VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

sábado, 31 de agosto de 2013

Marquito - Memória Varzealegrense

Marcos Allan de Morais Martins (Marquito)

ME  LEMBRANDO  DE  MARQUITO - Mundim do Vale

Quando Deus chamou Marquito
Para a sua companhia
Foi porque no infinito
Precisava de alegria.
Marquito foi enrolado
No santo manto sagrado
Da virgem mãe de Jesus.
Partiu sereno e seguro
Deste lugar tão escuro
Pra outro de muita luz.

Marquito levou saudade
Saudade também deixou,
Mas foi lá na divindade
Que sua paz encontrou.
Sabemos que é da vida
Todos tem sua partida,
Mas sempre gera pesar
Na família predileta
Neste seu primo poeta
Que rima pra não chorar.

Marquito levou consigo
Elegância e simpatia
Mas porém deixou comigo
Um tema pra poesia.
Deixou também a lembrança
Do seu tempo de criança
Covivendo com os seus.
Sua mãe já coformou-se
Porque Marquito sentou-se
No lado esquerdo de Deus.

Adeus Marquito Morais
Você cumpriu sua prova
Coisa que o cristão faz
Para o bem da vida nova.
Só depois da provação
Vem a reencarnação
Para o ser evoluir.
É a viagem da vida
A escalada mais comprida
Que todos tem que subir.

Com muita boa vontade
Eu segurei nesta pena
Para rimar  a saudade
Neste pequeno poema.
Sem nenhuma pretensão
De provocar emoção
Nem fazer verso bonito.
Foi somente um rascunho
Feito do meu próprio punho
ME  LEMBRANDO  DE  MARQUITO.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

DÉCIMA DO FUMO
                                                           
Joaquim Piau

MOTE

Verde foi meu nascimento                                      
De luto então me cobri
Para dar gosto ao mundo
Em chamas de fogo me ardi

Eu era um grãozinho pequeno                                     
Semelhante ao mucuim                                         
A minha cor era assim                                               
Vermelho quase moreno                                               
Fui criado em bom terreno                                        
Mas tangido pelo vento                                                
Fui fazer meu aposento                                                  
Em terreno pedregoso
Por ser um tempo chuvoso
Verde foi meu nascimento.

Logo em minha tenra idade
Me arrancaram cruelmente
Para mudar novamente
Para outra localidade
Para minha infelicidade
Chegando lá conheci
O terreno onde eu vivi
Junto aos meus queridos pais
Vendo seus restos mortais
De luto então me cobri.

Mas antes de me enlutar
Primeiro fui desfolhado
Depois fui depositado
Exposto ao sol pra murchar
Lá então, nesse lugar
Sofri um pesar profundo
Via passar um corcundo
Contente cantarolando
Eu ali triste pensando
Para dar gosto ao mundo.

Santo Jó também sofreu
Tormento, pesar e dores
Más depois destes clamores                                                                
Descansou quando morreu
Não foi assim como eu
Que até depois que morri
Grande tormento sofrí
Fui torcido e machucado
Depois fui esdmigalhado
Em chamas de fogo ardí.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Só para dar vontade.... - Memória Varzealegrense

Para ficarem com vontade.... Um trechinho de Chico de Amadeu cantando - Meu Golinha Cantador.


video

CHICO DE AMADEU - O MAIS POPULAR DOS SANFONEIROS VARZEALEGRENSES


Francisco Teixeira Siebra,nasceu no dia 26 de março de 1934. O décimo quinto filho do Casal Amadeu Siebra de lima e de D. Maria Santa Siebra que chegaram a ter 22 filhos, sendo que apenas dois sobreviveram, tendo sido o outro o Sr. João Batista o décimo filho.

Foi sua primeira professora a senhora Zulmira Siebra Leite, tendo o mesmo cursado apenas o que hoje equivaleria a 3ª série do ensino fundamental.

Tornou-se um exímio tocador de sanfona, sendo que o primeiro instrumento a ser tocado por ele foi o cavaquinho. Por influencia dos pais freqüentava assiduamente a Igreja católica onde a senhora Luizinha Norões tocava Harmônica, o que lhes chamava atenção deixando-o desejoso de executar tal instrumento, mas não tinha coragem de pedir que ela lhes ensinasse. 

