VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

quarta-feira, 20 de março de 2013

017 - Nossas historias - Memoria varzealegrense.


Não houve no mundo casal mais desunido que Zé Chato e Jorvina. Gato e rato perdiam. Já velhinhos moravam numa casinha de taipa próxima a casa de Raimundo Bitu do Sanharol.

Apesar da pobreza extrema, pois a época não havia aposentadoria e os dois não tinham condições de trabalho e nem familiares que pudessem ajudá-los, viviam da caridade alheia, mas, não reclamação da vida.

Zé Chato era muito nervoso, e vivia roendo as unhas. As cabeças dos dedos chegavam ao sangue, carne viva e ele não parava com a mania.

De repente, de uma hora pra outra, todos estavam admirados: as unhas de Zé Chato ressurgiram como num passo de mágica. Unhas longas, cabeças dos dedos sarados etc.

Zabé de Vicente Felix perguntou: Jorvina muié, que má pregunte,o que tu fez que Zé Chato largou de roer as unhas? Ora o que foi Zabé, eu escondi a chapa dele!


segunda-feira, 18 de março de 2013

016 - Nossas Historias - Historias de varzealegrenses.


Luiz Salviano Filho, o Lila. Varzealegrense da Extrema, era extremamente presepeiro. Todos conhecem suas historias e estorias ou delas ouviram falar. Talvez a mais  engraçada delas tenha ocorrido em Crato, no Parque de Exposição.

Lila chegou numa barraca e sem pedir licença a proprietária meteu a colher de pau num  caldeirão com  50 quilos ou mais de macunzar. Tirou um pedaço linguiça quente como uma brasa e jogou na boca. Fez malabarismo, jogou prum lado e pró outro, não aguentando soltou novamente na panela, desta feita, acompanhado da dentadura. 

A mulher vendo aquela cena  fez o maior fuá.  Lila  preocupado com a chapa pegou uma colher de pau  a se danou a procurar.Trazia um volume era um pé de porco, trazia outro era um pedaço de costela e nada de encontrar a chapa, Por fim meteu a mão no panelão apanhou a chapa, jogou  na boca, acomodou-a direitinho e disse: Eita macunzar gostoso da peste. 

A esta altura a policia já havia tomado chegada. Conversa vai, conversa vem, foram a cima e a baixo, Lila se prontificava a pagar o prejuízo, mas, não concordava com a valor e não tinha o dinheiro disponível no momento. O cu de boi estava formado.

Dr. Henrique Costa, parente, conterrâneo do Lila e, presidente da comissão organizadora da Exposição  pagou  o valor exigido pela mulher. Lila tomou conta da panela e convidou a negrada que passava para comer macunzar. 

A festa foi grande. O macunzar não deu pra quem quis. Quando acabaram de comer a mulher colocou as mãos na cintura e disse: "Dr. Anrique", esse cabra é um "Severgoin" ele jogou a chapa dentro do macunzar de propósito, porque quis. 

A seguir o que se via era negro vomitando pra todo lado e, o Lila perguntando: oxente o macunzar fez mal a vocês?

domingo, 17 de março de 2013

VERSO LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

CHUTADO  DA  SECA.

Nasci no sítio Inharé
Bem perto de Herculano,
Eu plantava todo ano
Com disposição e fé.
Mas meu santo São José
Deixou a gente na mão
E eu que tinha precisão
Meti o pé na estrada.
UMA  SECA  CONDENADA,
ME CHUTOU LÁ DO SERTÃO.

Vê o gado passar fome
Quem é o homem que gosta?
Lá ficou Giovani Costa
Mas o gado dele come.
Esse pove que tem nome
Os políticos dão a mão,
Mas eu não tinha ração
E a palma tava queimada.
UMA  SECA  CONDENADA,
ME CHUTOU LÁ DO SERTÃO.

Eu vou dizer Seu Menino
Como é o nosso jogo,
Se num é seca, é fogo
Como diz Seu Neto Aquino.
Uma vez Seu Vitorino
Foi queimar a plantação
E o fogo sem contenção
Sapecou minha morada.
UMA  SECA  CONDENADA,
ME CHUTOU LÁ DO SERTÃO.

Aqui na grande cidade
O negócio é diferente,
Ninguém olha para a gente
E nem faz a caridade.
Quando um olha é com maldade
Pensando que sou ladrão,
Mas eu digo: - Meu patrão
Eu sou homem da enxada.
UMA  SECA  CONDENADA,
ME CHUTOU LÁ DO SERTÃO.

Quando alguém quer ajudar
Pergunta se eu sou doente,
Eu respondo: - Eu sou carente
De chuva no meu lugar.
Ele diz: - Vá trabalhar
E eu fico sem ação,
Pois só sei plantar feijão
E pegar boi na Chapada.
UMA  SECA  CONDENADA,
ME CHUTOU LÁ DO SERTÃO.

A vida aqui é sem graça
Por conta desse maltrato,
Falar fiado é pecado
Sujeito a penalidade.
No sertão compro à vontade
Sem possuir nem cartão,
Mas com medo de invasão
A venda ficou fechada.
UMA  SECA  CONDENADA,
ME CHUTOU LÁ DO SERTÃO.

Já rezei pro Papa novo
Que se chama de Francisco,
Pra me tirar desse risco
Me devolvendo ao meu povo.
Tou como pinto no ovo
Vivendo na opressão,
Sem encontrar solução
Pra rever a meninada.
UMA  SECA  CONDENADA,
ME CHUTOU LÁ DO SERTÃO.

Mas eu tenho muita fé
Que o inverna pai pegar,
Para um dia eu voltar
Para o meu sítio Inharé.
Eu sei que o bom São José
Meu Santo de devoção,
Vai olhar na direção
Daquela gente adorada.
UMA  SECA  CONDENADA,
ME CHUTOU LÁ DO SERTÃO.

Mundim  do  Vale.
Várzea Alegre Ce

sexta-feira, 15 de março de 2013

003 - Memórias - Memória Varzealegrense



Em fevereiro de 1986, para controlar a inflação que atingia trezentos por cento ao mês, o presidente José Sarney anunciou o Plano Cruzado. 

Os preços foram congelados e os consumidores passaram a reprimir diretamente a remarcação nos supermercados e em outros estabelecimentos varejistas. No peito, a população usava bottons com o título Fiscal do Sarney.

Apesar da euforia inicial, o plano não chegou sequer ao fim daquele ano. A inflação voltou com muita força e a carestia tomou conta dos produtos, inclusive dos que formavam a cesta básica.

No carnaval de 1986, em Várzea Alegre, interior cearense, logo após o lançamento do plano econômico, eu, recém-aprovado no vestibular, desfilei pelas ruas nos blocos de "sujo da cidade" bem atrás da animada bateria da Escola de Samba Mocidade Independente do Sanharol.

A minha fantasia era simples e inspirada pelo efusivo e fantasioso momento econômico que o país vivia. 

Com um cordão amarrado ao dedo, puxava um carrinho de plástico(fusca)  e no pescoço trazia uma folha de cartolina com a seguinte frase:

"Obrigado, Sarney. Já pude comprar um fusca".

Flávio Cavalcante do Pedra de Clarianã

Mestre Chagas - Memória Varzealegrense

Mestre Chagas 


Eis o nosso famoso e inesquecível músico "MESTRE CHAGAS". 

Um integrante da saudosa "banda de música" que abrilhantou, por vários anos, as festividades religiosas da Paróquia de São Raimundo Nonato. 

Também tocou em muitas festas no Recreio Social e em outros espaços festivos trazendo-nos alegrias, emoções, ânimos...Grande talento. 

