VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"NORMALISTAS" - POR ISABEL VIEIRA

IDENTIFICAÇÃO – Da esquerda para a direita: O digníssimo diretor, DR. JOSÉ IRAN COSTA. CONCLUDENTES: 1-Raimunda Tavares(Raimunda de Borgim - in memoria), 2 -  Maria Socorro Marcos, 3 - Maria Otília  Diniz, 4 - Francisca Morais Bezerra(Tiquinha de Gabriel), 5 - Otilia  Teixeira Soares, 6 - Olívia Tavares, também filha de seu Borgim, 7 - Francisca das Chagas Bitu, 8 - Maria Gomes Fiuza(BRASÃO), 9 - Isabel Vieira de Oliveira,  10 - José Ferreira da Costa,(SERRINHA), Uma SAGRADA LEMBRANÇA...!!!

PRIMEIRA TURMA DE “NORMALISTAS “  DIPLOMADA EM VÁRZEA  ALEGRE-CE
COLÉGIO SÃO RAIMUNDO NONATO – DEZEMBRO DE 1971

O Curso pedagógico acima referenciado teve o seu funcionamento iniciado em março de l969, graças aos  intensivos esforços  e  persistente luta dos nossos admiráveis “Bem-feitores”, DR. PEDRO SÁTIRO, Gestor Municipal à época, e DR. JOSÉ IRAN COSTA , Diretor Administrativo do Colégio.

Ambos, sempre atuantes na corrida pelo desenvolvimento sócio/cultural da nossa sociedade.

Reconhecemos outras colaborações. Bem como, faz-se necessário ressaltar  a boa vontade, o forte empenho, a disponibilidade e  o fiel  compromisso do ”corpo docente”  ao abraçar e enfrentar o desafio.

Por conveniências particulares, boa parte da turma havia interrompido os estudos, anos atrás,após concluir as séries ginasiais;  a minha situação. 

Porém,aguardava , ansiosa,  essa grandiosaoportunidade.  Começamos a nova trajetória estudantil. Numa convivência altamente saudável, intensamenteeducativa, largamente produtiva. Os três anos se passaram e aí estamos, NÓS, reunidos em festa; vivendo o tão esperado instante,  a tão sonhada conquista  e comemorando a grande VITÓRIA! 

Agora, de verdade, PROFESSORES; aptos a desempenhar,  legalmente, as funções educacionais dentro do Magistério.

Acontecimento glorioso! Um dia de bastante alegria, intensa emoção, extrema FELICIDADE;  profunda gratidão a DEUS, aos nossos familiares, aos docentes, aos administradores do Colégio e a todos que, diretos ou indiretamente, contribuíram  para essa magnífica  REALIDADE.

Portanto, uma foto HISTÓRICA. Uma recordação de alto valor, deexpressivosignificado, retratando um “precioso “ momento; aconclusão do nosso CURSO NORMAL.

Evento ocorrido há 41 anos atrás. É bom que observemos na fotografia: os costumes, a moda, o estilo , os trajes, e  demais detalhes nos diplomandos e comparemos aos dias atuais.

TURMA - DR. PEDRO SÁTIRO.
PARANINFO -  DR. JOSÉ IRAN COSTA

ISABEL VIEIRA DE OLIVEIRA SILVA -
JUAZEIRO DO NORTE,CE,  28 DE NOVEMBRO DE 2012

José Carvalho - Por Helanio Bezerra

José Carvalho


José Gonçalves de Carvalho ou JG Carvalho, um dos varzealegrenses mais admiráveis que eu conheci. Foi para Fortaleza com a sua família sem ou quase nada de recursos financeiros. 

Pela força do seu trabalho, por ser um grande empreendedor, inteligente e destemido tornou-se um grande empresário. 

Eu conheci José Carvalho foi da sua maneira um dos filhos da terrinha que, mais demonstrou amor à Várzea Alegre, ao nosso povo e sou grato pela sua ajuda à nossa família. 

A Pronto Socorro do Lar foi a sua primeira prestadora de serviços, seguida pela Embrasel, que empregava muita gente nos contratos com o INPS (INSS), onde muitos varzealegrenses tiveram seu primeiro emprego. 

Sebemos bem de sua maneira polêmica de ser, mas não podemos negar a sua bondade e capacidade de vencedor. 

Não é só por ser meu primo, mais por reconhecimento do seu valor como um ser de bem e acho que Várzea Alegre, seu povo e seus políticos devem reconhecer nesse homem um grande cidadão, prestando-lhe uma homenagem digna dos Grandes Homens.

Helanio Bezerra de Carvalho

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

CENTENÁRIO DE LUIZ LUA GONZAGA.

Nesta homenagem a Luiz Lua Gonzaga, justíssima por sinal, texto de Aldemar Paiva, Rolando Boldrin faz um rosário, uma verdadeira coletânea de nomes de artistas, compositores e poetas que contribuíram  com a excepcional obra do Rei do Baião. 

Em nenhum momento, fala em José Clementino do Nascimento, fato que qualifica o Boldrin como um grande desconhecedor da historia de Luiz Gonzaga. Sem o José Clementino - Luiz Gonzaga teria encerrado sua carreira artística bem antes do que o fez. Clementino e Gonzaga  eram como dois irmãos siameses, um não existiria sem o outro.


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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

DUBLÊ DE SANTO - POR JFLAVIO VIEIRA

Não, definitivamente aquilo não poderia estar acontecendo! Era caié grande demais para uma paróquia só. Logo no dia da famosa procissão de São Lázaro, quando toda Matozinho se emperiquitava para acompanhar o santo milagroso, como diabos aquilo pode ocorrer? Padre Zeferino, desolado, ruminava tudo isto com os botões da sua puída batina, enquanto contemplava os fragmentos de gesso espalhados pelo chão da sacristia. O relojão de badalo marcava já três da tarde e a procissão deveria sair aí por volta das cinco, percorrendo todas as ruas da cidade, com grande acompanhamento, mantendo a tradição dos últimos trinta anos. Santa Genoveva adorava-se como padroeira, mas os matozenses tinham uma profunda veneração por São Lázaro. 

A razão encontrava-se na história não oficial da cidade. Aí pelos idos dos anos 20, a vila viu-se assaltada pela lepra e os casos, pouco a pouco, se foram avolumando, adquirindo ares de epidemia. Os pacientes mais graves iam, naturalmente, se isolando na Serra da Jurumenha, aguardando, resignadamente, entre companheiros de infortúnio, o fim inexorável e terrível. O local do leprosário ficou conhecido como “Serrinha do Pitoco”, uma referência popular a tantos e tantos mutilados. Nem médico, nem padre, nem sacristão tinha coragem de andar no “Pitoco”, só lá pisava quem sofria do mesmo mal. Contam os mais velhos que um belo dia por lá chegou um beato da barbona com uma imagem de São Lázaro e passou a viver e rezar com os lazarentos. Em pouco, a peste estava sanada , os casos foram desaparecendo e a “Serrinha do Pitoco” passou a ser apenas mais um acidente geográfico de Matozinho. A vila entendeu aquilo como um milagre e passou a ter São Lázaro como santo de devoção mais arraigada naqueles sertões.

Imaginem, pois, a sinuca de bico em que estava metido Padre Zeferino. Minutos atrás, o vigário pedira a “Meia Sola” para retirar São Lázaro do seu altar, limpando-o e preparando-o para a solenidade . De repente, a imagem escapuliu das mãos do coroinha e espatifou-se no chão. O que sobrara fora justamente aquilo: caco para tudo que é lado! E agora? Que fazer? Impossível cancelar a procissão quando todo o povo, piedosamente, se espremia na praça e na igreja, a banda de música já ensaiara seus primeiros dobrados e a sacristia já estava repleta de ex-votos. Como explicar uma tragédia daquelas ao povo? Corriam o risco de linchamento. “Meia Sola”, consciência pesada, pensou rápido e propôs uma saída. Existia um rato de Igreja ali chamado Valadão, um velho baixo, sanguíneo, careca, magricela e que poderia muito bem , posto no andor e devidamente fantasiado, fazer as vezes do milagroso S. Lázaro.O velho, com estas características físicas, tinha um apelido que o tirava do sério e que já o tinha metido em inúmeras emboanças : “Piroca” .

