VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

domingo, 30 de junho de 2013

005 - Foto Memórias! - Memória Varzealegrense

Edmilson Martins Lima

É bom ver um pouco da nossa história através de fotos que nos trás de volta entes queridos e amados.

Seria também bom que outros varzealegrenses quando revendo seus velhos álbuns, ao se deparar com fotos como essas não deixe de enviá-las.

Vi duas fotos da primeira turma de formandos do Ginásio São Raimundo, que foi também minha primeira turma de alunos, foi aí que iniciei minha carreira de professor. 

Enviei recentemente mais três Fotos: Uma minha de quando iniciei minha carreira de professor e outras de Joemira e Joeci Martins  filhas de "Mestre Joel" de saudosa memória.

Se alguém tiver mais alguma foto dos blocos de carnaval de 1963, Espartanos e Orientais não deixe de publicá-las. 

Edmilson Martins Lima

quinta-feira, 27 de junho de 2013

004 - Foto Memórias! - Memória Varzealegrense


Time CÓRO 


Primeiro time a Jogar no Antigo Juremal em 1952, são os jogadores: 

01-José rolim (tecnico), 02-Macena, 03-Raimundo Bié, 04-Nenem de canuta, 05 Nego de Mariano, 06-Manoel Flandeiro, 07-Cicero Teotonho, 08-Mundinho da Varjota, 09-Damião de Cota, 10-Zé Negão(goleiro), 11-Deda Augusto, 12-Tetera, 13-Joaquim de Paula


Time Uirapuru



Primeiro time de futebol em 1939. Atletas: Joaquim Diniz, Mascote de Juazeiro e Nego Penanbucano

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Várzea Alegre - Memória Varzealegrense

ALEGRE  VÁRZEA - MUNDIM DO VALE

Não foi à toa que nossa cidade ganhou este nome. Ela faz jus com muita categoria. Quando os conterrâneos se encontram não faltam histórias engraçadas envolvendo a cidade e seus moradores. Esforçando a minha memória e ouvindo algumas pessoas eu passei para o papel alguns causos irreverentes do nosso lugar. Só os nomes como as pessoas são tratadas e os contos fantasiosos de alguns já justificam esse catálogo.
Alguns nomes:
- Antônio de Manoel de Pedro do Sapo
- Chico de Antônio Chico do Chico
- Nonato de Pedro de Antônio de Souza do Roçado de Dentro.
- Chico de Zé Joaquim da Unha de Gato
Algumas histórias:
- Foi Manoel Cachacinha que numa das suas  embriaguês  habitual, criou o slogan
“ Várzea Alegre é natureza. “
- Chagas de Rosendo dizia que tinha arrancado uma botija no oitão da casa de José Raimundo, mas quando tava contando o dinheiro o bando de lampião tomou e ainda ferrou a bunda dele. Mas ninguém nunca viu a marca.
- Valeriano contava que foi seqüestrado por extra-terrestres  e passou uma semana  à bordo de um disco voador, só foi liberado depois que confessou que na Varjota tinha nascido  um menino com duas cabeças.
Gregório Gibão dizia que tinha morrido engasgado com jatobá, mas quando chegou no céu, Deus mandou ele voltar e ainda disse que só era  para ele morrer depois que Raimundo de Jessé se casasse.
- Assis de Pacim dizia  que uma vez estava  soltando uma  arraia, veio um vento forte e puxou a arraia com ele até as nuvens. De lá ele teve a melhor visão aérea da cidade.
- Chagas Taveira criou o personagem “ Xô Meruanha “ um gigante extremamente desproporcional, que ficou para a cidade como Iracema ficou para Fortaleza.
- João Sem Braço, quando o assunto é sobre a terra do arroz ele fala:
- Eita Vazalegre boa! Só é longe.
É por essas e por outras, que eu invento de escrever sobre essa nossa VÁRZEA  sempre ALEGRE.

Raimundinho Piau

segunda-feira, 24 de junho de 2013

003 - Foto Memórias! - Memória Varzealegrense


Família Martins enviada por Edmilson Martins.

Da esquerda para a direita, na frente: João Alves "Mestre João Alves" e Azarias Martins. Por traz, Joel Martins "Mestre Joel!", minha tia e madrinha Antônia Alves de Lima (Totônia), sentado, seu esposo Fausto Martins, a seu lado, sua filha Anita, minha irmã Anália e Ana Alves irmã de João Alves.