Notável artista. Sua "marca" está nas lembranças e nas saudades dos "belos" momentos que se eternizam nas memórias e nos corações varzealegrenses. 

Nessa foto está tocando numa comemoração no nosso querido GINÁSIO SÃO RAIMUNDO NONATO. (UMA FOTO DO ARQUIVO PARTICULAR DE ISABEL ANDRADE CORREIA BITU)

Isabel Vieira

quarta-feira, 13 de março de 2013

002 - Memórias - Memória Varzealegrense


Identificação da foto: O menino que esta nos braços é Dimitri Moreno, a mãe Maria Eunice e o pequeno sou eu(Douglas Moreno), junto esta Neide irmã de Raimunda do Mameluco que morava conosco em Recife. A outra criança e Luiz Preto que trabalhou depois na padaria, um grande amigo de infancia!


Antigo Corredor de João do Sapo
Mesmo não sendo da época, a paisagem não tem como não reconhecer, é como se hoje você estivesse no trevo onde se encontra a praça com a estátua de Pe. Vieira olhando para o Sanharol.

015 - Nossas Historias - Historias de varzealegrenses.

Pé Vei e Fatico eram grandes amigos. Tanto que Pé Vei dizia que não tinha medo de morrer, tinha medo sim que Fatico morresse, tamanha era sua dependência. São tantas historias e estorias, e, hoje  pesquei  essa preciosidade na minha já esquecida memoria. 

Fatico tinha um jumento de lote, um reprodutor especial. Ao animal era dispensado  um tratamento diferenciado. Pastava na melhor vazante, era banhado  duas vezes ao dia. Tinha que ser levado ao bebedouro  para tomar água, dias entrava, outros não, e era necessário que  desse água para beber na cua. Fatico fez uma viagem de três dias a Fortaleza e deixou Pé Vei encarregado de  cuidar do Jumento. 

Orientou direitinho. Dê água e banhe duas vezes ao dia. Se o jumento não quiser entrar para tomar água no bebedouro dê água com a cua. 
Ao retornar da viagem, a primeira  coisa  que Fatico fez foi perguntar:
Deu água ao jumento Pé vei?
Dei.
Ele entrou para tomar no bebedouro?
Entrou nada, eita jumento cismado da peste.
E  tu deu água como?
Com a cua.
E, a cua num ficou trancada no armazém e eu levei a chave comigo pra Fortaleza!
E foi ?

Coitado do Jumento.

Linda Flor do Meu Jardim - Memória varzealegrense

Encontrei aqui no Face book, esse trabalho da autoria do poeta conterrâneo, parente e amigo João Bitu. Sem consultar o autor, eu estou removendo para o Memória, por achar que lá é o lugar adequado para expor o talento dos nossos poetas.
Acredito ainda que, assim como eu, o Sr. Memória, seus escritores e  seus poetas irão reconhecer o valor literário dessa obra.
Abraços para Todos.

Mundim do Vale.

LINDA FLOR DE MEU JARDIM

Cultivo em meu pomar
Quatro trevos com estima
Ninguém dele se aproxima
Sem que eu venha a convidar

Há uma flor que é só minha
Deslumbrante e odorosa
Tão diversa e preciosa
Linda espécie, a flor rainha 

Adorável bem me quer
Flor em forma de mulher
A nada amei tanto assim

Não a toquem – por favor!
Porque ela é a flor
Que mais amo em meu jardim!

João João Bitu

terça-feira, 12 de março de 2013

Sangraram Compadre Louro - Por Mundim do Vale.


SANGRARAM  COMPADRE  LOURO.

O sítio Vaca Brava, no município de Cedro – Ceará, era conhecido
na região como um lugar pra frente, as garotas eram avançadas ao ponto de gerarem conflitos com aqueles mais retrógrados.
O repentista Louro Branco, sempre fazia cantorias por lá e ficou bastante conhecido na região.
O promotor das cantorias  tornou-se tão amigo do poeta, que chegou a convidá-lo para ser padrinho de um filho seu. O garoto foi crescendo e logo aprendeu a tocar viola. Talvez influenciado pelo pai e o padrinho, tornou-se um violeiro repentista.
Para a festa de 15 anos do garoto, o pai programou uma grande cantoria de padrinho e afilhado. Mandou anunciar nas cidades vizinhas e no dia do evento, abateu bois, porcos, carneiros e galinhas para os convidados.
A cantoria foi marcada para às 14:00 Horas, mas o padrinho atrasou e como os convidados estavam impacientes, o anfitrião mandou tocar um forró, enquanto o poeta chegava. E o forró truou na casa.
Por volta das 17:00 Horas, o promotor da cantoria ficou na calçada, preocupado com o atraso da grande atração da festa, De repente surgiu um Volkswagen na estrada e ele falou:
- É o carro de cumpade Louro !
E era mesmo. Louro Branco estacionou o carro no no terreiro e foi descendo vestido de terno branco e gravata vermelha. Como já estava escurecendo, o anfritião olhou assustado e gritou:
- Me valha meu Padim Ciço ! Sangraro cumpade Louro.
Louro Branco subiu a calçada com a viola já afinada e quando passava na janela, deu uma olhada disfarçada para o salão e balançou a cabeça de forma negativa. Naquela rápida olhada ele viu os casais soados e tão agarrados, que mais parecia um cadeado dentro de outro.
O dono da casa mandou fechar a harmônica e já mandou os violeiros começarem. É costume uma cantoria começar pelo poeta do lugar, mas como Louro Branco era o padrinho do garoto foi ele quem iniciou a cantoria.
Antes do garoto sentar Louro Branco começou com uma sextilha:
“ Vim cantar na Vaca Brava
Encontrei foi uma dança,
Rapaz com moça dançando
Ralando pança com pança,
Eu nunca vi Vaca Brava
Com tanta garrota mansa.

Fonte: Poeta Souza Sobrinho, de saudosa memória.


001 - Memórias - Memória Varzealegrense

Fogão a lenha ainda em plena atividade.

Devemos guardar na nossa memória tudo aquilo que fez parte de nossas vidas. Um fogão a lenha, é díficil um nordestino não conhecer, não ter passado por uma época onde aqui se fazia o alimento de suas famílias.

Ele é na residencia de Ana Bezerra de Morais, neta de Luiz Fiúza de Morais do Serrote, ainda hoje é usado.

Casa do Padre Vieira - Memória Varzealegrense



Essa é a casa e a  Igreja de Cristo Rei - construídas pelos meus avós Vicente Viera da Costa e Senhorinha Batista de Freitas(Filha de Papai André e Mãe Dondon do Mocotó), e mãe de diversos filhos proeminentes, entre eles, Padre Antonio Vieira.

Rita de Cassia Monteiro

Os Penitentes - Memória Varzealegrense



Esta foi uma novena na Semana Santa no Sítio Mameluco rezada pelos Penitentes do Riacho Verde em 2003.

Os principais são - Sr. Raimundo Borges, Sr. Zé Borges e Sr. Manoelzinho Batista. 

A autenticidade deste momento ficou em nossa memória - as roupas idealizadas por eles, as vozes afinadíssimas, os rituais  muito bem respeitados e os cânticos emocionantes!

É uma pena q alguns já faleceram mas a célula ainda esta viva!
Como a Semana Santa já está próxima lembrei-me de recordar os Penitentes de Várzea Alegre!

sábado, 9 de março de 2013

Nossa Gente, Nossa História - Memória Varzealegrense


José Alves Feitosa ( Dudal ) Faleceu no início do ano de 1946 e eu  só fui inventar de nascer no mês de agosto do mesmo ano. Mas como eu sempre me interessei saber das histórias do nosso povo, procurei o amigo Chico Luís e ele me passou esse conto.