Zeferino achou esquisito, mas não havia tempo e não conseguiu pensar numa saída melhor. Rápido trouxeram Valadão e o explicaram a sua importante missão. Ninguém sabia, mas a imagem se quebrara e ele havia sido escolhido para desempenhar o santo papel de Lázaro na procissão daquele ano. Quem sabe não havia sido um desígnio dos céus? O homem, beato de carteirinha, não podia declinar de tamanha honraria. Pediram que tirasse a roupa, lhe cobriram apenas com uma manta transversal avermelhada improvisada de uma velha colcha de chenile. Com um pincel atômico lhe colocaram várias chagas por todo o corpo. Pediram ainda que ele trouxesse seu cachorro velho pé-duro apelidado de Cruvina. Estava tudo pronto: ator, cenário, figurino.

Zeferino, então, paramentou-se e resolveu celebrar uma missa com o fito de deixar a procissão para um pouco mais tarde, após o entardecer, utilizando, assim, os recursos da iluminação, usando assim cinematográficos efeitos especiais. Acomodaram Valadão no andor, tendo ao lado Cruvina e iniciaram a procissão. Nosso ator fez-se uma espécie de estátua de cera e não piscava o olho. Até Cruvina parecia entender perfeitamente o seu papel. O vigário respirou fundo, as coisas se iam desenvolvendo conforme o esperado. 

O primeiro atropelo, no entanto, aconteceu nas proximidades da “Botica de Janjão”. Juvenal Fogueteiro lá estava com duas dúzias de fogos e uma tição aceso, pronto a pagar promessa que fizera ao santo milagroso da sua devoção. Quando o primeiro foguete risco nos ares, Cruvina de cá já assuntou e esperneou. Valadão sem mexer um músculo, tentou segurá-lo, mas quando a bomba pipocou nas beiradas da orelha de Cruvina, este fez finca pé e saiu miúdo, rua abaixo, juntando perna e cabeça. O andor pendeu prum lado e pro outro e nosso santo, tentando se equilibrar, abriu o compasso das pernas . Umas velhinhas que vinham logo embaixo, olharam para cima e viram uma santa brecha, por entre a santa manta do santo. A velha Vitalina então, agoniada, sussurrou para as outras :
- Oxente, Vije Santa! E santo tem piroca , meu senhor ?
Quando ouviu aquilo que parecia ser a palavra mágica, o abre-te-sésamo do desaforo, Valadão não resistiu e imprecou:
- Piroca o quê, rapariga velha sem vergonha! Piroca é a puta que pariu !

Diante da santa baixaria , os carregadores derrubaram São Lázaro de cima do andor que caiu de mal jeito, com a focinheira no meio fio . Lá ficou grogue, meio inconsciente. Jojó Fubuia que vinha no séqüito em seu estado normal de embriaguês, aproximou-se do santo e com a voz engrolada, levantou o braço, como um Moisés em frente ao mar morto e gritou a todos pulmões:
- Lázaro, seu bunda mole lazarento, levanta-te e anda!

JFlávio Vieira

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Maria Zélia Vieira Correia - Por Isabel Vieira

Maria Zélia Vieira Correia

É bom que não silenciemos diante de determinadas “vidas humanas”. Gostaria muito de ter convivido com MARIA ZÉLIA VIEIRA CORREIA, para, de maneira mais abrangente, prestar-lhe uma precisa e merecida HOMENAGEM. 

Mesmo sem ter tido esse privilégio, sinto-me na obrigação de fazer esse pequeno relato a seu respeito; considerando o pouco que sei e o que já ouvi falar sobre a mesma.

Descendente de notáveis famílias varzeaalegrenses. Filha do saudoso e admirável casal, seu JOSÉ ODMAR CORREIA e dona BALBINA VIEIRA CORREIA, Maria ZÉLIA, uma conterrânea de espírito forte; era jovem, inteligente, destemida, batalhadora. 

Exerceu o magistério; creio , que, uma das suas primeiras atividades sociais. Como professora/educadora, foi exemplo de carinho, de dedicação, de compromisso.

Cedo, foi residir em FORTALEZA e naquela urbe, abraçou e enfrentou com garra, sabedoria e dignidade, variados desafios e diversas atividades no seio da família e dentro da comunidade. Sempre foi focada na “causa social”. 

Ao exercer cargo público, representando o povo, como vereadora na capital alencarina, empenhou-se com toda responsabilidade, coragem, descência, respeito, num brilhante trabalho voltado para o povo de modo geral; sobretudo , visitando, defendendo, acompanhando e assistindo, de perto, os mais necessitados, os mais carentes, os mais pobres...Deixando sua “gloriosa” marca de humildade, de solidariedade e de “amor ao próximo”, sua bandeira de batalha.

ZÉLIA CORREIA viveu o ideal, a luta, a CARIDADE. Mesmo já acometida pela enfermidade que pôs fim a sua vida, caminhou forte e confiante até os últimos dias.

“LOUVÁVEL” a sua trajetória aqui na terra. Um exemplo de vida que há de se perpetuar na memória e no coração de todos aqueles, que a conheceram, e que, com ela conviveram.

Com certeza, como filha, irmã, esposa, e MÃE, teve o seu extremoso papel.

Conquistou e cativou um elevado numero de amigos, que lhe tinham grande respeito, imensa admiração, e forte ESTIMA.

Mulher BELA..., ser humano DIVINO! Uma “história VARZEALEGRENSE” que nos engrandece...

ISABEL VIEIRA DE OLIVERIA SILVA – Juazeiro do Norte, CE, 27 de novembro de 2012.

A Ressureição de Bobina - Por Dr. José Flavio Vieira


Em bons tempos, tinha sido um considerável garanhão, desses de causar sensação no rebanho. Mas o tempo fora passando com sua inexorabilidade e, a lei da gravidade, por fim, venceu. Tentara tudo: afrodisíacos, simpatias, promessas, macumba, mas o que caíra por terra não mais dava sinais de querer alçar vôo. Buscou, por último, mentir como os colegas que carregavam também sete décadas nos costados, mas terminara por se resignar, porque ninguém já mais acreditava nas peripécias sexuais que inventava, capazes de fazer inveja a um Don Juan ou a Giacomo Casanova. Semana passada, porém, estava numa bodega vizinho a sua casa, lá na Ponta da Serra, quando viu a promissora novidade pela televisão: já se estava vendendo na Farmácia a felicidade de botica, a alegria de velho, a ressurreição dos mortos: um tal de Viagra.

“Bobina” - assim o chamavam os amigos dando uma idéia de como aquela sua parte nobre se encontrava enrolada - pôs a melhor roupa, deu uma desculpa qualquer à mulher- mas já a olhando com um sorriso maroto - e pegou a “sopa” para o Crato, nervoso como se buscasse seu paraíso perdido , o Shan-gri-lá , ou sua terra prometida. Desceu na Praça Francisco Sá, tremendo como um adolescente que pela primeira vez adentra um bordel. Passou diante de algumas farmácias - tão abundantes na cidade, como a doença em seu povo - e saiu procurando pacientemente, como quem toma chegada para matar passarinho.

Finalmente, criou coragem e, escolhendo uma menos movimentada, entrou, procurou o balconista mais velho e sussurrou-lhe, nervoso, alguma coisa inaudível. Como o despachante o interrogasse sobre o que queria, disse que precisava de alguma coisa para o “palpite”. Não tendo o comerciante entendido o seu pedido, informou ao cliente que a Casa Lotérica era na outra esquina. “Bobina”se impacientou, teve vontade de desistir, mas a causa era nobre e, novamente, solicitou, agora com mais clareza: “Quero aquele remédio que faz velho virar moço, já tem aqui?”

Finalmente foi entendido e o moço, solícito e misterioso, lhe trouxe a maravilha do século, com o sigilo e o cuidado de quem transporta nitroglicerina. “Bobina” pagou satisfeito e saiu, guardando, rápido, o embrulho no bolso, como se temendo o SNI ou a Polícia Federal. Tomou o ônibus de volta, como um noivo que parte para noite de núpcias. Antes de perpetrar a segunda lua-de-mel, no entanto, preferiu comemorar a descoberta da fonte da juventude, no primeiro botequim que avistou no retorno a Ponta-da-Serra.

Tomou um pifão sensacional. O relato sobre o que aconteceu após o álcool, tivemos dos seus inseparáveis colegas. Voltou bêbado cambaleando para casa e, antes de entrar, ingeriu os quatro comprimidos azuis e mágicos, de uma só vez. Aí se deu a tragédia. Segundo os amigos , ele saiu “dispinguelado”: “ofendeu” três cabras e um pai de chiqueiro que estavam no terreiro, furou a jarra d’água da cozinha, tentou estuprar o papagaio que olhava desconfiado e temeroso da sua caqueira e só parou quando levou o maior coice do jumento de lote, quando assediava a jumenta na manga, a tratando intimamente por Carla Perez.

