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VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.
domingo, 21 de outubro de 2012
QUEM É SENHOR MEMÓRIA?
Memória Várzealegrense
Tem história e tem valor,
Mas seu administrador
Anda fazendo suspense.
Faz com que a gente pense
Que ele tá fazendo alarde,
Não se encontra pela tarde
E some no outro dia.
Se não é João, nem Maria
Só pode ser o Lombarde.
Já vieram me falar
Que é o nobre companheiro
Dr. Zé Sávio Pinheiro
Mas eu não posso jurar.
Também não vou duvidar
Por ele ser preparado,
Conservador do passado
E poeta de alto nível.
Até seria possível
Mas Sávio é muito ocupado.
Já tem gente me abordando
Pra saber desse mistério,
Mas para falar bem sério
Eu já vou dissimulando.
Eu só não sei até quando
Ele ou ela vai manter,
Se eu chegar a saber
Dessa nobre criatura,
Condutora de cultura
Eu juro que vou dizer.
Tem uns querendo saber
O nome do condutor,
Esse ilustre benfeitor
Mas eu não sei responder.
Porém tem gente a dizer
Que é o Santo São Raimundo,
Um tema muito profundo
Que eu prefiro sair.
Mas se um dia eu descobrir
Vou dizer a todo mundo.
Me contou um Zé Ninguém
Que o Memória é Zé Bedeu,
Mas Zé Bedeu já morreu
Tá do aquém pro além.
Ele encorporou alguém
Mas foi só durante o pleito,
Malandro daquele jeito
Ninguém pode acreditar.
Mas eu quero aqui jurar
Que o Memória tem respeito.
È tanta especulação
Mas ninguém sabe quem é,
Geraldo de Zé Teté
Eu digo, que não é não.
Joãozinho de Damião
Também não é com certeza,
Mas olhando com clareza
O bom Memória de fato,
Pode residir em Crato
Ou então em Fortaleza.
Quem quiser viver em paz
Que faça a sua defesa,
Mas tenho quase certeza
Que não é Tonico Braz.
Esse faz tempo que jaz
Na morada derradeira
Mas pra acabar a besteira
E findar essa questão,
É o jumento nosso irmão
Ou então Padre Vieira.
É tanta gente na dança
Que é melhor botar baralho,
Pode ser Jáder Barbalho
Ou então o Fala Mansa.
Mas o povo não se cansa
É melhor ficar na minha,
Pode até ser a Barbinha
Que andava em todo canto.
Se não for ela eu garanto
Que é o Toca e Toquinha.
Cyrle Máximo tá calado
O seu silêncio é suspeito,
Ele é o cara perfeito
Pra registrar o passado.
Olhando por outro lado
Eu lembro Izabel Vieira,
Lembro de Elvira Oliveira
Sem esquecer Claud Bloc.
Quando eu souber dou um toque
Para acabar a zueira.
O meu dedo indicador
Aponta pra Cláudio Souza,
Mas ele tem outra coisa
Que está lhe causando dor.
Tá sofrendo por amor
O poeta nosso amigo,
Vive só e desnutrido
E a moça não quer voltar.
Mas quando o clima passar
Se for o poeta, eu digo.
Disseram que era Mundim
Mas eu morro e não assumo,
Pois já segui noutro rumo
Adequado para mim.
Mas eu posso mesmo assim
Dizer ao nosso leitor,
Que o Memória tem valor
De uma boa leitura.
Parabéns para a cultura
E para o bom condutor.
O Memória é qualidade,
É abertura de trilha,
É a oitava maravilha
Da nossa boa cidade.
Quem teve a capacidade
De criar esse projeto,
Fez o trabalho completo
Para pesquisa e saber.
Eu só não sei é dizer
QUEM FOI O GRANDE ARQUITETO.
MUNDIM DO VALE.
COBRA ENGOLINDO COBRA
Nas décadas de 50, 60 e 70 o comercio de Várzea-Alegre se abastecia em Crato. Semanalmente os pequenos comerciantes vinham a cidade fazer suas compras. Meio de transporte um misto, metade ônibus - metade caminhão, estradas ruins, carro sem manutenção, via de acesso São Pedro do Cariri, hoje Caririaçu, muitos foram os acidentes com perdas de vidas valiosas. Um destes comerciantes melhorou financeiramente e se estabeleceu em Crato, o que facilitou as comercializações de mercadorias entre as duas cidades.
Nesta época todo dinheiro do mundo valia menos que um fio de cabelo do bigode, não havia boleto bancário, duplicata, protesto, às vezes um recado bastava. Merece destaque uma comercialização entre dois comerciantes que não revelo os nomes nem sob tortura, um de lá e outro de cá.
O de Várzea-Alegre mandou um pedido de trinta caixas de enxadas. O do Crato separou as trinta caixas, abriu todas com bastante cuidado, tirou duas enxadas de cada caixa, fechou novamente com todo cuidado sem que ficasse suspeita. O de Várzea-Alegre, ao receber as caixas, abriu todas, observou que estavam faltando duas enxadas em cada caixa, tirou outras duas, fechou com maior zelo ainda e as devolveu para o do Crato dizendo que estava errado, e assim sendo não podia receber.
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sábado, 20 de outubro de 2012
JUVENCIO DE JOSE DE TOIN, O IRMÃO DE SÃO RAIMUNDO
MEU AMIGO!
No Crato existiram muitos projetos com financiamento da Sudene. José Justino foi um dos beneficiados pelo Projeto Asimov e também dera entrada em projeto na Sudene. Mas o tempo passava e não obtinha nenhuma resposta. Certo dia, lamentando esse fato numa conversa na Praça Siqueira Campos, estava presente o varzealegrense Juvêncio Gonçalves Bezerra, o do pássaro de dois bicos, que gostava de contar muita mentira e não fazia segredo disso. Então disse:
“Mas Justino, por que você não me falou há mais tempo. Eu sou amigo de infância do João Gonçalves, o Superintendente da Sudene. Fomos criados juntos, em Lavras da Mangabeira. Tomei muito banho no riacho com o Gonçalves. Querendo, eu vou a Recife com você e prometo que a gente desencava esse projeto!”.
