VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

domingo, 25 de agosto de 2013

A prosa dos compadres - Memória varzealegrense

PROSA  DE  COMPADRES - MUNDIM DO VALE

Chico Bento:

Buá noite cumpade Zé
Cuma vai cumade Bia?
Onde anda a tua fia
Qui morava im Canindé?
Já se casou cum Mané
Ou ainda tá sortêra?
Eu arrumei im Portêra
Um trabai pela fazê.
Mais ela tem qui aprendê
Cua as ôta muié rendêra.

Zé Rubão:

Meu cumpade, minha Bia
Só veve agora é doente,
É friêra, é dô de dente
Diarréa e agonia.
A minha fia Luzia
Num tá sirvindo pra nada,
Já tá inté imbuchada
Dum vendeão de panela.
O bucho tá na guela
E o vendeão num dá nada.

Chico Bento:

Cumpade cadê Orlando
Quie era meu afiado?
Prudonde ele tem andado
Ainda tá istudando?
Ou num tá nem trabaiando?
Sele quiser um trabai
Eu arrumo um quebra gái
Pele trabaiar na fêra,
Só pra vendê macachêra
Pimenta, cebola e ái.

Zé Rubão.

Cumpade, seu afiado
É uma coisa sem lei,
Tá bulindo no alei
Robando e dando coidado.
Isturdia o delegado
Butô ele na cadêa,
Ele levô tanta pêa
Qui foi pru pronto-socorro.
Quando eu oiei quage morro
Nunca ví coisa tão fêa.

Chico Bento:

E seu sogro Juvená
Miorô do coração?
Já vortô pru Riachão
Ô inda tá no hospitá?
Já tá pudendo falá
Comê, mijá e bebê?
Num dêxe o veim morrê.
Prua falta de assistença.
Qui ele ainda tem vivença
Prumode dá e vendê.

Zé Rubão:

Cumpade, o véi Juvená
Já tá pra lá do além,
E a véa dele tombém
Já tá pras banda de lá.
Nóis num pudemo pagá
Aquela despeza cara,
Pruque o pau de arara
Num tem uma renda boa.
Aí só deu prus coroa
Qui intregaro o couro as vara.

Chico Bento:

Cumpade e a miunçada
Tá na creche do estado?
Eles tão alimentado
Ou é cunveça fiada?
Dizem qui num  farta nada
Qui serve café cum pão,
Mei dia carne e feijão
E merenda duas hora.
De noite vem sem demora
A sôpa de macarrão.

Zé Rubão:

Meu cumpade, a mininada
De dia é jogando bola
De noite cherando cola
E drumindo nas calçada.
A creche é só de fachada
 A merenda iscafedeu,
Creche pra minino meu
Num tem vaga pra ficá.
E a tá merenda iscolá
Um diputado cumeu.

Chico Bento:

Cumpade e o viriadô
Qui você tinha votado?
Vá cassar o condenado
E diga Cuma ficô.
Peça a ele prefessô
Peça tombém punição,
Pru diputado ladrão
Nunca mais querê robá.
Se qué merenda iscolá
Vá merendá na prisão.

Zé Rubão:

Chico Bento, eu fui atráis
Mais num decharo eu falá,
Mais quando eles torná
Eu mermo num voto mais.
Quando é prus rico eles fáis
E pra nóis pobe é negado,
Mais voto num é maicado
Já tumei a dicisão.
Quando for na inleição
Meu tito vai tá rasgado.

Mundim  do  vale
V. Alegre- Ceará.

sábado, 24 de agosto de 2013

049 - Nossas Histórias - Memória Varzealegrense


786 - PARQUE DA FESTA DE AGOSTO


Agosto sempre foi um período especial na vida dos varzealegrenses de todas a idades. Entre os dias 21 e 31, festejam o padroeiro São Raimundo Nonato, vivendo momentos de muita devoção e alegria. As crianças, desde os primeiros dias do mês,  esperam ansiosamente pela chegada do parque de diversões à cidade do centro-sul cearense.  

Certa vez, na década de 1980, no início da animada daFesta de Agosto, no Sanharol, localidade próxima a zona urbana de Várzea Alegre, os filhos de Maria Cavalcante insistiam:

- Mãe, dê dinheiro pra nos ir na rua rodá no parque…

A modesta mãe, com poucos recursos, sem poder atender aos pedidos dos filhos, entregou um pequeno caderno comumente usado para anotar as compras à crédito no comércio e disse:

- Minino, taqui a caderneta da budega de Luiz Silvino. Se o dono do parque aceitá fiado e anotá na caderneta pode rodá as nove noite de festa...

Fonte: Pedra de Clarianã - Flávio Cavalcante
Colaboração: Raimundo Cavalcante de Morais (NUNA)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

012 - Dalmir Freitas - Histórias de Varzealegrense

Em Várzea Alegre a gente tinha cada alegria que pra explicar não é fácil, pois qualquer esforço que você faça anda longe da emoção que você sentiu, e estou falando da nossa tradicional BANDA DE MÚSICA, nesta época sob a direção de Mestre Antonio.

A salva era a principal atração religiosa da Festa de São Raimundo, todos os componente da BANDA perto do meio dia se encontravam na casa do MAESTRO, ali de lado da casa do tio JOCEL, vejam só, a gente sabia o endereço de cada componente da BANDA, aliás quase todos moravam ali perto da igreja de São Vicente, e outros na própria rua de São Vicente.

O desgosto do morador de Várzea Alegre era o instrumental da BANDA, totalmente defasado e alguns instrumentos colados com cera, alguns conterrâneos e o pessoal de uma cidade vizinha fazia gozação dizendo que nossa banda não podia se apresentar no sol, pois a cera derretia, eu não sei quem ficava mais chateado,os componentes da banda ou o varzealegrense que não merecia isto,pois a terrinha tinha bons políticos.

Eu estava sentado com um amigo la na praça no centro, e só passando carro e gente pra um determinado local, era mais ou menos 11.00h, corremos pra ver de que se tratava, meus amigos quando a gente chega, encontro Mestre Antonio e sua turma com uma banda, os instrumentos todos niquelados, e o discursos do político me deixou todo arrepiado, já era 12.00h, exatamente na hora da salva e mesmo não sendo na época da festa ele falou: "TOQUEM, PODEM TOCAR SEM MEDO QUE EU GARANTO QUE NEM UM INSTRUMENTO VAI DERRETER", pronto Várzea Alegre tinha uma BANDA com instrumentos novos em folha.