002 - Foto Memórias! - Memória Varzealegrense


No centro da foto, sentada, Dona Vicência Jorge de Alexandria, Vicencinha da Varjota como era chamada por todos. E, para nós, seus descendentes, "mãezinha".

Ao seu redor, da esquerda para a direita, primeiro plano: Em pé Toinha Daniel, filha de João Daniel e Maria Alves de Lima, sentada ao lado de Dona Vicência (Mãezinha), a maravilhosa Anita Martins, do outro lado, também setada, Milita de belíssima voz e em pé Lourinho.

Por trás, em pé: Dois irmãos de Milita Cujos nomes me fogem no momento. De terno escuro, Fausto Martins, pai de Anita, Joel e Azarias. José Martins, meu pai, Chico Siebra, chamado de Chico de Vina. Por último, José Ildefonso de Lima, Zezinho do Baixio de Exú, pai de Maria esposa de Azarias Martins. 

Edmilson Martins Lima

domingo, 23 de junho de 2013

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

EM  DEFESA  DO  SERTÃO.

MOTE:

QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Amigo da capital
Manere seu linguajar,
Não venha você falar
Do nosso torrão natal.
Você, só quer ser o tal
Mas na alimentação,
Vai daqui nosso feijão
E é por isso que eu digo.
QUEM QUISER SER  MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL   DO   SERTÃO.

Tudo que você falou
Foi um tanto improcedente,
Fez uma crítica indecente
Com as besteiras que citou.
Para Deus você pecou
Com tamanha aberração,
Mas Padim Ciço Romão
Vai aplicar seu castigo.
QUEM QUISER SER  MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL   DO   SERTÃO.

No sertão tem alegria
Como em qualquer lugar,
Você generalizar
É ato de covardia.
Se você quiser um dia
Durante o mês de São João,
Conhecer animação
Pode até contar comigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Você mora na cidade
E eu moro aqui no mato,
Mas vamos fazer um trato
Sem faltar com a verdade.
Curta a sua vaidade
Viva a vida de barão,
Deixe eu curtir o torrão
Onde enterrei meu umbigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Quem é você pra falar
De um lugar que não conhece?
Nosso sertão não merece
É bom você se calar.
Eu defendo o meu lugar
Em qualquer situação,
Não gosto de confusão
Mas se precisar, eu brigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Fique com o seu conforto
Que eu fico com o aperreio,
Mas eu acho muito feio
Esse seu assunto torto.
O sertão não está morto
Só precisa de atenção,
A sua provocação
É coisa que eu não ligo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO  FALE   MAL   DO   SERTÃO.

Falou da nossa pobreza
Que o sertão tem carência,
Mas esquece a violência
Que existe em Fortaleza.
Em você faltou nobreza
De quem se diz cidadão,
Meteu o pé pela mão
E lhe entender não consigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Se você me prometer
Não falar do meu lugar,
Eu posso lhe convidar
Para você conhecer.
Mas você tem que saber
Que lá não tem divisão,
Trate o povo como irmão
E não como um inimigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL   DO  SERTÃO.

Não diga lá a ninguém
Que o sertão é carente,
Converse com a nossa gente
Como um matuto também.
O sertanejo é do bem
E não gosta de questão,
Eles dão o seu perdão
E oferecem um abrigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Mundim  do  Vale
V. Alegre - Ceará

quinta-feira, 20 de junho de 2013

001 - Foto Memórias! - Memória Varzealegrense


Caros Amigos e Conterrâneos, estou enviando esta foto tirada no antigo CREVA quando ainda situava-se onde hoje é o mercado publico, na festa de abertura do clube.

Gostaria que alguém identificasse as duas meninas da esquerda.

No Centro sentados da esquerda para a direita: meu primo Ildefonso Leite, Azarias Martins, meu primo co-irmão. Seguindo Dulce, eu Edmilson Martins conversando com Marta de João Miguel sentada ao lado do seu primo José Clementino que estava ao lado de Dedê de Joaquim Francisco com quem namorava, na época.

Acredito que a garota de branco à esquerda é Maria Clementino, irmã José Clementino.

