VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Era assim a minha mãe - Memória Varzealegrense

ERA  ASSIM  MINHA  MÃE - Por Flor das Bravas.


Não a conheci na sua adolescência porque quando nasci ela estava com trinta e cinco anos. Mas conheci o vigor da sua jovialidade na energia com que desenvolvia suas tarefas diárias. Mulher de pulso firme, corajosa e disposição em tudo que se propunha a fazer e a fazer bem feito. Na culinária, era especialista sem nunca ter frequentado uma escola. Não havia na região quem melhor cozinhasse do que ela. Era a “Chef” em festas de casamento. Da galinha cheia às almôndegas empanadas, popularmente chamadas de bolinhas de festa. Não havia festa sem essas bolinhas de carne batida, porque não havia a facilidade do frigorífico e suas carnes moídas. Por maior que fosse a panela de arroz não saía cru ou queimado. Sua fama de boa cozinheira ia de um recanto ao outro. Em casa não confiava suas panelas a ninguém. Só ela tinha o tempero perfeito, a mão boa. O queijo de coalho ou de manteiga. O doce leite ou de gergelim. O chouriço ou o arroz doce de rapadura com amendoim. Chapéu de couro, manzape. Doce de cajarana, canjica ou pamonha. O pão de arroz ou a tapioca. Tudo era perfeito. Baião de dois com queijo ou carne de porco. O capote ou a galinha. Feijão com pão ou mungunzá com nata de coalhada e jerimum de leite vermelhinho, sem água de capa rosa. Andava léguas por uma cabaça de água pura quando a sua cacimba contraía ou se contaminava com a bendita da capa rosa que deixava o feijão com uma cor escura. Era exigente em tudo que fazia. Seu crochê era perfeito. Não era de muito abraço, mas amava a cada um dos filhos como se fossem únicos e eram. Dando-lhes a atenção conforme a necessidade. Ao mais frágil, mais carinho, ao mais forte, o seu apoio. Mulher forte, de fibra e coragem. A nadadora em dia de enchente no rio das Bravas. Seu grito ainda ecoa quando o açude ou o riacho nos chamava para o banho que se tornava ainda melhor quando nos acompanhava nas tardes ensolaradas e de águas correntes num riacho alegre onde a sombra da Oiticica dos Araçás era o balneário. A roupa lavada sabão da terra que ela mesma produzia e anil que azulava o branco. O cheiro da roupa lavada era o perfume que exalava de suas mãos mágicas. Mulher que se condoía com as mazelas dos outros. Não era alegre ou triste. Era equilibrada.  Conversava, cantava, rezava e ria. Uma novelinha no rádio. O pilão ou o moinho. Enfrentava inverno ou verão. Sonhava. Foi grande no seu silêncio, quando talvez, mais nos ensinou. 
Falar de mãe é um ato muito pessoal, cada um tem a sua visão com a qual traça o perfil de sua mãe com as características que dela concebe que se espera que sejam boas porque não se pode conceber que mãe alguma não seja boa. Quer pela força do nome ou dimensão da missão, mãe é essência, ciência e sabedoria. Mãe não se fabrica, mas se constrói na humildade e na ternura.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Causos lá de nós - Memória Varzealegrense

O  HOMEM  DA  CALÇA  PRETA - Mundim do Vale

No ano de 1970, chegava em Várzea Alegre-Ceará, o terceiro batalhão de engenharia e construção para construir um trecho da rodovia Transamazônica, que ligava a cidade de Lavras da Mangabeira a Farias Brito, passando por Várzea Alegre. Naquele ano a nossa cidade ganhou um impulso na economia, por conta de aluguéis de casas, vendas de bebidas e refeições.
O saudoso Natércio Andrade, além de outras atividades que tinha, montou um pequeno restaurante onde vendia refeições, bebidas e ainda emprestava dinheiro aos funcionários do batalhão cobrando uma pequena taxa de juro.
Natércio tinha como auxiliar a sua dedicada esposa Dona Mocinha. Os funcionários bebiam e fazia as suas refeições e os valores ficavam anotado em uma caderno, para serem pagos no dia do recebimento.
Certo dia Natércio viajou para São Bento da Cruz - Pa, onde  tinha negócio com alguns fornecedores de redes. Dona Mocinha ficou no restaurante e o retorno de esposo foi exatamente no dia do pagamento dos funcionários do batalhão. Natércio pediu a esposa o caderno onde estava anotados as contas e começou a conferir os nomes e os valores dos devedores e depois de folhear todo o caderno, chamou a esposa e falou:
- Mocinha. Aqui tem uma conta do homem da calça preta. Como é o nome desse homem?
Dona Mocinha respondeu com todos os argumentos que possuía:
- Sei não Natércio! Eu tava sozinha e ele tomou umas cervejas, depois almoçou, mas na minha agoniação eu terminei esquecendo o nome dele. Como ele estava com uma calça preta eu anotei.
Natércio sem demonstrar nenhum aborrecimento falou:

- Ou Mocinha. E se esse homem trocar a calça, como é que nós vamos receber essa conta?

sábado, 7 de dezembro de 2013

Mensagem - Memória Varzealegrense

Mensagem de fim de ano para os leitores do Memória Varzealegrense - Mundim do Vale

O natal se aproxima
Jesus aniversaria
Na mensagem dessa rima
Vão os votos de harmonia.
Que Deus esteja presente
Em cada um residente
Desse Vale do Machado.
Fazendo com que o povo
Esteja no ano novo
Com a paz sempre ao seu lado.

São votos do coração
Pra vê a família unida,
Que o ato do perdão
Seja a força da acolhida.
Fazemos na poesia
Um onda de energia
Para transmitir a glória.
Natal e ano novo de amor
Com a santa paz do Senhor
Aos leitores do memória.

Versos lá de nós - Memória varzealegrense

CIDADE  LATINHA - Agosto de 2003.

Várzea Alegre olhe pra frente
Não vá deixar sua gente
Viver de cabeça feita.
Fala com o teu eleitor
Mostra a ele o seu valor
Que só assim tu se ajeita.

Olha pra teu prejuízo
E vê se cria juízo
Nessa tua cabecinha.
Porque se tu não mudar
O povo vai te chamar
É de cidade latinha.

Latinha ação social
Latinha um hospital
Latinha maternidade.
Latinha esporte e cultura
Latinha agricultura
Latinha boa cidade.

Avisa a teu cidadão
Pra no dia da eleição
Saber com vai voltar.
Se ele não votar direito
Vai ficar do mesmo jeito
É pra tu, que vai sobrar.

Eu já vi em outros pleitos
Tu eleger bons prefeitos
E agora, não luta mais.
Ou tu toma uma providência
Ou vai viver na carência
Caminhando para trás.

Desengate a marcha ré
Bote uma quarta com fé
Pra tu não retroagir.
Olha pra frase guerreira
Que tem na tua bandeira
E confia no porvir.

Não deixe que predadores
Destruam nossos valores
Com violência e tortura.
Pois se isto acontecer
Garanto que tu vai ser
Deserdada da cultura.

A festa do padroeiro
A fogueira no terreiro
E a Praça de Santo Antônio.
Conserva na tua memória
Para lembrar da história
E manter teu patrimônio.

Várzea Alegre, mostre ação
Remova a corrupção
Com a força de guindastes.
Não deixe ninguém dizer
Que tu tá voltando a ser
A cidade dos contrastes

Desculpe eu me entrometer
Mas esse teu proceder
Me deixa preocupado.
Responda onde foi parar
A cultura popular
Um valor do teu passado?

Eu só estou te alertando
Porque tu tá trafegando
Na faixa da contra-mão.
Mas há como resolver
É só teu povo aprender
A votar na eleição.