Era uma alegria muito grande,pra todos nós!
Dalmir.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A herança de São Raimundo Nonato

Trechos do livro "Balbina Menezes Diniz - 80 Anos de Histórias Bem Vividas" da autoria de Maria Eunice Diniz Moreno

Homenageando a História da Festa de São Raimundo Nonato em Várzea Alegre, escrito de uma maneira simples e resumida.
 
Diferente do que se pensa, muitas pessoas não conhecem a história e é comum  confundirem São Raimundo com Papai Raimundo, entre outros tantos exemplos!

Esses trechos servem como iniciativa para o Memória Varzealegrense, através de seus colaboradores e leitores, completarem com mais informações ou correções que forem necessárias!

Colaboração de Maria Eunice Diniz



Ato político no passado também é memória!


Registro de ato político em Várzea Alegre mais ou menos em 1990, na assinatura da Lei Orgânica do Município no Auditório Josué Alves Diniz. Foto importante para a história política de nosso município.

Na foto se encontram os vereadores: José Carlos de Alencar, Edmilson, Antônio do Padre, Antônio do Carmo, Joaquim Inácio, Zé Bilé, Valdeir Costa, Luiz Correia, Antônio Nem, Otoniel Fiuza, Josué Diniz, Gustavo Correia, Zé Miúdo, Valdeci, Chico Quincas, Zé Batista, Estevaldo Leandro.

Colaboração Otoniel Fiúza Junior

São Raimundo Antigo - Memória Varzealegrense

Foto da Imagem de São Raimundo, original de madeira do século XVIII

Na véspera do levantamento da bandeira da festa do nosso padroeiro, gostaria de lembrar um detalhe da história da nossa devoção.

A imagem primeira é esta de madeira (Sec. XVIII) que fica durante o ano na Casa de Saúde São Raimundo e que pertenceu a Dona Tereza Maria de Jesus, mulher de Raimundo Duarte Bezerra (Papai Raimundo).

Ela foi doada por Dona Zefa do Sanharol sua descendente.

Maria Eunice

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Versos lá de nós - Memória Varzealegrense

Literatura de cordel - Mundim do Vale

ENTERRARAM   MEU  UMBIGO
NO   RIACHO   DO    MACHADO

Nasci no meio rural
Puxado por cachimbeira,
Foi Antônia Cabeleira
Quem fez o parto normal.
Depois houve um ritual
Do meu pai muito apressado
Saindo com um cunhado
Que era muito seu amigo,
PRA ENTERRAR MEU UMBIGO
NO RIACHO DO MACHADO.

O momento mais profundo
Foi meu pai olhar por baixo,
Dizendo: - É menino macho
E vai se chamar Raimundo,
Vou convidar todo mundo
No dia do batizado
Para ver ele abraçado
Por tudo quanto é amigo.
ENTERRARAM MEU UMBIGO
NO RIACHO DO MACHADO.

Para falar a verdade
Muita coisa lá faltava,
Mas minha mãe completava
Com o dom da maternidade.
Sobrava felicidade
Carinho e muito cuidado
E como fui contemplado
Muito agradecido digo.
ENTERRARAM MEU UMBIGO
NO RIACHO DO MACHADO.

Cresci naquele sertão
Entre riacho e lagoa
Numa convivência boa
Sem saber o que é questão,
Nunca entrei em confusão
Para não ter intrigado,
Fui menino bem criado
E o sertão foi meu abrigo.
ENTERRARAM MEU UMBIGO
NO RIACHO DO MACHADO.

Nasci mesmo foi no mato
Na lagoa do arroz
Comendo baião de dois
            Sem deixar nada no prato.
Não gosto de espalhafato,
Não creio no mal olhado,
Nem em feitiço botado
Mas me afasto do perigo.
ENTERRARAM MEU UMBIGO
NO RIACHO DO MACHADO.

Dona  Maria Vieira
A minha boa vizinha
Sentava toda tardinha
Num banco de aroeira.
Quando eu descia a porteira
Corria para o seu lado,
E o café já passado
Ela tomava comigo.
ENTERRARAM MEU UMBIGO
NO RIACHO DO MACHADO.

Nos  mudamos pra cidade
Eu ainda era criança,
Mas guardava na lembrança
Aquela localidade.
Eu não tinha a liberdade
Como tinha no passado
E como era danado
Tava sempre no castigo.
ENTERRARAM MEU UMBIGO
NO RIACHO DO MACHADO.

Depois vim pra Fortaleza
Mas não é o meu lugar
Pois não gosto de morar
Distante da natureza.
Posso jurar com certeza
Que sou matuto quadrado
E pode até ser pecado
Mas pra morar não consigo.
ENTERRARA MEU UMBIGO
NO RIACHO DO MACHADO.

Não posso ficar contente
Com a mudança radical
A vida na capital
É bastante diferente.
A gente vive carente
Comprando só enlatado,
Com um cartão ou fiado
Feito coisa de mendigo.
ENTERRARAM MEU UMBIGO
NO RIACHO DO MACHADO.

Sempre gostei de rimar
As coisas do meu torrão:
Os valores, a tradição
E os costumes do lugar.
Se alguém quiser falar
Que estou esclerosado,
Caduco e ultrapassado
Pode dizer que não ligo.
ENTERRARAM MEU UMBIGO
NO RIACHO DO MACHADO.

Mundim  do  Vale
Várzea Aegre - Ceará

Dedicado a Neto e Patrícia Aquino

Foto Memórias! - Memória Varzealegrense


Essa foto é meu avô Antonio de Sousa, o maior tocador de oito baixos da região na sua época. É o maior responsável pela musicalidade da família SOUSA do Roçado de Dentro que ainda hoje flora nos seus descendentes já na quinta geração.

Fernando Sousa

Lembranças de infância - Memória Varzealegrense

Lamparina - Usava-se com querosene 

Lembranças de minha infância! - Cleiton Fiúza de Menezes


Entre as muitas lembranças boas da minha de infância, estão as noites passadas no sitio do meu avô Luiz Fiuza... a energia elétrica ainda não havia chegado lá naquela época e, ao final da tarde, todos os netos já haviam descido para tomar banho no cacimbão e estavam preparando-se para jantar, antes que a luz do sol nos abandonasse completamente.

