VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

MANUEL GONÇALVES DA COSTA, MANUEL DAS MANGAS


Manuel Gonçalves da Costa, o conhecido Manuel das mangas, residia no Sitio Atoleiro, numa casinha de taipa, isolada bem nos fundos da propriedade. Era um rapaz velho, tinha um dinheirinho e gostava de emprestar a juros. Era parente próximo do meu pai e muito amigo. Sempre que vinha para feira semanal, nos dias de sábado, almoçava em nossa casa.

Um dia, um proponente lhe procurou e solicitou um empréstimo. Foi informado que naquele dia não dispunha da importância pleiteada, porém estava para receber uma quantia e a partir de tal data estaria a disposição.
Dez dias após a data marcada, o proponente procurou Manuel para apanhar o numerário e, ouviu do mesmo o presente argumento: Eu não vou puder lhe atender, veja bem, para vi buscar o dinheiro você atrasou dez dias do nosso trato, imagine quando for para pagar.

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terça-feira, 9 de outubro de 2012

UMA DO PÉ VEIO


Certa vez, num fim de feira, Pé Vei retornava para o Buenos Aires, onde residia, e, na passagem pela casa de Saude São Raimundo, mesmo em frente a casa de Totô, tinha um jumento amarrado e um filho do Dr. Iran Costa com um cipó cutucando por tras.

Pé Vei observou a cena e falou: menino tu não cutuca esse jegue que ele não sabe que tu é filho de Dr. Iran!

Pé Veio

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ANTONIO ALVES DE MORAIS, ANTONIO ALVES DO SANHAROL


Uma família residente no Sanharol resolveu ir embora para o Juazeiro e deixou uma casinha de taipa que, posteriormente, foi ocupada por António Alves e sua família, com o consentimento do proprietário é claro.

Dez anos depois, um filho do dono da casa apareceu em Várzea-Alegre para vendê-la. Mesmo não tendo encontrado comprador o António Alves se viu sob a ameaça de ser despejado. Mundin do Sapo, conhecendo as dificuldades encontradas para a venda, observou para o rapaz que o comprador ideal para imovel era o António Alves.

Como o vendedor não havia encontrado nenhuma proposta de negocio, estava disposto a discutir qualquer oferta. Então, Mundin do Sapo disse: Amigo esta casa dá certo para o António Alves, e se você quizer ele faz uma troca. Ele tem uma jumenta e pode dar negocio! O António Alves já foi adiantando: é, eu só faço a troca na orelha, isso queria dizer, um bem, no outro, sem volta.

Sem outra opção e na ausência de outra oferta, o rapaz deu a entender que aceitava o negocio, afinal melhor a jumenta do que nada. Então o António Alves passou a botar defeitos na jumentinha: Eu não lhe engano, a jumenta é veaca, ladrona, coiceira, morde! Diante de tais informações o rapaz resolveu deixar as coisas como estavam, retornou sem fazer negocio e o Antonio Alves ficou com a casa e com a jumenta.

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domingo, 7 de outubro de 2012

Jose Raimundo do Sanharol


Antes da criação da Paróquia de São Raimundo Nonato em Dezembro de 1863, a maioria das celebrações religiosas eram realizadas na capela do São Caetano. O Padre vinha da cidade do Icó e permanecia por três dias na localidade. No primeiro dia fazia os batizados, no segundo os casamentos e no ultimo dia encerrava a visita com as confissões e uma missa.

Determinado dia, o padre demorou, pois o trajeto era feito em lombo de animais, e todos conversavam no patamar da capela quando Jose Raimundo do Sanharol disse que um morador seu havia colhido uma cabaça pequena, daquelas que caçadores e useiros de espingarda soca-soca utilizavam como cargueiro de colocar pólvora, que o bico media um palmo.

Um caixeiro viajante ouvindo a historia de Jose Raimundo falou: eu gostaria de obter uma semente desta cabaça para plantar, duvidou da palavra de Jose Raimundo.

Jose Raimundo determinou que um caboclo fosse ao Sanharol num pé e voltasse no outro, a cavalo é logico, e quando recebeu a cabaça se dirigiu ao caixeiro viajante dizendo: Aqui está, fure um buraco tire uma semente e não me toque no bico, pra quando um cabra safado como você duvidar de minha palavra eu ter para provar.

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sábado, 6 de outubro de 2012

JOSE ALVES DE MORAIS, ZÉ DE ANA DO SANHAROL


José Alves de Morais, seu Izé ou Tibola, filho de Raimundo Alves de Morais e Ana Feitosa Bitu, também tinha as suas. Seu Izé eu conheci bem, sua residência era bem próxima da nossa casa do Sanharol. Quando eu tinha lá os meus 08 anos ele me deu um presente de um “quicé” eu fui apanhar arroz com ele e Bibia sua esposa e pela primeira vez me sentir realizado, pois a honra dos do Sanharol naqueles tempos era ser um bom apanhador de arroz.

Muito estimado pelos sobrinhos que o chamavam carinhosamente de “Tibola”. Ele era baixinho e gordinho e deve ter sido o Mundim do Sapo o autor de tão assemelhada característica: Tio+bola = “Tibola”.

Na década de 50 fizeram uma viagem ao Crato, Jose Bitu, Mundim do Sapo e Zé de Ana. Meio de transportes: lombo de animais, finalidade da viagem: Jose Bitu fazer compras, Mundim do Sapo visitar amigos e parentes e Ze de Ana idem. Quando chegaram ao Quebra, na casa de mãe Pastora, se arrancharam, soltaram os animais na roça e jantaram baião de dois com costela de porco torrada enquanto o bucho coube.
No outro dia cedinho pegaram a “chepa” para o Crato. Zé Bitu era apaixonado por artesanatos de couro: arreios, chicotes, arreadores, cabrestos. A primeira loja a adentrarem foi à Casa do Vaqueiro de Chicô Leonel. Zé de Ana era deficiente auditivo, ouvia com dificuldade, apanhou um chocalho que estava em cima do balcão levou a altura do ouvido balançou e disse: o chocalho de Zabelê. Zé Bitu falou: guarda esse chocalho Izé! Ele elevou o chocalho à altura do ouvido e balançou novamente e disse: chocalho de Zabelê!

O dono da Loja observou o movimento e disse: o que é homem de Deus, esse chocalho eu comprei hoje de manhã a um rapaz do Quebra. Zabelê era a burra que Zé de Ana viajava, e, durante a noite um cabra roubou o chocalho, já tinha vendido a Chico Leonel e certamente estava tomando a grana de teimosa com os amigos.

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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Raimundo Bitu - Memória Varzealegrense


Neste período de carnaval passei os dois primeiros dias no Sanharol. Encontrei vários amigos, entre eles Júlio Bastos Bitu, filho de Raimundo Bitu e Cotinha e, que fazia muitos anos que não o encontrava. Lembrei-me dos seus pais e de uma historia do Raimundo Bitu que talvez o Júlio não a conheça.