Do jeito que está, tu dança
Porque tá feito criança
Que acredita em feitiço.
Dê um arranco pra frente
Futuque essa tua gente
Pra manter um compromisso.

Várzea Alegre eu agradeço
Se tu achar que eu mereço
E acatar meu alerta.
Vá resgatar seu valores
Junto com seus eleitores
Que a porta está aberta.

Bezerra de Morais
Setembro  de 2004.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Parabéns - Memória Varzealegrense

FELIZ  ANIVERSÁRIO, POETA  MUNDIM  DO  VALE!


Raimundinho,
Não é fácil escrever para um poeta achei  muito mais fácil escrever para o amigo de infância...sim..aquele garoto que brincava na pracinha com meus irmãos..já faz tanto tempo. Hoje a gente mal se encontra mas nosso carinho é quase fraternal. Que você tenha muitos anos de saúde e criatividade para espalhar seus "causos" por aí. Não preciso dizer que sou sua fã incondicional. Deixo aqui o abraço de aniversário da BITUZADA que te admira muito. Meus parabéns, poeta amigo.

Fátima Bitu

Versos lá de nós - Memória varzealegrense

MINHA CIDADE 

Em constante caminhada
O que muito fiz na vida
Jamais deixei esquecida
Nossa Várzea Alegre amada
Minha terra abençoada!
Berço de gente da paz
Que é só o que ela faz
E queira o PAI que assim se alastre,
Apesar de seus contrastes
Muito orgulho ela nos traz!

Várzea Alegre tem nos dado
Um gênero de criatura
Que nem pouco se mistura
Com esse tipo mal gerado
Hostil e mal educado
E procedimento obscuro.
Dá à luz o homem puro
Tem velhice conservadora
Mocidade promissora
De auspicioso futuro!

Todo filho seu se ufana
Da origem de sua vida
De sua terra querida
De tantas a mais bacana,
De tradição soberana!
E hoje como ela está
Não há mais bela, não há,
O seu céu de um lindo azul
Na região Centro Sul
Mais ilustra o Ceará!

Desde os tempos de menino
Sempre às margens do Machado
Tive a honra de ser criado
Junto a Zé Clementino.
Desde muito pequenino!
Nas Carnaúbas pertinho
Do sítio Juazeirinho
Onde nascera o cantor
E brilhante compositor
Nós dois éramos vizinhos!

Deixamos a localidade
Em nossa adolescência
E fixamos residência
Ambos então na cidade
Com familiaridade!
Pra onde? -Dizer é preciso?
Várzea Alegre! – olha o sorriso!
A terra de meus amores
Meu jardim cheio de flores
Autêntico paraíso!

Nossa terra tem beleza
Tem de tudo pra se ver
Em tudo se fez crescer
Demos graças à natureza
Que lhe deu tanta riqueza.
Nossa terra é um primor
Tudo nela é de valor,
Teve ascensão inaudita
Além de limpa e bonita
É toda cheia de amor.

Fui ao Rio de Janeiro
Pra ficar, mas não fiquei
Com saudades optei
Por Várzea Alegre em primeiro
E o Rio por derradeiro.
Razões eu entendo tê-las
É bem fácil concebê-las
Coisas do próprio instinto
Certo é que ora me sinto
Bem feliz como entre estrelas!

João Bitu.

Novos causos - Memória varzealegrense

MINHA  IRMÂ  CAÇULA.

Minha irmã caçula, na sua adolescência, vai a uma festinha. Havia muita festa boa pelos Sítios, casamento, São João e Leilões por volta dos anos setenta e oitenta. Numa dessas festas estava ela com um namoradinho. O tal namoradinho a chama para dançar.  Ela vai. Terminada a dança, o caboco diz: - Rami Ôta? E ela responde: - Rami Não!
Depois dessa, o namoro acabou!

Artemisia Sátiro

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Foto recordações - Memória Varzealegrense


Foto recordações - Memória Varzealegrense



Rua Duque de Caxias. Vamos identificar as crianças e as edificações mesmo que tenham sofrido reformas.
Na sequência a colaboradora Maria Eunice Diniz Moreno Vai dizer a pontuação dos acertadores.

Nota de Agradecimento - Memória Varzealegrense

NOTA  DE  AGRADECIMENTO.

O Memória Varzealegrense vem a público agradecer a poetisa Flor das Bravas e ao poeta João Bitu, os mais novos colaboradores do Blog. Suas matérias são de relevantes valores para manter a nossa história. Agradecemos ainda ao poeta Israel Batista pelo seu retorno ao Memória.
Para todos os colaboradores o imail do memória está disponível, para que enviem seus textos e suas fotos.
Vale a pena lembrar que na mensagem por imail, já fica caracterizado uma autorização para a publicação.


Um bom natal e feliz ano novo, é o que o memória deseja a todos os participantes dessa página.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A conversa de Alberto - Memória Varzealegrense

A  CONVERSA  DE  ALBERTO  SIEBRA  COM  SÃO  PEDRO  NA  PORTA  DO  CÉU - Por Mundim do Vale.

Alberto:
Bom dia meu bom porteiro
Como tem passado o santo?
Estou aqui pra cobrar
Pois pra isso, eu me garanto.
Mande chuva pro sertão
Que na minha região
Não choveu em nenhum canto.

São Pedro:
Meu filho pelo cadastro
Você foi um bom cristão,
Foi amigo dos amigos
Sendo assim bom cidadão.
Reconheço a sua fé
Mas somente São José
Manda chuva pro sertão.

Alberto:
Não vamos fugir do assunto
Que eu ando muito apressado,
Eu só passei por aqui
Pra trazer esse recado.
São José não embarreira
Abra logo essa torneira
Pra chover lá no machado.

São Pedro:
Meu filho tá no engano
Sua ficha não caiu,
Você é da casa eterna
Desde o dia que partiu.
Vá procurar Ormicinda
Que que lhe dar boa vinda
E ainda não lhe viu.

Alberto:
Estou certo do que quero
O meu santo é quem se engana,
Vou voltar pra Várzea Alegre
No outro fim de semana.
Vim só pra ver dona Adélia
Serginho de Rosa Amélia
E Siebra minha mana.

São Pedro:
Você terá muito tempo
Pra ver esse pessoal,
O encontro com o seu povo
Será noite de natal.
Você vai ver Raimundim,
Pedro Souza, Mestre Tim
E José de Lourival.

Alberto:
Mas logo após o natal
Quero a ordem pra descer,
Luzinete ficou só
E tem muito o que fazer.
Me diga se não é justo
Eu ficar com Pedro Augusto
Para ver ele crescer?

São Pedro:
Sua preocupação
É um tanto improcedente,
Você tem que admitir
Que não é mais um vivente.
Você tá em outro mundo
A terra de São Raimundo
Não é mais seu ambiente.

Alberto:
Então me diga onde anda
Geraldo de Zé Teté?
Onde anda Antônio Ulisses
E Carlito Cassundé?
Vou perguntar uma coisa
Cadê o poeta Souza
E o sanfoneiro Bié?

São Pedro:
Você vai ver todo mundo
Quando Deus autorizar,
Não venha querer dá ordens
Que aqui não é o seu bar.
Aqui é o paraíso
Se você tiver juízo
Jesus vai lhe abençoar.

Alberto:
Pois já que não vou voltar
Vamos tratar logo disto,
Junte toda a papelada
E mande Deus dar o visto.
Bote meu cadastro em dia
E peça a Virgem Maria
O aval de Jesus Cristo.