Depois que escurecia, minha avó começava a acender as lamparinas (um artefato como esse da foto, para quem não chegou a conhecê-las) e distribuí-las em locais estratégicos da casa... como eu era pequeno, tinha uma lamparina menor para mim.

Íamos para a calçada da frente, geralmente bem iluminada pela lua e estrelas devido a escassez de nuvens no sertão nordestino, e eu deitava com a cabeça no colo da minha avó para ouvir algumas de suas incríveis histórias da "dona carochinha", uma senhora que sempre voltava das festas dos contos de fada com um pote de doce na cabeça, mas escorregava, caía e derramava tudo no chão.

Depois das 20h, minha avó já começava a acomodar cada um em sua rede e apagar as lamparinas, uma a uma, até que só restasse uma, que serviria de guia para quem precisasse levantar durante a noite.

Tempo bom demais... lembranças bem guardadas em um lugar muito especial do coração! 

Saudades dos meus avós e dos primos que cresceram comigo, cercados de lamparinas aos finais de semana, na casa do do meu avô Luiz Fiúza no Sítio Serrote......

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

DO  MEU  AVÔ  POETA.

MOTE:

JESUS SOBERBO TALENTO
ÁGUIA DO ESPAÇO CAÍDA,
VIVEU NA TERRA UM MOMENTO
MORREU NA AURORA DA VIDA.

Toda as vezes que fito
A imensa natureza,
O céu com a sua grandeza
A terra onde eu habito,
Todo esse azul infinito,
Que compõe o firmamento,
O sol, as nuvens, o vento
As serras, o mar e a lua
Creio que tudo é obra tua
JESUS SOBERBO TALENTO.

Do seio eterno viestes
Cheio de tanta ciência
Com tua humilde prudência
Tão santo exemp-lo nos destes.
E que mais ainda quisestes
Com a tua carne ungida
Vir nos dá o pão da vida,
Para nossa salvação,
Só tu sublime visão
ÁGUIA DO ESPAÇO CAÍDA.

Senhor de tanta grandeza,
Autor do céu e da terra
De tudo que o mundo encerra
De graça, encanto e beleza,
Quis abraçar a pobreza
Sujeitou-se ao sofrimento,
A cruz, martírio cruento,
Morreu então como um réu,
Mas depois voltou so céu
VIVEU NA TERRA UM MOMENTO.

Foi preso e foi açoitado,
Desapiedadamente,
Vendo o seu corpo inocente
Pelos homens ultrajados.
E depois martirizado
Vendo sua mãe querida,
Valorosa e coagida,
Pelo poder dos tiranos,
Só viveu trinta e três anos
MORREU NA AURORA DA VIDA,

Joaquim José Vieira
( Joaquim Piau )


032 - Do Tempo do Bumba - Memória Varzealegrense

VOCÊ  ESTÁ  PERDOADO - Mundim do Vale

O Coronel Antônio Correia e José Joaquim Vieira ( Joaquim Piau )
Eram amigos e correligionários na política em Várzea Alegre-Ceará. Os dois também faziam parte  das campanhas de arrecadações de fundos para a paróquia. Nas quermesses Joaquim Piau conduzia o Partido azul e o coronel o encarnado.
Antônio Correia era propritário de umas terras no pé da serra do Gravié, onde tinha uma lagoa que era a menina dos seus olhos.
No ano de 1935, um grupo de rendeiros procurou o coronel a fim de arrendarem as suas terras para o plantío de arroz. Entre os rendeiros estava o meu avô Joaquim Piau na posição de líder do grupo. Os outros eram os Joaquins, os Lobos e os Marcianos da Unha de Gato.
Feito a proposta ficou acordado que havendo a safra os rendeiros pagariam  vinte por cento da produção, se não houvesse inverno para segurar o legume todos perdiam. Fizeram as plantações em janeiro, as chuvas vieram, a lagoa encheu e o arroz crescia mais do que os fuxicos da Varzinha.
Quando foi no final de abril o arroz já estava embuchando e faltaram as chuvas. Nós sabemos que quando o arroz está embuchando, se a terra não estiver mollhada  o caroço não enche e o prejuízo é certo.
Um dia o líder Joaquim Piau recebeu a visita dos outros rendeiros, que traziam uma idéia para salvar a safra. Um deles dirigiu-se ao meu avô e falou:
- Cumpade. Se nóis num tumar uma providença, nóis ramo perder a safra.
- E qual seria a providência?
- É nóis falar cum o coroné pra ele arrumar água da lagoa prumode nóis aguar.
- Eu acho muito difícil Antônio concordar. Há não ser que nós arrombe.
- Mais omi, o coroné é valente e a casa dele é cheia de jagunço.
- Mas ele não precisa saber. Nós vamos à meia noite, abre a parede, solta a água e depois fecha novamente.
Assim foi feito; O grupo foi à meia noite, formaram os baldes, fiseram as contenções para que a água não saisse da roça, cortaram a parede e depois fecharam.
O arroz segurou, mas os rendeiros ficaram inseguros, por conta do ódio explícito do coronel, que dizia na rua:
- Se eu descobrir quem foi que fez aquela desfeita,ele vai receber um castigo para nunca mais desmoralizar um homem de bem.
Os rendeiros pagaram a renda combinada, mas o coronel não se conformava, estava sempre especulando para descobrir os malfeitores.
No mês de agosto do mesmo ano, o coronel e Joaquim Piau foram para uma reunião na paróquia, onde desenvolveram a estratégica da campanha para a festa do padroeiro. Terminada a reunião, o meu avô colocou a mão no ombro do coronell e falou:
- Antônio. Eu tinha dois assuntos para falar hoje. Um nós já resolvemos e o outro é sobre a lagoa.
- E o que é que tem a lagoa?
- Você não tá querendo saber quem foi que arrombou? Pois eu vou lhe diizer. Quem arrombou a sua lagoa fui eu.
O coronel afastou-se, arregalou os olhos, mordeu a língua e falou:
- Joaquim Piau! Como foi que você teve coragem de fazer uma coisa dessa comigo? Se você tivesse me pedido a água eu lhe dava até a lagoa toda para agoar o seu arroz.
- Eu sei Antônio, mas acontece que se eu lhe pedisse a água, eu segurava o meu, mas o restos dos rendeiros perdiam os deles, você perdia a renda e São Raimundo perdia a esmola. E eu sei que você não morreu de sede por cauza disso.
O coronel aproximou-se novamente e disse:
- Pois bem Joaquim. Já que a sua atitude foi em prol da comunidade. VOCÊ  EST[Á  PERDOADO.