Quando pergunto como ele está agora, os colegas de bar fecham a conversa sorridentes: “Meu Senhor, foi Quilowatt demais na instalação e a Bobina pifou....”

domingo, 25 de novembro de 2012

Os dois compadres - Por Fatima Andrade


Natércio Vicente Andrade e Luiz Proto de Morais, amigos e compadres, por várias décadas trabalharam como respeitados comerciantes em Várzea Alegre, município do sertão cearense.

Na segunda metade do século passado, em uma manhã de domingo, o boêmio Luiz Proto convidou Natércio para um passeio pela cidade. 

Assim, na companhia de mulheres e regados a muita bebida, os dois, em um veículo modelo corcel, passaram o dia em uma animada farra, parando em vários bares da pequena cidade. Somente à noite, os comerciantes voltaram para suas casas.

No dia seguinte, cedo da manhã, Natércio, paraibano radicado em Várzea Alegre, mais recatado e bastante preocupado com a repercussão da aventura, foi à loja de móveis e eletrodomésticos de Luiz Proto e alertou:

- Cumpade, tá todo mundo falando da nossa saída de ontem. Lá no mercado num tem outro comentário.

Sentado tranquilamente em sua cadeira, Luiz Proto, após um trago do seu inseparável cigarro marca Charm, com sua peculiar irreverência, sugeriu:

- Cumpade Natércio, pra língua do povo só tem um jeito. É nós darmos uma farra ainda maior hoje. Só assim esquecem a de ontem.

Narração de Flávio Cavalcante 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Os Três Poetas - Por Isabel Vieira

Seu Quinco, Bidinho e Patativa do Assaré

Os Três Poetas - Por Isabel Vieira

Essas TRÊS memórias juntas..., uma "expressiva" recordação. Uma lembrança viva daqueles que se foram , e que fizeram "história", ao longo das suas trajetórias. "ESTRELAS" da roça. 

PATATIVA DO ASSARÉ, uma "autoridade literária" inquestionável, cuja obra tomou dimensões; ultrapassou fronteiras através da "tradução" para ouros idiomas. Cantou e encantou no estilo popular e no clássico, destacando-se como um dos "maiores" poetas populares do país. Conhecido, admirado, estudado, e respeitado por todos os recantos do BRASIL. SABEDORIA sem limites. 

O nosso saudoso Raimundo Lucas BIDIM, um admirável "talento ". Homem , forte, destemido, determinado, simples, honrado...Na luta em defesa do seu ideal, enfrentou os mais diversificados sacrificios, os mais fortes obstáculos, entre eles, o preconceito, a perseguição, etc. Mas, não esmoreceu... lutou, e como cidadão, como SINDICALISTA RURAL deixou seu prestimoso exemplo, suas grandes lições. O "Diamante Negro", nobre poeta, autor de ricas poesias. 

JOAQUIM JOSÉ DE OLIVEIRA, seu "Quinco", meu pai, meu eterno PAI. Cidadão simples, batalhador, solidário, alegre. Mesmo sendo da roça, sempre teve uma preocupação visível por conhecimentos , por SABER. Uma pessoa abençoada, dotada de nobres sentimentos humanos. Procurou durante toda a sua vida agir com descência, dignidade e honradez. Altamente responsável, dedicado, comprometido como esposo, como pai, como amigo, como membro da sociedade. Sua FAMÍLIA, o seu maior TESOURO. Abraçou, enfrentou e superou com muita coragem e confiança variados desafios. Já na velhice, descobriu-se um poeta, e resolve expressar seus sentimentos em forma de versos, escrevendo dois livros. Reservou-nos, através do seu testemunho de vida, um LEGADO, que nos orgulha e nos HONRA. Creio que eles TRÊS estejam recebendo uma homenagem aí no C.S U.. VIDAS TRANSCENDENTES...!!!

Isabel Vieira

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Atenção Várzea Alegre! - Por Deci Clementino


O centenário do Rei do Baião, Luis Gonzaga, está se aproximando, o Brasil inteiro está se manifestando e Várzea Alegre tem uma razão toda especial para não deixar esta data tão importante passar em branco, pois tem um filho, Zé Clementino, como parceiro desta tão ilustre personalidade. 

Foi através deles dois que a nossa terra ficou conhecida com a divulgação da música: 
Contrastes de Várzea Alegre. 

Eles tiveram uma parceria de oito músicas: 

CONTRASTES DE VÀRZEA ALEGRE
XEENEN
SERTÂO 70
O JUMENTO NOSSO IRMÃO
XOTE DOS CABELUDOS
APOLOGIA AO JUMENTO
CAPIM NOVO
SOU DO BANCO

Gostaria de fazer uma alerta para :

Secretaria de Cultura - fazer alguma coisa, poderia ser um Show em praça pública, algumas palestras, espalhar algumas faixas pela cidade etc.

Tibúrcio Bezerra - vice prefeito, grande admirador, divulgador, conhecedor e colecionador do trabalho de Luis Gonzaga, poderia ajudar.

Secretaria de Educação - fazer um trabalho nas escolas, mostrando a importância deste grande homem que tanto valorizou o nosso País e principalmente o nosso Nordeste.

Rádio Cultura - Marco Filho , Cláudio Sousa, Laéce Oliveira, Nonato Alves e todos que fazem parte desta tão valiosa emissora, para divulgar com intensidade esta tão importante data.

Aos que fazem a Rádio FM Várzea Alegre para nos apoiar também , como sempre tem feito.

Todos os varzealegrenses que têm com certeza orgulho de ter Zé Clementino como parceiro de Luis Gonzaga.

É apenas um lembrete! 
Espero contar com a ajuda de todos. 
Por favor amigos, repassem!! 

Muito obrigada.
Deci Clementino

Cel. Antônio Correia Lima - Memória Varzealegrense

Bem humorado, anedótico, jogador contumaz de gamão, o coronel Antonio Correia Lima se tornaria mais conhecido por suas qualidades de espírito do que por outras quaisquer. Sabia ser maquiavélico, usando como armas a diplomacia e o riso. Isso, sem desprezar as armas convencionais usadas costumeiramente pelos coronéis. Possuía seus cabras, não vacilando em recorrer à violência das armas como ultimo recurso. 

Era mandonista, embora sem chegar aos extremos do seu parente, o Coronel Gustavo de Lavras da Mangabeira. Conta-se que certa vez indagara do seu compadre, o Tabelião Dudal, para que serviam as câmara de vereadores. Ora, para ajudarem os prefeitos a governar! Teria respondido o notário: Ora essa! Redarguiu o manda chuva. Então, eu para governar vou precisar de verador? Na Várzea-Alegre quem manda sou eu, e pronto! 

Temente das assombrações do além, o Coronel Correia costumava emborcar as cadeiras à noite, antes de dormir. Isso, segundo dizia, para que as almas nelas não viessem se sentar. Meio surdo que era, o Coronel Antonio Correia parecia mais surdo ainda sempre que não fosse do seu interesse o que lhe diziam. Um morador chega e pede cinco mil reis adiantados. O Coronel finge não ter escutado. De repente o pedinte muda de opinião. Cinco mil reis não chegariam para as compras que pretendia fazer. Pede dez em vez de cinco. Você ainda há pouco queria cinco – resmunga o Coronel. Agora já quer dez. Eu vou lhe dar os cinco, antes que você me peça vinte. 

Tendo recebido armas e munições do Governo Federal para dar combate a Coluna Prestes, o chefe político de Várzea-Alegre viu-se em aperturas depois da Revolução de 30. Queriam por que queriam que ele devolvesse aquilo que alegava já ter devolvido. E, como persistissem as inquisições, ele resolveu viajar a Fortaleza para um entendimento com o próprio Chefe de Policia, o Coronel do Exercito Falconieri da Cunha. 

Em vão tentaram dissuadi-lo de tal propósito, tendo em vista tratar-se de verdadeiro ferrabrás o Secretario do Interventor Carneiro de Mendonça. Ele correria o risco de ser preso ou de sofrer vexame ainda maior. Mesmo assim o Coronel Antonio Correia Lima não se deixou intimidar. Veio a Fortaleza e enfrentou o ferrabrás. Você não me engana matuto! Gritava Falconieri encolerizado. Eu quero as armas da Nação! Ou você devolve ou eu lhe meto na cadeia! Mas, o chefe político atingido pela revolução de 30, tanto fez que o colérico Chefe de Policia nem o meteu na cadeia e nem mais o aperreou pelas armas em questão. E, coisa, inesperada: por ultimo terminaria ficando seu amigo. 