São Pedro:
Sua documentação
Eu revejo num segundo,
Mas eu já tenho certeza
Que tá a melhor do mundo.
Já está tudo aprovado
Você foi recomendado

Pelo santo São Raimundo.

Versos lá de nós - Memória varzealegrense

QUADRAS  COMPARADAS

Retrato se chama foto
Perfume vem da essência,
O ato de comprar voto
É tráfico de influência.

Pano preto é para luto
Faca pequena é quicé,
Quem compra voto é corrupto
E quem vende também é.

Calçada limpa é varrida
Drama se faz em capítulo,
Nunca vi na minha vida
A nota fiscal de um título.

Lambreta também é moto
Jantar de velho é mingal,
Aquele que vendeu voto
Traiu o seu ideal.

Baladeira é pra caçar
Todo Gêmeo é parecido,
Título é feito pra votar
E não para ser vendido.

Tempero bom é piqui
Eleitor tolo é otário,
Até hoje eu nunca vi
Um título no crediário.

 Nem que possa parecer
Com vantagem ou promoção.
Nunca vi ninguém vender
Um só título à prestação.

E se alguém parcelar
O voto para vender?
Se o comprador não pagar
Vai para o S.P.C.?

Para que o poeta rime
Ele olha a vida alheia,
Se comprar voto é um crime
Para que serve a cadeia?

Eu já vi banco na feira
Financiando animal,
Mas nunca vi financeira
Para título eleitoral.

E o besta do eleitor
Confiando no agrado,
Recebe do comprador
Até cheque pre-datado.

Eita, povo pra sofrer!
É o povo sem noção,
Já deu até pra vender
O voto na eleição.

Mundim do Vale.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Conhecendo nossas Capelas - Memória Varzealegrense

CONHEÇA A CAPELA DE SÃO VICENTE DE PAULO DO NOVO JORDÃO NO DISTRITO DE NARANIÚ.

Capela de São Vicente de Paula em Novo Jordão Distrito de Naraniú

27/11/2013- Ontem a tarde (26) de Novembro a equipe se dirigiu a mais uma comunidade, e desta vez a escolhida foi a de Novo Jordão, localizada no Distrito de Naraniú na zona rural de Várzea Alegre - CE.

O objetivo foi buscar nos arquivos registros de fotos e um pouco sobre a história da capela daquela localidade, que hoje conta com uma bela estrutura e espaço para seus fiéis.

Veja um pouco sobre a história.

A capela de São Vicente de Paulo foi construída no ano de 1951, o terreno para construção do templo foi doado, pelo Sr. Vicente Carneiro morador da comunidade.

Com a ajuda da comunidade o Sr Vicente Clementino Granjeiro, enfrentou com muita dificuldade a construção da capela.

O primeiro santo da capela foi doado pela senhora Lica de Zezim Alves, a mesma tomou conta da capela por vários anos.

Hoje a comunidade do Novo Jordão e comunidades vizinhos agradecem a Deus pelos 62 anos da capela.

A capela foi reformada neste ano, e conta com ventiladores, banheiro, sacristia, e um forro de PVC projetado para oferecer mais modernidade a construção que foi erguida há muito anos atrás.

Coordenadora: Aglaede e Tiquinha

Paroquia: São Raimundo Nonato.

Pároco: Padre Mota.

Publicado por: Assessoria de Comunicação do

SÍTIO FECHADO
DISTRITO DE NARANIÚ
VÁRZEA ALEGRE-CE

Um susto no rio - Memória Varzealegrense

UM  DIA  NO  RIO  E  A VIDA QUASE  POR  UM  FIO.


Fomos ao rio buscar água.

No leito seco do rio era cavada uma cacimba para o abastecimento de uma população de pequenos grupos. Cada grupo fazia a sua cacimba nas proximidades de suas casas. Conforme o passar do ano, a seca aumenta e a água fica mais profunda. Porque já não é água do rio, mas do lençol freático. A areia retirada a cada dia um pouco mais, a profundidade aumenta e a cacimba se transforma em quase poço profundo.
Era janeiro e em janeiro costuma chover. Não sabíamos que a Chuva que havia caído na noite nos pregaria uma peça de dia. Fomos ao rio. A água seria para nosso abastecimento diário: cozer, beber e higiene pessoal. É rotina. Ai que saudade! Do rio, não do sufoco.
Isabel, minha irmã, um pouquinho mais velha do que eu, desce  com sua vasilha a pegar água. Está lá dentro do buraco. Um buraco muito fundo e na areia. Qual é a segurança, se a barreira resolve vir abaixo? Nenhuma! Mas a barreira não veio abaixo. O que aconteceu foi muito pior. Não aconteceu uma tragédia porque nessas horas há sempre um anjo.
A Isabel, literalmente, no fundo do poço. Primeira chuva do ano e lá vem o rio descendo com água. Claro que o rio não desce, mas a água sim. Pois lá vinha a água. Encontra fácil o caminho da cacimba e vai rodopiando e enchendo o buraco. Quase a Isabel virava a finada neste dia. Porém, como ninguém morre antes da hora, ela ainda está vivinha da silva para confirmar esta história.
E o anjo? O anjo foi o nosso tio que por ali passava em tão desesperado momento e deu a mão e a vida à Isabel.  

Flor das Bravas

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Versos lá de nós - Memoria Varzealegrense

FUI, SOU E SEREI - JOÃO BITU

Já fui estudante, já fui importante
Já fui do Cariri
Já fui um político, já fui do fuxico
Já fui chefe ali.

Já fui ao gran Rio, já fui de navio
Já fui bedeboi
Já fui onde embarca, já fui lá de barca
Já fui a Niterói

Já fui seresteiro, já fui baderneiro
Já fui da orgia
Já fui de pernoites, já fui pelas noites
Já fui da folia!

Já fui das noitadas, fui das madrugadas
Já fui presepeiro
Já fui da gandaia, fui rabo de saia
Já fui desordeiro

Já fui caçador, já fui pescador
Já fui de usar choque
Já fui eu de farda, já fui de espingarda
Já fui do bodoque!

Sou lá das Lagoas, sou das terras boas
Sou de dons s virgens
Sou filho nativo, sou amante ativo
Sou fiel às origens

Sou Pai da Verinha, sou dela e ela é minha
Sou mais que feliz
Sou hoje evangélico, sou arrimo poético
Sou bom aprendiz

Sou cria da casa, sou tal uma brasa
Sou meio afobado
Sou já bem idoso, sou sim orgulhoso
Sou bem afinado!

Sou homem de frente, sou quente e valente
Sou bem atrevido
Sou líder sou forte, sou homem de sorte
Sou mui destemido!

Sou muito da troça, sou filho da roça 
Sou fruto da terra 
Sou cria do humor, Sou agricultor
Sou dum pé de serra! 

Serei bom cristão, serei bom ancião
Serei comportado
Serei e contemplo, serei um exemplo
Serei abençoado!

Serei arredio, serei sempre pio
Serei pois que vale
Serei um fã sim, serei ...de MUNDIM
Serei por que ... VALE!

João Bitu

Doces lembranças de minha terra...

DOCES LEMBRANÇAS DE MINHA TERRA - JOÃO BITU

“GUARDO como se tudo fosse agor
Com bastante clareza ainda lembro
Era uma noite cálida de setembro
Assim pelas vinte e uma horas
Em quarenta e oito e muito embora
Eu já fosse quase um homem feito
Ao ouvir Maria Bethânia, com efeito,
Na voz plangente de Nelson Gonçalves 
(Eu estava na Rua Major Joaquim Alves)
Pus-me a chorar não houve outro jeito” .