Fonte: Paulão Piau.
Dedico esse cauzo a Luís Carlos Correia.

011 - Dalmir Freitas - Histórias de Varzealegrense

Quando nós fomos embora de Várzea Alegre para cidade do Crato, a feira de nossa terra era no sábado e a do Crato na segunda, eu tenho um irmão que ele dizia,"mamãe o sábado daqui é na segunda" e a gente se divertia muito com essa afirmação.

Uma das lembranças mais forte que eu tenho da minha terra é o dia da feira, o"SÁBADO" dia da semana que fazia de Várzea Alegre uma cidade mais movimentada do que já era normalmente.

Ao entrar no mercado logo pela manhã você já notava o movimento maior do açougue, toda fruta tropical, todo tipo de jogo lá você encontrava e um moinho de sal de Alexandre cabeleira, e bancas vendendo refeições, bolos, doces e produtos da terra completavam as atrações de interior do mercado público.

Os comércios, e cafés restaurantes, existentes ao redor do mercado e demais localidades, aos sábados pareciam dias de festas, pois a feira de Várzea Alegre era uma festa.

Bom, tinha a parte mais divertida da feira a visita dos parentes na casa da gente, avós, tios, primos, que moravam na zona rural e quando vinham a feira sempre achavam um jeitinho de nos visitar, era sensação muito boa.

Agora a feira mesmo onde quase todo mundo comprava quase tudo, era na parte em frente do mercado público em frente onde era João Teixeira, tinha a feira de cereais, da rapadura, das louças e principalmente a feira de mangai, era movimentadíssimo.

Na medida que o dia ia passando tinha uns feirantes que adoravam tomar uns drinks e aquela parte que tinha a sinucas de Zé de Zuza, o bilhar de João Francisco e o bar de Negro de Aninha, André, e outros, principalmente no bar do Aninha sempre mais na parte da tarde, quando não era Chico de Amadeu, Pedro Souza, Matias, era Bié, J úlio Xavier ou mestre Chagas, eu nunca sair de perto só quando eles guardavam a sanfona ou o sax, pense aí, ao vivo e a cores.

Quando a feira e a festa de agosto eram no mesmo dia, você não sabia o que era melhor, a feira da festa ou a festa da feira, eu tenho saudades.

O CINE ODEON, aos sábados também entrava no ar na parte da tarde,principalmente nas férias e na festa de agosto e eu adorava aquela poluição sonora da época,"CINE ODEON, NOSSOS MÚSICOS AO VIVO, CAMELÔS DA FEIRA" era uma poluição romântica.

A gente adorava tudo isto.
Dalmir.

domingo, 18 de agosto de 2013

Dados Genealógicos - Memória Varzealegrense


Alguns dados genealógicos refentes a foto abaixo.


No centro da foto, sentada, Dona Vicência Jorge de Alexandria, Vicencinha da Varjota como era chamada por todos. E, para nós, seus descendentes,"Mãezinha". Ao seu redor, da esquerda para a direita, primeiro plano: Em pé Toinha Daniel, filha de João Daniel e Maria Alves de Lima, sentada ao lado de Dona Vicência (Mãezinha), a maravilhosa Anita Martins, do outro lado, também setada, Milita de belíssima voz e em pé Lourinho.Por trás, em pé: Dois irmãos de Milita Cujos nomes me fogem no momento. De terno escuro, Fausto Martins, pai de Anita, Joel e Azarias. José Martins, meu pai, Chico Siebra, chamado de Chico de Vina. Por último, José Ildefonso de Lima, Zezinho do Baixio de Exú, pai de Maria esposa de Azarias Martins. (Identificação por Edmilson Martins Lima)


RAIMUNDO DUARTE BEZERRA (Papai Raimundo), Casou-se duas vezes, do primeiro casamento com Maria Teresa de Jesus, nasceram sete filhos:

- Ana Maria Bezerra,
- João Alves de Almeida,
- José Raimundo Duarte (Zé Raimundo do Sanharol),
- Joaquim Alves Bezerra (Major Joaquim Alves),
- Francisca Clara Bezerra,
- Josefa Duarte Bezerra e
- Mariana Alves Bezerra.

Do segundo casamento nasceram nove filhos:

- Ildefonso Correia Lima ( Major Ildefonso Correia),
- Bárbara Maria de Jesus,
- Isabel Bezerra de Morais (Beluca),
- Maria Madalena Bezerra,
- Manoel Antônio de Morais,
- Raimundo Duarte,
- Uma filha conhecida por Maricota,
- Teresa Ferreira (Tetê Ferreira) e
- O Caçula conhecido por Benedito.

A filha mais velha, Ana Maria Bezerra, casou-se com Pedro Vieira da Costa dos quais nasceram sete filhos:

- José Vieira da Silva (Cazuza Vieira),
- Pedro Francisco de Oliveira,
- Ana Josefa do Sacramento,
- Antônio Gonçalves de Oliveira (Araújo – Tenente),
- Teresa Maria de Jesus (Teresinha da Cana Brava),
- Isabel Morais, e
- Joana Francisca de Almeida (Janoca).

Janoca, a caçula, casou-se com seu tio materno, segundo filho de Papai Raimundo, João Alves de Almeida e tiveram os seguintes filhos:

- Maria Vitória Correia Lima casada com o Coronel Antônio Correia,,
- João Alves de Almeida ( Joãozinho da Vazante),
- Joaquim Alves Bezerra (Quimquim),
- Raimunda Alves de Almeida,
- Manoel Antônio de Lima,
- Vitória que feleceu solteira, e
- Padre José Alves Bezerra, terceiro vigário de Várzea Alegre.

Manoel Antônio de Lima, Quinto filho do casal, casou-se com Dona Vicência Jorge de Alexandria (Vicencinha da Varjota), A MATRIARCA DA FOTO 1.046, dos quais descendem muitas famílias tradicionais de Várzea Alegre.