Chefe de uma das mais antigas oligarquias da Zona Sul do Ceara, signatário do discutível “Pacto de Harmonia Política” sancionado em Juazeiro no ano de 1911 pelos Coronéis da Zona Sul do Ceara, o Coronel Antonio Correia Lima conduziria vários dos seus descendentes aos mais altos cargos eletivos do Estado e da Federação. Destes o que mais se sobressaiu foi Joaquim de Figueiredo Correia, seu sobrinho, Deputado Estadual, Secretario de Estado, Vice-Governador do Ceara e, por ultimo Deputado Federal, posto no qual veio a falecer. 

Homem como dissemos de inicio, espirituoso, mais chegado à diplomacia do que a violência, o Coronel Antonio Correia Lima morreria já octogenário, em situação um tanto quanto risível. Ao contrario dos outros coronéis ele morreu fazendo amor e não a guerra.

Memória varzealegrense é isso - 008


Cultive a arte da amizade como se fosse uma planta rara, cercando os familiares e amigos de cuidados, como se fossem flores.
Se sua memória estiver falhando, anote numa agenda sentimental as datas mais importantes das suas vidas, e compartilhe com eles a alegria de está presente.
Com mais esta pequena parte do "Revivendo os Anos Sessenta" estamos encerrando as postagens do que representou e representa para aquela turma em termos de lembranças e saudades.

Um forte abraço a todos e a todas.


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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Memoria varzealegrense é isso - 007

Luiz Gonzaga e Jose Clementino
Quer saber um pouco da Cultura de Varzea-Alegre? Um pouco do Ze Clementino? Leia este texto.

Jose Clementino do Nascimento, o bom poeta do Boi do Banco.

Já o conhecia de nome, de fama, através de sua parceria com o Rei do Baião Luiz Gonzaga. Pessoalmente, este ano, numa animada roda de amigos, em um dos pontos mais frequentados pela sociedade de Varzea-Alegre, conheci Ze Clementino, quando o prefeito local sentenciou: "Agora Clementino, voce vai interpretar Eu sou do Banco e vai ser filmado tambem. Com espanto voltei-me para um moço, cabelo um tanto ou quanto grisalhos, não em função da velhice, e que atendeu de imediato ao pedido de Pedro Satiro. Interessante, quantas vezes me encontrei no INAMPS, pelas ruas da cidade, no Bar do Alagoano, em muitos locais da mui amada capital do Cariri, sem saber que o dito cujo era aquele compositor de tantos grandes sucessos de Luiz Gonzaga.

Ali estava o menino inteligente mas peralta, o filho do Seu Lourival Clementino do Nascimento e de Dona Emilia Maria da Silva, nascido naquele distante 02 de fevereiro de 1936, no Sitio Juazeirinho, distrito de Canindezinho, em Varzea-Alegre.

Num momento de evocação dos bons tempos da meninice, da infancia de garoto pobre, de menino da roça, Zé Clementino falou sobre o seu primeiro professor, o velho e querido mestre Joaquim Sampaio Teixeira de Oliveira. Com muita saudade recordou as aulas da professora Santa Teixeira Siebra e Amalia Correia Lima, quando frequentava as escolas particulares da cidade. Mudando de escola como se muda de roupa. Zé Clementino foi parar no unico grupo da cidade, o Jose Correia Lima, de onde, por peraltice, foi expulso. Tempos depois, pelas mãos de outro velho educador, professor Walquirio Correia Lima, voltou aos estudos, até que. Em Fortaleza, no Liceu do Ceara, concluiu o ginasial, encerrando aí, o seu ciclo de estudos.

Região -Voce não esbarrou aí certamente, porque depois nasceria o poeta, o compositor...

Clementino - Exatamente. Depois que abandonei os estudos, fui trabalhar. Fui lavador de garrafas na Fabrica de Bebidas de João Francisco, pesador de algodão na Usina de Luiz Proto. Apartir de 1962 as coisas melhoraram. Ingressei no serviço publico federal, como Postalista do antigo DCT. Com a transformação do Departamento em empresa, fiquei um longo periodo em disponibilidade, ate que fui remanejado para a Previdencia Social, onde hoje trabalho na agencia de Crato. Foi nessa fase que descobri que tinha tendencia para a poesia, para a composição musical.

Região - Quando conheceu Luiz Gonzaga?

Clementino - Foi em 1964, na residencia de Manoelito Parente, por apresentação do seu filho Paulo Parente, grande amigo do Luiz Gonzaga. Veio o primeiro LP com composições de minha autoria: Oia eu aqui de novo, contendo, entre outras, Xote dos cabeludos, Contrates de Varzea-Alegre e Xenehnnehn.

Depois surgiram outros como: Jumento nosso irmão, Sertão Setembro, Capim Novo, Apologia ao Jumento, Sou do banco.

Região - Das composições de sua autoria qual a que mais marcou sua vida?

Clementino - Tenho muitas composições, delas ineditas, mas a que marcou profundamente foi a do Hino do municipio de Varzea-Alegre, por ser uma homenagem toda especial a meu torrão natal.

Xote dos Cabeludos


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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Dia 19 de Novembro - Fatima Andrade

As Bandeiras e os Hinos são símbolos criados para representar um sentimento de unidade, de patriotismo, ou seja, tais simbologias criam um sentimento de pertença de um determinado povo a uma nação, manifestando o sentimento de nacionalidade, nacionalismo.

Obrigada a vocês, Memória Varzealegrense, por me lembrarem dessa data tão significativa, que no meu período estudantil, a emoção tomava conta, no momento de hastear, e cantar o seu Hino...

A que ponto cheguei... rsrsr sinceramente... não lembrei..
O hino é outro elemento simbólico de uma nação.

Salve, lindo pendão da esperança,
Bandeira V. A.Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra....

Fatima Andrade

MEMÓRIA VARZEALEGRENSE É ISSO - 006


Não foi por acaso que João Piau escolheu  o "Luizinho e Banda" para animar  a "Festa de Encontro" dos nossos amigos varzealegrenses no final da década de 80. Luizinho  tocou vários bailes no "Recreio Social" nos tempos dos "Brasas Seis" nas décadas de 60/70. Portanto, neste encontro, Luizinho soprou muitas brasas e acendeu muitas lembranças. Veja e ouça.


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domingo, 18 de novembro de 2012

Eliza Gomes Correia - Memória Varzealegrense

Dona Eliza em 1931

(autobiografia)
Eliza Gomes Correia – Nasci no dia 09 de janeiro de 1912 na cidade de Iguatu.

Primogênita de Ildefonso Correia Lima Primo e de Maria da Glória Gomes Correia, pais humilde, mas confortada, rodeada de carinhos de estimada por todos. Aos cinco anos incompletos, a trágica moléstia poliomielite roubou-me a vivacidade de criança. Consternando meus familiares. Os esforços da ciência médica não conseguiram uma cura radical.

A essas alturas já estudava as primeiras letras em minha própria residência, sendo as aulas ministradas pela minha mãezinha que exercia o magistério. O terrível mal interrompeu minhas atividades por espaço de tempo. Aos sete anos consegui continuar meus estudos e aos doze, conclui o primário.

Ao atingir a idade de treze anos, quando já suportava as agruras da vida e conformada com os desígnios de Deus, a morte inevitável dilacerou meu coração, arrebatando minha querida mãezinha e logo após o meu extremoso pai.

A falta destes ocasiona a triste separação dos meus irmãozinhos pequenos que já viviam com meus cuidados.

A grave situação obrigou-me a distanciar de meu torrão natal, passando a enfrentar a vida de familiares e onde existisse interesse pela minha modesta profissão de ensino rudimentar.

Cheguei a Várzea Alegre no dia 18 de dezembro de 1928, aceitando um convite de um primo carnal de meu pai. Ildefonso Correia Lima, residente no sítio Panelas, onde permaneci vários anos exercendo meus limitados conhecimentos rudimentares.

No dia 05 de novembro de 1937, por iniciativa particular, fundei uma escolinha na sede denominada “Santa Inês”, que permaneceu várias décadas ativa, passiva e bem frequentada.

Com muito amor, dediquei-me ao serviço da família, dos educandos e dos amigos. Foram anos misturados de lágrimas, de alegrias, de sorrisos e de prantos.

Estas ocorrências sucederam com auxilio da divina providência e o estímulo de corações abnegados.

Duas surpresas me sensibilizaram: A conquista de uma cadeira de rodas no ano de 1962, no governo de Juscelino Kubitschek de Oliveira e o auxílio de uma verba no governo João Goulart.

