VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

sexta-feira, 8 de março de 2013

CASADOS E SOLTEIROS - Por Mundim do vale e Sávio Pinheiro.

CASADOS X SOLTEIROS.

Mundim do Vale x Sávio Pinheiro.

Mundim:
Solteiro sente saudade
Do seu tempo de rapaz,
Um tempo que tinha paz
Porque tinha liberdade.
Hoje vive numa grade
Como canário em viveiro,
Sem pegar no seu dinheiro
Nem saber o que foi feito.
Por isso eu bato no peito
VIDA  BOA  É  DE SOLTEIRO.

Sávio:
Mundim veja com atenção
Solteiro não tá com nada,
Quando a calça tá rasgada
Não tem quem costure não.
Se ele vai pro fogão
O frango sai sapecado,
O arroz fica ligado
Porque falta uma mulher.
Pode achar ruim quem quiser
VIDA  BOA  É  DE  CASADO.

Mundim :
Solteiro não tem comando
Vai sozinho onde quiser,
Porque não tem a mulher
Todo tempo regulando.
Se um forró tá começando
Ele é quem chega primeiro
E quem sai por derradeiro
Porque não tem compromisso.
Razão porque digo isso
VIDA  BOA  É DE SOLTEIRO.

Sávio:
Você não sabe de nada
A união nunca cai,
Crescei e multiplicai
Foi a palavra sagrada.
Foi escrita e registrada
No santo livro sagrado
E assim foi determinado
A união do casal.
Um ato mais que normal
VIDA  BOA  É  DE  CASADO.

Mundim:
Os casais vivem na briga
Falando em separação
E que foi uma união
Passou a ser uma intriga.
E a situação castiga
A família por inteiro,
Sendo o esposo o primeiro
Do lar desaparecer.
Por isto estou a dizer
VIDA  BOA  É  DE  SOLTEIRO.

Sávio:
Solteiro briga também
Porque vive deprimido,
Por nunca ter conseguido
Uma esposa também.
Para ele o que convém
É vida de revoltado,
Por não tá acompanhado
Pela esposa querida.
Isso é lá diabo de vida !
VIDA  BOA  É  DE  CASADO.

quinta-feira, 7 de março de 2013

VERSO LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Meu nome é Mundim do Vale
Do vale da agricultura,
Criado no pé de serra
Cum feijão e rapadura.
Das coisa qui pobe come,
Qui dá sustança pru ome
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

No sertão nóis tem batata
Qui serve Cuma mistura
Se ficá cum bucho inchado
O chá de macela cura.
Prumode quebrá jijum,
Macaxêra e jirimum
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Lá tombém a gente escapa
Cum a galinha pedura
Come cabeça de bode
Adispois come a fussura.
Nóis come qualhada e quêjo,
Qui coisa de sertanejo
LÁ  IM NÓIS  TEM CUM  FARTURA.

No tempo das inleição
Matuto sai da penura
Faz uma troca de voto
Pur um pá de dentadura.
Num é negoço bem feito.
Mais pulítico desse jeito
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Quando um fí vem de Sumpalo
Traz de lá ôta cutura
Vem cum brinco na urêa
E um celulá na cintura.
Fala qui tá dominado,
Pruque matuto abestado
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Prá nossos fí istudá
É qui a vida fica dura
A gente vai precurá
Iscola da prefeitura.
Mais vira uma paiaçada,
Pruque iscola feixada
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Quando lá num ái inverno
Nóis ramo pra prefeitura
Mais chega lá nóis incronta
O dotô cum a cara dura.
Nóis vorta bem caladim,
Pruque tombém coisa rim
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.

Quando um de nóis adoece
Vai pra rua atráis da cura
Mais quando chega no posto
O infermêro num atura.
Nóis vorta cum paciença,
Pruque misera e doença
LÁ  IM  NÓIS  TEM  CUM  FARTURA.
                                  
Mundim do Vale

VERSO LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.


MENSAGEIRO  DO  SERTÃO

Meu dedo  vai no teclado
Como se fosse um pincel,
Depois  vai na impressora
Em seguida no papel.
Eu fico muito feliz
Por tá criando um cordel.

Cordel foi meu professor
Foi o meu livro escolar,
Porque nele eu aprendi
A forma de me expressar.
Não consegui  um canudo
Mas aprendi a rimar.

O cordel foi mensageiro
Nas quebradas do sertão,
O folheto é que levava
Notícias pra região.
No tempo que não havia
Jornal nem televisão.

Quando Getúlio Morreu
Entristecendo a nação,
Alguns jornais recuaram
Com medo de repressão.
O cordel foi corajoso
E fez a divulgação.

O cordel falou da fé
Do povo em Frei Damião,
Divulgou a romaria
Do Padim Ciço Romão.
Falou em tom de revolta
Do massacre em Caldeirão.

Cordel fazia namoro
Quando o pai não consentia,
O casal tinha apelido
Falado na cantoria,
Foi assim que se casaram
Coco Verde e Melancia.

O Dr. Sávio Pinheiro
Na sua comparação,
Fez um trabalho perfeito
Rimado com perfeição.
Juntou Yoko e John Lennon
Com Maria e Lampião.

Minha boa Várzea Alegre
Nesse país cor de anil,
É a terra dos contrastes
Conhecida no Brasil
Mas lá o poeta Expedito
Fez um cordel sobre Bil.

O poeta Patativa
O nosso maior artista
Diminuiu os cordéis
Quando ficou ruim da vista.
E assim ficou desfalcado
O time de cordelista,

O arrombamento do Orós
O cordel noticiou,
O assassinato de Kennedy
O cordel também citou.
E a visita do papa
Foi o que ele mais falou.

No mundial de cinqüenta
O Brasil foi perdedor,
Jogou no Maracanã
Mas não foi tão agressor.
O cordel deu a notícia
Deprimindo o torcedor.

Quando o mestre Pedro Souza
Partiu pra segunda via,
Fiz um cordel de saudade
Das coisas que ele fazia.
Tudo que lá coloquei
Pedro Souza conhecia.

O cordel foi professor
Ensinou Ave Maria,
Deu aula de português,
História e geografia.
Foi a carta de A.B.C.
Daquele que não sabia.

Mas o cordel mensageiro
O que ganhou foi tortura,
Chegou a televisão
Mudando toda a cultura.
Hoje pouca gente sabe
O que é xilogravura.

Pra terminar meu recado
Eu peço ao caro leitor,
Que quando achar um cordel
Dê a ele o seu valor.
Pois ele foi no  passado
Um excelente professor.

Mundim do Vale



CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.


SOLTANDO  O  CARRETEL

Para a Exibição dos filmes no Cine Odeon, Edmilson Martins sempre precisava da ajuda de um auxiliar para girar o carretel do filme.Como o auxiliar não pagava ingresso, o operador alternava os ajudantes, que eram; Waldefrance Correia, Joemilton Martins, Francivaldo Martins, eu e Assis Félix.
No dia da exibição de um filme censurado para menores, o escalado era Waldefrance que já era maior de idade.
No dia da exibição de uma comédia italiana de nome “ Pobres porém formosas “ Waldefrance foi o escalado. O trabalho era um tanto complicado porque se o carretel saísse do lugar, demandava um certo tempo para o operador recompor. E durante aquele tempo, o  público ficava assoviando e dizendo palavrões.
Pois naquela noite foi só o que deu.
Waldefrance muito empolgado com o filme e tremendo bastante, SOLTOU  O  CARRETEL.
Como o cine estava lotado a bagunça lá embaixo foi geral. Enquanto Edmilson tentava corrigir o problema, o ajudante desceu com uma lanterna na mão e um cadeado na outra. Quando chegou mais-ou-menos no meio, tinha um grupo assoviando o sapinho. Ele focou a lanterna na direção e foi mesmo na cara de Diassis Aquino. Com a surpresa dos dois ao mesmo tempo, Waldefrance foi logo falando aborrecido:
- Mas Diassis. Você um rapaz tão educado. E não ter educação !
Depois de ter tomado uma vaia do público, Waldefrance foi subindo mais zangado do que rato dentro de garrafa. Naquele momento, Luís de Cícero Inácio jogou um picolé nas costas dele. Se Waldefrance soubesse hoje que foi Luís que jogou aquele picolé, era capaz dele enfartar.
Mas sem saber, o auxiliar voltou para o lugar que estava antes e perguntou:
- Quem foi o engraçadinho que fez isso?
Lá de baixo uma voz bem tímida respondeu:
- Foi eu.
- Eu quem?
- Eu ! Porra !
- Pois venha até aqui.
- É o que vai !
Edmilson tentando evitar um problema maior, ascendeu as luzes do salão e mandou seu ajudante subir.
Vejam a ironia do destino nesse causo. Alguns meses depois, Diassis, Zé Clementino e Murilo Teixeira, arrendaram o cinema  a Luís Proto e Diassis passou a ser patrão de Waldefrance.