José Alves Feitosa ( Dudal ) Era casado com Dona Matilde César Leal. Do casal não nasceram filhos. Moravam na Rua major Joaquim Alves, vizinhos do casal Pedro Alves de Lima ( Caboclo do Rosário ) E Clara Alves de Meneses ( Clarinha ) O casal também não tinha filhos. 

Os dois casais viviam em constantes conflitos, por conta de uns furtos de galinhas da casa de Dudal. Matilde e Dudal responsabilizava Caboclo e Clarinha.Com a morte de Dudal e logo depois a de Clarinha, Chico Luís e Otacílio Correia resolveram fazer um plano para casar Caboclo com Matilde. Chico fazia uma carta amorosa no nome de Caboclo e botava debaixo da porta de Matilde. 

Otacílio Fazia outra carta em nome de Matilde e colocava por baixo da porta de Caboclo.Matilde quando pegou a carta foi bater na casa de Dudau onde antes não pisava nem na calçada. Chegando com a carta na mão foi logo dizendo:
- O que é que significa isso? Não tem vergonha não, cabra velho?Caboclo também com a carta na mão, foi logo respondendo:
- E você cabra velha. Além de roubar galinhas agora deu pra correr atrás de homem foi?Depois de muitos palavrões, eles trataram de preparar o casamento e viveram até a morte na mais total harmonia.

E o prato preferido dos dois era canja de galinha. 

Relíquia familiar - Memória Varzealegrense



Foto histórica da Família Batista Moreno, conhecidos pelos Morenos da Várzea da Conceição(Município do Cedro), mas que é a mesma família Batista do Mocotó.

Em pé à esquerda: José (Zezinho), Vicente, Manoel(Néo) e Natanael.
Sentadas: Maria(Sinhá), Antonia Maria do Espírito Santo( a Matriarca Mãe Antonia), Ana e Umbilina.

O interessante é que Vicente e Néo casaram-se com duas irmãs e primas - Arlinda e Raimunda(Mundinha) - do Mocotó, filhas de André José Duarte(Pai André) e Balbina Raulina Do Sacramento(Mãe Dondom). 

E por isso as ligações com VAlegre são maiores. Sr. Natanael, casou se com D. Ivone uma das primeiras professoras de VAlegre onde deixou inúmeras amizades! 

Uma fotografia como esta consegue passar muitas informações da época uma vez que apresenta uma família muito bem vestida,  elegante e todos muito bonitos.
Os descendentes se orgulham de todos eles!

Maria Eunice

sexta-feira, 8 de março de 2013

Saudades do meu pai... - Dr. José Bitu Moreno

Saudades do meu pai... - Do livro "Camisa nova, seu doutor "

"Manhãs...

Eu sempre as vejo da varanda das lembranças. A minha infância está impregnada de manhãs frescas e cheias de claridade. Minha alma quando se isola de mim e se recolhe ao labirinto, faz com freqüência nas manhãs, após noites mal-dormidas.

Pode ser o jeito como o sol nasce, entre nuvens, no contexto do céu. Ou a textura da brisa, o perfume que traz, a forma como me acaricia. Ou mesmo o canto do pássaro, ou a tristeza que se me enrosca como um gato, buscando conforto...Vejo-me então transpondo o portão, como o de Alice, e reencontrando esboços de sensações que um dia tive.

As manhãs me lembram o verde que nasce, após noite de chuvas e tempestades. As manhãs são as crianças despertas, a adolescente que se olha ao espelho, sacudindo os cabelos e decifrando o eterno, são os rastros dos amores noturnos no corpo redivivo, nos lençóis desarrumados, é a nudez do corpo feminino saindo do banho fresco e perfumado.

Elas nascem diferentes quando são os galos que as acordam, elas são puras e angelicais quando banhadas pelo orvalho, ou quando nas invernadas brotam da terra fertilizada, da terra agradecida.
Sentam-se na rede de sol a sol, serra a serra, balançando-se ao sabor do vento, tocando nuvens...convidando-nos a nada ser, a nada fazer...

Fui envolvido pelas luminosas manhãs do sertão, coloridas de branco, azul e dourado, que preencheram minh’alma. Depois, fui abandonado pelas mesmas manhãs, quando o sol do meio-dia as afugentou. Chorei quando as busquei e não as encontrei nas tardes vastas, nos solitários crepúsculos, nas incontáveis noites que se sucederam como uma corrente de dores e de alegrias, cujos elos lembravam o relógio que não parava, a areia se derramando na ampulheta do tempo, as gotas se sucedendo na torneira aberta da vida.

Significou que fui, uma vez na vida, de forma plena? Significou que a partir de então foi em suma a caminhada de perdas? A vida seria assim, alçada do céu e rolando pela encosta de encontro ao nada absoluto, ao último minuto em que já estaríamos despidos de tudo? Desmanchados? Nus?

Encontrei o meu pai na laje fria do necrotério, reconheci o sapato simples, a roupa lisa, um tanto frouxa, parecia ainda menor do que era, naquele recinto apertado e sem vida. Hoje, acordei pensando nele, ou talvez tenha sido a manhã de luz que o trouxe. Chegou pela estradinha branca, eu pude vê-lo desde que emergiu ao pé da ladeira de muitas árvores, e se aproximou a trote no cavalo castanho. Carregava chapéu de feltro e vestia-se em terno branco, de brim. Como era bonito o meu pai! Sentamo-nos na varanda de sombra fresca e carinhoso vento e miramos as plantações em silêncio. Estava triste, como sempre, mas somente um tantinho assim, que não lhe apagava o brilho...

Um carro passa súbito e me arranca dos devaneios. Sorrio agradecido para o vento e para a manhã que já se adianta. Outras virão e trarão de novo o meu pai.

(José Bitu Moreno)

CASADOS E SOLTEIROS - Por Mundim do vale e Sávio Pinheiro.

CASADOS X SOLTEIROS.

Mundim do Vale x Sávio Pinheiro.

Mundim:
Solteiro sente saudade
Do seu tempo de rapaz,
Um tempo que tinha paz
Porque tinha liberdade.
Hoje vive numa grade
Como canário em viveiro,
Sem pegar no seu dinheiro
Nem saber o que foi feito.
Por isso eu bato no peito
VIDA  BOA  É  DE SOLTEIRO.

Sávio:
Mundim veja com atenção
Solteiro não tá com nada,
Quando a calça tá rasgada
Não tem quem costure não.
Se ele vai pro fogão
O frango sai sapecado,
O arroz fica ligado
Porque falta uma mulher.
Pode achar ruim quem quiser
VIDA  BOA  É  DE  CASADO.

Mundim :
Solteiro não tem comando
Vai sozinho onde quiser,
Porque não tem a mulher
Todo tempo regulando.
Se um forró tá começando
Ele é quem chega primeiro
E quem sai por derradeiro
Porque não tem compromisso.
Razão porque digo isso
VIDA  BOA  É DE SOLTEIRO.

Sávio:
Você não sabe de nada
A união nunca cai,
Crescei e multiplicai
Foi a palavra sagrada.
Foi escrita e registrada
No santo livro sagrado
E assim foi determinado
A união do casal.
Um ato mais que normal
VIDA  BOA  É  DE  CASADO.

Mundim:
Os casais vivem na briga
Falando em separação
E que foi uma união
Passou a ser uma intriga.
E a situação castiga
A família por inteiro,
Sendo o esposo o primeiro
Do lar desaparecer.
Por isto estou a dizer
VIDA  BOA  É  DE  SOLTEIRO.