Dados extraídos do livro VARZEA ALEGRE: SETE GERAÇÕES DESDE PAPAI RAIMUNDO de autoria de: Pedro Alves de Morais e Acelino Leandro da Costa.

Edmilson Martins.

010 - Foto Memórias! - Memória Varzealegrense

Família Freitas - Memória Varzealegrense


No centro, sentada, a matriarca da família Amélia Alves de Lima (Tia Amélia) filha de Vicência Jorge de Alexandria (Vicencinha da Varjota). Em pé da esquerda para a direita, Manoel Alves de Lima (Ieié), O único que não era da família Freitas, era sobrinho de tia Amélia, seus filhos, Joaquim, joana, Valdevina, Milita, Maria e Ildefonso. Na frente em pé, Sulida e Melinha Filhas de Valdevina.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Lembrando Luis Sérgio - Memória Varzealegrense

LEMBRANDO  LUÍS  SÉRGIO - Mundim do vale

VIAJOU

Queria ele viajar
Pisar em terras estranhas,
Correr, sonhar e brincar,
Subindo pelas montanhas.
Rolando pela areia
Olhando longe a sereia
Beber da fonte na mão.
Vê a água da nascente
Depois descer na enchente
Fugindo da solidão.

Queria beber aurora
Depois vê o sol brilhando,
Correr pelo mundo afora
E vê as aves brincando,
Tudo correndo perigo
Sem proteção nem abrigo
Fazendo festa no ar.
Colher o fruto maduro
Se embriagar no futuro
Mundo afora sem parar.

A viagem foi comprida
E o regresso demorado,
Desde o dia da partida
Não mandou nem um recado.
Ele deve está gostando
Mas sei que vive lembrando
Dos familiares seus.
Sei também que está seguro
Viajou para o futuro
Está na casa de Deus.

Mundim do Vale.

Parabéns! - Memória Varzealegrense

Parabéns a Flor do Chico - Mundim do Vale

Flor do Chico, flor amada
Veja só o que achei,
No calendário encontrei
A sua data marcada.
Hoje é seu dia de fada
De festa e de alegria
Minha vontade é que o dia
Seja de paz e amor.
É o desejo do autor
Dessa humilde poesia.

As borboletas estão
No jardim fazendo a guarda,
Seu jardineiro lhe aguarda
Com um presente na mão.
Os colibris hoje vão
Pra fazer a acolhida
Da sua Flor preferida,
A mais bela do lugar.
Depois vão lhe desejar
Parabés e longa vida.

Seu amigo está auzente
Nessa data de agosto,
Mas diante do proposto
Eu queria está presente.
Um amigo sempre sente
Não poder comparecer,
Para de perto dizer:
- Parabéns minha querida!
Deus conserve em sua vida
A Saúde e o saber.

Mundim do vale.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Versos Lá de Nós - Por Mundim do Vale.

OPERAÇÃO  PORCARIA.

Terça feira de carnaval do ano de 1971 na cidade de Várzea Alegre Ceará.
Dia da mentira.

Mandei matar um leitão
Pra fazer uma feijoada,
Aluguei um caminhão
E convidei a cambada.
Foi no sítio Cachoeira
Na manhã de terça feira
Que aconteceu a folia.
Como era carnaval
Botei o nome legal
OPERAÇÃO  PORCARIA.

Os convidados gritando
Era a maior confusão
E eu alí controlando
Chamando sempre a atenção.
Parecia uma saída
Pra jogar uma partida
Num campo de futebol.
Saimos nessa zoada
Nossa primeira parada
Foi no sítio Sanharol.

Um convidado pulou
E furtou uma galinha
Ali mesmo ele pelou
Atrás da casa vizinha.
Pediu pra mulher torrar
Para na volta pegar
E tomar a saideira.
Ali já subiu mais gente
Tocamos o carro pra frente
Chegamos na Cachoeira.

Lá no sítio Cachoeira
Fui conzinhar o feijão,
Começou a bebedeira
A maior perturbação.
Já fiquei aborrecido
Porque tinha esquecido
De levar prato e colher.
Chico Brito aproximou-se
Com quinze latas de doce
Que arranjou duma mulher.

O feijão foi conzinhando
E eles na putaria
Eu fui logo temperando
Do jeito que eu queria.
Botei mocotó e osso
Tripa e carne de pescosso
E até carretel de linha.
Não sei se iam gostar
Mas para o caldo engrossar
Botei maizena e farinha.

Quando o feijão ficou pronto
Eu comecei a servir
Tinha um convidado tonto
Foi o primeiro a pedir.
Ele só tinha um dente
Engoliu a caldo quente
Só um carretel ficou.
Ele jogou para um lado
Já caiu acompanhado
Do seu dente que quebrou.

Tinha outro convidado
Que era muito exigente
Botou a mão pra meu lado
E eu servi o feijão quente.
Ele ficou sem ação
Rebolou tudo no chão
E a lata ficou pregada.
Ele tentou arrancar
Dizendo: - Se eu escapar
Não como mais feijoada.

Nós resolvemos voltar
Pra felicidade minha
Mandaram o carro parar
Para pegar a galinha.
Quem foi pegar foi Antão
Que trouxe num caldeirão
O bendito tira-gosto.
Chicco Brito segurou
Mas pra Antão só sobrou
Farofa e tapa no rosto.

Foi a maior confusão
Murro ia e murro vinha
Eles derrubaram Antão
Só por causa da galinha.
Quando chegamos na praça
Eu pedi logo uma graça
A santa virgem Maria.
Que se terminasse em paz
Eu não faria jamais
OPERAÇÃO  PORCARIA.

Mundim do Vale.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O Triste Adeus de Amélia - Por Mundim do Vale.

Vejam a semelhança desta tragédia com a de Maria de Bil. Eu sei da história por ouví várias vezes o autor do verso abaixo recitando em minha casa.

O  TRISTE  ADEUS  DE  AMÉLIA.

Autor: Poeta e profeta, Pedro Severino.
Várzea Alegre, 19 de novembro de 1939.

01

Leitores leiam este verso
Que ningém o conhecia
Pense com sinceridade
Sendo vós como fazia,
Com este lobo cruel
Que assassinou Maria.

02

Com lágrimas e sentimentos
Lanço a pena na mão,
Peço licência ao leitor
Para mover uma ação
Dessa história tão penosa
Que fez cortar coração.