MANDEI POR ELE AÍ - Por Mundim do Vale.

MANDEI  POR  ELE  AÍ.

Antônio de Pedro Preto, Chagas Chibata, Leoní Proto e Tracízio Araripe. Eram amigos de bebidas.
Uma vez Leoní ganhou uma quantia no jogo do bicho e Chagas Chibata pediu um dinheiro emprestado, para ser pago na semana seguinte. Leoní emprestou e no dia do pagamento Chagas não apareceu. O credor procurava o devedor, mas ninguém dava notícias.
Quando já estava com três meses, antônio de Pedro Preto adoeceu e não resistindo as lesões do fígado, foi a óbito.
No dia do velório os colega de bebidas estavam presentes faltando apenas Chagas.
Leoní num pé e outro sempre pensando:
- Eu sei que Chagas aparece, que ele não vai fazer uma desfeita dessa com o finado.
Quando já estava perto da hora do sepultamento, Chagas chegou mais desconfiado do que namorado de vendedora da Avon. Olhou para o finado, deu os pêsames para a família e nada de falar com Leoní.
O credor aproximou-se do devedor, colocou a mão no ombro e falou:
- Chagas. Cadê aquele negócio? Já tá com três meses e nada.
- Ôxenti omi ! E eu num mandei derna de oitubro.
- E você mandou por quem?
Chagas apontou para o defunto e disse:
- Eu mandei por ele aí. Ele num intregou não?

quarta-feira, 6 de março de 2013

014 - Nossas historias - Historias de varzealegrenses.

Há uma ligação sanguínea muito grande entre os do Sanharol em Várzea-Alegre e os da Palmeirinha, Malhada e Juá em Crato. 

Inicialmente dois filhos de José Raimundo do Sanharol, em Várzea-Alegre, se casaram com duas filhas de Eufrásio Alves de Brito, do sitio Malhada, em Crato. 

Vicente Alves Bezerra de quem descende os familiares de José Bezerra de Brito, professor Zurza Bezerra, que dar nome ao Ginásio da Ponta da Serra e Gabriel de Morais Rego que do seu primeiro matrimonia nasceu Eufrásia Morais de Brito que se casando do Macário Vieira de Brito deu origem a numerosa e nobre família Macário de Brito. 

Gabriel de Morais Rego ainda se casou duas vezes e é pai entre outros filhos de Vicente Bilé, Vitorino Bilé que residiam no sitio Malhada e Ana, que residia em Crato, José Bilé e Raimunda Bilé  residentes em Arneiroz.

Outra filha de José Raimundo do Sanharol, Maria Anacleta de Menezes se casou com Antônio de Brito Correia, do sitio Palmeirinha e dentre seus filhos citamos José Raimundo de Brito que se casou com uma sobrinha de sua mãe de nome Isabel Alves de Morais, de Várzea-Alegre, filha de Joaquim Alves de Morais e Tereza Anacleta de Menezes, desse casamento deu origem a numerosa família Morais de Brito do sitio Juá.

Antônio de Brito Correia enviuvou e se casou novamente com Leonarda Bezerra de Menezes, varzealegrense, sobrinha de sua primeira mulher e que foi batizada no dia do seu primeiro casamento. Irmã de sua nora Isabel.  

Observem a diferença de idade. Desse casamento nasceram 10 filhos entre eles Pedro Alves de Brito e Joaquim Alves de Brito, o conhecido Duquinco de Brito do sitio Palmeirinha em Crato. Em seguida quatro desses seus filhos se casaram com parentes de Várzea-Alegre, Pedro, Esmelinda, Belinha e Sandola matrimoniaram-se com Laura Morais e Silva, José Bezerra Mendes, José Alves Feitosa Bitu e José Raimundo de Menezes respectivamente, todos primos legítimos, entrelaçando mais ainda as duas famílias.

Certidões de casamento:

Aos vinte e nove de novembro de mil oitocentos e setenta e seis sem contar impedimento algum de José Alves Bezerra de licença minha casar os nubentos José Raimundo de Brito e Izabel Morais do Rêgo confessados examinados na doutrina cristã. Foram testemunhas João Alves de Menezes, Antonio Alves de Brito de que para constar mandei fazer este termo a que assino.

PE. Vicente Ferrer de Pontes – PCO.

Livro 3C – Casamentos - Capela de Várzea Alegre

Aos vinte e nove de novembro de mil oitocentos e setenta e seis sem contar impedimento algum de José Alves Bezerra de licença minha casar os nubentos Antonio de Brito Correia e Leonarda Bezerra de Menezes confessados e examinados na doutrina cristã. Foram testemunhas Eufrásio Alves de Brito e Vicente Alves Bezerra de que para constar mandei fazer este termo que assino.

PE. Vicente Ferrer de Pontes – PCO.

Livro 3C - Casamentos - Capela de Várzea Alegre – CE.

terça-feira, 5 de março de 2013

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

SECA  NO  SERTÃO.

Seu Doutor eu tou chorando
Com lágrimas de um roceiro,
Acabou-se fevereiro
E março tá começando.
Dezenove tá chegando
E tá desse jeito o chão,
É essa a situação
Que tou mostrando ao Senhor.
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  NO  SERTÃO.

Desça do carro importado
Venha ver de perto a fome,
Eu não he disse meu nome
Mas me chamo Zé Conrado.
Veja como está meu gado
Sem encontrar mais ração,
Sem levantar mais do chão,
Não faz pena Seu Doutor?
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  NO  SERTÃO.

A mulher vive a chorar
Sem ter nada na panela,
Mas hoje eu disse pra ela
Que a solução é rezar.
Se o a chuva não chegar
Nós vamos ao Maranhão,
No primeiro caminhão
Que passar no Mirador.
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  NO  SERTÃO.

Mas se São Pedro ajudar
Me mandando uma chuvinha,
Pra molhar minha terrinha
Eu juro que vou ficar.
Vou até me ajoelhar
Pra fazer uma oração,
Em forma de gratidão
Para pagar o favor.
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  DO  SERTÃO.

Já mandaram eu roubar santo
Para ver se faz chover,
Mas isso não vou fazer
Porque eu não me garanto.
Deixo o santo no seu canto
Pra não haver maldição,
Sou pobre, mas não ladrão
Não vou perder meu valor.
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  DO  SERTÃO.

Saquear não é direito
Porque vai de encontro a lei.
Eu até aconselhei
Conversar com o prefeito.
Acho até difícil um jeito
De encontrar solução,
Mas eu não vejo razão
De virar saqueador.
CASTIGO  DE  AGRICULTOR
É  A  SECA  NO  SERTÃO.

Mundim do Vale.

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

VAI  VIRAR  UM  CINE  ODEON.

Manoel de Pedro do Sapo, tinha uma propriedade na Lagoa do Arroz, onde além de cocos, atas e caju, tinha ainda seis pés de cajaranas. Manoel muito generoso deixava que o pessoal tirassem as cajaranas, desde que não fossem derrubadas com varas e nem pedras, para não atingir as verdes.
Um dia e outro não, eu ia com Taveirinha e colhia uma cesta de cajaranas, Taveirinha subia e eu ficava embaixo com a cesta. Ele amarrava a penca num cordão e descia, eu desamarrava e eu devolvia o cordão pra ele. Nós já estávamos tão simpatizados pelo proprietário, que ele ainda dava um coco pra cada um.
Um dia nós estávamos tirando as cajaranas, quando chegou uma senhora da rua do São Vicente, acompanhada de uma garota que aparentava ter quinze anos.
Eu avisei das exigências do proprietário e elas concordaram. A tia olhou para sobrinha e ordenou:
- Lurdinha. Tu qui é mais nova sobe, qui eu fico ajuntando.
A mocinha, que usava vestido, Escalou a árvore pulando de galha em galha, que mais parecia um macaco. Chegou numas galhas onde tinha mais cajaranas, botou um pé numa galha e o outro noutra e ficou tentando pegar umas pencas.
Admirado com a agilidade da garota, eu resolvi dar uma olhada despretensiosa, na hora que eu olhei pra cima, a tia da garota aproximou-se de mim e gritou:
- Lurdinha !
- Quié tia?
- Desça já daí.
- Mais tia, agora é qui eu começar a tirar.
- Desça logo. Você num tá vendo qui o minino tá danado oiando pra riba não?
- E o que qui tem? Eu num tou sem calça.
A Zoada da tia atraiu outros meninos que estavam em outros pés de cajaranas. Chegando lá eles também olharam pra cima, para ver o que era que estava acontecendo.
E a tia insistia:
- Muié. Desça logo daí, qui já ta chei de minino oiando pra tu.
- E eu cum isso?
- Mais miá fia, nessa pusição qui tu tá, dá pra ver inté o coração. Tu quer qui o pé de cajarana de Mané do Sapo vire um Cine Odeon.