Sávio:
Solteiro briga também
Porque vive deprimido,
Por nunca ter conseguido
Uma esposa também.
Para ele o que convém
É vida de revoltado,
Por não tá acompanhado
Pela esposa querida.
Isso é lá diabo de vida !
VIDA  BOA  É  DE  CASADO.

quinta-feira, 7 de março de 2013

VERSO LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Meu nome é Mundim do Vale
Do vale da agricultura,
Criado no pé de serra
Cum feijão e rapadura.
Das coisa qui pobe come,
Qui dá sustança pru ome
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

No sertão nóis tem batata
Qui serve Cuma mistura
Se ficá cum bucho inchado
O chá de macela cura.
Prumode quebrá jijum,
Macaxêra e jirimum
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Lá tombém a gente escapa
Cum a galinha pedura
Come cabeça de bode
Adispois come a fussura.
Nóis come qualhada e quêjo,
Qui coisa de sertanejo
LÁ  IM NÓIS  TEM CUM  FARTURA.

No tempo das inleição
Matuto sai da penura
Faz uma troca de voto
Pur um pá de dentadura.
Num é negoço bem feito.
Mais pulítico desse jeito
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Quando um fí vem de Sumpalo
Traz de lá ôta cutura
Vem cum brinco na urêa
E um celulá na cintura.
Fala qui tá dominado,
Pruque matuto abestado
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Prá nossos fí istudá
É qui a vida fica dura
A gente vai precurá
Iscola da prefeitura.
Mais vira uma paiaçada,
Pruque iscola feixada
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Quando lá num ái inverno
Nóis ramo pra prefeitura
Mais chega lá nóis incronta
O dotô cum a cara dura.
Nóis vorta bem caladim,
Pruque tombém coisa rim
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Quando um de nóis adoece
Vai pra rua atráis da cura
Mais quando chega no posto
O infermêro num atura.
Nóis vorta cum paciença,
Pruque misera e doença
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.
                                  
Mundim do Vale

VERSO LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.


MENSAGEIRO  DO  SERTÃO

Meu dedo  vai no teclado
Como se fosse um pincel,
Depois  vai na impressora
Em seguida no papel.
Eu fico muito feliz
Por tá criando um cordel.

Cordel foi meu professor
Foi o meu livro escolar,
Porque nele eu aprendi
A forma de me expressar.
Não consegui  um canudo
Mas aprendi a rimar.

O cordel foi mensageiro
Nas quebradas do sertão,
O folheto é que levava
Notícias pra região.
No tempo que não havia
Jornal nem televisão.

Quando Getúlio Morreu
Entristecendo a nação,
Alguns jornais recuaram
Com medo de repressão.
O cordel foi corajoso
E fez a divulgação.

O cordel falou da fé
Do povo em Frei Damião,
Divulgou a romaria
Do Padim Ciço Romão.
Falou em tom de revolta
Do massacre em Caldeirão.

Cordel fazia namoro
Quando o pai não consentia,
O casal tinha apelido
Falado na cantoria,
Foi assim que se casaram
Coco Verde e Melancia.

O Dr. Sávio Pinheiro
Na sua comparação,
Fez um trabalho perfeito
Rimado com perfeição.
Juntou Yoko e John Lennon
Com Maria e Lampião.

Minha boa Várzea Alegre
Nesse país cor de anil,
É a terra dos contrastes
Conhecida no Brasil
Mas lá o poeta Expedito
Fez um cordel sobre Bil.

O poeta Patativa
O nosso maior artista
Diminuiu os cordéis
Quando ficou ruim da vista.
E assim ficou desfalcado
O time de cordelista,

O arrombamento do Orós
O cordel noticiou,
O assassinato de Kennedy
O cordel também citou.
E a visita do papa
Foi o que ele mais falou.

No mundial de cinqüenta
O Brasil foi perdedor,
Jogou no Maracanã
Mas não foi tão agressor.
O cordel deu a notícia
Deprimindo o torcedor.

Quando o mestre Pedro Souza
Partiu pra segunda via,
Fiz um cordel de saudade
Das coisas que ele fazia.
Tudo que lá coloquei
Pedro Souza conhecia.

O cordel foi professor
Ensinou Ave Maria,
Deu aula de português,
História e geografia.
Foi a carta de A.B.C.
Daquele que não sabia.

Mas o cordel mensageiro
O que ganhou foi tortura,
Chegou a televisão
Mudando toda a cultura.
Hoje pouca gente sabe
O que é xilogravura.

Pra terminar meu recado
Eu peço ao caro leitor,
Que quando achar um cordel
Dê a ele o seu valor.
Pois ele foi no  passado
Um excelente professor.

Mundim do Vale



CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.


SOLTANDO  O  CARRETEL

Para a Exibição dos filmes no Cine Odeon, Edmilson Martins sempre precisava da ajuda de um auxiliar para girar o carretel do filme.Como o auxiliar não pagava ingresso, o operador alternava os ajudantes, que eram; Waldefrance Correia, Joemilton Martins, Francivaldo Martins, eu e Assis Félix.
No dia da exibição de um filme censurado para menores, o escalado era Waldefrance que já era maior de idade.
No dia da exibição de uma comédia italiana de nome “ Pobres porém formosas “ Waldefrance foi o escalado. O trabalho era um tanto complicado porque se o carretel saísse do lugar, demandava um certo tempo para o operador recompor. E durante aquele tempo, o  público ficava assoviando e dizendo palavrões.
Pois naquela noite foi só o que deu.
Waldefrance muito empolgado com o filme e tremendo bastante, SOLTOU  O  CARRETEL.
Como o cine estava lotado a bagunça lá embaixo foi geral. Enquanto Edmilson tentava corrigir o problema, o ajudante desceu com uma lanterna na mão e um cadeado na outra. Quando chegou mais-ou-menos no meio, tinha um grupo assoviando o sapinho. Ele focou a lanterna na direção e foi mesmo na cara de Diassis Aquino. Com a surpresa dos dois ao mesmo tempo, Waldefrance foi logo falando aborrecido:
- Mas Diassis. Você um rapaz tão educado. E não ter educação !
Depois de ter tomado uma vaia do público, Waldefrance foi subindo mais zangado do que rato dentro de garrafa. Naquele momento, Luís de Cícero Inácio jogou um picolé nas costas dele. Se Waldefrance soubesse hoje que foi Luís que jogou aquele picolé, era capaz dele enfartar.
Mas sem saber, o auxiliar voltou para o lugar que estava antes e perguntou:
- Quem foi o engraçadinho que fez isso?
Lá de baixo uma voz bem tímida respondeu:
- Foi eu.
- Eu quem?
- Eu ! Porra !
- Pois venha até aqui.
- É o que vai !
Edmilson tentando evitar um problema maior, ascendeu as luzes do salão e mandou seu ajudante subir.
Vejam a ironia do destino nesse causo. Alguns meses depois, Diassis, Zé Clementino e Murilo Teixeira, arrendaram o cinema  a Luís Proto e Diassis passou a ser patrão de Waldefrance.


MANDEI POR ELE AÍ - Por Mundim do Vale.

MANDEI  POR  ELE  AÍ.

