VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Acróstico - Memória Varzealegrense

Dr. Sávio Pinheiro e o Poeta Mundim do Vale

ACRÓSTICO DO POETA SÁVIO PINHEIRO PARA SUA MÃE MARIA DALVA.


Mãe que gerou minha vida
Ajudou no meu crescer,
Repartiu o seu saber,
Incluso em minha investida
Assoprou minha ferida

Doando a sua atenção,
Arranjou disposição
Levando a minha sacola,
Várias vezes na escola
Atendendo ao coração.

Coposição poética: Mundim do Vale
Arte fotográfica: Fatinha Bitu.

006 - Varzea-Alegre, politica antiga.

Onde existia um foco de resistência, de oposição aos Correia o pau cantava. Na eleição  para o mandato de 1951 a 1954, Chegou a Várzea-Alegre  um pelotão composto  por um tenente, um sargento, um cabo e nove soldados.

Puseram-se no sitio Lagoa do Arroz para que impedir a entrada  na cidade dos eleitores dos sítios Sanharol, Serrote, Boa Vista e São Vicente, reconhecidamente  reduto de oposição aos Correia.

Dali ninguém passava, o tenente dizia: pra onde você pensa que vai?  O caboclo dava meia volta e voltava com o rabo entre as pernas.

O velho José Bezerra do São Vicente, depois do meio dia, saiu rumo a cidade, no que foi seguido  pelos ribeirinhos. Quando Chegou na Lagoa do Arroz, o Tenente perguntou: Pra onde o senhor pensa que vai?  Ele respondeu sem medo: Vou votar, e não vai ser você que vai impedir. Avançou, no que foi seguido pelos demais. 

Restou ao tenente dizer: velho mais teimoso. As urnas foram  apuradas em Lavras de Mangabeira e o resultado não podia ser outro: Deu Adelgides de Figueiredo Correia.

Pior que o pelotão da policia militar era a segunda opção ou seja a recorrência ao grupo de cangaceiros do Padre Cicero. Os Sátiros da Boa Vista, opositores dos Correias, receberam a visita do exercito juazeirense e o cipó comeu no lombo, do menino ao velho. 

sábado, 14 de setembro de 2013

005 - Várzea-Alegre, política antiga.

Lembremos uma velha história contada sobre o folclore do saudoso Coronel Antônio Correia. Diz-se que na Várzea Alegre dele, sem contrastes ainda, Seu Toin, como o chamavam, dava atenção aos eleitores e, à medida que iam pegando o prato pra comer do boi morto na madrugada, com feijão novo e arroz pilado sem parafina, ele entregava o envelope com as chapas, pra prefeito, vereador, deputado estadual e federal e governador, que  naquele tempo era tudo junto. 

O voto era conquistado em conjunto. Da cabeça ao rabo. O eleitor saia dali e, com o buchim cheio, ia direto pra urna depositar o voto com envelope e tudo.

Um dia, numa eleição meio apertada, um cidadão lá cismou de perguntar pra o Coronel Antônio Correia:

Seu Toin, em quem é mesmo que eu vou votar?

E o Coronel em cima da bucha.

Tu é besta caboclo! Tu num sabe que o voto é secreto!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

013 - Dalmir Freitas - Histórias de Varzealegrense

O CINE ODEON de Várzea Alegre tinha um espectador muito fiel , se comportava como se fosse funcionário do cinema, era o primeiro a entrar, o último a sair, sentava sempre em cadeira da última fila, sempre bem vestido e eu acho que tinha uma cortesia pois o gênero de filme não interessava, sua presença era garantida.

Eu me lembro que a gente gostava de perguntar, "seu Abel, qual o motivo do senhor sempre sentar em cadeira da última fila da frente?", e ele era taxativo, "é pra ver primeiro".

Quando o filme era histórico ele ficava muito empolgado e sempre se colocava na condição de dono da coroa, sua esposa RAINHA e os filhos herdeiros da coroa, era como se eles fossem os personagens da fita, e contava a gente tudo como se ele fosse um verdadeiro REI.

Pra quem não se lembre seu ABEL, era juntamente com sua esposa Maria e filhos, doentes mentais,pai de Leví e Chica do Rato e outro que não me lembro seu nome, protegidos por Antonio Costa e Dirceu Pimpim a quem prestava pequenos serviços.

Seu ABEL, com suas heranças,com seus quarteis lotados de soldados, com seus navios de guerra e com dezenas de CASTELOS no mundo todo, também faz parte das lembranças de minha infância em Várzea Alegre.

Eita seu Abel!!!
Dalmir

VERSOS LÁ DE NÓS - O sertão fotografado

O  SERTÃO  FOTROGAFADO

Uma carroça de lenha
Com um doido amorcegado,
Moça nova namorando
Com um velho aposentado,
Um caçuá de cabaça
E um pau de sebo na praça
É o sertão fotografado.

Um profeta anunciando
Que vem inverno pesado,
Uma banca de caipira
Na calçada do mercado,
Mel de engenho com farinha,
Prato de barro e quartinha   
É o sertão fotografado.

Uma trempe no terreiro
Pra cozinhar um guisado,
Um tocador de rabeca
Tocando desafinado,
Um carpinteiro da mata
Colocando fundo em lata
É o sertão fotografado.

Um chapeado teimando
Com um vendedor de torrado,
Um sapateiro botando
Meia sola num calçado,
Um frango assado na mão
De um gritador de leilão
É o sertão fotografado.

Um matuto num comício
Com o braço levantado,
Um puxa-saco gritando:
- Viva o doutor deputado!
E deputado arredio
Com um discurso vazio 
É o sertão fotografado.

Um romeiro viajando
Num pau de arara lotado,
A safadeza dos gatos
Namorando no telhado,
Numa esquina um raizeiro
Na outra esquina um santeiro
É o sertão fotografado.

Um muro quase caindo
Um carro de mão virado,
Uma bacia furada
Um urinol amassado,
Um porco fuçando um coxo
E um pé de peão roxo
É o sertão fotografado.

Um quadro do Padim Ciço
Com o Frei Damião do lado,
Um buraco de andaime
Com maribondo arranchado,
Uma panela vazia
E um giral sem serventia
É o sertão fotografado.

Numa sombra de oitão
Um bode velho deitado,
Na calçada da igreja
Um cego e um aleijado,
Um evangélico falando
Que Jesus está voltando
É o sertão fotografado.