Em pé, por trás de Azarias, Meu Amigo Chico Barros de saudosa memória. 

Edimilson Martins Lima

terça-feira, 18 de junho de 2013

025 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

BARRÃO  TEIMOSO.

Esse causo aconteceu no ano de 1955, no sítio Vazante em Várzea Alegre – Ceará.
Certo dia o Sr. Raimundo Beca, chamou seu filho Benedito e falou:
- Benedito. Vá lá na casa de Zé Piau na Lagoa do Arroz e diga a ele que eu mandei pedir o barrão dele emprestado, para cruzar com a minha novia de porca.
Benedito pegou uma corda e disse:
- É pra já!
Chegou na casa de Zé Piau, deu o recado do pai e Zé piau disse:
- Pois não. Pode levar, mas ele vai lhe dar um certo trabalho.
O barrão não queria fazer aquela viagem, Benedito passou mais de uma hora só para conseguir amarrar a corda no mocotó do porco. Depois foi outra luta para chegar até a estrada. Vocês sabem como são os porcos, eles andam dez metros para a frente e vinte para trás.
Benedito chegou na cerca, passou primeiro o porco, depois ficou tentando passar, foi quando o bicho deu uma arrancada. O condutor caiu por cima de umas raízes de oiticica, o barrão aproveitou e ganhou o mundo em direção do baixío de João do Sapo. Saiu o porco gritando na frente e Benedito gritando atrás. Felizmente tinha um pessoal limpando arroz e fizeram uma barreira humana para imobilizar o porco. Benedito agradeceu e voltou com o porco para a estrada. Suviu a ladeira de Cirilo com muito trabalho, mas quando chegou na cancela de Zé Vicente, o barrão escapou novamente e partiu na direção do Ronca. O barulho dos dois era tão grande que todo o pessoal da Lagoa do arroz escutou.
O porco que estava mais cansado do que Benedito, chegou no pé da serra do Gravié e não conseguiu mais correr.
Benedito chegou, botou o joelho na cabeça do porco e falou:
- Cabra teimoso. Se você subesse o qui é qui vai fazer, num pricisava deu levar na marra. Mais agora você vai nem qui num queira.
Juntou as duas patas dianteiras com uma mão e as duas trazeiras com a outra, jogou o Barrão no ombro e disse:
- Você tá pegado é cum um omi!
Saíram o porco gritando e ele cantando:
- “ Quer ir mais eu ramo,
Quer ir mais eu rambora. “
Quando passaram na casa de dona Mimosa, o barrão já ia sem o rabo e benedito sem um pedaço da orelha.
Finalmente chegaram em casa, Benedito foi subindo a calçada, quando a sua mão Maria gritou:
- Êpa! Por dentro de casa não. Podem ir pelo terreiro, que vocês dois tão muito fedorentos.
Benedito foi pelo oitão e jogou o barrão quase nos pés de Raimundo Beca. Raimundo olhou para o filho com um certo despreso e falou:
- Mas Benedito. Como é que você saiu daqui às sete horas da manhã e vem chegar às cinco da tarde. Agora não vai mais precisar do barrão não, porque você tava custando e eu mandei João pegar o de Caetano. Você volte com o porco entregue de volta e diga a Zé Piau qe eu mandei agradecer.
- Pai. Apois deixe eu tumar um bãe premêro pruque esse infiliz me cagou todim.
- Deixe pra tomar banho quando voltar, porque você vai se sujar de novo.
Benedito concordou e estirou a mão para o pai. O pai zangado falou:
- Praque essa mão. Eu não já lhe abençoei hoje?
- Já. Mais é pruque eu sei qui num vorto mais hoje.
- E não volta porque? A Lagoa do Arroz é bem alí.
- É pruque pai num intende. Poico é o bicho mais teimoso do mundo. Só que fazer o contraro. A gente quer lavar ele pru lado do nacente e ele só quer ir pru lado do poente.
- Pois você faça assim; Diga a ele que vocês vão para os grossos. Mais arribem logo daqui, que eu  não aguento mais essa catinga.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Memórias - Documentário Zé Clementino

Documentário Zé Clementino - Memória Varzealegrense

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Continuação

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Fonte: Studio JT

024 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

CACHORRO  TAMBÉM  TEM  PAI.