Raimundo Bitu era proprietário de uma vasta área de terras agricultáveis da melhor qualidade. Nos anos 50 e inicio dos anos 60 a única agência bancaria da região sul do Ceara era a agência do Banco do Brasil em Crato. Os encaminhamentos de empréstimos se davam da presente forma: Um fiscal do banco visitava os proprietários e fazia os seus cadastros, em seguida, os proprietários faziam à proposta junto ao banco.

Raimundo Bitu tinha a sua disposição um limite, a época, de, por exemplo, 50 contos de réis e propôs um empréstimo de apenas três contos de réis. Diante de proposta tão pequena o fiscal do Banco perguntou: Seu Raimundo Bitu, o que o senhor vai fazer com três contos de réis? Se o Senhor podia e tem suporte para fazer um empréstimo bem maior? Ampliar sua lavoura, aumentar sua produção e o rendimento da fazenda? Raimundo Bitu respondeu no ato: vou guardar e todo sábado vou comprar 06 kgs de carne e comer com a minha família no decorrer da semana. O fiscal não gostou da resposta de Raimundo Bitu.

Quando os proponentes chegaram ao Banco, em Crato, a proposta de Raimundo Bitu estava cancelada pelo fiscal. Raimundo Bitu era primo de Jose Siebra de Brito, Gerente do Banco e, depois de um bom papo o recurso foi liberado e o fiscal entendeu que Raimundo Bitu não permitia que outros planejassem o seu endividamento.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

José de Mariana


Mariana Alves Bezerra, era irmã do meu avô Pedro Alves Bezerra e casada com Jose, conhecido por Jose de Mariana.

Um dia, Jose de Mariana teve uma raiva condenada da mulher e se danou no mundo. Durante muitos anos não se teve noticia do Jose. Ele era artesão, fazia tabaqueiro, um artefato de chifre de boi que colocavam algodão e com o atrito de um esmeril numa pedra a faísca acendia o algodão e se podia acender cigarros e outras utilidades. Nestes seus artefatos ele colocava uma marca, um sinal, tornando-o diferenciado dos outros, conhecido.

Um dia, um várzealegrense passava por uma cidade do Maranhão, e viu um garoto vendendo uns tabaqueiros com a marca conhecida. Perguntou para o garoto quem fazia e o garoto indicou o local onde se podia encontrar o artesão.

Dirigindo-se ao local encontrou numa cabana improvisada com umas palhas, debaixo de umas palmeiras de coco babaçu, o Zé de Mariana lixando uns chifres para fazer os seus artesanatos e uma mulata sentada no chão quebrando as amêndoas do coco babaçu, alem de uma panela numa trempe preparando o almoço.

Compadre como é que você abandonou sua propriedade, seus bens, sua família para viver nestas condições? Jose de Mariana respondeu: a única coisa que espero é que você não diga a ninguém que me viu aqui!

Chegando a Várzea-Alegre, não se conteve e contou a família. Dois dos filhos convidaram o padre da época e rumaram para o Maranhão à procura do Pai. Encontraram a mesma cena. O Padre tomou a frente da conversa e tome conselho enquanto Jose continuava lixando os chifres e a mulata quebrava os cocos. Certa altura o padre disse para os irmãos: Não tem jeito não, uma coisa dessas só pode ser mesmo um feitiço! A mulata se aborreceu com a historia, se levantou colocou a mão em cima do possuído e lascou: O feitiço ta aqui!

Os filhos voltaram para Várzea-Alegre e Zé de Mariana tomou rumo ignorado. Não se teve mais noticias.

Em Várzea-Alegre, quando a mulher começa com lera, o marido costuma dizer: Olhe, você deixe de moca se não eu faço como Zé de Mariana.

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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

VICENTE ESTEVÃO DUARTE, VICENTE CESARIO


Vicente Cesário fazia a faxina de sua barbearia quando Luiz Proto de Morais se aproximou e o convidou para ir ao Recife assistir a festa de formatura de seus filhos. Eu não posso ir, disse Vicente Cesário, não posso deixar a barbearia abandonada. Luiz Proto adiantou que eram apenas três dias. Sairiam na quinta-feira pela manha, descansavam a sexta-feira durante o dia, à noite assistiam as formaturas, no sábado iam dar umas voltas pela praia e ao domingo cedinho voltavam para Várzea-Alegre.

Apresentado o roteiro da viagem, Vicente Cesário perguntou e quanto você vai gastar com essa viagem? Luiz respondeu a despesa é uma só, você indo ou não. O carro é o mesmo, o motorista também, portanto não se fala em despesas porque corre tudo por minha conta. Então Vicente faz a sua sugestão final: Luiz pra mim é melhor você me dar o dinheiro que ia gastar comigo nessa viagem que dar para eu tomar quatro porres nos próximos fins de semana. Nós não podemos deixar as quengas do Engenho Velho desassistidas não homi! Você vai sua viagem e eu fico.

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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Raimundo Cavalcante de Morais, Nuna


Raimundo Cavalcante de Morais, conhecido por Nuna, filho de Pepê era um menino muito traquino. Certa vez saiu com um bodoque e um bornal cheio de balas com destino a uma caçada.
Andou bastante a procura de caças, mas infelizmente não era seu dia. De volta, passando nas proximidades da casa de Manoel de Vó, o mesmo estava bem sentado jantando um baião de dois com ovo frito na maior descontração.
Nuna, usando um pouco de sua traquinagem avistou uma moitinha de Catingueira, se agachou e esticou o seu bodoque o quanto pode com uma bala muito bem feita de barro da lagoa do garrote e, mirando em direção ao companheiro Manoel de Vó, acertou de cheio a colher e posteriormente a titela o suficiente para com o susto derramar o apetitoso jantar e acabar com toda a alegria do companheiro Manoel.

Raimundo contava esse episódio dando muitas risadas. Desconfiando da história, certa fez perguntei ao Manoel de Vó e ele me afirmou que foi uma pura verdade. Essa foi apenas uma das poucas aventuras do Nuna, pois são várias e engraçadas.

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Nossas histórias - Memória varzealegrense

PALAVRAS VOCÊ TEM - ANTÔNIO MORAIS

Em uma  postagem anterior, falei do grande orador e homem intelectual que foi o Dr. Dario Batista Moreno. Ex-prefeito de nossa cidade, pessoa de fina lhaneza no trato com as pessoas, porem não gostava de lengalenga, de bajulação.

Havia em Várzea-Alegre, a época, um vereador que por nada estava usando a palavra e fazendo aquele belo e memorável discurso. Bastava reunir três ou quatro pessoas numa roda que o orador pedia a palavra e mandava o verbo.

Dr. Dario não gostava nada daqueles vexames, ou seja, do vocabulário do nobre Ruim Barbosa. Durante o seu governo, por ocasião da inauguração de uma escola no distrito de Naraniú, com a presença do vice-governador do Estado Joaquim de Figueiredo Correia, nosso conterrâneo, o Dr. Dario prevendo o discurso do vereador foi à casa do ilustre edil e falou que como era uma reunião simples, o vereador podia convidar os amigos, “mas não havia necessidade de fazer nenhum discurso”.