A família me mandara para a cidade, Várzea-Alegre é claro, a terra que amamos de todo coração e donde temos as melhores recordações, visto que hoje habitamos noutro lugar, embora apenas fisicamente, porquanto, em nossos pensamentos continuamos  residindo lá   o tempo todo. 

Os meus pais tinham o propósito de me oferecer boas escolas e esta era  a única forma de iniciar sem maiores dispêndios financeiros,  ao alcance de suas disponibilidade econômicas.

O passo inicial foi dado na escolinha de Dona Francisca de Romão, “Dona Caixinha”. que se casou com Antônio Alves Costa “Antonio Diô”,  A escolinha funcionava  em sua residência no turno da tarde.  No ano seguinte fui para a escola de Walquírio Correia, muito em evidência naquela época, cursando o terceiro ano primário. 

Ótima escola, o professor bastante eficiente e altamente brincalhão, sem  perder a autoridade  necessária à função. Tive ainda uma ligeira passagem pelo Grupo Escolar, hoje o Colégio Estadual José Correia, na antiga Rua Getúlio Vargas.

Walquírio Correia foi quem nos levou e matriculou para prestar exames de Admissão ao Ginásio no Colégio Diocesano de Crato em fins de 1951. Obtive aprovação e no ano seguinte iniciaria o Curso Ginasial.

Várzea Alegre, todavia, foi e será o meu berço amado, nada me fará esquecer toda sua beleza natural e esplendorosa vivência em torno do que se criou com o dia a dia.
A "AMPLIFICADORA A VOZ DE VÁRZEA ALEGRE” era o que havia de mais bonito, útil e saudável na cidade
em termos de entretenimento  e alegria.  

A juventude ansiava pela hora em que se iniciavam os seus trabalhos noturnos com a inesquecível valsa “BRANCA’,  que indicava a abertura de sua programação musical, anúncios de ocorrências natalícias e outros tantos acontecimentos sociais. As duas pracinhas existentes, a saber  - praça velha e  praça nova -recebiam em massa a mocidade  que  rodeava   em doce desfile  de beleza e  ansiedade em seus corações, ao ouvir as músicas tocadas na amplificadora sob  a direção  eficiente e alegre de Walquírio, sempre alegre e criador como costumava ser.

Eram músicas de alto gabarito e bom gosto, adquiridas a dedo por HAMILTON CORREIA em Fortaleza,
aquelas  que se destacavam nas paradas de sucesso, obras de compositores de valor e interpretadas igualmente por cantores em destaque.

Entre  tantas melodias inesquecíveis lembremos de “TARDE FRIA’ que ainda me dá um frio no coração, só em pensar, “A PÉROLA E O RUBI” que de fato era uma pérola, “MARIA BETHÂNIA”, “PECADO  ORIGINAL, ”ROSA”, “SONHEI QUE TU ESTAVAS TÃO LINDA”.  
Bom, é Impossível Esquecer.
Vamos ficar por aqui para não dar vez às lágrimas que já me tocam o coração velho sofrido de tantas recordações.

João Bitu

Ativando a memória - Por Flor das Bravas.

À Várzea Alegre e aos seus filhos de corpo, alma e coração, declaro: a postagem que aqui farei não é de minha autoria. Tive a colaboração da jovem, Ângela Bezerra, filha de Lindoval Bezerra e Soledade Venâncio, residentes no Sítio Boa Vista, neste Município. Consegui esta cópia na década de noventa, por gentileza e boa vontade da jovem acima citada. Mantive o riquíssimo vocabulário e a escrita o mais fiel possível, fazendo alterações na grafia de algumas palavras.
O real e verdadeiro autor do Livro “O Passado no Presente...” é PEDRO TENENTE.
O Passado no Presente...
Pedro Tenente
Ao leitor
Antes de tudo o autor deste pequeno Opúculo, sente a necessidade irresistível de confessar quem seja...
Chamam-no Pedro Tenente, porém o seu verdadeiro nome com todos os ff e rr é Pedro Gonçalves de Morais, contando atualmente 64 anos de idade, pois nascera aos 14 dias do mês de março de 1869; é casado, agricultor e analfabeto, porém provém de uma linhagem boa e seus pais foram ricaços, mas a seca de 1877 a 1879 levou de águas abaixo tudo quanto de bens e haveres possuíram.
Descendente dos Cavalcantes, de Pernambuco; dos Feitosas de Inhamuns e Morais Rego, do Piauí, porque o general Pedro Cavalcante de Albuquerque que fez  a expulsão dos holandeses do Brasil, era pai de Maria Ana Bezerra, genitora de Francisco Duarte  Bezerra, que era pai de Raimundo Duarte Bezerra e este  de Ana Maria Bezerra, sendo sua avó paterna – mãe do capitão Antonio Gonçalves de Araujo, que era pai do autor deste modesto trabalho, sendo minha genitora – Maria da Glória Bezerra, filha de Joaquim Alves de Morais, que era filho de Gabriel de Morais Rego, de Timbaúba dos Inhamuns, sendo este filho de Gabriel de Morais Rego, da Caiçara, que se casara com Leonarda Bezerra do Vale, a filha de Eufrasia Alves Feitosa, de Arneiroz.
Gabriel de Morais Rego, da Caiçara, era filho de Gabriel de Morais Rego, do São Gonçalo dos Anjins e este filho do tenente-coronel Pedro de Sousa Rego, antigo proprietário e residente da fazenda Môcha, em Vieiras, no Piauí.
Quando Pedro Gonçalves Dias, vulgo Pero Coelho, ofereceu-se ao oito Governador do Brasil – para fazer a conquista do Maranhão e expulsar os franceses que lá e no Ceará se achavam, foi aceito o seu oferecimento, sendo-lhe conferida a patente de capitão-mor, como era de costume em tais casos.
No referido ano Pero Coelho fez seguir até a foz do Jaguaribe três caravelões carregadas de mantimentos e munições, seguindo por terra com 75 soldados e 200 índios frecheiros.
Ali chegando  iniciou a sua exploração no lugar denominado Passagem das  Pedras e, subindo de rio acima penetrou todos os afluentes daquele rio que fora encontrado, chegando, afinal, nas cabeceiras do riacho Carrapateira, na serra  de Boa Vista, onde dependem as águas para Pedra Branca e Inhamuns, em cuja excursão gastou dois anos e nove meses, levando dali toda planta do terreno explorado, que fora inserida nas atas da Relação, de forma  que quando alguém pretendia tirar uma data ou sesmaria de terra se guiava por ali. Muitos lugares ficaram desde esse tempo, até os dias de hoje, conhecidos com os nomes que receberam dos seus gentios, como sejam: Icó, Quixelô, Cariri, Cariús, Quincuncá, Inhamuns, Crato e muitos outros.