03

Dezenove de novembro
Nessa data receiosa,
Ninguém jamais esperava
Que uma fera rancorosa
Assassinasse Amélia
De uma morte dolorosa.

04
                    
É preciso descrever
Quem foi de Amélia o pai
Para o leitor conhecer
De onde vem, pra onde vai,
Quem ver uma morte dessa
Do pensamento não sai.

05

O senhor José Tomaz
Era o seu progenitor
A mãe maria José
Que com carinho beijou,
Porém dona Mariquinha
Era a mãe, porque criou.

06

Amélia desde criança
Que ficou na orfandade,
De morar com os seus pais
Não teve a felicidade
Foi morar em casa alheia
Com oito anos dem idade.

07

Mais teve a dignidade
De morar com Mariquinha
Que como criou Amélia
Ela chamava madrinha
Esta lhe criou com zelo
Desde de pequenininha.

08

Amélia lá pelo Cedro
Cresceu e se fez mocinha,
Tendo muita educação
Dada por a Mariquinha,
Digo com conhecimento.
Que antes ela não tinha.
                   
09

Amélia depois de moça
Essa dona Mariquinha,
No sítiol Aba-da-Serra
Morava com uma sobrinha
E Amélia veio passar
Uns meses com Sinhazinha.
           
10

Amélia quando chegou
Foi grande a satisfação,
De abraçar Sinhazinha
E seguirem em união.
E no meio das vizinhas
Crescia grande ambição.

11

Vicente o dono da casa
Numa bodega vendia
Devido o conhecimento
Muitos negócios fazia,
Ficava Amélia por dona
Quando Vicente saia.

12

Ficou ela na bodega
Com gentileza e cuidado,
Para aqueles de costume
Ela vendia fiado
Quando Vicente chegava
Tava pronto o apurado.

13

Amélia quando menina 
Levava o tempo chorando
Cresceu se pôs uma moça
E só vevia cantando,
Sem pensar que a morte vinha
Dela se aproximando.
  
14

Amélia naquela casa
Tinha grande simpatia
Pois só vevia cantando
Era o dom da alegria,
Quando Amélia não estava
A casa entristecia.

15

Vai se um dia e vem o outro
Até que o dia chegou,
Que o Satanás do inferno
O Ananias atentou,
Que ele com uma foice
A Amélia assassinou.

16

Sobre a porta do oitão
Tava Amélia descuidada
Quando chegou Ananias
Sutil e sem dizer nada,
A pobre sem esperar
Recebeu uma foiçada.

17

Amélia neste momento
Deu um grito desmedido
E Sinhazinha chamou
Por Vicente seu marido
Pra vê se havia um meio
De segurar o bandido.

18

Amélia com aquele golpe
Um grito bravo soltou:
- Valha me Nossa Senhora,
Ananias me matou,
Estou me esvaindo em sangue
Socorrei-me redentor!
        
19

Valha – me Nossa Senhora
Meu Jesus de Nazaré.
A fim de atalhar o sangue
Ainda estava na fé,
Que pediu a Sinhazinha:
- Traga a lata do do café.

20

Ela disse essas palavras
E para dentro partiu
Arrependeu-se e voltou
Na mesma porta saiu,
Desceu um pouco e voltando
Perto da casa caiu.

21

Vicente Costa subiu
Com Chico ali encostado,
Quando encontrou Ananias
Com olhos de cão danado,
Com um cacete na mão
E uma faca de lado.

22

Sinhazinha ia correndo
Pela margem da calçada
E Ananias atrás
De dar uma borduada,
Vicente tomou a frente
Atirou uma pedrada.

23

Vicente errou a pedrada
E ele errou a borduada,
Ali travou-se uma luta
Para o lado da estrada,
Nisto Sinhazinha viu
Amélia em sangue banhada.

24

Amélia disse: - Sinhazinha!
Negrinha me acode aqui,
Sinhazinha respondeu:
- Demore um pouquinho aí.
Que eu venho num instante
Fazer remédio pra tí.

25

Sinhazinha  aquela hora
Botou os olhos e foi vendo
Amélia em sangue banhada
Desmaiando esmorecendo,
Porém ainda dizia:
- Sinhazinha estou morrendo.

26

Amélia naquele instante
Não podia mais andar,
Conhecendo que caia
Tratou de se ajoelhar,
Sinhazinha inda chamou
E ela não poude falar.

27

E o tal do Ananias
Foi logo preso e amarrado,
Num tronco de juazeiro
Pelo genro e o cunhado.
Trinta anos de cadeia
Foi ele sentenciado.

28

Depois levaram a Amélia
Colocaram na calçada,
Porém ela quase morta
Sem poder dizer mais nada,
Só fazia abrir a boca
Deitando sangue  a golpada.

29

Mostraram a imagem do Senhor
Cravada em ujma cruz
E Francisco de Chicô
Botou-lhe na mão a luz,
Começou logo a orar
Com o nome de Jesus:

30

- Jesus, Jesus, Jesus
Assim Francisco dizia
E tornava a repetir
Jesus, Jesus e Maria
Vinde o anjo da guarda
Para ir na tua guia.

31

Vicente Costa mandou
Um portador avexado:
- Vá ao Cedro. E a chiquinho
Dê esse triste recado
Diga que a noiva dele
Teve óvito inesperado.

32

O portador seguiu logo
Mas muito contrariado,
Entrou pelo Umari Torto,
Como quem ia enganado.
Num jogo de futebol
Chiquinho foi encontrado.

33

Odilon chegou no campo
Contou o que aconteceu
Chamou Chiquinho e lhe dissse:
- A sua amada morreu,
Assassinada inda agora.
Ele alí entristeceu.

34

- Chiquinho a morte de Amélia
Foi assim como uma aviso
Quando avistou Sinhazinha
Não chorou, fez ar de riso,
Ela disse: - Adeus Chiquinho
Até dia de juízo.

35

- Chiquinho a minha morte
Foi rápida e sem defeza,
Porque a vida da gente
É como uma luz acesa,
Receba essa aliança
Oh que hora de tristeza.

36

- Coloca essa aliança
No dedo menor da mão,
Tinja de sangue tua alma
E de luto o coração
E se me tem amizade
Sinta a separação.