Na hora marcada, ao chegar com o Vice-governador no local, o vereador subiu num tamborete e começou um solene discurso nos termos que se segue: “Incelentismo cumpadre Figueiredo Correia, reverendísimo prefeito Dr. Dario Moreno, demais oturidades que aqui tão... – Eu num tem palavras”.... Dr. Dario se aproximou, aberturou o vereador como dizem por lá, e falou: palavras você tem, o que você não tem é vergonha!

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domingo, 30 de setembro de 2012

JOAQUIM VIEIRA DO CHICO - JOAQUIM DE LIBERCIA


Joaquim Vieira do Chico estava com um filho a ter febre alta há quase cinco dias. Chegando ao hospital o medico constatou beirando os 45 graus. Diante do quadro Joaquim foi aconselhado internar o filho Vicente e deixa-lo no hospital por uns dias em observação.

Diante daquela situação aflita o Joaquim foi a Radio Cultura colocar um aviso para os familiares no sitio Chico. Ao se dirigir a recepção foi redijido o presente aviso – Atenção familiares de Vicente de Joaquim Vieira no sitio Chico: O mesmo avisa que diante das recomendações médicas Vicente vai ficar internado por alguns dias até o médico concluir os procedimentos necessarios. Sem mais para o momento.
Joaquim Vieira.

Pagou a importância cobrada pela funcionaria e perguntou : a que horas sairá o aviso? Quatro horas da tarde – respondeu solicita a atendente.

Joaquim rumou num galope para o Chico e saiu de casa em casa avisando: As quatro horas ligue radio que o aviso vai sair. Dizem que a primeira casa a ser avisada foi a do meu tio Compadre.

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sábado, 29 de setembro de 2012

EXTRAVIO DOS LANCHES


Nas decadas de 1970 e 1980 era muito grande o movimento de passageiros entre o nordeste e São Paulo, especialmente as cidades de Varzea-Alegre e São Bernardo do Campo.

Na agencia da varzealegrense trabalhavam alguns conterraneos, entre os quais dois primos e muito conhecidos nosso - Joaquim Leandro Bitu e Benedito de Antonio Leandro. Nesta epoca estavam em São Bernardo dois filhos de João de Pedrinho, o Vicente e o Chagas. Então Ana, mãe dos dois meninos resolveu enviar para os mesmo uns lanches. Colocou numa caixa um queijo de manteiga, um tijolo de leite e uns pães de ló e uma carta com algumas recomendações. Amarrou bem a caixa e despachou na agencia de Varzea-Alegre. Quando a encomenda chegou em São Bernardo deu um farnecinho em Benedito e ele terminou por abrir a caixa e comeu os paes de ló. Pensando melhor, observou que se entregasse a caixa podia ser denunciada a malinação. Então comeu tambem o tijolo de leite e por fim o queijo de manteiga.

Então resolveu lê a carta para ter noticias do seu lugar, do Sanharol. Eis o conteudo da missiva - Meninos, tenham cuidado, tudo que acontece por ai, no outro dia todo mundo está sabendo aqui, e, quem espalha as noticias é Carmelita minha irmã! Carmelita é a mãe do Benedito, que depois de lê a carta ficou bem mais aliviado.

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terça-feira, 11 de setembro de 2012

DR. JOSE CORREIA FERREIRA


Dr. Jose Correia Ferreira - Foi o segundo filho de Varzea-Alegre a se formar em medicina, 1936. O primeiro foi Dr. Leandro Correia 1915.

E teve o caso da paciente recomendada da minha tia Ester Correia. Entra com o marido, um sujeito afogueado, torado no grosso, olhos de espanto, chapeu de couro, toco de cigarro de palha no canto da boca, jeito de quem está vendo alma, por todos os lados. A mulherzinha parecia a alma que se procurava: pequena, magra, amarela, cabelos zangados com a diciplina, uns tics no canto direito da boca, pra completar, a coisa mais encabulada do mundo. Sentindo seu jeitão e a dificuldade que teria em lhe ouvir as queixas, procurei deixá-la a vontade, falando-lhe palavras afaveis, animadoras, tentando um bom relacionamento, como se diz. Depois de lhe perguntar, umas tres ou quatro vezes, de que se queixava, o que sentia, sem que ela desse uma palavra, perguntei ao marido: sua mulher não fala? É surda-muda? Foi então, que ela, rompendo o mutismo, falou: Minha doença quem sabe é Zé.

Aí o homem pegou pressão, assim como quem está foleando formigas e foi falando num ritmo irregular: ora, soprando para fora, ora, aspirando para dentro. E tome verbo: Seu doutor, esta muié tá se acabando viva. Voimincê credite que ela num drome, ela num come, ela num tem sustança pra nada e tem uma dor de cabeça afitiva, qui quando dá nela, lá nos tapumes da testa, a pobrezinha so farta correr doida. Enche os oios dagua, pega minhas mão, bota na cabeça dela e fica dizendo: Incaica Zé.

A muito custo, conseguir tomar a pressão, examinar-lhe os olhos, sentir-lhe o pulso, auscutar, percutir. Ela todo tempo se esquivando, se afastando, no mais inocente e desnecessario recato.

Decorridos umas tres semanas, em outro dia de feira, volta o Zé. E de melhor aspecto. Ao me ver, foi logo dizendo: vin só lhe dizer, meu doutor,qui a muié tá muito amiorada. Quaje boa, mesmo. Deus te proteja.

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domingo, 9 de setembro de 2012

A SAGA DE ANTONIO DANTAS SOBRINHO

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, 
Mas nele é que espelhou o céu.  
(Fernando. Pessoa)


Nasci no sítio Baixio, Várzea Alegre, Ceará, 1938. Filho de Lourenço Ferreira Lima e Luisa Dantas de Souza. Faço parte da décima geração descendente de Agostinho Duarte Pinheiro, donatário de uma sesmaria no Riacho da Fortuna onde fundou o sitio Monte Alegre. Um dos filhos de Agostinho, mudou o nome para José Ferreira Lima, com o intuito de obter mais uma sesmaria na região. Até hoje a família é conhecida como os Ferreira Lima de Monte Alegre. Por parte de meu pai, também sou descendente dos Alencar do Crato. Minha avo paterna era Ana Pereira de Moraes, irmã de Carlos de Alencar e outros. Por parte da minha Mãe, sou Neto de Manoel Dantas do Baixio. Meu nome é uma homenagem a um irmão do meu avô.

Eis a trajetória de minha vida.

No início de 1945 passei 2 meses aprendendo a ler numa escola de um vizinho. Em 1946, passei mais 2 meses completando que se chamava o primeiro ano de leitura, e em 1948, passei três meses com um amigo de meus pais cursando o primeiro ano primário em Juazeiro do Norte. Em 1949, por intolerância religiosa, minha mãe havia se convertido ao protestantismo, tivemos que sair do Baixio. Fomos morar numa localidade chamada Santa Luzia, perto da Mata do Nascimento, atual cidade de Dom Pedro, no estado do Maranhão.

Tal qual no Ceará, não havia escola naquele lugarejo, mas ainda tive a oportunidade de passar uns três meses numa escola de uma amiga de meus pais numa localidade vizinha. Em 1954, fui morar e aprender alfaiataria com um amigo numa vila mais distante chamada, Centro do Paciência, atual cidade de Governador Archer, onde meus pais moram atualmente.

