varginha e o Roçado de Dentro e Açude Velho.E tem mais: todas as escrituras de terras do Sanharol e algumas das Panelas contam sítio Chico
E tem: Chico de Baixo, Chico do meio e Chico de Cima.
Já o Sanharol resumia-se só aonde era a propriedade de Bebé do Sanharol, no terreiro tinha uma cajarana, qie tinha um sanharó arranchado. As pessoas que para lá se dirigiam diziam: vamos para o sanharó de Bebé!

006 - Dalmir Freitas - Histórias de Varzealegrense

Em Várzea Alegre tinha a festinha dançante para as crianças, aos domingos pela manhã e está na relação das coisas boas da minha infância.

Esta festinha geralmente acontecia no Recreio Social e teve um período que Humberto de Antonio Costa, fazia também ,com grandes atrações, e funcionava no seu comércio ali na rua Major Joaquim Alves em frente a prefeitura, me lembro como se fosse hoje, nos intervalos Humberto batia palmas e dizia em voz alta,"atenção garotada, chicletes para as damas", no seu comércio vendia tudo, bombons,chicletes , chocolates, etc, e a gente obedecia.

A animação dessas festinhas ficava por conta de Pedro Souza, ou Matias, as vezes também Chico de Amadeu ou Júlio Xavier, e as vezes com a participação de mestre Chagas, irmãos Pereira etc.

A música que animava as festinhas eram variadas,mas todas sucessos da época, Matias tocava aqueles boleros de Noca, e qualquer estilo pra se dançar, Pedro de Souza tudo que fosse estilos pra gente dançar, Chico também tocava de tudo ,e Júlio também, mestre Chaga tocava aqueles frevos rasgados que muitas vezes a gente apreciava mais do que dançava.

Meus conterrâneos tudo isto foi antes do movimento da jovem guarda, nosso gosto musical era outro, nosso comportamento era outro, não existia essas bandas eletrizadas com guitarra , baixos , baterias sofisticadas e o artistas que em brave passariam a serem os nossos maiores ídolos.

E o bom de tudo isto é que os artista da nossa terra citados acima que animavam nossas festinhas, acompanharam o progresso da música e continuaram fazendo os bailes de toda região nos anos subsequentes.
Eita!

Dalmir

Várzea Alegre - Por Socorro Martins

Várzea Alegre 

Cidade hoje saudade
Lembrança agradável ou não
No túmulo do teu passado
Enterrei minha ilusão

Teu riacho de água doce
Levou a doce canção
E a fantasia bonita
Que enfeitou meu coração

Lá, na pracinha do centro,
Entreguei meu pensamento
Ao rapaz que volteava
E volteei pela vida
E as juras de amor, perdidas
Pedrdidas por lá ficaram

O manto da minha fé
Ficou no altar do santo
Manifestada no canto
Que as vezes eu desenterro

Como a jurema sem seiva
Reclama o inverno antigo
Eu, nesta minha cantiga,
Procuro os fios da teia
Procuro achar a saída
No labirinto-cadeia
Insisto em desvencilhar-me
Do certo que me rodeia

Procuro tuas procissões
Tuas festas natalinas
Teu jeito infantil e tímido
De uma cidade menina

Mas a menina cresceu
E tem jeito de mulher
É toda dengo e trejeito
Ama e desama a quem quer

Se tu a min devolvesses
Minhas pessoas amadas
Se de volta eu encontrasse
Minhas ilusões aladas
Se na Vazante estivesse
Meu pai que há muito dormiu
Se na rua eu encontrasse
A velha casa do tio
Eu também te entregava a menina que partiu

Ah! Minha Várzea perdida
Em cada pedaço teu
Há um cheiro de saudade
De um tempo que se perdeu
Há um gosto de soluço
De um choro que se escondeu
Há duas mãos lamentando
O abraço que não veio

E se tu não és a mesma
Outra agora eu também sou
E da menina de ontem
Só a poetisa restou

Socorro Martins

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Versos lá de nós - Por Mundim do Vale.

COISAS  QUE  EU  FAÇO  SEM  GOSTAR.