***
Certa vez, já vai longe, vendo ler um antigo firmado por João Brígido dos Santos, dando a vinda de certas famílias para o Ceará, onde uma delas a Feitosa, que, segundo ele, “João Brígido”, arrogantemente afirmara ter sido por questões políticas, venho, hoje, embora tardiamente, contraditar aquela afirmativa, a fim de  que,  tão somente, a verdade dos fatos  surja com os seus  fáceis naturais.
Naquela época João Brígido não era nascido, nem tão pouco eu; porém a tradição nos vai legando as coisas do passado e, de pouco em pouco, vamos bebendo em fontes puras o princípio são a verdade.
Entremos pois a historiar o caso...
João Alves de Lima da Feitosa, em Portugal, emigrara para o Brasil.
Eram seus filhos – coronel Francisco Alves Feitosa, Lourenço Alves Feitosa e Manoel ferreira Ferro.
O Coronel Francisco Alves Feitosa casou-se com D. Izabel Maria de Melo, já viúva por falecimento de Antonio Pereira do Canto. Por esse tempo Lourenço não se havia casado ainda, pois que continuava nos estudos, em Santos.
Na Bahia, onde o coronel Francisco Feitosa presidia, morava também um Barão, que não sei precisar o seu nome, muito rico e que tinha um cavalo bonito, possante, bom e especial, costumando, sempre todas as tardes, passeá-lo pelos arrabaldes daquela florescente localidade, quando um dia passando em frente da casa  do coronel Francisco Alves Feitosa um “cachorro” deste  senhor “cruvou” o cavalo do Barão, que quase o atirou sobre o chão.
O Barão ficou deverasmente apaixonado e ordenou a dois “cabras” seus que se  armassem e fossem matar o “cachorro”.
Obedecendo, os “cabras” seguiram e, encontrando o “cachorro” deitado no terreiro da casa do coronel Francisco Feitosa, fizeram-lhe “fogo”, indo porém uma das balas varar a barra do vestido da esposa do Cel. Francisco Feitosa que na ocasião  se achava sentada no alpendre da casa e muito conspirada pergunta para o seu marido:
_ Que se faz agora?
_ Nada tenho a fazer... Se é pelo “cachorro” cria-se outro; se é pelo vestido compra-se outro e de fazenda melhor ainda.
Porém ela não se dando por conformada com aquele modo de pensar do seu esposo, pondera-lhe:
_ “A questão é eu ter ficado desfeitada! ...
O coronel Francisco Feitosa resolve-se então a tomar uma desforra da afronta sofrida por sua senhora, e, tomado desse intuito faz uma carta a seu irmão Lourenço, chamando-o urgente.
Expôs Francisco Feitosa a Lourenço todo ocorrido e o plano em que estava. Lourenço adverte-o nestes termos:
_ “Não senhor! ... Temos muito  o que perder e sobretudo essa carreira que sigo”.
Diz-lhe Francisco Feitosa:
_ Quanto a mim sigo as razões que me alega, mas é preciso que você se vá entender primeiramente com sua cunhada.
Voltando da conferência que manteve com a cunhada, diz Lourenço Feitosa para o irmão:
_ Sabe! ... o Barão morre... e quem mata sou eu. Volto e continuarei nos meus estudos e você de vender tudo quanto de bens possua, exceto os escravos, e, quando tudo vendido comunique-me para eu vir dar todos os “dados” necessários...
Assim fez o coronel Francisco Feitosa.
Então os “bons” amigos de Francisco Feitosa e do Barão começaram a levar e trazer... Ao Barão advertiam, dizendo:
_ Barão V.S. tome cuidado na vida que os Feitosas são muito geniosos e estão vendendo tudo quanto têm.
Ao que o Barão respondia:
_ Os Feitosas para mim não valem nada! ...
Os bons amigos voltavam e passavam aquelas palavras do Barão aos Feitosas que lhes respondiam:
_ Nunca dissemos que éramos coisíssima alguma, entretanto deixemos  o tempo correr!...
Tempos depois recebia Lourenço Feitosa uma carta de Francisco Feitosa comunicando-lhe que tudo estava resolvido; viesse, pois.
Partiu quanto antes Lourenço Feitosa para a Bahia e ali chegando disse para o irmão que se preparasse para ir embora, traçando-lhe, então, em parte, o itinerário da viagem e dando-lhe instruções para de 20 em 20 léguas ir deixando 2 cavalos possantes e arreiados e que ao chegar ao rio São Francisco prendesse todas as canoas ali existentes, deixando somente uma livre... Atravessando o rio tomasse o destino que lhe conviesse que depois saberia procurá-lo.
Alguns dias mais estava o Barão a abrir as portas e rotulas de sua casa, por volta mais, ou menos das 8 horas da manhã, quando Lourenço Feitosa e um seu escravo de confiança atiraram-lhe, cuja bala alvejando o Barão, produzindo-lhe morte imediata.
Após terem perpetrado o crime fugiram ambos a cavalo, cuja montada era trocada de 20 em 20 léguas pelos dois cavalos possantes e arreiados que conforme ordenara ao irmão foram postos talqualmente. Apenas Lourenço e o seu escravo haviam chegou ao rio São Francisco e ali cuidaram de uma ligeira refeição, quando ouviram distintamente o som de uma corneta que vinha em sua perseguição.
Tomaram as pressas a canoa e transportados à outra margem do rio fugiram sem destino.
Momentos poucos foram decorridos a tropa ali chega avistando apenas os vultos dos dois que se iam numa fuga apressada, nada porém tendo a fazer, visto não dispor de canoa para se transportar a outra margem do rio, o que entretanto conseguiu dias depois sem que pudesse obter o menor roteiro dos assassinos.
Dali por diante Lourenço Feitosa viajou com mais descanso, indo afinal encontrar-se com seu irmão Francisco Feitosa no Ceará, na atual cidade de Icó.
Logo, de princípio, conseguiram umas pequenas datas de terra no Capim Pubo e outra no Quixoá, mas que nenhuma lhes sendo agradável, procuraram outras nas atas da Relação, encontrando o rio Jucá nos Inhamuns, já datado pelos Montes, mas que existindo um ponto de nulidade na mesma trataram de anulá-la, como de fato anularam e, regressando de Fortaleza ao Icó, dali prosseguiram viagem daquela data de terra mas que chegados no lugar denominado Igreja Velha, na Barra do rio Jucá, os Montes se opuseram tenazmente a entregar, e pegando em questão, degenerou-se uma luta fratricida que durou 10 anos, havendo apenas mediações de pequenas tréguas.
De começo os Feitosas foram derrotados, fugindo para o Piauí, onde em casa do tenente coronel Pedro de Sousa Rego se ficaram descansando muito tempo.
Auxiliados pelo tenente coronel Pedro de Sousa Rego voltaram ao Ceará travando lutas renhidas com os Montes, que afinal foram vencidos, ficando muitas localidades do Ceará denominadas de: cangalhas que fica à margem esquerda do rio Jaguaribe entre Saboeiro e Arneiroz, Bom Sucesso, no Quixelô, Riacho do Sangue, Igreja Velha dos Montes e o riacho do Juiz no Icó e finalmente, para não ir além, a Batalha na freguesia de Lavras, tudo devido aquelas lutas havidas.
Vencedores os Feitosas, fixou Francisco Alves Feitosa sua residência na Vargem da Onça, rio Jucá e Lourenço Alves Feitosa volveu a Bahia onde se casara e do qual enlace matrimonial nasceu-lhe um filho único – o Coronel Lourenço Penedo.
Como o parentesco da Família Pinheiro do Cariri com a do riacho do Machado se deu.
O alferes Bernardo Duarte Pinheiro e o capitão Agostinho Duarte Pinheiro, irmãos, fizeram sociedade com o cearense Vasco da cunha Pereira para tirarem a data do riacho Caruatá  hoje denominado de Machado.
Pediram, pois, os três, em petição, ao governador da província do Ceará que lhes fossem concedidas nove léguas de terra naquele riacho acima até confinar-se com o rio Cariús.
Nunca é ocioso lembrar aqui de relance que no riacho Caruatá existem várias lagoas, entre as quais citarei apenas as quatro principais pela sua importância, e que receberam dos gentios nomes apropriados e que são: Corô, Giriam-cose, Ampoty e Piri-piri.
Despachada a petição de acordo com desejos dos peticionários, cuja data de despacho fora de 23 de fevereiro de 1718, foi que vieram ficando o capitão Agostinho com as terras de Aba da Serra até Lagoas, o alferes Bernardo Pinheiro de Lagoas ao Buraco d Água, que dista da atual vila de Várzea Alegre 400 braças e Vasco da Cunha Pereira com o resto.
Tempo depois vendeu Vasco Pereira a sua posse de terra a Bernardo Duarte Pinheiro.
O capitão Agostinho Duarte Pinheiro nunca se casara, porém tinha dois filhos naturais de duas escravas suas.
Já se havia passado 12 anos que Agostinho ali residia, quando por motivo de desgosto resolveu volver a Portugal, e, então libertando aquelas suas escravas, doou as três léguas de terra que possuía no riacho Caruatá aos seus dois filhos naturais.
Desgostando-se também naquela época o Pe. Manoel Felix, vigário de Santarém em Pernambuco por causa de um rapto que se dera uma sua sobrinha, digo, em uma mocinha que desde tenra idade criava, rapto este praticado por Manoel Vieira da Costa, procurou o Pe.  Felix o Ceará, colocando-se numa capelinha na antiga Telha, Manoel Pereira era filho de um português que se desposara com uma escrava de boa aparência.
Vendo-se Manoel Pereira em estado de penúria, rumou ao Ceará à procura do Pe. Felix que o encontrando pediu-lhe proteção, ao que o Pe. Respondeu-lhe: No Pernambuco não!... porém aqui no Ceará pode vir que estou de braços abertos para receber-lhe e fazer tudo a seu favor...
Veio Manoel Pereira para o Ceará e então o Pe. Felix comprou légua e meia de terra a Agostinho Duarte Pinheiro, entregando a Manoel Pereira para tomar conta da referida e ali cavar a vida.
Quando Francisco Gomes de Melo, de quem procedem as famílias de Currais e Pinheiro, do Cariri, veio da Bahia para o Ceará trouxe em sua companhia um seu cunhado de nome João de Oliveira, que relacionando-se com o pessoal do riacho do Machado conseguiu, destarte, casar dois filhos com duas filhas de Manoel Vieira da Costa.
Eis portanto o parentesco que há entre Pinheiro do Cariri com a família do Machado.
Consaguineidade dos Feitosas de Inhamuns com os descendentes do Altere Bernardo Duarte Pinheiro do riacho do Machado.
Quando o alferes Bernardo Duarte Pinheiro – o edificador da casa das Lagoas, no riacho do Machado, veio de Pernambuco para o Ceará trouxe consigo quatro irmãos de sua mulher Ana Maria Bezerra que foram; - Pe. José Bezerra do Vale que foi o primeiro capelão de Tauá, Domingos Alves de Medeiros, Antonio Carneiro da Silva e João Bezerra do Vale.
Felix Gomes de Oliveira que construiu a casa do Juazeiro, naquele mesmo riacho, nupciou-se com Ana Maria Bezerra.
Euzebia de Oliveira com Bezerra que construiu a casa do Olho d Água; João Bezerra do Vale com Ana Gonçalves Vieira, filha do coronel Francisco Alves Feitosa; eis a relação de parentesco dos Feitosas com a família do Machado.
Antonio Carneiro da Silva casou-se com Maria da Ressurreição, filha de Gabriel de Morais Rego, do São Gonçalo dos Anjins, já na idade de 48 anos, motivo porque não deixou prole. Não sei, pois em que se apega o padre Pedro, atual vigário de Maria Pereira, para afirmar que o capitão-mor José Alves de Medeiros, de quem vem a família Andrade no rio Umbuzeiras, nos Inhamuns, seja filho de Domingos Alves de Medeiros.

