VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O CASAMENTO DE ANTONIO LEANDRO BEZERRA.


Num passado não muito remoto os rapazes levavam uma vantagem danada sobre as moças. Bastava se agradar ou simpatizar com a pretendida e comunicar ao pai dela o desejo de se casar que o negocio estava feito, não havia escolha para as mulheres. Assim é que Antonio Leandro Bezerra decidiu se casar com Inacinha filha de Benedito Alves Bezerra, o Benedito André do Sanharol. Quando chegou à casa do futuro sogro o encontrou cuidando de uns afazeres nas proximidades da residência e já foi soltando o verbo: Benedito eu quero saber se você permite que eu me case com a Inacinha. Pra azar do Antonio Leandro, o Benedito era um pouco moderno e consultou a filha: Inacinha! Olhe aqui a conversa do Antonio Leandro, ele quer saber se você quer se casar com ele? Quero não, respondeu em cima da bucha. Com o orgulho ferido Antonio tratou de se retirar quando já estava a alguns metros de distancia se ouviu um berro, um grito de um dos compartimento da casa: Eu quééééro! Era a Carmelita, filha caçula do Benedito. Para não perder a viagem o Antonio voltou para casa já com o casamento marcado. O casal teve 14 filhos e fizeram 60 anos de casados. Na solenidade religiosa, no momento das manifestações dos familiares a Carmelita falou: nós não namoramos para casar, vivemos todo esse tempo e nunca brigamos, nunca houve um desentendimento. Na vez do Antonio ele confirmou: É verdade, nunca brigamos porque eu nunca quis, mas motivos ela deu por demais da conta

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Terra dos Raimundos


Desde Raimundo Duarte Bezerra, papai Raimundo, há quase 200 anos que veneramos São Raimundo Nonato, protetor da gestante e nosso padroeiro. Não há uma casa em Várzea-Alegre que não tenha um, dois, ou até mesmo três Raimundos ou Raimundas. Pelas décadas passadas o padre da cidade viajava para celebrar as missas nos distritos e comunidades rurais montado em lombo de animais. Poucos no município se davam ao luxo de possuir um carro. Raimundo Teófilo, fazendeiro, proprietário de fazenda no sitio Vacaria tinha um JEEP, velhinho como diabo, dava um trabalho danado para pegar, mas quebrava o galho nas emergências. Um belo dia, o Raimundo vinha para cidade e ao atravessar um riacho da Moça molhou o distribuidor do carro que não houve jeito para funcionar novamente. Desceu do carro junto com a filha Raimunda, com uma raiva danada do filho mais velho Raimundo Valdizar, pois atribuía que o carro não funcionava por falta de gasolina, fato que ele não admitia. Enquanto aguardava uma solução o distribuidor enxugava a sujeira da água. De sorte, que lá vem o padre no seu alazão, e perguntou: O que houve? Seu Raimundo! Falta de gasolina, seu padre, já falei pru cabeça dura do Raimundo que carro não anda sem gasolina e ele não toma jeito. O padre olhou para Raimundo e disse brincando: Você tem fé em São Raimundo? Tenho muita, respondeu conciso. Pois assim sendo coloque um litro dessa água que corre no rio que o carro vai funcionar e você chega ao destino. O problema do carro não era gasolina, era o distribuidor ou carburador encharcado. Seu Raimundo despejou um litro de água limpinha no tanque do JEEP que já tinha 35 litros de gasolina e ao sentar-se na poltrona, atolou o pé com vontade, deu uma acelerada forte, o carro funcionou e foi embora se encobrindo na primeira curva. Diante de tamanha fé o padre Raimundo Monteiro olhou para o ajudante de sacristão Raimundo Anjo e abismado lascou: vá ter fé assim em São Raimundo no inferno.

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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Terra disso e daquilo!


Na distribuição de títulos por localidades, Várzea-Alegre atribui alguns de acordo com a característica da gente de cada lugar. Terra da vantagem, terra da ignorância, terra da mentira etc. Assim é que o Sitio Chico é considerado a terra da “besteira”. Um de seus habitantes famosos colaborou para o merecimento da honraria.
Certa vez, Joaquim Vieira foi a Casa de Saúde São Raimundo receitar um filho e depois da consulta o Dr. Pedro orientou e recomendou a internação. O paciente estava sentindo febre e o medico achou interessante internar para melhor acompanhamento e observação. Joaquim concordou e depois de atender aos procedimentos normais foi a Radio Cultura colocar um aviso para família no sitio Chico comunicando a internação e sua permanência na cidade até a alta medica do filho. A atendente escreveu o aviso, conforme seu desejo, recebeu o pagamento e Joaquim Vieira procurou saber o horário que o aviso ia ser lido. As quatro horas da tarde, respondeu a atendente. Joaquim voltou a pé ao Sitio Chico e saiu de casa em casa dizendo: as quatro horas ligue o radio que vai sair o aviso!
Outra vez o pai do Joaquim Vieira ordenou que fosse medir uma cerca, pois precisava saber quanto rolos de arame farpado seria necessário. Entregou-lhe uma braça e em pouco tempo Joaquim voltou e disse pronto meu pai já medir! O velho perguntou quantas braças? Ele respondeu: e era para contar?

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JOSE CARLOS DE ALENCAR.

Jose Carlos de Alencar era o cidadão prestimoso de nossa terra, querido e admirado pelos nossos conterrâneos, chegou a se eleger para varias legislaturas a Câmara Municipal de Várzea-Alegre e concorreu ao cargo de prefeito em pelo menos uma oportunidade. Jose Carlos se caracterizou pela coerência politica e lealdade aos amigos e princípios partidários. Era analfabeto, fato que levou seus adversários a tentarem impugnar sua candidatura na justiça. Tendo resultado infrutífero. Numa das eleições mais acirradas da historia do município, as lideranças fizeram um acordo, de modo que, quem fosse o vereador mais votado seria também o presidente da Câmara Municipal, para evitar pendengas. Neste ano, Jose Carlos foi o mais votado e foi eleito presidente do legislativo municipal. O problema é que na cerimônia de posse do novo prefeito ele teria dificuldades de conduzir os trabalhos, por se tratar de ser analfabeto. O mestre de cerimônia, Tiburcio Bezerra de Morais orientou direitinho dizendo: Jose Carlos, você vai ficar sentado na cadeira principal e eu vou conduzir a reunião, apenas quando eu piscar o olho, você se levanta e diz: “declaro encerrada a reunião”! Dito e feito, discurso do prefeito sainte, discurso do prefeito entrante e por fim Tiburcio piscou o olho para Jose Carlos que: Levantou-se, assungou a calça, apertou o cinto, aprumou a gravata, se empertigou e lascou: Encerro declarada a reunião! Isto é, abriu outra vez. Já não se encontra mais nos nossos dias politicos com a decencia do saudoso Jose Carlos de Alencar.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