De tanto observar a senhora Luizinha tocando, achou ele que também poderia executar tal instrumento. Pedindo para que o seu pai falasse com o padre para que ele pudesse realizar o seu sonho. 

E foi assim mesmo apenas observando que ele aprendeu a tocar. E tudo teve inicio ensaiando o Hino a Nossa senhora e com exatos 15 dias em maio de 1950, já tocava a sua primeira missa.

Dois anos depois Vicente Leandro comprara uma sanfona e estava tocando um forró. Seu Chico pediu pra tocar e ele deixou. E foi assim que iniciou-se como sanfoneiro executando a música Asa Branca.

Nessa época o mesmo era comerciário. No ano de 1951, ajudado por seu pai e seus amigos, comprou a sua primeira sanfona que veio de Bento Gonçalves no RS para o Banco do Brasil de Crato. Com a chegada da sanfona aí sim ele dedicara-se firmemente aos ensaios começando pelo desafio de executar a valsa Saudade de Matão. 

Doze dias depois tocava sua primeira festa no Sítio Olho D água comemorando a vitoria de Manoel Costa que havia sido eleito vereador. O sucesso da festa foi a volta da Asa Branca. 

A primeira vez que tocou fora do nosso município foi em Quixadá. Aos 17 anos foi convidado para inauguração da Radio Espinhara de Patos na Paraíba. E aos 19 anos fez apresentação na Ceará Radio Clube, levado por seu Amilton Correia tendo sido também convidado a tocar na Radio Borborema de campina Grande. Aos 21 anos ingressa no serviço público na função de guarda sanitário, sendo logo em seguida promovido a Fiscal de Saúde do Estado, tendo aposentado-se como servidor público.

Casa-se no ano de 1954, com a Srª Maria Ivete Diniz, com quem teve nove filhos.

Foi eleito vereador para duas legislatura, a primeira de (1982-1986), época em que foi prefeito o Sr Josué Diniz, a segunda de (1994-1998)

Quando foi prefeito pela terceira vez o médico Pedro Sátiro.
Além de projetá-lo como artista, a musica também fez multiplicar o seu ciclo de amizades. No ano de 1984 cantou com messias Holanda em um Clube na cidade Iguatú e com o rei do Baião Luis Gonzaga no encerramento da Expocrato, onde executou divinamente bem e se fingindo de cego “o baião do cego”.

Viajou por vários lugares do país destacando-se a cidade de São Bernardo do Campo São Paulo, quando no ano de 1984 foi em excursão pela primeira vez, fato que, repetiu-se por 19 vezes e 5 para o Paraná.

A ele atribui-se a composição de duas músicas, “Deusa” e “Festa de São Raimundo”.

Em 1996 perde a sua grande companheira, a sua esposa Ivete, fato que visivelmente abalou o artista. Justamente a 08 de março dia internacional da mulher.

Várias artistas locais estiveram compondo o grupo Chico de Amadeu, principalmente os filhos destacando-se Siebra e katiane que apresentavam-se cantando, (nenhum dos filhos deu seqüência ao trabalho do baio tocando acordeom), o baixista Gilberto, o zabumbeiro e baterista Roberto de Freitas, e o e companheiro de muitas jornadas Expedito do Pandeiro.

A maior festa tocando, segundo o mesmo, foi a comemoração pelo casamento do Sr João de Sátiro, tendo tido duração de dois dias e duas noites. Tendo sido a musica sabiá de Luiz Gonzaga a mais pedida.

Aos que inicia-se na arte deixou o seguinte recado. “Estude, treine diariamente e não beba”.

Recebeu o título de cidadão em Antonina do Norte e na cidade de Nobres – MT.

Faleceu a 16 de fevereiro de 2009.

Vale a pena ver de novo - Memória Varzealegrense

Vale a pena ver de novo - Por Mundim do vale


EU  SOU  O  ZORRO,  PAI

Dedicado a Edmilson Martins.

