VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.



VÁRZEA ALEGRE PRECISA DE VOCÊS
PRA SORRIR AO PASSADO E SER FELIZ.

Não existe um futuro promissor
Sem presente de sólida cobertura,
Um passado que teve a estrutura
De um povo feliz conservador.
Se tornando um composto construtor
Conservando os valores de raiz,
Minha parte nesse assunto eu já fiz
Acredito que agora é a vossa vez.
VÁRZEA ALEGRE PRECISA DE VOCÊS
PRA SORRIR AO PASSADO E SER FELIZ.

É preciso que haja sincronismo
Entre artista, político e educador,
Promovendo a cultura de valor
Sem abuso de poder, nem populismo.
Isolar preconceito e egoísmo
Respeitando o artista e o aprendiz,
Se fazendo cada um o seu juiz
Para auto se julgar pelo que fez.
VÁRZEA ALEGRE PRECISA DE VOCÊS
PRA SORRIR AO PASSADO E SER FELIZ.

Confiar no porvir abre um caminho
Mas precisa da força de um passado,
Esquecer da origem, é um pecado
E o presente se torna bem mesquinho.
Não é bom deixar o poeta sozinho
Recuperar essa triste cicatriz,
Pois até São Francisco de Assis
Não curou os doentes em um só mês.
VÁRZEA ALEGRE PRECISA DE VOCÊS
PRA SORRIR AO PASSADO E SER FELIZ.

O futuro é um fruto a ser colhido
Que estamos plantando no presente,
Esse fruto no passado foi semente
Que os nossos ancestrais tinham escolhido.
Não precisa de eleição nem de partido,
Quadro negro, apagador e nem giz,
Se dispensa um esquema ou um cocriz
Porque toda meia dúzia só é seis.
VÁRZEA ALEGRE PRECISA DE VOCÊS
PRA SORRIR AO PASSADO E SER FELIZ.

A cidade é ainda uma criança
Precisando de segura proteção,
Não cometam esse crime de omissão
Não abortem a pretensa esperança.
Aceitem com gosto essa mudança
Como um bom dançador que pede bis,
Ou um padre celebrando na matriz
Uma missa dominical de fim de mês.
VÁRZEA ALEGRE PRECISA DE VOCÊS
PRA SORRIR AO PASSADO E SER FELIZ.

Sejam uns filhos de muita grandeza
Façam dela a querida mãe amada,
A cidade merece ser tratada
Pra levar do presente essa beleza.
Recebendo o seu título de nobreza
Nivelada a rainha ou imperatriz,
Nosso povo do ocidente é que diz
Que olhos fechados ficou para chinês.
VÁRZEA ALEGRE PRECISA DE VOCÊS
PRA SORRIR AO PASSADO E SER FELIZ.


Tema do mote: Poeta Expedito Pinheiro
Composição poética: Raimundinho Piau.

Nossas histórias Memória varzealegrense

 CONTRASTES BANAIS


A devoção dos varzealegrenses a São Raimundo Nonato antecede a criação da Paroquia em Novembro de 1863.

Sustenta a historia e os contrastes banais revelam que durante varias décadas o povo venerou São Raimundo Nonato, embora a sua frente estivesse a imagem de São Brás.

Identificado o engano e feita a correção a imagem foi substituída pela legitima e, o padre para disseminar a historia de São Raimundo mandou fazer dezenas de estatuas para distribuir com os fiéis.

Em cada casa dos paroquianos deixava uma nova imagem. Em troca recebia sempre alguma doação.

Na casa de Pedro Frutuoso, Sitio Guaribas, quando a dona da casa recebeu a imagem falou: meninos, peguem uma galinha para o padre almoçar! Menino como diabo, correu um pra cada lado, de modo que ao retornarem traziam três galinhas carijós bem cevadas. 

A mulher encabulada, achou ruim soltar uma ou duas galinhas e o padre acabou levando as três desfalcando o galinheiro. Pedro Frutuoso, o marido, não disse nada, mas reconheceu que levara uma taboca na troca.

Dois meses depois o padre veio celebrar no Distrito do Riacho Verde, vizinho ao sitio. A dona da casa preparou o almoço, botou vestido novo, enrolou a imagem numa toalha e disse para o marido: Pedro, o almoço está pronto, eu vou a missa, vou pedir ao padre para benzer o meu santinho.

