VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Prefeitos de Várzea Alegre - Memória Varzealegrense

17º - De 1959 a 1963 - Dr. DÁRIO BATISTA MORENO


Nasceu aos 14 dias do mês de setembro do ano de 1927, no Sítio Boa Sorte – Várzea Alegre, era filho de Vicente Batista Moreno e Arlinda Batista Moreno. 

Era casado com Maria Socorro Bitu. Deixou quatro filhas: Carmem Daria, Maria Aparecida (falecida), Fabíola Batista Moreno (advogada), Ana Valéria Batista Moreno (advogada) e Carolina Batista Moreno (estudante). Era formado em Direito, pela faculdade Federal de Recife. 

Foi Promotor Público em várias Comarcas do Estado do Ceará e na Capital, atingindo a última hierarquia da Organização do Ministério Público como Procurador de Justiça do Estado do Ceará. Foi Diretor do Ensino do Primeiro Grau do Estado do Ceará. Foi eleito Prefeito Municipal de Várzea Alegre pelo PSD, em 1958 contra o candidato José Gonçalves Carvalho do partido UND, com a maioria de 198 votos. Sua gestão foi de 1959 a 1962. Ausentou-se no último ano do seu mandato para a cidade de Recife, sendo substituído pelo Vice José Alves de Lima (Zé de Ginu). 

Foi candidato a deputado estadual pelo Estado do Ceará em 1970, não sendo eleito. Era Diretor da Associação dos Profissionais Liberais Universitário do Brasil (APLUB), no Estado do Rio Grande do Sul, foi professor do Liceu do Estado do Ceará, em Fortaleza e Diretor do Centro Educacional São Raimundo Nonato em Várzea Alegre. Morreu no dia 07 de novembro de 1997.

Fonte: Prefeitura de Várzea Alegre

019 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

E  QUEM  FOI  QUE  TIROU?

No ano de 1971, na nossa perquena Várzea Alegre, ainda não tinha chegado as Margarinas.
Os pães e as  tapiocas  eram  servidos  com  manteiga  Itacolomy  ou da terra   ( Manteiga de nata. ) As vilãs dos problemas cardíacos.
Dona Iracema Viana, conhecedora do alto risco que aquelas manteigas causavam, tinha sempre o cuidado de ser ela própria a passar a manteiga nos pães para não  expor as crianças.
Um dia ela passou os pães, pôs na mesa para as crianças e foi ferver um leite, quando o poeta Paulo Viana gritou:
- Mãe! Quem foi que passou manteiga no meu pão.
A cuidadosa mãe respondeu:
- Fui eu. Meu filho.

- E quem foi que tirou?  

quinta-feira, 9 de maio de 2013

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

LEMBRANDO  SOUZA  SOBRINHO.

Um ano já se completa
E a saudade me lembrou,
Que o Sertão emprestou
Para Deus um bom poeta.
Souza cumpriu sua meta
E o Sertão perdeu um filho,
Mas o céu ganhou mais brilho
Na cultura popular.
Se um poeta gaguejar
Souza coloca no trilho.

A coisa que ele queria
Em versos foi registrado,
Que era ser sepultado
No lugar onde vivia.
O que o poeta pedia
Era com toda razão,
Não coube contestação
Ficou mesmo onde nasceu.
Onde cresceu e viveu
No seu querido Sertão.

Já deve ter encontrado
Com seu amigo Bidim,
Pedro Souza e Mestre TIm
Para um forró animado.
Se no céu for liberado
Xote, xaxado e baião,
Gafieira de salão
Souza procura Bié,
Pra mostrar a São José
Como era bom o Sertão.

Se já achou Damião
Já pode esticar o pano
Que o boneco esse ano
Vai ser para São João.
O tocador é Brandão
E o público é so de anjinho,
Mas não vai ter o Joãzinho
Que ele é muito imoral.
E quem vai botar moral
É o vate Souza Sobrinho.

Lá no céu tem alegria
E o poeta tá gostando,
Vez por outra recitando
Uma bela poesia.
Mas o que a gente queria
No desejo mais profundo,
Nem que fosse num segundo
Era o poeta voltar,
Pra seus versos recitar
Na terra de São Raimundo.

Mundim  do  Vale

Fortaleza – ceará.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

O  RIACHO  DO  MACHADO
                                                         
Isso é memória 

Nesse verso eu vou falar
De uma rara beleza
Um rio do meu lugar
Bonito por natureza.
Tem a forma de serpente
Quando desce com a enchente
O vale fica molhado.
Quem esse verso escutar,
Já pode até apostar
NO  RIACHO  DO  MACHADO.

Nasce lá no Mameluco
Mas não fica em seu lugar
Vai fazendo vuco-vuco
Com vontade de chegar.
Quando ele está mais sereno
Desce aguando o terreno
Deixando o vale alagado.
Mas quando fica nervoso,
Se o cabra for medroso
NÃ ATRAVESSA O MACHADO.

O machado é quem agoa
A plantação da Ribeira
Enchendo poço,  lagoa,
Açude e cachoeira.
Quando desce aquela enchente
O povo fica contente
Vendo o roçado Molhado.
Zé Inácio no Serrote,
Enchia cabaça e pote
COM AS ÁGUAS  DO MACHADO.

Sua água quando desce
Seguindo naquela trilha
A gente olhando parece
Com a oitava maravilha.
As águas vão aumentando
E os meninos preacando
Deixando os pais com cuidado.
Na ribanceira uma pluma,
Formada pela espuma
DO RIACHO DO MACHADO.

O riacho segue adiante
Com força de furacão
Passa em roçado e vazante
Molhando aquele sertão.
Assim que começa o dia
Alimenta a fantasia
De um menino danado.
Que dando uma de artista,
Olha as moças da Boa Vista
SE BANHANDO NO MACHADO..

Vai seguindo pela margem
Sem precisar motorista
Já passou pela Barragem
E o  sítio Boa Vista.
Agora tem o prazer
De ser o primeiro a ver
O quadro mais cobiçado.
As moças do Sanharol
De maiô tomando sol
NAS AREIAS DO MACHADO..

O riacho tem história
Para contar no presente
É só puxar a memória
Dessa nossa boa gente.
Sua água já lavou
A mentira que ficou
Que Jesus foi intimado.
Padre Otávio a muitos anos
Batizou paroquianos
COM AS ÁGUAS DO MACHADO..