Antônio de Pedro Preto, Chagas Chibata, Leoní Proto e Tracízio Araripe. Eram amigos de bebidas.
Uma vez Leoní ganhou uma quantia no jogo do bicho e Chagas Chibata pediu um dinheiro emprestado, para ser pago na semana seguinte. Leoní emprestou e no dia do pagamento Chagas não apareceu. O credor procurava o devedor, mas ninguém dava notícias.
Quando já estava com três meses, antônio de Pedro Preto adoeceu e não resistindo as lesões do fígado, foi a óbito.
No dia do velório os colega de bebidas estavam presentes faltando apenas Chagas.
Leoní num pé e outro sempre pensando:
- Eu sei que Chagas aparece, que ele não vai fazer uma desfeita dessa com o finado.
Quando já estava perto da hora do sepultamento, Chagas chegou mais desconfiado do que namorado de vendedora da Avon. Olhou para o finado, deu os pêsames para a família e nada de falar com Leoní.
O credor aproximou-se do devedor, colocou a mão no ombro e falou:
- Chagas. Cadê aquele negócio? Já tá com três meses e nada.
- Ôxenti omi ! E eu num mandei derna de oitubro.
- E você mandou por quem?
Chagas apontou para o defunto e disse:
- Eu mandei por ele aí. Ele num intregou não?

quarta-feira, 6 de março de 2013

014 - Nossas historias - Historias de varzealegrenses.

Há uma ligação sanguínea muito grande entre os do Sanharol em Várzea-Alegre e os da Palmeirinha, Malhada e Juá em Crato. 

Inicialmente dois filhos de José Raimundo do Sanharol, em Várzea-Alegre, se casaram com duas filhas de Eufrásio Alves de Brito, do sitio Malhada, em Crato. 

Vicente Alves Bezerra de quem descende os familiares de José Bezerra de Brito, professor Zurza Bezerra, que dar nome ao Ginásio da Ponta da Serra e Gabriel de Morais Rego que do seu primeiro matrimonia nasceu Eufrásia Morais de Brito que se casando do Macário Vieira de Brito deu origem a numerosa e nobre família Macário de Brito. 

Gabriel de Morais Rego ainda se casou duas vezes e é pai entre outros filhos de Vicente Bilé, Vitorino Bilé que residiam no sitio Malhada e Ana, que residia em Crato, José Bilé e Raimunda Bilé  residentes em Arneiroz.

Outra filha de José Raimundo do Sanharol, Maria Anacleta de Menezes se casou com Antônio de Brito Correia, do sitio Palmeirinha e dentre seus filhos citamos José Raimundo de Brito que se casou com uma sobrinha de sua mãe de nome Isabel Alves de Morais, de Várzea-Alegre, filha de Joaquim Alves de Morais e Tereza Anacleta de Menezes, desse casamento deu origem a numerosa família Morais de Brito do sitio Juá.

Antônio de Brito Correia enviuvou e se casou novamente com Leonarda Bezerra de Menezes, varzealegrense, sobrinha de sua primeira mulher e que foi batizada no dia do seu primeiro casamento. Irmã de sua nora Isabel.  

Observem a diferença de idade. Desse casamento nasceram 10 filhos entre eles Pedro Alves de Brito e Joaquim Alves de Brito, o conhecido Duquinco de Brito do sitio Palmeirinha em Crato. Em seguida quatro desses seus filhos se casaram com parentes de Várzea-Alegre, Pedro, Esmelinda, Belinha e Sandola matrimoniaram-se com Laura Morais e Silva, José Bezerra Mendes, José Alves Feitosa Bitu e José Raimundo de Menezes respectivamente, todos primos legítimos, entrelaçando mais ainda as duas famílias.

Certidões de casamento:

Aos vinte e nove de novembro de mil oitocentos e setenta e seis sem contar impedimento algum de José Alves Bezerra de licença minha casar os nubentos José Raimundo de Brito e Izabel Morais do Rêgo confessados examinados na doutrina cristã. Foram testemunhas João Alves de Menezes, Antonio Alves de Brito de que para constar mandei fazer este termo a que assino.

PE. Vicente Ferrer de Pontes – PCO.

Livro 3C – Casamentos - Capela de Várzea Alegre

Aos vinte e nove de novembro de mil oitocentos e setenta e seis sem contar impedimento algum de José Alves Bezerra de licença minha casar os nubentos Antonio de Brito Correia e Leonarda Bezerra de Menezes confessados e examinados na doutrina cristã. Foram testemunhas Eufrásio Alves de Brito e Vicente Alves Bezerra de que para constar mandei fazer este termo que assino.

PE. Vicente Ferrer de Pontes – PCO.

Livro 3C - Casamentos - Capela de Várzea Alegre – CE.

terça-feira, 5 de março de 2013

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

SECA  NO  SERTÃO.

Seu Doutor eu tou chorando
Com lágrimas de um roceiro,
Acabou-se fevereiro
E março tá começando.
Dezenove tá chegando
E tá desse jeito o chão,
É essa a situação
Que tou mostrando ao Senhor.
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  NO  SERTÃO.

Desça do carro importado
Venha ver de perto a fome,
Eu não he disse meu nome
Mas me chamo Zé Conrado.
Veja como está meu gado
Sem encontrar mais ração,
Sem levantar mais do chão,
Não faz pena Seu Doutor?
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  NO  SERTÃO.

A mulher vive a chorar
Sem ter nada na panela,
Mas hoje eu disse pra ela
Que a solução é rezar.
Se o a chuva não chegar
Nós vamos ao Maranhão,
No primeiro caminhão
Que passar no Mirador.
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  NO  SERTÃO.

Mas se São Pedro ajudar
Me mandando uma chuvinha,
Pra molhar minha terrinha
Eu juro que vou ficar.
Vou até me ajoelhar
Pra fazer uma oração,
Em forma de gratidão
Para pagar o favor.
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  DO  SERTÃO.

Já mandaram eu roubar santo
Para ver se faz chover,
Mas isso não vou fazer
Porque eu não me garanto.
Deixo o santo no seu canto
Pra não haver maldição,
Sou pobre, mas não ladrão
Não vou perder meu valor.
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  DO  SERTÃO.

Saquear não é direito
Porque vai de encontro a lei.
Eu até aconselhei
Conversar com o prefeito.
Acho até difícil um jeito
De encontrar solução,
Mas eu não vejo razão
De virar saqueador.
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  NO  SERTÃO.

Mundim do Vale.

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

VAI  VIRAR  UM  CINE  ODEON.

Manoel de Pedro do Sapo, tinha uma propriedade na Lagoa do Arroz, onde além de cocos, atas e caju, tinha ainda seis pés de cajaranas. Manoel muito generoso deixava que o pessoal tirassem as cajaranas, desde que não fossem derrubadas com varas e nem pedras, para não atingir as verdes.
Um dia e outro não, eu ia com Taveirinha e colhia uma cesta de cajaranas, Taveirinha subia e eu ficava embaixo com a cesta. Ele amarrava a penca num cordão e descia, eu desamarrava e eu devolvia o cordão pra ele. Nós já estávamos tão simpatizados pelo proprietário, que ele ainda dava um coco pra cada um.
Um dia nós estávamos tirando as cajaranas, quando chegou uma senhora da rua do São Vicente, acompanhada de uma garota que aparentava ter quinze anos.
Eu avisei das exigências do proprietário e elas concordaram. A tia olhou para sobrinha e ordenou:
- Lurdinha. Tu qui é mais nova sobe, qui eu fico ajuntando.
A mocinha, que usava vestido, Escalou a árvore pulando de galha em galha, que mais parecia um macaco. Chegou numas galhas onde tinha mais cajaranas, botou um pé numa galha e o outro noutra e ficou tentando pegar umas pencas.
Admirado com a agilidade da garota, eu resolvi dar uma olhada despretensiosa, na hora que eu olhei pra cima, a tia da garota aproximou-se de mim e gritou:
- Lurdinha !
- Quié tia?
- Desça já daí.
- Mais tia, agora é qui eu começar a tirar.
- Desça logo. Você num tá vendo qui o minino tá danado oiando pra riba não?
- E o que qui tem? Eu num tou sem calça.
A Zoada da tia atraiu outros meninos que estavam em outros pés de cajaranas. Chegando lá eles também olharam pra cima, para ver o que era que estava acontecendo.
E a tia insistia:
- Muié. Desça logo daí, qui já ta chei de minino oiando pra tu.
- E eu cum isso?
- Mais miá fia, nessa pusição qui tu tá, dá pra ver inté o coração. Tu quer qui o pé de cajarana de Mané do Sapo vire um Cine Odeon.

segunda-feira, 4 de março de 2013

CENSO DE TERRAS (Várzea Alegre: parte 02) - Por George Ney


CENSO DE TERRAS (Várzea Alegre: parte 02) - Por George Ney

Foi do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio a responsabilidade do Recensenceamento do Brasil no ano 1920. O que se publica agora é o rol das propriedades, 184 ao todo, que integravam o então município de Várzea Alegre. Observa-se que alguma parte dessa relação são de sítios ou fazendas atualmente pertencentes à sua vizinha-irmã Cedro.