Mas o Justino pensou que fosse mais uma brincadeira do Juvêncio, uma das suas mentiras. Passados alguns dias tornaram a se encontrar e o Juvêncio voltou a insistir:
“Eu tenho que fazer um frete para Recife e você vai comigo, no meu caminhão!”
O Justino acabou aceitando a oferta. Ia arriscar! No entanto, foi pensando durante a viagem toda: “Eu vou passar é vergonha! Como é que o Juvêncio vai fazer esse homem tão importante lembrar dele quando ainda eram meninos?”. Chegando em Recife dirigiram-se para o prédio da Sudene. Ambos muito bem vestidos de paletó e gravata. Na ante-sala do Superintendente, o Juvêncio, com toda a intimidade, falando alto, foi logo dizendo que queria falar com o ‘Gonçalves’. A Secretária toda formal, folheando a agenda, perguntou:
“O Senhor marcou audiência?”
“Audiência coisa nenhuma, menina. Diz a ele que é o Juvêncio Bezerra que está aqui”.
O Justino tomou o maior susto! Abriu-se a porta do Gabinete do homem e ele saiu de lá, com os braços abertos e dizendo:
“Mas Juvêncio velho!!!! Meu amigo!!!”
Foi aquele abraço de quebrar costela.
A BRECHA
O Superintendente da Sudene, com o braço no ombro do Juvêncio, levando-o para o Gabinete e este, por sua vez, segurou pelo braço do Justino e o arrastou com ele. A Secretária não entendeu nada! Começaram a conversar sobre os tempos de menino. O Superintendente:
“Lembra quando a gente ia ‘brechar’ as meninas tomando banho nuas, no rio?”
“Lembro demais! Tinha até uma espera, para caçar avoante onde a gente se escondia e ia, um de cada vez, para apreciar as meninas!”
“Teve uma vez que o Zezinho foi o primeiro a olhar e disse que naquele dia não estava prestando e que ninguém precisava olhar. E eu fui olhar. Quando olhei, vi foi a irmã dele nuinha. Aí eu disse: Pra mim está especial!!!”
MENTIROSO?
Depois de muita conversa, muito riso, o Superintendente perguntou:
“Sim, e aí Juvêncio, você está precisando de alguma coisa de mim aqui na Sudene?”
Só então o Juvêncio apresentou o Justino e explicou o motivo da visita. De imediato, o Superintendente disse:
“Está vendo aquela mesa ali, cheia de projetos? É capaz do projeto dele estar lá. Dá uma olhada, Juvêncio”.
Não se fez de rogado. Procurou, mexeu, remexeu e encontrou o projeto do Justino. Desencavou mesmo. Entregou na mão do Dr. Gonçalves que deu uma folheada, fez algumas perguntas ao Justino e disse:
“Pode deixar, esta semana eu libero este projeto”.
De volta à Praça Siqueira Campos, o Justino passou a contar a história nos mínimos detalhes. E sentenciava:
“Mentiroso é quem diz que o Juvêncio é mentiroso!”
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BOLA FRIA
Na década de 70 do seculo passado foi realizado uma peleja futebolística entre os dois sitios périféricos a cidade de Varzea-Alegre. De um lado o sítio Coité e do outro o sítio Varas. Era uma partida melhor de três quem vencesse a primeira jogaria a segunda pelo um empate. Na ocasião do inicio do jogo faltou o árbitro, que com antecedência fora escolhido o nosso saudoso Jose Gatinha. Naquela ocasião a Rede Globo e a Tupy já estavam prontas pra transmitirem aquela importante partida de futebol. Os patrocinadores daquele jogo estavam ansiosos pela recompensa econômica que iriam obter com tal partida. Pois bem, cadê o arbítro? De livre e espontania vontade se apresentou um corajoso apitador, em virtude da tensão que vivia naquele momento. Os craques da bola já estavam nervosos e super aquecidos tanto pelos os exercicios preliminares como pelo o sol escaldante de 40 graus em plena 10 horas do dia. Foi o cidadâo, Cícero Mocho, que colocou a bola ao centro pra dar inicio a partida tão nervosa. Um jogador de nome, Zé de Toin, pertencente ao time das varas, cujos os pés e as unhas mais duros do que casco de tartaruga, foi o primeiro a receber a bola ao ser batido o centro. O mesmo aplicou um bicudo na redonda que foi em direção ao rosto do árbitro, que foi a nocauteado. Confusão, corre-corre, busca agua pro o acidentado, bofetadas nas costas pra ver se dava sinal de vida, alguns segundos o juiz estava sentado no chão cuja a mão direita tinha um espelho redondo daqueles que se compra na feira, olhando a extensão da lesão em seu rosto. Os jogadores nessas alturas já se indagavam se aquilo teria sido uma falta. De prontidão, Dunga de Mauricio gritou que o jogador não tinha culpa e que o jogo teria de ser reiniciado com o juiz dando "Bola Fria" pra dois jogadores disputarem a posse de bola, aí veio a contestação do árbitro: Que bola fria que nada, vejam a mancha vermelha em meu rosto queimando que nem um Cão, essa bola veio quente que nem uma brasa e eu vou expulsar o jogador Zé de Toin pra ele treinar mais arremate em direção ao gol. A confusão foi generalizada. Só se sabe que ainda hoje o sumula do jogo se encontra na FIFA pra ser julgado pra ter início outra partida, o jogo de volta.
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Lulu - Por Fabiola Araujo
Francisco Miguel Neto, conhecido como Lulu, viveu por 61 anos em Várzea Alegre. Portador de síndrome de Down, marcou pela sua simpatia e irreverência. Exímio jogador de xibiu*, andava pelas calçadas e entrava em todas as casas daquela pacata cidade cearense, onde costumava tomar banho e comer.