Os banhos da Ipueira
Ou da ponte lá  dos Grossos
É maior brincadeira
Para os conterrâneos nossos.
É bem verdade o perigo
Aquele mais atrevido
É bom que tenha cuidado.
Mas os que lá se afogaram,
Lá do céu já perdoaram
O RIACHO DO MACHADO

O machado foi quem deu
O nome para o seu vale
Quem a história aprendeu
É bom que nunca se cale.
Ele é parte da cultura
Também da agricultura
Desde outro tempo passado.
Basta lembrar um segundo.
Que também Papai Raimundo
TOMOU BANHO NO MACHADO..

Alimentou nosso irmão
Com traíra e com piau
Ajudou o cidadão
Também no artesanal.
Eu me lembrei nesta rima
Que até matéria prima
Por ele não foi negado.
Zé negrão sempre fazia,
O barro da olaria
COM AS ÁGUAS DO MACHAD.

Tá presente ao alimento
Da nossa população
Chega até com cem por cento
Na lavoura do feijão.
Também aumenta a fartura
Na latada de verdura
E molha o pasto do gado.
Até no baião de dois
Da boa terra do arroz
TEM DA ÁGUA DO MACHADO.

Até quem está distante
Do Machado não esquece
A lembrança é uma constante
A saudade sempre cresce.
A gente vê o riacho
Correndo de leito abaixo
Sonhando mesmo acordado.
Eu estou em Fortaleza,
Mas não esqueço a pureza
DO RIACHO DO MACHADO

Quando se fala em turismo
Só pensam no litoral
É a indústria do egoísmo
Defendendo o seu real.
É um povo sem noção
Que não conhece o sertão
E só ver o outro lado.
Mas um dia eu vou levar,
Meus amigos pra olhar
O MEU VALE DO MACHADO.

Bezerra de Morais
Fortaleza  -  Ceará

018 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

DIFICUDADES  DA  VIDA.

Num ano ruim de inverno, Chico de Zé Joaquim preparou uma roça no Sítio Unha de Gato e o que conseguiu colher, foi uns gerimuns de leite. Gerimum de leite em inverno ruim, fica com a aparência de banguela com trombose.
Um dia chico chegou em casa com os gerimuns e foi colocando numa dsipensa, quando seu pai perguntou:
- Chico o qui é qui tu vai fazer cum esses girmum:
- Eu vou levar sabo, prumode vender na feira da Rajalegue.
- Apois eu duvido qui você venda, meu fí. Girmum de inverno fraco, é qui nem purgante, nnguém quer nem dado.
- É as dificulidade da vida.
No sábado Chico acordou de madrugada, botou a cangalha e dois caçuás  no jegue e colocou uma duzia de geremum em cada caçuá. Montou no meio da carga e subiu a serra do Gravié. Passou na cruz de Maria de Biu, fez o sinal da cruz e continuou descendo a serra.
Quando se aproximava do Sítio Canto, um cachorro atravessou a estrada, o jegue assustou-se e derrubou Chico, os caçuás e os gerimuns.
João Martins segurou o jegue, amarrou numa cerca e subiu para ajudar Chico a recolher os geremuns que tinham ficado inteiros. Depois da carga arrumada com dez Gerimuns, João perguntou:
- Chico. Ainda qui má pregunte. Esses girmuns é pra dar de presente?
- É não, Joaquim. Eu vou levando é pra vender na feira.
- Apois pode ficar certo qui num vai vender nenhum.
- Pruque omi?
- Pruque o  povo num compra girmum de inverno fraco não.
- É as dificulidade da vida.
Chico montou novamente e desceu na direção da cidade.
Quando passava no Sanharol, Raimundo Bitu ofereceu um café. Chico encostou o jumento no pé da calçada, tomou o café e conversou um pouco com Raimundo e Cotinha. Quando montou no jumento, vinha passando uma jumenta  o jegue fez o mesmo serviço, derrubou Chico e a carga e sumiu atrás da jumenta, deixando apenas dois gerimuns inteiros.
Chico guardou os caçuás, botou  os dois gerimuns  debaixo dos braços e foi se despedindo, quando Cotinha falou:
- Mas foi danado em Chico? Só ficaram esses dois. Mas se você quiser uns dez gerrimuns ruins, iguais a esses seus você pode pegar ali na roça de Raimundo.
- Pricisa não Cotinha. Eu num tem nem, cuma levar, pruque meu jegue saiu atrás daquela jumenta e eu num sei onde ele foi isbarrar.
Cotinha não perdeu o humor:
- Pois é, e parece que o namoro dos dois deu certo.
- É as dificulidade da vida.
Chico partiu com os dois gerimuns restantes, quando chegou na rua Dr. Leandro, encontrou Belizário vendendo fumo, que foi logo perguntando:
- Vai levando esses girmuns pra quem, Chico?
- Vou levando pra ver se vendo ali no meicado.
- Vende não. Você tá levando cão pro inferno, qui o pau qui tem no meicado, é essa desgraça.
- É as dificulidade da vida.
Quando Chico foi entrando no mercado encontrou Vicente Grande no portão, que perguntou de inpacto:
- Os girmuns é pra vender, Chico?
- É.
- Quanto é os dois?
- É dez mil réis.
- Apois decá, qui quando for sabo eu pago.
Chico entregou e voltou na mesma pisada, quando passava novamente na Dr. Leandro, Belizário perguntou:
- E aí Chico. Vendeu os girmuns?
- Vendí fiado a Vicente Grande, ele dixe qui paga sabo.
- Paga uma ova !
- Pruque omi?
- Pruque Vicente Grande num paga a gente vivo não.
- É as dificulidade da vida.
Você estão curiosos para saberem que o que aconteceu com aquele jegue. Pois eu vou dizer:
- Eu acho que ele terminou casando com a jumenta e foram passar a lua de mel na Lardânia, porque Chico nunca mais teve notícia daquele jumento.

Eu garanto que  aquele jegue não está com dificuldade de vida.

Fonte: Luiz Lobo.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

SÃO  COISAS  DO  MEU  TORRÃO.

Respondendo ao poeta Gean, conforme ele pediu.

Gean Claude foi passar
As férias na nossa terra,
Viajou fazendo guerra
Sem dinheiro pra gastar.
Na bagagem um celular
No bolço nem um tostão,
Podia faltar razão
Mas não faltava bebida.
Essas histórias de vida
SÃO  COISAS  DO  MEU  TORRÃO.

Chegando de madrugada
Não encontrou nada aberto,
Nem mesmo o bar de Alberto
Pra tomar uma lapada.
Mas não desistiu por nada
Desceu lá do calçadão,
Com a mochila na mão
E foi bater no Mercado,
Para deixar registrado
AS  COISAS DO  MEU TORRÃO.

Na chegada do mercado
Já fica logo bebendo,
Só ele fica sabendo
Que vai ficar pendurado.
Mas vai pedindo fiado
Depois chama Luizão,
Para cantar um baião
E a conta vai aumentando.
Só Gean fica gostando
DAS  COISAS  DO  MEU  TORRÃO.