PROPRIETÁRIO  -  PROPRIEDADE

101 - José Duarte da Silva - Brejo Novo
102 - Branco Correia Lima - Brejo
103 - Branco Correia Lima - Brejo Novo
104 - Severiano Correia Lima - Brejo
105 - Cecília Maria das Virgens - Bacupari
106 - Joaquim Alves da Costa - Sereno
107 - Pedro Leandro da Silva - São Caetano
108 - Joaquim Mariano - João Ribeiro
109 - José de Holanda Cavalcante - Mucuripe
110 - José Luciano da Costa - Fantasma
111 - Joaquim Moreira da Silva - União
112 - Antonia Teresa - Fechado
113 - José de Victes - Vara da Prensa
114 - João Alves Bezerra da Costa - Mundo Novo
115 - Vicente Costa  - Brejo
116 - José Correia Lima Sobrinho - Boa Vista
117 - Manoel Simeão da Costa - Cariuzinho
118 - João de Melo - Saco
119 - Leandro Correia Lima - Serraria
120 - Joaquim Bernardo M- Acauã
121 - Vicente Seabra - Forquilha
122 - Antônio Gonçalves da Silveira  - Atoleiro
123 - Honorio Vieira de Oliveira - Gato do Mato
124 - José Alves Bezerra - São Vicente
125 - Antônio Maceno da Silva - Mameluco
126 - Raimundo Inácio da Costa - Belém
127 - Vitorino Alves de Menezes - Lagoas
128 - Joaquim Sobreira Lima - Varjota
129 - Vitória Maria da Conceição - Riacho Verde
130 - José Vicente da Rocha - Ingazeira
131 - Joaquim Alves Bezerra - São Vicente
132 - Josefa Gonçalves Torres - Gato do Mato
133 - Manoel Fernandes - Alto Alegre
134 - Pedro Barão  - Fechado
135 - Sousa Gregório - Ubaldinho
136 - Vicente Ferro - Ubaldinho
137 - Celso Alves de Araújo Silva - Bela Vista
138 - Evaristo Araújo Silva - Riacho do Meio
139 - Manoel Vicente da Silva - Ubaldo
140 - José Vicente - Vaca Brava
141 - Antônio Guedes - Beleza
142 - João Cândido - Cedro
143 - Manoel de Moura - Umari Torto
144 - Antônio Afonso - Novo Horizonte
145 - Gabriel Diniz - Baixio
146 - José Alves Bezerra - Oitizeiro
147 - José Correia  - Olho d'Agua
148 - José Leite Filho - Olho d'Agua
149 - Antônio Duarte - Taboleiro
150 - Antônio José - Mamoeiro
151 - José Alves Bezerra - Mamoeiro
152 - Felismina Maria - Rua
153 - Alfredo Pinheiro - Marreca
154 - Gustavo Epifânio - Tanque
155 - Quirino Dutra - Assumção
156 - José Bernardino - Várzea Feia
157 - Pedro e João Correia - Sobradinho
158 - Antônio Alves da Silva - Lagoa do Mato
159 - Manoel Duarte da Silva - Barra do Jacú
160 - Antônio Francisco de Oliveira - Caiçara
161 - Glória Maria da Conceição - Caiçara
162 - José Duarte Vicente - Várzea Redonda
163 - Antônio Dutra - Barra do Jacú
164 - José Alves do Espírito Santo - Fazenda Nova
165 - Norvina Maria do Espírito Santo - Fazenda Nova
166 - Antônio José de Oliveira - Baixio da Furna
167 - Antônio da Costa Vieira - Curral da Várzea
168 - Raimundo Alves de Oliveira - Francisquinho
169 - Antônio Gomes de Sousa - Francisquinho
170 - Madalena Fernandes Vieira  - Taquari
171 - Joaquim José de Sousa - Fechado
172 - José Manoel da Silva - Curral da Várzea
173 - Miguel Paulo da Silva - Defuntos
174 - Manoel Gonçalves Torres - Defuntos
175 - Mariano Alves de Sousa - Lagoa da Onça
176 - Rafael Alves de Oliveira - Recanto
177 - Constantino de Oliveira - São Miguel
178 -  Miguel da Costa Vieira - Buraco d'Água
179 -  Miguel da Costa Vieira - Buraco d'Água
180 - João Fernandes Teixeira - Buraco d'Água
181 -  Cel. Joaquim Alves dos Santos - Alto Alegre
182 -  Joaquim Alves de Oliveira - Parnaíba
183 -  José Leonardo de Matos - Jacú
184 - Cel. Joaquim Alves dos Santos - Jacú

CENSO DE TERRAS (Várzea Alegre: parte 01) - Por George Ney


CENSO DE TERRAS (Várzea Alegre: parte 01) - Por George Ney

Foi do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio a responsabilidade do Recensenceamento do Brasil no ano 1920. O que se publica agora é o rol das propriedades, 184 ao todo, que integravam o então município de Várzea Alegre. Observa-se que alguma parte dessa relação são de sítios ou fazendas atualmente pertencentes à sua vizinha-irmã Cedro.