Em um começo de tarde da década de setenta, Lulu, trazendo sua inseparável bola debaixo do braço, chegou à residência de Francisco de Freitas Pinheiro (Chiquim de Lousa), na Rua José Correia Sobrinho. Conhecendo o insaciável apetite do contumaz visitante, Maria Dalva Teixeira Pinheiro, dona da casa, perguntou:
- Lulu, você já almoçou?
Puxando a cadeira e se juntando à família Pinheiro Teixeira na mesa da refeição, Lulu, com sua ingênua sinceridade, respondeu:
- Aqui não...
Narração:Flávio Cavalcante
Enviado: Fabíola Araujo
Enviado: Fabíola Araujo
O CASAMENTO DE ANTONIO LEANDRO BEZERRA.
Num passado não muito remoto os rapazes levavam uma vantagem danada sobre as moças. Bastava se agradar ou simpatizar com a pretendida e comunicar ao pai dela o desejo de se casar que o negocio estava feito, não havia escolha para as mulheres. Assim é que Antonio Leandro Bezerra decidiu se casar com Inacinha filha de Benedito Alves Bezerra, o Benedito André do Sanharol. Quando chegou à casa do futuro sogro o encontrou cuidando de uns afazeres nas proximidades da residência e já foi soltando o verbo: Benedito eu quero saber se você permite que eu me case com a Inacinha. Pra azar do Antonio Leandro, o Benedito era um pouco moderno e consultou a filha: Inacinha! Olhe aqui a conversa do Antonio Leandro, ele quer saber se você quer se casar com ele? Quero não, respondeu em cima da bucha. Com o orgulho ferido Antonio tratou de se retirar quando já estava a alguns metros de distancia se ouviu um berro, um grito de um dos compartimento da casa: Eu quééééro! Era a Carmelita, filha caçula do Benedito. Para não perder a viagem o Antonio voltou para casa já com o casamento marcado. O casal teve 14 filhos e fizeram 60 anos de casados. Na solenidade religiosa, no momento das manifestações dos familiares a Carmelita falou: nós não namoramos para casar, vivemos todo esse tempo e nunca brigamos, nunca houve um desentendimento. Na vez do Antonio ele confirmou: É verdade, nunca brigamos porque eu nunca quis, mas motivos ela deu por demais da conta
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Terra dos Raimundos
Desde Raimundo Duarte Bezerra, papai Raimundo, há quase 200 anos que veneramos São Raimundo Nonato, protetor da gestante e nosso padroeiro. Não há uma casa em Várzea-Alegre que não tenha um, dois, ou até mesmo três Raimundos ou Raimundas. Pelas décadas passadas o padre da cidade viajava para celebrar as missas nos distritos e comunidades rurais montado em lombo de animais. Poucos no município se davam ao luxo de possuir um carro. Raimundo Teófilo, fazendeiro, proprietário de fazenda no sitio Vacaria tinha um JEEP, velhinho como diabo, dava um trabalho danado para pegar, mas quebrava o galho nas emergências. Um belo dia, o Raimundo vinha para cidade e ao atravessar um riacho da Moça molhou o distribuidor do carro que não houve jeito para funcionar novamente. Desceu do carro junto com a filha Raimunda, com uma raiva danada do filho mais velho Raimundo Valdizar, pois atribuía que o carro não funcionava por falta de gasolina, fato que ele não admitia. Enquanto aguardava uma solução o distribuidor enxugava a sujeira da água. De sorte, que lá vem o padre no seu alazão, e perguntou: O que houve? Seu Raimundo! Falta de gasolina, seu padre, já falei pru cabeça dura do Raimundo que carro não anda sem gasolina e ele não toma jeito. O padre olhou para Raimundo e disse brincando: Você tem fé em São Raimundo? Tenho muita, respondeu conciso. Pois assim sendo coloque um litro dessa água que corre no rio que o carro vai funcionar e você chega ao destino. O problema do carro não era gasolina, era o distribuidor ou carburador encharcado. Seu Raimundo despejou um litro de água limpinha no tanque do JEEP que já tinha 35 litros de gasolina e ao sentar-se na poltrona, atolou o pé com vontade, deu uma acelerada forte, o carro funcionou e foi embora se encobrindo na primeira curva. Diante de tamanha fé o padre Raimundo Monteiro olhou para o ajudante de sacristão Raimundo Anjo e abismado lascou: vá ter fé assim em São Raimundo no inferno.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Terra disso e daquilo!
Na distribuição de títulos por localidades, Várzea-Alegre atribui alguns de acordo com a característica da gente de cada lugar. Terra da vantagem, terra da ignorância, terra da mentira etc. Assim é que o Sitio Chico é considerado a terra da “besteira”. Um de seus habitantes famosos colaborou para o merecimento da honraria.
Certa vez, Joaquim Vieira foi a Casa de Saúde São Raimundo receitar um filho e depois da consulta o Dr. Pedro orientou e recomendou a internação. O paciente estava sentindo febre e o medico achou interessante internar para melhor acompanhamento e observação. Joaquim concordou e depois de atender aos procedimentos normais foi a Radio Cultura colocar um aviso para família no sitio Chico comunicando a internação e sua permanência na cidade até a alta medica do filho. A atendente escreveu o aviso, conforme seu desejo, recebeu o pagamento e Joaquim Vieira procurou saber o horário que o aviso ia ser lido. As quatro horas da tarde, respondeu a atendente. Joaquim voltou a pé ao Sitio Chico e saiu de casa em casa dizendo: as quatro horas ligue o radio que vai sair o aviso!