segunda-feira, 4 de março de 2013

CENSO DE TERRAS (Várzea Alegre: parte 02) - Por George Ney


CENSO DE TERRAS (Várzea Alegre: parte 02) - Por George Ney

Foi do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio a responsabilidade do Recensenceamento do Brasil no ano 1920. O que se publica agora é o rol das propriedades, 184 ao todo, que integravam o então município de Várzea Alegre. Observa-se que alguma parte dessa relação são de sítios ou fazendas atualmente pertencentes à sua vizinha-irmã Cedro.

PROPRIETÁRIO  -  PROPRIEDADE

101 - José Duarte da Silva - Brejo Novo
102 - Branco Correia Lima - Brejo
103 - Branco Correia Lima - Brejo Novo
104 - Severiano Correia Lima - Brejo
105 - Cecília Maria das Virgens - Bacupari
106 - Joaquim Alves da Costa - Sereno
107 - Pedro Leandro da Silva - São Caetano
108 - Joaquim Mariano - João Ribeiro
109 - José de Holanda Cavalcante - Mucuripe
110 - José Luciano da Costa - Fantasma
111 - Joaquim Moreira da Silva - União
112 - Antonia Teresa - Fechado
113 - José de Victes - Vara da Prensa
114 - João Alves Bezerra da Costa - Mundo Novo
115 - Vicente Costa  - Brejo
116 - José Correia Lima Sobrinho - Boa Vista
117 - Manoel Simeão da Costa - Cariuzinho
118 - João de Melo - Saco
119 - Leandro Correia Lima - Serraria
120 - Joaquim Bernardo M- Acauã
121 - Vicente Seabra - Forquilha
122 - Antônio Gonçalves da Silveira  - Atoleiro
123 - Honorio Vieira de Oliveira - Gato do Mato
124 - José Alves Bezerra - São Vicente
125 - Antônio Maceno da Silva - Mameluco
126 - Raimundo Inácio da Costa - Belém
127 - Vitorino Alves de Menezes - Lagoas
128 - Joaquim Sobreira Lima - Varjota
129 - Vitória Maria da Conceição - Riacho Verde
130 - José Vicente da Rocha - Ingazeira
131 - Joaquim Alves Bezerra - São Vicente
132 - Josefa Gonçalves Torres - Gato do Mato
133 - Manoel Fernandes - Alto Alegre
134 - Pedro Barão  - Fechado
135 - Sousa Gregório - Ubaldinho
136 - Vicente Ferro - Ubaldinho
137 - Celso Alves de Araújo Silva - Bela Vista
138 - Evaristo Araújo Silva - Riacho do Meio
139 - Manoel Vicente da Silva - Ubaldo
140 - José Vicente - Vaca Brava
141 - Antônio Guedes - Beleza
142 - João Cândido - Cedro
143 - Manoel de Moura - Umari Torto
144 - Antônio Afonso - Novo Horizonte
145 - Gabriel Diniz - Baixio
146 - José Alves Bezerra - Oitizeiro
147 - José Correia  - Olho d'Agua
148 - José Leite Filho - Olho d'Agua
149 - Antônio Duarte - Taboleiro
150 - Antônio José - Mamoeiro
151 - José Alves Bezerra - Mamoeiro
152 - Felismina Maria - Rua
153 - Alfredo Pinheiro - Marreca
154 - Gustavo Epifânio - Tanque
155 - Quirino Dutra - Assumção
156 - José Bernardino - Várzea Feia
157 - Pedro e João Correia - Sobradinho
158 - Antônio Alves da Silva - Lagoa do Mato
159 - Manoel Duarte da Silva - Barra do Jacú
160 - Antônio Francisco de Oliveira - Caiçara
161 - Glória Maria da Conceição - Caiçara
162 - José Duarte Vicente - Várzea Redonda
163 - Antônio Dutra - Barra do Jacú
164 - José Alves do Espírito Santo - Fazenda Nova
165 - Norvina Maria do Espírito Santo - Fazenda Nova
166 - Antônio José de Oliveira - Baixio da Furna
167 - Antônio da Costa Vieira - Curral da Várzea
168 - Raimundo Alves de Oliveira - Francisquinho
169 - Antônio Gomes de Sousa - Francisquinho
170 - Madalena Fernandes Vieira  - Taquari
171 - Joaquim José de Sousa - Fechado
172 - José Manoel da Silva - Curral da Várzea
173 - Miguel Paulo da Silva - Defuntos
174 - Manoel Gonçalves Torres - Defuntos
175 - Mariano Alves de Sousa - Lagoa da Onça
176 - Rafael Alves de Oliveira - Recanto
177 - Constantino de Oliveira - São Miguel
178 -  Miguel da Costa Vieira - Buraco d'Água
179 -  Miguel da Costa Vieira - Buraco d'Água
180 - João Fernandes Teixeira - Buraco d'Água
181 -  Cel. Joaquim Alves dos Santos - Alto Alegre
182 -  Joaquim Alves de Oliveira - Parnaíba
183 -  José Leonardo de Matos - Jacú
184 - Cel. Joaquim Alves dos Santos - Jacú

CENSO DE TERRAS (Várzea Alegre: parte 01) - Por George Ney


CENSO DE TERRAS (Várzea Alegre: parte 01) - Por George Ney

Foi do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio a responsabilidade do Recensenceamento do Brasil no ano 1920. O que se publica agora é o rol das propriedades, 184 ao todo, que integravam o então município de Várzea Alegre. Observa-se que alguma parte dessa relação são de sítios ou fazendas atualmente pertencentes à sua vizinha-irmã Cedro.