PROPRIETÁRIO  -  PROPRIEDADE
1 - Antônio Ferreira - Alto
2 - José Correia Lima - Baixio do Exú
3 - Antônio Correia Lima - Umari
4 - Matias Alves Bezerra - Varzante
5 - Antônio Alves Bezerra - Grossos
6 - João Alves de Almeida - Grossos
7 - Pedro José de Sousa - Grossos
8 - Joaquim Vieira da Silva - Brejinho
9 - Amélia de Carvalho Pimpim - Brejinho
10 - José Leandro da Silva - Queixada
11 - Victor Caldas de Oliveira - Cachoeira
12 - João de Caldas Filho - Umari
13 - José Vicente da Costa - Cajazeiras
14 - Antônio Vieira da Silva - Brejinho
15 - Pedro de Sousa Lima - Cajazeiras
16 - Antônio Primo Correia - Baixio
17 - Pedro Pereira de Sousa - Forquilha
18 - Maria Leandra - Medeiros
19 - José Bezerra da Costa - Varas
20 - Raimundo Alves Bezerra - Cajazeiras
21 - José Bezerra Sobrinho - Buenos Aires
22 - Caetano Afonso da Silva - Caldeirões
23 - Honorato Raimundo de Araújo - Queixada
24 - Raimundo Vieira - Umari
25 - Agostinho Alves Bezerra - Lagoas
26 - José Vitorino Bezerra -  Lamarão
27 - Raimundo Carlos - Umari
28 - Cícero Duarte - Barreiros
29 - Vitorino Alves de Menezes - Lagoas
30 - João Alves Feitosa Bitú - Lagoas
31 - Antônio Nunes de Almeida - Boa Sorte
32 - João Doca - Cachoeira
33 - Manoel Alves Bezerra - Caraíbas
34 - Pedro Alves da Costa Filho - Baixio Verde
35 - Pedro Vieira da Costa - Boa Sorte
36 - José Gonçalves Cassundé - Caldeirões
37 - Vitorino de Sousa - Varas
38 - Ana J. de Sousa - Varas
39 - Vitorino de Sousa - Varas
40 - Tibúrcio Bezerra de Morais - Varas
41 - José Raimundo Nonato de Morais - Coité
42 - Vicente Caetano - Rosário
43 - Pedro Alves de Lima - Rosário
44 - José Leandro Correia - Barro Vermelho
45 - Antônio G. de Oliveira - Rosário
46 - Antônio Alves Bezerra - Melosa
47 - Manoel Amâncio de Oliveira - Arraiaes
48 - Ana Moreira - Bebedouro
49 - Joaquim Alves Bezerra - São Cosme
50 - Gregório de Caldas - Bebedouro
51 - Pedro de Caldas Filho - Bebedouro
52 - Manoel Cazuza - Forquilha
53 - Raimundo Bezerra de Moura - Forquilha
54 - Gustavo de Caldas - Timbaúba
55 - Fausto Ferreira - Taboleiro
56 - João de Sousa - Jatobá
57 - José Alves Bezerra - Varas
58 - Pedro Bezerra da Costa - Varas
59 - Pedro Bezerra da Costa - Umari
60 - José de Freitas - Mocotó
61 - Raimundo Soares - Carrapateira
62 - Damião Soares - Carrapateira
63 - João Joaquim da Silva - Caiana
64 - Francisco Salviano - Extrema
65 - Raimundo Gomes - Poço dos Paus
66 - Gervásio Xavier - Poço dos Paus
67 - André José Duarte - Lagoa Seca
68 - Manoel Tomás - Exú
69 - Renovato da Silva - Exú
70 - João Marinheiro - Exú
71 - José Alves - Caiçara
72 - José Garcia - Fundão
73 - Antônio Martins - Fundão
74 - José Xavier - Malhada de Juá
75 - Cirilo Alves Bezerra - Lagoa do Arroz
76 - Benedito Gomes Fiúza - Chico
77 - Vicente Vieira da Costa - Chico
78 - Manoel Bastos de Oliveira - Ingazeira
79 - Ana Francisca de Morais - Chico
80 - José Joaquim da Silva - Chico
81 - Manoel Leandro Bezerra - Sanharol
82 - Pedro Alves de Morais - Sanharol
83 - Isabel Britto Bitú - Sanharol
84 - Raimundo Nonato de Morais - Panelas
85 - Ildefonso Correia Lima - Panelas
86 - Pompeu Costa de Oliveira - Varzante
87 - Manoel da Costa Oliveira - Riacho Fundo
88 - Pedro de Pinho Vieira - Piripiri
89 - Manoel Camilo - Cachoeira d'Antas
90 - Carlos Gomes de Alencar - Baixio
91 - José Alves Bezerra Mendes - Iputi
92 - Raimunda Morais do Rego - Roçado de Dentro
93 - João Alves de Oliveira - Boa Vista
94 - Raimundo Duarte Bezerra - Coqueiro
95 - Sérgio Costa de Oliveira - Riacho Verde
96 - Gabriel Morais do Rego -  Panelas
97 - Agostinho Morais do Rego - Panelas
98 - Maria J. Correia Lima - Ipiranga
99 - Francisco Pedro da Costa - Brejo
100 - Maria Alves Bezerra - Brejo Novo

Fonte: IBGE - George Ney

"CHARANGA" - Mario Leal


Um dos aspectos culturais proeminentes que deve ser relevado para justificar a pujança do carnaval de Várzea Alegre de agora, foi sem sombra de dúvidas a “charanga”.

Tudo começou no ano de 1966, morava lá, muito embora estudasse interno no Seminário do Crato e juntamente com meu compadre Marconi Proto, Luiz Filho, Norberto Rolim, Pedeco, Joemilton, Nilton de Dudu, Reginaldo, Célio, Tércio e César Costa, Joãozinho e Raimundinho Piau, dentre outros, nos reunimos detrás da Igreja de São Raimundo Nonato, munidos de um rádio, taróis, triângulos, surdos, chocalhos e colheres (tocadas por aqueles que não tinham ritmo) e fogos de artifício para assistirmos aos jogos da Copa do Mundo. 

Em verdade, não era fácil torcer pelo Brasil naquele tempo. As transmissões eram feitas em ondas curtas de rádio, às vezes inaudíveis, deixando-nos ainda mais nervosos.

O Brasil estreou contra a Bulgária e vencemos por 2xO, com gols de Pelé e Garrincha, ambos na cobrança de faltas. O jogo seguinte foi um desastre, Sem Pelé, Zito e Fidélis, enfrentamos a Hungria e perdemos por 3x1. Restava Portugal, a sensação da Copa e perdemos também por 3X1. Saímos dali arrasados, entretanto, daquele fracasso, surgiria a fanfarra. (CHARANGA).

Já no ano seguinte, 1967, com os mesmos instrumentos (surdos, taróis, tamborins, chocalhos, etc.) utilizados naquele fracasso formamos o primeiro grande bloco urbano da cidade, dando origem a Escola de Samba “Charanga” que teve destaque inolvidável no final da década de 60 e início dos anos 70, animando os carnavais da terra de Papai Raimundo. 

Para enfrentar a “Unidos do Roçado de Dentro” que tinha o afamado sanfoneiro Pedro de Sousa como timoneiro musical, trouxemos para a Charanga, nada mais nada menos do que o compositor José Clementino que desfilou na escola com a marchinha, cujo refrão, estampava nas estrofes, certo ar de contenda: “Os Generais do Samba, agora vão desfilar, os Generais do Samba, agora vão sambar... Olha a Charanga vem aí, agora sei que vou me divertir, ela é a bamba, ela é a tal, sem ela ninguém brinca carnaval”. 

Creio que o compositor queria com aquela letra satirizar o governo ditatorial de 1964 onde só deu general. (Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médice, Ernesto Geisel e João Figueiredo).

Foi assim, que no final da década de 60, a Charanga e o Lions Clube de Várzea Alegre, que tinham em suas presidências, respectivamente, o estudante Célio Costa e o médico José Colares passaram a organizar os carnavais de clube no antigo CREVA – Clube Recreativo de Várzea Alegre, cuja sede estava precariamente instalada no casarão pertencente à tradicional família “Pimpim”, na Rua Major Joaquim Alves com o Beco de Gobira. 

Posteriormente, a festa de carnaval foi transferida para o Recreio Social, localizado na parte térrea da Prefeitura, para tempos depois, voltar ao CREVA, em sua sede própria, construída através do gigantesco esforço dos médicos Pedro Sátiro e Iran Costa. Hoje o carnaval de Várzea Alegre é feito na rua.

Na verdade o carnaval varzealegrense, a cada ano que passa, fica mais atraente o me faz sentir muitas saudades... Lembrança de minha velha “CHARANGA”... Do Creva antigo e do Recreio Social... Dos amigos Tércio Costa e Joãozinho Piau que já se foram. Dos confetes e das serpentinas... Dos velhos carnavais... Dos velhos tempos que não voltam mais...

Mario Leal

sábado, 2 de março de 2013

CAUSO LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.