Chamar alguém de pagão
Quando não foi batizado,
Moça fazer simpatia
Para arranjar namorado,
Coroa atrás de xodó
Pra sair do caritó
É o sertão fotografado.

Chá de boldo com macela
Pra quem tá com bucho inchado,
Do olho da goiabeira
Pra quem tá desidratado,
Um passe de pai de santo
Para afastar um quebranto,
É o sertão fotografado.

Um tiro de socadeira
Um vira lata assustado,
Letreiro numa bodega
“ Aqui não vende fiado “
Uma mudança da roça
Encima duma carroça
É o sertão fotografado.

Uma récoa de menino
E a mãe naquele estado,
O pai com um na corcunda
E o mais novo pendurado,
Coisa assim de retirante
Que também é penetrante
É o sertão fotografado.

Soldador de caçarola
Vendedor de milho assado,
Catador de oiticica
Amolador de machado,
Um curador de bicheira
E um tirador de goteira
É o sertão fotografado.

Um cambista na calçada
Um sacristão encostado,
Um doido com dez centavos
Para jogar no veado,
Um vendedor de rapé,
Jogando no jacaré
É o sertão fotografado.

Um taco de rapadura
Um jerimum cozinhado,
Uma cuia de farinha
Para um pirão escaldado,
A miséria da carência
E a falta de assistência
É o sertão fotografado.

Um banho de alecrim
Pra velho com resfriado,
Um porrete de jucá
Pra aquietar um safado,
Um garoto desnutrido
Com o pescoço encardido
É o sertão fotografado.

Um padre na sacristia
Um rapaz ajoelhado,
Uma penitência grande
Pra redimir o pecado,
Um fiel com a sacola
Arrecadando a esmola
É o sertão fotografado.

O povo correndo atrás
De um burro desembestado,
Um menino dando língua
Da janela de um sobrado,
Uma rifa de um carneiro
Na calçada do barbeiro
É o sertão fotografado.

Sino tocando repique
Um anjo sendo enterrado,
A poeira na estrada
Quando é dia de finado,
Um beato cabeludo,
Descalço, sujo e barbudo
É o sertão fotografado.

Uma barraca de lona
Um lambe-lambe de lado,
Uma ruma de eleitor
Cada qual mais apressado,
Tudo tirando retrato
Por conta de um candidato
É o sertão fotografado.
        
Uma viúva chorando
Um corpo sendo velado,
Gente contando anedotas
Sem nem olhar o finado,
Pano preto na janela
Indicando a sentinela
É o sertão fotografado;

Uma corrida de jegues
Um Judas sendo enforcado,
Uma briga de comadres
Um porco sendo castrado,
Batizado de fogueira
E um fogo de caieira
É o sertão fotografado.

Escola funcionando
Faltando ainda o telhado,
O prefeito inaugurando
Entregue como acabado,
Um fiscal da educação
Presente a inauguração
É o sertão fotografado.

Um pingüim na geladeira
Um guarda sol pendurado,
Um cigarro na orelha
De um velho viciado,
Um devoto de São João
Descalço na procissão
É o sertão fotografado.

Um vendedor de pão doce
Com o ombro açucarado,
Uma madrasta perversa
Beliscando o enteado,
Um galego na janela
Querendo vender panela
É o sertão fotografado.

Pau da bandeira passando
Pelo povo acompanhado,
As pastorinhas cantando
Um bendito abençoado,
Padre juntando dinheiro
Na festa do padroeiro
É o sertão fotografado.

Uma quenga embriagada
Discutindo com um soldado,
Um velho com um ramo bento
Para tirar mal olhado,
Uma macaca indiscreta
Um padre de bicicleta
É o sertão fotografado.
     
Papagaio falador
Conversando no telhado,
Um vendedor de pitombas
Conferindo o apurado.
A meninada em fileira,
Pra comprar coco na feira
É o sertão fotografado.        
            
Uma cabocla brejeira
Moendo café torrado,
Um caçador expichando
O couro de um veado.
Um idoso com bengala,
Falando cortando a fala
É o sertão fotografado.

Um vaqueiro reclamando
De um bezerro desgarrado,
Um pé de rebenta boi
Atrapalhando o roçado.
Doido fazendo careta,
Porque comeu malagueta
É o sertão fotografado.

Um conterrâneo chegando
De São Paulo endinheirado,
Com um relógio oriente
E um gravador de lado,
Falando: - Quanto que é,
Bicho, oh meu e qualé
É o sertão fotografado.

Metade da minha vida
Morei perto do roçado,
Hoje moro mais distante
Mas ainda estou lembrado.
Quando assisto cantoria,
Estou vendo com alegria
O sertão fotografado.

Meu verso faz muito bem
Urbaniza a boa mente,
Não dar espaço a alguém
De me achar indecente,
Isto faz com que eu faça
Mais versos pra nossa gente.
É o sertão fotografado

004 - Várzea-Alegre, política antiga.

Quando instituíram e implantaram  as camaras de vereadores no Brasil, e, chegou ao conhecimento do Coronel Antônio Correia, com a autoridade de prefeito perguntou a Dudau. - Para que serve a "Câimbra de verador"? 

Dudau, respondeu: - para ajudar ao prefeito a administrar a cidade. 

O Coronel completou: ora mas tá, se eu preciso que alguem me digo o que devo fazer? Então, nomeou um agricultor do São Caetano, amigo seu e compadre como presidente. Ao ser avisado da nomeação, o homem, na sua singeleza e simplicidade, disse: compadre, eu não sei falar, eu só sei aboiar. Como posso ser presidente da "cambra", uma coisa dessas pode dar certo?

Tinha que dar. O Coronel era engenhoso, astucioso, mandava prender um adversário, e, no dia seguinte recomendava a esposa visitar a mulher do preso: Comadre, o que seu marido fez para ser preso? Não sei dona Maria Vitoria!  Isso é uma injustiça, vou pedir a Antônio para mandar soltar o seu marido. 

No outro dia o preso estava em liberdade.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

003 - Várzea-Alegre, política antiga.

Coronel Antônio Correia Lima.


Nasceu em 17 de Junho de 1864, casando-se, exatamente, aos 17 anos, em 17 de Junho de 1881.

A união durou 58 anos, faleceu em 30 de março de 1939 com 75 anos.