DOIS POREM

Joaquim Alves Bitu e Raimundo Alves Bitu eram irmãos. Joaquim morou durante um bom tempo no Sanharol, fixando domicilio na sede do município, posteriormente, onde se estabeleceu no ramo de armazém e mercearia. Raimundo, conhecido por Doca Bitu sempre residiu no sitio Serrote. Difícil mesmo era saber qual dos dois era mais sabido, mais comerciante. Um belo dia o Doca procurou o Joaquim e fez uma oferta de 500 sacas de milho. Joaquim se interessou pelo negocio. Então Doca disse, eu lhe vendo más tem um “porém”. Joaquim entendeu que o irmão só vendia a vista, a dinheiro. Achava que esse era o “porém”. Não se preocupe Doca o dinheiro está guardado. Não Joaquim, eu lhe vendo a prazo. O “porem” é que eu só faço o negocio para entregar a mercadoria na minha balança. Joaquim respondeu: nesse caso Doca, agora são dois “porém” porque eu só faço o negocio se for para receber na minha balança.

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terça-feira, 16 de outubro de 2012

José Felipe e os cururus da Bahia

Jose Felipe viajava pelo Estado da Bahia, em seu caminhão e, de passagem pela cidade de Ibotirama se hospedou num hotelzinho desses de beira de estrada. Depois de pegar o rango, saiu um pouco para o pátio do Hotel e observou uma quantidade enorme de Cururus espalhada pelo terreiro. Falou para o proprietário do Hotel: é danado, tanto Cururu aqui e nós lá em Várzea-Alegre não encontramos um só pra remédio. Compra-se por alto custo cada unidade. O dono da Hospedaria procurou saber a utilidade do bicho. Jose Felipe explicou solicito. Nas nossas plantações de arroz, feijão e milho costuma aparecer muitos insetos, lagartas, formigas, besouros, mosquitos que estragam as lavouras e agente solta os cururus no roçado e em pouco tempo as pragas desaparecem, são exterminados por eles. Se o Senhor juntar eu pago a 20,00 a unidade. Jose Felipe seguiu viagem e o caboclo danou-se a juntar cururu num cercado. Oito dias depois, Jose Felipe estava de volta, nem lembrava mais a proposta. O dono da Pensão quase morre de alegre. Seu José a sua encomenda está pronta, juntei os que pude só falta contar, eu não sei quantos são ao todo. Puxou Jose Felipe pelo braço e quando chegaram ao quintal da casa tinha uns quinhentos cururus cada qual o mais papudo. Jose Felipe pediu que o caboclo contasse um por um. Depois fazia menção de pegar a carteira do dinheiro e o caboclo se animava cada vez mais. Então veio o arremate final: Disse Jose Felipe: olhe cabloco velho, eu vou comprar, mas numa condição, eu quero que você separe os machos das fêmeas. Do contrario eu não levo porque lá os machos valem bem mais, preciso levá-los separados, por que é com a venda dos machos que vou fazer o meu lucro.

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CABOCLO DO ROZARIO


Outro dia cedinho, sair com o meu neto João Pedro para o Mercadinho próximo de casa para comprar um chilitos. Na volta, ele se deliciava dos flocos de queijo com uma voracidade nunca vista. Notei que ele estava temeroso que eu entrasse de sócio no consumo e disse: Coboclo do Rosário pode comer tranqüilo que eu não quero dos seus chilitos. Ele me encarou e perguntou: porque o senhor me chamou de Caboclo do Rosário? Então passei a contar-lhe um pouco do que ouvir dizer e falar de Caboclo do Rosário.

Neto de Jose Raimundo do Sanharol, Pedro Alves de Lima, o conhecido Caboclo do Rosário, era proprietário de uma vasta área de terras no sitio Rosário. Casado em primeiras núpcias com Clara Alves de Menezes e em segundas núpcias com Matilde César Ferreira. Não houve filhos dos dois casamentos. Dizem que era muito econômico, suvina e não admitia desperdício, qualidades indispensáveis, mas que alguns a consideram como não muito agradáveis e simpaticas.

Certa vez, fez uma viagem ao Crato com o seu primo Jose Raimundo de Meneses, o conhecido Jose Raimundo do Canto, e, quando chegaram à altura da localidade Monte Pio, por volta das duas horas da tarde, Jose Raimundo apanhou o fumo e uma palha de milho fez um cigarro e acendeu. Em continente Caboclo meteu a mão no coxim e desenrolou um guardanapo com duas tapiocas temperadas com amendoim. Tirou uma e escondeu novamente a outra. Enquanto consumia a primeira dizia: Zé Raimundo não quer: está fumando! Jose Raimundo se preparou. Eu quero ver se ele vai comer a outra sozinho. Duvido que consiga. Passaram por Dom Quintino, depois pela Ponta da Serra e quando já avistavam as casas da Palmeirinha, onde finalizavam a viagem, Jose Raimundo acendeu outro cigarro. Caboclo retirou a outra tapioca e disse: Zé Raimundo não quer, está fumando! João Pedro não entendeu bem a conversa, mas no futuro ele vai entender o quando fumar é prejudicial e dar prejuizo.

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

JOSE VICENTE DA LAGOA DO ARROZ.