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Do alferes Bernardo Duarte Pinheiro com Ana Maria Bezerra nasceram 10 filhos, sendo que oito pertenciam ao sexo forte e dois ao frágil. São os seguintes:
Valentim que, casando-se teve apenas um filho que casara-se e faleceu sem deixar filhos; Lisa que se nupciara com João de Sousa, fixando sua residência nas cabeceiras do riacho do Machado; Joana que contraíra matrimônio com Manoel Ferreira que se fora localizar no sítio S. Cosme, sendo este senhor pai do capitão-mor José Duarte Bezerra que na guerra de Pinto Madeira foi um dos comandantes das forças pintistas; Antonia que se desposara com o capitão-mor Geronimo de Sousa, de Lagoas. Clara com Gaspar Lobo, que residia no riacho dos Cuncas, em Milagres e de quem procede Chico Bezerra, pai do Padre Mundoca, do Padre Vicente Bezerra e do Dr. João Bezerra; Francisco Duarte Bezerra e José Bezerra da Costa casaram-se com duas filhas de Gabriel de Morais Rego, do S. Gonçalo, dos Anjins, sendo que Francisco Duarte Bezerra casara-se com Bárbara de Morais Rego e José Bezerra da Costa com Maria Alves de Morais, ambas fixaram moradia em São Vicente, no riacho do Machado.

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De Antonio da Costa Siebra com Ana Maria doa Passos, os edificadores da casa do brejo no distrito de São Caetano, em Várzea Alegre é que vêm os Costas e Siebras dali.
Só existe Correia Lima no Brejo, depois do casamento de Antonio Correia Lima, filho de Bernardino Gordo, do sítio Batateira, de Crato, com Damiana, filha de Antonio da Costa Siebra e Ana Maria Passos.
De Antonio Correia Lima com Damiana houveram apenas quatro filhos.
Por falecimento de Damiana casou-se pela segunda vez Antonio Correia Lima com D. Clara da Taboca do município de Lavras, sendo que deste casamento houveram três filhos que são: Antonia, que se casara com Joaquim Alves Bezerra, de Várzea Alegre “Felinho” e “Vidalzinho”; Ana Maria dos Passos, filha de Antonio Correia Lima e Damiana, casou-se em Várzea Alegre com Raimundo Duarte Bezerra, vulgo Papai Raimundo que são, respectivamente, pai e mãe do major Idelfonso Correia Lima , esposo da D. Fideralina Augusto Leite e esta filha do major João Carro.
São filhos da D. Fideralina e do Major Idelfonso os seguintes: Francisco Correia Lima, pai do Pe. José Correia, Honório Correia e Gustavo Correia Lima.

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Padres que se ordenaram, mas descendentes dos alferes Bernardo Duarte Pinheiro.
Pe. José Alves Bezerra; Pe. Leopoldo Rolim e Pe. José Correia Lima.
Entrelaçamento da família Brito do Cariri com a do riacho do Machado.
Vindo Francisco José de Brito, natural de Pilar em Alagoas, em demanda do Ceará à procura de sua tia, casada com Francisca Gomes de Melo, pode ele, dadas as relações de amizade muito estreitas existentes entre Francisco Gomes de Melo com a família do Machado, casar-se com D. Eufrasia Alves Bezerra, residente em S. Vicente naquele riacho, sendo ela filha de Francisco Duarte Bezerra.
Deste casamento nasceram: - Antonio de Brito, Manoel de Brito, Joaquim de Brito e Pedro de Brito.