Deixa a conta pendurada
E segue pra padaria,
Pega lá a mincharia
Vola na mesma pisada.
Mas avista na calçada
Dr. Carlos seu irmão.
Diz: - Carlinos não vá não
Contar isso pra Senhor.
Isso aqui é só humor
DAS  COISAS  DO  MEU  TORRÃO.

Na busca pela bebida
Vai parar em Dakson Aquino,
Diz: - Eu sei que esse menino
Tem cana boa escondida.
O gosto da minha vida
É conhaque de alcatrão,
Misturado com limão
Sem ser preciso eu pagar.
Se outro dia eu voltar
VOLTO  PRA  ESSE  TORRÃO.

A Gean foi perguntado
Se o Mundim, tinha visto,
Disse: - Vi igual a Cristo
Com um ladrão de cada lado.
Ele tava no mercado
Com um gravador na mão,
Para gravar um mourão
Da dupla de violeiro.
Se ele ficar sem dinheiro
SÃO  COISAS  DO  MEU  TORRÃO.

Mundim do Vale.

sábado, 4 de maio de 2013

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do vale.


GALOPE  À  BEIRA  MAR.

Mundim do Vale x Sávio Pinheiro.

Mundim:
Eu sou da Ribeira, nascido no mato
Não fui a colégio, não tenho estudo,
Mas para rimar, eu nunca fui mudo
Respeito poeta, conforme seu trato.
Costumo rezar, mas não sou beato
Mas vou a igreja, para comungar,
Não fui bom aluno, na minha escola,
Mas sou campeão, no planger da viola,
CANTANDO GALOPE, NA  BEIRA  DO  MAR.

Sávio:
Nasci no sertão, É nele que eu vivo
Mas fui indicado, para academia,
Deixar meu lugar, é o que menos queria
Pois sei que poeta, é sempre um arquivo.
Defendo o cordel, sem ser possessivo
Pois tenho dever, de olhar outro lado,
Além de poeta, sou médico formado
Que tenho o dever, de curar o doente.
Mas quando aparece, um poeta na frente
EU  CANTO  GALOPE, NO VELHO  MACHADO.

Mundim:
Eu rimo galope, seguro no tema
Não vou à cavalo, mas ando ligeiro,
Eu vou provocar, o Sávio Pinheiro
Mas ele vai ter, que seguir no meu lema.
Saber o romance, da índia Iracema
Que foi escrito, por Zé de Alencar,
Ele tem que rimar, mas sem decorar
Pra ver de nós dois, quem foge da raia.
Eu quero um debate, na beira da praia
CANTANDO  GALOPE, NA  BEIRA  DO  MAR.

Sávio:
Eu canto no Vale, sem ser do Mundim
Pego o meu barco, e desço no rio,
Cantando o sertão, no meu desafio
E mandando chamar, o poeta Joaquim.
Eu só respeitava, o poeta Bidim
Que era daqui, o mais afamado,
Eu nunca fugi, de poeta zangado
Como se acha, O Mundim do Vale.
Eu posso fazer, com que ele se cale
LHE  DANDO  UMA  SURRA, NO  VELHO  MACHADO.

Mundim:
Não quero desculpas, nem dou meu perdão
Porque o meu lema, é a rima segura,
Sou bom no galope, sou bom na cultura
Dr. Sávio tem, que seguir meu rojão.
Sou peixe Piau, mas não sou do pirão
Não sou bom de briga, mas sou de rimar,
O poeta Sávio, vai ter que aceitar, 
Que os versos que faço, é coisa sem fim.
O melhor a fazer, é ouvir o Mundim
CANTANDO  GALOPE, NA  BEIRA  DO  MAR.

Sávio:
Eu sou o melhor, no verso e no canto
Falar em poeta, eu sou o primeiro,
Mundim é poeta, de cantar em terreiro
Ele diz que é bom, mas não chega a tanto.
Na quadra sou bom, no mourão me garanto
Não rimo baláio, e nem pé quebrado,
Mundim em galope, já foi derrotado
Mas vou dar uma chance, porque sou amigo.
Abaixe a cabeça, e aprenda comigo
A  CANTAR  UM GALOPE, NO  VELHO  MACHADO.

Mundim:
Poeta doutor, não seja valente
Porque valentia, não vence a disputa,
Eu tou preparado, não fujo da luta
Mas nossa disputa, é só no repente.
Eu sei que seu verso, não é envolvente
Mas você é teimoso, e pretende ganhar,
Se quer um conselho, vá receitar
Que você vai achar, o seu ideal,
Mas fique sabendo, que eu sou o tal
CANTANDO  GALOPE,  NA  BEIRA  DO  MAR.

Sávio:
Eu canto galope, e curo um irmão
Que esteja doente, em um hospital,
É uma ação, intencional
Que faço com gosto, ganhando ou não.
Se for um carente, não cobro um tostão
Mas se for o Mundim, eu cobro dobrado,
Porque uma vez, foi se consultar fiado
Se não me pagar, vai para o SUS Atender,
Se ele escapar do SUS, eu dou pra ele aprender
UMA  BOA  MÃO  DE  PEIA,  NO  VELHO  MACHADO.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Pedro Bezerra de Sousa - Memória Varzealegrense

Tio Pedro
SAUDADES DE PEDRO SOUSA - Sandra Alencar

Hoje ao acordar, passaram cenas nos meus olhos que me fizeram lembrar de uma pessoa muito especial, cujo o seu passado foi o criador do nosso presente.Com sua sanfona mostrou que ISSO É QUE É FORRÓ e foi ele que durante muitos anos levou alegria para toda a sua família.

Dia 17 de setembro é uma data triste porque perdemos Pedro Sousa, um amigo e companheiro que sempre mostrou ser um grande homem e através do TEU LINDO OLHAR repassava para nós a esperança de que a vida não se acaba com a morte. 

Mesmo você estando longe,sentimos a sua presença por onde passamos,por isso neste dia sentimos a obrigação de elevar uma prece ao nosso SENHOR,para que através de nossas orações você possa nos escutar e receber todo amor que sentimos por você. 

Apesar da distância você permanece vivo dentro de cada um de nós.Foi a sua força e coragem que nos fez perceber a missão de leva-lo dentro dos nossos corações. 

As suas pegadas deixadas nas nossas vidas, são os caminhos que irão nos levar aos lugares,onde você ainda permanece vivo.Suas músicas nos animam e transmitem a certeza que sua lembrança será eterna.