PROPRIETÁRIO  -  PROPRIEDADE
1 - Antônio Ferreira - Alto
2 - José Correia Lima - Baixio do Exú
3 - Antônio Correia Lima - Umari
4 - Matias Alves Bezerra - Varzante
5 - Antônio Alves Bezerra - Grossos
6 - João Alves de Almeida - Grossos
7 - Pedro José de Sousa - Grossos
8 - Joaquim Vieira da Silva - Brejinho
9 - Amélia de Carvalho Pimpim - Brejinho
10 - José Leandro da Silva - Queixada
11 - Victor Caldas de Oliveira - Cachoeira
12 - João de Caldas Filho - Umari
13 - José Vicente da Costa - Cajazeiras
14 - Antônio Vieira da Silva - Brejinho
15 - Pedro de Sousa Lima - Cajazeiras
16 - Antônio Primo Correia - Baixio
17 - Pedro Pereira de Sousa - Forquilha
18 - Maria Leandra - Medeiros
19 - José Bezerra da Costa - Varas
20 - Raimundo Alves Bezerra - Cajazeiras
21 - José Bezerra Sobrinho - Buenos Aires
22 - Caetano Afonso da Silva - Caldeirões
23 - Honorato Raimundo de Araújo - Queixada
24 - Raimundo Vieira - Umari
25 - Agostinho Alves Bezerra - Lagoas
26 - José Vitorino Bezerra -  Lamarão
27 - Raimundo Carlos - Umari
28 - Cícero Duarte - Barreiros
29 - Vitorino Alves de Menezes - Lagoas
30 - João Alves Feitosa Bitú - Lagoas
31 - Antônio Nunes de Almeida - Boa Sorte
32 - João Doca - Cachoeira
33 - Manoel Alves Bezerra - Caraíbas
34 - Pedro Alves da Costa Filho - Baixio Verde
35 - Pedro Vieira da Costa - Boa Sorte
36 - José Gonçalves Cassundé - Caldeirões
37 - Vitorino de Sousa - Varas
38 - Ana J. de Sousa - Varas
39 - Vitorino de Sousa - Varas
40 - Tibúrcio Bezerra de Morais - Varas
41 - José Raimundo Nonato de Morais - Coité
42 - Vicente Caetano - Rosário
43 - Pedro Alves de Lima - Rosário
44 - José Leandro Correia - Barro Vermelho
45 - Antônio G. de Oliveira - Rosário
46 - Antônio Alves Bezerra - Melosa
47 - Manoel Amâncio de Oliveira - Arraiaes
48 - Ana Moreira - Bebedouro
49 - Joaquim Alves Bezerra - São Cosme
50 - Gregório de Caldas - Bebedouro
51 - Pedro de Caldas Filho - Bebedouro
52 - Manoel Cazuza - Forquilha
53 - Raimundo Bezerra de Moura - Forquilha
54 - Gustavo de Caldas - Timbaúba
55 - Fausto Ferreira - Taboleiro
56 - João de Sousa - Jatobá
57 - José Alves Bezerra - Varas
58 - Pedro Bezerra da Costa - Varas
59 - Pedro Bezerra da Costa - Umari
60 - José de Freitas - Mocotó
61 - Raimundo Soares - Carrapateira
62 - Damião Soares - Carrapateira
63 - João Joaquim da Silva - Caiana
64 - Francisco Salviano - Extrema
65 - Raimundo Gomes - Poço dos Paus
66 - Gervásio Xavier - Poço dos Paus
67 - André José Duarte - Lagoa Seca
68 - Manoel Tomás - Exú
69 - Renovato da Silva - Exú
70 - João Marinheiro - Exú
71 - José Alves - Caiçara
72 - José Garcia - Fundão
73 - Antônio Martins - Fundão
74 - José Xavier - Malhada de Juá
75 - Cirilo Alves Bezerra - Lagoa do Arroz
76 - Benedito Gomes Fiúza - Chico
77 - Vicente Vieira da Costa - Chico
78 - Manoel Bastos de Oliveira - Ingazeira
79 - Ana Francisca de Morais - Chico
80 - José Joaquim da Silva - Chico
81 - Manoel Leandro Bezerra - Sanharol
82 - Pedro Alves de Morais - Sanharol
83 - Isabel Britto Bitú - Sanharol
84 - Raimundo Nonato de Morais - Panelas
85 - Ildefonso Correia Lima - Panelas
86 - Pompeu Costa de Oliveira - Varzante
87 - Manoel da Costa Oliveira - Riacho Fundo
88 - Pedro de Pinho Vieira - Piripiri
89 - Manoel Camilo - Cachoeira d'Antas
90 - Carlos Gomes de Alencar - Baixio
91 - José Alves Bezerra Mendes - Iputi
92 - Raimunda Morais do Rego - Roçado de Dentro
93 - João Alves de Oliveira - Boa Vista
94 - Raimundo Duarte Bezerra - Coqueiro
95 - Sérgio Costa de Oliveira - Riacho Verde
96 - Gabriel Morais do Rego -  Panelas
97 - Agostinho Morais do Rego - Panelas
98 - Maria J. Correia Lima - Ipiranga
99 - Francisco Pedro da Costa - Brejo
100 - Maria Alves Bezerra - Brejo Novo

Fonte: IBGE - George Ney

"CHARANGA" - Mario Leal


Um dos aspectos culturais proeminentes que deve ser relevado para justificar a pujança do carnaval de Várzea Alegre de agora, foi sem sombra de dúvidas a “charanga”.

Tudo começou no ano de 1966, morava lá, muito embora estudasse interno no Seminário do Crato e juntamente com meu compadre Marconi Proto, Luiz Filho, Norberto Rolim, Pedeco, Joemilton, Nilton de Dudu, Reginaldo, Célio, Tércio e César Costa, Joãozinho e Raimundinho Piau, dentre outros, nos reunimos detrás da Igreja de São Raimundo Nonato, munidos de um rádio, taróis, triângulos, surdos, chocalhos e colheres (tocadas por aqueles que não tinham ritmo) e fogos de artifício para assistirmos aos jogos da Copa do Mundo. 

Em verdade, não era fácil torcer pelo Brasil naquele tempo. As transmissões eram feitas em ondas curtas de rádio, às vezes inaudíveis, deixando-nos ainda mais nervosos.

O Brasil estreou contra a Bulgária e vencemos por 2xO, com gols de Pelé e Garrincha, ambos na cobrança de faltas. O jogo seguinte foi um desastre, Sem Pelé, Zito e Fidélis, enfrentamos a Hungria e perdemos por 3x1. Restava Portugal, a sensação da Copa e perdemos também por 3X1. Saímos dali arrasados, entretanto, daquele fracasso, surgiria a fanfarra. (CHARANGA).

Já no ano seguinte, 1967, com os mesmos instrumentos (surdos, taróis, tamborins, chocalhos, etc.) utilizados naquele fracasso formamos o primeiro grande bloco urbano da cidade, dando origem a Escola de Samba “Charanga” que teve destaque inolvidável no final da década de 60 e início dos anos 70, animando os carnavais da terra de Papai Raimundo. 

Para enfrentar a “Unidos do Roçado de Dentro” que tinha o afamado sanfoneiro Pedro de Sousa como timoneiro musical, trouxemos para a Charanga, nada mais nada menos do que o compositor José Clementino que desfilou na escola com a marchinha, cujo refrão, estampava nas estrofes, certo ar de contenda: “Os Generais do Samba, agora vão desfilar, os Generais do Samba, agora vão sambar... Olha a Charanga vem aí, agora sei que vou me divertir, ela é a bamba, ela é a tal, sem ela ninguém brinca carnaval”. 

Creio que o compositor queria com aquela letra satirizar o governo ditatorial de 1964 onde só deu general. (Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médice, Ernesto Geisel e João Figueiredo).

Foi assim, que no final da década de 60, a Charanga e o Lions Clube de Várzea Alegre, que tinham em suas presidências, respectivamente, o estudante Célio Costa e o médico José Colares passaram a organizar os carnavais de clube no antigo CREVA – Clube Recreativo de Várzea Alegre, cuja sede estava precariamente instalada no casarão pertencente à tradicional família “Pimpim”, na Rua Major Joaquim Alves com o Beco de Gobira. 

Posteriormente, a festa de carnaval foi transferida para o Recreio Social, localizado na parte térrea da Prefeitura, para tempos depois, voltar ao CREVA, em sua sede própria, construída através do gigantesco esforço dos médicos Pedro Sátiro e Iran Costa. Hoje o carnaval de Várzea Alegre é feito na rua.

Na verdade o carnaval varzealegrense, a cada ano que passa, fica mais atraente o me faz sentir muitas saudades... Lembrança de minha velha “CHARANGA”... Do Creva antigo e do Recreio Social... Dos amigos Tércio Costa e Joãozinho Piau que já se foram. Dos confetes e das serpentinas... Dos velhos carnavais... Dos velhos tempos que não voltam mais...

Mario Leal

sábado, 2 de março de 2013

CAUSO LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.


A SENTENÇA DE SÃO BRAZ

Os católicos da terra do arroz passaram muitos anos adorando São Braz, pensando se tratar de São Raimundo Nonato, padroeiro da cidade. Este engano serviu até de inspiração para um dos contrastes de Várzea Alegre.
Com a chegada de um padre novato foi reconhecido o engano, causando uma revolta nos fiéis do padroeiro. Depois que a notícia espalhou-se São Braz ficou
mais antipatizado do que parlamentar que recebeu o mensalão.
Um grupo de católicos se dirigiu a casa paroquial para falar com o novo vigário,
a fim de que ele tomasse uma providência para dar um fim no santo intrometido
e que providenciasse imediatamente um verdadeiro São Raimundo.
O líder do grupo chegou para o vigário falando:
- Seu vigário. Esse tal de São Braz enganou a nossa boa fé, furtou as nossas orações, fez pouco das nossas promessas e ainda surrupiou as nossas esmolas. Vai ser preciso dar um corretivo nele e botar um  São Raimundo no lugar.
O vigário muito sereno respondeu:
- Calma meu filho! Eu vou providenciar o verdadeiro padroeiro e transferir as orações de vocês junto com o Senhor bispo no dia da benção. Mas São Braz
pode  ficar, porque numa igreja pode ter vários santos.
Os fiéis saíram sem gostar nem um pouco da proposta do novo vigário e foram logo tratando de desenvolver uma maneira de resgatar o santo impostor para castigá-lo.
No dia da chegada do padroeiro verdadeiro, a cidade fez uma festa, e como havia sido combinado, o bispo do Crato veio para benzer a imagem. O Senhor bispo estava preparando o cerimonial, quando chegou o grupo de revoltosos e pediu para falar com ele, O bispo mandou que entrasse e o líder foi logo beijando a mão dele e dizendo:
- Senhor  bispo. Nós estamos aqui em comissão para pedir ao Senhor que deixe nós levar esse santo que tava no lugar do nosso, para botar na capela do Socorro, que não tem nenhum. O bispo concordou sem saber a intenção daqueles justiceiros. Eles saíram todos à cavalos de frente da igreja, já levando o santo impostor na lua da cela do líder do grupo, que já ia dando cocorote e dizendo:
- Caba atrevido!
Quando chegaram no sítio Brejo, julgaram e condenaram sumariamente o pobre santo a pena de morte por apedrejamento, pelo crime de falsidade ideológica. Quebraram o condenado em mais de vinte pedaços e jogaram no açude.
Depois do CUMPRA-SE,  um dos executores olhou para as borbulhas na água e disse:
- Tu tá vendo Braz? Isso daí é pra tu nunca mais querer passar Raimundão pra trás.
 