Um autentico patriarca, menos militarmente, risonho e de humor muito fino, sabia sorrir um riso serio que os seus lábios controlavam, os mesmos lábios que pareciam sempre balbuciar, tão de mansinho.

Sob seus óculos redondos e de aros de ouro, um olho parcialmente fechado, parecia dar-lhe a visão mais perfeita e exata dos homens e das coisas.

Sem ser um letrado, tinha desenvoltura extrema na conversa vulgar ou no externar de seus pontos de vista a governadores e secretários de estado. 

Os governadores João Tomé e Justiniano Serpa adoravam os encontros que, com ele, tinham, claros, quase sempre culminando de pequenas pretensões inocentes:  promoção para um soldado, melhoria de salario para uma professora, ou remoção de um cabo que estava botando as unhas de fora.

Foi prefeito de Várzea-Alegre de 1912  a 1926, quando passou o cargo ao seu Irmão Coronel José Correia Lima, que governou até 1930.  Num segundo mandato, de 1937 a 1939, ano de sua morte, passou o cargo para o seu genro: Vicente Honório de Oliveira.

Como Borges de Medeiros, no Rio Grande do Sul, foi tudo que quis em Várzea-Alegre.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vale a pena ver de novo - Por Mundim do Vale.

PIOR PODERIA TER SIDO

Respeitando as devidas proporções. O 06 de outubro, em Várzea Alegre, teve semelhança com o 11 de setembro, em Nova York.
Era festa de aniversário da emancipação política da cidade e  o prefeito promoveu atividades culturais e esportivas para comemorar.
Entre as atividades estava o ciclismo.
Para a corrida se inscreveram: Antônio Negrão, Baixinho da Cadeiras, Zaqueu Guedes e outros mais. Os torcedores ficavam nas esquinas,  para jogar água nos atletas.
Mas Zé Bobô fez diferente, passou a semana juntando lavagem numa lata de querosene para fazer a brincadeira..
Quando Zaqueu fazia  a primeira volta os outros atletas já estavam na terceira, foi nessa hora que Zé Bobô jogou a lata de lavagem . Zaqueu parou a bicicleta e foi descendo enquanto tirava uma casca de banana da cabeça e alguns macarrões do ombro. Olhou Para Zé e falou:
- Jogue mais não meu bichim. Isso é um atentado contra a minha saúde. Eu tou com o corpo quente e posso estoporar.
Em seguida montou na bicicleta e saiu pedalando para tentar recuperar o tempo perdido. Pedalou uns 100 metros e a corrente caiu. Enquanto ele colocava os outros atletas deram mais duas voltas. Quando ele terminou de colocar a corrente, olhou para as  mão e a roupa suja de graxa e disse:
- Arre égua. Nessa corrida já aconteceu de tudo comigo. Só falta agora eu chegar pru derradêro.
O Baixinho das cadeiras com 03 voltas na frente de Zaqueu e 03 atrás dos outros, foi a fazer a curva na rua do juazeiro para entrar na Av.  Figueredo Correia, deu uma sobrada e caiu com bicicleta e  tudo no terraço  de  Petronila.
Quebrou o varal, um pé de peão roxo, 02 gaiolas,  amassou um bule e ficou mais arranhado do que capador de gatos. A bicicleta ficou  com a  roda traseira
Encostada da dianteira  e  a garupa foi ficar colada nos guidões. De tão compactada que ficou a bicicleta, deu  para ser  colocada num  saco de farinha.
Levaram a bicicleta para a oficina de Punduru pra ver se dava para aproveitar pelo menos os raios. E o Baixinho foi colocado numa padiola e levado para a farmácia de Nelinho para fazer os curativos. Nessa ocasião chegou Zé de Bogim e falou:
- Mas que tragédia em Baixinho!
O Baixinho entre um ai e um ui falou:
- Pior poderia ter sido.
- Como poderia ter sido pior? Se você perdeu a bicicleta, a corrida e quase perde a vida?
- Tinha sido pior se dona Petrolina tivesse catando arroz no terraço.
- E qual a diferença dela tá catando arroz, para tá estendendo roupas ou aguando plantas?

- É porque se ela tivesse catando arroz, tava entretida com a cabeça baixa, e não dava tempo de correr.   

002 - Várzea-Alegre, política antiga.



José Raimundo Nonato de Morais - Zezin Bilé do Coité.

Este cidadão probo, honrado, trabalhador e honesto foi prefeito de nossa comuna de 1892 a 1912. Residia com a família no sitio Coité. Poucas vezes saia do local pra ir a cidade. Despachava em sua casa, num gabinete improvisado.

Certa feita, o governador do Estado, de passagem por Várzea-Alegre, retornando de viagem ao Crato, o carro apresentou um defeito e mandaram comprar uma peça em Iguatu.

O governador perguntou: onde anda o prefeito? Procurem-no, digam que o governador está na cidade e quer falar com ele.

Mandaram um Jeep apanhar o prefeito no Coité e quando deram o recado disse: Ou homem, volte e diga para o governador que espere até amanha, eu não posso ir porque nós vamos fazer um reizado mais tarde, e, eu sou o boi, se eu sair perde a graça.

Zezin Bile passou o bastão para o Coronel Antônio Correia que governou até 1924, passando ao seu mano Coronel José Correia Lima que  permaneceu até 1930. 

Como se ver de 1892 a 1930, 38 anos, tivemos três prefeitos.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

001 - Várzea-Alegre, política antiga.


Introdução.


Apesar de ser um tema enjoado, cheio de paixões, emoções, tricas e futricas, que poucas pessoas se atrevem a comentar, a partir de então, vou escrever sobre "Politica varzealegrense", com um divisor: Antes e depois de 1962. Porque esta data limite? Porque  depois deste tempo as brasas ainda estão acesas e o fogo pode rebentar. Nesta data, 1962, os "Correias" perderam a hegemonia politica que detinham desde a fundação do município em 10 de Outubro de 1870.

Necessariamente não carece ser um historiador, um estudioso do tema, basta ser um observador da historia. E, no que se refere a politica antiga de Várzea-Alegre eu conheço um pouco. Posso afirmar, sem medo de errar, que agora como dantes, não tem santo nessa historia. 