Pedro Frutuoso, que ainda não havia se manifestado a respeito da historia até então disse: " Muier, pede para o padre dá um jeitinho do santo aprender a pô porque fazem 60 dias que nós estamos perdendo três ovos todo dia".

Antonio Morais (facebook)

domingo, 11 de maio de 2014

2º Domingo de Maio - Memória Varzealegrense

Para homenagear todas as mães, trago para os leitores: 

2º DOMINGO DE MAIO", da autoria de Sávio Pinheiro representada nesta mãe... Uma grande guerreira. 
Ela é Francisca Assis Fiúza, natural do Sítio Panelas.
Nasceu em 1906, casou-se com Luiz Fiúza em 1926, teve 12 filhos e em 1946 faleceu aos 40 anos.
Em sua vida foram 20 anos solteira e 20 anos casada.

Francisca Assis Fiúza e suas filhas Francisca Fiuza e Socorro Fiuza

2º DOMINGO DE MAIO - SÁVIO PINHEIRO

Não consigo enxergar o mundo sem o amor. 
Mesmo porque o porquê da vida nasceu do amor.

Não consigo vislumbrar o amor sem a mulher. 
Mesmo porque o porquê do mundo é o seu valor.

E para que exista vida
Faz-se necessário o culto da mulher. 
Não a mulher fêmea, corpo!
Mas a mulher alma, mãe!
Que mesmo se hermafrodita fosse
Ainda seria sublime.

A figura da mãe é sagrada,
É valente, é eterna.
Biológica ou não,
A proteção do homem
É materna

Homenagem às Mães - Memoria Varzealegrense


RECADO  PRA  MINHA  MÃE - MUNDIM DO VALE

Dedicado a todas as mães e a todos os filhos da mães.

Jesus me faça o favor
De levar o meu recado,
Peço desculpas ao Senhor
Por este pedido ousado.
Sei que o Senhor tem acesso
As coisas do universo
E sabe o que é saudade.
Me perdoe a pretensão
Mas peça a minha bênção
A mamãe na eternidade.

Peça a sua mãe rainha
A Santa Virgem Maria,
Para abençoar a minha
Nesse dia de alegria.
Envolva com o branco véu
Todas mães que estão no céu
Pra receber sua luz.
É bom um filho saber
Que a mãe vai receber
Um recado por Jesus.

Diga a mamãe que rezei
Com seu retrato na mão
Na hora que terminei
Tive febre de emoção.
Me lembrei do seu carinho
Fiquei rezando baixinho
E pedi a mãe Maria,
Para todas mãe juntar
E com os anjos cantar
Um hino para esse dia.

Não esqueça de dizer
Da falta que a gente sente,
De nesse dia poder
Abraçá-la com um presente.
Mas que a gente não esquece
De oferecer uma prece
Nessa data abençoada.
Diga que a sua lembrança
Está viva como herança
E vai será bem conservada.

Obrigado Jesus Cristo
Por levar o meu recado,
Só estou pedindo isto
Porque o dia é sagrado.
O Senhor é verdadeiro
É o melhor mensageiro
Para ir ao infinito.
Eu sei também que o Senhor
Conhece bem o valor
Deste dia tão bonito.

Mundim do Vale.

Várzea Alegre - Por Luzia Gregório

Por que hoje é sábado Várzea Alegre acorda agitada, sábado sempre é um dia especial, desde o tempo que meu avô vinha fazer a feira na cidade ou na rua como ele dizia.

A feira no meio da rua é um atrativo para os transeuntes pararem e fazerem compras, na verdade o sábado é o dia mais lindo da semana, tem cheiro de fruta madura, tem no ar lembranças da meninice.

Lembro que acordava e ficava olhando o movimento da rua pela fresta da janela pessoas iam e vinham nem imaginavam estarem sendo observadas.

É um dia especial, brincadeiras na calçada, conversas de vizinhas que se veem todos os dias mas não falta assunto, é o jogo de dominó no bar da esquina, sem falar no movimento do mercado que é uma mistura de cheiros e sabores, a tapioca feita na hora, o cuscuz quentinho e o café nem se fala, Várzea Alegre é assim uma mistura do passado e do presente por isso torna-se quase impossível andar nas ruas sem voltar um pouco para o passado, só sei que é muito bom fazer parte disso tudo, é a minha estória que vive nessas ruas, é a minha verdade que aparece em cada olhar que passa e me dá bom dia.