Um ano depois o bispo voltou à Várzea Alegre e comunicou aos fiéis que o santo que estava como São Raimundo era o Santo Ambrósio.
O mesmo grupo da execução dirigiu-se ao bispo e pediram para falar com ele.
O bispo mandou que entrassem e o líder foi logo beijando a mão dele e falando:
- Senhor bispo nós estamos aqui em comissão para pedir perdão pelo pecado que cometemos.
- E qual foi o pecado filho?
- Nós queríamos castigar São Braz e matamos foi Santo Ambrósio. O Senhor bispo perdoa nós.
Filho. O pecado de vocês foi muito grave, mas eu posso transformar a pena em multa se vocês trouxerem 30 quartas de arroz para o padroeiro.
Dizia os mais velhos que o grupo foi perdoado mas ninguém sabia dizer se São Raimundo comeu aquele arroz sozinho.

ATENTADO AO PUDOR - Por Mundim do Vale

TERREIRO  DE  GALO  GRANDE.

Zé do Crato, ( Já não precisa mais dizer a naturalidade dele ) Chegou em Várzea Alegre por volta de 1948, conforme a fonte que me informou. Pequeno, magro e ágil, era a figura de um toureiro.
Zé pediu emprego ao meu avô Joaquim Piau no serviço do roçado e foi logo admitido. Era ele o que mais produzia; Trabalhava muito e conversava pouco, mas nunca ninguém viu ele rezar um Padre Nosso antes de dormir. Passava de domingo a sábado na Vazante e só no sábado de noite sai para a rua e só retornava no domingo. Já estava com três meses nessa rotina, quando aconteceu esse causo.
Zé saiu no sábado de noite para a rua e lá chegando tomou umas cachaças. Uma hora lá meu tio Zé Piau encontrou-se com ele e falou:
- Zé do Crato. Vamos subir !
- Não. Eu só vou amanhã, pruque eu tem umas coisa prumode resover.
No domingo cedinho meu avô estava fechando um cigarro de fumo, quando ouviu um barulho de animal no terreiro. Foi até uma janela e viu que o cavaleiro era seu primo Matias, delegado civil de Várzea Alegre.
Logo que Matias viu Joaquim Piau foi logo dizendo:
- Primo eu preciso falar com você.
- Pois não. Amarre o cavalo na cerca e suba para tomar café com cuscuz. O delegado tomou o café e logo que acabou disse:
- Primo. O assunto é sobre Zé do Crato. Ele ontem de noite tava puxando fogo e não teve o que fazer, ficou naquela praça do lado da casa de Adélia Pimpim, fazendo esculhambação, descia as calças  e ficava com os documentos de fora. Eu só não vou botar ele na cadeia, em consideração a você.
Meu avô agradecido falou:
- Primo eu agradeço a sua atenção  e lhe asseguro que a partir de hoje Zé do Crato não trabalha mas na Vazante.
Logo que o delegado saiu, chegou Zé com uma malota da mão.
O patrão disse:
- Zé. Eu preciso falar com você. Eu estive conversando com Matias e ele me contou que você andou fazendo esculhambação na rua. O que você fez é atentado ao pudor, dar cadeia.
O empregado interrompeu:
- Eu sei, Seu Piau, Máis eu quiria qui o sinhor iscutasse eu. O siguinte é esse; É divera qui eu tava fazendo aquilo, máis ninguém via não, pruque era tarde da noite. Só quem via mermo era a impregada de Dona Adélia. Todo sabo qui eu chegava lá, ela dicia pru quintal e ficava arreparando eu amostrar. Máis quando foi onte qui eu amostrei, foi qui eu dei fé qui seu Matia tava nu máis ela dento do quintal.
Máis eu vou simbora Seu Piau. Pruque im terreiro qui tem galo grande, buguelo piqueno num se mete a besta.

sexta-feira, 1 de março de 2013

GRANDE EVENTO EM VARZEA ALEGRE - Por Claude Bloc

CERIMÔNIA DE ENTREGA DAS MEDALHAS PAPAI RAIMUNDO

Dia 27 de agosto de 2011, alguns  cidadãos varzealegrenses reconhecidos pela população foram agraciados com MEDALHAS na cerimônia de entrega da Medalha Papai Raimundo. Como convidada para o evento, me surpreendi com o público numeroso e vibrante, coisa rara nos dias de hoje. Todos ali estavam imbuídos em prestigiar os homenageados com um calor sincero de amizade e apreço.

Me comovi, em alguns instantes com as histórias de cada representante da cidade que compunha aquela mesa, pela sua participação ativa na vida de Várzea Alegre trazendo à cidade o brilho e o sucesso. 

Ouvi atenta todos os relatos. Muitas dessas pessoas, viveram uma infância humilde e mesmo assim, conseguiram com honradez galgar uma trajetória de sucesso trazendo seu nome e seu trabalho como contribuição para o engrandecimento do nome da cidade por outras plagas mais distantes.



A plateia acompanhava atenta. A cada minuto um sorriso, uma lembrança, um aplauso.


Histórias que ouvi junto  com os varzealegrenses aprendendo a admirá-los pelos seus feitos e pela sua simlicidade.


Depois da entrega das medalhas, era hora de dividir com a família as emoções do momento.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

A  TRAGÉDIA  DE ZÉ  DE  DUDAL.

O sr. Dudal, tabelião de Várzea Alegre – Ceará, não teve filhos. Para que o casal não ficasse só, ele resolveu adotar um filho e uma Filha, Darca que era prendada e muito educada. E José, ao contrário da irmã adotiva, era muito danado, brigava da rua e ainda tinha a agravante de malinar nas coisa alheias.
Uma vez ele juntou-se com Vicente Cassundé e foram furtar cocos na Varjota.
Zé subiu no coqueiro e Vicente ficou embaixo catando os cocos. Lá uma hora Zé foi tirar um coco e deu com um boca-torta no cacho, no aperreio ele desequilibrou-se e caiu. Na queda fraturou as duas pernas e o braço direito.
Vicente Cassundé sem ter muito o que fazer Disse:
- Zé. Fique aí qui eu vou chamar gente pra ajudar. Não saia daí não Viu? Ora como era que saía?
Vicente foi chegando no local onde tinha o antigo cacimbão no meio da rua e encontrou; Fábio Pimpim, Mundim Tibúrcio, Zé Ildefonso e Zé Augusto. Pela expressão de Vicente, aqueles senhores já notaram que havia algum problema. Zé Augusto foi logo perguntando:
- O que foi que aconteceu Vicente? Porque você treme tanto?
- Foi pruque Zé de Seu Dudal distabacou-se de riba dum coqueiro e tá lá istatalado no chão.
- E onde é que ele está?
- Ele tá ali na Vajota. Mais ele num tá pudendo nem se mexer.
- Pois nós vamos lá.
Quando chegaram no local que constataram a gravidade de Zé, foram logo tratando de arranjar tabocas para encanar. Cada taboca que era amarrada Zé dava um grito e dizia:
- Num vão dizer a pai não !
Zé Ildefonso perguntou:
Foi naquele momento que eles lembraram que Dudal precisava ser avisado.
- Quem vai avisar a Dudal?
Vicente Cassundé gritou:
- Eu vou !
Mundim Tibúrcio o mais sensato de todos falou:
- Não Vicente, é melhor que eu vá porque Dudal já tá idoso e pode sentir um choque, deixe que eu preparo ele primeiro e depois dou a notícia.
Quando Mundim chegou na casa de Dudal, ele estava bem acomodado numa espreguiçadeira e foi logo perguntando:
- Que novidade é essa Mundim? Você não tem costume de andar por aqui uma hora dessa.
- Pois é Dudal. Eu estou aqui para lhe dar um notícia, mas não sei por onde começar.
- Pode dizer, Mundim. Se for problema com José, não é mais novidade para mim. Não tem problema maior na minha vida, do que o próprio José.
- Pois é isso mesmo. Houve um acidente com ele.
- E o que foi?
- Ele caiu de cima de um coqueiro.
- E ele morreu?
- Morreu não. Ele quebrou as pernas mas já estão encanando.
- Então Mundim, se José escapou, não foi um acidente, foi uma tragédia.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

013 - Nossas Historias - Memoria varzealegrense


Manuel Alves de Menezes - Manuel de Pedro do Sapo.