Antônio de Jorge Taveira, de tanto assistir filme de Tarzan e Zorro no Cine  Odeon,  inventou de ser artista de filme. Primeiro amarrou uma  imbira  de salsa na galha de  um  juazeiro  e falou para seu irmão Nonato que brincava de bila embaixo da árvore:
- Sarreda do mei Chita. Qui eu vou avuá nesse cipó!
Agarrou-se   na   imbira,  deu  o  grito  de   Tarzan  e  voou.  A  imbira arrebentou e ele caiu logo por cima de Chita.
Como  o  filme  de  Tarzan  não  deu  certo, ele  resolveu interpretar o Zorro. Arranjou um talo de carnaúba para ser o cavalo, vestiu  um vestido preto da mãe, fez uma máscara  de  uma meia, pegou  o  espeto  da  cozinha  e  saiu fazendo a marca do Zorro  em  tudo quanto  era  lugar. Primeiro acabou com as bananeiras de Seu Jorge, depois  foi  o guarda roupa, em seguida o colchão da cama. Tudo que tinha perto de casa tava destruído com a marca do Zorro.
O  filme  só  terminou  quando  ele  fez o  “Z” nas costas do seu irmão Chagas.
Seu  Jorge  deu  de  garra  de um  cinto  deixando  a fivela na ponta e chamou Antônio:
- Antônio venha cá!  Você  já  destruiu  tudo  dentro  de  casa e agora quase mata o seu irmão. Não vai mais dá certo essa brincadeira não!
Antônio empunhou o espeto, encarou o pai e disse:
- Num venha não pai. Qui eu sou o Zorro!
- Apois  eu  sou  o  Sargento Garcia! – Dizendo  isso  o  Sargento deu umas quatro lapadas no lombo do Zorro, que  foi  cavalo  para um lado, espada Para outro e a capa do Zorro virou molambo.
A  mãe  preparou  uma  água  com  sal  e ficou passando nas marcas que a fivela deixou no lombo do Zorro.
Naquele  momento  chegou  Pedrinho de Hermínia que morava vizinho. Vendo as marcas, perguntou:
- Qui diabeisso Ontõe? Tu tava carregando potassa?
- Não ome! Isso foi umas ramas de feijão verde.
- Pera Ontõe!  Adonde  foi  qui  tu foi arrumar rama de feijão verde im oitubro?          

Versos lá de nós - Memória Varzealegrense

Carlos Maurício no Barracão Cultural


SOUZA  E  A  CULTURA - Por Carlos Maurício


Poema recitado por Carlos Maurício por ocasião da abertura do Barracão da Cultura

É grande a minha alegria
Aqui nesse Barracão,
Peço do público atenção
Para a minha poesia.
Uma coisa que eu queria
Que vale a pena lembrar,
É que aqui nesse lugar
Já esteve um irmão meu.
Que era bem melhor que eu
Na arte de recitar.

Estou nesse Barracão
Me achando embaraçado,
Porque sinto do meu lado
A imagem do meu irmão.
É grande a minha emoção
Por está nesse lugar,
Onde posso me lembrar
Daquele que está em alta.
Mas que tá fazendo falta
Na cultura popular.

Eu nunca me imaginei
Fazendo essa homenagem,
Onde demandou coragem
Que não sei onde encontrei.
Mas agora aqui eu sei
Olhando essa multidão,
Como é grande a gratidão
Estampada em cada rosto.
Recebo com muito gosto
Essa manifestação.

A cultura anda sofrida
Desde que Souza partiu,
Mas o céu adquiriu
Uma nova alternativa
Pra somar com Patativa,
Bidim e Zé Clementino.
Zé que compôs nosso hino
E soma nos feitos seus,
Hoje compondo pra Deus
O santo hino divino.

A cultura é relevante
Para o bem de uma cidade,
A emoção me invade
Nesse trabalho importante.
Num passado, não distante
Souza era pro sertão,
Como a casa é pro botão
E a cabeça é pro chapeu.
Hoje rima lá no céu
Relembrando o seu torrão.

Souza ganhou a missão
De cerimonialista,
Pra receber o artista
Que vai daqui do sertão.
Cuida da recepção
Junto com Luís Davi,
E quem chega vê alí
Luís e Souza Sobrinho
Recebendo com carinho
O músico que vai daqui.