Há vinte e cinco anos fui convidado por dois amigos para me filiar a um partido politico. Para atendê-los, filiei-me ao famigerado PDS, partido que, no passado, deu sustentação a ditadura militar, presidido pelo "Honorário Sarney, conforme Palmério Dória - no seu livro "Honorários Bandidos".

Numa convenção do partido, os dois amigos, sem que me vissem por perto, conversavam. Um deles disse para o outro:  você não acha o Antônio Morais muito rebelde para  fazer parte  do diretório do partido? No que o outro respondeu: bota ele na vice,  o vice não tem nenhum poder, não serve pra nada, não tenha medo, não se preocupes com esse detalhe. 

Eu ouvi calado, calado fiquei, mas, daquele dia em diante fiquei certo que vice nada vale, especialmente quando o vice nasce para abortar  uma possível candidatura a titular, eliminando estrategicamente um concorrente.

Assim, começarei os meus relatos com o maior líder politico da historia de Várzea-Alegre, em todos os tempos: o Coronel Antônio Correia Lima que como  Borges de Medeiro, no Rio Grande do Sul, foi prefeito de nossa terra quantas vezes quis.  

Da fundação do Município até 1892 foi um período de anarquia, um sobe e desce de intendentes e nomeações autoritárias. Poucos registros existem a respeito. 

Veremos de 1892 em diante, com Zezinho Bilé do Coité, prefeito de 1892 a 1912, 20 anos de mandato com a permissão  dos Correias. É Claro.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Pérolas de Joaquim Piau - Memória Varzealegrense

POESIA DE JOAQUIM PIAU - Por Mundim do Vale


MOTE

Já fui querido e amado
Como cravo no craveiro
Hoje vivo desprezado
Como cisco no terreiro

Já fui menino e rapaz
Desfrutei a mocidade
Fiz coisas naquela idade
Que hoje não faço mais
Aqui uns anos atrás
Já fui cabra esbagaçado
Já fui vadio, fui sambado
Já namorei quanto quis
Já amei já fui feliz
Já fui querido e amado

Na zona onde eu brincava
Pra tocar eu fui um bamba
Quando eu chegava no samba
O tocador se calava
O meu nome ali vibrava
Desde a cozinha ao terreiro
Meu lugar era o primeiro
E todos me rodiavam
As moças me admiravam
Como cravo no craveiro

Quando eu caí na idade
Fui logo considerando
Que devia ir deixando
As coisas da mocidade
Namoro, samba, vaidade
Tudo isso eu pus de lado
Eu fui ficando encostado
Até que o mundo me deixou
Nunca mais me procurou
Hoje eu vivo desprezado.

De viver já estou cansado
Pois não tenho mais futuro
Meu presente é obscuro
E só me resta o passado
Tempo velho, idolatrado
Feliz, risonho e fagueiro
Que passou muito ligeiro
Não volta mais e portanto
Eu considero ele tanto
Como cisco no terreiro.

Dr. Dario Batista Moreno é Memoria.


Da esquerda para direita: Dr. Dario Moreno, prefeito de Várzea-Alegre,  Dr. Aírton Castelo Branco, promotor de justiça, Otacílio Correia, Dr. Lemos, o esposo da juíza, Hamilton Correia, Governador do estado Parcifal Barroso, Deputado federal Joaquim de Figueiredo Correia.

Dedicado ao Dr. Vicente Moreno Filho.

Existem coisas que fogem a compreensão. Quando se escreve  sobre as denuncias  de roubalheiras, cafajestadas dos canalhas que  se apoderaram do puder, aparece gente, aos montes, para defendê-los.  Justificativas as mais diversas, geralmente mostrando erros do passado, assim como se dois erros dessem um acerto. 

Porém, quando se escreve sobre pessoas integras, honradas, honestas há um silencio enternecido,  não aparece ninguém para comentar. Pra tudo, na vida, há uma medida padrão. Para o comprimento é o metro, para o peso o quilo, para o volume o litro, para o homem o caráter, decência e honradez.

Infelizmente, nos dias atuais, pessoas largam tudo,  empresas, cargos funcionais, até a família para serem políticos, que seja  prefeito de uma cidadezinha qualquer do interior. Gastam milhões para se elegerem, sabendo que o retorno será de vinténs. Não temem por nada: sociedade, família, justiça, nem a Deus.

Não se vê mais exemplos como o Dr. Dario Batista Moreno, homem honrado, integro, competente, culto. De posse de um mandato de prefeito de sua terra natal, fez concurso para promotoria  publica, e, em sendo aprovado renunciou ao mandato que o povo lhe concedera e, foi desempenhar  com honras, louvores e brilhantismo uma carreira sem igual no ministério publico. 

Exemplos de grandeza dessa magnitude são o azar dos canalhas que hoje se apoderaram  da politica no Brasil.

domingo, 8 de setembro de 2013

Versos lá de nós - Memória Varzealegrense

GALOPE  PELO  SERTÃO - MUNDIM DO VALE

Não canto galope, lá na capital.
Pois não tem a matéria, que tem no sertão,
Na roça eu tenho a boa visão,
Pra ver a beleza, do poder divinal.
Meu cavalo é do mato, não anda no litoral.
Tem areia demais, ele pode atolar
No sertão é melhor, pra nós galopar.
Se eu encontrar, o Sávio Pinheiro
Eu vou lhe ensinar, a seguir meu roteiro
CANTANDO  GALOPE, DISTANTE  DO  MAR.

Só canto galope, aqui no sertão.
Passando no Chico, eu afino a viola
De lá vou pro Canto, tomar coca-cola
Esporo a cavalo, vou pro Caldeirão.
Num banco de angico, eu canto um mourão
Depois do mourão, eu vou paquerar,
Que poeta também, tem direito de amar.
Mas se o padre achar, que foi um pecado
Eu deixo o namoro e sáio vexado
CANTANDO  GALOPE, DISTANTE  DO  MAR.

Eu celo o cavalo, quando baixa o sol
Galopando e rimando Vou ao o Inharé,
Passo lá no Giovani, tomo um café com Bebé
Me dispeço dos dois, vou pro Sanharol.
Com o amigo Renato, eu tomo uma Skol
Passo no Dr. Meneses, que pede pra eu ficar,
 Mas agradeço ao doutor, Porque preciso chegar
E lá na cidade, vou resolver uma coisa.
Com a voz afiada, açoitar Cláudio Souza
CANTANDO  GALOPE, DISTANTE  DO  MAR.