Famílias de Canastra, Canga e Cangati

Casando-se na Bahia um português de nome Manoel Pereira da Silva, com uma negra angolense, porém muito ricaça, no intuito demoníaco de quando se fizesse de posse de toda fortuna dela assassiná-la e ato contínuo evadir-se para outros Estados, onde livremente a fresca e ignorado pudesse viver feliz, decorrido seis anos que se havia celebrado aquele enlace matrimonial, pôde ele conseguir afinal apossar-se de toda fortuna da desditosa esposa e sacando da cinta um enorme punhal fita a esposa que dormia com a calma dos justos e ele entra satânico e risonho vibra-lhe a lâmina ponte aguda do punhal no peito; deixando-a sem vida.
Em tempo fugira Manoel Pereira da Silva, trazendo consigo quatro filhos que lhe nasceram da negra angolense, que chegando ad Cará morreu o mais novo, criando-se os outros três.
Aforou Manoel Pereira da Silva toda serra de Quincuncá (que fica entre os rios Cariús e Bastiões, no município de S. Mateus).
Ali, pois, residente e viúvo, em breve casou-se pela segunda vez, com a moça Alencar da Taboca.
Desse matrimônio, pois, é que vêm as famílias de Canastra, Canga e Cangati, pois que sendo Manoel Pereira da Silva pai de João da Silva e esse do tenente- coronel Carlos da Silva que falecera em combate nas questões de Pinto Madeira.
Carlos da Silva, conhecido por Nenem das Canastras.
Como atrás ficou dito, Manoel Pereira da Silva, trouxe para o Ceará quatro filhos seus com a negra angolense que apenas aqui chegado morreu o mais novo criando-se os outros três que são:
Antonio Felix que seus descendentes chamam-no de Tico-Nico, Pedro da Silva que habitara o Riacho da Roça no distrito de Quixará e Maria da Silva, cognominada de Mãe Rosa, que era genitora de Joana e esta de Joaquim Correia Lima- o pai de Antonio Correia Lima.
Primeiras freguesias criadas no Ceará
Foi criada primeiramente a de Nossa Senhora da Penha, no Crato, segundo a de Nossa Senhora da Paz, em Arneiroz, limitando-se ambas as duas na serra da Frecheira, ficando ao sul a freguesia de Nossa Senhora da Penha e ao norte a de Nossa Senhora da Paz.
A primeira que fora edificada no vale do Cariri foi uma capelinha em Cajazeira do Farias, construída por Pedro Ferreira Lobato, sendo a referida capela benta no dia 8 de dezembro de 1712, dia portanto de Nossa Senhora da Conceição.

Morte de Luiz Pedro de Melo e Cezar
Quando operou-se o movimento revolucionário de 1822, Luiz Pedro de Melo e Cezar j8untando-se com Tristão Gonçalves e José Pereira Filgueiras, partiu do Ceará em demanda dos sertões do Piauí até os de Maranhão a fim de se incorporar as forças de Figuié, voltando porém do caminho debandou-se das fileiras de José Pereira Filgueiras, rumando pelas Imboscadas desceu pelas margens do rio Salgado até Lavras, permanecendo ali alguns dias, até que um seu parente de nome Luiz Gregório da Silva, residente na terra dos Cavalos, indo a Lavras visitá-lo, Luiz Pedro mostrou-se-lhe receios de ali permanecer, visto as perseguições que se lhe vinham movendo tenazmente e que se não se julgasse bem garantido, procuraria a casa dele (Luiz Gregório), ao que este respondeu-lhe: que com muito gosto a sua casa permaneceria de portas abertas para recebê-lo.
Dias depois chegava Luiz Pedro a casa de Luiz Gregório, acompanhado do Pe. Luiz Carro e de dois meninos de 10 a 12 anos de idade, respectivamente.
Conheceu logo cedo Luiz Pedro que ainda ali não se achava garantido, pois a casa de seu parente Luiz Gregório, era por demais frequentada de gente em vista disso pediu a Luiz Gregório que lhe desse outro agasalho melhor e seguro.
Luiz Gregório fez então um Rancho no Olho d’Água na Prujença, que fica a esquerda da serra dos Cavalos, no riacho Croatá e lá ocultou Luiz Pedro, que naquele esconderijo se julgara salvo de todo perigo.
Recebendo Gonçalo Nunes de Almeida ordens das autoridades de Icó para efetuar a captura de Luiz Pedro, e, sabendo mais ou menos ao certo onde o mesmo se achava, organizou uma tropa e encaminhando-se à casa de Luiz Gregório cercou-a pela manhã, mas não encontrando Luiz Pedro, retirou incontinente com a força, ocultando-se um pouco perto daquela casa...
Seriam nove horas da manhã quando um escravo de Luiz Gregório, de nome José Cigano, saía da residência do seu amo Luiz Gregório com uma bandeja de comida para levá-la a Luiz Pedro.
Gonçalo Nunes de Almeida prendeu-o e apertou-o de um modo tal, que ele teve de confessar tudo... isto é, que levava aquela comida para Luiz Pedro e que o referido se achava oculto no Rancho do Olho d’Água.
Ali chegando a “força” fez logo “fogo” sobre o Rancho de ordem de Gonçalo Nunes, sem que da parte dos foragidos houvesse a menor resistência em oposição, resultando do “que” receber o Pe. Luiz Carro um balaço numa das coxas.
Preso o Pe. Carro, os dois meninos e Luiz Pedro, este último conheceu que Gonçalo Nunes tencionava matá-lo, razão sobeja porque notou que desde o momento que Gonçalo Nunes o tinha visto com uma bonita e grande bolsa feita de fios de prata, e recheia da de moedas de ouro e prata também, que as suas vistas “dele Gonçalo Nunes” para ela se concentravam com desmesurada avareza...
Nessa emergência em que se via Luiz Pedro, vale-se de José Gonçalo de Araujo, cunhado de Gonçalo Nunes, nestes termos:
_ “Seu Zé Gonçalo não me deixe seu cunhado matar que eu lhe prometo que quando me livrar dessas culpas que tenho e que não são lá tão grandes, casar-me com uma de suas sobrinhas.
Apesar de Zé Gonçalo muito interceder a Gonçalo Nunes para que poupasse a vida de Luiz Pedro, de nada absolutamente valeu, pois as vistas de Gonçalo Nunes estavam por demais gananciosas...
De volta da serra dos Cavalos trouxe Gonçalo Nunes prisioneiros o Pe. Luiz Carro e os dois meninos, deixando o cadáver de Luiz Pedro no local onde o assassinara, exposto assim às aves de rapina...
Ordenou então para a força que seguisse até Lavras e entregasse ali às autoridades aqueles prisioneiros, o que ordenado segui para Icó.
No dia seguinte, embora que muito receoso, foi Luiz Gregório ao local do crime e trazendo o cadáver de Luiz Pedro de Melo e Cezar sepultou-o em frente de sua casa, fazendo em torno um cercado de pau a pique de puro miolo de aroeira, que se conservou perfeito até quando o Pe Benedito de Sousa Rego mandou desmanchá-lo.
Esse fato criminoso fora passado aos 12 dias do mês de outubro de 1824.
Porque Morais Rego no Ceará...
Com a relação de amizade que os Feitosas de Inhamuns mantiveram com o tenente coronel Pedro de Sousa Rego, quando das lutas deles com os Montes, foi que se veio a casar Catarina Pereira de Almeida com Gabriel de Morais Rego, sendo esse filho do tenente coronel Pedro de Sousa Rego e ela filha de Antonio Pereira do Couto e enteada de Francisco Alves Feitosa.
São filhos de Catarina Pereira de Almeida e Gabriel de Morais Rego os seguintes: Ana e Izabel que se casaram no Cariri na família do Corrente; Bárbara e Maria Alves com dois filhos do alferes Bernardo Duarte Pinheiro, do riacho do Machado; Antonia, que se casara com Francisco de Holanda Cavalcante e Leonor com Arnaud de Holanda, ambos residentes nos Inhamuns, Jacinto, Gabriel, Manoel, Antonio de Morais e Vicente Ferreira de Sousa, casara-se cada qual com uma das filhas do coronel Eufrasio Alves Feitosa...
Vinda de Leandro de Oliveira e Castro para o Ceará
Leandro de Oliveira e Castro, filho de Bernardo Freires Jucá e bisavô do coronel Leandro da Barra, veio de Matacanduba, Rio Grande do Norte, para os Inhamuns, no Ceará, onde se casara com Maria Alves Feitosa, da Vargem da Onça, pelo motivo seguinte:
Leandro de Oliveira e Castro havia contratado casamento em Matacanduba com uma sua prima; porém o casamento, sendo adiado por duas vezes, passando destarte de um ano para outro, nessa fase e período de tempo sentiu-se a moça noiva de Leandro de Oliveira e Castro, grávida, sendo autor o próprio Leandro de Oliveira e Castro.
Ela, então, expôs-lhe o estado em que se via, e ponderando-lhe ser conveniente apressar, em vista disso, o casamento.
Respondeu-lhe Leandro que não mais pretendia casar-se com ela.
_Mas, Leandro,_ diz-lhe a moça, _Você me garantiu que nada receasse que se casaria comigo!...
_Já lhe disse que não mais quero casar-me consigo!...
Em vista disso a moça denunciou o caso à Justiça, sendo imediatamente Leandro de Oliveira e Castro recolhido ao Xadrez, ficando a sua ex-noiva de mês visitando-o; e, quando lá chegando dizia-lhe:
_Leandro, é das “Obras de Misericórdia” visitar os enfermos e encarcerados e ao par disso saber se você já está resolvido a casar-se comigo!...
Leandro, pelas primeiras visitas respondia-lhe:
_Se eu tivesse 10 vidas perderia todas e não me sujeitava a casar consigo.
_Pois bem, Leandro, você sabe do seu crime e tem portanto que morrer na cadeia se não se casar comigo.
Continuou, todavia, a moça, agora já mais espaçosamente, as fazer aquelas visitas, bem como aquela pergunta. Seis meses depois, ela indo à prisão de Leandro, ele diz-lhe:
_Já estou resolvido a me casar consigo...
_Está mesmo, Leandro, interrogou-lhe a moça.
_Estou que isso não é vida...
_Então, posso cuidar do nosso casamento?
_Pode que estou resolvido sair da cadeia.
_Você sai, porém não é hoje...diz-lhe, em tom sarcástico, a moça.
Narrou à família a resolução tomada por Leandro e de comum acordo com a mesma preparou-se de um tudo para o casamento, ficando logo o dia marcado em que se celebraria aquele ato.
No dia do casório dois soldados de polícia abriram a prisão de Leandro e o conduziram a uma barbearia, onde o referido se barbeou, fez cabelo e em seguida encaminhou-se até a igreja local, em que já a sua noiva o esperava com pomposo acompanhamento.
Momentos depois aproximavam-se os dois, noivo e noiva, aos pés do Pe. Para receber o matrimônio do casamento.
Perguntando o Pe. Leandro de Oliveira e Castro se levava gosto a receber por esposa a D. Fulana de Tal, ele respondeu que sim. Agora pergunta o Pe. A ela se levava gosto a casar-se com Leandro de Oliveira e Castro, ao que ela respondeu-lhe:
_Não senhor, apenas queria mostrar a este patife que não me caso com ele porque mesmo não quero...
Leandro sentindo-se por demais envergonhado e humilhado anoiteceu e não amanheceu em Matacanduba, indo para os Inhamuns, pois sabia da aconchegada amizade que seu pai tinha ali com Francisco Alves Feitosa, apesar de que não o conhecia. Leandro de Oliveira e Castro chegou aos Inhamuns desconhecido sem revelar a ninguém de que família pertencia, até que, anos depois, vindo um rapaz do pai de Leandro a casa de Francisco Feitosa, o avistou e reconhecendo-o descobriu ao coronel Feitosa de quem Leandro era filho e o motivo porque ali se achava.
Quando a ex-noiva de Leandro deu a luz a uma criança do sexo masculino, que batizada, recebeu o nome de Leandro.
Toda vez que essa criança chorava e a sua mãe ia acalentá-la, dizia-lhe:
_Meu filho querido, quero-te um bem imenso, mas ao mesmo tempo odeio-te somente porque tu és filho de Leandro Oliveira e Castro.
Não sei por que meios, quando a criança estava na idade de seis anos, veio para a companhia do pai, até quando se nupciava com D. Eufrazia Alves Feitosa, sendo portanto o pai de do tenente José Custodio de Oliveira.
Origem porque o riacho do Caruatá hoje se denomina de Machado.
Já se havia decorrido meio século quando os possuidores do Riacho Caruatá, resolveram-se a tirar uma linha divisória entre si.
Partindo eles da extrema da terra, começando da Aba da Serra, do nascente para o poente rumaram assim seis léguas a fio comprido até São Vicente, donde o riacho tomava a direção do sul, pelo que combinaram aqueles possuidores que em virtude de riacho em apreço apresentar-se perfeitamente com o formato de um machado, ficar dali por diante assim sendo conhecido e chamado.
Relação dos Padres que se ordenaram na família dos Inhamuns
Pe. Antonio de Morais Rego e Benedito de Sousa; ambos irmãos; Pe. Leitão, Pe. Antero, Pe. Pedro Leopoldo de Araujo Chaves, Pe. Francisco Máximo Feitosa, Pe. Manoel Feitosa, Pe. Francisco Alves Feitosa, atualmente vigário de Crato.
Na família dos Imbuzeiros, nos Inhamuns
Pe. Pedro Liao, vigário de Maria Pereira, Pe. Odorico Andrada, vigário de Tauá e Pe. Joviniano Barreto.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Causos lá de nós - Memória varzealegrense