Dominguinho foi chegando
Com a sanfona de lado,
São Pedro tava ocupado
Deixou o músico esperando.
Dominguinho alí tocando
Sem querer aparecer,
Mas um anjo foi dizer
Que barraram Dominguinho.
Chamaram Souza Sobrinho
E Souza foi receber.

Quando entrou o Dominguinho
O Souza estava na frente,
O músico disse: - Ôxente!
E é o Souza Sobrinho?
Me diga aqui bem baixinho
Onde é que tem um salão?
Pra nós tocar um baião
Para o padre Antônio Vieira.
Que a que vou tocar primeira
É o Jumento Nosso Irmão.

É um crime desprezar
A cultura desse povo,
Precisa um projeto novo
Pra manter e conservar.
O bom mesmo é divulgar
Nos quatro cantos do mundo,
Com sentimento profundo
Os costumes culturais.
E não esquecer jamais
Da terra de São Raimundo.

A quem me deu atenção
Eu me sinto comovido
E termino agradecido
Do fundo do coração.
Cumpri a minha missão
Paguei o preço cobrado
E agora me sinto honrado.
Para esse público presente
Que me escutou paciente
Eu digo: - Muito obrigado.

Carlos Maurício.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

002 - Raimundo Piau é Memória

RAIMUNDO PIAU É MEMÓRIA - Por Edmilson Martins - Dedicada a Mundim do Vale, Antônio Morais, Socorro Martins, Paulo Beserra, Nilo Jobson...


Raimundo Piau

Raimundo Alves de Morais (Raimundo Piau). Infelizmente não o conheci. Quando me casei com sua filha, em Novembro de 1963, ele já havia falecido.

Sei que em Julho de 1950, a procura de melhores dias para si e sua família, ele parte com destino a São Paulo e lá permanecendo até Julho de 1955 quando retorna à Várzea Alegre sua terra natal.

Sei ainda que por ocasião da sua saída para São Paulo ele se dirigiu à “Radiadora de Hamilton” como era chamado o serviço de alto falantes local, e cantou se despedindo dos parentes e amigos uma música com letra de sua autoria.

Aqui esta na íntegra a letra da música de autoria de Raimundo Alves de Morais (Raimundo Piau), memorizada por sua filha Socorro Piau, hoje minha esposa Socorro Martins que escreve:

REFRÃO

Oh! Várzea Alegre
Oh! Várzea Alegre
Eu vou embora
Muito longe eu vou ficar,
Oh! Várzea Alegre
Oh! Várzea Alegre 
Eu vou embora
Mas reservo o meu lugar.
                 
I

A Várzea Alegre
Bota um amor na gente
Que a gente chora
Quando vai se retirar
Eu só não choro
Por que o povo diz “oxente”
Será que este vai ao menos até lá?
Mesmo assim eu confio
Em São Vicente
Em Jesus onipotente
Que vou e torno a voltar.

II

Sinto saudade de deixar a Várzea Alegre
E os amigos que por aqui vão ficar
Agora eu vou dar uma volta no mundo
Mas confio em São Raimundo
Que ainda volta ao ceará
Eu sempre peço a N. S. de Lourdes
Que me dê vida, saúde
E recurso com que voltar.

Nota:

Raimundo Alves de Morais escrevia versos, mas pouco deixou registrado de suas composições. Alguns textos copiados em um caderno ficaram com seu filho José Piau.

Raimundo morreu em 1959 aos 50 anos, José também morreu de enfarto aos 55 anos em São Paulo. Os textos não foram recuperados.

Esta mensagem de despedida sabíamos de cor. De Meu avô eu consegui alguns poemas, mas de meu pai, só este canto marcado de amor à “terrinha” e de acentuada religiosidade. Lamento tê-lo perdido tão cedo, ele me fez falta a vida toda, mas sou-lhe grata pela herança que recebi: o amor à poesia e o prazer compulsivo de ler.

Socorro Martins

Origem da Nossa Devoção - Isso é Memória!