Ver um cabra falar de viloleiro
Sem saber que aquilo é uma arte,
Sem noção que a viola já fez parte
Da história de Antônio Conselheiro.
Eu que sei que o folclore brasileiro
Tem viola e poeta em seu lugar,
Eu não posso ver isso e me calar
Porque acho uma falta de cultura.
Tolerar essa pobre criatura
SÃO AS COISAS QUE EU FAÇO SEM GOSTAR.

Furar dedo em caraca de algodão
Tanger porco em subida de ladeira,
Pernoitar numa casa com goteira
Escutar as piadas do patrão.
Segurar numa alça de caixão
Procurar endereço e não achar,
Escutar um barbeiro fuxicar
Encontrar um caroço no angu.
Ter um sonho que estou andando nu
SÃO AS COISA QUE EU FAÇO  SEM  GOSTAR.

Receber visitante fofoqueiro
Entregar um bilhete de cobrança,
Discutir com a minha vizinhança
Tolerar confusão de cachaceiro.
Espremer um furúnculo no trazeiro
Dar um espirro na hora do jantar,
Segurar um bebê pra vacinar
Confirmar a mentira de alguém.
Sugerir paciência a quem não tem
SÃO AS COISA QUE EU FAÇO SEM GOSTAR.

Arranjar um dinheiro emprestado
Sem saber quando posso devolver,
Vê um padrasto com raiva ofender
Espancar e humilhar seu enteado.
Ter que ouvir com atenção o leriado
De um gago quando cisma de falar,
Cortar meu cabelo e me barbear
Me deitar com a claridade de uma luz.
Me engasgar com batata ou com cuscuz
SÃO AS COISA QUE EU FAÇO SEM GOSTAR.

Me sentar na cadeira do dentista
E fingir que estou muito feliz,
Espremer uma espinha no nariz
Escutar a conversa de mchista.
É trocar um pneu perto da pista
Vendo a hora outro carro me pegar,
Ler notícia que a água vai faltar
Sem saber qual vai ser a solução.
Ouvir papo de  queimadas do sertão
SÃO AS COISA QUE EU FAÇO SEM GOSTAR.

Mundim do Vale.

Versos lá de nós - Por Mundim do Vale.

AS  COISAS  QUE  GOSTO  DE  FAZER.

Conversar com o meu pai sobre o passado
Sem com isso forçar a sua mente,
Ler notícia de paz no Oriente
E o Dólar baixando no mercado.
Evitar desavença de cunhado
Em arenga de casal não me meter,
Fazer verso esperando o sol nascer
Botar lenha na boca da caieira.
Tomar banho de chuva na biqueira
SÃO AS COISA QUE EU GOSTO DE FAZER.

Receber e retribuir um bom presente
Encontrar com a família no natal,
Conservar o conceito da moral
Esperar a chegada de um parente.
Conversar com menino inteligente
Mandar carta e a resposta receber,
Ensinar um endereço com prazer
Desejar boa sorte a um amigo.
Não negar uma esmola a um mendigo
SÃO AS COISA QUE EU GOSTO DE FAZER.

Cochilar com  vento no telhado
Escutando o seu som na cumieira,
Abraçado com a minha companheira
Porque foi pelo padre autorizado.
Acordar vendo o céu todo nublado
Com o tempo preparado pra chover,
Numa reza começar a agradecer:
- Obrigado meu santo pai eterno!
Pois rezar pra pedir um bom inverno
SÃO AS COISAS QUE EU GOSTO DE FAZER.

Escutar uma pessoa bem decente
Em silêncio total para ouvir,
Balançar minha neta pra dormir
E velar o seu sono inocente.
Vê o sol apagando no poente
Dando espaço pra lua aparecer.
Exercer meu direito e o dever
Amparado pela constituição.
Passear sempre que posso no sertão.
SÃO AS COISA QUE GOSTO DE FAZER.

Ler cordel do Dr. Sávio Pinheiro
Apreciando a correta poesia,
E o prazer de fazer uma parceria
Do Fígado Valente e do Pé do Cruzeiro.
É poder lhe chamar de companheiro
Aguardando outros versos ele fazer,
Para assim Várzea Alegre aparecer
No cenário da cultura popular.
Ler  poema, fazer e divulgar
SÃO AS COISAS QUE EU GOSTO DE FAZER.