No momento de minha vida cotidiana, em dados momentos, profiro estas palavras: “Jesus vos adoro, ofereço meu coração e imploro fortalecer minha fé, meu amor ao próximo, conservando minha lucidez e minha visão até os últimos momentos da vida.

Eliza Gomes Correia.

Centenário de Dona Eliza Gomes - Isabel Vieira


TRIBUTO A DONA ELIZA GOMES CORREIA NO SEU CENTENÁRIO

"UMA MULHER DE AÇO E DE FLORES”

Não mais entre nós, porém na Glória de DEUS!  Com certeza, entre aplausos, cânticos   e homenagens celestiais, Dona Eliza Gomes completou  100 anos em 09.01.2012.  

Um  abençoado  centenário! Sua  vida..., uma dádiva preciosa  das  mãos do SENHOR! Digna  da nossa  admiração, todo respeito  e gratidão.

Dona Eliza, bem  criança, foi acometida por uma grave  poliomielite que a abalou enormemente, deixando-a paraplégica, impossibilitada, portanto, de locomover-se naturalmente. Com o carinho, apoio e cuidados dos pais foram tomadas as providências de  remediação, tratamento; à época, insuficientes, precários para a situação. 

Embora, doravante, sua vida condicionada a referidas sequelas, às fortes consequências; nada a fez desanimar, esmorecer, fracassar, parar.

Destemida e confiante,  buscou nas suas fragilidades:  coragem, otimismo, ânimo,  meios para abraçar os desafios, tocar os obstáculos , vencer as adversidades, realizar seus objetivos. 

Estudou  até os limites e condições que lhe foram possíveis. Com muita força de vontade, concluiu o curso primário.

Natural de Iguatu, Dona Eliza, inda muito jovem,  por força das circunstâncias, sobretudo, a orfandade dos pais e a consequente  necessidade de trabalhar, deixou, saudosamente, sua terra natal e seus familiares.  

A convite do primo Ildefonso Correia Lima, conhecedor do seu potencial, veio para Várzea Alegre e começou a lecionar  no sítio PANELAS  enfrentando com todo esforço e dedicação os mais variados percalços como professora rural.

Mulher talentosa, decidida, sonhadora. Uma guerreira imbatível, autêntica.
  
Anos depois, voltou a residir na  cidade. Como professora, fundou, ensinou e administrou, por vários anos,   o notável, eficiente e inesquecível EDUCANDÁRIO SANTA INÊS. Um real “canteiro de esperanças”,  para o qual,  os pais, com total confiança,  encaminhavam seus filhos à busca do ensino primário, das primeiras lições de cidadania. 

Na respeitada Escola, referidos alunos alicerçavam os seus caminhos rumo a um futuro seguro e promissor. 

Impossível de se precisar o número de estudantes que aos seus ensinamentos, à sua notável docência,   foram direcionados, por ela preparados para o ingresso ginasial. Somam-se centenas.

Hoje, entre eles, encontram-se  excelentes profissionais em diferentes segmentos sociais,  ocupando as mais  diversas e ilustres posições  dentro do mercado de trabalho por todo o nosso BRASIL; alguns até no exterior. 

Por trás do seu estilo rigoroso e autoritário de ensinar/educar,  uma enorme responsabilidade, um fiel compromisso,  uma imensa preocupação com o aprendizado, com o desenvolvimento pessoal/intelectual, objetivando um resultado positivo,  satisfatório para todos. Era o que deixava transparecer, cotidianamente, no seu  frutuoso ofício . 

Nossa mestra, dona Eliza,  uma “baluarte” nos caminhos do SABER.  Expressiva referência no processo educacional da sociedade varzeaalegrense. Com toda maestria, nas veredas do “magistério’,   batalhou sem proporções.

Um exemplo de resignação, persistência, abnegação...
Não tive o privilégio  de integrar o corpo discente da sua instituição educadora;  mas, vivi  a felicidade, mereci a HONRA de , por algum tempo,  estar ao seu lado, como “professora auxiliar”.  

É que no final do curso ginasial, em meados da década de 1960,  a gente  passando por dificuldades financeiras, minha mãe, muito sua amiga, questionou-lhe   uma oportunidade de eu ser sua auxiliar  por qualquer gratificação que lhe  conviesse  para ajudar nas despesas dos meus  estudos. 

Ela, num gesto benevolente,  ouviu e atendeu prontamente ao apelo. 

Colocando, também,  no momento,  sua necessidade, face  a sobrecarga diária das  atividades  educativas. Aludido convívio, trabalho me beneficiou largamente;  além do lado  financeiro , o aprendizado,  a troca de experiências, conhecimentos, e a AMIZADE etc.
  
Uma criatura humana portadora dos mais nobres sentimentos, das mais ricas virtudes.   Por força dos próprios méritos,  cativou e conservou um amplo circulo de amigos em toda a sociedade.

Uma católica  extremosa, recorrendo e agradecendo à DIVINA PROVIDÊNCIA a cada instante.

Pelo  grandioso testemunho de fé, de luta, de sabedoria,  de superação , sagrou-se uma verdadeira HEROINA.

Nos seus sacrificados e contínuos “ARRASTOS” sobre uma tábua,  na sua  trajetória sobre espinhos e flores,  ao longo dos anos,  fazendo rastros, deixando marcas, uma HISTÓRIA encantadora  que POUCOS conseguem capitular, cantar e contar.

DONA ELIZA GOMES CORREIA,  pessoa íntegra. Como mensageira de esperança, de luz, de fortaleza, de humildade, de perseverança, de REALIZAÇÕES... reservou-nos um valioso legado que nos orgulha e nos engrandece.
Merecidamente, PATRONA  da Academia Varzeaalegrense de Letras-AVL.

Gloriosos foram os seus passos rumo à vida “plena” na dimensão Sagrada.

Louvemos a sua “obra” fecunda e transcendente. ETERNA em nossas vidas..., SANTA no Reino de DEUS!!!

Com todo carinho...!!! 

ISABEL VIEIRA DE OLIVEIRA SILVA
Juazeiro do Norte - CE   
08 de fevereiro de 2012.

017 - Raimunda de Morais Rego, Uninha e 018 - Isabel de Morais rego.


017 - RAIMUNDA DE MORAIS REGO, UNINHA.

Raimunda de Morais Rego, conhecida por Uninha, casada com o sobrinho José Raimundo de Meneses, José do Sapo do Roçado de Dentro. Deste casal descende uma grande e numerosa família. Filhos do casal:

01 – José Raimundo de Meneses
02 – João Alves de Meneses
03 – Clara Alves de Meneses
04 – Antônia de Morais Rego
05 – Raimunda de Morais Rego
06 – Pedro Alves de Meneses
07 – Maria Meneses Diniz
08 – Antônio Alves de Meneses
09 – Raimundo Alves de Meneses

Todos deixaram grandes descendências. Hoje em dia são incontáveis os Meneses também conhecidos por Sapo, denominação da localidade em que residia o velho Cazuza. Antônia de Morais Rego era minha bisavó materna.

018 - ISABEL DE MORAIS REGO, BEBÉ DE SANHAROL.

Esta é a filha caçula de José Raimundo do Sanharol. No dia em que José Raimundo do Sanharol faleceu, a viúva Antônia de Morais Rego solicitou que retirassem o corpo para casa do major Joaquim Alves, que era irmão dele, por que ia ter menino. Nasceu a filha Isabel.
Casou-se com o sobrinho Francisco Alves de Morais, 23 anos mais velho do que ela. Era conhecida por Bebé de Sanharol. Do casal nasceram os filhos relacionados abaixo:

01 – Joaquim Alves de Morais
02 – Josefa Alves de Morais
03 – Antônio de Morais Rego
04 – Raimunda de Morais Rego.

Para se ter uma idéia, só de Josefa, minha avó, são 57 netos. 57 bisnetos do José Raimundo do Sanharol.

Faço meu reconhecimento ao trabalho do Pedro Tenente que em épocas distantes e difíceis editou um pequeno livro com dados de nossa família. Aqui finda a coletânea  dos filhos de José Raimundo do Sanharol,  18 deles com  os respectivos filhos e 7 que não deixaram descentes. 25 filhos ao todo.

Assim terminamos a narração da genealogia  de José Raimundo Duarte, José Raimundo do Sanharol.

sábado, 17 de novembro de 2012

Dayze Diniz - Por Maria Eunice Diniz Moreno e Isabel Vieira.