Origem da Devoção


Diz a tradição que a devoção nos foi transmitida de Tereza Maria de Jesus, primeira esposa de Papai Raimundo, com ele casada em 1788. D. Tereza possuía, num quarto de orações em sua casa, uma pequena imagem de São Raimundo Nonato e a todos falava de sua vontade de construir uma capela para o seu santo. Lamentavelmente, esta não viu concretizado o seu sonho. No dia em que nasceu seu primeiro neto, feliz do evento, tomou a criança em seus braços e gritou de alegria: “Viva São Raimundo Nonato!!!”. E tombou sem vida.

Porém, não morreu com D. Maria Tereza de Jesus o desejo de se erigir a sonhada capela. O certo é que, em 1852, surgiu em Várzea Alegre um padre recém-ordenado da cidade de Assaré, Pe. José Pontes Pereira, e sem ter onde exercer sua missão sacerdotal, estava o jovem padre a mercê do que lhe pudesse surgir. Foi quando o Major Joaquim Alves Bezerra o contratou para celebrar em Várzea Alegre as missas de Natal, Ano Novo e Dia de Reis. O convite foi aceito pelo Padre Pontes. As missas foram rezadas com grande comparecimento de fiéis.

Agradando-se do lugar e conferindo a religiosidade do povo, o Pe. José Pontes Pereira falou a todos de um possível acordo: se lhe dessem uma casa para morar, comprometia-se a edificar a tão sonhada capela de São Raimundo. Imediatamente, Pe. Pontes solicitou ao Bispo Diocesano de Pernambuco (ainda não existia bispado no estado do Ceará) a licença eclesiástica para a edificação da capela, a qual receberia como padroeiro São Raimundo Nonato. O Bispo não tardou em conceder a licença, mas com uma obrigação: tinha de ser doada ao Santo toda a área em que fosse edificada sua Igreja, tornando-se assim seu patrimônio (duzentas braças em quadra). Assim, em 1854, foram iniciados os trabalhos de construção da capela.

Em decorrência de operários hábeis e da situação financeira de então, os trabalhos tiveram que parar por algum tempo e a obra só ficou concluída em 1855. no dia 02 de fevereiro de 1856, o Pe. Manoel Caetano realizou a bênção da capela de São Raimundo Nonato.

Fiel à sua palavra, Pe. Pontes aqui permaneceu na qualidade de capelão, dando-nos sua assistência espiritual até 11 de maio de 1862, quando faleceu vítima de “Cólera morbus”. Consta que, nesse período, quase todo o interior da província do Ceará foi acometido por este mal. E o Pe. José Pontes Pereira se oferecera ao Senhor, em holocausto: -“Fazei de mim, Senhor, a última vítima, nesta terra, deste terrível mal e poupai esta humilde e sofrida gente”. Seu túmulo, isolado dos demais, é reverenciado pelo povo do lugar onde hoje se ergue a capela de Santo Antônio. Foi ele o consolidador da nossa de vocação à São Raimundo Nonato.

A freguesia de Várzea Alegre, no entanto, só foi criada pela Lei No 1076, de 30 de novembro de 1863, emanada de D. Antônio dos Santos, primeiro Bispo do Ceará. Foi, assim, desmembrada da de Lavras. Sob a invocação de São Raimundo Nonato, teve como seu primeiro titular o Pe. Benedito de Souza Rego, natural de Arneirós, nomeado por provisão de 30 de dezembro de 1863, permanecendo de início de 1864 até fevereiro de 1875.

FATOS CURIOSOS SOBRE A DEVOÇÃO À SÃO RAIMUNDO:

A imagem de São Raimundo Nonato que atualmente se encontra na torre da nossa Igreja Matriz foi confeccionada pelo artesão Zé de Toinho, e a imagem que se encontra disposta no Altar-Mor foi adquirida no paroquiato de Padre Otávio. Esta, por conseguinte, veio subistituir a imagem de Santo Ambrósio, que até então era jocosamente venerada pelos varzealegrenses como sendo de São Raimundo.

A imagem de São Raimundo que se encontra na Casa de Saúde desta cidade foi ofertada pelo Padre Otávio a Dona Zefa do Sanharol, que posteriormente a doou ao seu neto, o Dr. Pedro Sátiro, para que fosse enfim o Patrono daquela unidade hospitalar.

