VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Conheça a História da Capela de Maria de Bil



Conheça a História da Capela de Maria de Bil - Várzea Alegre-Ce.

Por volta de ano 1920, chegavam a Várzea Alegre, vindos de Alagoas, Clementino Romeiro, Antonia e seus três filhos, Severino, Maria e Madalena. Para sobreviverem, trabalharam na construção de uma barragem que seria, à época, o açude Olho D’água. A família passou a residir no sítio Inharé, mais precisamente, onde hoje é a casa de seu Zé Bitu e D. Biluca. Nesse período, eram moradores dos Fiúzas do Chico, sendo que plantavam também nas terras de Manoel Leandro e Zé Bitu (Velho), no alto da serra da Charneca.

Maria, uma dos três filhos de Clementino e Antônia, era uma mulher simples. Casou com Bil, migrante da região de Iguatu, em 05 de novembro de 1922, na Igreja Matriz de São Raimundo. O dia do casamento foi marcado por mais 24 matrimônios realizados na mesma data. Entre os que casaram naquele dia, pode-se citar, Joaquim de Sátiro, Joaquim Mandu, Zacarias de Biluca, Dica de Joaquim Bezerra, entre outros. Todos os casais moravam na ribeira do Riacho do Machado e foram casados pelo padre Lima, de Lavras da Mangabeira.
Depois de casados, o casal Maria e Bil continuou morando no sítio Inharé,onde já residiam os pais da recém-casada. 

Da união de Maria e Bil, nasceram dois filhos, Necília e José. Quando Maria estava na sua terceira gravidez, houve um desentendimento entre ela e o marido. O motivo da contenda foi o fato da irmã de Maria, chamada Madalena, que aparentemente tinha problemas visuais, manter um caso amoroso com Bil. Segundo contam, Bil, pretendia fugir com Maria e deixar toda aquela confusão para trás. Entretanto, Maria, magoada por causa da traição, recusava a proposta do marido, preferindo morar na casa de seus pais.

Com o orgulho ferido por causa do desprezo da mulher, Bil, passou a arquitetar a morte de Maria. Sabendo que Maria levava a comida dos trabalhadores da roça do seu pai, Bil, resolveu surpreende-la, numa emboscada na beira da estrada. E assim o fez. Em 11 de março de 1926, por voltas das 10 horas da manhã, quando Maria se dirigia com duas companheiras a caminho da roça do pai, levando a comida dos trabalhadores, Bil apareceu de repente, armado de faca. 

As companheiras de Maria fugiram e Bil, então, passou a esfaquear a esposa até a morte. Foram três golpes fatais. Para não ser encontrado depois do crime, segundo contam, o assassino teria comido parte da panturrilha da vítima, numa espécie de pacto com o além. Bil fugiu e nunca mais foi encontrado.

Maria foi enterrada no Cemitério da Saudade em Várzea Alegre, mas ninguém sabe informar qual é o seu túmulo. Também não se sabe se o crime foi investigado pela polícia. O certo é que esse crime revoltou toda a Várzea Alegre, causando grande comoção. As pessoas passaram, então, a visitar o local do crime e a rezar pela alma de Maria de Bil. 

O seu pai, Clementino, pôs uma cruz no local exato em que sua filha foi assassinada. As pessoas passaram a visitar o local para pagar promessas e agradecer graças alcançadas, segundo elas, com a intercessão de Maria de Bil. Com o passar do tempo, o médium e curandeiro, Emídio da Charneca, levantou no local uma barraca coberta de telha. Em 1954, Dona Ana de Zé Joaquim, do sítio Unha de Gato, que costumava trafegar por ali, colocou um quadro com a imagem de Nossa Senhora de Fátima na barraca. O quadro foi quebrado pelo gado e os moradores resolveram construir uma capela.

No dia 20 de janeiro de 1957, 31 anos após a morte de Maria, foi construída a capela no local do crime, à época, terras pertencentes a Inacinho (Velho) e que hoje são de João de Zé Bastião (do leite). Quem mandou construir a capela foi José Alves de Oliveira (Zé Pretinho) e colocou a imagem de Nossa Senhora no altar. Os pedreiros eram Expedito Beca e Geraldo Miguel. O altar e o reboco foram feitos por Antonio de João de Zé Joaquim, curiosamente, conhecido por Antonio de Maria. 

O vigário da época era Padre José Otávio, o mesmo benzeu a capela, celebrou uma missa na intenção da falecida e fez o batizado de Antonio de Chiquinho, do sítio Unha de Gato. As pessoas contam que algumas crianças foram enterradas no local da capela e que muitos estudantes “se pegam” com Maria para passar de ano, o que explica a quantidade de provas encontradas na capela como ex-votos. Muitos políticos já subiram a serra pagando promessa pela vitória conquistada.

São incontáveis os números de doentes que vão até a capela agradecer a cura conseguida, segundo eles, através da intercessão de Maria. Porém, quem mais visita a capela são as mulheres sofredoras que vêem em Maria uma protetora das aflitas e desesperadas. Outras Versões: O sumiço do autor do crime fez nascer outras histórias. Alguns acreditam que Bil teria sido amaldiçoado, passando a “virar um bicho” que assustava as pessoas com choro no meio do mato.

Outros dizem que, para ele “virar lobisomem”, teria que engolir sete homens, daí o pavor dos trabalhadores, que temiam vir a ser “um dos sete” que Bil poderia chegar a engolir. As moças tinham medo de passar por perto das moitas e serem agarradas por Bil. 

As crianças não saíam de casa durante a noite porque “Bil-Lobisomem” pegava. Ainda hoje tem gente que teme a alma perversa e negra de Bil. Dizem que é um vulto negro que aparece na serra com gemidos arrepiantes.

Enviado por Eduardo Borges

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