José Vicente da Lagoa do Arroz era o tipo do cidadão pacato, calma, medroso e mole. Tinha todas as qualidades de uma pessoa de paz. Morava na propriedade de Jose Vitorino Bezerra e Dona Emilia Correia, cuja casa se localizava entre as residencias do Major Cirilo e do Senhor Joaquim Piau. Casado com Madalena, dos Joaquim da Unha de Gato, uma santa em pessoa. Próximo da cidade, hoje em dia, um bairro. Os larápios se tornaram sócios comuns nas galinhas do Jose Vicente. Um belo dia Jose Vicente perdeu a paciência e se preparou para reagir. Carregou a espingarda soca-soca e fez tocaia na porta da cozinha. Noite de escuridão, no primeiro movimento para o lado do poleiro Jose Vicente apertou o dedo. Voltando ao quarto falou para mulher: acertei em cheio, o cabra caiu em cima da bucha. Amanha cedo, antes da historia se espalhar, eu capo a gato para Unha de Gato, me escondo até passar o flagrante. No outro dia nada de vestígio de sangue, nada de defunto. Três dias depois Jose Vicente precisou pilar arroz e foi procurar o jumentinho Cabano para levar a carga. Os urubus estavam fazendo a festa. Mortinho danado com o tiro que Jose Vicente pensava ter acertado o gatuno. A conversa se espalhou e Jose Vicente virava a cão se alguém fizesse sinal de tiro ou coisa parecida próximo da sua casa. Um belo dia, Mascote Teté e outros amigos passavam pela estrada e em frente a casa de Jose Vicente e gritaram " Pol ". Jose Vicente apanhou a espingarda e atirou de verdade. O Mascote gritou de lá: Matou Estevam de Joaquim de Satiro! Jose Vicente respondeu de cá: Mentira: que eu atirei foi pra riba! O Mascote subiu com os amigos para o Serrote e Jose Vicente ficou com suas duvidas e pensamentos: Agora se quando os chumbos desceram acertaram mesmo o filho de seu Joaquim de Satiro. Eu vou é me esconder na Unha de Gato. Partiu. Quando chegou à Cruz de Maria de Bil, pensou melhor: homem seu Joaquim de Satiro é o maior amigo dos Zé Joaquim da Unha de Gato, eles vão é me entregar. Eu vou é voltar e me apresentar a Zé Cardoso no Gravié. Desceu por dentro das mangas para a casa do Jose Cardoso. No outro dia, quando Jose Cardoso voltou da feira Jose Vicente perguntou: Seu José Cardoso é verdade que mataram um dos filhos de seu Joaquim de Sátiro ontem de madrugada? Não senhor, que historia mais besta é essa rapaz.
Jose Vicente retornou para casa depois de todo esse pesadelo mesmo tendo certeza absoluta que tinha atirado pra cima.

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SEMUVA


Nas décadas de 60 e 70 no período de férias Várzea-Alegre era muito animada. Á vida social da cidade era agitada, festejada com a presença dos filhos que faziam universidade noutras cidades como Fortaleza, Recife, João Pessoa, Natal etc.
Como parte das festividades era realizada a “Semana Universitária”. Era uma verdadeira olimpíada de tantas modalidades em disputa.
Num determinado ano o Mobral foi o campeão do Torneio Universitário de Futebol de Salão. Somou-se, então, este fato aos demais contrastes já existente.

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domingo, 14 de outubro de 2012

NÃO TROQUE O SEU PF PELO NOSSO AD


Alexandre Bezerra da Costa, meu amigo e parente Xandoca, foi o que se pode chamar de verdadeiro herói. Não dispunha de recursos financeiros e enfrentando dificuldades diversas conseguiu formar a maioria os filhos. Tem doutor espalhado pelo Brasil afora tomando conta de Incra, Ibama, e, outras instituições federais.

Renan, o filho mais moço e também o mais mimoso, quando estudante da Escola Técnica Federal do Crato, de férias no Sanharol, reclamava da alimentação do refeitório da escola. Dizia: temos que comer o mesmo PF todo dia, isso não há cristão que agüente.

Foi aí que o Xandoca perguntou: Meu filho, o que é um PF. Renan respondeu: é um prato feito. E o que tem neste prato feito? Perguntou mais uma vez o Xandoca: Tem uma porção de arroz, outra de macarrão, feijão, um bife e um ovo passado, respondeu Renan.

Aí o Xandoca observou: Meu filho esse seu PF tem mais proteínas e deve ser bem mais saboroso do que o nosso AD, não reclame. E o que é AD perguntou Renan. Xandoca soltou o seu tradicional riso e disse: AD meu filho, é arroz d’agua!

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sábado, 13 de outubro de 2012

PAULISTA INXIRIDO


Até os anos 70, quando chegava alguém em Várzea-Alegre que morava em São Bernardo, o pessoal chamava de "paulista”. Chegou um “paulista”. Pois bem, certa vez o deputado Otacílio Correia estava cortando o cabelo na Barbearia de Vicente Cesário e chegou um paulista. Conversa vai, conversa vem, na hora de pagar, Otacílio vai metendo a mão no bolso, o rapaz interrompe: Êpa! Seu Otacílio, deixa que eu pago, foi um grande prazer conhecer o senhor e é uma honra acertar esse corte com seu Vicente Cesario.
Otacílio agradeceu educadamente respondendo: Valeu, bicho! E foi embora. Na hora do sujeito acertar a conta perguntou: E aí, Tio, quanto que é tudo? Só 23,00, respondeu Vicente Cesario. Vinte e três reais? Ali na tabuleta não está dizendo que é 3,00 seu Vicente? Nesse caso são 6,00. Aí Vicente Cesário explicou: É, mas toda vez que o deputado Otacílio vem aqui ele me dar é 20,00 pelo corte. Quem mandou você ser inxirido?

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Geraldo Teté




 

POVO CORDATO


Por característica, Várzea-Alegre e seu povo sempre foram muito calmos e cordatos. Raimundo Alves Bitu, o conhecido Doca Bitu do sitio Serrote, tinha uma casa no centro da cidade que era alugada ao delegado de policia. Quando um ia embora o futuro delegado já ocupava a casa.

Em 1967, um verão lascado, Zé Bastião resolveu comprar a água da Lagoa do Serrote para aguar os arrozais do Vale do Machado. A lagoa pertencia a vários proprietários, e, a parte baixa da parede, portanto o local melhor de esvazia-la pertencia a Doca Bitu.

Zé Bastião negociou o preço da água com todos os outros proprietários, mas o Doca exigiu um preço mais elevado, Zé Bastião, então, desistiu do negocio. João Gomes, um dos proprietários, deu a idéia de cavar uma levada pela sua parte de terra e assim fizeram.

Quando Doca viu a lagoa secando, foi tomar satisfação com João Gomes. Depois de muitos desaforos Doca apanha a soca soca e disparo um tiro na direção do João Gomes. João Gomes foi dar parte ao delegado Jose Pereira que era inquilino do Doca.

Vixe Deus, e agora o quer que eu faço. Com as mãos na cabeça Jose Pereira subiu de madrugada para orientar Doca em seu depoimento: Boa noite seu Doca, como vai o senhor? Eu vi aqui porque o João Gomes fez uma denuncia que o senhor atirou nele, mas eu acho que o senhor apenas quis fazer um medo, num é verdade?