Fonte: Paróquia São Raimundo Nonato

História do nosso Padroeiro - Isso é Memória!

Aproveitando o mês de Agosto, mês do nosso Padroeiro São Raimundo Nonato, nada mais justo do que encerrar Agosto com postagens relacionada a São Raimundo Nonato


História do Padroeiro

Raimundo, cognominado Nonato, filho de pais nobres, porém destituídos de fortuna, nasceu em 1204, em Portel, na Catalunha. Menino ainda, mostrava muita propensão para práticas de piedade e já era fiel cumpridor dos deveres. O pai, porém, observando no filho uma certa inclinação para o estado religioso, encarregou-o da administração de uma pequena fazenda. Raimundo obedeceu prontamente. A vida tranqüila do campo, em vez de absorver-lhe as idéias religiosas, ainda mais as favoreceu. Foi na solidão que no espírito lhe amadureceu a resolução de dedicar-se unicamente a Deus, na Ordem de Nossa Senhora das Mercês, chamada também de Misericórdia da Redenção dos Cativos; Ordem que, havia pouco, tinha sido fundada por Pedro Nolasco. Nesta resolução grandemente influiu a devoção a Maria Santíssima, sua divina Mãe, a quem se consagrou inteiramente.

No sítio onde estava, havia uma pequena capela, dedicada à Rainha do Céu. Lá, aos pés do altar de Nossa Senhora, Raimundo passava horas, em doce colóquio com a Mãe de Jesus. As flores mais belas que encontrava, levava-as à capela, para enfeitar o altar e a imagem da Mãe protetora. A flor, porém, de todas a mais preciosa, que ofereceu a Maria, foi a pureza do coração, junto com a promessa de entrar na Ordem já mencionada.

Foi por intermédio do padrinho, o Conde de Cardona, que alcançou o consentimento do pai para se incorporar à Ordem das Mercês. Sem mais delongas, seguiu para Barcelona, onde, das mãos do fundador, recebeu o hábito branco com a cruz azul-vermelha.

Raimundo, uma vez membro da Ordem, dedicou-se ao estudo das ciências teológicas, principalmente da arte hetórica e recebeu o sacramento da Ordem. Pregador eloqüentíssimo, ardente de zelo pela causa de Deus pela salvação das almas, bem fundado na piedade, o jovem sacerdote apresentava todos os requisitos de missionário, como a Ordem necessitava para a difícil tarefa de resgatar a Algéria, onde libertou cento e cinqüenta cristãos das mãos dos mulçumanos.

No ano de 1235 vemo-lo em Roma, para onde o conduziram negócios urgentes da Ordem. Alcançada a aprovação pontifícia da Regra, com a bênção do Papa Gregório IX, voltou para a África. Lá esteve a satisfação de poder libertar mais de 228 cristãos e entregá-los às respectivas famílias. Quando, porém, os recursos começaram a falhar, Raimundo ofereceu-se a si mesmo como refém, pela liberdade daqueles cristãos que mais sofriam e cuja fé em maior perigo se achava a naufragar. Com bom ânimo sofreu todos os maus tratos, a inclemência do sol abrasador africano e as torturas a que os mulçumanos o sujeitavam. Com palavras de conforto e pelo exemplo, reanimava os pobres cristãos, que dificilmente suportavam as cadeias da escravidão. Uma atenção particular dava àqueles infelizes que tinham renegado a fé cristã, para obter um alívio nas torturas e um tratamento mais humano por parte dos Sarracenos. Tão insistentes vieram os pedidos, tão irresistíveis os argumentos, que muitos dos infelizes apóstatas voltaram arrependidos ao seio da Igreja e faziam penitência. O zelo estendeu-se até aos próprios Sarracenos, aos quais pregou o Santo Evangelho, e com tão bom resultado que, entre eles, alguns dos mais nobres se converteram ao cristianismo.