Nem o Cláudio Souza, Nem o Sávio Pinheiro
Segura a peteca, rimando comigo,
Alí eu respeito, somente um amigo
Que é repentista e bom violeiro
E o amigo se chama, Expedito Pinheiro.
O poeta Expedito, pode até me encarar
Mas Cláudio e o Sávio, não dá pra  empatar.
Quem sabe se um dia, Eles vão aprender
E eu vou ser paciente, pra ensinar o dever,
CANTANDO  GALOPE  DISTANTE  DO  MAR.

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

A BANDEIRA DO SERTÃO

Toca viola guerreira
Nas mãos do teu cantador
Mostra ser a pioneira
Prova teu grande valor.
Vais também para a cidade
Mostra tua qualidade
De cultura resistente.
Pede licença ao sertão
E vais mostrar perfeição
Tocando pra outra gente.

Tocaste anos atrás
Com “Catulo e Aderaldo”
Hoje vens tocando mais
Com “Zé Maria e Geraldo”
És a boa companhia
Que ilustra a cantoria
De um repentista seguro.
Tu que conservas a história
De um passado de glória,
Olhas também teu futuro.

Mostra que fizeste parte
Do folclore Brasileiro
Que seguiste o estandarte
De Antônio Conselheiro.
Foste tu “ brava viola”
O caminho e a escola
Dos melhores cantadores.
Conseguiste diplomar 
Na cultura popular
Repentista de valores.

Tocaste pra Lampião
E os seus “ Cabras-da peste “
Também pra Frei Damião
Santo frade do Nordeste.
Tocaste a chuva molhando
E o sertanejo cantando
Alegre na plantação.
Também tocaste o sol quente
Da cruel seca inclemente
Esturricando o sertão.

Viola esse teu padrão
É de peça de estima
És o ponto de união
Entre o poeta e a rima.
Teu toque lembra o romeiro
Com destino ao Juazeiro
Em seu grande objetivo.
Tu lembras também teu dono
Que vive no abandono
Por falta de incentivo.

Foste tu “ brava guerreira “
Que me deste inspiração
Também foste a primeira
Que tocou no meu sertão.
É chegada a tua vez
De perder a timidez
Onde quer que tu estejas.
Não esqueças tua fama
Que tu és “Primeira dama “
Das culturas sertanejas.

O teu espaço negado
Foi pior do que tortura
Mas tu muito tens lutado
Com teu ato de bravura.
Continua a batalhar
Que um dia há de chegar
O diploma do teu teste.
Tu serás reconhecida
No resto da tua vida
Como um “Símbolo do Nordeste “

Não invejes a guitarra
Nas mãos de um metaleiro
Porque tu tens muita garra
Nas mãos do teu violeiro.
Mostra que sabes tocar
Na cultura popular
Defendendo o teu torrão.
Fazes sons aparecer
Que um dia tu hás de ser
A BANDEIRA DO SERTÃO.

Mundim do Vale
V. Alegre-Ceará

sábado, 7 de setembro de 2013

Feras do Improviso - Memória Varzealegrense

FERAS  DO  IMPROVISO - Por Zé Cardoso.


Eu já cheguei aos setenta
Que o tempo passa ligeiro,
Ficou bom pra pegar fila
Que posso ser o primeiro,
Mas eu queria ter vinte
Nem que fosse o derradeiro.

Dominguinhos - Memória Varzealegrense

Homenagem a Dominguinhos - Por Geraldo Amâncio


NÃO HÁ TERRA OU ESTRELA ONDE SE GERE 
OUTRO MESTRE PERFEITO DA SANFONA,
A CIÊNCIA PELEJA MAIS NÃO CLONA
NÃO HÁ NADA NO MUNDO QUE O SUPERE.
QUANDO O LIVRO DOS GÊNIOS SE CONFERE
O SEU NOME IMORTAL ESTÁ ESCRITO.
DEUS QUE SEMPRE ABENÇOA O QUE É BONITO
LHE CHAMOU PARA A CORTE CELESTIAL
PARA SER O MAESTRO PRINCIPAL
DOS CONCERTOS SUBLIMES DO INFINITO.

A SANFONA SE CALA E ESCONDE O TOM,
HÁ UM CLIMA DE LUTO EM TODO SHOW,
O FANTASMA DA MORTE SEQUESTROU
O ARTISTA MAIOR DO ACORDEON.
FOI UM SUPER DOTADO E DO SEU DOM
NOSSA PÁTRIA JAMAIS ESQUECERÁ.
O SEU CANTO NOS LEMBRA O SABIÁ
O MAIS LÍRICO DE TODOS PASSARINHOS,
SANFONEIRO QUE IMITE DOMINGUINHOS
NEM DAQUI A MIL ANOS NASCERÁ.

QUEM OUVIU DOMINGUINHOS PEDIU BIS,
A SANFONA O MELHOR DOS SEUS BRINQUEDOS
SE ENTREGAVA NA CÓCEGA DOS DEDOS
DO MAIOR SANFONEIRO DO PAÍS.
ELE FEZ NOSSA MÚSICA DE RAIZ
COM O SEU FOLE CHEGAR AO APOGEU.
NÃO IMPORTA SE A MÍDIA NÃO LHE DEU
O LUGAR DOS DESTAQUES PRINCIPAIS,
MAS NO PÓDIO ONDE SOBE OS IMORTAIS 
O PRIMEIRO LUGAR AGORA É SEU.

DOMINGUINHOS PARTIU, NÃO VEM DEPOIS,
SUA HISTÓRIA NA MÚSICA É INCOMUM,
É ETERNO POR SER NÚMERO UM
DEUS NÃO PODE ACEITAR QUE EXISTAM DOIS.
SE ETERNIZA NAS LETRAS QUE COMPÔS,
E NA CADÊNCIA QUE SOUBE CONSTRUIR.
DA HARMONIA FEZ ASAS PRA SUBIR
PARA O CÉU DE JESUS PÁTRIA DOS ANJOS,
COM O REI DO BAIÃO FAZENDO ARRANJOS
TÁ TOCANDO FORRÓ PRA DEUS OUVIR.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

012 - Dalmir Freitas - Histórias de Varzealegrenses

Judas Iscariotes


Os costumes que a gente nunca se acostuma. Na minha infância em Várzea Alegre no sábado de aleluia eu pulava da rede muito sedo e nem tomava café, corria pra praça principal, hoje praça dos motoristas, eu tinha certeza que ali se encontrava pendurado pelo pescoço o JUDAS ISCARIOTES para sua malhação. 