Sei que meu coração ficara plantado em alguma esquina que brinquei quando criança,por que foi nela que meus sonhos de menina criaram asas e saíram para o mundo em busca do doce encontro comigo mesma.

Luzia

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Dona Vicentina - Memória Varzealegrense

DONA VICENTINA - João Bitu

Residia na Forquilha
A Dona Chicô Pereira
Sempre forte e altaneira
Uma mulher maravilha...
Tinha uma neta-filha
Que criou desde menina
Sua Mãe era Idalina
Que a deixou na orfandade
Muito linda e sem vaidade 
A bendita VICENTINA!

Bem próximo nas vizinhanças
Tinha o sítio Timbaúbas
Mais embaixo as Carnaúbas
O berço destas lembranças...
E das bem-aventuranças
De um matrimônio ditoso
De um enlace prestimoso
Em que a casta matriarca
Desposou o patriarca
Zé Bitu seu casto esposo.

Desta saudável união
Nasceram onze herdeiros
Os seus pais sempre ordeiros
Os criaram com perfeição...
Deram boa educação
Impuseram o que é direito
Amor, decência e respeito.
Um coração bem desperto
Buscando um futuro certo
De honradez e conceito.

Esta eloqüente varoa
Tinha o dom de gerência
Tratava com reverência
A toda e qualquer pessoa...
Estimada como a patroa
Da gente circunvizinha
Por cada um ela tinha
Um afeto sem interesse
Era como se merecesse
O poder de uma Rainha.

Era a Rainha do lar
Junto àquele varão
Homem de bom coração
Sabiam se comportar...
Formavam um lindo par
Foram sempre mui felizes
Não houve quaisquer deslizes
Nem briga ocasional.
Em sua vida conjugal
Nunca enfrentaram crises.

Suas músicas favoritas
Que sempre cantarolava
Quando a seus filhos mimava
Eram bastante bonitas...
Uma era Manolita
Que canção comovedora!
De aceitação duradoura
Em quem nela se detém.
Cantava muito também
A saudosa Valsa Vindoura.

Quando estava na cozinha
Não tinha ninguém igual
Somente com água e sal
Comida melhor não tinha...
Preparava o que convinha
Uma gostosa tapioca
Com goma de mandioca
Cozinhava de tudo a esmo
Feijão de corda e torresmo
E baião de dois com paçoca

Mas a vontade Divina
Enviou os anjos seus
Levarem pra junto de Deus
A nossa querida heroína...
Nossa amada VICENTINA
Foi fazer o seu renovo
Deixou aqui o seu povo
Conforme diz o Evangelho
Deixou o seu Mundo Velho
E foi morar num Mundo Novo.

João Bitu

O memória varzealegrense participa da homenagem do poeta a sua mãe

terça-feira, 6 de maio de 2014

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

EU  SOU  QUEDA  DE  PRESSÃO
EM  POETA  MAL CRIADO

Eu sou a febre do rato
De poeta que é gabola,
Sou ferrugem na viola,
Sou mincharia no prato.
Sou geleia no sapato,
Sou o crédito reprovado,
Sou o dente careado
Sou ferrão de escorpião.
EU  SOU  QUEDA  DE  PRESSÃO
EM  POETA  MAL CRIADO.

Sou o cinto sem fivela
Do doutor Sávio Pinheiro,
De Israel, sou o cobreiro
De Cláudio, um nó na goela.
De Joaquim, sou a panela
Que tem o fundo furado
De Gilberto o pé inchado,
Sem poder botar no chão.
EU  SOU  QUEDA  DE  PRESSÃO
EM  POETA  MAL CRIADO

Eu fui de Souza Sobrinho
A espinha do nariz
E outra coisa que fiz
Foi perturbar o Bidinho.
De Candeiro do Brejinho,
Eu fui pescoço quebrado,
Muleta de aleijado
E a febre do sezão.
EU  SOU  QUEDA  DE  PRESSÃO
DE  POETA  MAL  CRIADO.

Mundim do Vale.