Mundim do Vale.

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

Dedicado ao primo Fernando Souza, que há tempo vem me cobrando a divulgaçao desse causo

INVASÃO  DE  DOMICÍLIO.

Todas às vezes que nós íamos à Várzea Alegre-Ce. Pedro Souza programava umas pescarias.
Era festa do padroeiro e o cardume dos Piaus estava todo na cidade. Pedro marcou uma pescaria para o domingo, na ponte dos Grossos. No sábado nós tomamos uma cervejada nas barracas e completamos o tanque no CREVA – Clube Recreativo de Várzea Alegre. No dia seguinte nós fomos para a Vazante, para pegar os pescadores e o material de pescas. Na hora da saída Liêda olhou para Pedro e perguntou:
- Tu vai também Pedro?
- Claro que vou. Fui eu que organizei a pescaria.
- Ave Maria! Esse homem chegou ontem aqui quase morto. Parece que tomou  todas as cervejas das barracas sozinho.
- As que eu não bebi, Raimundim mais sérgio beberam.
Na chegada do Riacho do Machado, João Piau, Vieira Neto, Nonato Souza, Fernando Souza, e Luís Sérgio, já foram logo jogando tarrafas e metendo as mãos nas locas atrás dos peixes.
Eu me afastei um pouco do riacho e me deitei de baixo de uma moita de mufumbo e comecei a cochilar. De repente escutei a voz de Pedro:
- Ou de casa!
- Ou de fora!
- Ainda cabe um nesse apartamento?
- É só um?
- É.
- Pois entre e ocupe aquele outro quarto.
Pedro forrou a cabeça com um bornal e começou a cochilar também.
De repente foi chegando Luís Sérgio, que estava com uma ressaca maior do que a minha e a de Pedro juntas. Mas sendo ele mais novo, ainda estava aguentando ficar de pé. O suposto inquilino foi querendo se acomodar, quando eu disse:
- Ei Sérgio. Não cabe mais não. Pode arribar.
Ele foi na direção de Pedro, quando começou a mexer na moita, Pedro gritou:
- Tem gente!
Sérgio zangou-se e falou:
- Arre égua, que povo mais mal edudado, não sabem nem receber visitas.
Pedro rebateu:
- Que visita? Você não sabe nem se fica e já vai logo armando a rede. Isso aí é INVAZÃO  DE DOMICÍLIO. Vá ver se consegue se agasalhar naquele quartinho que era de Antônio André.
Sérgio desceu para o riacho, encheu uma garrafa de água, pegou um copo descartável e subiu para uma moita, que ficava à seis metros do local onde nós estávamos. De lá ele enchia o copo e jogava na nossa direção. Como o local que Pedro estava era mais próximo, a água só chegava até ele.
Uma hora lá Pedro sentou-se com a cara ruim e falou:
- Ôxente, Raimundim. No teu quarto também tem goteiras?
- Tem não. Não tá nem chovendo lá fora.
- Pois no meu tem.
Vieira Neto vinha subindo para pegar um landuá, Pedro chamou Vieira e ordenou:
- Vieira. No dia que nós vier pescar de novo, você venha antes com Roberto e tire as goteiras desse apartamento.
Vieira Neto que estava de pé, olhou na direção norte e avistou Luís Sérgio com a garrafa e o copo na mão. Notando a pegadinha de Sérgio falou:
- Que goteira? Pai parece que tá é delirando. Olhem aí de onde é que estão vindo as goteiras.
Quando eu confirmei a brincadeira falei sério com Sérgio:
- Sérgio. Você devia respeitar os mais velhos.
Sérgio só fez dizer:
- Vocês tem muito é sorte, porque a minha intenção era jogar mijo. Mas eu mijei pouco e o jeito que teve foi misturar com água.
Para completar o castigo de Pedro, Vieira ordenou:
- Já que foi pai que inventou a pescaria, ali tem um baláio de peixes pra pai tratar pra melhorar da ressaca.
Pedro olhou pra mim e perguntou:
- Tu vai me ajudar , Raimundim.

- Vou não Pedro. O que eu podia fazer por você eu já fiz, que foi dividir o apartamento.