Isso fez desencadear uma terrível tempestade contra o santo missionário. Os magistrados Sarracenos condenaram-no a penas crudelíssimas e só o receio de perder resgates fez com que não condenassem à morte. Mas os juízes desumanos excogitaram um modo verdadeiramente diabólico de não só cruciar o homem de Deus, mas impossibilitar-lhe a pregação. Mandaram-lhe perfurar com ferro em brasa os dois lábios e fechá-los com cadeados. Assim, pensaram que o nobre homem não falaria mais de Cristo e não enganaria os filhos do grande profeta. Raimundo sofreu durante oito meses prisão duríssima e atrozes torturas. Se os lábios lhe estavam vedados de pregar, mais eloqüentemente falavam as feridas, mais alto bradavam as cadeias, mais persuadiam as dores e a resignação do servo de Deus. O cárcere era constantemente visitado por cristãos e sarracenos que, vendo o santo missionário no martírio, lhe edificavam pelo exemplo raríssimo que lhes dava fé e constância.

Com a chegada de novos missionários, veio também a libertação para Raimundo e, com a libertação, uma nova era de trabalhos apostólicos. Chamado pelo superior à Espanha, para lá seguiu onde o esperava alta e justa recompensa. O Papa Gregório IX tinha-o elevado à dignidade de Cardeal da Santa Igreja, em atenção a suas altas e raras virtudes, como também aos seus grandes merecimentos. A entrada do missionário em Barcelona foi equivalente a uma verdadeira apoteose. O povo barcelonense levou-o entre aclamações jubilosas, ao palácio cardinalício. Raimundo, porém, preferiu continuar a vida de religioso e trocou os salões do palácio pela cela do convento.

Quanto alguém externava estranheza por vê-lo proceder assim, Raimundo, com a amabilidade que lhe era própria, respondia: “humildade e dignidade são duas irmãs que se querem muito e mutuamente se apóiam”.

No ano de 1240 o Papa o chamou à Roma. Numa viagem a Cardona, onde morava seu padrinho e benfeitor, o cardeal adoeceu gravemente. Sentindo a morte aproximar-se, Raimundo preparou-se para a última e grande viagem. Recebeu o Santo Viático das mãos de um anjo e morreu no dia 31 de agosto de 1240, na idade de 37 anos. O Papa Alexandre inseriu-lhe o nome no catálogo dos santos da Igreja.

O Conde de Cardona, a cidade de Barcelona e a Ordem a que Raimundo pertencia disputavam entre si a posse do corpo do santo. Para se obter uma decisão imparcial, o cadáver do mesmo foi colocado em uma carruagem puxada por uma mula cega. Esta, guiada por forças invisíveis, tomou rumo para a capela de Nossa Senhora, no alto da montanha, onde Raimundo tinha lançado o fundamento de sua vida religiosa. Lá, o sepultaram e da capela foi feito um templo magnífico e um santuário freqüentadíssimo. São Pedro Nolasco erigiu no mesmo local um convento da Ordem.

Fonte: Paróquia São Raimundo Nonato

Causo & Causo - Memória Varzealegrense

SÃO JOÃO NA VAZANTE - Por Edmilson Martins


Dedicado ao amigo Valdefrance Correia

23 de Junho de 1964, véspera de São João, era a grande noite! Depois da exibição do filme no Cine Odeon, todos nós, parentes e amigos íamos para a Vazante onde uma grande fogueira estava nos esperando em frente a casa de Dona Isaura, minha sogra.

Como era costume, nós nos sentávamos ao redor da fogueira e fazíamos as mais variadas brincadeiras como a do anel, da faca na bananeira para saber a sorte, as adivinhações, os causos, etc. Enquanto isso,  alguém estava assando batatas, milho verde ou servindo pamonha, canjica, pão de arroz, pé-de-moleque etc.

Nesse dia resolvi fazer algo diferente. No auge das brincadeiras enquanto todos riam e se divertiam, me levantei e propus o seguinte: Que tal uma brincadeira nova? É o seguinte: Todos nós vamos imitar um bicho, eu vou dizer no ouvido de cada um o bicho que vai imitar, quando eu disser, um...dois...três e JÁ, todos ao mesmo tempo imitarão o bicho que eu disse e veremos a confusão que vai dar.