Olhe bem, seu delegado Jose Pereira, a sorte dele foi Rita ter batido na espingarda: eu botei foi pra pegar mesmo inriba do coração.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Obrigado São Bernardo - Zé Clementino


PRÁ MAIOR PRECISÃO


Jose Alves de Meneses, vulgo Zezinho da Formiga, casou-se com sua prima carnal Maria Anacleta de Menezes. Desse casamento nasceram doze filhos, embora apenas duas delas tenham se casado e deixado filhos. Moravam no sitio Formiga, hoje um bairro da cidade. Dizem que o João, filho mais velho do casal, era muito suvina, muito mão de vaca.

Sempre que a família passava por alguma necessidade qualquer, ele se negava a ajudar, apresentando uma desculpa como justificativa - Não posso, meu dinheiro está guardado pra maior precisão! Pra se ter uma idéia, as sementes de arroz para o plantio ele guardava numa cabaça misturada com terra. Por maior que fosse a dor de barriga não se podia fazer um caldo com arroz.

João tinha um dinheirinho guardado debaixo de sete capas. Dizem que no dia do falecimento do pai os outros irmãos o procuraram e disseram: João o jeito que tem é você arranjar um pouco do seu dinheiro para comprar o caixão do nosso pai. Ele levantou a cabeça assanhou as sobrancelhas e disse: vocês estão cansados de saber que o meu dinheiro está guardado pra maior precisão.

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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

10 de Outubro - Em homenagem ao dia do Município

Hino de Várzea Alegre por Amadeu e Geraldo de Zé teté.



MANUEL GONÇALVES DA COSTA, MANUEL DAS MANGAS


Manuel Gonçalves da Costa, o conhecido Manuel das mangas, residia no Sitio Atoleiro, numa casinha de taipa, isolada bem nos fundos da propriedade. Era um rapaz velho, tinha um dinheirinho e gostava de emprestar a juros. Era parente próximo do meu pai e muito amigo. Sempre que vinha para feira semanal, nos dias de sábado, almoçava em nossa casa.

Um dia, um proponente lhe procurou e solicitou um empréstimo. Foi informado que naquele dia não dispunha da importância pleiteada, porém estava para receber uma quantia e a partir de tal data estaria a disposição.
Dez dias após a data marcada, o proponente procurou Manuel para apanhar o numerário e, ouviu do mesmo o presente argumento: Eu não vou puder lhe atender, veja bem, para vi buscar o dinheiro você atrasou dez dias do nosso trato, imagine quando for para pagar.

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terça-feira, 9 de outubro de 2012

UMA DO PÉ VEIO


Certa vez, num fim de feira, Pé Vei retornava para o Buenos Aires, onde residia, e, na passagem pela casa de Saude São Raimundo, mesmo em frente a casa de Totô, tinha um jumento amarrado e um filho do Dr. Iran Costa com um cipó cutucando por tras.

Pé Vei observou a cena e falou: menino tu não cutuca esse jegue que ele não sabe que tu é filho de Dr. Iran!

Pé Veio

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ANTONIO ALVES DE MORAIS, ANTONIO ALVES DO SANHAROL


Uma família residente no Sanharol resolveu ir embora para o Juazeiro e deixou uma casinha de taipa que, posteriormente, foi ocupada por António Alves e sua família, com o consentimento do proprietário é claro.

Dez anos depois, um filho do dono da casa apareceu em Várzea-Alegre para vendê-la. Mesmo não tendo encontrado comprador o António Alves se viu sob a ameaça de ser despejado. Mundin do Sapo, conhecendo as dificuldades encontradas para a venda, observou para o rapaz que o comprador ideal para imovel era o António Alves.

Como o vendedor não havia encontrado nenhuma proposta de negocio, estava disposto a discutir qualquer oferta. Então, Mundin do Sapo disse: Amigo esta casa dá certo para o António Alves, e se você quizer ele faz uma troca. Ele tem uma jumenta e pode dar negocio! O António Alves já foi adiantando: é, eu só faço a troca na orelha, isso queria dizer, um bem, no outro, sem volta.

Sem outra opção e na ausência de outra oferta, o rapaz deu a entender que aceitava o negocio, afinal melhor a jumenta do que nada. Então o António Alves passou a botar defeitos na jumentinha: Eu não lhe engano, a jumenta é veaca, ladrona, coiceira, morde! Diante de tais informações o rapaz resolveu deixar as coisas como estavam, retornou sem fazer negocio e o Antonio Alves ficou com a casa e com a jumenta.

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domingo, 7 de outubro de 2012

Jose Raimundo do Sanharol


Antes da criação da Paróquia de São Raimundo Nonato em Dezembro de 1863, a maioria das celebrações religiosas eram realizadas na capela do São Caetano. O Padre vinha da cidade do Icó e permanecia por três dias na localidade. No primeiro dia fazia os batizados, no segundo os casamentos e no ultimo dia encerrava a visita com as confissões e uma missa.

Determinado dia, o padre demorou, pois o trajeto era feito em lombo de animais, e todos conversavam no patamar da capela quando Jose Raimundo do Sanharol disse que um morador seu havia colhido uma cabaça pequena, daquelas que caçadores e useiros de espingarda soca-soca utilizavam como cargueiro de colocar pólvora, que o bico media um palmo.

Um caixeiro viajante ouvindo a historia de Jose Raimundo falou: eu gostaria de obter uma semente desta cabaça para plantar, duvidou da palavra de Jose Raimundo.

Jose Raimundo determinou que um caboclo fosse ao Sanharol num pé e voltasse no outro, a cavalo é logico, e quando recebeu a cabaça se dirigiu ao caixeiro viajante dizendo: Aqui está, fure um buraco tire uma semente e não me toque no bico, pra quando um cabra safado como você duvidar de minha palavra eu ter para provar.

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sábado, 6 de outubro de 2012

JOSE ALVES DE MORAIS, ZÉ DE ANA DO SANHAROL


José Alves de Morais, seu Izé ou Tibola, filho de Raimundo Alves de Morais e Ana Feitosa Bitu, também tinha as suas. Seu Izé eu conheci bem, sua residência era bem próxima da nossa casa do Sanharol. Quando eu tinha lá os meus 08 anos ele me deu um presente de um “quicé” eu fui apanhar arroz com ele e Bibia sua esposa e pela primeira vez me sentir realizado, pois a honra dos do Sanharol naqueles tempos era ser um bom apanhador de arroz.