Em 1956, por indicação de minha mãe, comecei a estudar no Instituto Batista do Cariri enquanto trabalhava numa alfaiataria em Juazeiro. Quando fiquei ali, tive muitas oportunidades de matar as saudades de Várzea Alegre e do Baixio, visitando e passando férias com meu avo, Manoel Dantas e outros parentes. 

Em 1958 fui expulso do Colégio Batista. Não tinha vocação religiosa! Mudei para Fortaleza onde passei um ano e meio trabalhando numa alfaiataria. Fiz um plano de sair de Fortaleza sabendo inglês, e pus-me a estudar sozinho. Todos os dias, durante um ano, aprendia dez palavras novas. Apenas aprendia a ler e escrever, mas foi muto importante porque meu primeiro emprego em São Paulo foi de tradutor de peças mecânicas, numa firma de pesquisa de petróleo filiada a Petrobrás. Ali havia muitos americanos e aproveitei para melhorar a pronuncia do inglês. Por influência deles, abri uma conta bancária nos Estados Unidos para onde enviava minha poupança para protegê-la da inflação e me preparar para uma eventual oportunidade de estudar no exterior.

Em 1963, comecei a namorar uma americana, e por influência do meu futuro sogro, pedi um visto de emigrante no consulado americano. Emigrei para os Estados Unidos no fim daquele ano. Logo em seguida, fui aceito na Universidade de Wisconsin, em Stevens Point, via um exame de admissão, pois não tinha educação formal. Como não tinha recursos para custear os estudos, a universidade me concedeu uma bolsa de estudos do legislativo estadual.

Em 1966, casei com Marilyn, que fora minha namorada em são Paulo e havia retornado aos Estados Unidos antes do meu visto de imigração. Foi ela quem me deu apoio moral e cuida muito bem de mim até hoje. Em 1968, ganhei uma bolsa de estudos para o mestrado na mesma universidade no campus principal, em Madison. Ali encontrei muitos brasileiros dedicados e preocupados com o destino do nosso país. Eles me influenciaram para que voltasse para o Brasil.

Em 1970, fui convidado, por indicação de um professor, para lecionar na Universidade de Brasília. Quando cheguei ao departamento de economia, acanhado e tímido academicamente, fiquei surpreso em saber que era o primeiro com mestrado lecionando naquele departamento. Logo, com 31 anos de idade, assumi interinamente a chefia do departamento onde promovemos uma reforma acadêmica que deu bons resultados até hoje.

Em 1972, voltei para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos da Fundação Ford e apoio da Universidade de Brasília para me preparar para o Ph.D. na universidade de Cornell, estado de Nova York. Ali, tive a oportunidade estudar com ilustres brasileiros, com José Serra, Luciano Coutinho, Yoshiaki Nakono, Sérgio Mindlin, Lívio Reis de Carvalho e outros brilhantes colegas. Senti muito orgulho daqueles amigos. Tínhamos uma intensa vida intelectual e de preocupações com o destino da pátria. Estes se dedicaram a vida acadêmica e política. Eu fiquei sempre ligado a vida acadêmica.

No primeiro dia de aula em Cornell, agosto de 1972, nasceu meu filho Lourenço e na semana que conclui os exames para o Ph.D. nasceu minha filha, Tania. Em 1975, passei 3 meses em São Paulo, levantando dados para minha tese de doutorado. No início de 1976, defendi uma tese comparando o desempenho econômico entre firmas brasileiras e estrangeiras operando em São Paulo.

Em 1978, participei de um programa do MEC, lecionando para professores da Universidade do Piauí dentro do programa PICD. Em 1979, fui convidado pra lecionar no Colorado College, uma pequena universidade na cidade de Colorado Spring nos Estados Unidos. Passei um  ano de licença naquela cidade. E em 1981 voltei brevemente pra passar mais uma temporada lecionando ali.

Em 1985, havia acabado de sair da direção do Instituo de Ciências Sociais da UnB quando recebi um honroso convite do Governo do Canada para visitar o país e participar de um seminário dirigido a administradores. Em 1986, voltei para os Estados Unidos e passei 6 meses na Universidade de Harvard com uma bolsa da Fundação Fulbright. Tive a oportunidade de me especializar na área de investimentos e administração de projetos. 

Em 1988, participei durante 45 dias de um programa das Nações Unidas e Banco Mundial, preparando técnicos do Banco Central de Moçambique, na capital Maputo, antiga Lourenço Marques.
Em 1990, voltei para os Estados Unidos acompanhando meu filho que ia estudar engenharia no Instituo Politécnico de Worcester, estado Massachusettes. Nesse  período, 1990-93, lecionei no Framingham State College, perto de Worcester. Neste último ano, minha filha também entra para universidade, na cidade de Oshkosh, Wisconsin.

1993 - 2001, todos os anos, passamos as férias nos Estados Unidos, acompanhando os os filhos, Tania fazendo graduação e Lourenço, a partir de 1994, fazendo o mestrado na universidade da California, em Davis. 

Aposentei-me da universidade de Brasília em 2001 e passei a lecionar, administração pública e planejamento estratégico na Escola Nacional de Administração Publica, ENAP em Brasília.
Em 2005, voltamos definitivamente para Wisconsin e inverti o percurso, agora passamos mais tempo nos Estados Unidos e menos em Brasília, onde ainda me considero residente. 

Atualmente, desenvolvo trabalhos práticos, analisando os mercados financeiros e operando com ações e moedas. Quase todas semanas escrevo uma pequena resenha sobre esses temas e que são publicadas em alguns sites na Internet. A coleção completa pode ser lida neste site, www.investmax.com.br Todos os trabalhos na Internet são do pseudônimo, Professor Metafix.

Nota final.

Por trás dessa saga existe uma mensagem que aproveito para dirigir especialmente aos jovens de Várzea Alegre e aos leitores desse Blog. Apesar de não possuir a escolaridade de praxe, pois juntando todos os dias que passei nas escolas rurais e em Juazeiro, não chega a ser um ciclo completo do primário, nunca deixei de estudar sozinho até chegar a universidade. Sempre trabalhei pra me sustentar, mas as noites eram minhas e as dedicava aos estudos. 

Considero o sucesso como dependente de dois ingredientes; aquele que vem de dentro, a vontade; o outro, o que vem do ambiente. A inspiração vem do fora pois só podemos ver longe quando pisamos ombros de gigantes. Os professores são importantes e indispensáveis. Não realizamos muito sem que aja algum incentivo ou estimulo externo.

Felizmente, para manter a disciplina, trabalhei com um PMA – plano, metas e ação. Para minha surpresa isso foi fundamental na minha formação. Por exemplo, quando decidi aprender inglês, o plano era chegar em São Paulo com um conhecimento literário que me desse apoio para o trabalho e para os estudos. A meta era aprender, pelo menos, dez palavras por dia. A ação era escrever repetidas vezes as palavras nas duas línguas, traçando uma imagem mental do significado. 