37

Chiquinho ali provou
Que tinha grande amizade,
Em saber que ela morreu
Foi uma fatalidade,
Ele abraçou a tristeza
Jejuou com crueldade.

38

Ele almoçou a fraqueza
Suspiros soltos jantou
À tarde merendou pena
À noite toda orou,
Quando o dia amanheceu
Mais triste  se levantou.
                  
39

Aqui eu deixo Chiquinho
Sem sua amada querida
E volto atrás de Amélia
Que foi quem perdeu a vida
Peço licência aos mais
E faço uma despedida

40

Adeus sítio Aba-da-Serra
Terra de grande alegria,
Fica em paz eu vou embora
Com Deus e Santa Maria
Hoje as onze mil virgens
Serão minha companhia.

41

Adeus terra de meus pais
Que eu nasci e me criei,
Adeus padre da freguesia
Matriz que me batizei,
Adeus  pequena Laene
A flor que eu mais beijei.

42

Adeus casa onde eu morava
Tiá onde eu tecia,
Adeus alpendre querido
Adeus quarto onde eu dormia,
Eu nunca pensei na vida
Que em tua porta eu morria.  

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Homenagem a Vicente Primo - Por Nair e Tania Primo.

Vicente Primo nasceu no dia 10 de maio de 1902, na cidade de Várzea Alegre-CE. 

Foi casado com D. Irene de Carvalho Primo. Era usineiro, sempre viveu do comércio, foi dono de várias casas comerciais.

Ingressou na política pelo antigo partido UDN. Hospedava em sua casa vários políticos amigos, como Virgílio Távora, Paulo Sarazate, Faustino de Albuquerque e teve a honra de receber o patrono da Aviação Brigadeiro Eduardo Gomes. Foi candidato a prefeito dessa cidade, mas como a contagem de votos foi feita em Lavras da Mangabeira com muito roubo, perdeu para o partido oposto. 

Nossa casa foi benta pelo Padre OTÁVIO, ficando com o nome de Vila Primo. Creio que ainda existe gente que o conheceu.
Sou Nair Primo e sinto o maior orgulho de ser filha dessa figura que tudo que conquistou foi com honestidade e seu trabalho. Nunca dependeu de emprego político. 

O mesmo aconteceu com os filhos. Que São Raimundo abençõe essa cidade maravilhosa a qual me trás grandes recordações.
Saudades meu pai!!!!
  
Nair Primo

sábado, 10 de agosto de 2013

Vale a Pena Ver de Novo - Memória Varzealegrense

IDIOMA  SEM  NAÇÃO.

Quando os nossos conterrâneos que estavam em São Bernardo, vinham de férias a V. Alegre, era aquela festa, chegavam ricos e falando num idioma sem nação, como dizia o saudoso Zé Clementino.
Uma vez chegou Pedro de Raimundo Leandro vestindo calça boca de sino, calçando um sapato cavalo de aço, um gravador a tiracolo e um relógio oriente.
Acontecia a festa do padroeiro e no sábado pela manhã Pedro foi dar uma volta na cidade, acompanhado de algumas garotas. Passou pela feira  onde Renato de Zé Sobrinho vendia frutas e aproximou-se da banca. Abriu a mão e bateu forte  numa melancia dizendo:
- Oh meu. Quanto que é o cocômero?
Renato respondeu:
- Inteira é 5,00 e uma banda é 3,00.
Com a mão sobre a melancia Pedro disse:
- Corta essa. Bicho!
Renato passou a faca na melancia e dividiu em duas bandas, pegou uma das bandas e foi entregando a  Pedro.
Pedro rejeitou dizendo:
- Qualé malandro? Eu não quero isso não.
Renato com a banda da melancia numa mão e a faca na outra falou:
- Você tem que levar. Tá pensando o que? Chegou aqui falando ingrês, me chamando de bicho e fez  eu cortar a tamboroca agora vai levar.
Pedro vendo a raiva explícita do vendedor e a faca pingando aquele suco vermelho, deu uma nota de 5,00 e saiu sem nem olhar pra traz.
Taveirinha que tinha acompanhado tudo gritou:
- Ei Pedro! Tu num vai levar a cocom não.


Mundim do Vale

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

TÁ  ÀS  ORDENS.

Trío Maravilha, foi o apelido certo que Punduru encontrou para colocar nos nossos conterrâneos Fúlvio Rolim, Régis Teixeira e Elano Sátiro. Oe três só andavam juntos. Era um por todos e todos por um.
Dos três o que tinha melhor situação finaceira era Fúlvio. Ele possuia uma bicicleta Monark e um carneiro impestado de carrapichos. Um certo dia Fúlvio vendeu a bicicleta e o carneiro e com o dinheiro apurado comprou um Fiat uno de cor vermelha.
Hudson Batista assim que viu o carro batizou logo de Trovão Vermelho.

CONDIÇÕS  TÉCNICA  DO  VEÍCULO:
. O freio era precário e não tinha buzina quando trafegavam numa rua de muito movimento de pedestres, Régis gritava:
- Arreeeeda. Mói de chifre!
Elano sátiro para auxiliar na buzina dava umas pancadas na lateral do carro.
. O tanque de combustível, da metade pra cima era só ferrujem porque a gasolina nunca chegou até lá. Teve uma vez que Fúlvio arrancou dois pés de feijão que nasceu lá.
. Só trafegavam de dia porque os faróis e as lanternas não acendiam. Segundo Hudson Batista a única lâmpada que vivia acesa era aquela de alerta do combustível, porque nos cinco anos que Fúlvio passou com o Trovão Vermelho, a lâmpada nunca apagou-se.

DOCUMENTAÇÃO  DO  VEÍCULO:
. O único documento que o carro possuia era um recibo de venda feito em papel de caderno e assinado por Gustavo Correia.

DOCUMENTAÇÃO  DO  CONDUTOR:
. O documento que Fulvio tinha era uma xerox do registro civil tirado no cartório de Zé Guedes no São. Caetano.