Dayse Diniz


Esse "retrato" de Dayse Diniz no carnaval memorável de 1963, com a fantasia do seu Bloco Os Espartanos".  Aliás, Os Espartanos e Os Orientais, marcaram nesse carnaval, o início do carnaval de rua de Várzea - Alegre juntamente com o nosso glorioso Roçado de Dentro. 

Dayse iniciava sua história como uma referência de criatividade, emoção, animação, dedicação, e muito amor pela sua cidade querida. Há muito que se deve uma homenagem a sua competência!!!!

Maria Eunice Diniz Moreno.

Homenagem - Por Isabel Vieira

Gostaria imensamente de saber fazer essa "justa e merecida" homenagem a prestimosa amiga, DAYSE DINIZ.  Realmente, essa nossa estimada conterrânea representa uma "referência", não só no segmento carnavalesco;  Mas, em todo o processo SÓCIO/CULTURAL do nosso povo. 

Dotada de admiráveis dons, portadora de grande talento e de louváveis virtudes, ela tem se empenhado "brilhantemente" no processo educativo da juventude varzealegrense; sobretudo, quando professora primária e quando DIRETORA ADMINISTRATIVA da antiga ESCOLA PRESIDENTE CASTELO BRANCO; onde deixou sua gloriosa marca, implantando e desempenhando com muita criatividade, garra , sabedoria e dedicação, um processo educacional com projetos inovadores, modernos e produtivos. Quem foi professor, aluno,ou prestador de serviço, à época, naquela Instituição, sabe falar melhor do que eu. 

DAYSE sempre foi atuante, presente, disponível, solidária em todos os momentos, em todas as situações que se fizeram e que se fazem necessárias a sua contribuição, a sua colaboração em prol do crescimento, do desenvolvimento e do enriquecimento do nosso povo e do nosso "TORRÃO AMADO".

Extremamente notável o seu excelente trabalho desenvolvido frente á Secretaria Municipal de Cultura nesses últimos anos. 

Grandioso o seu empenho, o seu compromisso, o seu ESMERO, o seu AMOR para com a ESCOLA DE SAMBA UNIDOS DO ROÇADO DE DENTRO - dedicando-se o ano inteiro no intuito de, juntamente, com os seus componentes/membros mantê-la cada dia mais forte, atrativa, VIVA no sambódramo varzealegrense para a ALEGRIA, a EMOÇÃO e a FELICIDADE de todos nós...

DAYSE, uma mulher simples, amiga, prestativa, ALEGRE, digna da nossa admiração, da nossa gratidão...Que as "bênçãos" do SENHOR sejam permanentes em sua vida. A você querida, o meu forte e carinhoso abraço.

Isabel Vieira

015 - Bárbara de Morais Rego e 016 - Mariana de Morais Rego.


015 – Bárbara de Morais Rego"

Esta filha de Jose Raimundo do Sanharol deixou pequena descendência. Casou-se com Pedro de Souza Rego. Deixou dois filhos:

01 – Jose de Souza Rego
02 – Antonio de Souza Rego.

Antonio de Souza Rego era um grande musico. Morava no Roçado Dentro e deixou uma grande descendência. Todos os filhos e netos trazem a musica no sangue.

016 – Mariana de Morais Rego"

Casada com Rosendo Alves Bezerra, dos Inhamuns. Deixaram os presentes filhos :

01 - Vicente Bezerra de Morais
02 - Maria Bezerra de Morais
03 - Raimunda Alves Bezerra
04 - Eufrásio Alves Bezerra
05 – Antonia Alves Bezerra
06 – Pedro Alves Bezerra

De todos esses filhos de Mariana só se casaram dois Vicente a Maria e deixaram pequena descendência.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Analise de textos - Fundamentos e praticas - Por Irandé Antunes.

O que se ensina na escola acerca do texto? Muito pouco! Só muito recentemente se vê uma ou outra menção a questões da coesão, da coerência, da intertextualidade, da relevância sociocomunicativa, da implicitude e de outras propriedades do texto.

No momento, um dos desafios para os professores é descobrir o que incluir em seus programas de estudo da língua, para além da simples repetição das categorias da morfologia e da sintaxe.

São bem oportunos todos os esforços por orientar e apoiar o trabalho dos professores em torno das questões textuais, sejam questões de sua produção, sejam de sua compreensão. A exploração dessas questões pode contribuir muito para que o professor vá descobrindo como ampliar seus programas de estudo da língua e, melhor dizendo, como preencher suas previsões de estudo com questões que são, de fato, relevantes para a ampla e atuante educação linguística de seus alunos.

É o que Irandé Antunes faz neste livro: explorar questões do texto coeso, coerente, relevante e adequado contextualmente.

Irandé Antunes - foto, é graduada em línguas neolatinas pela Universidade Federal do Ceará, fez especialização em linguística pela Universidade Federal de Pernambuco e é doutora em linguística pela Universidade de Lisboa. 

Leciona na Universidade Estadual do Ceará e atua como especialista em língua portuguesa junto ao Ministério da Educação e à Secretaria de Educação de Pernambuco. É autora de Aspectos da coesão do texto; Aula de português - encontro e interação; Lutar com palavras: coesão & coerência; Muito além da gramática: por um ensino de línguas sem pedras no caminho e Língua texto e ensino - outra escola possível.

013 - Antonia de Morais Rego e 014 - Leonarda Bezerra do Vale.


013 - ANTÔNIA DE MORAIS REGO.

Casada com o sobrinho José Alexandre Bezerra de Meneses, deixou uma grande descendência. Veja a relação dos filhos:

01 – Antônio Alexandre de Meneses
02 – José Raimundo de Meneses
03 – Maria de Meneses Pinho
04 – Ana Alves de Morais
05 – Bárbara de Morais Rego
06 – Josefa Alves de Meneses
07 – Francisco Alexandre de Meneses

Todos deixaram muitos filhos. Era conhecida por Tonha do Canto.



014 - Leonarda Bezerra do Vale

Foto de Leonarda Bezerra do Vale – Dadá do São Cosme – filha do José Raimundo do Sanharol, Em pé ao seu lado o neto Geraldo Bezerra que foi casado com Dandinha Vilar do lameiro em Crato. Era sogra e tia do professor Zuza Bizerra.

Casada com Jose Alves Costa. Deixaram uma grande descendência. Filhos do Casal:

01 – Maria Alves Bezerra
02 – Pedro Bezerra da Costa
03 – Antônia Alves Bezerra


Maria Alves Bezerra conhecida por Mariquinha, foi casada com o professor Zuza Bizerra de Brito, seu primo legitimo, hoje em dia com descendência numerosa. De Antônia Alves Bezerra, a conhecida Antônia Piau descende também numerosa Família.

Padre Jose Pontes Pereira - Primeiro Capelão de Varzea-Alegre.


Pelo Sem. Pedro André Bitu Bezerra - Postagem historica.