O campo de futebol do Roçado de Dentro ficava na Formiga, a equipe treinada por Antônio André que alem de técnico tinha a função de encher a bola, uma bexiga de boi encomendada a Antônio Pajé. O Time local resolveu desafiar o Tabajara Futebol Clube, equipe organizada por Raimundo Bitu do Sanharol, que se orgulhava de ao longo do tempo nunca ter perdido uma partida sequer.

Quando a equipe do Tabajara entrou em campo, a banda cabaçal da Rua São Vicente tocou o Hino Nacional, antes do inicio da contenda houve um minuto de silencio não se sabe em louvor de quem, mas, quando começou aquele tradicional bate bola, Zé Menezes, filho de João do Sapo, jogador do Tabajara, calçava uma alpercata de rabicho feita por José Faustino, cujo solado era de um pneu com três dedos de altura.

Manuel de Pedro do Sapo, ponta esquerda do Roçado Dentro, observando os calçados do Zé Menezes falou: "Cum Zé de ti João de apragata na becança o diabo é quem vai". Rumou na direção de  casa.




terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

SE  FOSSE  MAIS  OTAVIANO  NUM  TINHA  AVIRISSIDO  ISSO.
No tempo em que não havia água encanada em Várzea Alegre, a água era transportada em jegues, o pessoal colocava a cangalha, duas caçambas e quatro latas de querosene vazias. Os condutores que transportavam a água da lavanderia até as casas, eram na maioria das vezes os filhos mais novos, quando não estavam em seus horários escolares.
Um dia o Senhor Pedro Tonheiro chamou um dos seus netos e falou:
- Vá porcurar Otaviano pegue o jumento e vão buscar buscar água na lavanderia.
- Mas vô. Fáis tempo qui eu precuro ele e não acho. Seu Belizaro disse qui incontrou ele indo pras Panela.
- Então chame seu irmão mais novo e vá com ele.
- Dá certo não vô. Ele é muito piqueno e só faz é atrapaiá.
- Mas o jeito que tem é ser ele. Os potes já estão todos secos e não tem água nem pra lavar um lenço.
Os dois netos foram, encheram as latas, botaram nas caçambas e o mais novo ficou na cangalha.
O problema maior pra eles foi que o jumento deles era capado e sendo capado os outros jumentos são danados para perseguir.
Pois foi só o que deu. Quando saíram da lavanderia, vinha um jumento com uma carga de lenha e partiu atrás. Antes de chegar na casa do ferreiro Manu, a carga caiu com menino e tudo. As latas que eram quadradas estavam redondas de tanto rolarem na areia.
O neto mais velho não fez nada e nem podia fazer.
O jegue capado foi encontrado um mês depois no sítio Timbaúba.
Quando Pedro Tonheiro foi reclamar dos netos, dizendo que eles foram displicentes, o mais velho justificou:
- Vô. Num tem minino no mundo qui sigure um jegue capado, quando tem um jegue inteiro detráis dele. Se fosse mais Otaviano num tinha avirissido isso.

O RABO DE ZÉ DE ANA - Por Mundim do Vale.

O  RABO  DE  ZÉ  DE  ANA.
Certa vez o meu tio Vicente Piau, ganhou um galo de presente do seu primo Janjão. Meu tio batizou o galo com o nome de Zé de Ana, que era seu tio e ele gostava muito.
O galo por ser muito bonito, tinha um tratamento diferenciado, enquanto os pintos e as galinhas tinham seus alimentos de insetos, Zé de Ana só comia milho e tinha que ser do amarelo. Um dia meu tio sentiu falta de de Zé de Ana e mandou seu filho cascudo procurar:
- Joaquim. Vá procurar o galo, porque desde que o dia amanheceu, que eu não vejo ele.
Cascudo ficou enrolando e o tempo foi passando. Uma hora lá meu tio zangou-se e falou:
- Joaquim. Se Zé de Ana não aparecer, você vai inaugurar meu cinturão novo no espinhaço. Cascudo saiu agoniado na direção do fim da manga e quando voltou já estava escuro. Ficou tentando ganhar tempo, quando seu pai gritou:
- Joaquim ! Você vai ou não vai buscar Zé de Ana?
- Ôxente pai. E eu num já truxe.
- E cadê zé?
- Tá alí no pé daquela cerca. Os pé, o bico e as penas.
- E o galo?
- Pois é pai. Eu tava procurando ele alí no fim da manga, aí iscutei uma zuada dento das moita do Riacho do Machado, aí fui inté lá. Quando eu cheguei lá tinha dois cachorro de Raimundo Beca rasgando ele.
Meu tio muito sentido falou:
- Coitado de Zé de Ana. Mas o culpado foi você. Se tivesse ido procurar na hora que eu mandei, não tinha acontecido isso. Eu vou fazer com você o mesmo que os cachorros fizeram com Zé.
Cascudo tentando evitar o cinturão, deu uma ideia para o pai:
- Pai. Ramo fazer disso; Nóis pega as pena do rabo de Zé de Ana e faz uma peteca pra nóis brincar, aí pai nunca vai isquecer dele.
O pai não concordou:
- Eu tenho uma ideia melhor; E vou lhe dar umas lapadas com o cinturão, que é pra nós dois nunca mais esquecer de Zé de Ana.
E assim o causo termina com meu primo Cascudo inaugurando o cinturão novo do meu tio Vicente. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

TEMPO LIMPO - Por Mundim do Vale.

TEMPO  LIMPO.
No ano de 1966, São Pedro parece que estava preocupado com a copa do mundo e esqueceu de mandar chuva para o Ceará. Passou janeiro, fevereiro e já passava do dia 19 de março e nada, parece que São José também estava envolvido com copa.
Era um calor tão intenso que o pessoal de Várzea Alegre procurava ficar embaixo das marquises, para aliviar o calor.
No dia 26 de março, estavam embaixo da marquise da loja de Luís Proto, nossos conterrâneos a saber; Chagas Taveira, Seu Tõe de Cota, Boris Gibão, O motorista Torrão, Zé Athaide, Miúdo de Vicente Grande e Nicolau Inácio.
Um momento lá Seu Tõe de Cota quebrou o silêncio:
- Eita. Qui o negoço tá é rim !
- Chagas Taveira completou:
- É mermo. Vai ser priciso o aparei da Funcema fazer chuver.
- Boris Gibão perguntou curioso:
- E qui aparei é esse?
Nicolau Inácio explicou:
- É um aparelho que joga gelo nas nuvens e faz chuver.
Zé Athaide perguntou:
- E Cuma é qui vão fazer gelo sem ter água?
Miúdo Grande disse:
- Só se for o próprio aparelho.
O motorista Torrão olhou para o alto e completou:
- Apois vai ser priciso o aparei fazer as nuve tombém. Prque eu ispiei pra riba agora e o tempo tá mais limpo do que o palitó de Juciê de Seu Totô.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale

MARIDO  TOLERANTE.