PADRINHO  DE  CASAMENTO.

O Sanharol estava em festa com a programação do casamento de Luiz Bitu. O pai do noivo já estava com um garrote abatido e os freezers já estavam cheios de cervejas geladas. A Mocidade Independente do Sanharol esquentavam os tamborins, para fazer a homenagem ao seu ilustre fundador. Já chegavam familiares dos noivos das cidades vizinhas e o Sanharol era só alegria.
José de Pedro André, estava sentado  no alpendre da sua casa olhando a movimentação dos carros saindo e chegando, quando chegou Zé de Lula Goteira, mais cansado do que maluco que conduz porcos. Zé foi logo perguntando:
- Zé Adré. Cadê Ontõe!
- Qual Ontõe?
- Ontõe teu.
- Ontõe tá no Crato.
- E ele num vem não?
- Vem não, porque se ele tivesse no plano de vir já tinha chegado.
- E ele num mandou uma incumenda pra eu não?
- Pra mim não, só se ele mandou pra mãe dele, eu vou perguntar a ela:
- Tônia!
- Oi.
- Antônio mandou uma encomenda pra Zé de Lula?
- Mandou não.
Zé André perguntou:
- Escutou Zé?
- Iscutei. Mais agora danou-se, pruque a incumenda era um breize prumode eu vistir no casamento de Luiz de Cotinha. Qui eu e Demontiê ramo ser os padim do noivo.
- E o que é breize?
- Ai meu São Raimundo. Cuma é difiço cunveçá cum matuto. Breize é um negoço paricido cum palitó, qui os rico veste nos casamento dusoto rico.
- Porque você não pede um emprestado a Mininim Bitu?
- Pera. Zé André! É um breize num é um cubertou não.
- Pois então vai ser preciso arrumarem outro padrinho.
- Dá certo não, qui o juiz já assentou meu nome lá no livro.
- E o que você pretende fazer?
- Eu mandar o juiz maicar ôto dia, inquanto eu arrumo o breize.


A cerimônia do casamento civil foi realizada no dia certo e na hora certa, conforme o cerimonial havia programado. Mas se fosse depender daquele bendito blazer, Luiz Bitu ainda hoje estava solteiro.