Outra vez o pai do Joaquim Vieira ordenou que fosse medir uma cerca, pois precisava saber quanto rolos de arame farpado seria necessário. Entregou-lhe uma braça e em pouco tempo Joaquim voltou e disse pronto meu pai já medir! O velho perguntou quantas braças? Ele respondeu: e era para contar?
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JOSE CARLOS DE ALENCAR.
Jose Carlos de Alencar era o cidadão prestimoso de nossa terra, querido e admirado pelos nossos conterrâneos, chegou a se eleger para varias legislaturas a Câmara Municipal de Várzea-Alegre e concorreu ao cargo de prefeito em pelo menos uma oportunidade. Jose Carlos se caracterizou pela coerência politica e lealdade aos amigos e princípios partidários. Era analfabeto, fato que levou seus adversários a tentarem impugnar sua candidatura na justiça. Tendo resultado infrutífero. Numa das eleições mais acirradas da historia do município, as lideranças fizeram um acordo, de modo que, quem fosse o vereador mais votado seria também o presidente da Câmara Municipal, para evitar pendengas. Neste ano, Jose Carlos foi o mais votado e foi eleito presidente do legislativo municipal. O problema é que na cerimônia de posse do novo prefeito ele teria dificuldades de conduzir os trabalhos, por se tratar de ser analfabeto. O mestre de cerimônia, Tiburcio Bezerra de Morais orientou direitinho dizendo: Jose Carlos, você vai ficar sentado na cadeira principal e eu vou conduzir a reunião, apenas quando eu piscar o olho, você se levanta e diz: “declaro encerrada a reunião”! Dito e feito, discurso do prefeito sainte, discurso do prefeito entrante e por fim Tiburcio piscou o olho para Jose Carlos que: Levantou-se, assungou a calça, apertou o cinto, aprumou a gravata, se empertigou e lascou: Encerro declarada a reunião! Isto é, abriu outra vez. Já não se encontra mais nos nossos dias politicos com a decencia do saudoso Jose Carlos de Alencar.
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012
DOIS POREM
Joaquim Alves Bitu e Raimundo Alves Bitu eram irmãos. Joaquim morou durante um bom tempo no Sanharol, fixando domicilio na sede do município, posteriormente, onde se estabeleceu no ramo de armazém e mercearia. Raimundo, conhecido por Doca Bitu sempre residiu no sitio Serrote. Difícil mesmo era saber qual dos dois era mais sabido, mais comerciante. Um belo dia o Doca procurou o Joaquim e fez uma oferta de 500 sacas de milho. Joaquim se interessou pelo negocio. Então Doca disse, eu lhe vendo más tem um “porém”. Joaquim entendeu que o irmão só vendia a vista, a dinheiro. Achava que esse era o “porém”. Não se preocupe Doca o dinheiro está guardado. Não Joaquim, eu lhe vendo a prazo. O “porem” é que eu só faço o negocio para entregar a mercadoria na minha balança. Joaquim respondeu: nesse caso Doca, agora são dois “porém” porque eu só faço o negocio se for para receber na minha balança.
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terça-feira, 16 de outubro de 2012
José Felipe e os cururus da Bahia
Jose Felipe viajava pelo Estado da Bahia, em seu caminhão e, de passagem pela cidade de Ibotirama se hospedou num hotelzinho desses de beira de estrada. Depois de pegar o rango, saiu um pouco para o pátio do Hotel e observou uma quantidade enorme de Cururus espalhada pelo terreiro. Falou para o proprietário do Hotel: é danado, tanto Cururu aqui e nós lá em Várzea-Alegre não encontramos um só pra remédio. Compra-se por alto custo cada unidade. O dono da Hospedaria procurou saber a utilidade do bicho. Jose Felipe explicou solicito. Nas nossas plantações de arroz, feijão e milho costuma aparecer muitos insetos, lagartas, formigas, besouros, mosquitos que estragam as lavouras e agente solta os cururus no roçado e em pouco tempo as pragas desaparecem, são exterminados por eles. Se o Senhor juntar eu pago a 20,00 a unidade. Jose Felipe seguiu viagem e o caboclo danou-se a juntar cururu num cercado. Oito dias depois, Jose Felipe estava de volta, nem lembrava mais a proposta. O dono da Pensão quase morre de alegre. Seu José a sua encomenda está pronta, juntei os que pude só falta contar, eu não sei quantos são ao todo. Puxou Jose Felipe pelo braço e quando chegaram ao quintal da casa tinha uns quinhentos cururus cada qual o mais papudo. Jose Felipe pediu que o caboclo contasse um por um. Depois fazia menção de pegar a carteira do dinheiro e o caboclo se animava cada vez mais. Então veio o arremate final: Disse Jose Felipe: olhe cabloco velho, eu vou comprar, mas numa condição, eu quero que você separe os machos das fêmeas. Do contrario eu não levo porque lá os machos valem bem mais, preciso levá-los separados, por que é com a venda dos machos que vou fazer o meu lucro.
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CABOCLO DO ROZARIO
Outro dia cedinho, sair com o meu neto João Pedro para o Mercadinho próximo de casa para comprar um chilitos. Na volta, ele se deliciava dos flocos de queijo com uma voracidade nunca vista. Notei que ele estava temeroso que eu entrasse de sócio no consumo e disse: Coboclo do Rosário pode comer tranqüilo que eu não quero dos seus chilitos. Ele me encarou e perguntou: porque o senhor me chamou de Caboclo do Rosário? Então passei a contar-lhe um pouco do que ouvir dizer e falar de Caboclo do Rosário.
Neto de Jose Raimundo do Sanharol, Pedro Alves de Lima, o conhecido Caboclo do Rosário, era proprietário de uma vasta área de terras no sitio Rosário. Casado em primeiras núpcias com Clara Alves de Menezes e em segundas núpcias com Matilde César Ferreira. Não houve filhos dos dois casamentos. Dizem que era muito econômico, suvina e não admitia desperdício, qualidades indispensáveis, mas que alguns a consideram como não muito agradáveis e simpaticas.