Muito estimado pelos sobrinhos que o chamavam carinhosamente de “Tibola”. Ele era baixinho e gordinho e deve ter sido o Mundim do Sapo o autor de tão assemelhada característica: Tio+bola = “Tibola”.

Na década de 50 fizeram uma viagem ao Crato, Jose Bitu, Mundim do Sapo e Zé de Ana. Meio de transportes: lombo de animais, finalidade da viagem: Jose Bitu fazer compras, Mundim do Sapo visitar amigos e parentes e Ze de Ana idem. Quando chegaram ao Quebra, na casa de mãe Pastora, se arrancharam, soltaram os animais na roça e jantaram baião de dois com costela de porco torrada enquanto o bucho coube.
No outro dia cedinho pegaram a “chepa” para o Crato. Zé Bitu era apaixonado por artesanatos de couro: arreios, chicotes, arreadores, cabrestos. A primeira loja a adentrarem foi à Casa do Vaqueiro de Chicô Leonel. Zé de Ana era deficiente auditivo, ouvia com dificuldade, apanhou um chocalho que estava em cima do balcão levou a altura do ouvido balançou e disse: o chocalho de Zabelê. Zé Bitu falou: guarda esse chocalho Izé! Ele elevou o chocalho à altura do ouvido e balançou novamente e disse: chocalho de Zabelê!

O dono da Loja observou o movimento e disse: o que é homem de Deus, esse chocalho eu comprei hoje de manhã a um rapaz do Quebra. Zabelê era a burra que Zé de Ana viajava, e, durante a noite um cabra roubou o chocalho, já tinha vendido a Chico Leonel e certamente estava tomando a grana de teimosa com os amigos.

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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Raimundo Bitu - Memória Varzealegrense


Neste período de carnaval passei os dois primeiros dias no Sanharol. Encontrei vários amigos, entre eles Júlio Bastos Bitu, filho de Raimundo Bitu e Cotinha e, que fazia muitos anos que não o encontrava. Lembrei-me dos seus pais e de uma historia do Raimundo Bitu que talvez o Júlio não a conheça.

Raimundo Bitu era proprietário de uma vasta área de terras agricultáveis da melhor qualidade. Nos anos 50 e inicio dos anos 60 a única agência bancaria da região sul do Ceara era a agência do Banco do Brasil em Crato. Os encaminhamentos de empréstimos se davam da presente forma: Um fiscal do banco visitava os proprietários e fazia os seus cadastros, em seguida, os proprietários faziam à proposta junto ao banco.

Raimundo Bitu tinha a sua disposição um limite, a época, de, por exemplo, 50 contos de réis e propôs um empréstimo de apenas três contos de réis. Diante de proposta tão pequena o fiscal do Banco perguntou: Seu Raimundo Bitu, o que o senhor vai fazer com três contos de réis? Se o Senhor podia e tem suporte para fazer um empréstimo bem maior? Ampliar sua lavoura, aumentar sua produção e o rendimento da fazenda? Raimundo Bitu respondeu no ato: vou guardar e todo sábado vou comprar 06 kgs de carne e comer com a minha família no decorrer da semana. O fiscal não gostou da resposta de Raimundo Bitu.

Quando os proponentes chegaram ao Banco, em Crato, a proposta de Raimundo Bitu estava cancelada pelo fiscal. Raimundo Bitu era primo de Jose Siebra de Brito, Gerente do Banco e, depois de um bom papo o recurso foi liberado e o fiscal entendeu que Raimundo Bitu não permitia que outros planejassem o seu endividamento.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

José de Mariana


Mariana Alves Bezerra, era irmã do meu avô Pedro Alves Bezerra e casada com Jose, conhecido por Jose de Mariana.

Um dia, Jose de Mariana teve uma raiva condenada da mulher e se danou no mundo. Durante muitos anos não se teve noticia do Jose. Ele era artesão, fazia tabaqueiro, um artefato de chifre de boi que colocavam algodão e com o atrito de um esmeril numa pedra a faísca acendia o algodão e se podia acender cigarros e outras utilidades. Nestes seus artefatos ele colocava uma marca, um sinal, tornando-o diferenciado dos outros, conhecido.

Um dia, um várzealegrense passava por uma cidade do Maranhão, e viu um garoto vendendo uns tabaqueiros com a marca conhecida. Perguntou para o garoto quem fazia e o garoto indicou o local onde se podia encontrar o artesão.

Dirigindo-se ao local encontrou numa cabana improvisada com umas palhas, debaixo de umas palmeiras de coco babaçu, o Zé de Mariana lixando uns chifres para fazer os seus artesanatos e uma mulata sentada no chão quebrando as amêndoas do coco babaçu, alem de uma panela numa trempe preparando o almoço.

Compadre como é que você abandonou sua propriedade, seus bens, sua família para viver nestas condições? Jose de Mariana respondeu: a única coisa que espero é que você não diga a ninguém que me viu aqui!

Chegando a Várzea-Alegre, não se conteve e contou a família. Dois dos filhos convidaram o padre da época e rumaram para o Maranhão à procura do Pai. Encontraram a mesma cena. O Padre tomou a frente da conversa e tome conselho enquanto Jose continuava lixando os chifres e a mulata quebrava os cocos. Certa altura o padre disse para os irmãos: Não tem jeito não, uma coisa dessas só pode ser mesmo um feitiço! A mulata se aborreceu com a historia, se levantou colocou a mão em cima do possuído e lascou: O feitiço ta aqui!

Os filhos voltaram para Várzea-Alegre e Zé de Mariana tomou rumo ignorado. Não se teve mais noticias.

Em Várzea-Alegre, quando a mulher começa com lera, o marido costuma dizer: Olhe, você deixe de moca se não eu faço como Zé de Mariana.

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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

VICENTE ESTEVÃO DUARTE, VICENTE CESARIO


Vicente Cesário fazia a faxina de sua barbearia quando Luiz Proto de Morais se aproximou e o convidou para ir ao Recife assistir a festa de formatura de seus filhos. Eu não posso ir, disse Vicente Cesário, não posso deixar a barbearia abandonada. Luiz Proto adiantou que eram apenas três dias. Sairiam na quinta-feira pela manha, descansavam a sexta-feira durante o dia, à noite assistiam as formaturas, no sábado iam dar umas voltas pela praia e ao domingo cedinho voltavam para Várzea-Alegre.