Em Várzea Alegre-Ceará, uma vez o machante AnTônio Pagé, cortou uma carne de gado, chamou seu Filho Luizão e recomendou:
- Luiz. Vá deixar essa carne de gado na casa de Zé Cardoso lá no Gravié. Mas tenha muito coidado com Totó, qui ele custuma atacar as pessoa.
- E quem é Totó?
- Totó é o cachoro dele.
- Marrói a eguage de pai. O segredo pra cachorro é só a gente num ter medo dele.
- Mais tenho coidado, que cachorro num sabe quem é qui tá cum medo não.
- Era só o qui fartava. Eu desse tamãe ter medo dum vira-lata.
Luizão partiu com a carne, quando chegou no Gravié, bateu a cancela e foi até a casa grande. Chegou na calçada e no momento que ele bateu palmas, partiu um cachorrinho pequeno danado latindo perto dele.
Luizão olhando para aquele cacchorro tão pequeno e tão atrevido falou:
- Vai crescer infiliz!
Levantou o cachorro pela orelha dizendo:
É tu qui faz medo o povo?
Era o cachorrinho grunindo e Luizão gritando:
- Cadê tua valentia. Totó?
Quando acabou de dizer Totó. Sentiu as duas patas  de outro cachoro no seu ombro. O cachorro ainda não tinha atacado o pescoço de Luizão porque estava com a boca ocupada latindo.
Naquele momento apareceu a salvação de Luizão.
Zé Cardoso chegou gritando:
- Larga Totó! Larga Totó!
Totó obedecendo ao seu dono largou mais ainda levou a gola da camisa de Luizão. Se não fosse a chegada repentina de Zé Cardoso, Luizão teria sido sangrado por Totó.

Aquele susto serviu para Luizão saber que cachorro também tem pai.

domingo, 16 de junho de 2013

023 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

SANTO  ANTÔNIO  DO  BURACO.

No ano de 1957, tinha no então distrito de Maracanau, uma localidade com o nome de Santo Antônio do Buraco. No local tinha um prédio do governo para recolher menores infratores, crianças abandonadas e ainda aquelas que os seus pais não tinham controle sobre elas. O nosso amigo e conterrâneo Waldefrance Correia, passou uma temporada interno por lá, até o dia que fugiu pelo banheiro e foi à pé até Fortaleza.
Eram constantes as ameaças dos pais de mandarem seus filhos danados para o Santo Antônio. Eu escutei muito à fraze:
- Raimundo. Você tenha cuidado. Se não eu lhe mando para o Santo Antônio do Buraco.
Certo dia meu pai me mandou comprar uma garrafa de manteiga da terra, na casa de Beliza. Quando eu vinha de volta, que passava na calçada de dona Vicência Primo, Liziê estava na janela e foi logo dizendo:
- Eita. Raimundim! Tu vai passear não é?
- Não tou sabendo não.
- Pois vai. Essa manteiga é pra tu levar.
- E pra onde é que eu vou?
- É para o Santo Antônio do Buraco.
Depois que ela disse aquilo, eu não quis mais conversa, me sentei no batente da porta e fui tratando de desenvolver uma ideia para bloquear aquela viagem. De repente me estalou a ideia de quebrar a garrafa da manteiga, fui até o calçamento, joguei a garrafa uns dois metros para cima, para ter a certeza de que ela não ficaria inteira. O pedaço maior que ficou cabia numa tampa de garrafa. Fui para casa  já ensaiando um chouro e o discurso. Meu pai quando me viu chorando perguntou:
- Que chouro é esse, Raimundo.
- É porque quando eu vinha passando na casa de Dona Vicência, a calçada estava molhada, eu escorreguei e quebrei a garrafa.
- Pois não precisa chorar não. Pegue esse dinheiro e vá comprar outra.
- Mas papai. Liziê me disse que tá todo mundo comentanto, que a manteiga de Beliza é rançosa.
- Pois sendo assim esqueça a manteiga e vá lá na bodega de Zé Augusto e compre um quilo de queijo do Inhamuns.
- E papai não tá sabendo não?
- Sabendo de que?
- O queijo de Seu Zé Augusto tá envenenando o povo. Já envenou a Família de Seu nelim e a De Seu Mundim  Tibúrcio.
- Então esqueça o queijo também.