Em Novembro de 1788, casa-se Raimundo Duarte Bezerra (Papai Raimundo) com Tereza Maria de Jesus, vindo desse consórcio matrimonial a procriação dos filhos de Várzea Alegre. Tereza Maria de Jesus tinha uma inabalável fé e devoção a são Raimundo Nonato, cuja imagem em pequeno vulto possuía em sua casa num quarto de orações que mandara construir. Nas conversas que mantinha com os de sua família, manifestava sempre o desejo de construir uma capela dedicada a são Raimundo Nonato: “Tenho fé em Deus e em São Raimundo Nonato que ainda edifico nesta terra uma capela, mesmo que pequena, em sua honra”.
Tereza Maria de Jesus não teve a alegria de ver esse seu tão nobre e aspirado desejo realizado, uma vez que, em setembro de 1823, na ocasião em que nascia o seu primeiro netinho, ela, tomando em suas mãos a criança, erguia em tom de agradecimento um caloroso e entusiástico “Viva são Raimundo”, tombando sem vida logo depois. Tereza Maria de Jesus morre repentinamente sem ver o seu sonho concretizado. No entanto, sua família não esqueceria o desejo por ela ardentemente nutrido e confiante ficou a espera de um dia promissor.
Vinte e nove anos depois, em 1852, ordenava-se o Padre José de Pontes Pereira, da família Onofre e Pontes de Assaré, e natural daquele Lugar. Estando o Pe. Pontes desocupado, sem ter uma paróquia para curar e, portanto, para desempenhar o ministério sacerdotal do qual acabara de ser investido, aparecendo na cidade de Assaré o Major Joaquim Alves Bezerra, de Várzea Alegre, fez com ele um contrato para celebrar em Várzea Alegre as missas de Natal, Ano Novo e Reis, sendo que havia ali aquele quarto de orações que muito bem se prestaria a esse fim.
Decorrido esse período o Pe. Pontes, após celebrar a ultima missa do contrato, muito satisfeito e imensamente agradado do lugar e mais ainda do povo de comportamento exemplar e fé sincera, embora que sem cultivo, fez ver ao mesmo povo que se prometesse fazer para si uma casa de morada, e edificar também uma capela para são Raimundo Nonato, vinha ser o seu capelão.
De boa vontade o povo acolheu esse altruístico gesto do ilustre levita, uma vez que para ter mão desse fim, ao qual muito se aspirava, não havia sacrifícios a enfrentar, por mais intransponíveis que fossem.
Os Homens influentes da localidade mandaram logo ao Bispo Diocesano de Pernambuco a petição da licença para a construção da capela, visto que no Ceará ainda não existia bispado. O Sr. Bispo respondeu que a licença só seria dada caso o terreno onde a capela seria edificada fosse doado ao Santo. Três filhos de Raimundo Duarte Bezerra (papai Raimundo), e um genro deste, deram então por escritura pública, duzentas “braças” de terra, sendo que a medição desta se faria de duzentas braças de cada canto da capela.
Logo que concedida a licença, se fizeram iniciar os serviços (1854), sendo depois suspensos por causa dos oficiais da obra que não estavam se empenhando. Em 1855, porém, reiniciaram-se os trabalhos com muita intensidade e maior entusiasmo, ficando concluída a capela no ano seguinte, quando com cerimônia ao estilo foi abençoada. O ato solene de benção e inauguração da capela ocorreu no dia 2 de fevereiro de 1856, sendo a cerimônia oficiada pelo Pe.Manoel Caetano, então coadjutor do Icó.
Como prometera, o Pe. Pontes veio para Várzea Alegre e ali permaneceu, na qualidade de capelão, até 11 de maio de 1859, quando vítima do cólera morbus veio a falecer. Conta-se que naquela época todo o interior fora acometido por esse mal, e durante a santa missa, no momento da elevação, o Pe. Pontes oferece sua vida em Holocausto: “Fazei de mim, Senhor, a última vítima ,nesta terra, deste terrível mal e poupai esta humilde e sofrida gente”. Segundo o que é atestado, O Pe. Pontes foi praticamente a última vítima do cólera a morrer em Várzea Alegre, sendo que poucas horas depois dele, morreu apenas uma menina de nome Bárbara, que já se encontrava em fase terminal. Os restos mortais do Pe.Pontes jazem em Várzea Alegre no local onde encontra-se erigida a capela de Santo Antonio, à entrada da cidade.
Viveu pois plenamente o seu sacerdócio e pastoreio ,uma vez que a exemplo do Cristo que faz sua a vida da humanidade e por ela dá a sua , igualmente Padre pontes, configurado a cristo pelo sacerdócio, fez sua a vida daquela humilde gente desde o momento que mostrando-se não ávido de pretensões carreiristas, ofereceu as primícias do seu ministério sacerdotal aos trabalhos, não menos nobres, de uma capelania numa pequena vila no interior do Ceará. Isigne foi o coroamento do seu breve sacerdócio, onde une o sacrifício da sua vida ao sacrifício redentor de Cristo. A vida do Pe. Pontes encontra na ara o seu clímax. Vida e morte pelo povo e para Deus: Fidelitas Christi, fidelitas sacerdotis. Como colaborador fiel de Cristo, a ele se aplicam as palavras do evangelho de João: “Bonus Pastor animam suam dat pro ovibus suis”.
Sempre será oportuno lembrar que o Pe. Pontes durante aquele pequeno lapso de tempo que permaneceu em Várzea Alegre, fez tudo pelo seu progresso deixando aquela capelania em condições tão favoráveis e promissoras que, sem sacrifício algum, foi em 30 de novembro de 1863 criada a paróquia de Várzea Alegre, por decreto de sua Exa. Revma. Dom Luiz Antônio dos Santos, sob a invocação de São Raimundo Nonato e guarda pastoral do Pe. Benedito de Sousa Rêgo. 


012 - ANA ALVES DE MORAIS.


Casada com Antonio Alves de Morais Feitosa, filho do Manuel Alves de Morais Feitosa, da fazenda Pita no Arneiroz. Deixaram os filhos relacionados a baixo:

01 – Jose Alves Feitosa – Dudau
02 – Ana Alves Feitosa
03 – Maria Alves Feitosa
04 – Antonia Alves Feitosa.

Jose Alves Feitosa, conhecido por Dudau, foi uma das maiores inteligências de Várzea-Alegre, não deixou filhos. As outras três irmãs deixaram vários filhos.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A VARZEA-ALEGRE - POR JFLAVIO VIEIRA


Várzea Alegre é possivelmente a mais bem humorada cidade do Cariri. Difícil ver um varzealegrense trombudo , de cara amarrada. Qualquer rodinha de praça, basta se acercar para se perceber alguém contando uma potoca, uma presepada e rindo da própria desgraça ou do infortúnio alheio. Talvez por isto mesmo seja seu povo tão umbilicalmente ligado à sua vilinha. O sujeito ganha o mundo – e nossos varzealegrenses têm esta sina de judeu --- mas simplesmente nunca em verdade sai da beira do Riacho do Machado. Qualquer oportunidade está de volta. Ganha um dinheiro a mais e retorna, às carreiras, para aplicar na terra prometida. Férias ? Que diabos de Europa lá nada ! Pica à toda para a deliciosa terra de Papai Raimundo. Por nunca abandonar emocional e espiritualmente a terra natal, varzealegrense que se preza, também, não se contamina com sotaques alienígenas. Conheci caboclo que saiu ainda menino do Sanharol, para São Paulo e depois de quarenta anos distante do torrão natal, falava o bom e adocicado dialeto nordestino, sem história de “uais” e de “carambas”.Talvez por isto mesmo a vila conserve, historicamente, o mais animado carnaval caririense . É que o Reino de Momo carece de despojamento, de irreverência, de alegria. Várzea Alegre é o Cariri com os dentes à mostra, o sorriso escancarado do Sul do Ceará.
A cidade ri primeiramente dos seus contrastes. E nisso se mostra única. Estes contrastes são escarafunchados por todos e guardados cuidadosamente no baú da memória popular. Dizem que começa já pelo nome: não é Várzea e nem Alegre. Aí segue um sem número de disparidades. A porta da catedral é de ferro e a da prisão , de madeira. O cabaré fica na Rua da Paz e o presídio na da Liberdade. A cafetina mais famosa daquelas paragens se chamava Maria Justa e as meretrizes mais perseguidas carregavam nomes que beiravam à santificação: “Santinha”, “Mocinha” e “Das Virgens”. Num dos bares mais importantes da cidade ( pasmem vocês) ocorreu um incêndio na geladeira e que só foi apagado, pela improvisada brigada de incêndio local, quando se utilizou um tamborete. Anos atrás na Semana Universitária Varzealegrense ( SEMUVA) organizaram um campeonato de futebol de salão e sabem quem ganhou ? O valoroso Time do Mobral. Não bastasse isso, anos atrás, o rabecão da polícia chegou com a placa de Boa Viagem: o sujeito preso dentro, na maior sugesta, e aquela placa desejando estranhamente uma Boa Viagem ! Em tempos passados, quando juiz era um cargo eminentemente masculino, a cidade tinha a sua primeira juíza e também o querido Padre Otávio que já viúvo se ordenara. Alguém vindo do sítio queria falar com o juiz e disseram, para sua surpresa, que ele não podia atender pois estava na Maternidade, buscou o padre na igreja e quase cai quando lhe informaram que ele tinha ido deixar os filhos na escola. “Zé Grande” é um dos anões da vila e “Meninim”, um gigante que poderia jogar num time de basquetebol americano. Estes contrastes se apinham aos montes e dariam um livro volumoso que ainda precisa ser cuidadosamente compilado.
A cidade assim vive prenhe de figuras irreverentes e espirituosas de chiste armado, de piada na agulha. Lembro de uma infinidade deles: O velho Vicente Vieira, Zé Odimar , Zé Clementino, Zé Gonçalves, Emílio Alves Ferreira, Henrique Hipólito, Neguim, os dois Manuéis Vieira, André e Joãozinho Batista, Assis Monteiro, Zé Vieira, Padre Vieira, Expedito e Afonso Salviano, Jotinha, Zé Bedeu e tantos, tantos outros que ajudaram a tornar esta vida menos pesada , menos séria e menos chata. Afinal não se deve levar em alta consideração uma viagem sem volta em que começamos a primeira estação nus e chegamos à última de alforjes perfeitamente vazios.
Em homenagem a tantos humoristas do nosso cotidiano é que vou narrar os dois últimos contrastes da querida terrinha. O primeiro vem do Sítio Calabaças. Dois amigos ali viviam e eram mais desmantelados do que carga de fato em cambito. Jesus e Pedro gostavam e ir a uns sambinhas juntos e ,de vez em quando, corria uma mão de lambedeira. Bastava uma dama saltar um cavaleiro. Dia desses , nosso Jesus resolveu tirar uma moça para dançar e ela recusou sob a clássica alegativa de cansaço. Não bastasse este desaforo, caiu na besteira de aceitar, logo depois, ir saracotear no salão com um outro par. Com a impensável agressão, abriu-se, de imediato o arranca-rabo e o saldo foi terrível. Pedro matou um dos combatentes e Jesus cortou a orelha do sujeitinho que resolveu lhe desacatar bailando com a moça. No outro dia, o comentário era geral. Em Várzea Alegre, tudo é diferente: na Galiléia o discípulo Pedro cortava a orelha de soldado e Jesus emendava. Aqui Pedro mata o povo e Jesus corta orelha !