A ornamentação da praça era feita de mudas de bananeira, milho e outras plantas encontradas nos arredores da cidade, ficava uma coisa bem sugestiva, pois o varzealegrense toda vida foi criativo. 

Em Várzea Alegre a gente tinha uma maneira especial de malhar o judas, uma hora antes o CINE ODEON entrava no ar com músicas fúnebres e ali começava o testamento. 

Neste testamento o locutor do CINE ODEON, de maneira muito bem humorada lia o que JUDAS tinha deixado para a pessoas influentes na terra, não vou falar nomes, pois apesar de ser feito com muito bom humor e eles adoravam, são pessoas já falecidas que não quero citar, mas era mais ou menos assim, pra fulano de tal, que gosta de namorar vou deixar....., etc e etc.

Durante a leitura do testamento começavam a chegar os atiradores de elite que iam derrubar o judas, vou ver se me lembro de alguns, Chico Mundeiro, Natércio, André Batista, Neném Justino, Vicente Cesário, etc, tudo de revolver e rifles na mão e começava a atirar, meus amigos, em plena praça pública até a derrubada do judas que quando caia no chão a turma pegava e estraçalhava. 

Durante um mês ou mais o boato se espalhava na cidade,"fulano,quem derrubou o judas",resposta,"eu acho que foi Vicente Cesário", e "não mulher,foi Chico Mundeiro",e assim por diante, e o derrubador era bem paparicado.

No primeiro ano morando na cidade do Crato, vou assistir a malhação do judas, chegando lá encontro uma multidão,muita animação, mais eu sentia falta do depoimento do CINE ODEON, era num local muito afastado, cadê as mudas das plantas, cade os atiradores de elite e fiquei aguardando os acontecimentos.

Na hora "H" da malhação chega o carrasco e assente um pavio de uma bomba que está na cabeça do boneco e quando ela explode foi pedaço de judas pra todo lado. Criança é engraçado, eu queria era bala, CINE ODEON, e testamento.

Dalmir.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Pensamentos - Por Mundim do Vale.

"O poeta sertanejo é a confluência sociológica e sentimental de todas esperanças sonhadas e de todas as lágrimas choradas".
Padre Vieira.

"A poesia nordestina é triste como o destino errante de sua gente".
Padre Vieira.

“ O poeta é aquele que tira de onde não tem e coloca onde não cabe.”
Poeta Pinto do Monteiro.

São João na Varzante - Memória Varzealegrense


Chico André e Ana de Santiago é Memória

Os irmãos Chico André e Ana

Agradecemos a Deus pela graça de provarmos da essência do amor desses dois corações que se emanou por toda nossa família, corações moldados pelas mãos de Deus que foram capazes de na simplicidade de suas ações marcas ideais de Fé e Amor em nossos corações de família. 

Fica o meu agradecimento ao Memória Varzealegrense pela homenagem e deixo o meu desejo que cada amigo que confrontar seu olhar com o olhar desses nossos amados entes possam também se deixar emanar por esse olhar de muita pureza que emitem a existência humana o Dom maior que é o Amor!

Sayonara Gonçalves Bezerra

Ana casou com José Alves Bezerra, o conhecido Santiago, filho de Santana do Sanharol, tiveram 06 filhos: Margarida, Raimundo, Vicente, Inês, Rita e Paulo.

Chico André, casado com Raimunda de Morais Feitosa, filha de  José Raimundo Duarte. O casal teve 08 filhos: Celeste, José, Zacarias, Tereza, Gabriel, Pedro, Isabel e Raimundo.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Foto Memórias! - Memória Varzealegrense

Foto datada de 1935 - Senhor José Martins, Glória Alves de Lima, Anália e Edmilson Martins, no colo de seu pai.(identificação parcial)

Rosinha, a pequena artesã - Memória Varzealegrense

A pequena “grande” guerreira varzealegrense, Rosinha Miguel, vai à Nova York participar de exposição

Rosinha Miguel

Em tempos de valorização exacerbada de bundas, coxas e pernas, em que mulheres se expõem na mídia a todo custo somente para aparecer e parecerem importantes, uma história de superação vem mostrar que nem tudo está perdido.

conversei com Rosinha Miguel. Ela é da comunidade de Mocotó, zona rural deste município, onde comanda uma associação de produtores de artesanato, entre outras atividades que desenvolve. Dona Rosinha é uma dessas pessoas que despertam na gente aquele sentimento de luta, de garra, de persistência pela vida, que existe em cada um de nós, embora em muitas pessoas, ele permaneça adormecido.

A nossa artesã me contou eufórica da expectativa que vive nesses dias que antecedem a sua viagem à Nova York, nos Estados Unidos, onde participará, representando todo o Ceará, da Exposição da Mulher Artesã, que será realizada na sede da ONU – Organização da Nações Unidas, de 7 a 13 de setembro de 2013.

Rosinha me contou que em setembro do ano passado, recebeu em seu email, um formulário de inscrição, que entre outros dados, pedia que fosse preenchido um espaço de 10 linhas, contando a sua história de superação. “Preenchi o formulário de inscrição e contei a história da Associação e um pouco da minha, mas sem muita expectativa de ser a escolhida” – disse Rosinha. “Grande foi minha surpresa, quando em março deste ano, recebi o comunicado do SEBRAE, que eu havia sido a eleita para participar da exposição em Nova York” – complementou.

A artesã será a representante do artesanato do estado do Ceará e fará parte da comitiva com mais 14 artesãs de todo o Brasil, que também estarão no evento, representando outras regiões do país.

“Produzi uma rede exclusiva com tecido sol-a-solo e linha Camila – 100% de algodão. Ela já está em Nova York pronta para ser exposta. Uma equipe responsável pela exposição veio à Várzea Alegre para acompanhar toda a produção feita por mim” – contou. Essa rede será exposta em outros países que também receberão esta mesma exposição.

“Só achei chato a hora de tirar o passaporte lá no consulado americano, em Recife. O pessoal lá é muito antipático e exigente. Pedem muita documentação. É tudo muito burocrático. Mas, vale o sacrifício, já que é uma oportunidade de mostrar o nosso trabalho no exterior” – disse Rosinha.