Assim, como fiz com o inglês, todas as outras etapas foram planejadas. E como disse Shakespeare – a consciência nos transforma em covardes –  eu tinha medo de falhar.

Observo que as pessoas trabalham com um plano estratégico. Entretanto,  a maioria não executa, e fica apenas nas intenções. Neste caso, é necessário examinar as forças internas e externas, e trabalhar com metas num ambiente apropriado. 

Nosso cérebro funciona melhor dentro de um quadro de referência. Reconhecia minhas fraquezas e minhas forças e tentei eliminar as primeiras e fortificar as outras. Esse é o primeiro quadro. O segundo é ter uma meta e cumprir todos os dias uma parcela dela. O terceiro quadro, é o meio ambiente. Os estímulos e as forças externas vem do ambiente, se ele não for  propício, não atingimos nosso potencial. 

Na falta de escolas, tentei me colocar em ambientes que me dessem força. Coloquei-me sempre ao lado dos interessados no saber. Fugi dos pretendentes que não tinham a inteligência emocional para entender que a ignorância sai bem mais cara do que o saber. Reconheci o ditado que diz  – mostra-me com quem andas que saberei quem tu és.

Fácil? Não! Simples? Sim! O importante é o desafio; subimos montanhas não porque seja fácil, mas porque elas são lindas.  Não se faz aquilo que é bom porque seja útil, mas porque engrandece a alma. – Tudo vale a pena se alma não for pequena. Navegar é preciso – como disse Fernando Pessoa. Acima de tudo, procurava a felicidade e continuo cultivando-a até hoje. Não tenho riquezas porque sempre fiz tudo para dignificar o espirito.  Não mudei e ainda mantenho meu jeito alegre e brincalhão característico dos várzea-alegrenses.

Agradeço a Antonio de Morais, administrador deste Blog(Blog do Sanharol) e ao Dr. Rolim pela atenção dispensada e a todos várzea-alegrenses que se dedicam a construir um lugar descente par se viver. 

Estes são meus heróis. – Merrill, Wisconsin, EUA, 2 de setembro de 2012.
Abraços, 
Antonio Dantas
(am)


sábado, 1 de setembro de 2012

Hino de Várzea Alegre


LUIZA LIXANDRE


Orgulho, vaidade e prepotência juntos. Outro dia me encontrei com uma varzealegrense que reside em Crato e ela me disse sem que eu lhe perguntasse: Não ando mais em Várzea-Alegre, nunca se viu povo tão vaidoso, orgulhoso e tolo.Vendo alguns deles parece mais alguem de  Tóquio ou Paris. Não me foi dada outra alternativa, a não ser ouví-la.  A grande maioria, especialmente os mais idosos se enquadram direitinho na minha avaliação. Disseminam, por onde passam, que são descendentes de papai Raimundo. Meia duzia de famílias se consideram "uma marca", se acham superiores. E daí? Por que essa exclusividade? Francisco Duarte Pinheiro, o pai do Papai Raimundo teve outros dez filhos, porque  imaginar que só papai Raimundo procriou? E os outros? Onde andam seus descendentes? Quem sabe informar? 

Papai Raimundo teve 16 filhos. Porque imaginar que só o Major Ildefonso pai dos Augustos das Lavras e Major Joaquim Alves de quem descende os Correias de Várzea-Alegre, os mandonistas do seculo passado, só eles contribuíram com o nosso povoamento? E os demais? Onde estão os seus descendentes? Que importância tem este fato hoje?

Quem pode informar a origem do conglomerado popular que compõe a população de Várzea-Alegre atualmente?  O Riachinho, a Varjota, os Grossos, as favelas que proliferam pelo Sanharol? Qual a genealogia dessa gente?

O Blog do Sanharol tem procurado mostrar as personalidade prestimosas que contribuíram, do seu modo, com nossa historia desde as mais humildes criaturas aos mais poderosos lideres. Em troca, tem sofrido campanhas no sentido do não acesso com os fins de diminuí-lo. 

Outro dia, fiquei orgulhosa de ver a foto de Luiza Lixandre na pagina do Blog do Sanharol. Sabemos que ela não é descendente de Papai Raimundo, não tem sangue azul, no máximo deva ser descendente de um escravo dele. Mas, Luiza Lixandre, quem a conheceu ou conhece sua historia sabe: foi uma escolhida de Deus para mostrar que o fim de todo orgulho, riqueza e poder é um só:  Em baixo de uma pedra fria com as indefectiveis palavras: Aqui Jaz. 

Ela desabafou. Eu fiquei só ouvindo.

(am)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

JOSÉ DE SOUSA LIMA - PÉ VEIO


Do Pé Veio temos muitas. O difícil é escolher a melhor. Mas certa vez, por voltas das nove horas da noite, estavam na calçada da casa do Buenos Aires - Fatico, Pé Veio e mais alguns amigos proseando. De repente surgem umas pessoas procedentes da cidade de Juazeiro do Norte, a pé, que seguiam para Canindé, com a finalidade de pagar promessa. Se aproximaram, deram boa noite e pediram para pernoitar, visto que não conheciam a região e estavam cansados.

Fatico com sua generosidade e hospitalidade concedeu abrigo afirmando lamentar que sua esposa estivesse ausente e não ter quem fizesse, pelo menos um lanche para eles. Então, Pé Veio perguntou: vocês gostam de coalhada? Os romeiros ficaram alegres como pinto em chinica e responderam todos a uma só voz: sim, gostamos.

Pé Veio passou uma mão na outra, lambei os beiços e lascou: taí Fatico, se tivesse eles achavam era bom!


(am)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

JOAQUIM JOSE VIEIRA - JOAQUIM PIAU.


Nosso padroeiro, por ter encontrado dificuldade para vi a luz, é invocado como patrono e protetor das parturientes e das parteiras. São Raimundo Nonato nasceu na Espanha em 1.200, numa nobre família. Desde Jovem, Raimundo Nonato percebeu sua inclinação a vida religiosa. Seu pai buscou, sem êxito, impedi-lo de co-responder ao chamado vocacional. Ao entrar para ordem de Nossa Senhora das Mercês, pôde receber do fundador: São Pedro Nolasco, o habito. Assim, tornou-se exemplo e ardor ao resgatar das mãos dos mouros, os cristãos feito escravos.

A primeira imagem que chegou a Várzea-Alegre, 40 anos depois se descobriu que era de São Braz e não de São Raimundo. Feita a substituição e correção a historia fez o registro somando este contraste aos demais já existentes.

Um dia, Joaquim Piau estava em Fortaleza e um padre perguntou: o senhor é de onde? Sou de Várzea-Alegre respondeu Joaquim com a mais admiravel elegancia e educação. O padre lhe respondeu: terra de gente e povo bestas, passaram 40 anos venerando a imagem de um santo, diante da imagem de outro. Joaquim Piau com toda calma que lhe era peculiar respondeu: E os mais bestas eram os padres que tiravam as rezas

(am)

domingo, 24 de junho de 2012

JOSÉ SOBRINHO


Considerado o vigário de todos os tempos, Padre Otávio foi um grande bem feitor de nossa terra. Uma de suas principais virtudes foi nunca se envolver com a politica, não permitindo que a Igreja fosse usada indevidamente, em proveito de tendências, partidos ou lideranças. Nunca se colocou a serviço desses ou daqueles, em tempo algum.