João Pirão era um moço que residia na Praça Santo Antônio, em Várzea Alegre- Ceará. Era um cidadão que não contava com boa aparência, em virtude de ter um olho olhando para o Iguatu e o outro para o Crato. Afora isso era muito trabalhador. Trabalhava no ofício de abater animais. O Marchante casou-se com uma moça do sítio e viva muito bem, até que um dia Luís Bastos o contratou para abater e tratar um porco na sua residência no sítio Varas. João pegou a sua bicicleta e falou para a esposa:
-  Muié. Eu vou lá nas Vara matar um poico de Seu Luís Bastos.
Quando João chegou no Buenos Aires, notou que tinha esquecido a sua ferramenta. Voltou imediatamente e chegando em casa viu a sua fiel esposa agarrada com um funcionário  do Batalhão de Engenharia e Construção do terceiro BEC, que estava sediado em V. Alegre para construir a rodovia 0,60.
Surpresa para os três; O moço do batalhão fugiu pela janela, a mulher ficou vestindo a roupa e João ficou sem fala.
Quando a voz retornou, João falou:
- Mais muié. Cuma é qui você foi fazer uma coisa dessa cum eu? Eu vivo trabaiando prumode butar as coisa dento de casa, quando acabar você bota chife im neu.
A mulher como não tinha nenhum contra-argumento falou aborrecida:
- Apois eu acho é pouco. Pruque tu além de ser fei, num dá de conta do recado. Inté pra ser corno tu num serve.
João saiu triste caminhando de cabeça baixa, quando avistou Acelino Lenadro sentado na calçada de casa e foi até lá pare pedir um conselho:
- Seu Acilino, eu vim aqui prumode pidir um conselho o sinhor mais eu num sei cuma cumeçar.
- Pode dizer, João.
-O siguinte é esse: Eu fui matar um poico de Luís Basto lá nas Vara, mais quando cheguei no Bonizaro eu ví qui num tava cum meus ferro. Aí eu vortei pra tráis, quando eu entrei dento de casa, minha muié tava cum um caba do bataião. O condendado pulo a ginela e ela ficou butando o vistido na frente aí eu dixe: Máis muié isso é lá sirviço qui  você faça cum um omi qui nem eu, qui tudo qui arruma é pra butar dento de casa. Quando eu dixe isso,  a infiliz fez foi me discompor, me chamou inté de corno. Minha vontade na hora foi de matar a condenada.
O conselheiro Acelino interrompeu dizendo:
- Não faça isso João. Até que pela sua profissão, você você não ia ter dificuldade nenhuma. Mas não faça isso, porque você acaba com a vida dela e a sua.
- O qui é qui eu faço cum ela?
- Bote pra fora de casa.
- E sela vortar?
- Não aceite.
- Máis sela bater o pé e ficar?
- Aí meu amigo, quem tem que sair é você e pra muito distante.
- Máis Seu Acilino, eu num quiria ir simbora da minha casinha não.
- Nesse caso você vai ter que aprender a conviver com o chifre

sábado, 23 de fevereiro de 2013

MOTORISTA DE TRATOR - Por Mundim do Vale.



MOTORISTA  DE  TRATOR.

Bibi ficou satisfeito
Com a sua votação,
Mas o bom da eleição
É o candidato eleito.
Somando causa e efeito
Bibi foi um lutador,
Mas para vereador
Não atingiu o total.
DA  CÂMARA  MUNICIPAL
A CONDUTOR DE TRATOR.

Bom Bibi foi educado
Na escola da perfeição,
Tornou-se um cidadão
Trabalhador e honrado.
Hoje é muito respeitado
Por ter sido um vencedor,
Com distinção e louvor
No seu mais nobre ideal.
DA  CÂMARA  MUNICIPAL
A CONDUTOR DE TRATOR.

Bom Bibi não foi eleito
Mas possui muita nobreza,
Ele enxerga Fortaleza
Como se fosse seu leito.
É assim o seu conceito
De cidadão de valor,
Por ser  um merecedor
Do apoio do pessoal.
DA  CÂMARA  MUNICIPAL
A CONDUTOR DE TRATOR.

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

O  ENTERRO  DE  VICENTE  ARAME.
Eu aqui não consigo precisar o ano, mas posso afirmar, que foi num ano de um bom inverno e uma grande safra de arroz, em Várzea Alegre – ceará.
O Sr. Prefeito chamou o seu secretário e falou:
- Esse ano nós vamos fazer a resta do arroz, eu quero que você cuide do projeto, tomando todas as providências.
O secretário arrumou um animal e mandou Vicente Arame ao sítio Unha de Gato, para avisar a Chico de Zé Joaquim, que viesse a Várzea Alegre, para conversar com ele.
Era ainda no mês de maio mas Chico veio atender o chamado. Quando encontrou o secretário foi logo falando:
- Pronto. Seu secretaro !
- Chico, eu mandei lhe chamar aqui, porque o Sr. Prefeito vai fazer a festa do arroz no mês de junho e eu queria contar com você.
- No qui eu puder, pode contar.
- Eu queria que no dia 26 de junho, você viesse com o seu pessoal.Traga a banda de pífano, o grupo de maneiro pau e os Cortadores de tesouras. Mas chegue cedinho, que é pra dar tempo deles vestirem as fardas que o Mestre Vicente Salviano vai fazer.
- Pode deixar qui eu cuido de tudo.
Quando foi no dia 24 de junho, faleceu uma tia do prefeito. E o prefeito ordenou que fosse suspensa a festa.
Na manhã do dia 25 o secretário arranjou um cavalo e mandou Vicente Arame para a Unha de Gato, para avisar a Chico que não trouxesse mais o pessoal.
Quando amanheceu o dia da grande festa, o secretário tomava o café da manhã, quando chegou Chico de Zé Joaquim e Zé Sobrinho. O secretário assustou-se mas foi logo dizendo:
- Chico eu pedi para você organizar o pessoal mas….. Chico foi logo interrompendo:
- Já tá tudo alí na rua de São Vicente. Eu truve os caba do pife, truve os caba do manêro pau e truve tombém os cortador de tisoura.
- Pois era o que eu estava tentando lhe dizer. Morreu uma tia do prefeito e não vai mais ser possível a realização da festa.
- Ôxente omi ! e num vai mais ter a festa não?
- Infelizmente não. Eu até arranjei um cavalo e mandei Vicente Arame  ontem cedinho avisar a vocês. Ele não foi Não?
-  Foi não. E quando nóis vinha decendo, qui passamo na Boa Vista, nóis vimo o cavalo amarrado na ceica e Vicente bebendo cachaça mais Valera na budega de Chico Inaço. E agora o qui é qui eu vou dizer os caba?
- Diga a verdade. Diga que a tia do prefeito faleceu e não vai mais haver a festa. Diga também que vocês deram a viagem perdida, porque o irresponsável do Vicente Arame, não foi dar o recado.
- Apois eu acho qui é mais mió eu num dizer qui foi pru causa de Vicente. Pruque quando nóis for subir, os caba vão vê ele lá im Chico Inaço e aí o tempo vai sifechar. E eu num tou apariado a vim amenhã  subindo e decendo serra, da Unha de Gato pra Rajalegue não.
- E voçê vem para vÁrze Alegre fazer o que?
- Ora mais tá ! Eu vem pru interro de vicente Arame.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

012 - Nossas Historias - Memoria Varzealegrenses


Luiz Salviano de Macedo - Lila.

Festa de São Raimundo Nonato, décadas passadas. Não tinha aquele reboliço das barracas atuais, a festa se limitava ao Parque de Diversões Lima, e uma quantidade de vendas de comidas tipicas - Manzape, pão de arroz, tapioca com mudubim, filhões, laranjas, tangerinas, abacaxis. O fato é que o povo não era tão viciado em bebidas como agora, satisfazia-se em encher a pança.

Assim é que, um camionheiro do cariri encheu um caminhão de abacaxis, cobriu com uma lona amarrada de corda, estacionou em frente a casa de José Teixeira na antiga Rua Getúlio Vargas.

Abriu parte da carga e começou a atender aos fregueses. Um abacaxi por dois cruzeiros. Em pouco tempo formou-se uma enorme fila tão grande era a procura. Eis que uma senhora se aproxima do dono e pergunta: Seu José, por que é que o senhor vende um abacaxi por dois cruzeiros e daquele outro lado são dois abacaxis por 1.00? O homem saiu em disparada pra conferir. Pois num é que a fila do Lila estava bem maior do que a dele que era dono! Também, só podia, com uma diferença de preço dessa.

Grande Lila.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

É O NOVO ! - Por Mundim do Vale.

É  O  NOVO !

Uma amigo me pediu
Pra fazer uma rima antiga
E da cabeça saiu
Constipação e fadiga.
Forcei minha paciência
Me lembrei de saliência,
De apocada e sisuda.
Lembrei de moça falada,
De mulher amancebada
De teúda e manteúda.