Hoje você é o ANJO DO MEU CÉU, que cuidará e mostrará o melhor caminho á seguir,não SÓ PRA MIM, mas para todos aqueles que um dia tiveram a honra de apertar a sua mão ou de te dar um forte abraço. 
Através de suas músicas aprendemos que QUANDO A SAUDADE BATER não devemos ficar tristes, pois temos certeza que você está em um bom lugar junto do pai celestial.

O tempo passou, são 12 anos sem você do nosso lado, mas o tempo não conseguiu apagar seus gestos,seu sorriso,o teu jeito simples de viver e a maneira como você tocava o seu FORRÓ BONITO. 

Onde quer que você esteja saiba que somos felizes por termos herdado de você a herança do talento e de poder espalhar a alegria pra todos.

ETERNAS SAUDADES
17 DE SETEMBRO DE 2012
SANDRA DE SOUSA ALENCAR

quarta-feira, 1 de maio de 2013

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

MÊS DAS FLORES E DAS MÃES

No mês das flores e das mães
Não vou querer pagar mico,
Deus me manda inspiração
E muito feliz eu fico,
Em fazer uma homenagem
A simpática Flor do Chico.

A Flor das Bravas também
Merece constar aqui,
Eu até peço licença
Para tratar por Bibí,
Que aquela flor estudou
Com a minha mãe Iracy.

Eu não consigo esquecer
Aquela tarde de sol,
No alpendre de Renato
Bebendo uma boa skol,
Tirando foto e brincando
Com a flor do Sanharol.

No ofício de jardineiro
Eu sempre fiz o que quiz,
Pois as flores que eu cuido
Tem o aroma de Paris.
Se tiver que me afastar
Eu entrego a Flor de Lis.

Eu tou aqui em Jati
Como quem pisou em brasa,
Queria ser beija-flor
Dono de uma grande asa,
Pra ir voando beijar
As flores da minha casa.

Eu mando um cheiro nas flores
Quando essa rima encerra,
Tou quase dentro do mato
Sentindo o cheiro da terra,
Mas sentindo muita falta
Do cheiro da Flor da Serra.

Dedicado as mães e as flores do Memória Varzealegrense e do Face Book

Mundim do Vale.

domingo, 28 de abril de 2013

Recordações - Memória Varzealegrense

MEMORÁVEL RECORDAÇÃO - FAMILIA FIUZA DO SITIO CHICO

Eis a prestimosa família “FIUZA”, renomada pela sua simplicidade, bondade, conduta digna, honradez. Reunida em clima de alegria, de emoção, de festa na residência do saudoso patriarca Vicente Fiuza no sítio CHICO em Várzea Alegre.

Um grandioso momento. Uma “fotografia” altamente expressiva. Para a época, reunir tantas pessoas num só instante, no mesmo lugar, representou uma “raridade familiar” marcada por fortes sentimentos de estima, de consideração, de amizade. Um louvável e abençoado gesto.

Segundo informações, aludida reunião acontecia para festejarem, comemorarem, em clima de irmandade, o retorno do senhor José Fiuza, para as suas origens no sítio supracitado, o qual, voltava de uma temporada no Estado do Amazonas.

Aí temos registrado um verdadeiro testemunho de capricho, de união e de organização de uma família. 

É o que, realmente, podemos constatar na expressão dessa primorosa “foto” tão original, bem conservada. 

Providenciada, cuidada e guardada com todo empenho, todo amor; através da qual, familiares e amigos de todas as idades reencontram-se, cumprimentam-se, e se agrupam em fileiras para a pose dessa tão valiosa “lembrança histórica”, que, carinhosamente, legaram aos seus descendentes.

Todos os participantes bem arrumados, bem trajados, devidamente “prontos” num legítimo tom de harmonia, de unidade, de comemoração, de homenagem festiva.

Imaginemos quanta alegria, ansiedade, expectativa, curiosidade reinavam na memória e no coração desses meninos/meninas, rapazes/moças; bem como, quanta felicidade para os adultos ao viverem esse dia tão especial.

RETRATO fiel de uma “atitude familiar” calorosa, afetiva e sábia...
Hoje, sem dúvida, uma “relíquia divina” para os que participaram, e aqui, ainda estão recordando esse alegre e tamanho evento; também, para outros novos descendentes, que, com certeza, sentem-se imensamente felizes e envaidecidos por tão gloriosa “lembrança” dos seus ascendentes..., seus antepassados.

Sinto-me honrada pela presença da minha avó paterna, BILINHA de JOSÉ JOAQUIM do Chico, ainda meu tio JOSÉ VIEIRA e família , como amigos/convidados para a respectiva festa.

De Forma carinhosa, parabenizo a família “FIUZA” por tamanha “PRECIOCIDADE” .

Que DEUS continue abençoando-a e conservando-a cada dia mais vitoriosa e UNIDA.

ISABEL VIEIRA DE OLIVEIRA SILVA
Juazeiro do Norte-CE, 24.04.2013

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Antônio Bezerra de Sousa - Memória Varzealegrense



Vô Antonito

O tempo passou rápido demais. Hoje já faz um ano que te perdemos de corpo,porque suas lembranças são eternas em nossas vidas.Um ano de muita saudade,de lágrimas,mas também de sorrisos ao lembrar de coisas que só o senhor dizia,como por exemplo “tibileco”.

A despedida foi programada por Deus.Não sabemos o motivo de sua partida,mas sabemos e temos certeza que o céu está em festa todo dia.

Ficamos pensando e lembrando de muitas coisas. A distância que separa faz com que as lágrimas escorram dos olhos e assim possamos te enxergar, nos nossos sonhos e em pensamentos. Nosso amor por você é eterno.Na família se aprende a viver, e o senhor ensinou a cada um de nós a melhor maneira de sermos felizes.

Homem humilde, de coração imenso, considerado pai dos caretas, gostava de brincar de maneiro pau, reisado, se vestir de penitentes e entoar o seu canto,um dos fundadores da escola de samba,sempre mostrou ser um homem guerreiro, forte e nunca deixou a peteca cair,apesar de tantas dificuldades.

Hoje um ano de vazio, em olhares escurecidos pela saudade. Em lágrimas teimosas que rolam pelo rosto, e vão de encontro com tuas lembranças.Parece que foi ontem,estávamos todos ai reunidos na sua humilde residência,com muita festa,muita alegria,porque tudo isso fazia parte de tua vida.Nem imaginávamos que era uma despedida.

Quantas vezes,mesmo em passos lentos,o senhor pegava o seu chapéu de palha,saia de casa e ia até um bar só pra tomar uma,e na volta sempre tinha uma carona,nem que fosse de bicicleta.