José Freire da Silva Sobrinho, o conhecido José Sobrinho, morava na rua São Vicente, em Várzea-Alegre. Casado, pai de uma grande família, católico praticante e muito solidário. Não perdia um enterro. Comparecia a todos. Fazia parte da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus, e da Conferencia de São Vicente, vivia praticamente para as atividades ligadas a igreja. Um dia, José Sobrinho ficou perturbado e resolveu consultar o padre quanto a algumas insinuações ou afirmativas feitas pelas pessoas que o abordavam na rua.

Padre, disse José Sobrinho: como o Senhor sabe eu acompanho tudo que é de enterro. No inicio eu ficava atraz do caixão, então começaram a dizer que eu estava andando atraz da morte. Passei a andar do lado do caixão, disseram que eu estava andando do lado da morte. Comecei a andar na frente do caixão, disseram que eu estava andando na frente da morte. Eu queria saber o que isso tem de real, de verdadeiro. - O Padre Otávio olhou de cima pra baixo e disse: José Sobrinho, dê um jeitinho de nunca ficar dentro do caixão, que não lhe acontecerá nada de anormal.

(am)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Joaquim Alves Bezerra - Major Joaquim Alves

Foi um dos primeiros filhos de papai Raimundo. Era na sua época um autentico líder. Ele e o seu irmão Jose Raimundo Duarte, Jose Raimundo do Sanharol, eram os dois principais mentores da localidade, a ponto de todos terem de pedir o seu apoio ou orientação para quaisquer medidas que desejassem adotar no sentido de solucionar possíveis problemas familiares ou de qualquer outra natureza. Ganhou a patente de Major tendo dado o nome a principal artéria de Várzea-Alegre, que conservou até os politicos, no uso de suas conveniências pessoais, passarem o rodo na historia.
Foi casado com Antonia Correia Lima, filha de Antonio Correia Lima do Bairro Batateiras, município do Crato. Do casal nasceram 12 filhos:

Antonio Raimundo Bezerra.
Pedro Alves Bezerra
Candido Alves Bezerra
Marcos Alves Bezerra
João Alves Bezerra
Jose Alves Bezerra
Gloria Alves Bezerra
Barbara Alves Bezerra
Joaquim Alves Bezerra
Manuel de Sousa Lima
Tereza Maria de Jesus
Clara Alves Bezerra.

A história mostra que poucas pessoas de Várzea-Alegre foram tão influentes quanto Major Joaquim Alves. Tanto na formação religiosa, quanto política do município.

(am)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Nossas Histórias - Memória Varzealegrense

TRAVESSURAS DE LAMPIÃO

Pedro Alves de Morais, o conhecido Pedrinho do Sanharol, teve quatro filhos de seus dois casamentos. Tres do primeiro com Maria Leandro Bezerra, filha de Manuel Leandro Bezerra, e hum do segundo casamento com Maria Alves Bezerra, filha de Mariana de Morais Rego. As duas esposas eram portanto suas sobrinhas legitimas. Isso na decada de 30 do seculo passado. Nesta mesma epoca, vivia a espalhar o terror pelos sertões nordestinos o famigerado Lampião e seu bando.
Certa noite, ouviu-se um baticum de zabumba para os lados da residencia de um morador do velho Pedrinho. Pum...Pum...Pum...Anunciava-se um relabucho, um tarrabufado. Pedrinho falou para o filho mais velho: Manoel vá furar aquele zabumba! Manoel não mediu distancia, foi num pé e voltou noutro, e, o zabumba continuou pum...pum...pum. Assim sucedeu com os outros tres filhos do velho Pedro, e, o danado do zabumba continuava pum...pum...pum...
Pedrinho se aluiu da rede, pôs o palitó, a garruncha na cintura e disse para a esposa: deixa eu ir furar aquele zabumba que esses nossos filhos não são homens não! Foi e voltou e o zabumba continuou - pum...pum...pum...Então a esposa perguntou: Pedrinho e voce não furou o zabumba não? A resposta não tardou: Maria e voce acha que era justo eu atrapalhar a brincadeira que Lampião estava fazendo com os amigos na casa de compadre Jose Joaquim?

(am)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

JOSE CLEMENTINO DO NASCIMENTO.

A morte do compositor José Clementino consternou o Cariri. Ao lado de Luiz Gonzaga, Padre Antônio Vieira e Patativa do Assaré, Zé Clementino fez parte da “Trilogia do Ciclo do Jumento”, um movimento idealizado em Crato, em defesa do jegue. A iniciativa tomou dimensão nacional através da música e da poesia dos quatro defensores do jumento. A campanha ganhou mais intensidade na década de 80, quando os quatro se encontraram na Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), sob a presidência de Henrique Costa. Padre Vieira chegou ao palanque, onde se encontravam Luiz Gonzaga, Patativa e Zé Clementino, montado num jumento. Ao lembrar este fato, destacacamos que Zé Clementino foi um dos mais vigorosos músicos do Ceará. É o autor de autênticos clássicos da música nordestina, tendo sido interpretado por alguns dos grandes nomes da MPB, dentre os quais o “Rei do Baião” — Luiz Gonzaga. Funcionário público aposentado, Zé Clementino, que já morou em Crato, quando trabalhava no INSS, integrou-se à vida boêmia da Princesa do Cariri, fazendo parcerias com outros artistas. Com o “velho Lua”, o talento de Zé Clementino ganharia destaque nacional, ao passo que, por outro lado, a inventiva produção artística do compositor varzealegrense proporcionaria vitalidade e renovação à obra musical de Luiz Gonzaga. O “batismo” fonográfico da parceria Luiz Gonzaga-Zé Clementino procedeu-se, de certa forma, quando o “Rei do Baião” atravessava um longo período de ostracismo e mesmo de indefinição quanto à continuidade da carreira artística. No seu trabalho anterior, o ilustre “sanfoneiro de Exu” mostrava-se desestimulado e cético quanto aos possíveis rumos de sua até então vitoriosa trajetória musical. Numa de suas canções mais emblemáticas da época, Luiz Gonzaga lamentava: “Pra onde tu vai, Baião? / Eu vou sair por aí / Mas por que, Baião? / Ninguém me quer mais aqui...”. De fato, o Baião, assim como outros ritmos nordestinos, havia perdido o forte apelo comercial que gozara no passado, particularmente em virtude do surgimento de novos movimentos musicais — a Bossa Nova e a Jovem Guarda. Nesse panorama, foi lançado o álbum “Luiz Gonzaga – Óia Eu Aqui de Novo”, o qual continha três canções compostas por Zé Clementino. Uma delas, o “Xote dos Cabeludos”, uma bem humorada crítica à estética ‘hippie’ que conquistava a juventude de todo o mundo, tornou-se uma das músicas mais executadas do país no verão de 68, trazendo o ‘Rei do Baião’ de volta à mídia e despertando o interesse das novas gerações pelo riquíssimo acervo musical do artista. Naquele mesmo ano, Zé Clementino confere uma legítima e emotiva dádiva à sua cidade natal, quando compõe a letra do Hino Oficial de Várzea Alegre. No seu álbum seguinte, Luiz Gonzaga grava “O jumento é nosso irmão”, uma homenagem à luta, encampada pelo Padre Vieira, em prol da preservação da espécie asinina. Em 1976, fazendo proveito do mesmo tema, o Rei do Baião gravaria “Apologia ao jumento”, uma espécie de discurso inflamado em que, com muito bom humor, exalta as benesses do “pobre e castigado” animal. Registra ainda o xote “Capim Novo”, outra canção do compositor varzealegrense, cuja letra sugere uma “discutível” alternativa terapêutica e afrodisíaca para os homens que enfrentam os “percalços” da terceira idade. Em 1978, o Trio Nordestino, na época o campeão em vendagem de discos no segmento de música regional, grava “Chinelo de Rosinha”, uma parceria de Zé Clementino e Paulo César Clementino. Em 1983, o Brasil vê-se tocado pela sensibilidade musical do prodigioso varzealegrense Serginho Piau, que executa a comovente canção “Simplesmente Zé”, de autoria de Zé Clementino, em alguns programas televisivos. Por fim, os anos 90 marcaram o processo de revitalização estética e musical do forró, e o cearense Sirano, um dos mais bem sucedidos artistas do Ceará. Entre as suas músicas estão: “Aí não deixo não”, “Xote dos cabeludos” , “O jumento é nosso irmão”, “Apologia ao jumento”, “Contrastes de Várzea Alegre”, “Capim novo”, “Sou do banco", "Xeêm”, “Chinelo de Rosinha”, “Jeito bom”, “Hino Oficial de Várzea Alegre”, e “Simplesmente Zé”. Ele faleceu vítima de enfarte no Hospital de Várzea Alegre, aos 69 anos de idade. 