Outra. Recentemente um rapaz retornou a Várzea Alegre, trazendo alguns cobres do Sul e resolveu investir na sua terra natal. Montou uma Casa de Eventos. Na realidade uma latada grande, cujo cordão de isolamento era uma cerca de grossas estacas e com nove fios de cordas de nylon que envolviam toda área da Casa. Pois bem, no sábado houve , por fim, a inauguração. Uma festa de arromba , com dois sanfoneiros , trianguistas, zabumbeiros. De repente, começou um vuco-vuco no meio da latada. Empurra daqui, tapa dali, um dos agressores tentou puxar uma faca da cintura, só que sacou junto com bainha . No meio do sururu, a faca caiu no solo, antes de ferir alguém. Vários competidores pularam no chão tentando pegar a arma branca. Enquanto isto o povaréu tentava fugir da confusão, mas como ? As fortes cordas da cerca de isolamento não deixavam. No puxa-empurra-derruba um sujeito consegui pegar a lâmina e um outro ficou só com a bainha. O que estava apenas com a bainha deu de garra de uma cadeira de Bodocó e lascou na cabeça de um dos brigões. Bateu seco e o cabra caiu revirando os olhos e no mesmo dia fez a viagem derradeira. Já o que pegou a lambedeira, correu, cortou as cordas e liberou todo o povo que angustiado tentava escapar da batalha. No outro dia, os comentários na cidade resumiam perfeitamente a vocação contrastante de Várzea Alegre.
--- Rapaz, só em Várzea Alegre mesmo ! O cabra que tinha a bainha matou um , já o que estava com a faca, salvou todo mundo. Pode ?

LULU - POR DR. SAVIO PINHEIRO



Lulu, 62 anos, portador de Síndrome de Down é filho de Várzea Alegre, cidade conhecida como a Terra dos Contrastes pela irreverência de seu povo e pelos fatos pitorescos vividos por aquela gente, e que foi imortalizada pelo grande sanfoneiro Luiz Lua Gonzaga, o rei do baião, com a música “Os Contrastes de Várzea Alegre” do genial compositor José Clementino, que além de ser filho da dita terrinha é primo do nosso personagem central.

Quem teve a infância nessa cidade, nos anos sessenta, conviveu com as peripécias de um jovem com a idade de adulto, mas com uma mente infantil e original. O astuto Lulu aprontou várias na sua terra natal. Certa vez, foi transferido para um sítio na periferia da cidade por pegar no traseiro de um Juiz de Direito, que por acaso era uma mulher. Este fato obrigou o seu pai a lhe dar umas férias no campo para não lhe causar constrangimento.

O seu visual era o retrato da sua irreverência. Calção largo, camiseta de meia (possuía dezenas), uma pilha de revistas em um dos braços e um cassetete na mão livre que só servia para assustar os intrusos que ousassem adentrar no nosso meio de brincadeiras e de peripécias.

Pois bem. Fui informado que, recentemente, a família o levou para um exame médico em Recife, onde mora um irmão seu, o qual teve a curiosidade de consultar um especialista, já que não era tão comum, há tempos atrás, um portador desta síndrome, viver tanto.

O médico, após exame minucioso, constatou ser o Lulu ainda saudável com a maioria de seus sistemas e órgãos em pleno funcionamento apesar do seu aspecto envelhecido, comum em todos os portadores de tal síndrome, e que as malformações tão frequentes nessas pessoas não o tinha afetado, o que lhe fizera aumentar bastante a sua expectativa de vida.

Foi aí que um fato interessante aconteceu. O médico, tentando explicar para a família a relação das idades dos portadores de Síndrome de Down e da população geral, utilizou uma técnica pedagógica simples: Exemplificou, que o fato do Lulu ter chegado a essa idade diante das inúmeras malformações e complicações comuns nessa situação, era como que ele tivesse o dobro de sua idade, ou seja, 124 anos.

O seu pai, que não havia se manifestado uma só vez durante toda a consulta, retrucou: - Alto lá doutor! Que ele já viveu bastante, isso eu já sabia... Agora, dizer que ele é mais velho do que eu, que sou seu pai, isso eu não aceito!

- Nem em Várzea Alegre, que é a terra dos contrastes, eu aguento uma dessa!

MEMÓRIA VARZEALEGRENSE É ISSO, IV.

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Quando José Clementino  assumiu  os serviços do INSS agência do Crato, fixou residencia no Edifício Maia localizado a Rua Dr. Miguel Lima Verde - Centro. Não muito distante, a Rua Duque de Caxias ficava a agencia do INSS e, entre os dois endereços o memorável "Bar do Alagoano", o mais tradicional ponto do Crato.

Ali era o local de encontro dos varzealegrenses que moravam e trabalhavam na cidade. Ao meio dia, parava-se para  tomar três dedos de pinga e levar um dedo de prosa e, abrir o apetite como muitos dizem.

José Clementino carregava em seu semblante um sentimento de saudade, ausência e amor por sua terra, era assim que se via aquele homem brando, manso, e, de uma ternura impar. José Clementino tinha uma gratidão muito grande por tudo aquilo que terminasse  fazendo um varzealegrense feliz e de bem com a vida. 

Veja no Video o Zé cantando: Obrigado São Bernardo, um agradecimento e reconhecimento as oportunidades que  aquela cidade paulista ofereceu aos nossos  conterrâneos.

011 - PEDRO ALVES DE MORAIS, PEDRINHO DO SANHROL.


Pedro Alves de Morais, Pedrinho do Sanharol, casou duas vezes. A primeira com Maria Alves Bezerra, conhecida por Nenen, filha de Manuel Leandro Bezerra, e a segunda vez com Maria Bezerra de Morais filha de Mariana de Morais Rego, como vemos ambas as esposas eram sobrinhas legitimas.

Filhos do primeiro casamento:

01 – Manuel Alves de Morais
02 – Jose Alves de Morais
03 – Antonio Alves de Morais

Do segundo casamento:

04 – João Alves de Morais

Estes quatro filhos do Pedrinho deixaram uma grande descendência. A progressão é mais que geométrica.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

MEMORIA VARZEALEGRENSE É ISSO - III

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Em nossa idade, depois de meio seculo, a vida já percorreu estradas, dobrou esquinas e optou em encruzilhadas. Já errou, já acertou, já deslizou, já se arrependeu e, inevitavelmente, o tempo se foi.

Viveu amigos, perdeu-se amigos, alguns pela mão de Deus, outros pelo enfraquecimento do viver e da convivência.

Hoje o nosso alhar em direção ao mundo continua mais lindo, pois na longa caminhada dos sentimentos, aprendemos a somar, a dividir e a multiplicar, sem chances de diminuir no conhecimento do sentimento e das amizades.

O saudosismo maduro chega de mansinho e se aloja em nossa vida, sem tempo para acabar. O caminhar é sereno, a cumplicidade existe, o saudade é mais expontanea, não nos inibimos diante do querer, a sintonia é completa e as lembranças são depositadas no álbum das saudades, que guardamos, de um tempo que não volta mais.

Lembrar nunca é demais. Feliz daquele que tem um coração, capaz de lembrar os amigos e acima de tudo saber ser lembrado por eles.

Veja 4,02 - quatro minutos e dois segundos de um encontro marcante.