Apresentado o roteiro da viagem, Vicente Cesário perguntou e quanto você vai gastar com essa viagem? Luiz respondeu a despesa é uma só, você indo ou não. O carro é o mesmo, o motorista também, portanto não se fala em despesas porque corre tudo por minha conta. Então Vicente faz a sua sugestão final: Luiz pra mim é melhor você me dar o dinheiro que ia gastar comigo nessa viagem que dar para eu tomar quatro porres nos próximos fins de semana. Nós não podemos deixar as quengas do Engenho Velho desassistidas não homi! Você vai sua viagem e eu fico.

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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Raimundo Cavalcante de Morais, Nuna


Raimundo Cavalcante de Morais, conhecido por Nuna, filho de Pepê era um menino muito traquino. Certa vez saiu com um bodoque e um bornal cheio de balas com destino a uma caçada.
Andou bastante a procura de caças, mas infelizmente não era seu dia. De volta, passando nas proximidades da casa de Manoel de Vó, o mesmo estava bem sentado jantando um baião de dois com ovo frito na maior descontração.
Nuna, usando um pouco de sua traquinagem avistou uma moitinha de Catingueira, se agachou e esticou o seu bodoque o quanto pode com uma bala muito bem feita de barro da lagoa do garrote e, mirando em direção ao companheiro Manoel de Vó, acertou de cheio a colher e posteriormente a titela o suficiente para com o susto derramar o apetitoso jantar e acabar com toda a alegria do companheiro Manoel.

Raimundo contava esse episódio dando muitas risadas. Desconfiando da história, certa fez perguntei ao Manoel de Vó e ele me afirmou que foi uma pura verdade. Essa foi apenas uma das poucas aventuras do Nuna, pois são várias e engraçadas.

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Nossas histórias - Memória varzealegrense

PALAVRAS VOCÊ TEM - ANTÔNIO MORAIS

Em uma  postagem anterior, falei do grande orador e homem intelectual que foi o Dr. Dario Batista Moreno. Ex-prefeito de nossa cidade, pessoa de fina lhaneza no trato com as pessoas, porem não gostava de lengalenga, de bajulação.

Havia em Várzea-Alegre, a época, um vereador que por nada estava usando a palavra e fazendo aquele belo e memorável discurso. Bastava reunir três ou quatro pessoas numa roda que o orador pedia a palavra e mandava o verbo.

Dr. Dario não gostava nada daqueles vexames, ou seja, do vocabulário do nobre Ruim Barbosa. Durante o seu governo, por ocasião da inauguração de uma escola no distrito de Naraniú, com a presença do vice-governador do Estado Joaquim de Figueiredo Correia, nosso conterrâneo, o Dr. Dario prevendo o discurso do vereador foi à casa do ilustre edil e falou que como era uma reunião simples, o vereador podia convidar os amigos, “mas não havia necessidade de fazer nenhum discurso”.

Na hora marcada, ao chegar com o Vice-governador no local, o vereador subiu num tamborete e começou um solene discurso nos termos que se segue: “Incelentismo cumpadre Figueiredo Correia, reverendísimo prefeito Dr. Dario Moreno, demais oturidades que aqui tão... – Eu num tem palavras”.... Dr. Dario se aproximou, aberturou o vereador como dizem por lá, e falou: palavras você tem, o que você não tem é vergonha!

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domingo, 30 de setembro de 2012

JOAQUIM VIEIRA DO CHICO - JOAQUIM DE LIBERCIA


Joaquim Vieira do Chico estava com um filho a ter febre alta há quase cinco dias. Chegando ao hospital o medico constatou beirando os 45 graus. Diante do quadro Joaquim foi aconselhado internar o filho Vicente e deixa-lo no hospital por uns dias em observação.

Diante daquela situação aflita o Joaquim foi a Radio Cultura colocar um aviso para os familiares no sitio Chico. Ao se dirigir a recepção foi redijido o presente aviso – Atenção familiares de Vicente de Joaquim Vieira no sitio Chico: O mesmo avisa que diante das recomendações médicas Vicente vai ficar internado por alguns dias até o médico concluir os procedimentos necessarios. Sem mais para o momento.
Joaquim Vieira.

Pagou a importância cobrada pela funcionaria e perguntou : a que horas sairá o aviso? Quatro horas da tarde – respondeu solicita a atendente.

Joaquim rumou num galope para o Chico e saiu de casa em casa avisando: As quatro horas ligue radio que o aviso vai sair. Dizem que a primeira casa a ser avisada foi a do meu tio Compadre.

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sábado, 29 de setembro de 2012

EXTRAVIO DOS LANCHES


Nas decadas de 1970 e 1980 era muito grande o movimento de passageiros entre o nordeste e São Paulo, especialmente as cidades de Varzea-Alegre e São Bernardo do Campo.

Na agencia da varzealegrense trabalhavam alguns conterraneos, entre os quais dois primos e muito conhecidos nosso - Joaquim Leandro Bitu e Benedito de Antonio Leandro. Nesta epoca estavam em São Bernardo dois filhos de João de Pedrinho, o Vicente e o Chagas. Então Ana, mãe dos dois meninos resolveu enviar para os mesmo uns lanches. Colocou numa caixa um queijo de manteiga, um tijolo de leite e uns pães de ló e uma carta com algumas recomendações. Amarrou bem a caixa e despachou na agencia de Varzea-Alegre. Quando a encomenda chegou em São Bernardo deu um farnecinho em Benedito e ele terminou por abrir a caixa e comeu os paes de ló. Pensando melhor, observou que se entregasse a caixa podia ser denunciada a malinação. Então comeu tambem o tijolo de leite e por fim o queijo de manteiga.

Então resolveu lê a carta para ter noticias do seu lugar, do Sanharol. Eis o conteudo da missiva - Meninos, tenham cuidado, tudo que acontece por ai, no outro dia todo mundo está sabendo aqui, e, quem espalha as noticias é Carmelita minha irmã! Carmelita é a mãe do Benedito, que depois de lê a carta ficou bem mais aliviado.

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terça-feira, 11 de setembro de 2012

DR. JOSE CORREIA FERREIRA


Dr. Jose Correia Ferreira - Foi o segundo filho de Varzea-Alegre a se formar em medicina, 1936. O primeiro foi Dr. Leandro Correia 1915.