(am)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dr. Aluísio Máximo de Menezes


Uma das maiores glorias da nossa terra. Um extremado defensor da vida humana, medico, conselheiro e amigo, Dr. Aluisio, filho ilustre do Sanharol, já não está entre nós. A pesada e fria mão da morte pesou sobre o seu coração e a sua alma pura e emanada da divindade, voou ao seio do Eterno e lá foi gozar o premio de suas eximias virtudes.

Quem era este majestoso que desapareceu dentre nós? Quem era este cidadão prestimoso, cuja campa regamos com as lagrimas da gratidão e da saudade? Preciso fôra, que conhecêssemos como conhecemos, para podermos avaliar a tamanha perda.

E deste amigo sem igual, deste coração magnânimo, destas mãos benfazejas, que sempre derramaram o bem, desta cabeça onde germinaram os mais elevados pensamentos em prol do povo de nossa terra, deste todo que formava o grande homem, o amigo verdadeiro, temos apenas sua memória, a grata memória, que jamais morrerá para aqueles que tiveram a ventura de conhecê-lo. Memória que honrosa passará para a posteridade, quando a historia lhe fizer a devida justiça.

Quem é aquele por quem vertemos amoroso pranto? Por cuja perda a população lamenta? Que elevou a tantos e a tantos deu brilhantes exemplos? Aquele com quem morreram tantas esperanças? Amigo extremoso e verdadeiro.

Temo não proferir o seu nome, o seu venerando nome, com todo o respeito que é devido. Temo pronuncia-lo, e não exprimir a dor, a profunda dor que nos invade. Deixa que a face de Deus e dos homens se confessem o que a ti devemos. Deixa que descreva tuas virtudes, virtudes não de tumulo, mas verdadeiras, para atestar as quais aí estão milhares de testemunhas.

Aluisio, vulto prestimoso, que honrou nossa terra como jamais teve outro, nasceu no Sanharol, no Sanharol dos seus avós João Alves de Menezes e Dona Soledade, no Sanharol dos seus pais Raimundo Batista de Menezes e Risomar.

(am)

segunda-feira, 26 de março de 2012

METILDE CORREIA FERREIRA


PUBLICADO EM JANEIRO DE 1.966, QUANDO DA SUA MORTE.

Agora, que partes, velhinha e trêmula e santamente triste, arrastando contigo o pesado e doce encargo que te confiou a vida. Agora, que se extingue, mansa e suavemente, a chama que, 82 anos e meses, te animou os olhos pequeninos e cheios de doçura e amor. 
Agora que Deus te chama à sua Gloria, na colheita que, faz das Suas flores mais ditosas. Agora que nos deixa orfãos da tua figura humana, porém, mais vitalizados da tua presença carinhosa. Nós, os teus filhos, rebentos felizes do teu corpo e da tua propria alma, nos ajoelhamos a teus pés, silentes e saudosos e, diante do altar da tua memoria nos sentimos simples criancinhas, ainda e sempre, do teu cuidado e desvelo. Aqui estamos, para reverenciar a santa mãe que tu és! Não sabemos se mãe tornada santa, ou santa em mãe transfigurada. Aliás, maravilhosamente e pela graça divina, estes dois encantadores dons.
De ninguem tua boca diz mal, a ninguem teus olhos fitam sem ternura, jamais, ao odio, dás guarida o teu coração. Que os ceus acolham tua alma generosa e boa e que em perfumadas flores se transformem tuas cinzas. Que a tua lembrança, cada vez mais viva e palpitante, cintile, para sempre no altar que te edificamos em nossos corações, onde esculpiremos teu nome, sombra de Deus, que paira mansamente sobre nós. 

(am)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

PADRE ANTONIO BATISTA VIEIRA.


Padre Antonio Vieira, irreverente, irrequieto e culto. Nascido na pequenina Varzea-Alegre, minusculo ponto perdido na carta geografica do ceará. Este não necessitou de estalo - já nasceu estalado, a moda pipoca! Nem tão cedo os baixios do Machado produzirão valor igual, pois, como disse um poeta numa evocação gloriosa, "procriar genios cansa a natureza".

Escritor de estilo fluente e de assombrosa erudiçãodo mais brilhante expoente da intelectualidade varzealegrense, quiçá, do Ceará e do Brasil. Padre Antonio Vieira, "bicho-bom-da-peste", Um varzealegrense que nos deixa uma duvida: a ele. o que erguer? Nossa homenagem é muito modesta: Um lugar para os seus livros, entre Camões, Dante, Milton e outros antropofagos! Tará bom, assim?

(am)

sábado, 21 de janeiro de 2012

A TROCA DO SANTO

Prezado amigo. Estou vendendo esta historia pelo mesmo preço que recebi de um filho de Pedro Frutuoso do sitio Guaribas em Várzea-Alegre. Trata-se de um contraste conhecido e falado até na musica do saudoso José Clementino que diz: São Braz lá é São Raimundo. Pois bem, quando se espalhou essa historia o padre da época teve a iniciativa de mandar fazer varias imagens de São Raimundo para disseminar entre os paroquianos a correção do erro.