Me lembrei da tabuada
Pra ensinar a contar,
Lembrei quando era cobrada
A minha taxa escolar.
Lembrei revista Cruzeiro,
Papel almaço, tinteiro,
De pena e mata-borrão.
Lembrei de aluno pescando
E a professora brigando
Com a palmatória na mão.

Me lembrei de andajá,
De enganador de apito,
Bolo ligado, aluá
E taboa de pirulito.
Puxei mais pela memória
Lembrei de cigarro Astória,
Continetal e Elvira.
Lembrei chiclete de bola,
Quebra queixo, mariola
E de mel de jandaíra.

Lembrei roleto de cana
E papa de carimã,
De prato de porcelana
E pastilha de hortelã.
Lembrei da gripe asiática,
De cola de goma arábica,
Jardineira e marinete.
Falei em réis e tostão,
Cueca samba canção,
Suco de uva e grapete.

Lembrei de fogão Jangada,
De cepo de caminhão,
Isqueiro sete lapada
E da dança de feição.
Lembrei de bingo dançante,
De caixeiro viajante
E e bica jacaré.
Falei em vento caído,
Catapora estalecido,
Pereba e bicho de pé.

Lembrei de blusa banlon,
De rirí e gigolé,
De música de Roni Von,
De frejo e de cabaré.
Sem perguntar a ninguém
Lembrei foguista de trem,
Pastorinha e sacristão.
Lembrei de bola de meia,
Bingo de galinha cheia
E de jogo de gamão.

Outras coisas que lembrei
Foi do sabão de tingui,
Cana Madeira de Lei,
E a velha T.V. Tupi.
Relógio de algibeira
Espingarda socadeira,
Show de Tonico e Tinoco.
Caco de torrar café,
Frasco de guardar rapé
E de rosário de coco.

Não esqueci de lambreta
O transporte do playboy,
Me lembrei de carrapeta,
De corropío e rói-rói.
Lembrei também de peteca,
De relancim e sueca,
De lu e cara-ou-coroa.
Também lembrei minha avó
Que fazia pão-de-ló,
Manzape, sequilho e broa.

Também lembrei Ludugero
Mandando Otrope calar,
A marcha “ Mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar. “
Da revista Luluzinha,
Das músicas de Amelinha
E o livro Capivarol.
Lembrei de disco de cera,
De pinguim na geladeira,
De quartinha e urinol.

Lembrei também de frasqueira,
Bateria de panela,
De bule, de cristaleira,
Colher de pau e sovela.
Perguntei a um beradeiro,
Quem foi que nasceu primeiro
Se foi o pinto ou o ovo.
Quando mostrei esse verso,
Pensando ser um sucesso
Ele me disse: - É O NOVO ! 

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

PARA  APRENDER  A  MENTIR.

José Haroldo e Vitorino Fiúza, viajaram um tempo para o Rio de Janeiro afim de estudarem e trabalharem. Depois de algum tempo vieram em passeio para Várzea Alegre. No primeiro domingo, Fatico Fiúza reuniu alguns amigos na calçada da casa do Buenos Aires, para uma prosa com os seus filhos. Na reunião estavam; Fatico e a esposa, os dois filhos recém chegados do Río, Antônio de Sérgio, Chiquito Bilé, Divino Morais, Raimundo de Souzão, Vieira Brito e Pé Véi.
Depois de algumas conversas, Fatico pediu:
- Vitorino conte alguma coisa do Rio para os nossos amigos.
- Vitorino deu início:
- Pois é gente. O Rio é muito diferente do Ceará. O progresso chega primeiro por lá. Para que vocês tenham uma noção, a gente sobe para o décimo segundo andar de um edifício, acionando apenas um botão de um aparelho chamado de elevador.
Veira Brito tomou parte na conversa dizendo:
- Grande merda ! Apois eu subo e desço num pé de coco, sem pricisar de aparei.
Depois do comentário de Vieira, Zé Haroldo deu sequência falando do progresso do Rio:
- Isso aí não é nada. Lá no Rio  quando você chega na porta de uma agência bancária, a porta abre sozinha. É um sistema que funciona provocado pelo calor humano.
Naquele momento quem rebateu a história foi Pé Véi:
- Isso daí num é nuvidade não. Lá im casa o povo entra e sai na hora qui quer, pruque lá num tem nem porta.
Depois de muitas risadas, Vitorino e Zé Haroldo saíram para a cidade e os outros ficaram.
Raimundo de Souzão, que até então tinha permanecido calado, resolveu participar também daquela conversa:
- Ou Fatico ! Esses teus meninos estavam no Río, era estudando pra aprender a mentir.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

A  MORTE  DO  GALO.

Essa quem me contou foi o primo Luís Lisboa.

Meu primo Zé André de saudosa memória, sempre gostou de promover brincadeiras; Futebol, debulha de feijão, Adjunto de apanha de arroz e outras atividades lá de nós. Ele bancava as despesas, fazia a organização e prestava a segurança dos eventos.
Numa sexta feira da paixão ele desenvolveu umas brincadeiras no Sanharol e para tanto, convidou seus amigos e parentes. Mas o assunto vazou e ele não teve como evitar, a presença de algumas pessoas inconvenientes.
As brincadeiras eram em quatro modalidades; Corrida de saco, corrida com o ovo no pires, a matança do galo e o linchamento do Judas no sábado seguinte.
A corrida de sacos ia muito bem até quando Herculano Sabino furou dois buracos no saco para passar os pés. Herculano foi desclassificado e quem venceu foi Bonifácio.
A corrida do pires no ovo também ia muito bem até que Paulo de Santiago, foi também desclassificado porque tinha posto mel de engenho no pires para colar o ovo, na prova o vencedor foi Picoroto.
A prova da matança do galo, foi a que deu mais trabalho ao promotor. Enterravam o galo no terreiro deixando só a crista fora, amarravam um rodilha  na cara do candidato e entregavam um cacete de bater arroz. Depois davam umas rodadas para que o candidato ficasse desnorteado. Dos três primeiros, nenhum deles conseguiu bater o cacete a pelos menos dez metros de onde estava o galo.
O quarto candidato foi Zé de Lula. Só que Luís de Cotinha tinha combinado com Zé, que quando ele tivesse no rumo, Luís dava um sinal gritando por duas vezes:
- Mata o galo ! Mata o Galo !
Botaram a venda na cara de Zé, entregaram o pau e deram umas rodadas. Zé saiu pelo lado contrário, quando estava com uns dez metros  de distãncia do galo Luís gritou:
- Mata o galo !
Zé levantou o pau e Luis já junto com umas quarenta pessoas deram o segundo grito:
- Mata o galo !
Zé baixou o cacete num monte de terra, que foi bater terra lá na casa de João do Sapo.
Naquele momento tinha um moreno do sítio Gibão, que além de não ter sido convidado, tava embriagado. Quando ele ouviu aquela conversa de matar o galo partiu pra cima de Zé do galo e tome pancada. Quando conseguiram imobilizar o moreno Zé do Galo já estava com a cabeça cheia de galos.
Zé André foi lá e falou:
- Meu amigo. O galo que é pra matar é aquele que tá lá no terreiro.
- Mas aquele já tá enterrado. Tem que matar é esse.
Enquanto acontecia aquela confusão, Zé de Lula aproveitou e tirou a rodilha da cara, levantou a cacete e deu uma pancada tão condenada no galo, que a ponta do pau ficou enterrado no chão. Depois botou a rodilha novamente e saiu fazendo palhaçada, com os braços abertos e dizendo:
- Cadê o Pau? Cadê? Cadê?
Luís Lisboa foi lá arrancou o pau e colocou a ponta bem perto do fundo de Zé.
Quando Zé disse:
Cadê o pau? Cadê? Cadê?
Luía empurrou o pau e disse:
- Taqui ! Taqui !
Foi preciso novamente a intervenção do promotor, porque Zé também tinha tomado umas cachaças e tava querendo brigar.
Enquanto havia essa outra confusão, Nicolau e Antão Sabino aproveitaram e roubaram o Judas das crianças, que era para ser linchado no dia seguinte.
Zé André desgostoso com tanta confusão pediu silêncio e fez seu discurso:
- Pessoal. Tá terminado as brincadeiras, vocês não sabem brincar, então eu dou por encerrado. Quem quiser pode vir amanhã pra missa de corpo presente do galo. Em seguida o promotor foi até onde estava seu primo Zé do galo e falou:
- José vá pra casa e reze um terço com a sua mãe, porque essa missa de amanhã, faltou pouca coisa, pra ser em sua intenção.

Dedicado ao primo Antônio Morais.