E teve o caso da paciente recomendada da minha tia Ester Correia. Entra com o marido, um sujeito afogueado, torado no grosso, olhos de espanto, chapeu de couro, toco de cigarro de palha no canto da boca, jeito de quem está vendo alma, por todos os lados. A mulherzinha parecia a alma que se procurava: pequena, magra, amarela, cabelos zangados com a diciplina, uns tics no canto direito da boca, pra completar, a coisa mais encabulada do mundo. Sentindo seu jeitão e a dificuldade que teria em lhe ouvir as queixas, procurei deixá-la a vontade, falando-lhe palavras afaveis, animadoras, tentando um bom relacionamento, como se diz. Depois de lhe perguntar, umas tres ou quatro vezes, de que se queixava, o que sentia, sem que ela desse uma palavra, perguntei ao marido: sua mulher não fala? É surda-muda? Foi então, que ela, rompendo o mutismo, falou: Minha doença quem sabe é Zé.

Aí o homem pegou pressão, assim como quem está foleando formigas e foi falando num ritmo irregular: ora, soprando para fora, ora, aspirando para dentro. E tome verbo: Seu doutor, esta muié tá se acabando viva. Voimincê credite que ela num drome, ela num come, ela num tem sustança pra nada e tem uma dor de cabeça afitiva, qui quando dá nela, lá nos tapumes da testa, a pobrezinha so farta correr doida. Enche os oios dagua, pega minhas mão, bota na cabeça dela e fica dizendo: Incaica Zé.

A muito custo, conseguir tomar a pressão, examinar-lhe os olhos, sentir-lhe o pulso, auscutar, percutir. Ela todo tempo se esquivando, se afastando, no mais inocente e desnecessario recato.

Decorridos umas tres semanas, em outro dia de feira, volta o Zé. E de melhor aspecto. Ao me ver, foi logo dizendo: vin só lhe dizer, meu doutor,qui a muié tá muito amiorada. Quaje boa, mesmo. Deus te proteja.

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domingo, 9 de setembro de 2012

A SAGA DE ANTONIO DANTAS SOBRINHO

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, 
Mas nele é que espelhou o céu.  
(Fernando. Pessoa)


Nasci no sítio Baixio, Várzea Alegre, Ceará, 1938. Filho de Lourenço Ferreira Lima e Luisa Dantas de Souza. Faço parte da décima geração descendente de Agostinho Duarte Pinheiro, donatário de uma sesmaria no Riacho da Fortuna onde fundou o sitio Monte Alegre. Um dos filhos de Agostinho, mudou o nome para José Ferreira Lima, com o intuito de obter mais uma sesmaria na região. Até hoje a família é conhecida como os Ferreira Lima de Monte Alegre. Por parte de meu pai, também sou descendente dos Alencar do Crato. Minha avo paterna era Ana Pereira de Moraes, irmã de Carlos de Alencar e outros. Por parte da minha Mãe, sou Neto de Manoel Dantas do Baixio. Meu nome é uma homenagem a um irmão do meu avô.

Eis a trajetória de minha vida.

No início de 1945 passei 2 meses aprendendo a ler numa escola de um vizinho. Em 1946, passei mais 2 meses completando que se chamava o primeiro ano de leitura, e em 1948, passei três meses com um amigo de meus pais cursando o primeiro ano primário em Juazeiro do Norte. Em 1949, por intolerância religiosa, minha mãe havia se convertido ao protestantismo, tivemos que sair do Baixio. Fomos morar numa localidade chamada Santa Luzia, perto da Mata do Nascimento, atual cidade de Dom Pedro, no estado do Maranhão.

Tal qual no Ceará, não havia escola naquele lugarejo, mas ainda tive a oportunidade de passar uns três meses numa escola de uma amiga de meus pais numa localidade vizinha. Em 1954, fui morar e aprender alfaiataria com um amigo numa vila mais distante chamada, Centro do Paciência, atual cidade de Governador Archer, onde meus pais moram atualmente.

Em 1956, por indicação de minha mãe, comecei a estudar no Instituto Batista do Cariri enquanto trabalhava numa alfaiataria em Juazeiro. Quando fiquei ali, tive muitas oportunidades de matar as saudades de Várzea Alegre e do Baixio, visitando e passando férias com meu avo, Manoel Dantas e outros parentes. 

Em 1958 fui expulso do Colégio Batista. Não tinha vocação religiosa! Mudei para Fortaleza onde passei um ano e meio trabalhando numa alfaiataria. Fiz um plano de sair de Fortaleza sabendo inglês, e pus-me a estudar sozinho. Todos os dias, durante um ano, aprendia dez palavras novas. Apenas aprendia a ler e escrever, mas foi muto importante porque meu primeiro emprego em São Paulo foi de tradutor de peças mecânicas, numa firma de pesquisa de petróleo filiada a Petrobrás. Ali havia muitos americanos e aproveitei para melhorar a pronuncia do inglês. Por influência deles, abri uma conta bancária nos Estados Unidos para onde enviava minha poupança para protegê-la da inflação e me preparar para uma eventual oportunidade de estudar no exterior.

Em 1963, comecei a namorar uma americana, e por influência do meu futuro sogro, pedi um visto de emigrante no consulado americano. Emigrei para os Estados Unidos no fim daquele ano. Logo em seguida, fui aceito na Universidade de Wisconsin, em Stevens Point, via um exame de admissão, pois não tinha educação formal. Como não tinha recursos para custear os estudos, a universidade me concedeu uma bolsa de estudos do legislativo estadual.

Em 1966, casei com Marilyn, que fora minha namorada em são Paulo e havia retornado aos Estados Unidos antes do meu visto de imigração. Foi ela quem me deu apoio moral e cuida muito bem de mim até hoje. Em 1968, ganhei uma bolsa de estudos para o mestrado na mesma universidade no campus principal, em Madison. Ali encontrei muitos brasileiros dedicados e preocupados com o destino do nosso país. Eles me influenciaram para que voltasse para o Brasil.

Em 1970, fui convidado, por indicação de um professor, para lecionar na Universidade de Brasília. Quando cheguei ao departamento de economia, acanhado e tímido academicamente, fiquei surpreso em saber que era o primeiro com mestrado lecionando naquele departamento. Logo, com 31 anos de idade, assumi interinamente a chefia do departamento onde promovemos uma reforma acadêmica que deu bons resultados até hoje.