Foram 82 (oitenta e dois) anos vividos,deixando para nós a maior riqueza que tinha: O AMOR E A UNIÃO!

BASTILAU,TIMBALABEQUE,TIPIOCA, MUCUTIBA,SIBATENA...São algumas palavras que não podemos encontrar nos dicionários, mas encontramos nas lembranças deixadas por ANTONIO BEZERRA DE SOUSA (ANTONITO)

ETERNA SAUDADES,VÔ

SUAS NETAS: SANDRA E SUELY
CAMPINA GRANDE/PB 15 DE ABRIL DE 2013

terça-feira, 23 de abril de 2013

Recordações - Memória Varzealegrense


Dona Antônia e Zé de Acelino

O saudoso casal, seu ZÉ DE ACELINO e dona ANTÕNIA SALES. Procedentes do sítio LAVRA, vieram para o nosso querido sítio CHICO, aí fixaram residência e passaram vários anos como nossos vizinhos. 

Um admirável e respeitável casal chegaram trazendo sua bela " ninhadinha" de crianças. 

Um verdadeiro exemplo de "união matrimonial", de harmonia familiar. Com um jeito descente, respeitoso, comunicativo, de repente, conquistaram a nossa amizade e dos demais moradores da comunidade local. 

Seu ZÉ , um responsável e dedicado "homem da roça", senhor de muita fé, coragem, esperança, determinação. 

Um agricultor altamente trabalhador, disposto, controlado. Ao lado e com o apoio da inesquecível esposa, empenhou todos os recursos que lhe foram disponíveis em prol de uma sobrevivência digna para a sua familia. 

Mesmo em meio aos vários obstáculos enfrentados..., mantiveram-se fortes, firmes, confiantes em DEUS, visando e batalhando sempre pela educação/formação dos filhos. 

De forma louvável, os nossos laços de amizade foram fortalecidos de tal maneira que nos consideramos como família. 

Meus pais e eles viviam num clima de grande irmandade, assim como nós e seus filhos, sentimo-nos como amigos/primos. 

Todo o nosso carinho, e admiração para a prestimosa, digna e honrada família de seu ZÉ DE ACELINO e dona ANTONIA. Que na GLÓRIA do SENHOR, esse casal descanse em paz. 

Saudades.
Isabel Vieira

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Várzea-Alegre homenageia seu filho ilustre.



Dez anos depois de seu desaparecimento, Padre Antônio Batista Vieira  será homenageado  em Várzea-Alegre sua terra natal. Nada mais justo. Diante de tão magnânimo acontecimento lembrei-me de dois  episódios do meu conterrâneo.

Em 1989, estava presidente do Lions Clube de Crato Centro e, recebi a visita do Padre que  me pedia coordenar uma reunião com todos os clubes de serviços da cidade para ele expor  seu projeto de defesa do Jumento. O encontro foi realizado em minha casa com  grande participação.

Já em 1986, o então governador do Ceara Gonzaga Mota foi a casa  do Padre Vieira exclusivamente  convidá-lo para ser  candidato a senador na chapa majoritária, uma nomeação.  Recebeu como resposta um tremendo não, com a presente justificativa:  daqui há dez anos ninguém saberá quem foi o senador. Eu vou escrever um livro e vou me eternizar. 

Quem sabe dizer quem foi  o senador, quem lembra o nome?

Varzealegrenses compareçam ao evento


quarta-feira, 17 de abril de 2013

017 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

A  RAIVA  DELE  É  DE  SOLDADO.

No ano de 1967, o Mestre Pedro Souza foi contratado para tocar um forró no sítio Vara da Prensa ( Hoje Novo Jordão ) Como o sítio tinha a fama de ser violento, o promotor da festa pediu quatro soldados do destacamento de Várzea Alegre – Ceará, para fazer a devida segurança.
O forró acontecia na maior tranquilidade, quando chegou um rapaz, que a segurança não simpatizou, sem muita conversa deram umas pancadas no rapaz e quem mais bateu, foi um policial de nome João. O Moço machucado e desmoralizado, foi até a sua casa, trocou de roupa, botou uma faca na cintura e voltou para o forró, na intenção de aplicar uma vingança.
Na chegada encontrou na portaria justamente o soldado João. O vingador aplicou três facadas tão violentas que o policial já caiu morto. Um outro policial foi chegando, recebeu uma facada na cabeça, que já ficou sem ação. Os outros dois correram por dentro do mato do Novo Jordão até a cidade, deixando uma estrada feita por onde passaram. E o criminoso foragiu-se, sem deixar pistas.
Do dia seguinte ( Um domingo ) Lilazinha promoveu um piquenique numa fazenda do Sr. Mário Leal, que ficava mais-ou-menos próximo ao local onde aconteceu o crime.
Lilazinha convidou a turma da Charanga e as meninas do bloco das Margaridas. Para tocar ela convidou exatamente o Mestre Pedro que ainda não estava refeito do susto da noite anterior.
No piquenique tinha de tudo; Passeios de cavalos, Churrascos, bebidas e o forró tocado pelo melhor forrozeiro da região.
Houve um intervalo para descanso dos tocadores e Pedro foi até um alpendre onde eu estava com; Joemilton. Nilton de Dudu, Reginaldo e Nenem de Chico Francisco. Pedro tomou um refrigerante e depois falou:
- Mas Raimundinho. Ou diferença medonha.
-Eu perguntei:
- O que?
- De tocar para os cabras valentes do Novo Jordão, pra tocar pra vocês.
- Tá certo Pedro. Mas um morador me disse que o cabra que matou João soldado, tá escondido ali no armazém do Sr. Mário Leal.
Pedro respondeu na maior tranquilidade:
- Tem nada não. A RAIVA DELE É DE SOLDADO.

- É mas se chegar um guarda da febre amarela por aqui, vai correr um risco danado.

terça-feira, 16 de abril de 2013

016 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

A  PENITÊNCIA  DO  PADRE  ASSIS.