Tânia Porto de Carvalho, do Sebrae Cariri, é quem vai acompanhar Rosinha na viagem. E foi ela também quem enviou o email para que a artesã varzealegrense se inscrevesse contando a sua história de vida.

Agora, Rosinha já está de malas prontas para literalmente “cair no mundo”. Ela disse estar feliz porque encontrou todo apoio necessário para esta empreitada. “O SEBRAE, a CEART e o Governo do Estado, estão patrocinando toda a despesa da viagem, pois sozinha, tudo ficaria mais difícil.”

Indaguei se a Prefeitura de Várzea Alegre estava lhe apoiando de alguma forma. “Não foi preciso. Tenho certeza que se tivesse procurado o prefeito Vanderlei Freire, ele teria me ajudado. Mas como estou recebendo toda ajuda de outros órgãos, preferi deixar para pedir o apoio da prefeitura em outra oportunidade. Assim não queimo todos os cartuchos de uma vez” – afirmou Rosinha, enquanto ria.

Resta a nós, varzealegrenses, torcer para que a nossa representante na exposição faça muito sucesso. “Eu espero conseguir agradar com o nosso produto. Tenho expectativa de que a partir deste evento, as portas se abram para nós da associação, para que possamos começar a exportar nossos produtos ao exterior. Estou muito confiante” – finalizou Rosinha Miguel, cheia de esperança.

É por isso que eu repito. Nestes tempos atuais, em que tantas mulheres com o corpo perfeito se exibem na mídia para fazer sucesso, uma mulher simples, cheia de limitações físicas, consegue romper fronteiras com seu talento, em busca de novos horizontes para si mesma e para sua comunidade.

Orgulho é o que se pode sentir. Sorte é o que se pode desejar. Imitar os seus gestos de mulher batalhadora, é o que devemos fazer.

Boa viagem, Dona Rosinha. Que Deus a abençoe e a traga de volta para nos contar como foi esta sua experiência internacional.

Fonte: Nonato Alves

Causos lá de nós - Por Mundim do Vale.

A pedido de um conterrãneo.


REDE  VÉA.

O musical  REDE VÉA, de autoria do Coronel Ludugero, fez muito sucesso no sertão e talvez tenha servido de consolo para José de Lula Goteira ( Zé de Lula. )
Zé casou-se com Luíza num tempo em que as coisas em Várzea Alegre-Ce estavam um tanto difícil. Arranjaram para o casal uma casinha no sítio Sanharol, pouco maior do que uma casa de botão, não tinha conforto, mas o casal não pagava aluguel.
Um dia seus amigos Luís Bitu e Demontier Freitas resolveram fazer uma visita ao casal. Para tanto eles passaram no mercadinho de Luís Cavalcante e pediram para que Luís preparasse uma cesta básica no capricho. Subiram para o Sanharol com a cesta, quando chegaram no terreiro, já viram o retrato da pobreza. As portas e  as janelas mais pareciam com gaiolas, quem estivesse fora podia visualizar toda a movimentação da casa.
Os visitantes entraram com a cesta e já viram que na sala não tinha nenhum móvel, passaram por um corredor estreito até chegarem na cozinha. Lá eles encontraram um pote com uma tabua na boca e na tabua uma lata de erviha seca, que servia como copo, uma mesa de camaru com três tamboretes, um fogão de lenha apagado e do lado do fogão um giral de varas, com panelas e pratos de barro. De uma porta que dava acesso a um quarto, eles viram uma rede armada que só deu pra saber que era uma rede, porque tinha os punhos, o resto era uma lona listrada mais surrada do que bermuda de sapateiro. O piso de barro batido caracterizava o estado de pobreza. Aquele casal estava distante de atingir a classe baixa, porque ainda sobreviviam na classe da miséria.
Começaram a conversar e Luíza foi desembalando a cesta, sem achar local para botar tantas coisas. Quando pegou no café e no açúcar disse que ia fazer um café para as visitas.
Zé de Lula recomendou:
- Luíza. Tenha coidado, bote pouco açúcar e pouco pó, pruque esse povo rico gosta de tumar café é fraco e amaigoso.
Depois do café pronto Luíza pegou um saco de pão bola e um pote de margarina, mas foi interrompida pelo marido que disse:
- Carece não, muié, esses caba num gosta de pão não, pruque tem massa e ingorda, eles acha bom é fruita.
Nessa hora do café Luís Bitu perguntou:
- Zé. Porque você não arranja uma espingarda com Pinga Bitu  e vai atrás dumas caças para a mistura?
- É pruque eu num tem a munição. Ou será qui vocês butaram chumbo e póiva nessa cexta?
- Não, porque é proibido vender munição.
- Se é proibido vender, tombém é proibido matar. É mais mió eu aimar fojo no pé da serra prumode pegar preá, qui pelomeno ninguém vai iscutar tiro.
Depois que tomaram o café Luíza saiu no terreiro para lavar umas coisas e Demontier aproveitou pra falar também:
- Zé, Eu não ví cama aqui na sua casa. Porque você não manda Zé Mouco fazer uma?
- Pruque eu num pussui dinheiro.
- E como é que tu presta conta com Luíza?
- Ora mais tá ! É na rede véa qui nem Ludugero.
- Mais homem, na rede não presta não, além de desconfortável ela pode rasgar.
- Sela sirasgar nóis termina no chão.
Terminada a visita os visitantes foram saindo quando Zé gritou:
- Ei ! Isbarraí. Quando vocês quiser vim de novo, me avise qui é prumode eu pegar uns preá, mais traga a cesta de novo e num sisqueça de trazer uma bermuta pra eu e um corte de chita pra muié.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Acróstico Várzea Alegre - Memória Varzealegrense

VÁRZEA  ALEGRE - Por Mundim do Vale.


Fala-se muito nos contrastes da nossa terra, mas eu aqui quero falar do acróstico.

ACRÓSTICO  DE  VÁRZEA  ALEGRE.

Verde como uma vazante
Alegre por natureza
Rimada como amante
Zelada como princesa,
Esculpida é diamante
Agredida é indefesa.

Amada por sua gente
Local de paz e alegria
Espaço para a semente
Germinar a poesia.
Recanto sempre atraente
Estrada da harmonia.

