VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

domingo, 20 de outubro de 2013

034 - Do Tempo do Bumba - Por Mundim do Vale.

BODAS  DE  CHIFRE.

Assis de Zé do Carmo, depois de ter sido traído várias vezes por Terta, ainda sentia uma certa paixão por ela. Terta por sua vez, depois de passar por vários homens, arranjou cinco filhos e ficou com dificuldade de criá-los, por conta da sua idade e pelo abandonos dos pais das crianças.
Terta aproximou-se de Assis e dramatizou uma história triste que Assis falou emocionado:
- Apois tá bom. Ramo siajuntá de novo, mais você vai premetê qui num vai mais simbora cum o fiscal da febre amarela, nem cum o soldadô de panela e nem cum o vendeão de rede.
Terta respondeu chorando para representar melhor a sua farsa:
- Tá bom Assis. Eu premeto qui de hoje im vante meu omi é só você.
Os dois foram morar numa casinha de taipa no Alto do Tenente. Enquanto Terta cuidava de uns canteiros de coentro, Assis viajava com Raimundo Mouco vendendo animais. Numa dessas viajens Assis passou três meses no Maranhão. Quando retornou notou Terta diferente e perguntou:
- O qui é qui tu tem muié? Qui tá cum essa cara de Amélia?
- É pruquê eu sube qui tu arrumô ôta muié lá no Maranhão.
- Isso é fuxico do povo. Eu tava lá era trabaiando prumode butá as coisa dento de casa. Mais adispois qui eu cheguei, eu sube qui tu tava dibaxo dos pé de oiticica da Varjota cum Ontõe Gogó.
- Isso é cunveça dese povo qui num tem o qui cunveçá. Eu só fui lá na Varjota duas vez. E Ontõe Gogó tava, mais era me ajudando a catá as oiticica.
- E pruquê quando chegava gente, vocês siscundia no buraco da cacimba?
- Era pruquê Ontõe Gogó é um omi dereito e tava cum medo do povo pensá qui nóis tava cum chamego.
- Apois tá certo. Eu vou ali na budega de Vicente Totô  pra comprá umas coisa e quando eu vortá, nóis ramo matá a sodade ali diibaxo do cajuêro. Tu tá alembrada qui oje faz dez ano qui nóis siajuntemo?
- Vixe omi! Eu tava isquicida. Apois vá e vorte logo qui eu vô butá os minino pra ir brincá na casa de Chiquim Beca.
Assis foi até a bodega, fez as compras e pagou a conta velha. No meio das compras tinha um litro de zinebra e Vicente totô perguntou:
Tem festa lá hoje, Assis?
- apois é. Tá cum noventa dia qui eu tou loge de Terta e eu oiei no calendaro hoje tombém faz dez anos qui eu mais Terta siajuntemo. Dez ano é boda de que mermo em Vicente?
Vicente quase não deixa Assis terminar:
- DE  CHIFE.

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