Certa vez, fez uma viagem ao Crato com o seu primo Jose Raimundo de Meneses, o conhecido Jose Raimundo do Canto, e, quando chegaram à altura da localidade Monte Pio, por volta das duas horas da tarde, Jose Raimundo apanhou o fumo e uma palha de milho fez um cigarro e acendeu. Em continente Caboclo meteu a mão no coxim e desenrolou um guardanapo com duas tapiocas temperadas com amendoim. Tirou uma e escondeu novamente a outra. Enquanto consumia a primeira dizia: Zé Raimundo não quer: está fumando! Jose Raimundo se preparou. Eu quero ver se ele vai comer a outra sozinho. Duvido que consiga. Passaram por Dom Quintino, depois pela Ponta da Serra e quando já avistavam as casas da Palmeirinha, onde finalizavam a viagem, Jose Raimundo acendeu outro cigarro. Caboclo retirou a outra tapioca e disse: Zé Raimundo não quer, está fumando! João Pedro não entendeu bem a conversa, mas no futuro ele vai entender o quando fumar é prejudicial e dar prejuizo.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012
JOSE VICENTE DA LAGOA DO ARROZ.
José Vicente da Lagoa do Arroz era o tipo do cidadão pacato, calma, medroso e mole. Tinha todas as qualidades de uma pessoa de paz. Morava na propriedade de Jose Vitorino Bezerra e Dona Emilia Correia, cuja casa se localizava entre as residencias do Major Cirilo e do Senhor Joaquim Piau. Casado com Madalena, dos Joaquim da Unha de Gato, uma santa em pessoa. Próximo da cidade, hoje em dia, um bairro. Os larápios se tornaram sócios comuns nas galinhas do Jose Vicente. Um belo dia Jose Vicente perdeu a paciência e se preparou para reagir. Carregou a espingarda soca-soca e fez tocaia na porta da cozinha. Noite de escuridão, no primeiro movimento para o lado do poleiro Jose Vicente apertou o dedo. Voltando ao quarto falou para mulher: acertei em cheio, o cabra caiu em cima da bucha. Amanha cedo, antes da historia se espalhar, eu capo a gato para Unha de Gato, me escondo até passar o flagrante. No outro dia nada de vestígio de sangue, nada de defunto. Três dias depois Jose Vicente precisou pilar arroz e foi procurar o jumentinho Cabano para levar a carga. Os urubus estavam fazendo a festa. Mortinho danado com o tiro que Jose Vicente pensava ter acertado o gatuno. A conversa se espalhou e Jose Vicente virava a cão se alguém fizesse sinal de tiro ou coisa parecida próximo da sua casa. Um belo dia, Mascote Teté e outros amigos passavam pela estrada e em frente a casa de Jose Vicente e gritaram " Pol ". Jose Vicente apanhou a espingarda e atirou de verdade. O Mascote gritou de lá: Matou Estevam de Joaquim de Satiro! Jose Vicente respondeu de cá: Mentira: que eu atirei foi pra riba! O Mascote subiu com os amigos para o Serrote e Jose Vicente ficou com suas duvidas e pensamentos: Agora se quando os chumbos desceram acertaram mesmo o filho de seu Joaquim de Satiro. Eu vou é me esconder na Unha de Gato. Partiu. Quando chegou à Cruz de Maria de Bil, pensou melhor: homem seu Joaquim de Satiro é o maior amigo dos Zé Joaquim da Unha de Gato, eles vão é me entregar. Eu vou é voltar e me apresentar a Zé Cardoso no Gravié. Desceu por dentro das mangas para a casa do Jose Cardoso. No outro dia, quando Jose Cardoso voltou da feira Jose Vicente perguntou: Seu José Cardoso é verdade que mataram um dos filhos de seu Joaquim de Sátiro ontem de madrugada? Não senhor, que historia mais besta é essa rapaz.
Jose Vicente retornou para casa depois de todo esse pesadelo mesmo tendo certeza absoluta que tinha atirado pra cima.
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SEMUVA
Nas décadas de 60 e 70 no período de férias Várzea-Alegre era muito animada. Á vida social da cidade era agitada, festejada com a presença dos filhos que faziam universidade noutras cidades como Fortaleza, Recife, João Pessoa, Natal etc.
Como parte das festividades era realizada a “Semana Universitária”. Era uma verdadeira olimpíada de tantas modalidades em disputa.
Num determinado ano o Mobral foi o campeão do Torneio Universitário de Futebol de Salão. Somou-se, então, este fato aos demais contrastes já existente.
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domingo, 14 de outubro de 2012
NÃO TROQUE O SEU PF PELO NOSSO AD
Alexandre Bezerra da Costa, meu amigo e parente Xandoca, foi o que se pode chamar de verdadeiro herói. Não dispunha de recursos financeiros e enfrentando dificuldades diversas conseguiu formar a maioria os filhos. Tem doutor espalhado pelo Brasil afora tomando conta de Incra, Ibama, e, outras instituições federais.
Renan, o filho mais moço e também o mais mimoso, quando estudante da Escola Técnica Federal do Crato, de férias no Sanharol, reclamava da alimentação do refeitório da escola. Dizia: temos que comer o mesmo PF todo dia, isso não há cristão que agüente.
Foi aí que o Xandoca perguntou: Meu filho, o que é um PF. Renan respondeu: é um prato feito. E o que tem neste prato feito? Perguntou mais uma vez o Xandoca: Tem uma porção de arroz, outra de macarrão, feijão, um bife e um ovo passado, respondeu Renan.
Aí o Xandoca observou: Meu filho esse seu PF tem mais proteínas e deve ser bem mais saboroso do que o nosso AD, não reclame. E o que é AD perguntou Renan. Xandoca soltou o seu tradicional riso e disse: AD meu filho, é arroz d’agua!