O ano de 1955, foi um ano de bom inverno e muita fartura na cidade de Várzea Alegre – Ceará.
No final e 1954, chegava de São Paulo o meu tio Raimundo Piau, de lá ele trouxe umas sementes de melancias, que lá nas terras  paulistas chegava a dar melancia de até um metro de cumprimento. Em Várzea Alegre elas chegavam só até 70 centímetros, mas já era muito coisa, considerando que as terras eram outras e que as  melancias do Ceará só chegavam a medida de 50 centímetros.
No começo do ano de 1955, meu tío presenteou Zé Raimundo com algumas das sementes.
Assis de Zé do Carmo vivia agregado na casa de Zé Raimundo, fazendo pequenos serviços como; Apartar Bezerros, fazer compras na cidade, sacudir legumes e pequenos trabalhos na roça. Assis tratava o casal por padim Zé e madinha Ana.
As melancias já estavam no ponto de colher e Assis chamava de melancias do Sumpalo.
Um dia Assis chegou muito cedo e Zé Raimundo que já esperava no curral ordenou:
- Assis. Vá lá na roça do fim da manga e traga as duas melancias que estão perto daquele toco, depois da cancela, Você sabe quais são. Não sabe?
- Eu sei. Né aquelas do Sumpalo?
- Justamente !
Quando já estavam tomando o café Assis chegou com as duas melancias quase sem poder. Colocou as duas sobre a mesa, bateu com a mão aberta em uma delas e disse:
- Eita. Qui fruita foimosa, né não madinha Ana?
Tomaram café com cuscuz, depois sairam para a calçada e ficaram conversando , quando avistaram Joaquim  Beca Chegando.
Zé Raimundo muito ligeiro falou para Assis:
- Assis, pegue aquelas duas melancias e leve para……….Deu uma pausa para receber Joaquim Beca e Assis foi lá dentro,botou as melancias embaixo dos braços e quando descia a calçada foi dizendo:
- Eita. Qui a festa lá em casa hoje vai ser é boa.
Zé Raimundo Gritou:
- Ei,Assis, venha cá. Eu fui atender a A joaquim Beca e não terminei a conversa. As melancias é pra você levar uma para Josué e a outra para o padre Otávio. E tem mais amanhã eu vou para a missa e vou perguntar se eles gostaram das melancias.
Zé subiu a calçada desconfiado e falou para Joaquim:
- Tá vendo aí Juaquim Beca? Eu vivo trabaiando aqui cum padim Zé, fazeno tudo qui pricisa, quando acabar padim Zé nunca qui me deu uma bicha dessa, só me dava aquelas tamboroca branca qui nacia inriba das peda e nem amaduricia dereito. Zizué e pade Otavo nunca prantaro um cova de melancia e padim Zé manda as mior pra eles. Mais tombém tem uma coisa, Quando eu for pade qui padim Zé for sicunfessar, eu vou dá uma pinitença prumode ele ir daqui inté o Rubão de juei. Agora madinha Ana quando for sicunfessar, eu pego ela e iscancho na cacunda dum anjo e mando deixar direto no céu. Pruque ela é boa todo dia me dá um copo de leite e o bico do pão de mí.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

015 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense


MAIS  BARATO  SÓ  COM  MINERAL.

Houve uma época que o fornecimento de água em Várzea Alegre era feito pela CAENE – Companhia de Água e Esgoto do Nordeste.
O gerente Em V. Alegre era o Sr. Ribamar.
Raimundo Teixeira ( Padeco ) Primo do poeta Sávio, tinha a água instalada na sua loja de tecidos, apenas para os pássaros beberem.
A taxa começou a subir desordenadamente todos os meses, o que fez com que Raimundo reclamasse do Sr. Ribamar. O funcionário mandou fazer uma perícia no registro e nos canos, depois do laudo concluso, disse a Raimundo que estava tudo normal.
Raimundo insatisfeito com a exploração, foi até o escritório da CAENE, pagou a conta e pediu o corte em caráter de urgência.
Ribamar interessado em manter o cliente falou:
- Não faça isto Padeco. Como é que vão ficar seus pássaros?
- Eu vou comprar água mineral pra eles, que fica mais barato.
No domingo seguinte, Ribamar bebia umas cervejas na barbearia de Vicente Cesário, que ficava vizinha a loja de Raimundo. Uma hora lá ele sentiu calor e resolveu tomar um banho. Quando foi pra sair foi pagar a despesa e Vicente cobrou um preço muito alto pelo banho. Ribamar reagiu dizendo:
- Mas tá muito caro esse banho. Eu só fiz me molhar.
Vicente respondeu:

- É porque a água ainda é da CAENE, quando eu botar mineral o preço baixa.

domingo, 14 de abril de 2013

014 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

O  VÔO  QUASE  DA  MORTE - Mundim do Vale

Era festa do padroeiro em Várzea Alegre Ceará. O parque estava instalado na Av. Getúlio Vargas, com roda gigante, carrocel, ondas e canoas.
Chico Gomes arranjou um parceiro e foram para as canoas. Os dois quada qual mais forte estavam subindo a canoa acima do limite. Uma hora lá a canoa ultrapassou a barra superior e rompeu os encaixes. Chico subiu como quem voava, arrancou os fios da rede elétrica e foi bater com os braços abertos  na parede da casa do Sr. José Piau. Naquele momento faltou energia por conta do curto, deixando todo mundo confuso, menos Chico porque estava em estado de morto. Chamaram Dr. Lemos e ele com uma lanterna na mão olhou rapidamente e confirmou o óbito. Mandaram Nêgo Rui chamar Geraldo Leandro e ele veio para tirar as medidas do caixão. Naquela hora a família já estava toda presente e a comoção foi geral.
Toinho costa chegou com uma vela, acendeu e colocou na mão do suposto defunto. Foi quando Chico Gomes levantou os dois braços, para desmentir o óbito e gritou:
- Quem foi que acendeu a lamparina?
Quando o ex finado disse aquilo correu mais de dez na escuridão. Eu acho que ainda hoje tem gente sumida.
Eu estava com uns amigos atrás da igreja, quando vimos o fogo acompanhando a fiação elétrica e em seguida ouvimos um barulho que mais parecia um trovão. Depois do barulho a cidade ficou toda escura. Nós fomos até a rua Major Joaquim Alves para saber o que estava acontecendo quando foi com uns 15 minutos, vinha Abidom com uma lanterna focando um lado e outro da rua.
Quando ele passava em frente a casa de Valdeliz, Valdefrance perguntou:
- Abidom. O que foi que houve ali por perto do mercado?
- Foi aquele minino de Epídio qui inventou de avoar sem ter asa e quando acabar arrancou os fí da luz e adispois distabacou-se lá na parede da casa de Zé Piau.
- E como é que ele está?
- Omi, ele tava qui nem morto, inté Dr. Lemo dixe, mais quando Toim Costa acendeu a vela prumode butar na mão dele, ele istribuxou e tornou a invivicer, Mais correu um bucado e gente cum medo.
- E agora tá tudo bem por lá?

- Tá quando eu saí de lá ele tava numa palesta medonha cum Carlito Cassundé. Agora vai ser difiço é ajuntar aquele povo qui correu no iscuro.

VERSOS LÁ DE NÓS - De autoria do poeta João Bitu.