Desafio passivo de defesa dos poetas atingidos.

sábado, 3 de maio de 2014

O GUERREIRO NOVENTÃO - Por Mundim do Vale.




GUERREIRO  NOVENTÃO.

Dia do trabalhador
Procuro a inspiração
Para fazer alusão
Ao grande batalhador.
Que as graças do Senhor
Lhe cubram de harmonia
E alimente a alegria
Dos netos e filhos seus.
Que venham às bênçãos de Deus
Para Chico e pra Bibia.

Nesse primeiro de maio
Dia do trabalhador
Eu vou lembrar um senhor
Que é forte como um raio.
Seguro o tema e não saio
Na busca de subsídio
Porque Chico de Emídio
É merecedor de estima.
O que faltar nessa rima
Sua neta traz em vídeo.

Se Deus me desse à bondade
De viver bem como Chico,
Eu me achava muto rico
De paz e felicidade.
Noventa anos de idade
É para quem merecer,
Mas se alguém quiser saber
Bibia já fez também
E saúde ainda tem
Pra muitos anos viver.

Chico de Emídio é herdeiro
Da boa religião
Sua fé na oração
Guarda como um escudeiro.
Hoje é o dia do guerreiro
Na folha do calendário
Fazendo o aniversário
Na compannhia dos seus.
Rezando e pedindo a Deus
Que ultrapasse o  centenário.

Sua casa era elevada
Bem no topo da ladeira,
Quem subisse na Ribeira
De lá ele avistava.
No domingo passeava
Com seu irmão Agostinho,
Zé Fiuza seu vizinho
E Zé de Mãe seu cunhado.
Depois vinha acompanhado
Do bom poeta Bidinho.

Chico de Emídio do Chico
Chico que lhe deu a vida
Onde começou a lida
Mas de posse não foi rico.
Na coragem foi ao pico
Com muita disposição,
Nas mazelas do sertão
Conviveu com muita fé.
Com São Pedro e São José
Seus santos de adoração.

Chico aprendeu a falar
Do Chico para a Varzinha,
Se estivesse com Barbinha
Estava com Alencar.
Era um casal singular
Que se um fosse, o outro ia
Quando Alencar queria
Barbinha dizia sim.
Mas se a coisa fosse ruim
Nem um, nem outro fazia.

Chico de Emídio dizia
Quando estava a conversar:
- Só deixei o meu lugar
Pra dar conforto a Maria.
Por lá faltava energia
Não tinha água encanada
E a minha meninada
Não tinha prosperidade.
Mas para o bem da verdade
Minha saudade é danada.

Fui do cabo do machado
Da enxada e roçadeira,
Plantei fava e macaxeira
Feijão e arroz cacheado.
Tinha sempre em meu roçado
Plantação de melancia,
Se um vizinho me pedia
Eu arranjava as menores.
Porque aquelas maiores
Eu levava pra maria.

Não gosto de comentário
Nem aprecío o fuxico,
Minha casa lá no Chico
Era igual a um santuário.
Fui um bom funcionário
Na função de vigilante,
A frequência era constante
Cumpri bem minha função.
Não dei trabalho ao patrão
Porque fui sempre atuante.

Nem quando estava doente
Perdia a disposição,
Seu trabalho era a razão
Para viver mais contente.
Foi seguro e paciente
Nas horas das agonias
Fez quatorze cirurgias
Foi freguês da medicina.
Mas é a ordem divina
Quem controla os nossos dias.

Com certa dificuldade
Criou a sua família
Mas adotou a cartilha
Do amor e fraternidade.
Seus filhos com pouca idade
Lhe ajudaram no roçado
Todos eles do seu lado
Trabalhando com a terra.
Do Chico à Aba da Serra
Foi seu lema no passado.

Noventa anos já tem
É guerreiro que não cai
Pelo jeito que ele vai
Pode ultrapassar os cem.
Tá vivendo muito bem
Com o seu vigor profundo
Satisfeito no seu mundo
Feliz e muito disposto.
E na festa de agosto
Vai rezar pra São Raimundo.

Mundim do Vale.

DO CHICO PARA O MUNDO - Por Mundim do Vale.

Tantinha Fiuza , Raimundim  Piau e Luiza Fiuza

Registrado na lente fotográfica de Duda do Vale.