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sábado, 13 de outubro de 2012
PAULISTA INXIRIDO
Até os anos 70, quando chegava alguém em Várzea-Alegre que morava em São Bernardo, o pessoal chamava de "paulista”. Chegou um “paulista”. Pois bem, certa vez o deputado Otacílio Correia estava cortando o cabelo na Barbearia de Vicente Cesário e chegou um paulista. Conversa vai, conversa vem, na hora de pagar, Otacílio vai metendo a mão no bolso, o rapaz interrompe: Êpa! Seu Otacílio, deixa que eu pago, foi um grande prazer conhecer o senhor e é uma honra acertar esse corte com seu Vicente Cesario.
Otacílio agradeceu educadamente respondendo: Valeu, bicho! E foi embora. Na hora do sujeito acertar a conta perguntou: E aí, Tio, quanto que é tudo? Só 23,00, respondeu Vicente Cesario. Vinte e três reais? Ali na tabuleta não está dizendo que é 3,00 seu Vicente? Nesse caso são 6,00. Aí Vicente Cesário explicou: É, mas toda vez que o deputado Otacílio vem aqui ele me dar é 20,00 pelo corte. Quem mandou você ser inxirido?
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sexta-feira, 12 de outubro de 2012
POVO CORDATO
Por característica, Várzea-Alegre e seu povo sempre foram muito calmos e cordatos. Raimundo Alves Bitu, o conhecido Doca Bitu do sitio Serrote, tinha uma casa no centro da cidade que era alugada ao delegado de policia. Quando um ia embora o futuro delegado já ocupava a casa.
Em 1967, um verão lascado, Zé Bastião resolveu comprar a água da Lagoa do Serrote para aguar os arrozais do Vale do Machado. A lagoa pertencia a vários proprietários, e, a parte baixa da parede, portanto o local melhor de esvazia-la pertencia a Doca Bitu.
Zé Bastião negociou o preço da água com todos os outros proprietários, mas o Doca exigiu um preço mais elevado, Zé Bastião, então, desistiu do negocio. João Gomes, um dos proprietários, deu a idéia de cavar uma levada pela sua parte de terra e assim fizeram.
Quando Doca viu a lagoa secando, foi tomar satisfação com João Gomes. Depois de muitos desaforos Doca apanha a soca soca e disparo um tiro na direção do João Gomes. João Gomes foi dar parte ao delegado Jose Pereira que era inquilino do Doca.
Vixe Deus, e agora o quer que eu faço. Com as mãos na cabeça Jose Pereira subiu de madrugada para orientar Doca em seu depoimento: Boa noite seu Doca, como vai o senhor? Eu vi aqui porque o João Gomes fez uma denuncia que o senhor atirou nele, mas eu acho que o senhor apenas quis fazer um medo, num é verdade?
Olhe bem, seu delegado Jose Pereira, a sorte dele foi Rita ter batido na espingarda: eu botei foi pra pegar mesmo inriba do coração.
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012
PRÁ MAIOR PRECISÃO
Jose Alves de Meneses, vulgo Zezinho da Formiga, casou-se com sua prima carnal Maria Anacleta de Menezes. Desse casamento nasceram doze filhos, embora apenas duas delas tenham se casado e deixado filhos. Moravam no sitio Formiga, hoje um bairro da cidade. Dizem que o João, filho mais velho do casal, era muito suvina, muito mão de vaca.
Sempre que a família passava por alguma necessidade qualquer, ele se negava a ajudar, apresentando uma desculpa como justificativa - Não posso, meu dinheiro está guardado pra maior precisão! Pra se ter uma idéia, as sementes de arroz para o plantio ele guardava numa cabaça misturada com terra. Por maior que fosse a dor de barriga não se podia fazer um caldo com arroz.
João tinha um dinheirinho guardado debaixo de sete capas. Dizem que no dia do falecimento do pai os outros irmãos o procuraram e disseram: João o jeito que tem é você arranjar um pouco do seu dinheiro para comprar o caixão do nosso pai. Ele levantou a cabeça assanhou as sobrancelhas e disse: vocês estão cansados de saber que o meu dinheiro está guardado pra maior precisão.
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012
10 de Outubro - Em homenagem ao dia do Município
Hino de Várzea Alegre por Amadeu e Geraldo de Zé teté.
MANUEL GONÇALVES DA COSTA, MANUEL DAS MANGAS
Manuel Gonçalves da Costa, o conhecido Manuel das mangas, residia no Sitio Atoleiro, numa casinha de taipa, isolada bem nos fundos da propriedade. Era um rapaz velho, tinha um dinheirinho e gostava de emprestar a juros. Era parente próximo do meu pai e muito amigo. Sempre que vinha para feira semanal, nos dias de sábado, almoçava em nossa casa.
Um dia, um proponente lhe procurou e solicitou um empréstimo. Foi informado que naquele dia não dispunha da importância pleiteada, porém estava para receber uma quantia e a partir de tal data estaria a disposição.
Dez dias após a data marcada, o proponente procurou Manuel para apanhar o numerário e, ouviu do mesmo o presente argumento: Eu não vou puder lhe atender, veja bem, para vi buscar o dinheiro você atrasou dez dias do nosso trato, imagine quando for para pagar.
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terça-feira, 9 de outubro de 2012
UMA DO PÉ VEIO
Certa vez, num fim de feira, Pé Vei retornava para o Buenos Aires, onde residia, e, na passagem pela casa de Saude São Raimundo, mesmo em frente a casa de Totô, tinha um jumento amarrado e um filho do Dr. Iran Costa com um cipó cutucando por tras.
Pé Vei observou a cena e falou: menino tu não cutuca esse jegue que ele não sabe que tu é filho de Dr. Iran!
| Pé Veio |
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segunda-feira, 8 de outubro de 2012
ANTONIO ALVES DE MORAIS, ANTONIO ALVES DO SANHAROL
Uma família residente no Sanharol resolveu ir embora para o Juazeiro e deixou uma casinha de taipa que, posteriormente, foi ocupada por António Alves e sua família, com o consentimento do proprietário é claro.