Fátima sempre dinâmica e impoluta
Quer por fina força que eu integre
Esta notável equipe de Várzea Alegre
De poetas da mais alta e briosa conduta
Será que mereço entrar nesta labuta?
Todos eles são já renomados no momento
Nas hostes da poesia mostram seu talento
Entretanto quem convida quer me ver
E assim me disponho a rimar e escrever
Meus rabiscos, meus versos, cujos eu invento!

A esta ousada pequena grande
Que tanto me exalta e exorta
O Senhor lhe abriu uma porta
Por onde quer que ela ande...
Sua inteligência mais e mais se expande
Ao transcurso de tão densa existência
Esbanjando toda a fértil inteligência
Em benefício daqueles mais carecidos
Contemplando e cuidando dos entes queridos
Como o fez aos pais e a outros de sua ascendência

Zezê sua fiel e justa companheira
Usufrui de seus incansáveis cuidados
São dois seres fielmente irmanados
Numa união sólida e verdadeira...
Quanta paz entre as duas à vida inteira!
Quem não as conhece nem um pouco calcula
A disposição sem medida destas jovens caçulas
Que tomaram conta em suas dúbias convalescenças
De nossos pais estimados em penosas doença,
Que só em lembrar o meu corpo inteiro tremula:

Tudo quero fazer para contemplar a Professorinha
Ao mesmo tempo em que usufruo de minha inspiração
Com muita cautela e esmerada atenção
Para não desagradar a douta Francesinha
-( Este é o apelido desta valente criaturinha ) –
A quem ofereço todas as minhas obras a saber:
Contos, versos e lembretes a valer
Bastando que para isto se faça mister
Esteja eu acontecendo onde estiver
Conte comigo. Estarei pronto para lhe atender.

JOÃO Alves BITU

Tartaruga dos FIÚZAS - Memória varzealegrense


Um pequeno relato sobre a Tartaruga do Sítio Chico, conhecida como Tartaruga dos "FIÚZAS"

Foi muito grande a migração de cearenses no séc. XIII e XIII, no ciclo da borracha no Amazonas.O estado do Acre foi quase totalmente colonizado pelos cearenses e grande é o reconhecimento daquele Estado para com os cearenses. 

A principal avenida de Rio Branco chama-se Avenida Ceará.

Joaquim Leandro faleceu no Amazonas, de malária com uma semana que havia chegado lá. Raimundo Leandro, o irmão pegou a doença mas conseguiu escapar e voltar para o Ceará.

No ano de 1905, José Fiúza de Morais (Fiúza), chegou do Amazonas trazendo dentro de uma pequena caixinha, uns diziam que era uma caixa de fósforos, uma tartaruga que ainda hoje sobrevive no açude dos FIÚZAS no Sítio Chico. 

No ano de 1998, durante a seca, que o açude veio a secar, a tartaruga foi transportada para um tanque com água, para atravessar aquele período. Este episódio foi matéria nos jornais da Globo e fez muita gente se emocionar.

Muitos filhos do Sítio Chico que moram em São Paulo choraram ao verem aquela reportagem

sábado, 13 de abril de 2013

013 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

FUNDO  DE  LATA - Mundim do Vale

Alexandre Cabeleira, filho da parteira Antônia Cabeleira, era o que poderia ser chamado de versátil. Ele tinha cinco profissões a saber; Coveiro, enfermeiro, cambista, carpinteiro e ainda vendia sal moído no mercado velho.
Um dia chegou na sua banca, dona Petronila. Uma senhora muito conversadeira e extremamente religiosa. Petronila chegou logo puxando conversa:
- Alexandre quanto é o quilo de sal?
- É cinco cruzeiros.
- Meu pai do céu, como tá caro.
- Petronila. não é só o sal não. Tá caro é tudo. Tá caro o fumo, tá caro os ovos, tá caro o pinto e tá caro alho. Não tem quem possa com a carestia.
- Valha me nossa Senhora. Onde é que nós vamos parar?
- Mas se o inverno pegar, de julho pra entrar agosto as coisas vão melhorar. Eu escutei no rádio que de Passo Fundo pra cá. As coisas já estão baixando.
- Graças a Deus. Mas Alexandre eu tou aqui é para outra coisa.
- Pois diga. Se eu poder eu ajudo.
- Quanto é que o senhor cobra pra botar um fundo numa lata?
- Depende; Se com o meu pau é vinte cruzeiros. Mas se você der o fundo eu boto por dez cruzeiros.

012 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

DIÁLOGO  CONFUSO - Mundim do Vale

Chico Gomes, filho de Elpídio Caitano, gostava de usar um palavreado um tanto difícil, que às vezes ele mesmo ficava perdido com aquele linguajar.
Chico sempre ajudava a sua mãe num pequeno restaurante na cidade de Várzea Alegre – Ceará.
Uma vez Chico passava com uma bandeja cheia de xícaras de café, quando esbarrou na sua mãe, que tomou um banho de café.
Enquanto o filho passava um pano na mãe, fazia um discurso :
- Hoh mãe. Tentei desviá-la mas não consegui, da próxima vez farei uma tentativa melhor e deviala-ei se for possível.
A mãe ainda surpresa com aquele banho respondeu:
- Meu fí. Eu num intidi nada do qui tu dixe.
- Mãe. Eu quis dizer que a pressa é inimiga da perfeição. Eu na ânsia de atender bem a clientela. Tentei agilizar o serviço e acabei provocando um acidente.
- Eu tornei a num intender, meu fí.
- Poia é mãe. Como eu tava avexado não deu tempo de desviar da senhora.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

011 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

PAGOU 5 E  LEVOU  10.