Dedicado aos meus amigos; Carlos de Beliza e Alberto Siebra.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

004 - Memórias - Memória Varzealegrense


Banda de Musica Várzea Alegre foto de 1974


Identificando: Mestre Chagas na frente em seguida Expedito de Rosa, Jacinto, Seu Luiz Preto, Zuquinha, Zé de Mestre Antônio, Antônio de mestre Chagas, Chico Felício, Eu (Francisco Jose) o 3º da coluna do Seu Luiz Preto, e Vicente de Edimilsom. Eram integrantes da banda que não aparecem na foto: Antônio Briante, Mané de Mestre Antônio e João de Vitor.

No final da década de 1960 foi criada a banda mirim de Várzea Alegre.

Começou com muitos alunos, mas durou pouco, pois muitos desistiram, e a mesma foi se desfazendo, por falta de incentivo entre os motivos, poucos instrumentos e até mesmo uma sede própria para ensaios. 

Por diversas vezes os ensaio eram em casa dos próprios músicos. Com o falecimento do Mestre Antônio (maestro da banda antiga) na época, os músicos veteranos, por motivos dos quais desconheço, abandonaram a banda velha até então regida por aquele grande maestro. 

Houve então a fusão das duas bandas que deu origem a essa da foto, e passou a ser regida pelo saudoso mestre Chagas. 

Eu como membro da banda mirim que estava em fase de extinção passei a integrar a banda municipal de Várzea Alegre até o ano de 1974, quando tive que abandonar, pois vim pra Fortaleza, em janeiro de 1975. 

Essa foto foi tirada em frente da então Usina Diniz, em meado do ano de 1974.

Hoje tenho boas recordações do período que integrei a banda Municipal de Várzea alegre e sempre que com muita saudade ao assistir a fasta do nosso querido padroeiro.