Dez anos depois, um filho do dono da casa apareceu em Várzea-Alegre para vendê-la. Mesmo não tendo encontrado comprador o António Alves se viu sob a ameaça de ser despejado. Mundin do Sapo, conhecendo as dificuldades encontradas para a venda, observou para o rapaz que o comprador ideal para imovel era o António Alves.
Como o vendedor não havia encontrado nenhuma proposta de negocio, estava disposto a discutir qualquer oferta. Então, Mundin do Sapo disse: Amigo esta casa dá certo para o António Alves, e se você quizer ele faz uma troca. Ele tem uma jumenta e pode dar negocio! O António Alves já foi adiantando: é, eu só faço a troca na orelha, isso queria dizer, um bem, no outro, sem volta.
Sem outra opção e na ausência de outra oferta, o rapaz deu a entender que aceitava o negocio, afinal melhor a jumenta do que nada. Então o António Alves passou a botar defeitos na jumentinha: Eu não lhe engano, a jumenta é veaca, ladrona, coiceira, morde! Diante de tais informações o rapaz resolveu deixar as coisas como estavam, retornou sem fazer negocio e o Antonio Alves ficou com a casa e com a jumenta.
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domingo, 7 de outubro de 2012
Jose Raimundo do Sanharol
Antes da criação da Paróquia de São Raimundo Nonato em Dezembro de 1863, a maioria das celebrações religiosas eram realizadas na capela do São Caetano. O Padre vinha da cidade do Icó e permanecia por três dias na localidade. No primeiro dia fazia os batizados, no segundo os casamentos e no ultimo dia encerrava a visita com as confissões e uma missa.
Determinado dia, o padre demorou, pois o trajeto era feito em lombo de animais, e todos conversavam no patamar da capela quando Jose Raimundo do Sanharol disse que um morador seu havia colhido uma cabaça pequena, daquelas que caçadores e useiros de espingarda soca-soca utilizavam como cargueiro de colocar pólvora, que o bico media um palmo.
Um caixeiro viajante ouvindo a historia de Jose Raimundo falou: eu gostaria de obter uma semente desta cabaça para plantar, duvidou da palavra de Jose Raimundo.
Jose Raimundo determinou que um caboclo fosse ao Sanharol num pé e voltasse no outro, a cavalo é logico, e quando recebeu a cabaça se dirigiu ao caixeiro viajante dizendo: Aqui está, fure um buraco tire uma semente e não me toque no bico, pra quando um cabra safado como você duvidar de minha palavra eu ter para provar.
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sábado, 6 de outubro de 2012
JOSE ALVES DE MORAIS, ZÉ DE ANA DO SANHAROL
José Alves de Morais, seu Izé ou Tibola, filho de Raimundo Alves de Morais e Ana Feitosa Bitu, também tinha as suas. Seu Izé eu conheci bem, sua residência era bem próxima da nossa casa do Sanharol. Quando eu tinha lá os meus 08 anos ele me deu um presente de um “quicé” eu fui apanhar arroz com ele e Bibia sua esposa e pela primeira vez me sentir realizado, pois a honra dos do Sanharol naqueles tempos era ser um bom apanhador de arroz.
Muito estimado pelos sobrinhos que o chamavam carinhosamente de “Tibola”. Ele era baixinho e gordinho e deve ter sido o Mundim do Sapo o autor de tão assemelhada característica: Tio+bola = “Tibola”.
Na década de 50 fizeram uma viagem ao Crato, Jose Bitu, Mundim do Sapo e Zé de Ana. Meio de transportes: lombo de animais, finalidade da viagem: Jose Bitu fazer compras, Mundim do Sapo visitar amigos e parentes e Ze de Ana idem. Quando chegaram ao Quebra, na casa de mãe Pastora, se arrancharam, soltaram os animais na roça e jantaram baião de dois com costela de porco torrada enquanto o bucho coube.
No outro dia cedinho pegaram a “chepa” para o Crato. Zé Bitu era apaixonado por artesanatos de couro: arreios, chicotes, arreadores, cabrestos. A primeira loja a adentrarem foi à Casa do Vaqueiro de Chicô Leonel. Zé de Ana era deficiente auditivo, ouvia com dificuldade, apanhou um chocalho que estava em cima do balcão levou a altura do ouvido balançou e disse: o chocalho de Zabelê. Zé Bitu falou: guarda esse chocalho Izé! Ele elevou o chocalho à altura do ouvido e balançou novamente e disse: chocalho de Zabelê!
O dono da Loja observou o movimento e disse: o que é homem de Deus, esse chocalho eu comprei hoje de manhã a um rapaz do Quebra. Zabelê era a burra que Zé de Ana viajava, e, durante a noite um cabra roubou o chocalho, já tinha vendido a Chico Leonel e certamente estava tomando a grana de teimosa com os amigos.
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Raimundo Bitu - Memória Varzealegrense
Neste período de carnaval passei os dois primeiros dias no Sanharol. Encontrei vários amigos, entre eles Júlio Bastos Bitu, filho de Raimundo Bitu e Cotinha e, que fazia muitos anos que não o encontrava. Lembrei-me dos seus pais e de uma historia do Raimundo Bitu que talvez o Júlio não a conheça.
Raimundo Bitu era proprietário de uma vasta área de terras agricultáveis da melhor qualidade. Nos anos 50 e inicio dos anos 60 a única agência bancaria da região sul do Ceara era a agência do Banco do Brasil em Crato. Os encaminhamentos de empréstimos se davam da presente forma: Um fiscal do banco visitava os proprietários e fazia os seus cadastros, em seguida, os proprietários faziam à proposta junto ao banco.