No ano de 1966, um grupo de carpinteiros trabalhavam na serraria e carpintaria de Acelino Leandro, na Praça de Santo Antônio, em Várzea Alegre – Ceará.
Eram eles; Geraldo Leandro, Fernando de Mestre Horácio, Raimundo de Virgílio, Chico Bento, Antônio de Brilhante e Raimundo de Micena.
Todo dia por volta das 09:00 Horas, passava Pedro Borboleta, com um balaio de goiabas, gritando assim:
- Óia as guaiaba ! Óia as guaiaba !
Os funcionários compravam aquelas frutas para merendarem. Um dia Geraldo Leandro chamou Chico Bento o falou:
- Chiquim. Hoje nós vamos arrumar umas goiabas de graça. Você fica embaixo da praça e eu compro umas pra disfarçar. Quando Pedro tiver ocupado, eu jogo umas por baixo das pernas, você apara  e depois nós racha.
Quando o vendedor apareceu, Geraldo foi na frente e ficou de cócoras de lado do balaio  para escolher as frutas. Naquele momento chegou umas meninas para comprar as frutas e Pedro ficou de costas para o balaio  Só, que Pedro sendo mala também, tirou um espelho redondo do bolso e ficou monitorando o balaio  Geraldo pegava numa e noutra goiaba, escolhia uma e jogava outra por baixo das pernas, para Chico Bento Aparar. Jogou 5 e escolheu 5. Na hora do pagamento Geraldo falou:
- Eu vou querer essas 05, quanto é Pedro?
- É dez mil réis.
Geraldo pegou o dinheiro e entregou dizendo:
- Tamo certo né?
Pedro com uma faca na mão para picar fumo respondeu:
- Tamo não !
- Como não tamo?
- É pruque você tá pagando 5 guaiaba, falta pagar as 10 que você jogou pra Chico de Ontõe Bento, qui eu vi quando você jogou pru dibacho das perna.
Geraldo mais encabolado do que noivo casando na polícia falou:
- Tá certo, Pedro. Eu tava era brincando, eu vou pagar, mas eu joguei só 5.
- Apois você paga as 5, É pruque eu num sei fazer conta de cabeça, pensei quera 10.
Geraldo pagou as outras 5 e com a vergonha que ficou, nem ele nem Chico Bento vieram mas comprar as frutas. Eles davam o dinheiro a Raimundo de Virgílio para ele comprar.
Quando já estava com 15 dias, pedro Borboleta perguntou a Raimundo.
- Reimundo. Me diga uma coisa. Geraldo Leandro e Chico Bento num tão trabaiando na serraria mais não?
- Tão. Porque?

- Pruque eles era meus freguês, sempre comprava guiaba e adispois sumiro.

Mundim do vale

terça-feira, 9 de abril de 2013

Convite - Memória Varzealegrense


042 - Nossas Historias - Memoria varzealegrense

Casa errada - Pedra de Clarianã

Em Várzea Alegre, na segunda metade do século passado, após consumirem várias doses de cachaça em pontos diferentes da movimentada feira de sábado, dois homens se encontraram no início da Rua Coronel Pimpim, conhecida como Rua dos Perus. Como seguiam na mesma direção, os bêbados decidiram subir juntos a tradicional rua da cidade cearense.

Ao alcançar uma modesta casa quase no fim da rua, o homem mais velho, com voz trôpega, falou:

- Até mais vê. Vou entrar. Eu moro aqui...

Imediatamente, o mais jovem retrucou:

- Nannn. Conversa é essa. Quem mora aqui é eu...

A partir daí começou uma ríspida discussão entre os dois, cada um se dizendo morador da casa, o que chamou a atenção dos vizinhos. A teima desembocava para a violência quando uma senhora surgiu à porta da disputada residência e gritou:

- Entrem os dois em casa agora. Que coisa feia! Pai e filho brigando na calçada...

Narração: Flávio Cavalcante 
Colaboração: Paulo Danúbio Carvalho Costa

001 - Academia Varzealegrense de Letras Padre Vieira


Conhecendo todos os membros da AVLPV - Academia Varzealegrense de Letras Padre Vieira

Cadeira Nº 01 – Acadêmica: Maria Otília Diniz  Arcoverde
Patrono: Raimundo Otoni Filho

Nota: Não temos informações da mesma

MARIA OTÍLIA DINIZ  ARCOVERDE nasceu em 30.03.1939, professora,  escreveu  “Crianças da Minha Vida e Outros Escopos” (2011). Arquivo de afetos para filhos e  netos (informações da página de escritores do Memória Varzealegrense)

009 - Academia Varzealegrense de Letras Padre Vieira


Conhecendo todos os membros da AVLPV - Academia Varzealegrense de Letras Padre Vieira

Cadeira Nº 09 – Imortal: Francisco Marcos Filho
Patrona: Eliza Gomes Correia
Francisco Marco Filho nasceu no dia 18 de abril de 1972, no sítio Várzea Grande, distrito de Naraniú, em Várzea Alegre, Ceará, filho do ferreiro Francisco Marques da Costa e da dona de casa Tereza Ferreira da Costa, sendo o décimo e último filho do casal.

É radialista há 22 anos e membro da Academia Varzealegrense de Letras. No setor de Comunicação, em maio de 2007, fundou, em parceria com o radialista Nonato Alves, a Metas Comunicações, empresa que atua na construção e administração de web sites e no mercado publicitário. É responsável, também em parceria com o radialista Nonato Alves, pelo site Várzea Alegre.com, principal portal de notícias online da cidade.

É sócio-fundador da Casa & Cia, empresa do ramo varejista de móveis e eletrodomésticos. Atualmente trabalha na Rádio Cultura de Várzea Alegre, respondendo pela direção de radiojornalismo e pelo departamento comercial da emissora. É assessor de comunicação da Prefeitura de Várzea Alegre, da Câmara Municipal de Vereadores de Várzea Alegre, presta consultoria à Câmara de Vereadores de Cedro, e é diretor de comunicação da Câmara de Dirigentes Lojistas de Várzea Alegre.

018 - Academia Varzealegrense de Letras Padre Vieira


Conhecendo todos os membros da AVLPV - Academia Varzealegrense de Letras Padre Vieira

Cadeira Nº  18 - Acadêmico: Marciano Alves Correia
Patrono: Dário Batista Moreno Marciano Alves
Marciano Alves Correia, filho de Mariano Alves Correia e Maria José da Silva Correia, nascido em 17 de setembro de 1983, na cidade de Várzea Alegre, Ceará.

Cursou o Ensino Fundamental na EEIFM. Pedro Sátiro e o Ensino Médio na EEM Maria Afonsina Diniz; Técnico em Administração, Finanças e Secretariado pelo Centro de Integração Empresa Escola – CIEE; Biólogo Licenciado pela Universidade Regional do Cariri – URCA; Especialista em “Biomedicina” pela Faculdade Leão Sampaio – FALS e Especializando em Educação de Executivo Escolar pelo Conselho Estadual de Educação do Ceará – CEFEB. 

Casou em 07 de janeiro de 2012 com Natasha Bezerra Alves, Assistente Social. Atualmente exerce os cargos de Professor e Coordenador do Curso Técnico em Secretaria Escolar na EEEP. Doutor José Iran Costa e ocupa a Cadeira nº 18 da Academia Várzealegrense de Letras - AVL, tendo como patrono Dr. Dário Batista Moreno - 1927.

011 - Academia Varzealegrense de Letras Padre Vieira


Conhecendo todos os membros da AVLPV - Academia Varzealegrense de Letras Padre Vieira.

Cadeira N° 11- Imortal: Cosma Ferreira Martins
Patrono: José Clementino do N. Sobrinho (Zé Clementino)

Nota: Não temos informações sobre ela.