Francisco José de Sousa

quarta-feira, 12 de junho de 2013

022 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

UM  CAUSO  SONHADO - MUNDIM DO VALE

Ontem de noite eu sonhei que estava em Várzea Alegre, de saída para a quinta do Judas no Sanharol, quando chegava Punduru numa bicicleta velha e me dizia:
- Raimundim. Souza Sobrinho mandou eu lhe levar pru Bonizaro, para você ajudar a ele na festa do Juda. A princípio, eu pensei em não atender, mas em virtude da insistência resolví fazer aquela viagem. Quando nós chegamos eu avistei logo duas tarefas de terreiro bem varrido e agoado, uma calçada alta e uma sala grande onde tinha mais de vinte redes armadas.
Os convidados;
- Raimundo Leandro e dona Raquel. – Fatico, fihos e netos. – Maurício, filhos e netos. – Osmar, Joaquim e Antônio de Sérgio. – Tito e Dedê. Pé Véi. – Veira. – Neguinho das Gaiolas. – Luís Justino. – Raimundo de Durval. Zé de Totô. – Cícero Moucho. –Antônio de Gabriel. – Luís, Divino e Zé Branco. – Zé, Chiquito, Antônio e Renato Bilé. – Jerônimo Bilé. Telma Morais. – Cláudio Souza. – Raimundo de Souzão e Teresinha. – Chico Primo e outros que não deu para visualizar.
As brincadeiras;
- Testamento e enforcamento  de Judas. Quebra Pote. – Cai no Poço e outras mais.
Fui recebido pelo poeta Souza Sobrinho que foi logo me dizendo:
- Raimundim. Eu mandei lhe chamar para você me ajudar a fazer o testamento do Judas.
Eu ainda enfadado da viagem respondí:
- Sousa. Eu escapei da viagem mas estou só o intertelo. E tem mais eu estava de saída para a quinta do Sanharol.
- Pois se deite naquela rede para descansar um pouco, que eu vou fazendo com o Cláudio Sousa e depois eu lhe chamo.
Logo que eu me deitei chegou Manchete com Ana Márcia e Ana logo perguntou:
- Fia. Quem é aquele veim que tá naquela rede?
- É Raimundim, Mas não mecha com ele não, se não ele vai bater no Sanharol e mais tarde eu vou precisar dele para me ajudar.
- Valha como Raimundim tá acabado! Tá a cara de seu Fábio Pimpim.
Próximo de onde eu estava tinha um Judas sentado numa cadeira de balanço, fumando um charuto Havana e lendo a revista Luluzinha. Souza chamou o Neguinho das Gaiolas e recomendou:
- Neguinho. Preste bem atenção! Você vai ficar aqui do lado do Judas, para não deixar ninguém roubar, que mais tarde João Piau vem para filmar. Mas tenha muito cuidado, que Raimundo de Durval, Luís Justino e Zé meu cunhado estão por aqui. Eles já roubaram até moça, avali judas.
O Neguinho já tinha tomado umas, mas tranquilizou Sousa:
- Deixe cumiguel!
A previsão do promotor da festa deu certo. Luís Justino embriagou o pastorador e Raimundo junto com Zé surrupiaram o Judas. Quando  Souza sentiu falta do Judas ficou peidado de raiva e partiu para o pastorador:
- Mas Neguinho. Tanto que eu recomendei e você deixou os cabras levarem o Judas.
- Pois é. Eles me dero uma cachaça e parece qui tinha rapa de unha dento, pruque eu me danei pra drumir,
- Pois agora nós vamos lhe amarrar no poste e você vai ser o Judas.
- Tá certo. Pode deixar cumiguel.
Amarraram o Neguinho bem amarrado e ele terminou virando atração para as crianças, que inventaram de jogar água e sabugos nele. Quando as crianças cansaram o Neguinho pensava que ia ficar em paz, Mas de repente chegou Vitorino e Carlos Maurício, cada um com um espeto, programando o castigo para o traidor de Jesus Cristo. Vitorino Dizia:
- Carlos Maurício. Você sabe o que é que nós vamos fazer com os espetos?
- Sei nós vamos enfiar no anel do Judas.
Naquela hora o neguinho aperriou-se e gritou logo para Raimundo Leandro:
- Ei. Padim Raimundo! Disamarre eu aqui, qui eu num vou ser mais juda não.
Souza foi chegando e perguntou:
- O que foi que houve Neguinho? Você dise , pode deixar cumiguel e agora quer abrir?
- É pruque Viturino e Carmauriço chegaro aqui cum dois ispeto dizendo quera mode infiar no meu caneco. Pode me tirar daqui.
- É não Macho. É brincadeira deles.
- Mais eu num cunfí não.
- Que Judas frouxo é você? Que chora no pé da forca? O seu castigo  vai ser só mais tarde, mas vai ser só a metade do que Jesus sofreu na cruz.
Enquanto rolava a confusão eu me preparei para fugir. Saí pela porta da cozinha com muito cuidado, assim como quem procura pinico no escuro. Mas quando pulei no terreiro. Me deparei com Raimundo de Souzão e Migel Mandu descascando cocos. Os dois me seguraram e chamaram Souza. Diante do aperreio eu achei melhor me acordar porque podia ser que o poeta Souza quisesse que eu fosse representar o Judas.

O bom do meu sonho foi só rever os amigos que não estão mais presentes.

Avenida Vicente A. Costa - Memória Varzealegrense


VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do vale.

A  HERANÇA  DO  MEU  PAI.

Os bens que meu pai deixou
Estão tendo bom proveito,
Ficaram do mesmo jeito
Do tempo que ele herdou.
Nenhum dos filhos ficou
Sem o direito devido,
Ninguém ficou esquecido
Da sua boa vontade.
Que agiu com igualdade
Deixando bem dividido.

Pra mim deixou a humildade
Que ele tinha também,
Foi um valoroso bem
Que guardo com lealdade.
Me deixou capacidade
Para ler e escrever,
Fazendo o povo entender
As coisas da nossa gente.
Herdei e fiquei contente
Só perco quando eu morrer.

Deixou pra Rita Maria
O valor da paciência,
Que é usado com frequência
Nos problemas de hoje em dia.
Deixou o dom de ser guia
Pra conduzir o irmão,
Ou qualquer outro cristão
Na rota do bom viver.
Se o irmão esmorecer
Rita toma a direção.

Ozanam herdou cultura
Por ser mais inteligente,
Mas dividiu com a gente
Pra nossa vida futura.
Foi uma herança segura
De um pai equilibrado,
Para um filho abençoado
Que soube reconhecer.
Plantou e passa a colher
O fruto com resultado.