Cochichei no ouvido de cada um: Quando eu disser Já!... Você fica calado, não imita nada. Fiz isso com todos,  menos com Vardefrance, cheguei no ouvido dele e disse, você vai imitar um jumento, mas capricha cara, que é pra ficar bem legal, tá?

Lá Vai!!!... Um...,  Dois..., Três... e  JÁ!!!... Aí Valdefrance encheu os pulmões e soltou um dos mais sonoros rinchos de jumento de que se teve noticias. Enquanto todos morriam de rir, ele se virou, meio desconfiado, e perguntou: “Vocês não vão imitar os bichos de vocês não?”

                                                                                          Edmilson Martins

domingo, 25 de agosto de 2013

A prosa dos compadres - Memória varzealegrense

PROSA  DE  COMPADRES - MUNDIM DO VALE

Chico Bento:

Buá noite cumpade Zé
Cuma vai cumade Bia?
Onde anda a tua fia
Qui morava im Canindé?
Já se casou cum Mané
Ou ainda tá sortêra?
Eu arrumei im Portêra
Um trabai pela fazê.
Mais ela tem qui aprendê
Cua as ôta muié rendêra.

Zé Rubão:

Meu cumpade, minha Bia
Só veve agora é doente,
É friêra, é dô de dente
Diarréa e agonia.
A minha fia Luzia
Num tá sirvindo pra nada,
Já tá inté imbuchada
Dum vendeão de panela.
O bucho tá na guela
E o vendeão num dá nada.

Chico Bento:

Cumpade cadê Orlando
Quie era meu afiado?
Prudonde ele tem andado
Ainda tá istudando?
Ou num tá nem trabaiando?
Sele quiser um trabai
Eu arrumo um quebra gái
Pele trabaiar na fêra,
Só pra vendê macachêra
Pimenta, cebola e ái.

Zé Rubão.

Cumpade, seu afiado
É uma coisa sem lei,
Tá bulindo no alei
Robando e dando coidado.
Isturdia o delegado
Butô ele na cadêa,
Ele levô tanta pêa
Qui foi pru pronto-socorro.
Quando eu oiei quage morro
Nunca ví coisa tão fêa.

Chico Bento:

E seu sogro Juvená
Miorô do coração?
Já vortô pru Riachão
Ô inda tá no hospitá?
Já tá pudendo falá
Comê, mijá e bebê?
Num dêxe o veim morrê.
Prua falta de assistença.
Qui ele ainda tem vivença
Prumode dá e vendê.

Zé Rubão:

Cumpade, o véi Juvená
Já tá pra lá do além,
E a véa dele tombém
Já tá pras banda de lá.
Nóis num pudemo pagá
Aquela despeza cara,
Pruque o pau de arara
Num tem uma renda boa.
Aí só deu prus coroa
Qui intregaro o couro as vara.

Chico Bento:

Cumpade e a miunçada
Tá na creche do estado?
Eles tão alimentado
Ou é cunveça fiada?
Dizem qui num  farta nada
Qui serve café cum pão,
Mei dia carne e feijão
E merenda duas hora.
De noite vem sem demora
A sôpa de macarrão.

Zé Rubão:

Meu cumpade, a mininada
De dia é jogando bola
De noite cherando cola
E drumindo nas calçada.
A creche é só de fachada
 A merenda iscafedeu,
Creche pra minino meu
Num tem vaga pra ficá.
E a tá merenda iscolá
Um diputado cumeu.

Chico Bento:

Cumpade e o viriadô
Qui você tinha votado?
Vá cassar o condenado
E diga Cuma ficô.
Peça a ele prefessô
Peça tombém punição,
Pru diputado ladrão
Nunca mais querê robá.
Se qué merenda iscolá
Vá merendá na prisão.

Zé Rubão:

Chico Bento, eu fui atráis
Mais num decharo eu falá,
Mais quando eles torná
Eu mermo num voto mais.
Quando é prus rico eles fáis
E pra nóis pobe é negado,
Mais voto num é maicado
Já tumei a dicisão.
Quando for na inleição
Meu tito vai tá rasgado.

Mundim  do  vale
V. Alegre- Ceará.