A SENTENÇA DE SÃO BRAZ

Os católicos da terra do arroz passaram muitos anos adorando São Braz, pensando se tratar de São Raimundo Nonato, padroeiro da cidade. Este engano serviu até de inspiração para um dos contrastes de Várzea Alegre.
Com a chegada de um padre novato foi reconhecido o engano, causando uma revolta nos fiéis do padroeiro. Depois que a notícia espalhou-se São Braz ficou
mais antipatizado do que parlamentar que recebeu o mensalão.
Um grupo de católicos se dirigiu a casa paroquial para falar com o novo vigário,
a fim de que ele tomasse uma providência para dar um fim no santo intrometido
e que providenciasse imediatamente um verdadeiro São Raimundo.
O líder do grupo chegou para o vigário falando:
- Seu vigário. Esse tal de São Braz enganou a nossa boa fé, furtou as nossas orações, fez pouco das nossas promessas e ainda surrupiou as nossas esmolas. Vai ser preciso dar um corretivo nele e botar um  São Raimundo no lugar.
O vigário muito sereno respondeu:
- Calma meu filho! Eu vou providenciar o verdadeiro padroeiro e transferir as orações de vocês junto com o Senhor bispo no dia da benção. Mas São Braz
pode  ficar, porque numa igreja pode ter vários santos.
Os fiéis saíram sem gostar nem um pouco da proposta do novo vigário e foram logo tratando de desenvolver uma maneira de resgatar o santo impostor para castigá-lo.
No dia da chegada do padroeiro verdadeiro, a cidade fez uma festa, e como havia sido combinado, o bispo do Crato veio para benzer a imagem. O Senhor bispo estava preparando o cerimonial, quando chegou o grupo de revoltosos e pediu para falar com ele, O bispo mandou que entrasse e o líder foi logo beijando a mão dele e dizendo:
- Senhor  bispo. Nós estamos aqui em comissão para pedir ao Senhor que deixe nós levar esse santo que tava no lugar do nosso, para botar na capela do Socorro, que não tem nenhum. O bispo concordou sem saber a intenção daqueles justiceiros. Eles saíram todos à cavalos de frente da igreja, já levando o santo impostor na lua da cela do líder do grupo, que já ia dando cocorote e dizendo:
- Caba atrevido!
Quando chegaram no sítio Brejo, julgaram e condenaram sumariamente o pobre santo a pena de morte por apedrejamento, pelo crime de falsidade ideológica. Quebraram o condenado em mais de vinte pedaços e jogaram no açude.
Depois do CUMPRA-SE,  um dos executores olhou para as borbulhas na água e disse:
- Tu tá vendo Braz? Isso daí é pra tu nunca mais querer passar Raimundão pra trás.
 
Um ano depois o bispo voltou à Várzea Alegre e comunicou aos fiéis que o santo que estava como São Raimundo era o Santo Ambrósio.
O mesmo grupo da execução dirigiu-se ao bispo e pediram para falar com ele.
O bispo mandou que entrassem e o líder foi logo beijando a mão dele e falando:
- Senhor bispo nós estamos aqui em comissão para pedir perdão pelo pecado que cometemos.
- E qual foi o pecado filho?
- Nós queríamos castigar São Braz e matamos foi Santo Ambrósio. O Senhor bispo perdoa nós.
Filho. O pecado de vocês foi muito grave, mas eu posso transformar a pena em multa se vocês trouxerem 30 quartas de arroz para o padroeiro.
Dizia os mais velhos que o grupo foi perdoado mas ninguém sabia dizer se São Raimundo comeu aquele arroz sozinho.

ATENTADO AO PUDOR - Por Mundim do Vale

TERREIRO  DE  GALO  GRANDE.

Zé do Crato, ( Já não precisa mais dizer a naturalidade dele ) Chegou em Várzea Alegre por volta de 1948, conforme a fonte que me informou. Pequeno, magro e ágil, era a figura de um toureiro.
Zé pediu emprego ao meu avô Joaquim Piau no serviço do roçado e foi logo admitido. Era ele o que mais produzia; Trabalhava muito e conversava pouco, mas nunca ninguém viu ele rezar um Padre Nosso antes de dormir. Passava de domingo a sábado na Vazante e só no sábado de noite sai para a rua e só retornava no domingo. Já estava com três meses nessa rotina, quando aconteceu esse causo.
Zé saiu no sábado de noite para a rua e lá chegando tomou umas cachaças. Uma hora lá meu tio Zé Piau encontrou-se com ele e falou:
- Zé do Crato. Vamos subir !
- Não. Eu só vou amanhã, pruque eu tem umas coisa prumode resover.
No domingo cedinho meu avô estava fechando um cigarro de fumo, quando ouviu um barulho de animal no terreiro. Foi até uma janela e viu que o cavaleiro era seu primo Matias, delegado civil de Várzea Alegre.
Logo que Matias viu Joaquim Piau foi logo dizendo:
- Primo eu preciso falar com você.
- Pois não. Amarre o cavalo na cerca e suba para tomar café com cuscuz. O delegado tomou o café e logo que acabou disse:
- Primo. O assunto é sobre Zé do Crato. Ele ontem de noite tava puxando fogo e não teve o que fazer, ficou naquela praça do lado da casa de Adélia Pimpim, fazendo esculhambação, descia as calças  e ficava com os documentos de fora. Eu só não vou botar ele na cadeia, em consideração a você.
Meu avô agradecido falou:
- Primo eu agradeço a sua atenção  e lhe asseguro que a partir de hoje Zé do Crato não trabalha mas na Vazante.
Logo que o delegado saiu, chegou Zé com uma malota da mão.
O patrão disse:
- Zé. Eu preciso falar com você. Eu estive conversando com Matias e ele me contou que você andou fazendo esculhambação na rua. O que você fez é atentado ao pudor, dar cadeia.
O empregado interrompeu:
- Eu sei, Seu Piau, Máis eu quiria qui o sinhor iscutasse eu. O siguinte é esse; É divera qui eu tava fazendo aquilo, máis ninguém via não, pruque era tarde da noite. Só quem via mermo era a impregada de Dona Adélia. Todo sabo qui eu chegava lá, ela dicia pru quintal e ficava arreparando eu amostrar. Máis quando foi onte qui eu amostrei, foi qui eu dei fé qui seu Matia tava nu máis ela dento do quintal.
Máis eu vou simbora Seu Piau. Pruque im terreiro qui tem galo grande, buguelo piqueno num se mete a besta.

sexta-feira, 1 de março de 2013

GRANDE EVENTO EM VARZEA ALEGRE - Por Claude Bloc

CERIMÔNIA DE ENTREGA DAS MEDALHAS PAPAI RAIMUNDO

Dia 27 de agosto de 2011, alguns  cidadãos varzealegrenses reconhecidos pela população foram agraciados com MEDALHAS na cerimônia de entrega da Medalha Papai Raimundo. Como convidada para o evento, me surpreendi com o público numeroso e vibrante, coisa rara nos dias de hoje. Todos ali estavam imbuídos em prestigiar os homenageados com um calor sincero de amizade e apreço.

Me comovi, em alguns instantes com as histórias de cada representante da cidade que compunha aquela mesa, pela sua participação ativa na vida de Várzea Alegre trazendo à cidade o brilho e o sucesso. 

Ouvi atenta todos os relatos. Muitas dessas pessoas, viveram uma infância humilde e mesmo assim, conseguiram com honradez galgar uma trajetória de sucesso trazendo seu nome e seu trabalho como contribuição para o engrandecimento do nome da cidade por outras plagas mais distantes.



A plateia acompanhava atenta. A cada minuto um sorriso, uma lembrança, um aplauso.


Histórias que ouvi junto  com os varzealegrenses aprendendo a admirá-los pelos seus feitos e pela sua simlicidade.


Depois da entrega das medalhas, era hora de dividir com a família as emoções do momento.