Em 1972, voltei para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos da Fundação Ford e apoio da Universidade de Brasília para me preparar para o Ph.D. na universidade de Cornell, estado de Nova York. Ali, tive a oportunidade estudar com ilustres brasileiros, com José Serra, Luciano Coutinho, Yoshiaki Nakono, Sérgio Mindlin, Lívio Reis de Carvalho e outros brilhantes colegas. Senti muito orgulho daqueles amigos. Tínhamos uma intensa vida intelectual e de preocupações com o destino da pátria. Estes se dedicaram a vida acadêmica e política. Eu fiquei sempre ligado a vida acadêmica.

No primeiro dia de aula em Cornell, agosto de 1972, nasceu meu filho Lourenço e na semana que conclui os exames para o Ph.D. nasceu minha filha, Tania. Em 1975, passei 3 meses em São Paulo, levantando dados para minha tese de doutorado. No início de 1976, defendi uma tese comparando o desempenho econômico entre firmas brasileiras e estrangeiras operando em São Paulo.

Em 1978, participei de um programa do MEC, lecionando para professores da Universidade do Piauí dentro do programa PICD. Em 1979, fui convidado pra lecionar no Colorado College, uma pequena universidade na cidade de Colorado Spring nos Estados Unidos. Passei um  ano de licença naquela cidade. E em 1981 voltei brevemente pra passar mais uma temporada lecionando ali.

Em 1985, havia acabado de sair da direção do Instituo de Ciências Sociais da UnB quando recebi um honroso convite do Governo do Canada para visitar o país e participar de um seminário dirigido a administradores. Em 1986, voltei para os Estados Unidos e passei 6 meses na Universidade de Harvard com uma bolsa da Fundação Fulbright. Tive a oportunidade de me especializar na área de investimentos e administração de projetos. 

Em 1988, participei durante 45 dias de um programa das Nações Unidas e Banco Mundial, preparando técnicos do Banco Central de Moçambique, na capital Maputo, antiga Lourenço Marques.
Em 1990, voltei para os Estados Unidos acompanhando meu filho que ia estudar engenharia no Instituo Politécnico de Worcester, estado Massachusettes. Nesse  período, 1990-93, lecionei no Framingham State College, perto de Worcester. Neste último ano, minha filha também entra para universidade, na cidade de Oshkosh, Wisconsin.

1993 - 2001, todos os anos, passamos as férias nos Estados Unidos, acompanhando os os filhos, Tania fazendo graduação e Lourenço, a partir de 1994, fazendo o mestrado na universidade da California, em Davis. 

Aposentei-me da universidade de Brasília em 2001 e passei a lecionar, administração pública e planejamento estratégico na Escola Nacional de Administração Publica, ENAP em Brasília.
Em 2005, voltamos definitivamente para Wisconsin e inverti o percurso, agora passamos mais tempo nos Estados Unidos e menos em Brasília, onde ainda me considero residente. 

Atualmente, desenvolvo trabalhos práticos, analisando os mercados financeiros e operando com ações e moedas. Quase todas semanas escrevo uma pequena resenha sobre esses temas e que são publicadas em alguns sites na Internet. A coleção completa pode ser lida neste site, www.investmax.com.br Todos os trabalhos na Internet são do pseudônimo, Professor Metafix.

Nota final.

Por trás dessa saga existe uma mensagem que aproveito para dirigir especialmente aos jovens de Várzea Alegre e aos leitores desse Blog. Apesar de não possuir a escolaridade de praxe, pois juntando todos os dias que passei nas escolas rurais e em Juazeiro, não chega a ser um ciclo completo do primário, nunca deixei de estudar sozinho até chegar a universidade. Sempre trabalhei pra me sustentar, mas as noites eram minhas e as dedicava aos estudos. 

Considero o sucesso como dependente de dois ingredientes; aquele que vem de dentro, a vontade; o outro, o que vem do ambiente. A inspiração vem do fora pois só podemos ver longe quando pisamos ombros de gigantes. Os professores são importantes e indispensáveis. Não realizamos muito sem que aja algum incentivo ou estimulo externo.

Felizmente, para manter a disciplina, trabalhei com um PMA – plano, metas e ação. Para minha surpresa isso foi fundamental na minha formação. Por exemplo, quando decidi aprender inglês, o plano era chegar em São Paulo com um conhecimento literário que me desse apoio para o trabalho e para os estudos. A meta era aprender, pelo menos, dez palavras por dia. A ação era escrever repetidas vezes as palavras nas duas línguas, traçando uma imagem mental do significado. 

Assim, como fiz com o inglês, todas as outras etapas foram planejadas. E como disse Shakespeare – a consciência nos transforma em covardes –  eu tinha medo de falhar.

Observo que as pessoas trabalham com um plano estratégico. Entretanto,  a maioria não executa, e fica apenas nas intenções. Neste caso, é necessário examinar as forças internas e externas, e trabalhar com metas num ambiente apropriado. 

Nosso cérebro funciona melhor dentro de um quadro de referência. Reconhecia minhas fraquezas e minhas forças e tentei eliminar as primeiras e fortificar as outras. Esse é o primeiro quadro. O segundo é ter uma meta e cumprir todos os dias uma parcela dela. O terceiro quadro, é o meio ambiente. Os estímulos e as forças externas vem do ambiente, se ele não for  propício, não atingimos nosso potencial. 

Na falta de escolas, tentei me colocar em ambientes que me dessem força. Coloquei-me sempre ao lado dos interessados no saber. Fugi dos pretendentes que não tinham a inteligência emocional para entender que a ignorância sai bem mais cara do que o saber. Reconheci o ditado que diz  – mostra-me com quem andas que saberei quem tu és.

Fácil? Não! Simples? Sim! O importante é o desafio; subimos montanhas não porque seja fácil, mas porque elas são lindas.  Não se faz aquilo que é bom porque seja útil, mas porque engrandece a alma. – Tudo vale a pena se alma não for pequena. Navegar é preciso – como disse Fernando Pessoa. Acima de tudo, procurava a felicidade e continuo cultivando-a até hoje. Não tenho riquezas porque sempre fiz tudo para dignificar o espirito.  Não mudei e ainda mantenho meu jeito alegre e brincalhão característico dos várzea-alegrenses.

Agradeço a Antonio de Morais, administrador deste Blog(Blog do Sanharol) e ao Dr. Rolim pela atenção dispensada e a todos várzea-alegrenses que se dedicam a construir um lugar descente par se viver. 

Estes são meus heróis. – Merrill, Wisconsin, EUA, 2 de setembro de 2012.
Abraços, 
Antonio Dantas
(am)