Raimundo Bitu tinha a sua disposição um limite, a época, de, por exemplo, 50 contos de réis e propôs um empréstimo de apenas três contos de réis. Diante de proposta tão pequena o fiscal do Banco perguntou: Seu Raimundo Bitu, o que o senhor vai fazer com três contos de réis? Se o Senhor podia e tem suporte para fazer um empréstimo bem maior? Ampliar sua lavoura, aumentar sua produção e o rendimento da fazenda? Raimundo Bitu respondeu no ato: vou guardar e todo sábado vou comprar 06 kgs de carne e comer com a minha família no decorrer da semana. O fiscal não gostou da resposta de Raimundo Bitu.
Quando os proponentes chegaram ao Banco, em Crato, a proposta de Raimundo Bitu estava cancelada pelo fiscal. Raimundo Bitu era primo de Jose Siebra de Brito, Gerente do Banco e, depois de um bom papo o recurso foi liberado e o fiscal entendeu que Raimundo Bitu não permitia que outros planejassem o seu endividamento.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012
José de Mariana
Mariana Alves Bezerra, era irmã do meu avô Pedro Alves Bezerra e casada com Jose, conhecido por Jose de Mariana.
Um dia, Jose de Mariana teve uma raiva condenada da mulher e se danou no mundo. Durante muitos anos não se teve noticia do Jose. Ele era artesão, fazia tabaqueiro, um artefato de chifre de boi que colocavam algodão e com o atrito de um esmeril numa pedra a faísca acendia o algodão e se podia acender cigarros e outras utilidades. Nestes seus artefatos ele colocava uma marca, um sinal, tornando-o diferenciado dos outros, conhecido.
Um dia, um várzealegrense passava por uma cidade do Maranhão, e viu um garoto vendendo uns tabaqueiros com a marca conhecida. Perguntou para o garoto quem fazia e o garoto indicou o local onde se podia encontrar o artesão.
Dirigindo-se ao local encontrou numa cabana improvisada com umas palhas, debaixo de umas palmeiras de coco babaçu, o Zé de Mariana lixando uns chifres para fazer os seus artesanatos e uma mulata sentada no chão quebrando as amêndoas do coco babaçu, alem de uma panela numa trempe preparando o almoço.
Compadre como é que você abandonou sua propriedade, seus bens, sua família para viver nestas condições? Jose de Mariana respondeu: a única coisa que espero é que você não diga a ninguém que me viu aqui!
Chegando a Várzea-Alegre, não se conteve e contou a família. Dois dos filhos convidaram o padre da época e rumaram para o Maranhão à procura do Pai. Encontraram a mesma cena. O Padre tomou a frente da conversa e tome conselho enquanto Jose continuava lixando os chifres e a mulata quebrava os cocos. Certa altura o padre disse para os irmãos: Não tem jeito não, uma coisa dessas só pode ser mesmo um feitiço! A mulata se aborreceu com a historia, se levantou colocou a mão em cima do possuído e lascou: O feitiço ta aqui!
Os filhos voltaram para Várzea-Alegre e Zé de Mariana tomou rumo ignorado. Não se teve mais noticias.
Em Várzea-Alegre, quando a mulher começa com lera, o marido costuma dizer: Olhe, você deixe de moca se não eu faço como Zé de Mariana.
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012
VICENTE ESTEVÃO DUARTE, VICENTE CESARIO
Vicente Cesário fazia a faxina de sua barbearia quando Luiz Proto de Morais se aproximou e o convidou para ir ao Recife assistir a festa de formatura de seus filhos. Eu não posso ir, disse Vicente Cesário, não posso deixar a barbearia abandonada. Luiz Proto adiantou que eram apenas três dias. Sairiam na quinta-feira pela manha, descansavam a sexta-feira durante o dia, à noite assistiam as formaturas, no sábado iam dar umas voltas pela praia e ao domingo cedinho voltavam para Várzea-Alegre.
Apresentado o roteiro da viagem, Vicente Cesário perguntou e quanto você vai gastar com essa viagem? Luiz respondeu a despesa é uma só, você indo ou não. O carro é o mesmo, o motorista também, portanto não se fala em despesas porque corre tudo por minha conta. Então Vicente faz a sua sugestão final: Luiz pra mim é melhor você me dar o dinheiro que ia gastar comigo nessa viagem que dar para eu tomar quatro porres nos próximos fins de semana. Nós não podemos deixar as quengas do Engenho Velho desassistidas não homi! Você vai sua viagem e eu fico.
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terça-feira, 2 de outubro de 2012
Raimundo Cavalcante de Morais, Nuna
Raimundo Cavalcante de Morais, conhecido por Nuna, filho de Pepê era um menino muito traquino. Certa vez saiu com um bodoque e um bornal cheio de balas com destino a uma caçada.
Andou bastante a procura de caças, mas infelizmente não era seu dia. De volta, passando nas proximidades da casa de Manoel de Vó, o mesmo estava bem sentado jantando um baião de dois com ovo frito na maior descontração.
Nuna, usando um pouco de sua traquinagem avistou uma moitinha de Catingueira, se agachou e esticou o seu bodoque o quanto pode com uma bala muito bem feita de barro da lagoa do garrote e, mirando em direção ao companheiro Manoel de Vó, acertou de cheio a colher e posteriormente a titela o suficiente para com o susto derramar o apetitoso jantar e acabar com toda a alegria do companheiro Manoel.
Raimundo contava esse episódio dando muitas risadas. Desconfiando da história, certa fez perguntei ao Manoel de Vó e ele me afirmou que foi uma pura verdade. Essa foi apenas uma das poucas aventuras do Nuna, pois são várias e engraçadas.
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Raimundo contava esse episódio dando muitas risadas. Desconfiando da história, certa fez perguntei ao Manoel de Vó e ele me afirmou que foi uma pura verdade. Essa foi apenas uma das poucas aventuras do Nuna, pois são várias e engraçadas.
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