Geraldina herdou o saber
Com vontade de ensinar
E o gosto de repassar
Para quem quer aprender.
Nunca foi de esquecer
As lições que recebeu,
Dividindo o que aprendeu
Com aquele que não sabia.
Transferindo todo dia
O que do pai aprendeu.

Joaquim herdou devoção
Que o pai deixou com gosto,
Toda hora está disposto
Com a sua religião.
É um devoto cristão
De Jesus de Nazaré,
De São João e São José
E da virgem Santa Maria.
Herdou com muita alegria
Os seus princípios de fé.

Paulo morais foi herdeiro
De paz e serenidade,
Onde houver dificuldade
Age como um enfermeiro.
É sempre ele o primeiro
A visitar o doente,
Quando está muito carente
No leito de um hospital.
Herdou o dom divinal
De cuidar de paciente.

Paula herdou a qualidade
De dizer sempre o que pensa,
A menina não dispensa
A virtude da verdade.
Não tolera falsidade
E nem admite enredo,
Se for pra guardar segredo
Ela guarda, que eu sei.
Mas se for de encontro à lei
Ela diz e não tem medo.

Marcos teve como Herança
O poder de comandar,
Mas quando pega a teimar
Vai perdendo a liderança.
Parece mais com criança
Quando se encontra vexado,
Que fica embaraçado
Naquele Deus  nos acuda.
E a situação só muda
Depois de um carneiro assado.

Ricardo sendo o mais novo
Mas não teve privilégio,
É igual a Luís Sérgio
Um tocador para o povo.
Mas nunca jogaram ovo
Quando ele está tocando,
E assim ele vai sonhando
Com o irmão que morreu.
Pois Luís Sérgio viveu
A sua vida cantando..

Mundim do Vale.


domingo, 9 de junho de 2013

Primeira Banda Musical de Várzea Alegre



Primeira Banda de Várzea Alegre - Memória Varzealegrense


01- Antônio Cassundé; 
02- Mundinho Tiburcio; 
03- Mundinho Proto; 
04- Cícero Brasileiro; 
05- Zé de Sousa; 
06- Antônio de Sousa; 
07- José Joaquim; 
08- Miguel Afonso; 
09- Padre Zé Gonçalves; 
10- José Pelado; 
11- Pedro Silva; 
12- José Neto; 
13- Dudal; 
14- Zé Luiz; 
15- Peixinho

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

O  ARRAIÁ  DO  ROÇADO.

O Roçado teve em festa, Com fogueira e com balão,
Com aluá e quentão
Que Santo Antônio mandou.
Júnior cantou para o pai, Que lá do céu tava olhando
E Fernando zabumbando
São Pedro foi quem gostou.

Dayse fez a abertura, e mandou chamar Vieira
Para acender a fogueira
E soltar bomba e rojão.
Vieira pôs logo o fogo, que disso ele não esquece
Liêda fez uma prece
E deu viva a São João.

Hermelinda na barraca, Vendendo bolo e canjica
Vicente é quem sempre fica
Na parte da segurança.
Mas o Roçado é tranquilo, lá não existe arruaça
O povo bebe cachaça
Mas não gosta de ambuança.

Geraldo chegou mais tarde, Com Celi pra tirar foto
Roberto chegou de moto
E foi logo assar o milho.
Liêda mandou chamar, Cláudio Souza na Cultura
Pra fazer a cobertura
Para a festa ter mais brilho.

Dispensaram a minha cota, Porque também não dancei
Mas eu juro que gostei
Porque lá fui bem tratado.
Eu me sentí muito bem, No meio da alegria
Me lembrando que um dia
Fui pescador no Roçado.

Os filhos de Mestre Pedro, Possui direito legal
Na herança musical
Deixada com muita glória.
Herdaram e estão mantendo, uma velha tradição
Pra futura geração
Conservar a nossa história.

Várzea Alegre reconhece, O Roçado da alegria
Lugar de samba e folia
E acervo da cultura.
Roçado também de fé, Onde a sua boa gente
Vem mantendo o penitente
Para a geração futura.

O Roçado sentiu falta, de Antonito e Raimundim,
Pedro Souza e Mestre Tim
Os forrozeiros de fato.
Mas a vida é assim mesmo, Deus controla nossos dias
Eles estão com Matias
Com o velho Souza e Pacato.

Mundim do Vale.