Uma vez o trío resolveu passear e foi feito uma vaquinha para abastecer o carro que rendeu três cruzados novos. Seguiram para o posto mas quando faltava 500 metros a gasolina acabou. Fúlvio mandou Elano chamar um dos frentistas para ajudar a empurrar o carro até o posto. Na chegada da bomba o condutor botou a mão no bolso e falou para o frentista que já tinha empurrado o carro:
- Bote três cruzados novos.
O frentista patinava na geléia, mas também era gozador, meteu a mão no bolso e falou:
- Eu vou botar dois cruzados do meu para completar cinco, que eu não tou apariado a empurrar mais carro de liso não.
Terminado o abastecimento o frentista entregou a chave e perguntou com ironia:
- Vão viajar?
Régis respondeu o insulto.
- Porque você não vai tomar no caneco?
A bichinha botou as mãos nos quartos, deu duas volta no corpo sem tirar os pés do chão e respo0ndeu:
- Há, meu filho. Dá eu não dou não, porque não quero ficar sem ele. Mas se quiser emprestado, TÁ ÀS ORDENS.

010 - Dalmir Freitas - Histórias de Varzealegrense

Eu estou pensado exatamente na rua dos Perus na cidade de Várzea Alegre, eu acho que rua Dr. Leandro correia, era uma fatia da cidade que eu amanhecia e anoitecia fazendo as coisas que mais gostava,me divertia,trabalhava e aproveitava minha infância.

Pela manhã a primeira parada era na padaria de Joaquim Beato, o maior fabricante de massas fina da terrinha, eu pegava encomenda de pães e também fazia entrega que meu amigo Joaquim pedia, sem falar o que eu comia de pão BOM, ele gosta de mim.

Segunda parada Zequinha , ferreiro do bom , tinha um filho que era muito meu amigo, e eu até ajudava puxando o fole, pois adorava ver a batida do martelo e o formato das peças, ele era um ferreiro artista.

Mais adiante tinha o paiol de rapadura de André Costa, vizinho a seu Zé Peru, eu comprava rapadura a ele e quando a feira era ruim a sobra eu guardava rapadura la também , pois era bem quentinho e não melava, e ele me dava uma cópia da chave, e em frente morava NICÁRCIA uma amiga que era como se fosse uma mãe, eu adorava ela, ela era meiga e também gostava muito de mim.

A próxima parada era ajudar e atrapalhar meu amigo Zé Manga Mucha, no fabrico de ZINEBRA, VINAGRE e outros produtos, eu me lembro Zé com aquela tranquilidade, coando ,engarrafando e rotulando os produtos, e eu ajudando e contando piadas que ele nunca ria, mas eu gostava muito dele, era meu chapa.

Saindo do meu amigo Zé Manga mucha eu seguia mais poucos metros na esquina em um prédio de Dirceu Pimpim, encontrava meu amigo Chico Carrim, confeccionando material explosivos, traques,rasga latas ,bombas de parede etc, não precisava nem pedir ajuda,eu já estava dentro,menino adora explosivos e Chico além de simpático, aqui pra nós ,cantava Augusto Calheiro numa perfeição que só vendo, "ANDEI TRISTONHO E SOLITÁRIO...", era meu amigo CHICO CARRIM.

Pronto, ai chegava no oitão da casa de Antonio Costa, meu chefe, meu amigo, meu parceiro, ele gosta muito de mim pois eu era forte, honesto e esperto, ele tinha uns animais muito bons, depois que seu Abel enchia seus potes,  e da casa de Rosa Amélia os animais eram meus, eu enchia os potes la de casa, ia pegar banana na Cachoeira, etc.

Ele tinha um roçado logo ali perto de sua casa, a fartura e milho, feijão e tomates e outras verduras era fora do comum. Nas horas de folga ele tinha uma radiola PHILIPS, colocava no jardim ,colocava um disco de Luiz Gonzaga, e tome baião, tinha uma música que nós ouvimos uma 1.800 vezes,"CHAPÉU DE ARROZ DOCE, FORRADO COM TAPIOCA", e eu era de casa, pois fui criado dentro de sua casa, gostava de todos e todos gostava de mim, Humberto colocava um comércio eu tava dentro,eita que saudades. 

Uma vez Dona Maria Amelia, chega pra Costa Neto,ele ainda pequeno e conversando, pensando que ele não estava nem ouvindo," Costa vá na igreja e peça a São Raimundo Nonato e a São Vicente, que dê saúde a Antonio, ilumine a mente de Humberto e traga felicidade pra toda nossa família, etc, etc,"...  Costa desaparece, e Dona Maria Amélia, "cadê Costa, onde anda Costa", quando da fé la vem Costa com a cara de choro,"ou, vó, vó, mande Gorete da esse recado que eu não sei não".

A secretaria da casa de Antonio Costa era Tereza, gente fina, quando estive em Várzea Alegre a ultima vez encontrei com ela, muito nova ainda. Tinha uma música de Caubi Peixoto que Tereza tinha uma versão muito especial, ela cantava assim.

Senhor,
Aqui estou eu de pé junto,
Trazendo os olhos encarnados
De chorar por um difundo
Senhor por um erro de momento
Escanchado no jumento
Pra ir para sentinela
Senhor 
Eu gostava tanto dela
mas não sabia que ela 
Se chamava Gabriela.

Eita!!!
Dalmir.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Enquete Valendo Prêmio! - Memória Varzealegrense

A Lacqua Di Fiori De Várzea Alegre está doando este brinde abaixo para quem acertar a enquete.



Prêmio: Deo colônia Evolution in Rose 15ml + emulsão hidratante corporal 60g (bisnaga)
Regulamento: Acertar o nome das pessoas que estão na foto em destaque abaixo. 
Retirada do prêmio: Na loja Lacqua Di Fiori Várzea Alegre no dia em que der como encerrada a enquete 
O ganhador será informado aqui no Blog: 

Foto a ser identificada


Foto Memória Varzealegrense

Enquete Valendo Prêmio! - Memória Varzealegrense

A escritora Linda Lemos está doando este livro abaixo para quem acertar a enquete.



Prêmio: Um livro "Fragmentos para a Histéria de Várzea Alegre, 2ª edição da escritora Varzealegrense Linda Lemos. Que será lançado no dia 24 de Agosto em Várzea Alegre.
Regulamento: Acertar o nome das pessoas que estão na foto em destaque abaixo. 
Retirada do prêmio: No dia 24 de Agosto após o lançamento no Hotel Municipal de Várzea Alegre. Retirá com a própria Linda Lemos.
O ganhador será informado aqui no Blog: 


Foto a ser identificada



Colaboração de Terezinha Costa