Em cada casa deixava uma imagem, e, sempre recebia alguma doação. Na casa de Pedro Frutuoso, nas Guaribas, quando o padre entregou a imagem a mulher disse: menino, pega uma galinha pru padre levar! Menino como diabo, correu um prum lado, outro pra outro e quando retornaram três deles traziam uma galinha carijó presa debaixo do braço. A mulher encabulado mandou o padre levar as três galinhas. Pedro Frutuoso não falou nada, mas reconheceu ter levado uma tremenda taboca no negocio.

Dias depois a mulher, se aprontou toda, botou vestido novo, óleo de côco no cabelo, se penteou, enrolou a imagem numa toalha e disse para o marido: Pedro, eu vou pra missa no Riacho Verde, vou mandar o padre benzer meu santinho. E Pedro aconselhou: "Muier pede pru padre ensinar ele a pô” que está com um mês que nós perdemos três ovos todo dia.

(am)

sábado, 31 de dezembro de 2011

JOSE DE ADALIO, ZÉ GATINHA

Zé Gatinha, cujo nome José Adálio, uma figura admirada e ao mesmo tempo odiada pelas travessuras que praticara em Várzea-Alegre,no pouco tempo que conviveu com a nossa gente. Na década de 60 com a explosão da Jovem Guarda, os rádios e amplificadoras tocavam as músicas dos ìdolos Roberto Carlos e sua turma que apaixonaram muitos jovens naquela época. Em Varzea-Alegre naquele tempo tinha como costumes, o encontro dos brotos na praça central todas as noites. Passeavam em torno da praça os homens e as mulheres em sentido contrários. Ali os brotos flertavam ouvindo as músicas apaixonadas do iê...iê...iê. Paixões incendiavam muitos corações. Noites acordadas sofreram muitos apaixonados. Quando ia se aproximando o final das férias estudantis, a saudade batia com mais força e dor nos corações daqueles jovens. Prenúncio de que alguém ia partir deixando a sua paixão naquele torrão amado. Aí entra a estória de Zé Gatinha. O seu pai Manoel Totô, possuia um ônibus que fazia a linha Varzea-Alegre ao Crato, e a figura Zé Gatinha era ajudante do ônibus. Todas as segundas-feiras o ônibus saía de V.Alegre de uma agência localizada em frente a prefeitura municipal. Era uma multidão de pessoas querendo mandar encomendas pra familiares em Crato. Mas o que chamava mais a atenção era a quantidade de jovens entregando cartas ao Zé Gatinha para serem entregues aos amores que estavam distantes. O ônibus partia com inúmeras cartas nas mãos do Zé Adálio, nisso quando chegava na Serra de São Pedro em que o transporte começava a subir a ladeira vagarosamente, o ajudante subia ao bagageiro e começava a ler as cartas dos apaixonados e logo após as rasgava. Certo dia, ao se encontrar com um dos apaixonados, foi chamado à atençao que não tivera recebido a resposta da carta de sua amada, de imediato, ele disse que ela tinha sabido que ele tinha arranjado outra garota e que o namoro estava terminado

(am)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Emidio da Charneca


Quem conhece a parte territorial do município de Várzea-Alegre deve estranhar porque aquela ribeira iniciada no sitio Gamelas, passando pelo Capão, Amaro, Charneca, Unha de Gato e parte do Riacho do Meio, apenas a Charneca, a parte ao centro não pertence ao nosso município e sim a Carius. Fontes serias asseguram que nas décadas de 40 e 50 um cidadão conhecido por Emidio, agricultor e analfabeto, de uma hora para outra virou doutor. Em breve os caminhos e as veredas que levavam ao lugar estavam cheias de pessoas achegando-se ao local para se receitar. Por conhecimento ou adivinhando filas eram atendidas, Emidio fez fama e clientes é o que não lhe faltava. Pessoas das mais distantes localidades e de outros municípios acorriam em seu socorro e o homem receitava remédios que eram encontrados em quaisquer farmácias e de efeito positivo.

Várzea-Alegre sempre foi uma cidade adiante das demais circunvizinhas, e, nesta época já tinha medico, e, dizem, não sei se verdade, que este vivia na cola de um erro qualquer do Emídio para denunciá-lo e proibi-lo da pratica que já era um habito. Para fugir destas perseguições e das autoridades locais, Emidio se valeu do então Deputado Mário da Silva Leal que por meio de um decreto desmembrou aquela área do município para fugir as possíveis penalidades impostas ao Emidio. Assim a Charneca deixou de pertencer a Várzea-Alegre e se integrou ao município de Carius. Há quem diga que Várzea-Alegre não perdeu nada.

(am)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Agora vá enredar ao Padre Mota


Silvio Piau foi escalado para botar as vacas no curral naquela tarde. Logo em Agosto, festa de São Raimundo. Silvio foi achando ruim como diabo, mas foi. Juntou as vacas no curral, contou e sentiu falta de uma, a mais leiteira de todas. Voltou à procura. Em vão, nada de encontrar. De duas uma, ou procurava a vaca e perdia o horário da novena ou ia pra novena e no outro dia o leite não dava para atender a freguesia. Optou por ficar e procurar a vaca. Finalmente, já ao anoitecer localizou a fujona e botou no curral. Pra se vingar apanhou uma corda no armazém, laçou a vaca e estorvou no mourão. Apanhou uma vara na cerca e só deixou de bater quando já estava saindo sangue pelos chifres, olhos, orelhas e nariz. Em seguida soltou a vaca, deu marcha na direção da porteira, olhou pra trás e disse: Agora vá enredar ao padre Mota.

(am)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PEDRO ALVES DE MORAIS, PEDRO PIAU.


Nascido em Várzea-Alegre, no dia 12 de julho de 1918, filho de José Joaquim Vieira e Maria Alves de Morais, Pedro Alves de Morais, Pedro Piau foi notavel na habilidade de fazer amizades e pela capacidade de conservá-las. Pedro Piau era uma memória viva de nossa terra. Entre suas principais obras está “Sete Gerações de Papai Raimundo”, em parceria com Acelino Leandro, onde descreveu as descendências de Raimundo Duarte Bezerra, Papai Raimundo. 
Destacou-se também pelos serviços prestados ao Segundo Cartório que tinha como titular Ana Ferreira. Pedro Piau se notabilizou pela valorização que fazia dos laços de família, qualidade esta que transferiu para os seus filhos. Assim foi o Pedro para os seus amigos.

Pedro casou em primeiras núpcias em 1944 com dona Iracy Bezerra de Morais. De Dona Iracy, a grande maioria dos varzealegrenses é eterna devedores de seus ensinamentos e encaminhamentos para a vida por meio da educação. Desse casamento nasceram os filhos: Raimundo, João, Rita Maria, Geralda, Ozanan, Joaquim, Paulo, Paula, Marco Antonio e Ricardo César.
Em 1974, faleceu dona Iracy e, 14 anos depois, em 1988 Pedro se casou novamente com Maria do Socorro Lima.  Faleceu no dia 26 de Março de 2012, em Fortaleza.Seus restos mortais foram transladados para Varzea-Alegre onde foram sepultados  no masoleo da famila - no Cemiterio da Saudade.

(am)