Mundim do Vale.

E no Barracão Cultural é assim....

Barbara Gomes cantando Contrastes de Várzea Alegre  no Barracão Cultural

Barbara Gomes tem a sua origem nesta cidade, ela é neta de Joaquim Alves Feitosa mais conhecido como Quinco Severino, filho de Raimundo Alves Feitosa e Albina Feitosa, sua avó, Socorro Gomes Feitosa.

domingo, 1 de setembro de 2013

Foto Memórias! - Memória Varzealegrense


São eles: Luiz Bastos, Serrinha, Bilé de Mané, Tiburcio Bezerra,  Levi e outro não identificados.

Foto de um Jogo na quadra da Escola Presidente Castelo Branco 

Causos lá de nós - Por um peixe Piau


PIAU  DE  TRÊS  PINTAS.


Uns Piaus meus parentes estavam viajando em turismo para Aracaju e numa visita ao Projeto Tamar, eles viram num aquário um Piau de três pintas. O Piau nadava numa elegância como se fosse o único do cardume.
Um dos meus parentes olhou para o pai e falou:
- Pai esse Piau aí tá passando uma taboca danada nos Piaus lá de nós.
O pai peguntou:
- Porque?
- Porque esse daí tem três pintas e os de Várzea Alegre só tem uma aperreada.

Fonte: Um Piau do cardume.

Curiosidade - memória Varzealegrense

CURIOSIDADE - Mundim do Vale


Porque Mundim do vale?

Meu nome de registro é: Raimundo Nonato Bezerra de Morais.
Em Várzea Alegre eu ganhei o apelido de Raimundim, por conta da minha pequena estatura. Em Fortaleza, Tadeu de Zé Tavares diminuiu para Mundim.
Certo dia nós estávamos no Pecém quando chegou Mundim de Chico Luís.
Tadeu para não misturar os Mundins, passou a me chamar de Mundinzim. Caracterizando mais um contraste de V. Alegre. Eu fiquei diminutivo no apelido e aumentativo no extenso.
Nesse período eu assinava os trabalhos com o nome de Raimundo Morais.
Numa ocasião eu estava no aniversário do segundo ano do programa Ceará Caboclo e comigo estavam o poeta e comunicador Dílson Pinheiro e a comunicadora e contadora de causos, Lourdes Amorim ( Mana Véia )
No meio das comemorações a Mana Veia disse:
Morais. Vamos criar um nome artístico para você. Já lhe chamam Raimundim, nós vamos reduzir para Mundim.
Um amigo do Cedro que estava presente lembrou:
- E ele é lá do Vale do Machado.
Lourdinha completou:
- Pronto. MUNDIM DO VALE.

Mas o desafio era Qual o segundo e mais importante motivo, que fez com que eu adotasse o nome artístico.
Pois bem; Eu tinha na Família do meu pai, Leonarda Bezerra do Vale. Na família da Minha mãe eu tinha um tío com o nome Laís Sérgio Bezerra do Vale.

Daí o Vale foi aproveitado por três fastores siignificativos.

Dedicado ao cardume de Juazeiro do Norte, que são muitos.

Vale a pena ver de novo - Memória varzealegrese

BICHO  DA  GOIABA - Mundim do Vale


Dedicado aos educadores Edmilson e Socorro Martins.

Eu não consigo aquí precisar o ano, mas foi mais-ou-menos em 1960. Depois do triste falecimento do meu  tío Raimundo Piau, sua filha Socorro, que tinha de treze a quatorze anos, foi estudar na cidade e ficou morando na nossa casa de número 04 na rua Padre José Alves, ou rua da lagoa. Além da boa convivência aquela menina ajudava a minha mãe no reforço escolar dos meus irmãos mais novos, já manifestando alí a sua vocação para a excelente educadora que é hoje. A casa vizinha de número 06 que pertencia a Maria de Bárbara, foi cedida pela proprietária para ser ocupada por uma religiosa de nome Emília Gadelha, que nós tratávamos carinhosamente por Vovó Gadelha. No quintal daquela casa tinha uma goiabeira que os seus frutos eram conhecidos na cidade, como os mais graúdos e saborosos. O único bicho que aquelas goiabas tinham, era somente eu, porque quando Vovó Gadelha saía para a igreja onde fazia suas preces para o Coração de Jesus, eu fazia uma verdadeira devassa naquela goiabeira.Um dia Socorro me chamou para comprar umas goiabas com ela. Chegamos lá Socorro falou:
- Vovó Gadelha. Eu queria comprar umas goiabas, quanto é uma?
- É mil réis. Mais miá fia vai pricisar se assubí mode tirá. 
Socorro pegou dez mil réis e falou:
- Eu quero comprar dez, mas não faz bem eu subir de vestido, por isto eu trouxe meu primo Raimundinho pra subir. ( naquele tempo as garotas ainda não vestiam shorts nem calças compridas ).
Vovó Gadelha disse:
-- Apois tá bom, mais diga a Reimundo pra ter coidado prumode num derrubar as verde. 
Eu subí na goiabeira e Socorro ficou recolhendo as frutas em uma sexta. Só que nem Socorro nem Vovó Gadelha estavam notando a minha malandragem. Quando eu jogava uma pra Socorro, botava outra na boca e jogava duas em um tanque de acumular água que tinha no pé do muro dividindo os dois quintais. Chegando em casa eu fui direto no tanque onde tinha mais de vinte goiabas. Quando Socorro viu a arrumação falou decepcionada:
- Mais Raimundinho. Como é que você foi fazer uma coisa dessa? Você fez um furto e me comprometeu também. 
Enquanto eu morria de vergonha, ela desenvolvia um plano para resolver o problema. Depois do plano feito ela falou:
-Pronto Raimundinho. Eu vou pagar o prejuízo de Vovó Gadelha e ao mesmo tempo lhe poupar de um constrangimento. Pegou mais dez mil réis e foi até lá e falou:
- Vovó Gadelha eu trouxe mais dez mil réis pelas goiabas que levei:
- Pricisa não miá fia. Você já pagou o mermo tanto qui os ôto paga nas guaiaba.
- Mas Vovó, é porque as goiabas que o Raimundinho tirou são maiores, elas são o dobro das outras e assim sendo eu quero pagar em dobro. 
A atitude daquela garota foi para mim uma lição de honestidade que eu conservo até hoje.